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Dia: 3 de novembro de 2022

Lançado no Brasil A Carta: “Convite para juntos trabalharmos incansavelmente para a construção de um mundo diferente”

No dia 4 de outubro, na festa de São Francisco de Assis, foi lançado no Vaticano o filme “A Carta”, que já teve mais de 8 milhões de visualizações no YouTube. Quando é falado em preservação do Planeta, logo vem na mente das pessoas a Amazônia, uma preocupação para a Igreja católica no Brasil, que nas igrejas particulares da região amazônica e na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a través da Comissão Episcopal para a Amazônia e a Rede Eclesial Pan- Amazônica, tem se empenhado nesse objetivo. Daí a importância do lançamento em português desse filme no dia 3 de novembro na sede da CNBB. Um filme que “faz parte de um grande desafio”, segundo Dom Joel Portela. O Secretário Geral da CNBB insistiu em que “não é apenas um filme ecológico, não é apenas um filme social”, e sim “um convite para juntos trabalharmos incansavelmente para a construção de um mundo diferente desse que aí está diante de nós, que algumas vezes nos entristece e outras vezes também nos envergonha”. Ele fez ver a necessidade de um mundo diferente, de um mundo que não esteja marcado pela “globalização da indiferença”, denunciando “as muitas dores que marcam o mundo dos nossos dias”. Por isso, insistiu em que “diante dessas dores, nós não podemos permanecer indiferentes, na ilusão de que se não nos atingiram, não temos porque nos preocupar”, algo que “anestesia a nossa consciência e os nossos corações” Dom Joel Portela Amado refletiu à luz da Bíblia sobre o sofrimento, que quando atinge o outro, faz parte da vida de todos, algo que nasce da condição de irmãos e irmãs. Por isso, o bispo fez ver que “a construção de um mundo diferente, o mundo novo, o primeiro passo consiste na união de todos nós, de todas as dores, de todos os sonhos, de todas as causas”. Isso em um mundo interligado, uma reflexão fundamental diante do risco cada vez maior de “olha apenas para aquelas situações que mais diretamente nos afligem, esquecendo-nos de que tudo está interligado”, lembrando que esse foi o ensinamento que o Papa Francisco nos deixou na Laudato Si´. O Secretario Geral da CNBB destacou tendo como base a Laudato Si, a importância da ecologia integral e sua relação com a fraternidade universal. Dom Joel mostrou gratidão para quem pensou e participou do filme, mas também para quem participou do lançamento e apresentação, um filme que ele espera “nos ajude a despertar para o desafio que a história de hoje nos apresenta”. Um filme que ajuda a trazer de volta a Encíclica Laudato Si´, “uma Carta que é muito importante, porque traz de volta o cuidado com a casa comum”, segundo a Ir. Maria Irene Lopes dos Santos, que leu trechos da encíclica. Apresentado por Igor Bastos, o Coordenador para Iberoamérica do Movimento Laudato Si´ ressaltou que A Carta “é um fruto da Laudato Si´”, que traz histórias de protagonistas: indígenas, refugiados, ativistas, cientistas. Protagonistas que o Papa Francisco chama no filme de “poetas sociais”, insistindo Igor Bastos em que “são esses poetas que constroem a diferença, que fazem parte de essa diferença, e estão construindo uma sociedade, um Planeta mais justo e fraterno”. Um filme que quer “ser uma ferramenta para chegar com essa mensagem da Laudato Si´ em espaços que ela ainda não chegou, mas também para reanimar os espaços que tem trabalhado cada dia para viver essa mensagem que o Papa Francisco nos passa”. Um instrumento que deveria ser trabalhado nas comunidades eclesiais, nas escolas, nos diferentes espaços de atuação, para trazer “essa mensagem de urgência em um tempo tão difícil que a gente vive”. Um dos protagonistas do filme é Dadá Borari, do Povo indígena Maró, do Estado do Pará, presente no lançamento. Alguém que disse que seu trabalho como ativista iniciou na Igreja católica, insistindo em que “o nosso pensamento para a preservação da Amazônia, ele é um pensamento coletivo, ele não é um pensamento individual”. Segundo o cacique, “a responsabilidade da floresta não é só de quem vive nela, mas de todos, que precisam da floresta”. Ele lembrou que para os povos indígenas a floresta é sua casa e a Terra é a sua mãe, afirmando que tem pessoas que pensam o contrário, mesmo sabendo que tudo o que eles estão fazendo é irregular. Pessoas que seguindo o líder indígenas pensam no lucro, enquanto os povos originários não pensam no hoje e sim no futuro. Ele insistiu que o filme é “uma disciplina educacional para a gente trabalhar” em todos os âmbitos, algo que ele faz a cada dia de maneira voluntária com ações de prevenção, monitoramento e educação, denunciando as instituições do governo brasileiro que não estão assumindo sua responsabilidade na defesa da floresta. Dadá Borari com sua participação no filme e nas diferentes apresentações mundo afora, quis “levar nossa voz que não é ouvida aqui para a sociedade internacional”, insistindo em que a preocupação dos povos indígenas é daqui a anos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

O Brasil é uma democracia

A Constituição brasileira de 1988, que ninguém pode esquecer ainda está vigente no país, define a nação brasileira como uma democracia. Nesse sistema político, os representantes públicos são eleitos nas urnas, sendo escolhidos para o poder executivo os mais votados. Um país que não respeita a vontade da maioria expressada nas urnas se torna uma ditadura, um regime que o Brasil padeceu durante 20 anos, mas que alguns pretendem instaurar de novo, ao menos nas ruas, onde atitudes ditatoriais, que querem impor a vontade de uma minoria, estão se fazendo de novo presentes nos últimos dias, inclusive com o apoio ou tolerância daqueles que hoje assumem o poder executivo. Um país cresce quando caminha unido, quando procura construir pontes, quando o diálogo se torna atitude presente na vida do povo e das instituições. A sociedade, que deve ter como base a política melhor, um desafio que o Papa Francisco coloca em sua última encíclica, a Fratelli tutti, é desafiada a procurar um caminho comum. O Santo Padre faz um chamado a “caminhar unidos para a construção da política melhor, aquela que está a serviço do bem comum”. Uma realidade que no Brasil só vai se tornar algo presente na medida em que todos os cidadãos assumam a reconciliação, que segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, é “essencial ao novo ciclo que se abre”. Nossos bispos afirmam que “agora, todos, indistintamente, precisam acompanhar, exigir e fiscalizar aqueles que alcançaram êxito nas urnas”. A fiscalização dos trabalhos do poder executivo e legislativo deveria ser uma preocupação presente na vida de todo cidadão. O problema é que a ideologia sempre fala mais alto do que a cidadania. O verdadeiro cidadão não se interessa pela política só em tempo de eleição, pois fazer realidade um mundo melhor para todos tem que ser algo cotidiano, constante, que tem que involucrar a todos, também quando o poder executivo e legislativo é assumido por aqueles em quem a gente votou. É tempo de olhar para frente, de assumir a democracia como expressão da política melhor, de respeitar a vontade da maioria, de não querer impor pela força nosso modo de entender a sociedade. É tempo de construir um Brasil sustentado na cultura da paz e do respeito. É tempo de continuar construindo um Brasil onde todo mundo seja visto e tratado como gente, onde o cuidado pelo público, do que é comum a todos, se torne prioridade. Para isso é preciso que todos assumam essa necessidade. Só assim o Brasil vai voltar a ser um país de irmãos e um orgulho para quem dele faz parte. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo: “Mesmo que a família, o país se esqueça, a Igreja não se esquece de rezar pelos vivos e pelos mortos”

No dia em que a Igreja católica comemora o Dia dos Fiéis Defuntos, Dom Leonardo Steiner presidiu a celebração eucarística nas proximidades do Cemitério São Batista de Manaus. Um momento que ele definiu como “a celebração da esperança”, e que foi concelebrada por Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, Bispo da Prelazia de Itacoatiara, e um pequeno grupo de padres. Segundo o Arcebispo de Manaus, foi um momento para “celebrar o dom da fé na Ressurreição de Jesus e na nossa ressurreição”. Também para “louvar e bendizer a Deus pela vida de nossos irmãos e irmãs de quem nós nos despedimos, mas também daqueles que não conseguimos nos despedir no momento da pandemia”. O cardeal Steiner insistiu em que “as feridas da pandemia ainda estão abertas em muitas famílias. Nós desejamos rezar também por estas famílias, para que a dor se acalme, para que a dor se transforme em esperança”. Ninguém pode esquecer que Manaus foi uma das cidades com maior número de mortos por milhão de habitantes durante a pandemia, uma cidade onde foram vividas cenas dantescas pela falta de oxigênio e os sepultamentos em covas coletivas diante do número de mortos, que durante vários dias superou a centena de falecimentos na capital do Estado do Amazonas. Uma Eucaristia segundo o cardeal “por todos os nossos irmãos e irmãs falecidos, mas estamos também a celebrar por aqueles irmãos e irmãs que morreram sozinhos, abandonados, sem ninguém, estamos a rezar por aqueles, aquelas, que ninguém se lembra de rezar. A Igreja, como Igreja, sempre se recorda e reza por todos, não se esquece de ninguém, mesmo que a família se esqueça, mesmo que o país se esqueça, a Igreja não se esquece de rezar pelos vivos e pelos mortos”. Citando o texto do Evangelho lido na celebração, o Cardeal Steiner destacou o chamado de Jesus a estar preparados, acordados. O Arcebispo de Manaus se perguntou: “Não é assim que fomos todos convidados e convidadas para o banquete da vida? Não somos nós participantes da graça das bodas, isto é, do amor de Deus?”. Um Deus que nos serve, insistindo que a razão de crermos está “na graça de termos recebido o dom da fé, porque participamos da graça de um amor debotado, generoso, magnânimo, bondoso, gratuito, jovial. Um amor que nos acolhe a todos, mesmo quando nós fraquejamos, mesmo quando caímos, mesmo quando pecamos. E Deus sempre disposto a nos servir. Mas um dia seremos todos servidos no banquete da eternidade”. “Aqui estamos a rezar pelos nossos irmãos e irmãs no desejo de que eles já estejam na plenitude da vida. Eles estejam participando desse banquete sagrado, deste banquete de amor onde Deus mesmo está a servir todos”, afirmou Dom Leonardo. Segundo ele, “todos os nossos irmãos e irmãs que vieram a óbito, eles venceram o poder da morte em Cristo Jesus”. O Arcebispo destacou a importância de podermos participar do dom da fé da esperança, de “olharmos para o futuro, não termos medo do futuro, mesmo no meio das dificuldades, no meio das desesperanças, no meio dos desconfortos, no meio das agressões, no meio da violência, nós podemos viver da esperança porque temos certeza da participação do banquete do amor de Deus”. Citando o Livro de Jô, Dom Leonardo disse que “veremos Deus, contemplaremos Deus, todos juntos, com aqueles todos de quem sentimos saudades estaremos todos juntos”, insistindo em que “essa é a Luz a iluminar os nossos dias, os nossos passos”. O Arcebispo de Manaus fez um chamado a “jamais temer diante de toda violência que existe hoje, diante de toda agressão que existe hoje, a incapacidade de tolerar, a incapacidade de amar, a incapacidade de reconciliar”. Finalmente o cardeal chamou a fazer um grande propósito, “jamais deixar de rezar pelos nossos irmãos falecidos, rezar sempre por eles”, a recordá-los todos os dias na oração, na família, a rezar por todos, movidos pela comunhão, por uma ligação profunda que nasce de Cristo Jesus.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1