Cardeal Steiner: Pentecostes é o tempo da consolação.
No Domingo de Pentecostes a Igreja celebra a vinda do Espírito Santo. Em sua reflexão, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, recorda que essa solenidade “diz à Igreja: é o tempo da consolação. Consolação, pois anúncio alegre e bendito do Evangelho”. A festa da unidade nos rememora nosso envio como consolares e consoladoras. Confira o artigo na íntegra: O primeiro anúncio do Ressuscitado: “A paz esteja convosco”. Era necessário acalmar aqueles homens tomados pelo medo e a morte. A paz! Sem a paz tudo vira conflito, acusação, tensão, desprezo da justiça, perda da fraternidade, da familiaridade, menosprezo da cultura de cada povo. A paz harmoniza, admira as diferenças, sincroniza a linguagem e os gestos. Imprime rostos admiráveis pela beleza e dignidade. Sem a paz somente a violência, a guerra, seja de armas, seja de palavras, seja da não política. Seguidores e seguidoras quem somos de Jesus, desejamos e oferecemos a paz. Depois de saudar e desejar a paz por duas vezes, para que ela se torne realidade, Jesus sopra sobre os apóstolos e diz: “Recebei o Espírito Santo!” Sim, irmãos e irmãs, o Espírito verdadeiro renovador das relações, soprador de vida, consolador dos aflitos e defensor dos fracos e desprotegidos. “Recebei o Espírito Santo”! O Libertador, abridor de portas e janelas, pois sopro de vida nova! Cheios do Espírito Santo Ouvimos nos Atos dos Apóstolos: “De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo”. O barulho e o vento forte a indicar a força, o vigor que encheu a casa onde se encontravam os discípulos ainda amedrontados, escondidos. Com as portas fechadas, sozinhos e perdidos, tenham diante de si todas as suas fragilidades e fracassos. Mas quando as línguas de fogo permanecem sobre eles, ao serem invadidos pelo fogo do amor do Espírito, ao receberem o sopro como vento impetuoso, aqueles homens sentem-se consolados, e transbordam a consolação de Deus. São transformados, impelidos a pregar, a anunciar. O Espírito Santo que irrompe na casa, abre janelas e portas, abre a vida daqueles discípulos revestidos de morte. Vida nova, nova força, novo vigor, nova disponibilidade. Agora o Espírito a guiar aqueles homens amedrontados e sem destino. Na força e vigor do Espírito tornam-se verdadeiros discípulos de Jesus. Agora no ânimo do Espírito compreendem, “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”; “ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!”; “Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). “Viram, umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo”. Línguas de fogo a repousar sobre cada um deles e eles a falar diversas línguas, conforme o Espírito inspirava. Tomados, invadidos pelo Espírito Santo, falam e todos escutam o anúncio das maravilhas de Deus na sua própria língua. Falam em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava (At 2,3-4;10). Uma proclamação, um anúncio compreensível em todas as línguas, em todos os povos e nações. Que linguagem é essa que todos compreendem e entendem? O Consolador que acalma, como cantamos na Sequência; o hóspede da alma, doce alívio, pois na aflição remanso, verdadeiro descanso. Sim, a linguagem do consolo todos entendem, pois, a linguagem do amor. Todos intuem a palavra, não-palavra do consolo, do amor. Ainda mais quando nascido do Espírito. As línguas que eles falam é o Espírito quem escreve, não sobre a pedra, mas nos corações (2Cor 3,3). Assim, pois, a lei do Espírito de vida, escrita no coração e não sobre a pedra, a lei do Espírito de vida, está em Jesus em quem a Páscoa foi celebrada na plenitude da verdade” (cf. Santo Agostinho, Sermão 155). Por termos, também nós, recebido o Espírito Consolador, o Paráclito, somos enviados como paráclitos, consoladores, consoladoras. Somos na força e suavidade do Espírito chamados a dar testemunho, a nos tornar paráclitos, consoladores. O Espírito pede para darmos visibilidade ao Deus consolador, a darmos corpo à sua consolação. Não se trata de palavras, de discursos, mas de presença, de proximidade, de pele a pele. Jesus mesmo ao ser consolo era proximidade, compaixão, misericórdia, consolo. A proximidade, a compaixão e a ternura são o modo de Deus que recebemos de Jesus no Espírito Santo. Tempo da consolação A Solenidade de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, diz à Igreja: é o tempo da consolação. Consolação, pois anúncio alegre e bendito do Evangelho. É tempo para derramar amor no nosso tempo marcado pela violência, pela dor, pela separação, pelo desamparo. É o tempo da misericórdia, do perdão, da reconciliação, tempo da paz. É o tempo do Paráclito! É o tempo da liberdade do coração, no Paráclito (cf. Papa Francisco, Pentecostes, 23/05/2021). A linguagem do consolo, do amor é transformante, libertadora. Esse dom do Espírito é diferente na sua dinâmica e eficácia. As consolações do mundo são como anestésicos: oferecem um alívio momentâneo, mas não curam o mal profundo que muitas vezes carregamos. Insensibilizam, distraem, mas não curam pela raiz. Agem à superfície, ao nível dos sentidos, e dificilmente atingem o âmago, a intimidade da nossa intimidade. A linguagem do amor sussurra à nossa interioridade que somos amados como somos. O Espírito Santo, o amor de Deus, age no nosso espírito, desce ao mais íntimo de nós mesmos; visita o íntimo do coração, pois é hóspede amável da alma. É a ternura de Deus não nos deixa sozinhos, pois é amor consolador. (cf. Papa Francisco). O Espírito que recebemos vivifica a Igreja e suscita serviços, ministérios, vocação, ouvimos na segunda leitura. Paulo nos ensina: “Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.”(1Cor 12 4-6). A riqueza de diversidade na Igreja é admirável, mas um só Espírito; diversos e um só.…
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