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Dia: 2 de fevereiro de 2022

Encontro dos Bispos do Regional Norte 1: momento de partilha e programação

Os bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), estão reunidos na Maromba de Manaus para seu primeiro encontro anual. O encontro, que acontece nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2022, começou com a partilha sobre as diferentes pastorais presentes no Regional, dentre elas Pastoral Familiar, Liturgia, Catequese, Pastoral Vocacional, Pastoral da Criança, Comunidades Eclesiais de Base, dentre outras. No encontro foi realizada a prestação de contas do ano 2021 e a apresentação do orçamento para 2022. Também foi abordada a organização da visita as limina, prevista para o próximo mês de junho, onde os bispos do Regional Norte 1, junto com os bispos do Regional Noroeste irão visitar o Papa Francisco e diferentes dicastérios, congregações e conselhos da Cúria Romana. Também serão abordadas questões em relação com os povos indígenas e o trabalho do Conselho Indigenista Missionário no Regional Norte 1. Não podemos esquecer que os povos indígenas é uma das prioridades das Diretrizes Pastorais do Regional neste quatriênio. Nesta quinta-feira, 3 de fevereiro, o encontro vai contar com a presença de Dom Edgar Moreira da Cunha, SDV, bispo da Diocese de Fall River, Massachusetts, Estados Unidos, nascido em Riachão do Jacuípe, Bahia, e do padre Leo Pérez, OMI. Eles são representantes da Comissão para a América Latina da Conferência Episcopal Norte Americana. Sua presença responde ao desejo de apresentar aos bispos do Regional Norte 1 o processo de aplicação para Projetos Pastorais apoiados pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos. Durante o encontro com os representantes da Igreja católica estadunidense, os bispos terão a oportunidade de esclarecer as dúvidas em relação com essa questão. No programa aparece um momento dedicado ao Análise de Conjuntura Política, onde foi convidado a participar o deputado federal do Estado do Amazonas José Ricardo Wendling, que desde sua juventude participa da caminhada da Arquidiocese de Manaus. Com os encaminhamentos finais está previsto que seja encerrado o encontro na tarde da quinta-feira. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Ir. Liliana Franco: “Só colocando-nos no lugar dos mais pobres é que a Vida Religiosa se reabastecerá de sentido”

A Irmã Liliana Franco define a Vida Religiosa na América Latina e no Caribe como uma narrativa confiável, como “o ícone evangélico e profético de um novo modo de ser, de fazer e de estar“. A presidenta da Confederação Latino-americana de Religiosos (CLAR), usa três imagens para fazê-lo: sandálias empoeiradas na arte de caminhar, um farol no meio da noite e uma ponte que favorece a comunhão. A religiosa colombiana define a instituição que ela representa como algo que “traz a riqueza de uma sólida espiritualidade, inspirada nos valores do Evangelho, fruto da contemplação da Pessoa de Jesus e da paixão por seu Reino”. É uma história de testemunhas, de respostas a gritos reais, caminhando em fraternidade, sendo uma presença nas periferias. Esta presença é vista por Liliana Franco como a condição, pois “somente se colocando geográfica e existencialmente no lugar dos mais pobres, que é o lugar de Jesus, a Vida Religiosa se reabastecerá de sentido“. Por todas estas razões, diante da celebração do Dia da Vida Consagrada, ela agradece a generosa dedicação de tantos religiosos e religiosas, tendo consciência de que “a força e a possibilidade da Vida Religiosa estão na riqueza do que é comum, do que é patrimônio de todos e que nos esforçamos para dar”. O que a Vida Religiosa representa para a Igreja na América Latina e no Caribe neste momento? Hoje, mais do que nunca, a Vida Religiosa neste continente não é apenas uma narrativa confiável, mas também o ícone evangélico e profético de um novo modo de ser, de fazer e de estar.  É por isso que eu gostaria de usar três imagens para responder à sua pergunta.  Depois de quase quatro anos de serviço aos religiosos e religiosas do Continente, encontro três imagens que expressam o que a vida religiosa representa para a Igreja no Continente. A primeira são as sandálias empoeiradas na arte de caminhar.  A Igreja do Continente é desafiada por uma Vida Religiosa que permanece inserida nos lugares mais empobrecidos, que continua a acreditar nos processos, no germinal e no gratuito.  Que não se cansa de retórica e não se esforça para fazer manchetes na mídia, que simplesmente se dá em simplicidade e profecia, que faz sua morada entre os pobres, caminha com os migrantes, acompanha e escuta as vítimas, compromete-se a educar, a curar as feridas, a trabalhar pela paz e pela justiça. Em segundo lugar, é um farol no meio da noite. Diante da crise de credibilidade da Igreja e passando por sua própria noite, a Vida Religiosa, mais diminuída nos membros, mais envelhecida, mais desgastada pelo peso da instituição, está determinada a responder com novidade e, por isso, não deixa de se formar com a consciência de que são necessárias melhores testemunhas, não poupa esforços para refletir, em discernir onde se encontram os horizontes da novidade e da ressignificação.  Ela mantém essa autocrítica saudável que lhe permite superar a tentação de se tornar confortável, de se paralisar em respostas medíocres.  Ela sabe que é portadora de uma riqueza carismática plural e isto a mantém dinâmica, conduzida pelo Espírito, e por esta razão se agarra à esperança. A terceira, uma ponte que favorece a comunhão, porque consciente da diversidade que a habita, da riqueza vocacional que recebeu e que a torna parte da Igreja: mística, missão e profecia, a Vida Religiosa está convencida da necessidade de caminhar em favor da comunhão.   Não é uma tarefa fácil, mas devemos investir todas as nossas energias nela, porque os aspectos fraternos e sororais são o sinal que a sociedade espera ler na Igreja.  É por isso que tantos religiosos estão ali localizados, no lugar do trabalho em rede e da sinergia, da construção coletiva e da pesquisa conjunta. Em uma Igreja que quer caminhar na sinodalidade, o que pode a CLAR, que há mais de 60 anos se esforça para promover o trabalho em rede dentro da Vida Religiosa e da Igreja, contribuir para esta forma de ser Igreja para a qual o Papa Francisco nos chama? A CLAR traz a riqueza de uma sólida espiritualidade, inspirada nos valores do Evangelho, fruto da contemplação da Pessoa de Jesus e da paixão por seu Reino. É também a memória de uma forma de estar na Igreja, na qual a kenosis, a doação da própria vida, tem precedência.  A história da CLAR é marcada por homens e mulheres que são testemunhas autênticas, verdadeiros profetas, mártires que banharam a terra deste continente com seu sangue.  Sua vida, sua morte, suas causas continuam a ser o sangue vital que alimenta a caminhada da CLAR. Da mesma forma, um estilo pastoral que pressupõe ouvir a realidade, discernir os acontecimentos e questionar diariamente a vontade de Deus.  Os ícones evangélicos da CLAR ao longo de sua história, as prioridades de seus diferentes Horizontes Inspiradores, sempre respondem a urgências, a gritos reais.  É uma ação habitada pela realidade. Finalmente, é uma forma de caminhar, como irmãos e irmãs, em rede, apoiando-se uns aos outros.  Unindo forças, gerando alianças de solidariedade, alcançando uns aos outros.  A presença da Vida Religiosa nas periferias sempre foi algo notável na América Latina e no Caribe, uma presença acentuada durante este tempo de pandemia. Na sua opinião, o que este tempo de pandemia significou para a Vida Religiosa no continente? Uma minoria permaneceu nas trincheiras de segurança e conforto.  Mas a maioria tem estado no lugar do contágio, nossas múltiplas plataformas pastorais: educação, paróquia, saúde, assistência, colocaram a maioria de nós na zona de risco.  Na verdade, milhares de religiosos e religiosas deram suas vidas em meio a esta pandemia.  Para quase todos eles, isso significou uma dose imensa de fé que lhes permite navegar no meio da incerteza que esta pandemia trouxe.  Ela nos levou a repensar, a nos formar com novidade e a usar outras plataformas para fazê-lo; exigiu de nós criatividade ao enfrentar desafios apostólicos, nos colocou no território da ousadia de buscar recursos, de criar redes de solidariedade, de tentar fazer com que a sopa seja…
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