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Dia: 31 de outubro de 2022

Episcopado convoca “para a reconciliação, essencial ao novo ciclo que se abre”

Brasil viveu no último domingo 30 de outubro o segundo turno de uma eleição polémica. Após uma campanha fortemente polarizada, reflexo de uma sociedade fortemente enfrentada, o resultado apertado é uma amostra da divisão presente na sociedade brasileira, inclusive geograficamente. Nessa conjuntura, no dia posterior à votação, que teve como resultado a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para seu terceiro mandato como Presidente da República, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil emitiu uma nota onde afirma que “a conclusão das Eleições 2022 convoca-nos, ainda mais, para a reconciliação, essencial ao novo ciclo que se abre. Agora, todos, indistintamente, precisam acompanhar, exigir e fiscalizar aqueles que alcançaram êxito nas urnas. O exercício da cidadania não se esgota com o fim do processo eleitoral”, um desafio urgente na atual sociedade brasileira. O episcopado brasileiro, a través da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, diz cumprimentar “candidatos eleitos, deputados, senadores, governadores e presidente da República”. Junto com isso, a CNBB “parabeniza ainda o Tribunal Superior Eleitoral por sua atuação no zelo de todo o processo democrático”. Tomando como referência as palavras do Papa Francisco na Encíclica Fratelli tutti, a Presidência do episcopado brasileiro pede que “todos possam caminhar unidos para a construção da política melhor, aquela que está a serviço do bem comum”. Palavras que são os votos da CNBB, e ao mesmo tempo algo que os bispos suplicam “em preces para o nosso país”. Para isso, a Presidência da CNBB pede “a materna intercessão de Nossa Senhora Aparecida – Rainha e Padroeira do Brasil”, e junto com isso que “Deus muito abençoe a sua vida e a sua família”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Apresentação do Documento da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe: “Um laboratório prático de sinodalidade”

O Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (Celam), continua a avançar “Para uma Igreja Sinodal em saída para as periferias“, documento (Baixar aqui em português) que reúne as “Reflexões e propostas pastorais a partir da Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe”, realizada na Cidade do México em novembro de 2021.   Um documento que já está nas mãos do Papa Um Documento em seis idiomas apresentado ao Papa Francisco pela presidência do Celam em 31 de outubro, dividido em três partes: os sinais dos tempos que nos desafiam e nos encorajam; uma Igreja sinodal e missionária a serviço da Vida Plena; e o transbordamento criativo em novos caminhos a seguir. Como diz o texto, o desejo é “oferecer uma contribuição significativa para a reflexão e o caminho das comunidades em nosso continente, com a certeza de que ‘somos todos discípulos missionários em saída’”. E para fazer isso “partindo das tradições e culturas do continente para traduzir o único Evangelho de Cristo no estilo latino-americano e caribenho, em uma sinfonia onde cada voz, cada registro, cada tonalidade enriquece a experiência de ser um discípulo-missionário”. A presidência do Celam, acompanhada pelo teólogo italiano Gianni La Bella, apresentou o documento em uma coletiva de imprensa realizada na Sala Marconi, no edifício da Rádio Vaticano, na qual dezenas de jornalistas participaram pessoalmente e virtualmente, o que não devemos esquecer que foi um dos grandes aportes da Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe.   Um laboratório prático de sinodalidade Como destacou Dom Miguel Cabrejos, um dos grandes promotores deste momento inédito para a Igreja no continente, “um laboratório prático de sinodalidade“, foi algo que “corajosa e profeticamente levantou uma barreira, porque de agora em diante, progressivamente, não será possível evitar a participação do Povo de Deus nas diversas decisões da Igreja”, o que, nas palavras do presidente do Celam, “favorece a corresponsabilidade, mas ao mesmo tempo coloca desafios”. Entre eles ele mencionou agir sempre com misericórdia, coerência entre discurso e prática, leitura adequada dos sinais dos tempos, escuta, diálogo e discernimento como processo, comunicação mais empática, habitar o “continente digital”, acolher a diversidade, integrar as mulheres nos espaços de decisão e ver sempre nos outros a imagem de Deus. Desafios que afetam o clero e a Vida Religiosa, em relação a sua formação num mundo pluralista, seu modo de vida, mais simples, mais austero e místico, trabalhando em sinodalidade, promovendo e acompanhando os leigos. Eles são chamados a caminhar juntos, a avançar em uma formação sólida, uma prática coerente e a assumir a Doutrina Social da Igreja. Uma Igreja que “deve construir pontes, derrubar muros, integrar a diversidade, promover a cultura do encontro e do diálogo, educar no perdão e na reconciliação, o senso de justiça, o repúdio à violência e a coragem pela paz”, concluiu Dom Cabrejos. No lugar das perguntas e da construção coletiva Aos presentes na Sala Marconi se juntaram testemunhos de diferentes partes da América Latina. Uma delas foi Ir. Liliana Franco, que refletiu sobre o tema: “O transbordamento criativo em novos caminhos a serem percorridos: perspectivas da Vida Religiosa Latino-Americana”. Segundo a religiosa, estamos em um momento de esperança, que nos levou a nos colocar “no lugar das perguntas e da construção coletiva“, a nos questionar “sobre a vontade de Deus”, a fim de nos aproximarmos da realidade a partir daí. Uma Vida Religiosa que, segundo sua presidenta no continente, está comprometida com “uma Igreja em perspectiva missionária, em saída como condição de fecundidade apostólica“. Portanto, a ouvir os gritos, apostando em novos modos relacionais, deixando claro que, em contextos tão complexos, “os crentes são chamados a ser um sinal, uma expressão de estilo e valores contraculturais e eloquentes”. Um transbordamento criativo que “não será possível sem a participação das mulheres, dos leigos e dos jovens” e que desafia “a abrir buracos para o Espírito”. Transbordamento e escuta Uma Assembleia que, nas palavras de Gianni La Bella, foi “sobretudo uma verdadeira e feliz experiência de sinodalidade, em escuta mútua e discernimento comunitário, sugerida pelo Espírito”, que ele considera “uma ponte ideal entre o Sínodo Pan-Amazônico e o próximo Sínodo Universal sobre a Sinodalidade, experimentando no terreno uma nova abordagem conceitual da eclesiologia da comunhão”. O teólogo italiano lembrou as duas palavras nas quais o Papa insistiu em relação à Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe: transbordar, a fim de “superar divisões e encontrar soluções criativas e inovadoras”, e escutar, a Deus e aos gritos. A partir daí ele mostrou a importância dos “sinais dos tempos” e como os desafios que emergiram da Assembleia, que busca “oferecer uma série de sugestões práticas para reler e atualizar o conteúdo e o espírito da Conferência de Aparecida“.    Ser santos em jeans e tênis Dom José Luis Azuaje, presidente da Caritas América Latina e Caribe, Irmã Laura Vicuña da CEAMA, e a jovem Paola Balanza da Pastoral Juvenil, mostraram elementos presentes na Assembleia Eclesial. Uma Assembleia que mostra uma Igreja mais renovada, em saída para as periferias, samaritana, a serviço da vida, especialmente dos mais pobres, uma Igreja que constrói fraternidade, sustentada pelo amor àqueles que mais sofrem, segundo Dom Azuaje, que insistiu em ser “uma Igreja próxima que se constrói como misericordiosa e promove a cultura da ternura“. Não se pode ignorar que a participação sinodal requer “uma escuta atenta do Espírito, um diálogo aberto e fecundo e um discernimento eclesial“, de acordo com Ir. Laura Vicuña. Ela insistiu que somos todos o Povo de Deus que caminha junto, com a mesma dignidade batismal. Uma Igreja que na Amazônia quer ser ministerial, inculturada, levando em conta a ecologia integral, em um processo de conversão. A representante dos jovens os chamou a “serem santos de jeans e tênis“, a compartilhar o amor de Deus, já que são “sujeitos fundamentais dentro da Igreja, sujeitos de comunhão, de participação, de missão”. A partir daí, Paola Balanza desafiou a Igreja a ouvi-los e a serem levados em conta, pedindo que o documento seja conhecido e praticado.   A…
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