Cardeal Steiner: fazer a vontade de Deus nos torna bem-aventurados
A Igreja celebra neste domingo (1) a multidão de santos e santas que “viveram como nós, as suas fraquezas, seus pecados, mas tentaram fazer a vontade de Deus, seguir Jesus no seu Evangelho”. A afirmação do Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus, nos recorda que essa atitude de entrega ao amor de Deus os tornou “bem-aventurados, bem-aventuradas”. “Celebramos todos os irmãos e irmãs que viveram o Evangelho no amor, numa vida simples, dinâmica, ativa, amorosa, samaritana, consoladora, misericordiosa, cheia de perdão. Hoje é a festa da santidade, a santidade que não se manifesta em grandes obras. Uma santidade feita de amor diariamente diante das belezas do reino de Deus. Um amor fiel até o esquecimento de si mesmo, a entrega total dos outros, como a vida das mães, dos pais, dos trabalhadores, das trabalhadoras que se dedicam no dia a dia a viver o Evangelho de Jesus”, explicou o cardeal. Santidade é um caminho O arcebispo recordou os ensinamentos de Papa Francisco que pedia “contemplar nos santos, é o conjunto de sua vida”. Isto significa que a totalidade da vida dos santos “reflete algo de Jesus e que sobressai”. Ele reforçou o costume e a beleza de salientarmos nos santos e santas “a oração, o sacrifício, a piedade eucarística”, mas não podemos esquecer de destacar eles procuraram “viver Jesus, tentado fazer a vontade do nosso Pai que está nos céus”. Compreender a santidade como um caminho a ser percorrido na cotidianidade. A tentativa diária de fazer a vontade do Pai “em casa, na família, no trabalho, na profissão, na convivência”. É a tentativa de viver o Evangelho de Jesus não como “um caminho a ser ganho, mas um caminho a ser percorrido”. “Um colocar-se em marcha guiado pelo sopro do Espírito, um deixar-se afagar pelo Espírito Santo. A fragilidade da nossa finitude de existir. Guiados pela força da Palavra de Deus e a força do Espírito, então trilhamos, fazemos pequenos caminhos na cotidianidade. Percorremos pequenas veredas e tudo assim devagar, somos transformados, transformadas em bem-aventurados, em bem-aventuradas”, enfatizou o arcebispo. Sopro de Deus A graça da bem-aventurança nasce no caminhar cotidiano de seguir os passos de Jesus. O cardeal explicou que aqueles que estão “à margem da sociedade reinante” são chamados e vocacionados “a herdar esse sopro sagrado de Deus”. Como na transfiguração, onde os discípulos subiram a montanha, permaneceram e desceram, é essencial colocar-se a caminho “mulheres e homens que vivendo o evangelho caminham na busca da felicidade”. “Na desilusão de tudo, às vezes na perda de tudo, mas sempre com o coração aberto, procurando fazer a vontade de Deus. Em marcha, nos dizia o texto do Evangelho, os pacificadores… Porque são chamados filhos, filhas de Deus. Diante da violência que estamos a viver, diante dos massacres, das guerras, da morte sem sentido, das crianças padecidas, das famílias sem casa pela guerra, pela imigração forçada, pela violência e morte, repetimos as palavras de Jesus no texto do Evangelho. Em marcha, em movimento, os pacificadores, as pacificadoras, porque são filhos, filhas de Deus”, enfatizou o cardeal. Paz e misericórdia Os pacificadores semeiam “a paz onde há discórdia, as notícias falsas, as inverdades que levam à morte”. O cardeal nos apontou que como “filhos do Pai que está no céu”, reconhecemos que o Pai enviou “Seu Filho como semente de paz e reconciliação para toda a humanidade”. Assim, percebemos nas palavras de Jesus “o movimento da transformação misericordiosa”, e assumimos a misericórdia com nossos irmãos em gestos concretos. “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, eu era forasteiro e me hospedastes, estava nu e me vestistes, o enfermo e me visitastes, preso e fostes ver-me. Então perguntarão o justo: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro e te hospedamos? ou quando te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo e preso e te fomos ver? Bem-aventurados os misericordiosos”, destacou o cardeal. Deus é a matriz do universo O cardeal Steiner nos recordou que Deus é a matriz do universo. Segundo ele, a palavra “matriz” em hebraico é “rechem”, que quer dizer o útero da mulher”. É no útero que o feto recebe tudo o que ele precisa para viver. Da mesma maneira é Deus, “ele matricia todo o universo, a cada uma das suas criaturas”. E como Ele, sejamos bem-aventurados e misericordiosos e sirvamos aos irmãos “no acolhimento, na matricialidade” como “portadores, portadoras da misericórdia, da paz, da ternura de Deus”. “Somos chamados, então, queridos irmãos e irmãs, a sermos bem-aventurados, bem-aventuradas, isto é, estarmos sempre a caminho, assumindo os sofrimentos e angústias do nosso tempo, como Jesus. Felizes os que suportam com fé os males que os outros lhe afligem, perdoam de coração. Felizes os que olham nos olhos dos descartados e marginalizados, fazendo-os perceber que são filhos, filhas de Deus. Felizes os que reconhecem a Deus em cada pessoa e lutam para que também outros a descubram. Felizes os que protegem e cuidam da casa comum. Felizes os que renunciam o seu próprio bem-estar em benefício dos outros. Felizes os que rezam e trabalham pela plena comunhão entre todos nós”, reforçou o cardeal. Lavados no sangue Na leitura do Livro do Apocalipse de São João (7,2-4.9-14) vemos a narração da multidão “de todas as nações, tribos, povos e línguas” vestida de branco. Essa multidão é daqueles “que percorreram o caminho na fidelidade, apesar da fraqueza, da finitude”. São os que “lavaram as suas vestes, as suas vidas, no sangue do Cordeiro. Por isso, bem-aventurados, bem-aventurados, santos, santas”. “Irmãos e irmãs, que deixaram-se lavar na misericórdia de Deus e foram consolo e presença amorosa junto aos mais necessitados, junto aos seus familiares. Mulheres e homens que na cotidianidade buscaram viver os ensinamentos de Jesus, e na tentativa de a viverem na graça do Reino”, destacou o cardeal. O testemunho de vida de seguimento dos santos e santas é um convite para admirá-los e invocá-los, “pois…
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