Cardeal Steiner: fazer a travessia para a margem da doação, da generosidade, da fé
No 19º Domingo do Tempo Comum, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus nos recordou a necessidade de fazermos a travessia para a margem da doação, generosidade e da fé. A liturgia apresenta o momento após a multiplicação dos pães em que Jesus envia os discípulos para a outra margem e sobe a montanha para orar a sós. “Ele busca a solidão para encontra-se a sós com o Pai. E no encontro com o Pai, não mais sós. O Pai é seu repouso, seu conforto, a sua sabedoria, a sua inspiração. No encontro do silêncio da noite pode ouvir o Pai. Solidão, pois só com o todo, tudo ali no encontro com o Pai. O Pai e eu somos um: comunhão, coração no coração do Pai. Jesus que recolhe o dom do tudo no pouco e oferece ao Pai. Agradece ao Pai, louva e bendiz o Pai. O Pai a sua inspiração, pois desejo de fazer sua vontade”, refletiu o cardeal. Jesus percebe a dificuldade dos discípulos de aportarem a outra margem por conta das ondas agitadas e do vento contrário. Aqueles homens “tocados pela beleza da partilha”, ao “percorrem o caminho da outra margem entram em crise. Os discípulos “haviam percebido em Jesus a transformação, a abundância, o cuidado”, mas não suportam as “contrariedades, as dificuldades nas ondas agitadas e no vento forte”. A presença de Jesus O cardeal Steiner continuou sua reflexão apontando o significado da noite, das ondas e dos ventos contrários e a presença de Jesus diante das dificuldades. A “noite” revela a insegurança dos discípulos de Jesus diante dos caminhos quem devem percorrer. Já as “ondas”, demostram as hostilidades e os embates “contra o barco da vida”. E os “ventos contrários” são “as resistências ao projeto de Jesus, o Reino dos céus”. “Os discípulos sentem-se perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as forças contrárias à vida com Jesus. Difícil permanecer na atenção e na sintonia da doação do pouco, tudo. Naquele pouco do pão houve pão para todos. Em meio às intempéries Jesus se faz presente. Ele se apresenta caminhando com a noite, com as ondas e os ventos contrários. Ele ‘caminha sobre o mar’”, explicou o cardeal. Sou Eu “No meio da agitação, em meio a visão o pavor e o medo, vem-lhes ao encontro a palavra: “Sou eu”! Não tenhais medo, coragem, calma, tranquilizai-vos sou eu, apenas eu. Estavam agitados demais, inquietos demais, para perceberem que era Jesus”, refletiu o cardeal. Jesus se aproximou dos discípulos “andando sobre as ondas agitadas e o vento contrário” e ao avistá-lo “foram tomados de pavor, e gritaram de medo”. A revelação de sua identidade faz com que Pedro queira aprender a “caminhar na liberdade das ondas agitadas e do vento contrário”. E reconhecimento de suas agitações e incompreensões necessitam de Jesus. Mesmo diante do “Vem!” de Jesus, Pedro desceu da barca e foi ao encontro de Jesus, “o vento, o medo, a dúvida, a mente distraída, o leva para o fundo”. “O sou Eu, no mar agitado da vida, nas agitações e dúvidas interiores que a cotidianidade desperta também em nós o caminhar sobre, desfazendo-nos das aflições e às vezes até das angústias. Também nós suplicamos: deixa-me ir ao teu encontro. E Ele benevolamente, amavelmente nos diz “vem!” E pensamos que Ele retira os dessabores, as mortes, as aflições naquele vem”, ressaltou o arcebispo. Salva-me Ao perceber que estavam afundando Pedro invoca “Senhor, salva-me”!. Essa súplica de Pedro revela também “os nossos impulsos e debilidades” ao percorrermos “o caminho da fé”. E em nossos naufrágios do caminhar “com confiança dizemos: salva-me”. E no caminho “ao encontro de Jesus ressuscitado” apresentamos nossa fragilidade e pobreza, a inquietude que é “vitoriosa, no meio das tempestades e dos perigos em que vivemos” porque Jesus “estende sempre a mão e nos ergue”. O cardeal nos convidou a repetir as palavras de Pedro como uma oração: “Senhor, salva-me!”. E recordou as palavras de Papa Francisco, “Jesus é a mão do Pai que nunca nos abandona; a mão forte e fiel do Pai, que quer sempre e só o nosso bem. A fé é manter o coração voltado para Deus, para o seu amor, para a sua ternura de Pai, no meio da tempestade. Na escuridão, na tristeza, caminho perturbado, bloqueado por forças adversas, digamos “Senhor, salva-me”. Na pobreza da fé “Senhor, salva-me”, pois Ele passou pela morte nos salvou. Ele sempre está ao nosso lado. (cf. Papa Francisco, Angelus, 9/08/2020) Presença sutil Na primeira leitura da liturgia (1Rs 19,9a.11-13a), Dom Leonardo recordou a presença sutil de Deus quando Elias é convidado a perceber a passagem de Deus. E destacou a presença Dele “na suavidade da brisa”. Nessa mesma reflexão trouxe o texto de Martin Buber que traduziu a passagem bíblica revelando a sutileza da “presença de Deus, de Jesus, mesmo em meio aos tormentos e desilusões”: “E falou: Para Fora De pé, para a montanha, diante da minha face! E Passando Ele: Um vendaval tempestuoso imenso e violento, Fendendo montanhas, esmigalhando rochas, De lá, da sua face: Ele, não, na tempestade – E após a tempestade, um terremoto: Ele, não, no terremoto – E após o terremoto, um fogo: Ele, não, no fogo – Mas, após o fogo, A voz do silêncio suspenso.” (Em: Zwischen Rosen und Schatten). “Deus não é o grande rumor, não é o furacão, não é o incêndio, não é o terremoto, mas é a brisa ligeira, é aquele “fio de silêncio sonoro” que não se impõe mas pede para ser ouvido: “Sou eu”! Naquele “coragem, sou eu”, a suavidade de uma brisa suave, um silêncio sutil! Aquele silêncio de Jesus: vem! Aquele silêncio suspenso a ergue Pedro que se sentia tragado pelas águas. Suspende a Pedro, mantém, sem violência, na suavidade de uma presença que conduz à outra margem”, evidenciou o cardeal. Dia dos Pais Nesse domingo o Brasil recorda o Dia dos Pais, por isso o arcebispo insistiu para que rezemos pelas nossas mães e pelos nossos pais durante mês vocacional. Segundo…
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