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Dia: 5 de maio de 2025

Apoiar o novo Papa, compromisso na décima primeira Congregação Geral

Apoiar o novo Papa é um compromisso e uma responsabilidade assumida por todos os cardeais, segundo foi comunicado pelo diretor da Sala Stampa vaticana, Matteo Bruni, no final da décima primeira Congregação Geral, realizada na tarde do dia 5 de maio de maio de 2024. Na terça-feira, 6 de maio, será realizada a última antes de chegar na casa Santa Marta, entre a tarde desta terça-feira e a manhã do dia 7, em que será celebrada a Missa Pro Eligendo Pontifice. Um Papa sucessor de todos Os 20 cardeais que interviram deixaram claro que o sucessor de Francisco terá de ser o sucessor de todos. Da penúltima Congregação Geral participaram 170 cardeais, 132 dos quais são eleitores. Um dos principais temas foi o da migração, dentro da Igreja e na sociedade. Segundo Bruni “foi falado da migração dentro da Igreja, dos migrantes como uma dádiva, mas também da necessidade de apoiar os migrantes na fé durante sua migração”. O problema da guerra foi outro tema presente nas reflexões dos cardeais que interviram. Junto com isso foi abordado o tema da sinodalidade, enfatizando a necessidade de uma eclesiologia da comunhão entre os membros da Igreja. Uma atitude que deve se fazer presente no Conclave que inicia na tarde da quarta-feira 7 de maio. Um Papa pastoral Os jornalistas fizeram diversas perguntas sobre a varredura da rede no Vaticano durante o conclave (que não afetará a Sala Stampa ou a Via della Conziliacione). Também se falou de “um Papa pastoral, com uma perspectiva da Igreja Católica, particularmente em um mundo em diálogo, com portas abertas e com a construção de diferentes mundos religiosos e culturais”. Aos poucos, vai se aproximando um momento de grande importância na vida da Igreja. Nos cardeais radica a responsabilidade da eleição daquele que deve continuar o legado de Francisco. Um desafio que deve implicar o compromisso de todos aqueles que irão participar do Conclave, mas também de todo o povo de Deus que acompanha impaciente a fumata branca.

132 cardeais dos 133 eleitores presentes na Décima Congregação Geral

As congregações gerais, as reuniões que acontecem em preparação ao Conclave, entram em momentos decisivos. Nesta segunda-feira, 5 de maio, os cardeais se reúnem de manhã e de tarde, buscando partilhar sua visão do mundo e daquele que deve suceder Francisco. Tudo em vista do Conclave, que inicia às 16:30 desta quarta-feira na Capela Sistina, com a presença de 133 cardeais eleitores. Final dos dias de luto pelo Papa No domingo 4 de maio foram encerrados os Novendiales, os nove dias de luto depois da morte do Papa. Cada dia, presididas por um cardeal, foram celebradas missas na Basílica de São Pedro, com participação destacada cada dia de determinados grupos, tendo sido os cardeais os convocados no último dia. Na celebração, como aconteceu ao longo dos nove dias de luto, foram lembrados alguns destaques do pontificado de Papa Francisco. Na congregação geral desta segunda-feira, a décima, que iniciou com uma oração, segundo o diretor da Sala Stampa, Matteo Bruni, participaram 179 cardeais, deles 132 eleitores, dos 133 que entrarão na Capela Sistina. Interviram 26 cardeais, que falaram sobre o direito canônico, sobre o papel do Estado da Cidade do Vaticano, sobre a natureza missionária da Igreja, sobre o papel da Cáritas em defesa dos pobres. Se faz necessário “um Papa presente e próximo, uma porta de acesso à comunhão e à igualdade em um mundo em que a ordem mundial está em crise”, mas também em um mundo fragmentado. Numerosa presença de jornalistas Na sala do Sínodo foi mencionada pelos cardeais a presença de muitos jornalistas. De fato, nesta segunda feira aumentou muito o número de jornalistas no Vaticano, um número que deve aumentar ainda mais até o início do Conclave. Isso tem sido visto pelos cardeais como algo que diz muito sobre o quanto o Evangelho tem sentido no mundo de hoje, e como esta é também uma chamada da responsabilidade. Foi lembrada a oração de Papa Francisco durante a Covid, e nas intervenções apareceu a preocupação diante das divisões na Igreja. Se falou de vocações, se falou da família e da educação dos filhos. Foi destacado a Dei Verbum, o documento do Concílio Vaticano II que fala sobre a Palavra de Deus, enfatizando que é um instrumento para o povo de Deus. Igualmente foi dito que é importante entender na celebração da Eucaristia que é o sacramento de Cristo aos pobres. O cardeal Re, decano do Colégio cardinalício informou que o Camerlengo, cardeal Farrell, fez no sábado, o sorteio dos quartos na Casa Santa Marta. Foi lembrado que alguns desses cardeais, ficarão na Casa Santa Marta Vecchia, que é vizinha. Os cardeais foram convocados para estar na Casa Santa Marta na tarde desta terça-feira, 6 de maio, mas podem chegar até antes da Missa Pro Elegendo Pontífice, que será celebrada às 10 hora de Roma da quarta-feira, ficando assim isolados do exterior.

Um Papa despojado, servidor, semelhante aos homens

O hino de Filipenses 2:5-11 poderia ser considerado um bom termômetro a ser usado pelos 133 cardeais que, na tarde de quarta-feira, 7 de maio, às 16h30, entrarão na Capela Sistina. Na tarde de terça-feira, eles terão que estar na Casa Santa Marta, isolados do mundo exterior, para o qual é proibido qualquer dispositivo que permita a comunicação com o mundo exterior. Os quartos e a bagagem dos purpurados serão revistados. Um Papa despojado O propósito é eleger o sucessor de Pedro, mas também, e ninguém pode se esquecer disso, o sucessor de Francisco. No último pontífice, podemos dizer que as palavras de Paulo aos Filipenses se tornaram realidade: “Ele se esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens”. Alguns de seus amigos, quando o encontraram, comentaram que haviam estado com Jorge. Uma maneira de se referir ao Santo Padre que de forma alguma desmerecia o que ele era, o Sumo Pontífice, embora ele mesmo gostasse de ser considerado o Bispo de Roma. Francisco foi um Papa de sinais, com muitos detalhes que deveriam ser levados em conta por seu sucessor. Esses detalhes sempre tiveram grande aprovação dentro do catolicismo e entre muitas pessoas que não eram católicas ou não tinham uma prática religiosa frequente. Embora alguns possam pensar que tinha uma forte oposição, foram poucos os que pensaram dessa forma, embora seja verdade que eles tinham poderosos instrumentos de difusão de suas teorias na mídia, especialmente nas redes sociais. Os sinais de Francisco Seus sapatos, suas roupas litúrgicas, sua maneira de se comunicar, não apenas com as palavras, mas também com os gestos, a maneira como se vestia, o modo como ele se locomovia, em carros populares, sua renúncia a privilégios, presentes, sempre insistindo em pagar suas contas… são sinais do que ele tinha em seu coração, que nos mostram sua determinação de se despojar, de ser um servo, de ser semelhante aos homens, de ser um entre muitos. Entre os cardeais escolhidos por Francisco, especialmente entre aqueles que vieram das chamadas periferias, encontramos muitos exemplos disso. Um papa que busca retornar a elementos que possam diferenciá-lo teria um impacto negativo em seu papado. A pompa é mal vista pela maioria das pessoas, e querer usar sinais que se refiram a isso, uma prática entre alguns cardeais, até mesmo entre alguns dos considerados papáveis, não seria o caminho a seguir. Nenhum papado autorreferencial Um papa que procurasse se divinizar estaria se distanciando Daquele que, sendo de natureza divina, assumiu a natureza humana. Um papado autorreferencial, vivendo em seu próprio mundo, com pouco contato com as preocupações do povo, distanciaria ainda mais a Igreja do mundo, que, não nos esqueçamos, é o destinatário do anúncio do Evangelho. Aqueles que acusaram Francisco de ser um populista são aqueles que fizeram campanha pelo retorno de uma Igreja distanciada do mundo, o que na realidade a tornaria uma Igreja ignorada pela grande maioria. Se pedirmos e esperarmos a presença do Espírito na Sistina, que seja o mesmo Espírito que inspirou as Escrituras, o mesmo Espírito em nome do qual o Ressuscitado enviou seus discípulos. Que nenhum discípulo, nem mesmo o próximo Papa, tenha medo de se abaixar, de servir, de assumir a condição humana. O Evangelho não pode ser imposto de cima para baixo, ele é compreendido e assumido melhor quando é proclamado olhando-nos nos olhos, quando descemos do pedestal no qual nos colocamos ou no qual gostaríamos estar.