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Dia: 9 de setembro de 2021

A CNBB nos lembra que “É Tempo de Cuidar”, desta vez do Haiti

“É Tempo de Cuidar” é uma campanha que acompanha a vida da Igreja do Brasil, através da Caritas nos últimos anos. Especialmente durante a pandemia da Covid-19, a campanha tem sido um instrumento que tem ajudado a Igreja a ser presença samaritana na vida do povo. São muitos os relatos de pessoas que mostram sua gratidão para uma Igreja que saiu ao encontro daqueles que muitos ignoraram. No dia 14 de agosto, Haiti sofreu um terremoto que provocou a morte de milhares de pessoas, deixando muitas outras desabrigadas, mais um episodio de dor para um povo tão castigado pela pobreza, segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo. O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no vídeo em que é feito um chamado a ajudar o povo do Haiti, afirma que “a nossa Igreja, fiel ao que pede Jesus, une-se ao Haiti em solidariedade e convida cada pessoa a oferecer o seu gesto de amor ao povo haitiano”. Esse convite é reforçado por Dom Mário Antônio da Silva, quem afirma que “sua doação chegará em forma de solidariedade às famílias das vítimas fatais dos terremotos, e em forma de cuidado às milhares de pessoas feridas, desabrigadas e desalojadas”. O segundo vice-presidente da CNBB e presidente da Caritas brasileira, informa no vídeo que “os recursos arrecadados serão para adquirir itens de primeira necessidade: alimentos, água potável, barracas, lonas, materiais de higiene e limpeza, medicamentos, atendimento médico, transporte, combustível, assim como outros itens para apoiar a população haitiana”. O presidente da CNBB lembra das palavras do Mestre: “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está no céu, é meu irmão, minha irmã, e minha mãe”. Essas palavras de Jesus no Evangelho, levam o arcebispo de Belo Horizonte a dizer que “seguindo o mandamento do amor, fieis ao nosso Mestre, somos todos irmãos, uma família de muitos”. Dom Walmor faz um chamado entender que “as distâncias territoriais, as diferenças entre culturas, etnias e religiões não podem ofuscar esta verdade: formamos uma só família, a família humana, e somos corresponsáveis uns pelos outros”. Finalmente, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, “neste momento em que o Haiti sofre as consequências de um desastre natural”, faz um pedido para que todos ajudem, insistindo em que “É Tempo de Cuidar”. Todos aqueles que caminham na Igreja do Brasil são chamados a participar pelo presidente do episcopado. Ele insiste para que cada um e cada uma “ofereça sua doação, ajude a divulgar esta iniciativa solidária que a Igreja no Brasil desenvolve em solidariedade ao Haiti”. As doações, lembra Dom Mário Antônio da Silva, podem ser realizadas nas contas bancarias disponibilizadas pela Caritas brasileira. “É seu coração solidário cuidando de corações feridos”, afirma o bispo de Roraima, insistindo em que “proclamemos unidos: É Tempo de Cuidar”. Faça sua doação:  Cáritas BrasileiraCNPJ: 33.654.419/0001-16 Banco do BrasilAgência – 0452-9Conta-Corrente – 123.969-4 Caixa EconômicaAgência: 1041Conta-Corrente – 1132-1Operação: 003 Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Sair na rua sem tapa-olhos

Enxergar só aquilo que desperta interesse na gente, ou aquilo que os outros nos deixam enxergar, sempre é um risco. Existe um gadget, geralmente usado nos cavalos, mas que parece que também é usado por algumas pessoas, que impede os animais enxergar o que está fora do campo de visão que interessa ao dono, é o tapa-olhos. Isso sempre existiu e sempre foi usado, em todas as culturas, lugares e momentos históricos, mas parece que ultimamente o uso aumentou, ou a gente tem mais facilidade para percebe-lo. Bem é verdade que no Evangelho de Lucas conta uma cena similar, onde aparece alguém que estava jogado na beira do caminho, muito machucado, mas ignorado pela maioria dos que lá passaram. A Esplanada dos Ministérios de Brasília foi nesta terça-feira, 7 de setembro, Dia da Pátria, local de grandes concentrações. Era gente que queria cumprir com sua obrigação de defender seus ideais políticos e sociais, quem sabe também religiosos, parece que cegos ou sem querer enxergar a situação de um país onde o número daqueles que estão jogados na beira do caminho aumenta a cada dia. Uma foto onde aparece um homem jogado na calçada, provavelmente um morador de rua, com certeza mais uma vítima da falta de emprego, de comida e de tantas outras coisas que cada vez mais atinge a milhões de brasileiros e brasileiras, se fez viral nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens. Pelo que aparece na foto, ninguém quis enxerga-lo, também não aqueles que como o sacerdote ou o escriba do texto de Lucas são considerados modelos de cidadãos por aquela parte da sociedade sustentada nos “bons princípios”. Alguns comentários, a internet deu a possibilidade de todo mundo opinar, protegidos pela distância e o anonimato, nos mostram os princípios que fundamentam o ideal de sociedade de algumas pessoas. São claros exemplos de aporofobia, definida como a aversão a pobres que se expressa pelo preconceito e pela discriminação contra pessoas pobres. Quando pobre é visto como sinónimo de vagabundo, a sociedade tem que refletir sobre os valores que vive e transmite. A família, a escola, também as igrejas, devem refletir sobre os valores que fomentam e transmitem aos outros. O fundamento do cristianismo é o amor, a misericórdia, a compaixão, uma atitude que deve estar presente na vida das pessoas, especialmente quando nos deparamos com aqueles que hoje estão jogados na beira do caminho. Quando a gente sai na rua com tapa-olhos, deixamos de enxergar o sofrimento alheio, e isso nos afasta de Deus e de nós mesmos, pois também nós deixamos de sermos humanos. O que fazer para sentir a necessidade de enxergar, de escutar, de viver a compaixão? Como fazer realidade a necessária mudança social que nos impeça nos afastarmos daqueles que sofrem? Como viver a verdadeira religião, que nos leva a enxergar Deus naquele que tem fome, que tem sede, que é estrangeiro…? É tempo de parar e pensar, mas sobretudo de tirar os tapa-olhos e enxergar. É só querer e entender que a gente ganha bem mais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar