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Dia: 8 de março de 2026

Diocese de Borba realiza 2º Encontro Diocesano dos Povos Indígenas

Nos dias 06 e 07 de março de 2026, a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no Distrito de Canumã, acolheu representantes e lideranças indígenas de diversas comunidades pertencentes à Diocese de Borba, para o 2º Encontro Diocesano dos Povos Indígenas. Inspirado pelo tema “Nossa terra, nossa história” e pelo lema “Uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, o encontro foi um espaço de partilha, reflexão e fortalecimento da caminhada pastoral da Igreja junto aos povos originários. A assessoria do encontro contou com a presença dos missionários Hoadson Leonardo da Silva e do Pe. Ivanildo Pereira da Silva Filho, SJ, que atua na assessoria jurídica do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), bem como o Coordenador de Pastoral Ademir Jackson e Frei João Bosco, TOR. O CIMI é um organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criado em 1972, durante o período da ditadura militar, com a missão de articular, organizar e apoiar a ação da Igreja junto aos povos indígenas, promovendo o respeito à diversidade cultural e a defesa de seus direitos e territórios. Frei João Bosco apresentou uma retrospectiva da caminhada da igreja ao longo do tempo, ressaltando os passos significativos da igreja junto aos povos indígenas. Caminhar com os povos da Amazônia No percurso formativo, Pe. Ivanildo destacou que o CIMI nasceu do compromisso de cristãos e cristãs que abraçaram a causa indígena, promovendo o diálogo intercultural e a defesa da dignidade dos povos originários. Segundo ele, essa caminhada é fruto de uma história de lutas e conquistas, construída em espírito de “ajurí” (mutirão), fortalecendo a participação dos povos indígenas nos espaços sociais e políticos. O assessor também recordou o chamado da Igreja para caminhar junto aos povos da Amazônia, conforme expressa o Papa Francisco na Exortação Apostólica Querida Amazônia (2020). Esse caminho pastoral encontra raízes nas grandes conferências do episcopado latino-americano, como Medellín (1968), Santarém (1972), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007), que reforçam a missão de uma Igreja encarnada na realidade do povo. Fazer memória Durante o encontro, recordaram importantes lideranças indígenas que marcaram a história da defesa dos direitos dos povos originários. Entre elas, Mário Juruna, indígena do povo Xavante, reconhecido por sua luta em favor dos direitos indígenas e por ter sido o primeiro deputado federal indígena do Brasil. Os participantes refletiram ainda sobre o processo de construção da Constituição Federal de 1988, que, mesmo sem contar diretamente com representantes indígenas no Congresso Nacional, reconheceu os direitos originários dos povos indígenas sobre seus territórios. Fé inculturada Na perspectiva da evangelização, o encontro ressaltou a importância da inculturação da fé cristã, valorizando as culturas e espiritualidades dos povos indígenas. Conforme recorda o Papa Francisco em Querida Amazônia, nos sacramentos “se unem o divino e o cósmico, a graça e a criação”, revelando a presença de Deus na história e na vida dos povos. Nesse sentido, o missionário do CIMI, Hoadson Leonardo, destacou que a presença missionária nas aldeias fortalece a articulação pastoral da Igreja. Contudo, lembrou que o missionário não leva Jesus às aldeias, pois Cristo já está presente entre os povos e sempre esteve em sua história e cultura. Movimento Católico Indígena Ao final do encontro, partilharam o sonho e a esperança de uma “Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos originários e dos últimos, onde a sua voz seja ouvida e a sua dignidade promovida”. Os participantes aprovaram a criação do Movimento Católico Indígena (MCI),que atuará a partir dos quatro eixos inspirados na Exortação Apostólica Querida Amazônia: Social, cultural, ecológico e eclesial. A coordenação do movimento ficará sob responsabilidade de representantes indígenas do povo Munduruku: Levi Paz de Oliveira, coordenador; Valdilene Moreira Rodrigues, vice-coordenadora, e Anderson Mesac e Andreia Oliveira na secretaria. Texto e fotos Diocese de Borba.

Steiner para o 3º Domingo da Quaresma: saciemo-nos dos dons da redenção

“Em nossa caminhada, na busca da água que eleva para a vida eterna, bebamos, saciemo-nos dos dons da nossa redenção”. Foi o convite feito pelo cardeal Leonardo Steiner para o 3º Domingo da Quaresma (8). A liturgia do dia apresenta a cena do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, onde Jesus diz à Samaritana: Dá-me de beber!. A celebração aconteceu às 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. “Lá estava Jesus sentado junto ao poço de Jacó à espera de que alguém viesse e lhe desse de beber. Depois de longa caminhada, cansado da viagem, enquanto os discípulos vão em busca de alimento, Jesus está à espera de alguém que lhe mate a sede. Ele ali sentado, só, ao lado do poço, com sede, à espera de alguém que tire água e lhe dê de beber. E somente por volta do meio-dia uma samaritana se aproxima”, explicou o cardeal.  O desconhecido O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), reforçou a narrativa da aproximação da mulher “à busca de água”. Ela, mulher samaritana, é surpreendida pelo homem judeu “ali sentado a dirigir-lhe a palavra: Dá-me de beber”. Ele destaca que a visão dela se limitou a vê-lo como “o não do meu povo, aquele que adora em Jerusalém. Ele homem, ele desconhecido, ele quase atrevido, falando, mendigando água”. “Ela viu o judeu, o homem, o estrangeiro, o atrevido; não vira nele o seu Senhor e Deus. Ela não via, não sabia, não percebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia. Pedia água. “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: Dá-me de beber, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. Não sabia e não via e não se apercebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia para saciar a sua sede. Pedia água, para oferecer-lhe a água viva que jorra para a eternidade”, destacou. Tocar a alma No encontro, Jesus “sentado à beira do poço” parecia “apenas um pedinte” e, ao mesmo tempo, oferece “uma fonte de água que jorra para vida eterna”. A samaritana, movida pela dúvida, não consegue perceber “a força e a graça daquele que lhe pede água”. E para que ela acordasse, disse o cardeal, “Jesus toca no desejo de sua alma, na sua intimidade, nos seus amores. Disse-lhe Jesus:“vai chamar o teu marido e volta aqui. A mulher respondeu: eu não tenho marido. Jesus disse: Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos e o que tens agora não é o teu marido”. “Ela era uma mulher quase solitária. Ela tinha um homem, mas não tinha marido. Perdera cinco e não tinha nenhum. Talvez, perdida em si mesma, mas sedenta, pois busca água, talvez a razão da vida. Ela mulher, mas não esposa, mas buscadora. Ela aquela que não se deixa amar e não consegue amar. Ela aquela que vem à fonte na busca de água. Ela a sedenta, necessitada, ela que agora é buscada”, enfatizou o cardeal. Terás a quem amar A samaritana não notara que “o seu Senhor e Deus estava à sua espera” e que ao pedir “dá-me de beber”, pedia “para “ser por ela amado”. O arcebispo enfatizou que ao perceber que aquele judeu era “fonte de água viva que jorra para a vida eterna”, ela encontra “um marido, isto é, a quem amar” porque Ele a ama. E transbordando diz “acho que Ele é o Cristo, o Deus. Sai a anunciar que encontrou o Messias”. “E nós nesse tempo da quaresma desejosos e desejosas de sermos visitados pelo nosso Senhor e Deus” frisou o cardeal, o vemos “sentado à beira do poço de nossa existência, a nossa espera”. Ele diante nós “tão perto, tão desejo de nós, dando a vida por nós, nos oferecendo a água que jorra do peito aberto, salva e redime”. “O convite de Jesus é para que “estabeleçamos uma relação amorosa, íntima, mais intensa e mais vigorosa que o amor entre o homem e a mulher. Ele aqui na força da palavra, na força do pão. “Como a samaritana anunciando, saltitando, proclamando: o Filho de Deus, o Cristo está aqui e me pede água. Deus aqui pedindo água, Deus aqui pedindo cuidado. É por isso que nós faremos de tudo para armar nossas realidades e estabelecermos relações em que podemos servir a água da vida e fazer as existências destruídas pela violência. Aproximemo-nos do poço da água da eternidade. Aceitemos o convite que ele nos faz: dá-me de beber. Deixemos que transforme a nossa, recupera nossa interioridade e nos ajude a sair de nós mesmo e o anunciemos. Ele o nosso salvador e redentor”. Quaresma: sair ao encontro de Jesus O arcebispo destacou que o tempo da Quaresma é tempo “de sair e encontrar Jesus” e deixar-se encontrar por ele, como a mulher samaritana. Esse percurso quaresmal conduz “a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte”. Ele também pontuou o incessante convite à conversão, “o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Joel 2,12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”. Ele também expressou que este é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. E, nas palavras de Papa Francisco, nos recordou que “na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo”. Degustar as águas da salvação O jejum nos ajuda a degustar melhor as águas da salvação, observou o cardeal. Ele pediu as palavras de Papa Leão quanto ao jejum não sejam esquecidas durante esse período: “abster-se de palavras que atingem e ferem o nosso próximo”. O cardeal indica que o ponto de partida seja “desarmar a linguagem, renunciando às palavras…
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