Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Dia: 17 de março de 2026

Dom Zenildo Lima: A experiência sinodal da Amazônia pode iluminar a Igreja universal

No âmbito da VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e vice-presidente da CEAMA, compartilhou uma reflexão sobre o valor da sinodalidade na vida da Igreja e sua expressão particular no território amazônico. Durante sua intervenção, o bispo explicou que a sinodalidade é uma experiência que manifesta a universalidade da Igreja. No entanto, ele lembrou que a Igreja sempre se concretiza em um lugar específico e em uma realidade concreta. Por isso, a teologia da Igreja local está profundamente ligada à experiência sinodal, pois é nos territórios que a Igreja vive, discerne e caminha junto aos povos. Nesse sentido, Dom Zenildo destacou que a Igreja na Amazônia foi construída historicamente por meio de processos missionários marcados pela sinodalidade. Embora esse caminho tenha sido marcado por contradições e desafios, também permitiu o desenvolvimento de uma experiência eclesial profundamente participativa e próxima das comunidades. Para o bispo, existe hoje uma grande oportunidade:que a experiência sinodal vivida na Amazônia possa se tornar um sinal e uma inspiração para a sinodalidade da Igreja universal. Ele lembrou também que, no Congresso Missionário Nacional da Igreja no Brasil, refletiu-se sobre como a Igreja local pode se abrir para as fronteiras do mundo, compartilhando seus aprendizados e seu caminho pastoral. Nessa perspectiva, destacou a proposta da CEAMA de salvaguardar e fortalecer as experiências sinodais na Amazônia, como forma de consolidar esse processo e oferecê-lo como referência para outras realidades eclesiais. Por fim, Dom Zenildo ressaltou que a construção de uma Igreja com rosto amazônico, que brota de sua identidade, de sua cultura e de sua relação com o território, permite viver uma comunhão eclesial profunda. Uma comunhão que, embora nasça em uma realidade local, permanece plenamente unida à Igreja presente em todo o mundo.

“Sem território e sem água não há vida”: voz indígena na VI Assembleia Geral da CEAMA

No âmbito da VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), que se realiza em Bogotá, a líder indígena Ernestina Afonso de Souza, do povo Makushi, participa como delegada do Brasil, representando os povos originários do território indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima. Com alegria e senso de responsabilidade, Ernestina expressou que sua presença na Assembleia é uma oportunidade para compartilhar a experiência dos povos indígenas no cuidado do território e da Casa Comum. “Estou aqui com muita alegria e honra participando como delegada, representando os povos indígenas de Roraima, trazendo nossas expectativas e o trabalho que realizamos junto com a Igreja”. Uma visão de vida profundamente conectada com a natureza Durante sua intervenção, a representante indígena destacou a profunda relação que os povos originários mantêm com a natureza, entendida como fonte de vida e parte essencial de sua identidade. “Nós, povos originários, trabalhamos de forma interconectada com a natureza porque ela é nossa mãe. Como diz o Papa Francisco, tudo está interconectado”. Essa visão, explicou ela, orienta o compromisso das comunidades indígenas com a defesa da terra, da água e da vida. Território, água e vida Ernestina ressaltou que a defesa do território é uma condição fundamental para a vida dos povos amazônicos. “Sem água e sem território não há vida. Sem território não há saúde, não há educação, não há sustentabilidade”. Por isso, os povos indígenas buscam contribuir com sua experiência e sabedoria ancestral nos espaços de diálogo da Assembleia, compartilhando suas preocupações e propostas para o futuro da Amazônia. Compartilhar experiências e caminhar juntos A delegada também destacou a importância deste encontro como um espaço de intercâmbio entre diferentes povos, Igrejas e realidades do território amazônico. A Assembleia reúne representantes de diversos países, comunidades e pastorais que trabalham pelo cuidado da Casa Comum e pela defesa da vida na Amazônia. Nesse sentido, Ernestina expressou sua esperança de que este espaço permita fortalecer o trabalho conjunto entre a Igreja e os povos indígenas, promovendo caminhos de diálogo, respeito e compromisso com o território. Sua participação reflete a importância da voz dos povos indígenas no caminho sinodal da CEAMA, onde suas experiências, saberes e lutas contribuem para a construção de uma Igreja que caminha ao lado dos povos da Amazônia e a serviço da vida.

O Papa Leão XIV envia uma mensagem em vídeo à VI Assembleia Geral da CEAMA

No âmbito da VI Assembleia Geral da CEAMA, que se realiza de 16 a 20 de março de 2026 em Bogotá, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem em vídeo dirigida aos participantes do encontro, na qual expressou sua proximidade com os povos amazônicos e encorajou a Igreja da região a continuar o caminho sinodal iniciado após o Sínodo para a Amazônia de 2019. Dirigindo-se aos bispos, sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos reunidos na Assembleia, o Santo Padre iniciou sua mensagem com uma saudação de paz e comunhão, destacando o caráter espiritual e discernente do encontro: “É com alegria que me dirijo a todos vocês… vocês estão vivendo um momento privilegiado de escuta ao Espírito Santo para discernir o caminho das comunidades enraizadas nessa região”. O Papa lembrou que a Assembleia é fruto de um processo de preparação acompanhado pela oração, no qual os participantes compartilharam com ele os desafios, sofrimentos e esperanças dos povos amazônicos, bem como a preocupação com a crescente deterioração de seu ambiente natural. Diante dessas realidades, manifestou sua proximidade pastoral com aqueles que vivem essas situações. Horizontes Pastorais Sinodais para a missão na Amazônia Em sua mensagem, o Santo Padre valorizou especialmente o trabalho da Assembleia na formulação dos Horizontes Pastorais Sinodais, uma das tarefas centrais do encontro. Esses horizontes buscam orientar a missão da Igreja na região e fortalecer o anúncio do Evangelho em chave amazônica. O Papa citou a exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia, do Papa Francisco, para recordar que a missão da Igreja é anunciar: “Um Deus que ama infinitamente cada ser humano e que manifestou plenamente esse amor em Cristo”. Além disso, destacou que durante a Assembleia também será realizada a eleição da nova presidência da CEAMA para o período 2026–2030, cuja missão será continuar impulsionando a implementação das orientações do Sínodo para a Amazônia e preparar a contribuição da experiência amazônica para a futura Assembleia Eclesial prevista em Roma em 2028. “Algo novo está nascendo”: a inspiração bíblica da Assembleia O Papa Leão XIV referiu-se também ao lema bíblico escolhido pela Assembleia, tirado do livro do profeta Isaías: “Estou prestes a fazer algo novo: já está brotando, não percebem?” (Is 43,19). A partir dessa imagem, o Papa convidou os participantes a reconhecer os sinais de novidade que o Espírito suscita na Igreja amazônica. Para ilustrar essa esperança, ele evocou o shihuahuaco, árvore emblemática da selva amazônica conhecida como o “gigante da selva”. Essa árvore, explicou ele, cresce lentamente, mas pode viver mais de mil anos e se tornar um verdadeiro ecossistema que dá refúgio e vida a múltiplas espécies. Com essa imagem, o Papa destacou que a Igreja é chamada a ser: um sinal de unidade na diversidade e um refúgio seguro que gera e protege a vida. Uma Igreja das Bem-aventuranças Em sua reflexão, o Santo Padre lembrou que o futuro prometido pelo profeta Isaías encontra sua plenitude na visão do livro do Apocalipse, onde Deus “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5). Por isso, convidou os participantes a trabalhar com uma fé profundamente enraizada em Cristo, capaz de renovar a vida pessoal e comunitária. Nesse contexto, ele destacou que a Igreja na Amazônia é chamada a ser: “A Igreja das Bem-aventuranças, uma Igreja que abre espaço para os pequenos e caminha pobre com os pobres”. Essa perspectiva evangélica reveste-se de particular significado diante dos desafios sociais, ambientais, culturais e eclesiais que a região amazônica atravessa, marcada em muitos lugares por situações de exploração, abuso e degradação ambiental. A flor da Paixão: símbolo profético da Igreja amazônica O Papa também fez referência ao símbolo escolhido para esta Assembleia, a flor da Paixão, cuja forma lembra os elementos da Paixão de Cristo. Para o Santo Padre, esta imagem expressa a dimensão profética da Igreja na Amazônia. Segundo explicou, a missão da Igreja e de todos os seus membros — cada um segundo a sua vocação — consiste em: Rumo a uma Igreja com rosto amazônico Outro aspecto central da mensagem foi a referência ao processo de construção de uma Igreja com rosto amazônico, um dos grandes sonhos surgidos do Sínodo para a Amazônia de 2019. O Papa lembrou que esse caminho se realiza por meio do processo de inculturação da fé, que permite que o Evangelho dialogue com as culturas e sabedorias dos povos amazônicos. Citando o Documento de Aparecida, ele destacou que a inculturação enriquece a Igreja com novas expressões e valores, permitindo uma catolicidade mais plena, não apenas geográfica, mas também cultural. Ao mesmo tempo, reconheceu que se trata de um caminho exigente, que requer abertura e coragem para acolher a novidade do Espírito: “É preciso aceitar com coragem a novidade do Espírito, capaz de criar sempre algo novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo”. Continuar semeando esperança na Amazônia Por fim, o Papa Leão XIV encorajou pastores e fiéis a continuarem fortalecendo a identidade de discípulos missionários na Amazônia, recordando o testemunho de tantas pessoas que entregaram sua vida a serviço do Evangelho nesta região. O Santo Padre evocou aqueles que semearam o Evangelho até mesmo com o próprio sangue, tornando-se — unidos à paixão de Cristo — a raiz daquela “árvore gigante” que hoje continua crescendo na Amazônia. O Papa concluiu sua mensagem confiando os frutos da VI Assembleia Geral da CEAMA à intercessão da Virgem Maria, Mãe do Criador, e concedendo sua Bênção Apostólica a todos os participantes. Desta forma, a mensagem em vídeo do Santo Padre torna-se um forte impulso espiritual para o caminho que a Igreja amazônica continua percorrendo: uma Igreja sinodal, inculturada e comprometida com a defesa da vida, dos povos e da Casa Comum.