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Dia: 17 de novembro de 2022

Dom José Albuquerque: “Vocação pessoal e igreja entendida como comunidade de vocacionados e vocacionadas são inseperáveis”

O 3º Ano Vocacional do Brasil deseja promover a cultura vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias e na sociedade, para que sejam ambientes favoráveis ao despertar de todas as vocações, como graça e missão, a serviço do Reino de Deus. A iniciativa convida a todos a refletir e aprofundar o tema “Vocação: Graça e Missão” e o lema “Corações ardentes, pés a caminho”. Às vésperas de sua abertura nacional, prevista para ocorrer no próximo sábado, 19 de novembro, a partir de 16h30, com uma coletiva de imprensa e missa solene no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida (SP), o bispo auxiliar de Manaus e referencial do Serviço de Animação Vocacional/ Pastoral Vocacional, dom José Albuquerque, concedeu entrevista e falou sobre o planejamento e organização do Ano Vocacional.  Confira a entrevista: A abertura do Ano Vocacional 2023, em nível nacional, se dará no próximo 19 de novembro.  Qual é a importância desse dia? O 3ª Ano Vocacional do Brasil será inaugurado no dia 20 de novembro. Nessa ocasião celebraremos a Solenidade Cristo Rei do Universo. E no Brasil já em vários anos nós celebramos a vocação e a missão dos cristãos leigos e leigas. Essa data foi marcada para dar início ao Ano Vocacional. No domingo, dia 20, a abertura se dará à nível de comunidade, paróquia, diocese, regional, mas à nível nacional nós estamos nos programando para celebrar no Santuário de Aparecida no dia 19, sábado, com uma missa que será transmitida pelas emissoras católicas – TV Aparecida e TV Pai Eterno – e redes sociais, às 18h.  O que comemora o terceiro ano vocacional e em que foi inspirado? O 3º Ano Vocacional do Brasil irá celebrar os 40 anos do primeiro Ano Vocacional que aconteceu em 1983 cujo lema foi “Vem e segue-me”; o segundo Ano aconteceu em 2003 cujo tema foi “Batismo, fonte de todas as vocações” e o lema “Avançem para águas mais profundas”. Nesse ano de 2023, o Ano Vocacional traz como tema “Vocação: graça e missão” e o lema “Corações ardentes, pés a caminho”, inspirado no encontro de Lucas com os discípulos de Emaús, então essa data é muito significativa para nós porque vamos dar continuidade a toda uma caminhada bonita que estamos fazendo no Brasil para a promoção vocacional, para promover todas as vocações e ministérios que estão à serviço do Evangelho e do povo de Deus.  Em que se fundamenta o tema “Vocação: Graça e Missão”? O tema e o lema do Ano Vocacional foram definidos a partir de indicações provenientes dos vários organismos e comissões da CNBB envolvendo o povo de Deus. Foram considerados alguns critérios como a caminhada vocacional no país e seus eventos nacionais desde o primeiro ano vocacional realizado em 1983 e o contexto atual da Igreja neste caminho sinodal que estamos trilhando. Também foram levados em conta alguns aspectos da vida da sociedade marcada fortemente pela pandemida da Covid-19.  No processo de escolha do tema surgiram várias sugestões: manifestaram um anseio muito forte por uma igreja mais unida, mais sinodal, mais diaconal e próxima das pessoas. Desejava-se que este ano vocacional trate da vocação no seu sentido mais profundo e mais amplo no âmbito pessoal e comunitário.  Nas reflexões ficou evidente que a ocasião deveria promover com muita clareza a identidade das mais diversas vocações específicas da igreja, compreendida como um povo de vocacionados e vocacionadas, tendo o cuidado de superar tanto uma visão reducionista de vocação que seja excludente, uma visão clericalista, mas também evitar uma generalização que não impacta a pessoa, a quem na verdade Deus chama pelo nome. Vocação pessoal e igreja entendida como comunidade de vocacionados e vocacionadas são inseperáveis. Vocação pessoal e também a dimensão missionária do chamado. Como é organizado o texto-base do 3º Ano Vocacional ? O texto-base é fruto de um trabalho muito empenhativo e dedicado de várias pessoas que representam as Comissões da CNBB. Ele é dividido em três partes. Logo após a introdução nós temos a primeira parte que reflete sobre a vocação, todo o seu aspecto teológico, uma compreensão de que a vocação é ser chamado a ser povo de Deus, onde somos convidados a sermos discípulos missionários de Jesus, então trazemos referências do Concílio Vaticano II, da Conferência de Aparecida, textos inspirados no magistério do Papa Francisco. A segunda parte é onde é refletida a dimensão bíblica, onde temos referências de vários textos do Evangelho para compreendermos que a vocação é dom, é graça. E na terceira parte iremos refletir sobre a dimensão missionária, onde o chamado de Deus nos coloca na perspectiva de caminharmos juntos, de estarmos unidos para fortalecer a esperança e, é claro, que o texto nos aponta desafios para promovermos a animação vocacional em nossas comunidades, dioceses ao longo desse ano.  Na prática, qual a proposta do Ano Vocacional 2023? Nós encontramos no texto-base do 3º Ano Vocacional como objetivo geral o desejo de promover a cultura vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias, na sociedade para que sejam ambientes favoráveis no despertar de todas as vocações, como graça e missão à serviço do Reino de Deus. Temos como tarefa buscar o cultivo da sensibilidade vocacional que favoreça a compreensão de que toda pastoral é vocacional; toda formação é vocacional; toda espiriualidade é vocacional. São palavras que o Papa Francisco nos escreveu na Exortação Apostólica Christus Vivit, no número 254. Esse é o objetivo do Ano Vocacional: fazer com que todos nós possamos ser conscientes de que o chamado é para todos e todas. As atividades pastorais que realizamos, toda formação, toda espiritualidade é profundamente vocacional, porque ser cristão significa ser vocacionado, ser chamado a amar a Deus, a seguir Jesus Cristo e a servir o povo de Deus. Quais as atividades previstas para o Ano? As atividades que estão sendo programadas certamente vão acontecer à nível local. Temos à nível nacional a abertura do Ano Vocacional marcada para o próximo final de semana, mas as atividades vão acontecer à nível de comunidade, paróquia, diocese, regional. É importante termos essa consciência de que tudo aquilo que formos vivenciar…
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Encontro Diocesano de Pastoral de Alto Solimões: “Igreja encarnada e libertadora neste chão”

A Diocese de Alto Solimões realiza de 14 a 17 de novembro de 2022 seu Encontro Diocesano de Pastoral, que neste ano tem como tema: “Igreja encarnada e libertadora neste chão” e como lema: “O Verbo se faz carne e planta sua tenda entre nós” (Jo 1, 14). Um encontro onde estão participando umas 100 pessoas representando as paróquias, pastorais e movimentos presentes na diocese. O Encontro teve como ponto de partida a análise de conjuntura na região do Alto Solimões, destacando a importância da construção de políticas pública paras as diferentes problemáticas da região. Para isso se faz necessário um mapeamento para compreender a realidade. Um dos grandes desafios na região é manter a floresta em pé com a ajuda dos povos indígenas, dado que a floresta mantém o solo nutritivo, possibilitando os produtos locais. Nesse sentido, foi feito um chamado a valorizar os produtos da região, como o cacau Tikuna em benefício dessas comunidades. Dentre as realidades presentes na região foi colocado a existência de facões criminais envolvidas com o narcotráfico que têm o controle da Tríplice Fronteira. Também foi relatado a falta de emprego, muito alcoolismo, drogas, violência, a crise econômica, a falta de oportunidades de formação e o desmatamento, extração ilegal de madeira e tráfico ilegal de animais. Em relação à realidade eclesial, se faz necessário fortalecer e animar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), dar resposta desde a Palavra de Deus e viver a dimensão comunitária da fé, procurar que as comunidades analisem desde a Doutrina Social da Igreja as problemáticas e pecados estruturais em prol de uma sociedade organizada. Para isso, como cidadãos e cristãos se faz um chamado a participar nas decisões da região. Foi questionado em relação à Juventude qual é o objetivo da Diocese em relação ao acompanhamento da juventude e quais são as realidades juvenis presentes. Daí foi sugerido a possibilidade de aplicar a metodologia sinodal para se aproximar da realidade juvenil. A Diocese de Alto Solimões sente a urgência de conhecer a vida cotidiana, as dificuldades, as esperanças-sonhos, as realidades particulares da juventude. Para isso se faz a proposta de escutar os jovens nas escolas, universidades, grupos juvenis e outros lugares. Para isso será criado uma guia para escutar a juventude. No trabalho com a juventude foi colocado o Projeto Juvenil dos Capuchinhos em Benjamín Constant “A Juventude Quer Viver”. As Comunidades Eclesiais de Base foram confirmadas na Amazônia no Encontro de Santarém de 1972, buscando estar junto aos movimentos populares, fomentar o ecumenismo, as políticas públicas e a juventude, além dos trabalhos no campo da saúde, educação, paz, política, ecologia, segurança, alimentação. Nesse sentido, foi refletido sobre o fato de que a Igreja deve promover a dignidade, a justiça e a liberdade, ser uma Igreja profética e defensora da vida, uma Igreja cuidadora da criação, uma Igreja martirial, missionária, em saída. Nas Comunidades Eclesiais de Base, a leitura bíblica é um elemento importante, buscando ler a realidade por meio de círculos bíblicos, fomentando assim a união de fé e vida, a formação das lideranças e ministros. Comunidades que visitam, que fazem missão em outras comunidades, que fomentam a pastoral vocacional, que vivem a comunhão. Comunidades que ajudam a fazer realidade os sonhos do Papa Francisco na Querida Amazônia. São comunidades que nascem do chão, do povo, da ação de Deus e de seu Espírito, sabendo que são fortalecidas nos sacramentos, na oração (Lectio Divina), e que cada uma tem suas próprias particularidades e necessidades. Em relação com as comunidades indígenas e ribeirinhas foi colocado que precisam de estudos bíblicos, de mais encontros vocacionais e mais presença dos missionários nas comunidades, que os missionários aprendam as línguas indígenas, que sejam escutadas para depois evangelizar, fortalecer o caminho sinodal e a formação em diálogo com políticas públicas. Também foi colocado que cada paróquia crie uma equipe para atender essas comunidades na formação, catequese, liturgia. As comunidades urbanas são chamadas a fomentar a acolhida, o diálogo, a formação; buscar uma metodologia para trabalho com os jovens; construir políticas públicas em benefício das comunidades; melhorar a comunicação; buscar um maior conhecimento entre os membros das comunidades e uma maior participação; utilizar os médios de comunicação para evangelizar. Em relação com o Documento de Santarém e sua atualização, realizada no encontro que aconteceu em Santarém no mês de junho, foi colocado a necessidade de ter pastorais de acordo à realidade; buscar a encarnação do próprio Jesus Cristo; ajudar o povo a se libertar de tantas escravidões; ser mais humanos; assumir o Sínodo para a Amazônia como algo que é para toda a Igreja. Como retos aparecem a interculturalidade e o diálogo interreligioso com os povos indígenas e a necessidade de reconhecer o serviço das mulheres nas comunidades. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Um Rei que serve e não domina

A Igreja católica encerra o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei, um dia em que a Igreja comemora o Dia dos Cristãos Leigos. Um Rei que não domina e sim que serve, que se doa, que se coloca o último e caminha com os últimos, que pensa em como fazer realidade uma sociedade onde os últimos tenham voz e vez. Depois de encerrar o 18º Congresso Eucarístico Nacional, realizado na Arquidiocese de Olinda-Recife de 11 a 15 de novembro, que no momento final teve como grata surpresa o anúncio de que Dom Hélder Câmara está mais perto de ser declarado venerável, a gente pode ver que tudo está interligado, que nada é por acaso. O “Pão em todas as mesas” presente no tema do Congresso foi um dos grandes pedidos daquele que foi Arcebispo da Arquidiocese sede do grande evento eucarístico nacional. É famosa a frase de Dom Hélder, onde ele diz: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres chamam-me de comunista”. Parece que durante o Congresso alguns católicos se incomodaram quando alguém questionava as causas da atual pobreza no Brasil, que faz com que mais de 30 milhões de brasileiros não tenham pão em sua mesa. São expressões desse catolicismo que alguns tentam impor no Brasil, se afastando cada vez mais de Jesus Cristo, a quem identificam com um Rei dominador e não servidor. Fazer presente esse Rei servidor na vida do povo é missão de todos os batizados, daí a importância do laicato na vida da Igreja, ainda mais dessa Igreja sinodal que quer impulsar, com muitas resistências, o Papa Francisco. Uma Igreja que caminha junto, onde as pessoas se escutam e procuram encontrar o caminho a seguir desde a comunhão. Não podemos esquecer que juntos somos mais e que o envolvimento de todos na caminhada da Igreja faz com que a presença de Deus e dos valores do Evangelho se tornem mais evidentes na vida das pessoas e da sociedade. Esse sempre é um desafio para a Igreja e daí a importância dos cristãos leigos, que ninguém pode esquecer são a grande maioria da Igreja, na caminhada eclesial. Celebrar o Dia do Laicato é reconhecer sua importância decisiva nos processos de evangelização e na transformação da sociedade para fazer que um mundo melhor para todos e todas se torne uma realidade cada vez mais evidente. No final das contas a Igreja é chamada a ser presença na vida das pessoas e ninguém melhor do que os leigos e leigas para fazer realidade essa missão de transformar a realidade em que vivemos e faze-la mas parecida com a proposta de Deus. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar