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Dia: 14 de novembro de 2022

Regional Norte1 da CNBB mostra solidariedade a Dom Vicente Ferreira, vítima de ameaças de morte

O Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil enviou uma carta de solidariedade a Dom Vicente de Paula Ferreira, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, onde vem expressar sua solidariedade diante das ameaças de morte contra sua pessoa. A carta, assinada pela Presidência do Regional, Dom Edson Tasquetto Damian (Presidente), Dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos (Vice-Presidente) e Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva (Secretário), diz lamentar “mais um episódio da famosa cultura do ódio que se instalou em nosso país, e que está atingindo diferentes membros da Igreja católica no Brasil afora”. Segundo os bispos do Regional Norte1 da CNBB “são atitudes lamentáveis que tem que levar às autoridades a tomar providências e à sociedade a refletir sobre o rumo que está tomando”. É por isso, que a carta destaca que “como Igreja da Amazônia mostramos nosso apoio para com alguém que assumiu o cuidado da casa comum e a defesa dos mais pobres como atitude que marca seu ministério episcopal”, lembrando que “a encíclica Laudato Si e o Sínodo para a Amazônia têm nos ajudado a ser uma Igreja que faz opção por esse cuidado da Criação e pelas vítimas dos abusos cometidos pelos poderosos, uma conta que é paga sobretudo pelos mais pobres. Esta é uma realidade muito presente na nossa querida Amazônia”. Os bispos afirmam que “cientes de que somos chamados a defender a democracia em nosso Brasil, um país onde cada dia somos desafiados a viver e conviver com as diferenças, defendemos a maturidade e uma atitude de diálogo como caminho de solução para os diversos problemas e urgências de nossa sociedade, e assim buscar a construção da justiça e da paz, da sociedade do Bem Viver”. Finalmente, a Presidência do Regional Norte1 da CNBB diz que “lembrando o convite de Aparecida, que nos chama a sermos todos discípulos missionários, a assumirmos nosso grande compromisso com a Evangelização que humaniza nossa gente e com a defesa daqueles que são vítimas da falta de cuidado, lhe enviamos nosso abraço solidário, nossa comunhão e prece diretamente do coração da Amazônia”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

I Encontro de Interculturalidades e memórias dos povos indígenas: “mostrar o Brasil que queremos”

No último dia 12, jovens indígenas de diversos povos promoveram junto à Pastoral Indigenista o “I Encontro de Interculturalidades e memórias dos povos indígenas”. A atividade desenvolvida é fruto do permanente diálogo entre a juventude indígena e a pastoral, anteriores à Assembleia Sinodal da Arquidiocese de Manaus, ocorrida no final do mês de outubro, e que vêm estreitando os laços e construindo ideias que visam o bem viver dos povos indígenas que estão em Manaus e entorno. A ideia de se construir uma proposta intercultural diz respeito aos complexos e diversos povos étnicos que ocupam o território do Amazonas, e embora sejam povos tão distintos entre si, pretende-se com esta atividade articular relações e fortalecer os vínculos, onde jovens das diversas calhas dos rios do Amazonas se enxerguem como filhos e herdeiros de uma ancestralidade que lhes entrelaça a um passado e presente de atuação e de mobilização. Nesse contexto, os jovens trouxeram consigo suas experiências tanto de comunidade quanto de contexto urbano para dialogar, aprender e contribuir para uma perspectiva de mundo mais indígena, independente do povo. Nesta primeira oportunidade, com o objetivo de articular um encontro dos povos e promover o diálogo acerca da importância do conhecimento tradicional, os jovens estiveram ouvindo as lideranças políticas e religiosas, Emilson Munduruku, Estevão Tukano e Daniel Piratapuya, numa intenção de fortalecer a relação cosmológica, linguística e cultural dos povos indígenas em Manaus, e elevar a importância do protagonismo da juventude para a defesa dos direitos fundamentais dos povos indígenas na atualidade. E com esse princípio, almejamos construir juntos, um projeto plural, com encontros que abordem temáticas que leve em consideração as reais necessidades da juventude; como a luta pela educação e pelas garantias de acesso e permanência nas universidades, pela saúde, pelos direitos das mulheres, das crianças e pela diversidade sexual e de gênero. E por meio disto a juventude que é diversa, mas almeja se unir em um só povo para lutar pelos seus e mostrar o Brasil que queremos. Não o Brasil “oficial”, construído pelas mãos de quem quer nos ver em baixo, excluídos, mas o Brasil real, diverso, pluriétnico, plurilinguístico; tal qual são os povos do Amazonas. Visualizando as lutas dos nossos ancestrais, aprendemos que diante das diversas tentativas de violências e de conflitos que sempre rondou nossos povos, a melhor forma de permanecermos vivos era se defendendo juntos, uns aos outros. Os tempos são outros, mas as lutas foram incorporadas, tomaram novas formas, novos espaços e nomes. Hoje temos novos recursos, novos métodos, novos aliados. A juventude indígena que aqui está agradece a pastoral indigenista do Amazonas e a Arquidiocese de Manaus pelo trabalho desenvolvido coletivamente, pela parceria e pela luta travada que busca da visibilidade e criar meios para que a voz dos jovens indígenas que já ecoam, possam ser escutadas e tomar o protagonismo que lhes diz respeito. Texto: Coletivo Juventude Indígena Fotos: Ariene Susui

Dom Ionilton: “O Congresso tem me ajudado a ver Jesus naqueles que estão à margem da sociedade”

A Arquidiocese de Olinda-Recife acolhe de 11 a 15 de novembro de 2022 o 18º Congresso Eucarístico Nacional. Um encontro postergado pela pandemia que tem como tema “Pão em todas as mesas”. Um Congresso para o que o Papa Francisco pede que reforce nos fiéis o desejo de prosseguir no caminho de diálogo fraterno com todos”. No encontro participam três bispos do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus, o Bispo auxiliar emérito Dom Mário Pasqualotto, e Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, Bispo da Prelazia de Itacoatiara. No 18º Congresso Eucarístico Nacional também está presente o Reitor do Seminário São José de Manaus, Padre Zenildo Lima, além outros padres, representantes da Vida Religiosa e do laicato do Regional. Dom Ionilton está vivendo o Congresso como “uma oportunidade de reafirmar a nossa fé na presença real de Jesus na Eucaristia”. O Bispo da Prelazia de Itacoatiara diz que “esse é o objetivo maior num Congresso Eucarístico, mas também a partir do tema do Congresso, ‘Pão em todas as mesas’, e do lema “Não havia necessitados entre eles”, a gente reafirmar que esse Cristo presente na Eucaristia, no pão e no vinho consagrados, é o mesmo Cristo que está presente em toda pessoa humana e de modo especial nos mais pobres, com quem Ele se identifica, como Ele mesmo diz no Evangelho de Mateus 25, 31-46, ‘o que fizerem a um dos mais necessitados é a mim que faz’”. Segundo o bispo, “o Congresso com esse lema tem me ajudado a reafirmar esse caminho de ver Jesus na pessoa dos humildes, do marginalizado, do empobrecido, daqueles que estão à margem da sociedade e que precisam do nosso apoio, do nosso serviço pastoral, do nosso cuidado”. Do vivenciado, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira destaca que “estes dias aqui têm servido para que a gente observar que estamos nesse caminho com a Igreja na América Latina, com a Igreja no Brasil através da CNBB, no nosso Regional”. O Presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), destaca que “isso serve para reafirmar Jesus realmente presente no pão consagrado, no vinho consagrado, na Eucaristia que a gente comunga para ser força para nosso caminho na vivência da fé e da vocação. Mas também é esse Jesus que nos aponta para o mais pobre, que nos aponta realmente para aquele que está neste momento sem pão e que precisa da nossa caridade, da nossa solidariedade”. Dom Ionilton lembra que vai ser realizada a Casa do Pão, “como expressão maior dessa presença de Jesus no pobre. E essa Casa do Pão vai servir de modo especial para as pessoas em situação de rua”. Ele o vê como “um gesto concreto do Congresso da Arquidiocese de Olinda-Recife, mas que estimula a todos nós de todo o Brasil para também a fazer esses gestos concretos a partir do nosso amor a Jesus na Eucaristia”. O Bispo da Prelazia de Itacoatiara também diz que “como expressão dessa sintonia, de ouvir o grito de Jesus na boca do faminto, e acolher o mandato de Jesus ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’, o Congresso convidou também às Pastorais Sociais para no espaço do Centro de Convenções, onde se realiza a maior parte das atividades, ali pudessem estar as Pastorais Sociais e os organismos, Caritas, Rede um Grito pela Vida”. Uma oportunidade que o Presidente da CPT vê como possibilidade de “mostrar o trabalho que fazem”. Segundo Dom Ionilton, “isso tem sido muito bom porque são muitas pessoas que circulam nesses espaços e que muitas vezes não conhecem o trabalho que as Pastorais Sociais e esses organismos da nossa Igreja fazem em favor dos pobres, como expressão dessa solidariedade que a Igreja sempre deve ter com quem mais precisa do nosso amor, do nosso cuidado”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1