“Vida em Primeiro Lugar!”, Arquidiocese de Manaus realiza 32ª Edição do Grito Excluídos

No dia em que o Brasil celebra sua Independência a Igreja Católica no Brasil e representantes de movimentos, grupos, entidades, sindicatos e a sociedade civil se reuniram para 32ª Edição do Grito Excluídos e Excluídas. As mobilizações reforçam o tema permanente: “Vida em Primeiro Lugar!”. E o lema da trigésima segunda edição foi “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Na capital amazonense, a Arquidiocese de Manaus, por meio das suas Pastorais Sociais e Cáritas Arquidiocesana, propôs uma dinâmica de mobilização diferente das edições anteriores. As atividades aconteceram no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), das 8h às 17h. Uma experiência singular, já que muitos participantes relataram não conhecer o espaço onde são desenvolvidas pesquisas, conhecimentos e tecnologias que ajudam na tomada de decisões, e apresenta alternativas para o desenvolvimento da Amazônia. Durante a coletiva de Imprensa realizada pela manhã, Pe. Alcimar Araújo, assessor eclesiástico das pastorais sociais, destacou que o grito é uma das poucas manifestações populares que se mantém viva em Manaus. E enfatizou que embora seja organizado pela Igreja em Manaus, agrega diversos outros movimentos populares. A coordenadora das pastorais sociais da Arquidiocese de Manaus, Guadalupe Peres, destacou a presença das mulheres que impulsionam o trabalho pastoral e demonstrou preocupação com o aumento dos casos de feminicídio no Brasil e no estado do Amazonas. Além disso, a coordenadora também denunciou a precariedade do sistema de saúde do estado, uma situação que perdura há anos, mesmo com a mudança dos governantes. Programação A programação contou com uma Feira da Economia Popular com estandes regionais, artesanato, comidas e produtos da economia popular. Os movimentos, pastorais, coletivos e organizações envolvidos puderam expor suas ações e experiências. Além disso, tendas temáticas ofereceram aos participantes espaços de diálogo, reflexão e mobilização sobre temas como: Moradia e direito à cidade; Mulheres e seus direitos; Meio ambiente e defesa da Casa Comum; Lutadores e lutadoras do povo.  Pela tarde, aconteceram apresentações artísticas, momentos de imersão, expressão cultural e manifestações das lutas e resistências do nosso povo. As atividades dentro do INPA encerram com a Celebração Eucarística presidida por Dom Frei Samuel Ferreira de Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus. A reflexão enviada por Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, nos recordou que o trecho de Ezequiel (47, 9-12) “trata-se de uma profecia esperançosa e certa: Deus nunca abandona seu povo”. “Que possamos ser em Deus, na consciência ambiental de cuidadoras e cuidadores da obra da criação, rios de vida e de esperança, que com toda a força e superabundância de vida, ao chegar no mar morto (quer dizer, lá onde as estruturas de morte parecerem ter definido o fim de tudo), o milagre transformador possa se confirmar e a vida possa continuar”, escreveu Dom Joaquim Hudson. História de luta Em sua mensagem, Dom Joaquim Hudson recordou que celebramos resistência, conquistas, teimosias e esperanças. Essa história de lutas requer de nós um grito profético que reflete nossa confiança em Deus que faz nova todas as coisas. A escolha da data é contraponto ao Grito da Independência oficial, para que reflitamos nossa consciência política de luta por uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna.   “Gritamos pela Independência de um verdadeiro Brasil onde suas filhas e filhos vivam em um estado democrático, onde todas e todos tenham seus direitos constitucionais garantidos, promovidos, efetivados e assegurados, assim como garantidos os direitos da natureza – sinais concretos da justiça ecossocial, em tempos de forte apelo ambiental onde as mudanças climáticas e suas consequências já nos alertam e nos impactam”, refletiu o bispo. A proposta do Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB, cujo tema era Brasil, alternativas e protagonistas, inspirada na Campanha da Fraternidade de 1995, e lema: A fraternidade e os excluídos. O primeiro Grito foi realizado em 7 de setembro de 1995, tendo como lema “A vida em primeiro lugar”. A partir de 1996, o Grito foi assumido pela CNBB que o aprovou em sua Assembleia Geral, como parte do PRNM (Projeto Rumo ao Novo Milênio – doc. 56 nº 129). A cada ano, se efetiva como uma imensa construção coletiva, antes, durante e após o 7 de setembro. Após a missa, os participantes caminharam até a rotatória do Complexo Viário Gilberto Mestrinho (bola do Coroado), onde aconteceu o Ato Público, com manifestações e celebração da força da organização.