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Dia: 10 de outubro de 2023

Liliana Franco: No Sínodo, “não sinto que haja agendas ocultas”

  A Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que elegeu os membros das comissões de Síntese e de Informação, onde aos membros natos se juntou um representante de cada uma das sete regiões em que a Igreja universal foi dividida, continua seu curso, nas duas últimas sessões com o trabalho nos chamados círculos menores. Um processo muito importante Um Sínodo em que “não há agendas ocultas“, nas palavras de Liliana Franco, Presidenta da Conferência Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas, que, junto com o Cardeal Joseph William Tobin, Arcebispo de Newark (Estados Unidos), realizou uma coletiva de imprensa com jornalistas credenciados, Ele disse que estava gostando muito da experiência de participar da assembleia sinodal, insistindo que “como católicos estamos vivendo algo que é muito importante”, algo que é feito na Igreja Católica toda vez que professamos nossa fé em uma Igreja que é católica e apostólica. O cardeal americano lembrou que cresceu em uma família com muitos membros, sendo o mais velho de 13 irmãos, e que em sua infância era difícil para ele entender que os outros tinham idiomas diferentes, que comiam alimentos diferentes. Com o passar do tempo, ele disse que descobriu, ajudado pelo fato de ter crescido em um caldeirão de culturas diferentes, que “há maneiras diferentes de fazer as mesmas coisas“, insistindo que, nesses primeiros dias, “estamos falando em um nível muito alto de complementaridade, muitas pessoas encontram pontos em comum nas preocupações e enfatizamos a escuta”. O Espírito Santo no coração do Sínodo O objetivo de Liliana Franco é levar a voz do continente latino-americano e da Vida Religiosa que peregrina nesse continente. A religiosa colombiana insistiu em que “o protagonista do Sínodo está sendo o Espírito, no centro está a pessoa de Jesus e o desejo de explicitar os valores do Evangelho“, destacando o profundo desejo de viver à maneira de Jesus, “aquela maneira que eleva, que humaniza, que dignifica, que inclui, que torna possível que a Vida Religiosa viva à maneira de Jesus”, que inclui, que possibilita que o outro esteja na totalidade de sua dignidade”, tornando muito significativa a experiência de “um método de conversação no espírito, em mesas redondas, em que nos reconhecemos na dignidade comum que todos temos, em uma atmosfera de respeito, de comunhão, de apreciação mútua”. Uma experiência de encontro com diferentes linguagens, sensibilidades, diferentes formas de entender as coisas, que a religiosa define como “a experiência de construção coletiva, de sentir que todos temos algo a contribuir” e, acima de tudo, que “todos viemos habitados pelos territórios de onde chegamos”. No trabalho desses dias, ela destacou “o chamado para ouvir o grito dos pobres”, que está presente na migração, no tráfico de pessoas, naqueles que estão sendo mais excluídos, dizendo ter sentido o chamado para “ser uma presença profética, uma presença que se compromete” e, junto com isso, “unir forças, criar redes, fortalecer as redes que temos”. Liliana Franco destacou o sentimento de gratidão a uma Igreja comprometida com as questões sociais e ambientais, porque “não é possível seguir Jesus sem um compromisso também com o desenvolvimento humano integral“, algo que muitos missionários assumem e que possibilita que muitas pessoas vivam com mais dignidade. Na Assembleia Sinodal, o grito da Terra, das culturas e dos mais pobres também foi ouvido em “um construir de irmãos e irmãs, na mesa redonda que se assemelha à mesa de uma sala de jantar, onde há espaço para todos”. Ninguém é ignorado e nada é ignorado “Há uma forte vontade de colocar uma forte ênfase no que podemos fazer como Igreja, uma reflexão comum“, destacou o cardeal Tobin, que disse sentir que é muito forte que neste processo sinodal “ninguém é ignorado e nada é ignorado em nosso trabalho sinodal”, algo que ele acha que influencia o processo sinodal, destacando a escuta profunda realizada na América do Norte durante o processo sinodal, com reuniões on-line nas quais “o eco da Igreja local e das diferentes igrejas locais surgiu”. Nesse sentido, ele afirmou que o Instrumentum Laboris está seguindo o fio dessa tradição, “a beleza desse processo é que ele começa a partir da base e não do topo”. Um Sínodo que ecoa o que está acontecendo no mundo, as diferentes guerras, no mesmo grupo de discernimento há uma mulher russa e uma mulher ucraniana, mas também fala sobre o que está acontecendo na Igreja, destacando o Arcebispo de Newark que uma grande preocupação é que “muitas pessoas não se sentem em casa no âmbito da Igreja Católica“. A esse respeito, ele contou a anedota de que alguém que foi seu bispo auxiliar uma vez lhe disse que mais bonito do que a catedral como um edifício é o fato de suas portas estarem abertas, dizendo que esperava que “este Sínodo nos ajudasse a abrir as portas de uma forma mais significativa”. Opção pela fraternidade e sinodalidade Nesse sentido, a presidenta da CLAR destacou que “o Sínodo contextualiza a situação, com os pés no chão, abraçando os diferentes territórios“, o que faz ressoar com força a realidade de nosso mundo, no qual “a opção da Igreja é a opção pela fraternidade, é a opção pela sinodalidade, a disposição de entender que somos todos irmãos”, que abre espaço para todos, para os mais pobres de nosso mundo, os migrantes, as vítimas do tráfico de pessoas, os exilados, os deslocados, para aqueles para os quais não há lugar nesta sociedade. Isso nos chama a continuar unindo forças para tornar possível o acolhimento, a hospitalidade, a alimentação, a educação e uma vida digna, sendo, como Igreja, defensores dos direitos humanos, “uma voz profética que gera o questionamento necessário que nos torna mais conscientes da necessidade de trabalhar por um mundo melhor”. O cardeal Tobin recordou as palavras do Papa para ser “um Sínodo livre, um Sínodo que é livre para falar e enfatizar todas as grandes questões“, aceitando e acolhendo as tensões presentes na sala sinodal. Isso é em busca de uma única voz dentro da assembleia sinodal, apesar das diferenças, lembrando…
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Sinodalidade: A diversidade nunca é uma ameaça, os proscritos nos abrem para Deus

Compreender uma diversidade que nos enriquece, que não é uma ameaça, é um dos grandes desafios em uma sociedade, também em uma Igreja onde o diferente é quase sempre visto como uma ameaça. Fazer isso é ser discípulo, pois não nos esqueçamos de que a atitude de Jesus era a de se relacionar com todos, mesmo com aqueles que eram diferentes, com os proscritos, incluindo as mulheres e os samaritanos. Sempre dispostos a abraçar No encontro de Jesus com a mulher samaritana, uma cena que ilumina a reflexão do Módulo B1, que está sendo trabalhado nestes dias pela Assembleia Sinodal, aparece a atitude do Senhor que nos questiona e deve nos levar a refletir sobre como nos aproximamos dos outros, se “com as unhas” para atacar, ou com os braços abertos para abraçar. A Assembleia Sinodal está mudando de cara, pode-se ver isso nas atitudes daqueles que chegam à sala sinodal, dispostos em mesas redondas na Aula Paulo VI do Vaticano, mas também se pode ver isso nos momentos que antecedem o início dos trabalhos. Nós, jornalistas, conseguimos entrar no momento da oração e, da posição que ocupamos, podemos ver os participantes da Assembleia em sua totalidade. Aos poucos, a formalidade, até mesmo na maneira de se vestir, foi se perdendo, as pessoas estão ganhando confiança, as saudações deixaram de ser formais e se tornaram mais fraternas. Ouvem-se risadas, provavelmente como resultado de piadas ou comentários que alegram o coração daqueles que veem no outro um companheiro, um companheiro de caminho, com quem construir juntos a Igreja sinodal que o Papa Francisco indica e da qual todos nós precisamos, embora alguns insistam em negá-la, embora alguns a enfrentem com toda a força e com artimanhas vis e desonestas. Comunidades com um lugar para os “indesejáveis” Voltando à cena do Evangelho, em que aquela mulher de um povo indesejável e de uma vida supostamente questionável diante de um olhar sem misericórdia, podemos dizer que é ela quem liberta Jesus. Isso nos desafia como Igreja, ainda mais se quisermos apostar em uma Igreja sinodal. A grande questão é se essas pessoas têm lugar em nossas comunidades eclesiais, que devem ser a presença de uma Igreja que quer ser expressão de comunhão, que é o grande tema do Módulo B1, de unidade na diversidade, uma Igreja que não é para os saudáveis, mas para os doentes, também de espírito, que precisam recuperar uma dignidade que lhes foi negada. É com essas pessoas que nós batizados e batizadas, a Igreja sinodal, devemos ser um instrumento de unidade para toda a humanidade, algo que a pergunta que orienta esse módulo nos leva a refletir. Para isso, cinco temas diferentes serão discutidos nas comunidades para o discernimento, nos círculos menores ou, para resumir, nas mesas redondas, pois este é o “Sínodo das mesas redondas”: serviço de caridade, compromisso com a justiça e cuidado com a casa comum; encontro entre amor e verdade; troca de dons entre as igrejas; compromisso ecumênico; e diálogo com culturas e outras religiões. O tempo de teste já passou, as mesas redondas, nas quais desde ontem houve algumas mudanças, estão marcando o objetivo, indicando o caminho para ser uma Igreja sinodal. Um caminho que será mais fácil e mais suportável na medida em que a escuta for honesta e profunda, se for descoberto que, na voz do outro, da outra, as mulheres têm uma delicadeza diferente que sempre ajuda, Deus nos fala, se faz presente em nossas vidas de batizados e batizadas, e no caminho de uma Igreja que deve ser comunhão, na qual deve ser cada vez mais fácil passar do eu para o nós, escutar a voz que vem das periferias. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1