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Dia: 6 de junho de 2024

Dom Adolfo Zon: “Nós bispos, tomemos nossa responsabilidade para que o nosso povo se coloque a serviço do cuidado da casa comum”

Os membros da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), junto com seus assessores e os bispos referenciais dessa dimensão nos regionais se reuniram na Casa dom Luciano de Brasília os dias 5 e 6 de junho para um momento de formação. Em representação do Regional Norte 1 participou o bispo da diocese de Alto Solimões (AM), vice-presidente do Regional e referencial das Pastorais Sociais, dom Adolfo Zon. Entre as temáticas abordadas, o bispo de Alto Solimões destaca o cuidado da casa comum, do meio ambiente, como parte integrante da ação evangelizadora, que contou com a assessoria do bispo da diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comissão para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, dom Vicente de Paula Ferreira, tendo como referência a encíclica Laudato Si´ e a exortação apostólica Laudate Deum. Ele sublinhou, tendo como referência a exortação apostólica pós-sinodal “Pastores Gregis”, onde São João Paulo II diz que “há necessidade, pois, duma conversão ecológica, para a qual os Bispos hão-de dar a sua contribuição ensinando a correcta relação do homem com a natureza”. Um documento que segundo dom Adolfo Zon é um chamado para que “nós bispos, tomemos nossa responsabilidade na animação, para que o nosso povo se coloque a serviço do cuidado da casa comum”, sendo feitas sugestões para trabalhar a Ecologia Integral como eixo transversal no ministério episcopal, na evangelização com o povo e nas incidências políticas nacionais e internacionais. Outra temática abordada foi sobre a dimensão sociotransformadora da fé, com a assessoria do padre Francisco Aquino Junior, que destacou elementos da Doutrina Social da Igreja, elencando as linhas mais destacadas no Magistério do Papa Francisco, sobretudo em seus encontros e mensagens aos Movimentos Populares, afirmou o bispo referencial das Pastorais Sociais no Regional Norte1, que igualmente ressaltou o compromisso de trabalhar cada vez mais esta dimensão na base. Estiveram presentes no início da formação o núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, e o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. O núncio apostólico, em base às enchentes no Rio Grande do Sul, destacou que têm se tornado frequentes os desastres naturais no cenário de mudanças climáticas, se referindo à solidariedade da Igreja em ajudar as pessoas atingidas pela catástrofe. Dom Ricardo Hoepers, insistindo na necessidade da Igreja do Brasil se mobilizar para a Campanha da Fraternidade 2025, que tem como tema “Fraternidade e Ecologia Integral”, com o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1, 31), e que isso seja assumido por toda a população brasileira, destacou o trabalho realizado pela Comissão Sociotransformadora em pautas imprescindíveis como a da ecologia integral. O encontro foi oportunidade para refletir sobre o atual sistema económico, que tem como base o paradigma tecnocrático, que busca o lucro máximo com o menor custo, atingindo os pobres e o planeta Terra, um organismo vivo, onde tudo está interligado, o que faz com que “para os problemas globais, as soluções têm de ser globais”. Diante disso, dom Vicente Ferreira fez um chamado à profecia na Igreja, a partir de uma espiritualidade ecológica. Passos que devem ser concretizados em vista da Campanha da Fraternidade 2025 e a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Com informações da CNBB Nacional

Uma paróquia que celebra os 25 anos de uma Ministra da Eucaristia é um exemplo de Igreja sinodal

A sinodalidade não é uma teoria, é uma prática, que nos leva a caminhar juntos e a reconhecer a importância de todos e todas no trabalho pastoral, missionário, evangelizador, da Igreja, das nossas comunidades e paróquias. Às vezes a gente se depara com situações que nos enchem de esperança e nos ajudam a acreditar que essa Igreja sinodal é possível. Ontem, 05 de junho de 2024, aconteceu numa paróquia da arquidiocese de Manaus uma Eucaristia onde foi comemorado os 25 anos de serviço de uma ministra extraordinária da Sagrada Eucaristia. São muitos os leigos e leigas que nos diversos ministérios, serviços e pastorais, doam sua vida nas comunidades, nas paróquias, na Igreja. Não é comum que esse trabalho sea reconhecido publicamente pela comunidade, pelo pároco, e se é reconhecido não se da a conhecer tanto quanto outras comemorações são divulgadas. Tem um ditado que diz que aquilo que não é conhecido, não existe, daí a importância desse fato ser celebrado e divulgado. Enquanto é comum que seja celebrado e divulgado anualmente os aniversários do clero, é mais raro que isso aconteça com os leigos, algo que não é feito nem mesmo diante de muitos anos de serviço. O pecado do clericalismo sempre é uma ameaça para o bem andar da nossa Igreja católica. Nesta semana, diante de uma notícia que tinha como título: “O pároco não governará sozinho, as paroquias serão coordenadas por uma equipe de leigos e presbíteros”, um padre jovem reagia numa rede social dando risada. Uma das demandas das mulheres na Igreja é que seja reconhecido seu trabalho e que elas possam participar dos espaços de decisão. As resistências a essas demandas são fortes em alguns grupos eclesiais, e isso dificulta gravemente avançar no caminho da sinodalidade. Temos dificuldade para reconhecer que o pensamento, a vivência da fé, o serviço dos outros, nos ajuda a crescer em conhecimento, abre nosso olhar, faz melhor o trabalho evangelizador. O valor que é dado às pessoas se manifesta no reconhecimento que temos delas, quando estamos ao lado nos momentos de dificuldade, mas também quando celebramos com elas os momentos importantes em sua vida, também na vida eclesial. 25 anos de doação num serviço concreto manifestam o compromisso cotidiano com a Igreja, e em consequência com Deus. Parabéns a dona Dayse Barros pelo seu compromisso de 25 anos como ministra extraordinária da Sagrada Eucaristia. Obrigado à paróquia Rainha dos Apóstolos da arquidiocese de Manaus por nos ajudar a descobrir que numa Igreja sinodal somos chamados a reconhecer publicamente o trabalho de todos e todas, também de tantas mulheres que doam sua vida em favor das comunidades e paróquias. Sem dúvida um sinal de esperança que nos mostra que a sinodalidade é mais do que a temática do Sínodo, é um modo de ser Igreja que deve se concretizar nas comunidades e paróquias onde todos e todas vivenciamos nossa fé. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar