Cardeal Steiner: convidados a buscar Deus que nos busca e deseja nos encontrar

No 25º Domingo do Tempo Comum o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus refletiu que na primeira leitura (Is 55,6-9) somos convidados a buscar a Deus. Já no Evangelho (Mt 20,1-16), é Deus que nos busca e deseja encontrar. Segundo o cardeal, Deus “se aproxima de modo compassivo”, pois diferente da nossa compreensão, o modo de Deus é “dar a todos o mesmo”. A afirmação: “Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti” confirma esse horizonte. Deus não desiste de nos buscar e oferecer “a todos o mesmo: tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence”. “Deus chama a todos para participar do seu Reino; oferece a todos a mesma retribuição: participação de sua bondade, de seu amor. Deus está continuamente saindo, está em busca. Incansavelmente busca a cada pessoa para participar do seu Reino. Que ninguém fique fora de seu amor materno-paterno”, afirmou o cardeal. Reino O arcebispo enfatizou que o Reino dos Céus é feito de serviço, participação e pertencimento. Esse Reino inaugura um novo modo de viver, de conviver, uma antecipação da vida em plenitude. Retomando as palavras do Evangelho, destacou que o vinhateiro “saiu de madrugada, às nove, ao meio-dia, às três da tarde, às cinco da tarde” para chamar todos para o serviço no Reino. Um chamado que revela um Deus sempre em saída e que nos procura a todo momento sem descanso para que “ninguém seja excluído do seu desígnio de amor (cf. Papa Francisco, Angelus, 20/09/2020). “A insistência da parábola em dizer madrugada, às nove, às doze, às quinze e às cinco, quando o sol já está poente, nos faz perceber o quanto somos buscados por Deus. O dia todo, o dia inteiro sai ao encontro de pessoas e oferece o dom, a graça, a benevolência de uma vida cheia razões e realizações: a vida do Reino. A prata oferecida, é a preciosidade da vida que recebe quem aceita o convite, aceita participar, ser receptivo à graça de sua benevolência. Deus que nos busca e nos chama”, ressaltou o cardeal. Em suma, Deus deseja a participação de todos no Reino. Por isso, o cardeal sublinhou que “Jesus não fala do trabalho nem do salário justo, mas da vida do Reino de Deus e da bondade do Pai celeste que continuamente sai para convidar a participar do serviço do Reino de Deus”, oferecendo tudo a todos. Deus revela sua abundância sem olhar “para o tempo, os resultados, mas para a disponibilidade, olha para a generosidade com a qual nos colocamos ao seu serviço”. É desse modo que sua ação “vai além da justiça e manifesta-se na graça“. “Tudo é graça. A nossa salvação é graça. A nossa santidade é graça. Ao conceder-nos a graça, Ele nos dá mais do que merecemos.  E assim, quem raciocina com lógica humana, isto é, a de mérito adquirido com a própria habilidade, de primeiro torna-se último. […] O convite para servir no Reino de Deus é para todos: não há excluídos, indignos, descartados, pecadores ou justos, bons e maus. Para Deus há filhas, filhos a quem ele ama, a quem oferece a salvação e a quem convida para trabalhar na sua vinha. A única coisa realmente decisiva é que aceitemos participar do mistério do seu amor”, afirmou o arcebispo. Oferecer a Palavra Além disso, a segunda leitura “nos oferece com extraordinária beleza aceitar servir na vinha do Senhor”. Quando escreve a carta aos Filipenses, Paulo está preso esperando o julgamento e não sabe se sairá da prisão vivo ou morto. Contudo, o “que é importa para ele é o que dá sentido ao seu viver ou morrer: Cristo”. O pagamento de Paulo é participar na vida de Cristo e do seu reino onde todos estão a servir. Com a morte e ressurreição de Jesus todos tempos a salvação concedida na gratuidade, sem merecimento. O arcebispo retomou as palavras de Papa Francisco no Angelus de 20/09/2020 que nos diz: As nossas comunidades são chamadas a sair para oferecer a todos a palavra de salvação que Jesus veio trazer. É uma questão de abertura a horizontes de vida que ofereçam esperança àqueles que estão estacionados nas periferias existenciais e ainda não experimentaram, ou perderam, a força e a luz do encontro com Cristo. A Igreja deve ser como Deus: sempre em saída; e quando a Igreja não está em saída, adoece com os tantos males que temos na Igreja. E por que há estas doenças na Igreja? Porque não está em saída. É verdade que quando saímos há o perigo de um acidente. Mas é melhor uma Igreja acidentada, por sair, por anunciar o Evangelho, do que uma Igreja que está doente por fechamento. Deus sai sempre, porque é Pai, porque ama. A Igreja deve fazer o mesmo: sempre em saída. “Na graça do reino vive-se da bondade de Deus. Ali não existe comparação de paga, de pagamento; ali tudo é apenas graça de participação, serviço de bondade e redenção; “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,1-16). Ali, somos um reino eterno e universal”, finalizou o cardeal. Oração Senhor que não cessas de nos chamar para o serviço no vosso Reino, abre os nossos ouvidos para escutar o vosso insistente convite. Com o apóstolo Paulo confessamos que sois nossa vida, a nossa alegria e a nossa vida eterna. Vosso Espírito nos guie na vida nova do Reino e a nossa vida seja um convite para viver e servir e amar. Grande é o Senhor e digno de louvor, insondável em sua grandeza. O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas. O Senhor e justo em todos os seus caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos o invocam, de quantos o invocam em verdade. Louvemos e bendigamos o Senhor de toda a bondade, todos os dias. Amém.