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Dia: 2 de fevereiro de 2021

Informe Covid-19 na Pan-Amazônia

A Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM divulgava no dia 1° de fevereiro a atualização dos números da Covid-19 na Pan-Amazônia, recolhendo os números oficiais relatados pelos diferentes países. O número oficial de casos na Pan-Amazônia é de 1.913.661, com um aumento de 72.157 casos na última semana. Já os óbitos são 46.509, 1.970 a mais nos últimos 7 dias. Na Amazônia brasileira, o número total de casos é de 1.450.628, com 32.259 falecidos. No caso do Regional Norte 1 da CNBB, o mais atingido na última semana, especialmente no Estado do Amazonas, o número de casos até 1° de fevereiro é de 312.949, com 8.667 falecidos. Na última semana, o aumento dos casos e mortes no Regional Norte 1 da CNBB foi de 18.327 e 988. É significativo que tendo uma população que representa mais ou menos 14% da população total da região panamazônica, o Regional Norte1, na última semana, aporte mais da metade do número de óbitos, o que mostra a gravidade do momento que está sendo vivido, especialmente na Arquidiocese de Manaus, que soma 784 falecidos a mais nos últimos 7 dias. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

103 entidades religiosas e sociais externam “indignação e preocupação diante do sistema de saúde pública em Roraima”

Foto:G1-Globo 103 entidades eclesiais e sociais do Estado de Roraima, dentre elas a Diocese de Roraima, com o apoio de outras organizações de diferentes regiões do Brasil, têm denunciado ao Ministério Público sua “indignação e preocupação diante do sistema de saúde pública do Estado de Roraima nos últimos anos“, uma situação que tem se agravado com a pandemia do coronavírus. A nota denuncia a grave situação que enfrenta atualmente o estado, pouco esclarecida pelo poder público, o que leva a pedir a reabertura imediata do Hospital de Campanha. Ao mesmo tempo são realizadas no texto 12 solicitações onde pedem esclarecimento da situação, avanço no plano de vacinação, retorno do auxílio emergencial, atendimento adequado aos pacientes, equipes de proteção individual para o pessoal sanitário, investigar os atos de corrupção dentre outros. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Regional Norte1  

Dom Tadeu envia mensagem aos religiosos e religiosas pelo Dia da Vida Consagrada

Dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos, vice-presidente do Regional Norte 1 – AM/RR, que também é religioso da congregação Salesianos de Dom Bosco (SDB) e bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, emite mensagem pelo Dia da Vida Consagrada parabenizando os religiosos e religiosas que se dedicam em terras amazônicas a sua missão profética de evangelizar Mensagem para o Dia da Vida Consagrada Manaus, 2 de fevereiro de 2021 Os tempos mais globalizados parecem exigir atitudes dramáticas dos(as) consagrados(as): resistência e discernimento a partir da distância, desde o horizonte escatológico e sua reserva de sentido. Os modelos rígidos, porém, não ajudam, sobretudo em tempos de maior complexidade. Quando, no entanto, a complexidade é tal que não se está em condições de saber o que fazer, vale o axioma de Aristóteles – comentado por Santo Tomás, por um lado, e por Marx, por outro –: “Em questões complexas, a melhor prática é uma boa teoria”, isto é, os tempos são para aprofundar os tesouros de sabedoria da tradição, para análises críticas e para dar tempo ao discernimento. Frequentemente, isso ocorre em tempos de silêncio, na noite, quando se perscruta os sinais do amanhecer. O momento atual pede a presença da Vida Consagrada, mais profético e mais corajoso. Ela, mais do que nunca, não pode abdicar da sua missão profética. Por isso mesmo, precisa situar-se nas periferias existenciais, pois é aqui que se encontra o lugar da criatividade profética e da vida religiosa, o lugar da resistência contracultural. Ao parabenizar a Vida Consagra em nossa Arquidiocese no seu dia celebrativo, evoco à memória todos (as) os (as) que souberam dedicar-se a essa Igreja nessa região da Amazônia com a disponível generosidade, própria de quem descobre que é graça ser mediador da esperança em uma vida religiosa atualizada, sólida, comprometida e alicerçada numa profunda fé no Ressuscitado-que-caminha-conosco. Daqui por diante, tudo está para ser constantemente refeito. As conquistas do passado valem enquanto ponte para o mergulho no futuro. Será o Espírito do Cristo crucificado pelo pecado do mundo e ressuscitado para a vida do mundo, que estará a nossa frente para guiar-nos nesse processo de encarnação. A todos (as) os (as) consagrados (as), que se sentem felizes por pertencer a esta grande família que é a nossa Arquidiocese de Manaus, nossa estima e dedicação. Que esta mensagem possa servir de estímulo para uma vida religiosa sempre mais inculturada e comprometida na construção do Reino de Deus em nosso meio. Dom Tadeu Canavarros, SDB

A crise da Saúde no Brasil e no Amazonas: Solidariedade e Indignação

A crise da saúde no Brasil, no Estado do Amazonas e em nossos Municípios causa-nos muita preocupação, dor, tristeza, gestos de solidariedade, mas, também, indignação. Solidariedade “De nossa fé em Cristo nasce, também, a solidariedade, como atitude permanente de encontro, irmandade e serviço. Ela há de se manifestar em opções e gestos visíveis, principalmente na defesa da vida e dos direitos dos mais vulneráveis e excluídos, e no permanente acompanhamento em seus esforços por serem sujeitos de mudança e de transformação de sua situação” (Documento de Aparecida, nº 394 – negrito nosso). O Texto Base da CF/2020, nº 177, nos traz uma afirmação do Papa Francisco em Bañado Norte, Paraguai, em julho de 2015: “A fé nos faz próximos, aproxima-nos da vida dos outros. A fé desperta o nosso compromisso com os outros, desperta a nossa solidariedade… A fé que não se faz solidariedade é uma fé morta. É uma fé sem Cristo, uma fé sem Deus, uma fé sem irmãos. O primeiro a ser solidário foi o Senhor, que escolheu viver entre nós, escolheu viver em nosso meio” (negrito nosso). Nós somos um povo solidário, com as exceções que toda regra tem. São muitas as pessoas aqui na Prelazia de Itacoatiara, no Amazonas, no Brasil e no Mundo que se sensibilizaram fizeram e estão fazendo, na gratuidade, gestos de amor/solidariedade com os pobres e excluídos atingidos pelas desigualdades sociais, pela pandemia do coronavírus e pela crise da saúde no Estado do Amazonas. Queremos fazer nossas as palavras do jornalista Carlos Madeiro da Uol? “De todas as lições, uma que trago encoraja: o exército de populares que foram às ruas ajudar. Pessoas de todos os credos —ou sem— doaram comida, bebida, álcool, máscara… Cantaram para aliviar a dor, oraram juntos, deram assistência psicológica. Mais do que doar, fizeram todos ali se sentir importantes ao menos uma vez, já que o poder público parece tê-los abandonado. Como sempre, os heróis nas histórias mais difíceis são aqueles que menos aparecem“(https://noticias.uol.com.br/saude/2021/01/21). Podemos aplicar a estas pessoas “que foram às ruas para ajudar” o que diz a Palavra de Deus: existe “mais felicidade em dar do que em receber” (At 20, 35). Estas pessoas estão em sintonia com o ensinamento de João em sua primeira carta, quando nos exorta a não amarmos somente “com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” (3, 18). Aqui na Prelazia, desde que a crise da saúde em nosso Estado, o Amazonas, se agravou, temos um grupo de Voluntários e Voluntárias, que de forma heroica, vem desenvolvendo um trabalho de solidariedade, que temos chamado de “Puxirum pela Vida”. É um grupo pequeno, para evitar aglomeração, mas que diariamente buscam e recebem doações e distribuem o que recebem para as famílias mais em dificuldades econômicas, para o Hospital Regional e a UPA – Unidade de Pronto Atendimento da cidade de Itacoatiara, que servem a mais cinco municípios da região. Estas pessoas entenderam o ensinamento de Jesus na Parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37) e o que diz Paulo na Carta aos Gálatas: “Em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pelo amor” (5, 6). É bonito ver a solidariedade em tantos irmãos e em tantas irmãs distantes do Estado do Amazonas, que ao saberem de nossa realidade, desejaram ajudar. Estas pessoas fizeram como o Papa Francisco nos ensina na Encíclica Fratelli Tutti: “A proposta é fazer-se presente a quem precisa de ajuda, independentemente de fazer parte ou não do próprio círculo de pertença”. O Papa Francisco lembra ainda que o Samaritano “se fez próximo do judeu ferido. Para se tornar próximo e presente, ultrapassou todas as barreiras culturais e históricas” (nº 81). Esta solidariedade local e de fora, faz-nos lembrar do que disse Santa Dulce dos Pobres: “O importante é fazer a caridade, não falar de caridade. Compreender o trabalho em favor dos necessitados como missão escolhida por Deus” (citado no Texto Base da Campanha da Fraternidade de 2020, p. 47). Podemos ainda lembrar aqui o que diz o Documento de Aparecida: “Alegra-nos o profundo sentimento de solidariedade que caracteriza nossos povos e a prática de compartilhar e de ajuda mútua” (nº 99g). Para nos estimular na prática da solidariedade, quero trazer este ensinamento de São João Paulo II: “Ainda que imperfeito e provisório, nada do que se possa realizar mediante o esforço solidário de todos e a graça divina, em dado momento da história, para fazer mais humana a vida dos homens e das mulheres, nada se perderá ou será inútil” (Sollicitudo Rei Socialis, nº 47). Indignação Diante da situação da saúde no Amazonas e no Brasil temos de nos indignar. Jesus disse que se os seus discípulos “se calarem as pedras gritarão” (Lc 19, 40). Não devemos dar trabalho às pedras, por isto precisamos falar! A nossa Constituição Federal no Capítulo II – Dos Direitos Sociais, Artigo 6º, elenca os direitos sociais: educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados. No Título VIII – Da Ordem Social, Capítulo II – Da Seguridade Social, Seção II – Da Saúde, Artigo 196, diz que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (negrito nosso). A Constituição do Estado do Amazonas afirma no Artigo 2º, VIII, que são objetivos prioritários do Estado, entre outros a saúde pública e o saneamento básico. No Capítulo III – Da Política Fundiária, Agrícola e Pesqueira, Seção II – Da Saúde, Artigo 182, afirma que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, assegurado mediante políticas sociais, econômicas e ambientais que visem à eliminação de riscos de doenças e outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação, entendendo-se como saúde o resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, saneamento básico, trabalho, transporte, lazer, acesso e posse de terra e acesso aos serviços e informações de interesse para a saúde” (negrito nosso). Portanto, a saúde é um dos direitos sociais garantido pela Constituição do…
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