Cardeal Steiner: “deixemos ressoar o consolo: ‘Não se perturbe o vosso coração’”

A Palavra de Jesus a indicar que nos momentos de perturbação, angústia incerteza deixemos ressoar o consolo: “Não se perturbe o vosso coração”. Afirmou o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, em sua homilia para o 5° Domingo da Páscoa, 3 de maio, na Catedral Metropolitana de Manaus. Essa afirmação indica o consolo de Jesus que chega a cada um de nós, assim como chegou aos discípulos que se encontravam aflitos e perturbados durante a Ceia Pascal. “A casa onde mora a perturbação e angústia será transformada na casa do aconchego, do amor, da compreensão. […] Termos a percepção de que Jesus está presente e nos acompanha. Papa Francisco nos ensinava que Jesus pede para termos fé n’Ele, para não nos apoiarmos em nós mesmos, mas em Jesus, pois a libertação da perturbação passa pela confiança. Confiar-nos a Jesus, dar o “salto” na fé. Esta é a libertação da perturbação. Jesus ressuscitou e vive precisamente para estar sempre ao nosso lado”, explicou o arcebispo. Jesus é o caminho Ao se apresentar como “caminho, verdade e vida” diante da pergunta de Tomé, Jesus direciona a compreensão para a dinâmica de “sua vida, as suas palavras, os seus gestos, o seu amor e a sua bondade, o dom de sua vida por amor com a morte de cruz”. Esse caminho apresentado por Jesus é o que caracteriza seus discípulos e discípulas. Ao aceitá-lo, os seguidores assumem esse caminho de identificação com o Mestre e caminham “ao encontro da verdade e da vida em plenitude, o Reino de Deus. “Caminhantes que somos, seguimos o caminho que é Jesus. Como nos ensina Santo Agostinho: ‘Ouçamos o Senhor: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida». Se procuras a verdade, segue o caminho; porque o caminho é também a verdade; ele é o teu destino e o teu percurso. Não é por outra coisa que vais a outra coisa; não é por outra coisa que vens a Cristo: é por Cristo que vens a Cristo. E como vais a Cristo por Cristo? Vais ao Cristo Deus pelo Cristo homem; pelo Verbo feito carne, vais ao Verbo que estava, no começo, em Deus; por aquilo que o homem comeu àquilo que os anjos comem todos os dias’”, disse o cardeal. Caminho a seguir “Por onde queres ir? Eu sou o caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida. Todo o homem consegue compreender a Verdade e a Vida; mas nem todos encontram o Caminho. Os sábios do mundo compreendem que Deus é vida eterna e verdade cognoscível; mas o Verbo de Deus, que é Verdade e Vida junto ao Pai, fez-se caminho ao assumir a natureza humana. Caminha contemplando a sua humildade e chegarás até Deus”, argumentou o cardeal citando Santo Agostinho, no texto dosTratados sobre o Evangelho de São João. Recordando as meditações de Papa Francisco, o cardeal Steiner refletiu sobre os caminhos que seguimos que podem não nos levar ao céu, como “os caminhos da mundanidade, os caminhos da autoafirmação, os caminhos do poder”. Ele também apresentou o caminho de Jesus, que é o “caminho do amor humilde, da oração, da mansidão, da confiança, do serviço aos outros”. O caminho de Jesus coloca o próprio Mestre como protagonista de nossas vidas e levanta duas questões abordadas por Papa Francisco: “Jesus, o que achas desta minha escolha? O que farias nesta situação, com estas pessoas?”. (cf. Regina Coeli, 10/05/ 2020) “Jesus que hoje nos consola como caminho, desperta em nós o desejo de sermos caminho de presença misericordiosa, transformadora, curadora, sanadora no meio dos mais necessitados. Ele-caminho, nos leva ao encontro dos famintos e necessitados de justiça. Ele-caminho, nos conduz ao encontro da verdade, a verdade de nossas relações, a verdade das notícias, a verdade que nos deixa ver a bondade, o amor que nos guia. Ele-caminho, nos leva a superar o modo agressivo de viver, de matar, de caluniar. Ele-caminho, nos leva a superação de um estilo de vida de consumismo, de hedonismo, para o encontro com irmãos e irmãs na diferença.”, explicou o arcebispo. Ver o Pai O pedido de Felipe a Jesus para ver o Pai demonstra que ele “não havia percebido que na presença consoladora e misericordiosa de Jesus era visível o Pai”. Dom Leonardo explicou que “no modo de Jesus estava vivo o Pai”, a nitidez dessa revelação acontece no alívio das dores, reconforto dos desolados, na reinserção na vida religiosa e social dos afastados e descartados pela lepra, no despertar à vida dos desconsolados “Ensinava o cuidado do Pai nos pássaros do céu, na beleza dos lírios do campo. Nele tudo falava e fazia ver o Pai e Felipe não via, “Quem me viu, viu o Pai”. Na sua bondade, na sua cordialidade, na sua gratuidade, na sua amabilidade, na sua amorosidade, na sua singeleza, simpatia, na sua doação, no consolo, Felipe ainda não havia se dado conta que no Filho estava o Pai. Pois quem vê o Filho vê o Pai.” Partilha e fraternidade Na segunda leitura, o cardeal destacou que o “modo de Jesus viver, de se relacionar e de estar entre as pessoas” e a relação com o Pai, deveria despertar os discípulos “para conhecerem a Jesus e nele ver o Pai”. Na primeira, a uma certa divisão na comunidade aponto para necessidade dos discípulos de realizar a “escuta e a oração em comunidade”. Delas é possível reconstruir a “comunhão” e “o bem para toda a comunidade”, pois “como comunidade de discípulos missionários e discípulas missionárias, somos animados a realizar as obras da partilha, da fraternidade”. “Ao lermos, meditarmos e a Palavra de Deus morando em nós, vamos vendo Jesus e em vendo Jesus vemos o Pai. E em vendo a Jesus e o Pai, somos guiados, fortalecidos pelo Espírito Santo. Jesus nos prometeu uma morada, que é a morada da Trindade, que caminhemos com alegria e esperança ao encontro da morada definitiva”, finalizou o cardeal.