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Dia: 19 de março de 2026

Obrigado por construir uma Igreja com rosto amazônico: Presidência da CEAMA 2022–2026

A CEAMA expressa sua mais profunda gratidão à presidência cessante por seu serviço generoso, comprometido e profético neste tempo de consolidação e crescimento da Igreja na Amazônia. Durante seu mandato, a presidência acompanhou com dedicação o caminho de uma Igreja sinodal, missionária e encarnada nos territórios, impulsionando processos que fortaleceram a identidade amazônica, a participação dos povos e o cuidado da Casa Comum. Sua liderança foi fundamental para consolidar a CEAMA como um espaço de comunhão, discernimento e articulação a serviço da vida. Ao longo desse período, foram promovidas iniciativas pastorais, sociais e formativas que contribuíram para ouvir o clamor dos povos amazônicos e da terra, respondendo com ações concretas aos desafios da região. Seu compromisso permitiu avançar na construção de uma Igreja com rosto amazônico, onde a diversidade cultural, a interculturalidade e a corresponsabilidade são pilares fundamentais. De maneira especial, reconhece-se o testemunho de proximidade, escuta e entrega de cada um de seus membros, que souberam caminhar junto às comunidades, acompanhando suas lutas, fortalecendo sua esperança e anunciando o Evangelho em contextos muitas vezes marcados pela vulnerabilidade. Representações da presidência cessante Nesse caminho, a presidência foi composta por representantes de diversos estados de vida e vocações, refletindo a riqueza e a pluralidade da Igreja amazônica: O legado desta presidência permanece nos processos que continuam a dar frutos, na vida das comunidades acompanhadas e no horizonte de uma Igreja que continua sonhando e construindo novos caminhos para a Amazônia. A CEAMA agradece profundamente por este serviço e confia que seu testemunho continuará iluminando o caminho eclesial, animando a continuar com fidelidade e esperança a missão em defesa da vida, da dignidade dos povos e do cuidado da Casa Comum.

Nova presidência da CEAMA (2026–2030): uma Igreja com rosto amazônico, sinodal e pluricultural

A Conferêcia Eclesial da Amazônia (CEAMA) inicia uma nova etapa com a renovação de sua presidência para o período 2026–2030, consolidando um caminho eclesial profundamente sinodal, onde convergem diversas vocações, ministérios e culturas a serviço da vida na Amazônia. Esta nova presidência expressa com clareza o rosto de uma Igreja que caminha com os povos: bispos, presbíteros, leigos, líderes indígenas e vida religiosa, unidos na missão de anunciar o Evangelho e defender a Casa Comum em um dos territórios mais desafiadores e promissores do mundo. Presidência da CEAMA 2026–2030 Presidente – Episcopado O Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, OFM, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB (Brasil), assume a presidência da CEAMA. Sua trajetória pastoral na Amazônia e seu compromisso com uma Igreja próxima, defensora da vida e promotora da justiça socioambiental fazem dele uma figura-chave para este novo tempo eclesial. Sua liderança se caracteriza por uma profunda sensibilidade para com os povos amazônicos e por seu impulso a uma Igreja sinodal e missionária. Vice-presidente – Presbíteros O Pe. Jesús Huamán Conisilla, do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado (Peru), representa os presbíteros. Com experiência em contextos amazônicos, seu ministério tem sido marcado pela proximidade com as comunidades e pelo acompanhamento pastoral em territórios de grande diversidade cultural e social. Vice-presidente – Povos indígenas Juan Urañavi, do povo guaraya (Bolívia), e vinculado ao Vicariato Apostólico de Ñuflo de Chávez, representa os povos indígenas. Com uma vida dedicada ao serviço eclesial e comunitário, sua liderança reúne a sabedoria ancestral e a experiência viva de seu povo. Sua presença na presidência reafirma o protagonismo dos povos originários na vida da Igreja amazônica. Vice-presidente – Leigos Marva Joy Hawksworth, da Diocese de Georgetown (Guiana), assume a vice-presidência em representação do laicato. Pertencente ao povo Macushi, sua vocação educativa e seu compromisso com a interculturalidade fortalecem os processos formativos na Amazônia, integrando fé, cultura e identidade. Vice-presidente – Vida religiosa A Ir. Sônia Maria Pinho de Matos, da Arquidiocese de Manaus (Brasil) e membro da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, representa a vida religiosa. Com ampla experiência pastoral na Amazônia, seu serviço tem sido marcado pela proximidade com as comunidades e um profundo conhecimento do território, sendo sinal de uma presença profética e comprometida. Nova presidência: Sinal de sinodalidade Esta nova presidência é um sinal concreto da sinodalidade que impulsiona a CEAMA: uma Igreja que caminha em conjunto, que valoriza a diversidade de dons e que se deixa interpelar pela realidade do território. É também uma expressão viva do sonho de uma Igreja com rosto amazônico, onde a interculturalidade, a participação e a corresponsabilidade são pilares fundamentais. Neste novo tempo, a CEAMA reafirma seu compromisso com a defesa da vida, a dignidade dos povos e o cuidado da Casa Comum, caminhando ao lado da Amazônia com esperança, fé e profunda convicção missionária.

Cardeal Steiner: “Acolher o sonho de Deus”, uma Igreja chamada a ser morada da vida na Amazônia

O Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB, recentemente eleito presidente da CEAMA, presidiu a Eucaristia da solenidade de São José para VI Assembleia Geral da CEAMA, realizada em Bogotá, na manhã de 19 de março, oferecendo uma homilia profunda e luminosa centrada no “acolhimento dos sonhos de Deus” como caminho espiritual, eclesial e missionário. Do sonho de Deus à presença salvadora Partindo do Evangelho de Mateus (Mt 1,16.18-21), o Cardeal Steiner convidou a contemplar São José como o homem que soube acolher a passagem da promessa à presença. “Deus sonhou”, afirmou, ressaltando que esse sonho não ficou como uma expectativa distante, mas se tornou realidade concreta na história: em Maria, no Menino, na vida cotidiana de uma família. José, diante do mistério da maternidade de Maria, não compreende, mas também não julga nem condena. Em seu silêncio e em sua decisão de “despedi-la em segredo”, revela-se como um homem justo, respeitoso da dignidade. No entanto, é no sonho — na escuta profunda de Deus — que encontra luz para discernir. Lá ele recebe o convite para acolher: acolher Maria, acolher o Menino, acolher o mistério. “José acolhe sem impor condições”, destacou o Cardeal, sinalizando que esse gesto inaugura uma nova forma de habitar o mundo: fazer da própria vida uma morada para Deus. José, homem do caminho e da confiança A homilia percorreu os diferentes momentos em que os sonhos de Deus guiaram a vida de José: o nascimento em Belém, a precariedade da manjedoura, a fuga para o Egito, o retorno a Israel e a vida oculta em Nazaré. Cada um desses episódios revela um José profundamente disponível, que não age segundo seus próprios planos, mas em obediência confiante à vontade de Deus. Migrante, peregrino, pai e guardião, José torna-se sinal de uma fé que caminha em meio à incerteza. “Os sonhos fizeram dele pai, cuidado, presença”, expressou o Cardeal, destacando que em cada lugar — inclusive em terra estrangeira — José soube fazer de sua vida uma morada para o Filho de Deus. O acolhimento: caminho espiritual e missão Um dos eixos centrais da reflexão foi o acolhimento como atitude fundamental da vida cristã. Um acolhimento que não é passividade, mas abertura, escuta, disponibilidade e ação. “Acolher nas adversidades, nas incompreensões, nos desafios” implica deixar-se conduzir por Deus, mesmo quando não se tem todas as respostas. Nesse sentido, o Cardeal lembrou que José, ao acolher o mistério de Cristo, torna-se colaborador da redenção, “ministro da salvação”, como afirma o Papa Francisco em sua carta apostólica Patris Corde. Este caminho de acolhimento apresenta-se hoje como um convite para toda a Igreja, especialmente no tempo da Quaresma: deixar-se transformar pelo mistério da vida que Deus oferece e preparar-se para a plenitude da Páscoa. Ser profetas do Reino a partir do acolhimento A homilia também iluminou a missão dos discípulos hoje: não somos, em primeiro lugar, anunciadores, mas acolhedores do Reino. Acolher o Reino significa torná-lo visível, encarná-lo, mostrá-lo na vida concreta como verdade, justiça, amor e paz. Nessa perspectiva, a Igreja é chamada a ser sinal desse Reino que inclui a todos, onde cada pessoa e toda a criação têm um lugar na Casa Comum. O Cardeal Steiner destacou que esse chamado é vivido de maneira sinodal, caminhando com o Povo de Deus, ouvindo, discernindo e agindo juntos. Assim, a experiência da CEAMA torna-se expressão concreta desse caminho compartilhado. A Amazônia: lugar onde o sonho de Deus se torna história Em sintonia com o processo eclesial amazônico, o Cardeal convidou a acolher os sonhos que o Espírito suscitou na Igreja, especialmente por meio da Querida Amazônia e do Sínodo para a Amazônia. Esses sonhos — sociais, culturais, ecológicos e eclesiais — continuam sendo um roteiro para construir uma Igreja com rosto amazônico: encarnada nos territórios, comprometida com os povos e defensora da vida. “Acolher os sonhos de Deus nos torna participantes de um amor que redime o universo”, afirmou, convidando a se abrir às surpresas de Deus e a se deixar conduzir por seu Espírito. Uma Igreja que se torna morada Por fim, o Cardeal Steiner expressou seu desejo de que esta Assembleia fortaleça as Igrejas particulares para que sejam sinais vivos do Reino: um Reino que liberta, transforma e salva. Seguindo o exemplo de São José, a Igreja na Amazônia é chamada a ser morada: lugar de acolhida, de cuidado, de vida compartilhada. Uma Igreja que não observa de fora, mas que habita com o povo, escuta seus clamores e caminha com ele. Assim, a homilia se torna um convite profundo: acolher o sonho de Deus hoje, para que a Amazônia — e o mundo — sejam verdadeiramente uma casa de vida para todos.