Cardeal Steiner: como Pedro proclamar que Jesus é o Filho de Deus
O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), nos recorda que o Evangelho do 21º Domingo do tempo Comum é um convite a sermos como “Pedro: proclamarmos que Jesus é o Filho de Deus”. A afirmação nasce espontânea à pergunta de Jesus “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e revela como Jesus é visto entre povo. O modo de Jesus nas “palavras, gestos, proximidade, milagres” desperta para “presença de João Batista, de Elias, de algum dos profetas” como “uma pessoa enviada”. “É o dizer, o opinar, o avaliar em geral; a percepção, a intuição de uma pessoa ligada à tradição, à história do povo. Pensar que fosse João Batista, Elias, Jeremias tinha um alto significado. Um profeta em Israel era uma pessoa chamada, escolhida de Deus, o recordador da Aliança, o despertador do Povo para voltar à beleza do primeiro amor. Os discípulos eram bons ouvintes, sabiam o que o povo pensava e sentia”, ressaltou o cardeal. E vós Na continuidade do diálogo, Jesus direciona sua pergunta a cada um dos discípulos para que revelem suas próprias percepções. Nas palavras do cardeal, “Vós que andais comigo, vós que participais da minha vida, vós que a cada dia me ouvis, me conheceis de perto: quem, sou eu para vós?”. O mesmo questionamento se aplica particularmente para cada um de nós nos dias de hoje, quando pensamos no que Jesus significa para nós e não construímos dele por meio de uma “resposta da opinião pública, da opinião corrente, do WhatsApp.” Em seguida, o arcebispo nos recordou que Simeão vem do hebraico Shim’on, de shamá, que significa “ele ouviu”; ele é bom “ouvinte”, afirmou. E como bom ouvinte, Simão olha para Jesus e confessa: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Isto é, como “bom ouvinte sonoriza, verbaliza o que ouviu e viu”. Pedro não vê “um profeta, um Batista reencarnado”, mas “o Messias, o Filho de Deus”. Nessa confissão de Pedro nos reúne como “comunidade dos que creem” fundamentada em Cristo que é a “razão da nossa vida”. “A confissão de Pedro é a nossa confissão. A capela de madeira envelhecida e pendida no alto da colina, tem sua confissão; a pequena igreja fechada junto à estrada de terra, tem a sua confissão. Ali está uma comunidade, uma igreja, ou esteve uma igreja, uma comunidade de fé. É ou era o lugar de encontro porque Cristo é a pedra, o fundamento. Continua a confessar a presença de Cristo. Nós, mesmo nas nossas incapacidades e traições somos uma confissão de Cristo”, refletiu o cardeal. Onde vais? Diante de nossas contradições e contratestemunhos seguimos visibilizando a “confissão de Pedro: ‘Tu és o Filho de Deus’”. Em sua reflexão, o cardeal Steiner nos convidou a “dizer: ‘Tu és o Filho de Deus’”. E desse modo, “o Pai do céu” pode “revelar aos corações distraídos e endurecidos a presença inefável do Filho e a suavidade do Espírito”. É a partir dessa confissão que Jesus muda o nome do discípulo que “de Simão, passa a Pedro; Pedro-pedra; pedra-Pedro!”. “Pedro é pedra, é rocha, e por ser pedra também é pedrisco. Pedrisco, pois é um homem fraco e frágil, trai a Jesus. Às vezes não compreende o que Jesus faz. Diante da prisão de Jesus deixa-se dominar pelo medo e nega a Jesus. Na fraqueza se arrepende e chora amargamente (cf. Lc 22, 54-62). Não tem a coragem de estar aos pés da cruz. Esconde-se com os outros no cenáculo, com medo de ser aprisionado (cf. Jo 20,19). Em Antioquia, tem vergonha de estar com os pagãos convertidos, e Paulo exorta-o à coerência (cf. Gl 2,11-14); e segundo a tradição do Quo vadis, procura fugir diante do martírio, mas ao longo do caminho encontra Jesus e readquire a coragem de voltar atrás”. Pedro edifica a Igreja O arcebispo de Manaus também recordou que Papa Francisco indicou o significado da mudança do nome: “Pedro é uma rocha: em muitos momentos é forte e firme, genuíno e generoso. Deixa tudo para seguir Jesus (cf. Lc 5,11), reconhece-o como Cristo, Filho de Deus vivo (cf. Mt 16,16), mergulha no mar para ir depressa ao encontro do Ressuscitado (cf. Jo 21,7). Além disso, com franqueza e coragem, anuncia Jesus no Templo, antes e depois de ser preso e flagelado (cf. At 3,12-26; 5,25-42). A tradição nos fala também da sua firmeza diante do martírio, que teve lugar precisamente aqui (cf. Clemente Romano, Carta aos Coríntios, V,4). O papa refletiu que Pedro é também uma pedra: é uma rocha e inclusive uma pedra, adequada para oferecer apoio aos outros: uma pedra que, fundamentada em Cristo, serve de sustentáculo para os seus irmãos na edificação da Igreja (cf. 1Pd 2,4-8; Ef 2,19-22). Também isto encontramos na sua vida: responde ao chamamento de Jesus com André, seu irmão, Tiago e João (cf. Mt 4,18-22); confirma a disponibilidade dos Apóstolos a seguir o Senhor (cf. Jo 6,68); cuida de quem sofre (cf. At 3, 6); promove e encoraja o anúncio comum do Evangelho (cf. At 15,7-11). É “pedra”, é ponto de referência fiável para toda a comunidade” (Papa Francisco, Angelus, 29/06/2023). Nossa fraqueza Ao meditar as palavras da segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Romanos (11,33-36), o cardeal nos lembra que “Deus na sua sabedoria conta com a fragilidade de Pedro e na sua sabedoria conta a nossa fragilidade para a edificação do Reino de Deus”. Ele afirmou que “Jesus quer continuar a construir a sua Igreja, esta casa com fundamentos sólidos, mas onde não faltam fendas, e que precisa continuamente ser concertada. Sempre”. “A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, concertada. Sem dúvida não nos sentimos rochas, mas apenas pequenas pedras. Contudo, nenhuma pequena pedra é inútil, aliás, nas mãos de Jesus a pedra mais pequenina torna-se preciosa, porque Ele a recolhe, a conserva com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção”, explicou o cardeal. E por isso “cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção…
Leia mais
