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Dia: 5 de abril de 2026

Cardeal Steiner na Páscoa: perceber e anuciar a vida nova

O cardeal Leonardo Steiner presidiu a Missa do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor na manhã de 5 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração marca o ínicio do Tempo Pascal no qual somos convidados a perceber e anunciar a vida nova oferecida por Jesus ressuscitado. O arcebispo de Manaus dedicou sua homilia a figura de Maria Madalena que, no texto evangélico, se dirige cedo ao túmulo e não encontra o corpo de Jesus. Filha amada A reflexão feita pelo arcebispo conduziu os presentes a vivenciar a cena: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram” pela perspectiva de Maria Madalena. Ela percorre a si mesma no espaço de tempo entre o túmulo vazio, o encontro com Pedro e João, e a certeza da ressurreição. Nesse caminho, percebe que seu “desconsolo” era pela sensação de perda do Mestre “como a um Filho amado, era do meu agrado, me agradava, me era agradável, o perdi na cruz e agora o perdi no túmulo vazio”. Maria Madalena sente a perda Dele “razão de minha vida, Ele amor de minha, Ele minha vida, vida da minha vida”. Ela que “dele ouvi, mas a Ele não via, tão ocupada estava com os homens da minha vida. Apenas ouvia falar do Homem de Nazaré”. Recordou do encontro em que  o viu e despertou o desejo de ouvi-lo. E ao ouvir as palavras dele que “penetravam as entranhas” de sua alma ao falar do Pai se sentia filha amada. “E quando Ele comigo se encontrou, nada de mais forte e suave, nada de mais suave e violento, nada de mais puro e transparente! Me senti completamente despida, mas não envergonhada. Não me cobiçava, não me desejava, apenas me amava. Nenhum homem havia me despido assim. Tão despida, tão desvestida, tão eu, eu mesma, como se estivesse só diante de Deus. Foi então que vi meu coração, tão desejoso, tão amoroso, tão sedento de liberdade, de verdade, de amor”, refletiu o cardeal. Vida nova Pelo caminho da memória de Maria Madalena, o arcebispo recordou sua entrada na casa do fariseu para lavar os pés de Jesus com suas lágrimas de arrependimento e “ele sem desprezo nem constrangimento se deixava tocar, se deixava lavar os pés”.  O toque onde se sentiu perto de Deus e “amada como uma Filha, quase como uma esposa. E em mim vida nova, pessoa nova, nova mulher, mulher inteira; tudo novo, novo mundo, nova terra um novo céu. Mas ainda não sabia que eu tocara e acariciara o próprio Deus”. O cardeal Steiner sublinhou que o convívio e o serviço transmitiam a ela liberdade e força. E com a perda de Jesus, restava a Madalena “o túmulo onde guardamos seu corpo frio e inerte” depositando o seu conforto. O desconforto com a ausência do Senhor que revelou a necessidade de perdê-lo para cresse no seu Senhor e Deus. “Foi preciso perder-te, foi preciso esvaziar o túmulo das minhas seguranças, foi preciso o vazio completo de tudo, foi preciso a liberdade onde meu nome ressoava para que cresse em ti meu Senhor e Deus. Somente agora creio, quando tudo perdi e te ouvi, razão do meu viver, vida de todo ser que vive”. O nosso peregrinar Não distante do momento histórico em que vivemos, o arcebispo considerou que o nosso peregrinar também busca consolo e encontra túmulos “abertos e vazios”. E como “Igreja feita da experiência da ressurreição”, é necessário “retirar a pedra e deixar que a esperança do Ressuscitado nos encontre e nos devolva vida em meio a tantas incertezas, sofrimentos, mortes”. Por isso, o cardeal reforçou a importância da Igreja de sair “como Maria Madalena a procura” do Mestre, mas de deixar-se “encontrar pelo Ressuscitado” e anunciar a sua ressurreição. E na experiência do Ressuscitado, “levar a todos a alegria do Evangelho”. Daí a necessidade de libertar o ressuscitado das “formalidades onde frequentemente o enclausuramos”. E levá-lo, como gesto de paz, para vida cotidiana marcada pela guerra, pela violência e por palavras violentas e ofensivas. “E, sobretudo, com obras de amor e fraternidade, familiaridade”, disse o cardeal. Como Igreja, somos o corpo de Deus, afirmou o Steiner, e por isso não devemos nos esquecer que louvar ao Senhor é o horizonte da Nova Vida apresentado pela morte e ressurreição de Jesus. De maneira que esse louvor não seja “só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações”, relembrando as palavras de Santo Agostinho. Por fim, o cardeal convidou a levar a todos a alegria do Senhor ressuscitado presente na comunidade dos discípulos missionários e das discípulas missionárias.

Cardeal Steiner na Vígilia Pascal: Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!

Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu a Celebração da Vígilia Pascal na Noite Santa do dia 4 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A Vígilia iniciou na área externa, com a bênção do fogo novo e acendimento do Círio Pascal, que representa de Cristo, Luz do mundo, vitorioso sobre a morte. O arcebispo emérito de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, participou das preparação do Círio Pascal inserindo o cravos. A cruz central: símbolo da redenção. A letra grega alfa (Α): Cristo é o Princípio. A letra grega ômega (Ω): Cristo é o fim. O ano atual representa Deus no presente e como Mestre e Senhor de toda a eternidade. O Χ e o P, letras gregas, que são o anagrama de Cristo (Χριστός). Gratuidade de um amor libertador Em sua homilia, o cardeal Steiner destacou que as leituras proclamadas na vigília são a memória de toda a história da Salvação. Na primeira leitura, foi apresentado o cuidado criador de Deus como uma “ação amorosa” que se expande e revela “seu amor trinitário”. Essa fonte criadora do Amor gera o homem e a mulher, como imagem e semelhança do Deus gerador. No horizonte da libertação do povo da escravidão do Egito, o cardeal sublinhou que essa atitude de Deus nos “para o seu amor libertador, a sua presença que abre mares, atravessa desertos para conduzir os escolhidos à terra da Salvação”. De maneira que “cantávamos com o povo de Israel liberto: ‘cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória; o Senhor é minha força, é a razão do meu cantar, pois foi para mim libertação’” Nesse amor libertador, Isaias a nos convidava: “Ó vós todos que estais com sede, vinda às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite sem nenhuma paga” (Is 55,1). Uma “gratuidade do amor de Deus que “alimenta e dessedenta os seus amados, as suas amadas, na gratuidade de seu amor”. Pois, nas palavras do cardeal, Deus “envia a palavra para orientar, iluminar, fecundar, alimentar, consolar: Deus nunca abandona seu povo, está na cercania, cuidando dos seus amados”. Mulheres do cuidado e do anúncio Outro elemento no Evangelho da noite é a presença das mulheres: “No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. Elas encontraram a pedra do túmulo removida” (Lc 24,1-2). Sua presença revela um amor que prepara, cuida e deseja corresponder ao amor recebido.  O Evangelho comunicando a ausência “do depositado e agora não mais encontrado” na sepultura, mas também “a presença anunciadora da ressurreição percutiu nos corações das mulheres anunciadoras, proclamadoras da ressureição”. O encontro das mulheres com o anúncio da vida e não mais “túmulo vazio” é o convite não temer a realidade da Salvação oferecida por Deus. Por isso, como diz o Evangelho, aquelas mulheres «estavam cheias de medo e maravilha» (Mc 16,8). Este maravilhar-se, segundo Steiner “é uma mistura de medo e alegria que se apodera dos seus corações, ao verem a grande pedra do túmulo rolada para o lado e, dentro, um jovem de túnica branca” dizendo que sigam para a Galileia pois lá estará o Ressuscitado. “As mulheres do cuidado, dos perfumes, do amor perdido, recebem o anúncio da Ressurreição. A Boa Nova de um amor que vence a morte e as guarda. Ele ressuscitou e segue à frente até a Galileia. Ele agora seguirá sempre à frente. Ele agora é a terra da promessa, Ele a realização, a completude das promessas, Ele o principiar de uma nova criação, de um novo céu e uma nova terra”, explicou. O cardeal enfatizou ainda que Pedro recebe o anúncio das mulheres como “um desvario, uma ilusão”. E mesmo “a remexer os lençóis onde estava envolvo o Senhor”,  ele “volta admirado, mas ainda não acreditado”. Essa atitude de Pedro revela a dificuldade de “entrar na dinâmica de um amor que se faz gratuidade”. Galileia como lugar de recomeço Compreender a ida à Galileia como um “recomeçar” é o convite de Jesus “para voltar ao lugar do encontro, do chamado, da vocação, da missão recebida, do amor primeiro”. Um convite que nos impele a recomeçar anunciando o Reino, a vida nova, e as novas relações. O encontro do Ressuscitado na Galileia inicia o Reino da verdade e da graça, o reino da justiça, do amor de paz. “Na Galileia, os encontros com o Ressuscitado, o maravilhar-se com o amor infinito do Deus, que traça novas sendas nos caminhos nas derrotas e contradições”. O arcebispo recordou que na noite da Vigília Pascal “recebemos novos irmãos e irmãs na nossa Igreja que está em Manaus em muitas comunidades pelo batismo”. E fez memória das meditações de Papa Francisco onde nos colocava diante da Galileia como lugar de “recomeçar sempre”, porque a vida nova de Deus é capaz, independentemente de todos os nossos falimentos, de reiniciar encontros e caminhos, explicou. Nessa perspectiva, Dom Leonardo enfatiza que Deus “sempre nos precede: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, bem como na glória duma vida que ressurge, duma história que muda, duma esperança que renasce”. E, parafraseando São Paulo na Carta aos romanos, “se fomos identificados com Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também na ressurreição. Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Considerai-vos vivos para Deus, em Jesus Cristo (cf. Rm 6,5.8.11)”. E por isso, os novos membros da Igreja de Manaus tem parte na vida do Ressuscitado: “Farão parte da história da salvação, serão recriados, re-gerados, revestidos de Cristo ressuscitado. Será o Ressuscitado a lavar as culpas, a restituir a inocência, a conceder alegria, a derrubar o orgulho, a dissolver o ódio, a oferecer a concórdia, a fraternidade, a paz. O Ressuscitado de entre os mortos, há de iluminar com a sua luz e a sua paz. Que possam viver e seguir o…
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