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Dia: 6 de junho de 2022

Dom Leonardo Steiner: “Farei todo o esforço para que a voz do Papa ecoe entre nós”

No dia 29 de maio, O Papa Francisco convocou um novo Consistório, que será realizado no dia 27 de agosto. Na lista dos nomes anunciados da “janela do Ângelus”, estava Dom Leonardo Steiner, e com ele a Igreja da Amazônia. Segundo o Arcebispo de Manaus, seu cardinalato é “uma manifestação de afeto e apoio do Papa Francisco ao serviço evangelizador das dioceses e prelazias que estão na Amazônia brasileira”. Mas também, Dom Leonardo vê sua escolha como um chamado a “uma vida mais simples, uma maior proximidade com os sofredores e pobres, a servir em comunhão com os irmãos no episcopado”. Tudo isso junto com um povo e uma Igreja de múltiplos rostos. Os novos cardeais são chamados ao “serviço à Igreja que está atenta aos dramas humanos, especialmente a dos pobres”. Uma nomeação no contexto do Sínodo para a Amazônia, mas também dos 50 anos de Santarém, que busca “uma Igreja encarnada, libertadora”. Diante disso, o Arcebispo de Manaus espera “ser uma recordação do ministério do bispo de Roma na região e, por isso de fidelidade em relação ao cuidado da Casa Comum, à escuta e proximidade aos povos originários, à justiça na superação da violência em todos os âmbitos, à presença samaritana junto aos pobres”, insistindo em que “farei todo o esforço para que a sua voz ecoe entre nós”. No Regina Coeli da Solenidade da Ascensão do Senhor, o Papa Francisco nos surpreendeu com a convocação de um novo Consistório, no qual o Colégio Cardinalício será enriquecido com a presença de 21 novos cardeais. Desses, 16 são menores de 80 anos e, por tanto, eleitores num futuro Conclave. O que representa para o senhor essa escolha por parte do Santo Padre? Uma manifestação de afeto e apoio do Papa Francisco ao serviço evangelizador das dioceses e prelazias que estão na Amazônia brasileira. Um gesto de proximidade e comprometimento. Como o Santo Padre está comprometido com a Amazônia, a nomeação pode ser o desejo de que a Igreja na região permaneça próxima e ativa e, sempre mais, entre no movimento do espírito sinodal: escuta, partilha, comunhão, evangelização. Pessoalmente, a escolha leva-me a buscar uma vida mais simples, uma maior proximidade com os sofredores e pobres, a servir em comunhão com os irmãos no episcopado. Admirar a fé e a solidariedade das nossas comunidades. Corresponder ao modo afetuoso e fraterno que as caracteriza. Assumir melhor o compromisso de animar as comunidades a partir do Evangelho e da Carta Querida Amazônia que indica os passos evangelizadores para nós que vivemos nestas terras. Os cardeais são chamados a entregar sua vida pela Igreja, pelo Papa e pelo Evangelho. Como isso se concretiza no atual momento da história da Igreja? Como se manifesta na vida do senhor esses compromissos para os quais é chamado, também, agora, por meio desta nova missão? O momento histórico da Igreja tem sua tensão e agressão, sua esperança e santidade. Percebemos a incapacidade de sair de estruturas envelhecidas para inspirações que o Espírito Santo inspira, de seguranças legislativas e de costume para a liberdade da samaritanidade e da misericórdia. Movimentar-se do moralismo para o horizonte da gratuidade salvífica. Na Mensagem enviada para o Dia Mundial das Comunicações deste ano, Papa Francisco convidava a todos a manifestar a necessidade de um mundo harmônico: “cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfônica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.” Os novos cardeais foram chamados a colocar à disposição do Evangelho, da Igreja, do Santo Padre a voz, os dons, a vida. Tudo como serviço à Igreja que está atenta aos dramas humanos, especialmente a dos pobres, levando a esperança e a vida do Ressuscitado. Foram chamados a colocar a voz e os outros dons a serviço da paz, da fraternidade, da justiça, do amor, da harmonia da casa comum. Viver em maior profundidade o Evangelho, pois é uma entrega, um serviço. Voz, dons e vida para despertar para a beleza da santidade. O senhor é o primeiro cardeal da Amazônia. A nomeação pode ser considerada um passo a mais na caminhada da Igreja na região, no pós-Concílio iniciado há 50 anos atrás, com o Documento de Santarém e reforçado de modo especial com o Sínodo para a Amazônia? O Documento de Santarém uniu as igrejas particulares numa caminhada evangelizadora. Ofereceu os elementos fundamentais para que a Igreja estivesse encarnada na Amazônia: dinâmica de comunidades de base, formação dos leigos, opção pelos povos indígenas, fortalecimento dos Institutos de Formação. Lendo o Documento final do Sínodo para a Pan-amazônia e a carta Querida Amazônia de Papa Francisco, percebe-se a grandeza, a beleza e a dinâmica nascida em Santarém. A Igreja compreendeu o momento histórico e buscou o modo e meio de anunciar e viver o Evangelho. Com a nomeação, Papa Francisco poderia indicar a necessidade de continuar a caminhada, incentivados e inspirados pelo Sínodo. O Sínodo oferece a oportunidade de uma Igreja encarnada, libertadora, realizando os quatro sonhos de Querida Amazônia. O Sínodo é expressão da caminhada e expressão do futuro de nossa Igreja. Nessa perspectiva, diante das primeiras reações, – por meio das quais lhe denominam “o cardeal da Amazônia” -, como o senhor enfrenta essa responsabilidade em função da nova missão que o Papa Francisco lhe confia? Com a nomeação Papa Francisco mostra o seu afeto, proximidade e compromisso com a Igreja que está nesta região e com toda a realidade onde ela se encontra. Tenho a sensação de que o Papa está a pedir à Igreja na Amazônia brasileira que realizemos os sonhos que ofereceu. Sou um entre tantos homens e mulheres que buscar viver do Evangelho: mulheres e homens leigos, diáconos, presbíteros, vida religiosa, bispos. Sinto-me rodeado por esses irmãos e irmãs, e inserido na multidão que forma a Igreja. Tantas riquezas culturais de nossas comunidades. Estar atento à dinâmica da Igreja que procura inculturar o Evangelho.…
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Dom Leonardo em Pentecostes: “As nossas comunidades se abram cada vez mais à força do Espírito Santo”

Um dos grandes momentos na caminhada da Igreja de Manaus é a Festa de Pentecostes, que anualmente congrega no sambódromo milhares de pessoas das comunidades, áreas missionárias e paróquias da Arquidiocese. A última vez que isso tinha acontecido foi em 2019, e neste 5 de junho foi retomado esse momento marcante na vida do povo da capital do Amazonas. Foi a primeira vez que Dom Leonardo Steiner presidia a Solenidade de Pentecostes no Sambódromo, onde foi recebido com apoteose, ainda mais depois da notícia recebida no domingo passado e que tanta alegria tem trazido para a Igreja de Manaus e da Amazônia, o fato de ser nomeado cardeal pelo Papa Francisco, o que se tornará efetivo no consistório do próximo 27 de agosto. Uma celebração muito participada, com um povo que expressou sua fé e sua alegria a cada momento, deixando as emoções, inclusive do Arcebispo, a flor de pele. Ele começou a homilia dizendo que o Espírito Santo é “a graça que Jesus, no meio do medo, do fechamento, no meio do sem horizonte deseja aos discípulos. Ele sopra sobre eles, e diz: recebei o Espírito Santo”. Os discípulos estavam “sem lugar para ir, sem lugar para permanecer, sem caminho para percorrer, anoiteceram, e na noite é que o Senhor se apresenta”, insistiu Dom Leonardo. Ele lembrou que “estavam estes homens de portas trancadas, janelas trancadas, estavam apavorados, e no meio do medo, no meio da noite, que Jesus se apresenta como vida nova”. O recentemente eleito cardeal, falou do Espírito novo, “que em Atos ele é dito como vento”, afirmando que “esse vento abre portas, esse vento abre janelas, um vento impetuoso, mas não destruidor, porque é um vento renovador”. Segundo o Arcebispo de Manaus, “agora se respira liberdade, porque é o Espírito da liberdade que agora entra e abre, agora pode percorrer o mundo, agora não tem medo dos impérios, não tem medo da destruição, não tem medo dos ataques, não tem medo da violência, porque impelidos, tomados, purificados, pelo vento impetuoso do Espírito”. Um Espírito que também “desce em línguas de fogo”, segundo Dom Leonardo Steiner, que vê nelas um amor que aquece, que envia, que sai que não se amedronta mais. Ele insistiu em que essas línguas, “mas que repousar sobre eles, lhes penetrou o coração”. O Arcebispo de Manaus definiu o Espírito como extraordinário, como “um Espírito transformador da realidade, mas como um Espírito amoroso, um espírito acolhedor, um Espírito cheio de perdão”. Nesse perdão transparece o amor, “o amor perdoa sempre, o amor não agride, o amor constrói, aproxima”, afirmou o Arcebispo, que disse que “quem recebe os sete dons do Espírito Santo será incapaz de não perdoar, porque tomado, tomada pelo amor”. Dom Leonardo lembrou as palavras do Papa Francisco no dia de Pentecostes, onde afirmou que “o Espírito que nós recebemos e os apostoles receberam é o Espírito de amor, o Espírito da liberdade, o Espírito da paz”. Também mostrou o Espírito como consolador, como aquele que não afasta. Nesse sentido, disse que o Espírito que repousa sobre cada um de nós é o Espírito do Consolo, mas nos envia como amor, como consolo, como liberdade e como paz. O Arcebispo de Manaus definiu o Espírito do consolo como “o Espírito da proximidade, o Espírito que sabe acolher, o Espírito que sabe confortar”. Também definiu o Espírito como um bom advogado, aquele que ajuda a argumentar, a nos aconselhar, a nos dizer, a nos iluminar, a nos indicar a palavra, a nos conceder palavras, não para nos defendermos, mas para falar a verdade. Dom Leonardo chamou a pedir a graça de “sempre estarmos abertos à força e à graça do Espírito Santo”, algo que ajuda a falar uma linguagem que todo mundo entende, a linguagem do amor, da paz. Daí denunciou a necessidade “em nossa cidade, em nossas comunidades, do Espírito da paz”. Isso diante de tanta violência, de tanta agressão, o que tem que nos levar a ser presença de paz, de amor, de reconciliação, de liberdade e de consolo, segundo o Arcebispo de Manaus. Por isso, Dom Leonardo pediu “que Deus nos dê a graça de permanecermos sempre com o Espírito do nosso lado, a guiar nossos pensamentos, os nossos desejos, os nossos amores, os nossos passos”. Também insistiu em que “as nossas comunidades se abram cada vez mais à força do Espírito Santo”, chamando a participar da caminhada sinodal, “sob a força, à luz do Espírito Santo, para que a nossa Igreja seja viva, seja uma Igreja que testemunha a verdade, que testemunha a paz, sejamos uma Igreja que mostre quem foi Jesus e que viva a Jesus, mas sob a força, a graça, a suavidade, do Espírito Santo”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1