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Dom Ionilton: “Para nós que vamos fazer experiencia vocacional missionária, os confins da terra é a Amazônia”

Uma Eucaristia presidida por Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira tem sido momento de envio dos 280 participantes da I Experiência Vocacional Missionária Nacional, que acontece na Arquidiocese de Manaus, na Diocese de Coari e na Prelazia de Itacoatiara de 5 a 17 de janeiro. O Bispo da Prelazia de Itacoatiara, seguindo as palavras do Salmo 147: “Ele envia suas ordens para a terra e a palavra que ele diz corre veloz”, pedia “que a Palavra de Deus, por meio de nós, corra veloz sempre e de modo especial nesta atividade vocacional missionária”. Uma Palavra que “se fez Carne e habitou entre nós”, uma Palavra de deus Encarnada “que veio para nos Libertar do pecado e de suas desastrosas consequências em nossas vidas como pessoas, como igreja e como sociedade”. Seguindo o Evangelho de Marcos, o Bispo fez ver que o texto “nos ajuda a perceber a consciência que João Batista tinha de que ele não era o mais importante. Que o mais importante era Jesus!”. Daí ele fez um chamado a “sempre ter esta consciência: eu não sou o mais importante; o mais importante é Jesus”, e ter isso presente nestes dias de Missão. Uma Missão que, “a partir de nossa vocação, é continuar a Missão de Jesus”. Isso aparece, lembrou o Bispo, na temática desta iniciativa: Como o Pai me enviou eu envio vocês (pés a caminho); recebam o Espírito Santo (enviados pelo Espírito). A Missão é única: “dar testemunho de Jesus”, insistiu Dom Ionilton, que recordou que Jesus disse: “Vocês receberão a força do alto para serem minhas testemunhas até os confins da terra”, o que se traduz “naquele lugar que a Igreja nos confia a missão”, afirmando que “nestes dias para nós que vamos fazer experiencia vocacional missionária, os confins da terra é a Amazônia”. Uma missão que segundo o Bispo da Prelazia de Itacoatiara tem que ser: intensa, andante, indo e vindo; universal, para todas as pessoas, vocês são irmãos; preferencial, dirigia-se especialmente aos “invisíveis”: indígenas, negros, migrantes, crianças, jovens, mulheres, pobres, enfermos, idosos, aqueles e aquelas que não poderão nos dar uma recompensa, que será dada pelo Pai; sinodal: caminhar com, ouvir, falar; profética: anunciar e denunciar; serviçal: estou no meio de vós como aquele que serve; samaritana: andava, via, parava, tinha compaixão, ajudava. Dom Ionilton colocou como inspiradores da missão o ardor missionário de Paulo, Maria e os Pastores, que “foram às pressas, enfrentaram desafios e realizaram a missão”. Ele lembrou as palavras do Papa Francisco na homilia da Noite do Natal, quando fez a proposta de refletir sobre a manjedoura, que nos fala de proximidade, pobreza e concretude. São Palavras que o Bispo diz poder aplicar à Missão. Proximidade, afirmando que “Jesus se fez próximo de nós na encarnação, no seu nascimento”, e que “na missão precisamos nos fazer próximos das pessoas”. Pobreza, pois “Jesus nasceu pobre, em um curral de animais, rejeitado pela cidade, foi envolvido em uma faixa de pano”, o que faz com que “na missão precisamos ser simples, sóbrios, humildes”. Concretude, na medida em que “Deus nos amou concretamente quando nos enviou seu Filho para nos salvar”, o que o levou a insistir em que “na missão precisamos amar de forma real, não apenas com palavras, mas em atos, concretamente”. Uma missão que acontece na Querida Amazônia, e que deve servir “para confirmar ou suscitar em nós o ardor missionário”, destacou Dom Ionilton. Segundo ele, “Cristo é missão, a Igreja é missão, nós somos missão”. Também ser oportunidade “para a gente crescer na consciência sobre a importância de se defender o bioma Amazônia, os povos indígenas, os ribeirinhos, os pescadores, os quilombolas, os pequenos os moradores das vilas e das cidades”. Uma oportunidade para repetir às pessoas que os missionários e missionárias irão encontrar, as palavras do Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Sílvio Almeida: “vocês existem e são valiosos para nós”.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Participantes da I Experiência Vocacional Missionária Nacional: “Expectativa de poder enriquecer o processo formativo”

Múltiplos sotaques inundam o Seminário São José de Manaus, são as vozes dos participantes da I Experiência Vocacional Missionária Nacional. Seminaristas diocesanos e religiosos, padres, diáconos, bispos, religiosas, membros da Juventude Missionária prontos para se inserir ao longo de uma semana na vida das comunidades da Amazônia. Ao todo são 280 missionários e missionárias de 94 dioceses de todos os regionais que fazem parte da Igreja do Brasil e mais de uma dezena de congregações religiosas, acolhidos com alegria pela Igreja local, segundo afirmou Dom José Albuquerque de Araújo, Bispo eleito da Diocese de Parintins, que ressaltou a existência de diferentes amazônias e experiências eclesiais na região. Uma Experiência Vocacional Missionária que conta com o apoio das Pontifícias Obras Missionárias (POM Brasil), Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), Arquidiocese de Manaus, Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), Pontifícia União Missionária, Conselho Missionário de Seminaristas Nacional (COMISE) e a Juventude Missionária. Um momento importante dentro do processo de formação inicial dos futuros presbíteros, segundo o padre Antônio Niemec. O Secretário Nacional das POM Brasil vê esta experiência como um instrumento de discernimento no processo formativo. Uma oportunidade de encontrar na missão o sentido verdadeiro de sua vocação, enfatizou o padre Zenildo Lima. O Reitor do Seminário São José de Manaus insistiu em não ver esta atividade como um parêntese, um corte na vida do seminário. Os missionários e missionárias chegam numa Igreja nascida de um processo de evangelização onde a relação entre a Igreja e os colonizadores foi mudando, segundo a professora Elisângela Maciel, passando do colaboracionismo à denúncia. A professora chamou a descobrir, lembrando as palavras do Papa Francisco, que a Igreja está aqui para servir. Ela questionou sobre o pôr em prática dos documentos, o estar preparados para os desafios amazônicos, descobrir qual é o rosto amazônico, resolver o problema da falta de Eucaristia, superar o clericalismo e implantar a sinodalidade na Igreja. Na história da Igreja da Amazônia o encontro de Santarém em 1972 tem um lugar de destaque. Em 2022 a Igreja da Amazônia fez memória do vivido 50 anos atrás, constatando a necessidade de uma Igreja encarnada na realidade e uma evangelização libertadora, segundo Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira. Um documento que faz referência aos sonhos da Querida Amazônia, buscando construir uma Igreja com rosto amazônico, um chamado do Papa Francisco. Na cidade de Manaus e seu entorno se estima a presença de cerca de 40 mil indígenas de 38 povos diferentes, chegados de diferentes regiões do interior do Estado do Amazonas para morar nas periferias da grande metrópole da Amazônia, onde tentam manter suas culturas. Uma população que segundo o jovem indígena Eliomar Tukano chegou em Manaus por causa da violência provocada pelos exploradores da Amazônia, sonhando com emprego, educação… Povos que querem viver a missão desde a interculturalidade, pois não cabe mais o discurso de “vou evangelizar os povos originários”, segundo o jovem do povo Tukano. Eles dizem ter sua religião, mesmo aceitando os valores do cristianismo que ajudam em seu Bem Viver e pedem ser protagonistas do trabalho pastoral. A missão é algo que faz parte da vida de Dom Luiz Fernando Lisboa, missionário em Moçambique durante 20 anos, onde foi Bispo da Diocese de Pemba. O atual Bispo da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim (ES) considera a missão protagonista e eixo transversal na Igreja, demandando uma maior abordagem da Missiologia na grade da formação teológica dos seminaristas, pois segundo ele, a missão é mãe da Teologia. O Bispo refletiu sobre a missão na Igreja do pós-Concílio Vaticano II, destacando a importância que ela tem na atual estrutura da Igreja, recolhida na Praedicate Evangelium, que quer conferir um novo vigor à ação pastoral da Igreja e uma estrutura mais missionária à Cúria, sendo criado um dicastério que está sob a responsabilidade direta do Papa. A missão tem mudado a visão do mundo de alguém que diz ter saído da África, mas a África não tem saído dele, um lugar onde ele diz ter aprendido a escutar. Por isso, convidou os participantes da Experiência Vocacional Missionária a se colocar a dispor da Igreja e se questionar onde Deus os quer enviar. Em relação com a espiritualidade missionária, Dom Esmeraldo Barreto Farias fez um chamado a vivê-la desde o encontro com Jesus, amando à Igreja lá onde cada um está. O Bispo de Araçuaí (MG) refletiu sobre as dificuldades para a vivência da espiritualidade missionária, dentre elas o relativismo prático, realizar a missão por obrigação ou em palavras do Papa Francisco o pragmatismo cinzento. Mas também destacou as motivações para o ardor missionário, como é o cultivar o espaço interior, rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista ou buscar uma espiritualidade encarnada. Elementos presentes no Programa Missionário Nacional, que conduz a missão da Igreja no Brasil. Missionários que percebem a I Experiência Vocacional Missionária como motivo de alegria que desperta “a expectativa de poder enriquecer o processo formativo”, segundo relata o seminarista Carlos Daniel da Diocese de Colatina (ES). Ele que faz parte da Comissão Nacional do COMISE destaca que “a proposta para os seminaristas que participam é encontrar o sentido verdadeiro da sua vocação, que é que no fundo, no fundo, todos nós somos chamados a ser missionários”. Ele espera nessa experiência vocacional missionária “me encontrar também como um missionário, antes de tudo, como um cristão batizado chamado para a missão”. Acompanhando aos seminaristas da Arquidiocese de Ribeirão Preto, o Padre Manoel diz ter chegado na Amazônia para “fazer uma experiência de reencontro, conhecer a realidade, conviver, ir a essa experiência mais profunda do Evangelho. Conhecer a experiência, conhecer o Evangelho e conhecer a realidade de cada comunidade, de cada povo”. Segundo ele, “o Evangelho é esse encontro sempre, e sobretudo fazer uma experiência até mesmo de levar para a própria comunidade essa abertura que é esse Encontro Nacional Vocacional Missionário, uma abertura que transforma e que ajuda a Igreja a ser transformada”. Gustavo Mariotto foi enviado pelo Instituto Missionário São José, e diz esperar “renovar a minha vocação, a…
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Dom Esmeraldo Barreto Farias: “Se todas as atividades não partem da missão, tudo vai ficar voltado para nós mesmos”

A missão é da natureza da Igreja, é fundamento, afirma Dom Esmeraldo Barreto Farias, um dos bispos que participam da I Experiência Vocacional Missionária Nacional que acontece em Manaus de 5 a 17 de janeiro de 2023. Seguindo as diretrizes da Igreja no Brasil, “a missão é um eixo que contribui para que todas as dimensões e todos os trabalhos, todas as atividades possam estar marcadas pela missionariedade”, destaca o Bispo da Diocese de Araçuaí (MG). “Se todas as atividades não partem da missão, que é a manifestação do amor, da misericórdia de Deus, tudo vai ficar voltado para nós mesmos”, segundo Dom Esmeraldo, que vê a missão como “esse testemunhar o Amor de Deus que se manifesta em Jesus Cristo e nas pessoas, especialmente nos gestos de solidariedade e de caridade”. Para trabalhar isso em quem está no caminho da formação “tem que ser a partir do Evangelho”, e assim “possam acolher a vida mesma de Jesus”. O bispo afirma que “partindo do Evangelho eu vou buscar a seguimento a Jesus Cristo”, buscando o encontro, como diz o Papa Bento XVI em “Deus Caritas est”. Por isso, ele afirma que “o encontro com Jesus Cristo, ele define, porque ele me dá horizonte, ele me dá perspectiva de viver como seu discípulo missionário e viver como Igreja”. Um segundo ponto é “ajudar os seminaristas a trabalhar numa pedagogia que considere as experiências concretas”, o que permite “entrar na mistagogia”, ressalta o bispo. Se referindo à experiência vivenciada nestes dia em Manaus, ele afirma que “ela me faz descobrir os sinais de Deus, e a medida que eu estou aberto para escutar a voz de Deus e descobrir seus sinais nas pessoas, nas realidades, em especial nos mais pobres, naqueles que vivem nas periferias, eu vou acolher dentro de mim aquilo que Deus me fala a mim pessoalmente, mas também o que é que Deus está dizendo para o mundo de hoje, para a Igreja hoje, para as comunidades eclesiais hoje”. Dom Esmeraldo insiste em que “a experiência missionária, ela não seja um corte na formação”, sem ter em conta essa experiência dentro da comunidade formativa. Por isso, ele insiste numa experiência “que marque o processo formativo e que esteja em inteira conexão com o processo formativo”, algo que nem sempre acontece, como ele já percebeu pela sua missão como bispo, pois experiências missionárias não eram retomadas na vida normal do Seminário, o que mostrava que a atividade pastoral, ela era um corte que não repercutia em nada no Seminário. Isso o levou a promover uma interligação entre vida pastoral dos seminaristas e o processo normal da formação. O Bispo de Araçuaí insiste em que para ajudar aos seminaristas a partir do Evangelho, da pessoa e da missão de Jesus, a partir de experiências concretas e que essas experiências possam incidir no processo formativo, não sendo um corte, mas tendo uma interrelação. Desta experiência em Manaus, Dom Esmeraldo insiste em que o que interessa “é ver qual a repercussão dessa experiência, daquele fato, daquele sinal que eu descobri na vida daquela pessoa, daquela realidade, daquelas comunidades, qual a repercussão disso para minha vida”. Se não for assim, “eu vou ser um ator que chega ali naquela comunidade, faz uma encenação, mas só que depois aquilo não entra na vida dele”, insiste o Bispo. Junto com isso destaca a importância de um devido acompanhamento, “para que ele possa ir fazendo o devido discernimento dessa experiência na sua vida”. Por isso, os formadores e formadoras que acompanham esse processo “precisam ter claro um horizonte”, insiste, que leve a descobrir “qual é o tipo de ministério ordenado para o qual eu estou ajudando a preparar esses jovens”. Algo que supõe uma Cristologia, que supõe uma visão de Igreja, de pessoa, de realidade, de abertura, ressalta Dom Esmeraldo. Em resume, ele destaca que “precisamos presentar claramente a pessoa e a missão de Jesus, precisamos trabalhar o processo formativo com as dimensões intelectual, espiritual, comunitária, pastoral, com experiências concretas, precisamos fazer uma integração dessas experiências, porque senão não vai mudar nada na vida do jovem”. Daí que o Bispo destaque que “precisa ajudar aquele formando a compreender que a partir das pessoas, dos fatos e das realidades é o próprio Jesus que está falando”, e junto com isso a repercussão dessas experiências na vida de cada um, insistindo em que cada formando precisa estar aberto a essa formação como condição necessária para estar no processo formativo. O fato dessa experiência acontecer na Amazônia leva Dom Esmeraldo a lembrar a frase do Papa Paulo VI: “Cristo aponta para a Amazônia” enviada aos bispos reunidos em Santarém em maio de 1972. Daí ele diz que “essa experiência precisa mostrar uma abertura para a vida missionária”, algo reconhecido nas diretrizes para a formação presbiteral, que leve os seminaristas a “compreender que ele não está sendo preparado para cuidar de um rebanho que é reunido, mas ele está sendo preparado para uma abertura para os grandes desafios que nós temos das muitas periferias”. “A experiência aqui na Amazônia aponta para uma visão da ecologia integral que o Papa Francisco insiste tanto na Laudato Si´”, destaca Dom Esmeraldo. “Nós não podemos no trabalho de evangelização e também no trabalho formativo, não podemos ver de forma dualística a pessoa e as realidades da vida, as realidades do mundo”, afirma, citando a visão do Papa sobre a ecologia integral como elemento que “nos faz ver também no processo formativo que precisa ser um processo integral onde as várias dimensões estão interligadas, e ao mesmo tempo onde eu preciso estar aberto àquilo que eu sinto da presença de Deus”. Por isso, vir para a Amazônia, uma realidade que Dom Esmeraldo conhece pois ele já foi Bispo de Santarém e Arcebispo de Porto Velho, “também mostra que a Igreja do Brasil precisa estar aberta para a missão ad gentes não só fora do Brasil, mas também para uma abertura que nos faz enxergar para além da diocese”. Nesse sentido coloca a existência de dioceses…
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Comitiva da Arquidiocese de Ancona (Itália) faz visita missionária em Alto Solimões

O Sínodo para a Amazônia representou um chamado a toda a Igreja para enviar missionários para a região amazônica. A Arquidiocese de Ancona-Osimo quer responder a esse convite da Igreja e está visitando de 3 a 14 de janeiro a Diocese de Alto Solimões, onde a comitiva, liderada por Dom Ângelo Spina chegou após dois dias de viagem, sendo recebidos por Dom Adolfo Zon Pereira. A comitiva inclui Alessandro Andreoli, diretor do centro missionário, Simone Breccia, diretora da Caritas, o Padre Lorenzo Rossini, diretor do escritório litúrgico, e três seminaristas: Jacopo, Luigi e Pietro. Eles querem conhecer melhor a realidade com a qual iniciaram uma geminação missionária há alguns anos, ligando a Arquidiocese de Ancona-Osimo à de Alto Solimões. Os recém-chegados destacaram que foram recebidos “por um ar quente e úmido bem diferente daquele que deixamos na Itália…”, e “como convidados especiais!”. Aos poucos eles irão visitando diferentes paróquias da Diocese do Alto Solimões, conhecendo a realidade da Amazônia e da Igreja que nela caminha e testemunha sua fé. Uma Igreja que acompanha o povo das comunidades urbanas, muitas delas nas periferias, mas também das comunidades indígenas e ribeirinhas. Uns dias que estão sendo vividos como tempo de graça, de “ver duas igrejas caminhando juntas, olhando com fé para o Senhor Jesus, Salvador e Redentor”, segundo relatam os visitantes. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

A democracia está de volta, mas ela vai ficar se o empenho for de todos

Os ataques contra o sistema democrático por parte daqueles que deveriam salvaguardá-lo se tornou uma constante nos últimos quatro anos. Isso com o apoio de uma parcela da população que ainda hoje, depois da posse do novo Presidente da República, não aceitam o resultado das últimas eleições, instrumento fundamental em toda democracia, onde o povo elege seus legítimos representantes. Sabemos que a democracia não é um sistema político perfeito, mas somos muitos os que pensamos que é o melhor sistema para dirigir o destino de uma nação. Na democracia o poder reside no povo, que faz uso da vontade popular para escolher o caminho a ser seguido. Mesmo com a deturpação da democracia, um elemento que não pode ser negado, é melhor se colocar nas mãos do povo do que sob o comando de pequenos grupos que sempre vão procurar o interesse próprio ou daqueles que garantem seu poder. O grande desafio do povo brasileiro nos próximos anos é lutar pela consolidação da democracia, um regime que voltou em 1988 após de mais de 20 anos de ditadura militar, um período obscuro na história do país, que coartou liberdades e perseguiu, muitas vezes sem motivo, aqueles que não liam na cartilha de quem ocupava o poder à força. Nos últimos dias temos visto sinais esperançosos em relação com um câmbio de conjuntura social, económica e política no país, mas isso tem que ser consolidado, o que demanda um empenho comum de parte de todos aqueles que fazem parte da sociedade brasileira. Também de parte do Estado e das instituições que garantem o respeito pelas leis democráticas. No sistema democrático todo mundo é gente, uma afirmação que pode ser questionada em relação ao Brasil, pois muitas pessoas deixaram de ser vistas e tratadas como gente nos últimos anos. A perda de direitos, a fome, a falta de acesso a direitos básicos como é uma saúde e uma educação de qualidade, dentre outros muitos elementos, nos mostra que a democracia foi definhando no Brasil. Será que ainda tem tempo para virar o jogo? Que todos os brasileiros e brasileiras participem em plenitude dos direitos garantidos no sistema democrático é ainda uma possibilidade real? Poder conviver com quem pensa diferente, um dos princípios do sistema democrático, ainda pode ser visto como algo além de uma utopia? São perguntas que esperam uma resposta, que muita gente cobra, sem entender que cada um se torna responsável para que a democracia volte de verdade, para que esse sistema se torne guia e salvaguarda das relações sociais no país. É tempo de olhar para frente, de concretizar os sonhos daqueles que no mês de outubro depositaram seu voto sonhando em não perder o que tanto custou conquistar: a democracia no Brasil. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

I Experiência Vocacional Missionária Nacional: “Experiência de encontro e de enriquecimento eclesial”

A Igreja de Manaus acolhe de 5 a 17 de janeiro de 2023 a I Experiência Vocacional Missionária Nacional, que contará com a participação de quase 300 pessoas dos 19 regionais em que se divide a Igreja do Brasil entre seminaristas, formadores, bispos, religiosas e jovens vinculados à Juventude Missionária. Uma iniciativa que envolve diversos organismos da Igreja (Pontifícias Obras Missionárias, Pontifícia União Missionária, Juventude Missionária, Conselhos Missionários de Seminaristas, Organização dos Seminários do Brasil) e se insere dentro da dinâmica do III Ano Vocacional. “A experiência missionária, ela foi pensada a partir de uma organização dos conselhos missionários de seminaristas do Brasil e espera ser uma animação missionária com esse novo estilo de uma pastoral que tenha como eixo central a missão para todos esses que serão os futuros presbíteros da Igreja no Brasil, e ao mesmo tempo quer ser uma integração da realidade missionária da Igreja que está no Brasil”, segundo o diácono Mateus Marques, que faz parte da Equipe de Coordenação. Uma experiência que segue a reflexão do IV Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, “onde se abordou a questão da missão, se abordou a questão particular da missão ad gentes, mas se abordou a questão do paradigma da missão relacionado com o processo de formação presbiteral”, lembra o Padre Zenildo Lima. Segundo o Reitor do Seminário São José de Manaus, onde se formam os futuros presbíteros das 9 igrejas locais que fazem parte do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “naquela ocasião, sobretudo a partir dos próprios formandos, havia uma disponibilidade, senão uma interpelação, para que esse dinamismo missionário não fosse simplesmente um acréscimo, mas fosse um referencial norteador para a formação presbiteral”. Se busca essas iniciativas de caráter missionário que “de fato constituam oportunidades para que o formando assimile que a sua identidade, mesmo enquanto presbítero diocesano, mesmo enquanto incardinado em um Igreja local, seja de um homem servidor da Igreja, servidor da missão, que tenha como horizonte o Reino de Deus”, destaca o Padre Zenildo. Lembrando a Conferência de Aparecida, ele destaca que “a missão se torna paradigma para a formação presbiteral”. Uma experiência que acontece na região amazônica, e que deve nos levar a refletir sobre o fato que “desde o Sínodo da Amazônia em 2019, aliás todo o processo de construção do Sínodo, os olhos se voltam para nós, não somente como um espaço, um ambiente e uma realidade de muitos apelos missionários”, coloca o reitor do Seminário São José. Nesse ponto, ele insiste em que “é bom reconhecer também que aqui existe uma eclesialidad, uma identidade eclesial bastante aproximada daquela perspectiva da Evangelii Gaudium”. Por isso, “escolher a Amazônia para esta experiência não se dá somente por causa das necessidades evangelizadoras desse lugar, mas senão também a partir da riqueza desta identidade eclesial, eclesiológica, que pode ser compartilhada com outras perspectivas que os formandos têm a partir das experiências de suas Igrejas locais”, segundo o Padre Zenildo. Ele ressalta que os participantes da experiência missionária, “eles vêm para cá para essa experiência de missão, que é sempre um anúncio, mas também vêm para cá para uma experiência de encontro e de enriquecimento eclesial”. Uma dimensão que também é destacada pelo Diácono Mateus, que afirma que “existe um espírito da Igreja na Amazônia que está muito atrelado a esse estilo da sinodalidade, do encontro e da partilha que eu penso que é uma experiência vivida pelas comunidades”. Nessa perspectiva, ele destaca que “os seminaristas aqui encontrarão esse jeito de ser, essa eclesiologia muito própria da região, que pressupõe a partilha, o diálogo e a escuta nas comunidades”. Por isso, ele insiste em que “pode ser que alguém venha com a ideia e com interesse de querer vir entregar alguma coisa, mas eu penso que eles serão encontrados pela realidade da Igreja na Amazônia”. A experiência missionária acontecerá nas comunidades das áreas missionárias, um claro exemplo de sinodalidade, de ministerialidade, de uma Igreja com rosto laical e feminino. Nesse sentido, o reitor do Seminário São José insiste em que “a formação presbiteral tem que se reconstruir na chave da sinodalidade, uma formação que tenha a participação de outros sujeitos”. Segundo ele, “pensar na formação presbiteral sinodal é pensar em formar presbíteros como homens de diálogo e como homens de uma ministerialidade que se insere no corpo ministerial da Igreja, não em pequenos monarcas, mas em ministros que participam do serviço da Igreja, que também é desenvolvido a partir de outros ministérios, como aqueles dos cristãos leigos e leigas”. Isso fez com que “a escolha dos lugares aqui, primeiro foi para tentar dar uma aproximação da nossa realidade ribeirinha e de periferia, mas também para um encontro com essas comunidades eclesiais que têm outro dinamismo, e dentre esse dinamismo a questão do protagonismo do laicato. Para que o presbítero seja formado como homem cujo ministério vai ser um ministério de articulação do corpo ministerial da Igreja”, destaca o Padre Zenildo Lima. Ele lembra o que foi refletido na Assembleia Eclesial de América Latina e o Caribe, “a superação dessa chaga do clericalismo que vem avançando na Igreja”. É por isso que “experiências assim, deste contato, deste encontro e desta acolhida da riqueza ministerial da Igreja é uma ferramenta muito importante”, ressaltou. Uma experiência que pode abrir essa perspectiva de que “aqueles que hoje são seminaristas possam colaborar na missão da Igreja da Amazônia no futuro”, segundo o Diácono Mateus. Ele afirma que “pode ser um indicativo de um jeito de ser Igreja também nas suas realidades. Mais do que uma forma de atrair para cá os missionários, mas também de exportar o modo como a Igreja se organiza, o modo como a Igreja está presente na região amazônica, ali nos seus espaços”. Ele diz que “é verdade que tem muitos até angustiados por não saber nada da região, muito preocupados com o que vão encontrar aqui, mas eu penso que nessa dinâmica da presença deles aqui para um futuro, eu acho que o jeito da Igreja na Amazônia vai estar…
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Cardeal Leonardo Steiner: Papa Bento XVI, “Um fiel seguidor de Jesus! Homem de Igreja!”

“Papa Bento XVI foi um fiel seguidor de Jesus! Homem de Igreja!”, afirmou o cardeal Leonardo Steiner pouco depois da morte do Papa eleito aos 19 de abril de 2005. O Arcebispo de Manaus lembrou que no momento da sua eleição, o Papa Bento apresentou-se como “simples humilde trabalhador na vinha do Senhor”, sentindo-se “consolado pelo fato do Senhor saber trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”. No momento da sua renúncia, anunciada aos 11 de fevereiro de 2013, “despediu-se, agradecido, como ‘simples peregrino iniciando a etapa final de sua peregrinação nesta terra’, que terminou no dia de hoje”, destacou o cardeal Steiner. Da sua trajetória como Papa, ressaltou que “as catequeses, os escritos permanecem como ensinamentos, como obra teológica e catequética de inspiração”. Dom Leonardo definiu Bento XVI como “o Papa do amor!”, lembrando a Encíclica Deus caritas est, que “é um dos textos que acorda para a essência da vida humana, mas também da fé. Buscou apresentar os fundamentos da fé, especialmente ao retomar o mistério da encarnação e a fé como encontro”. Dos encontros com o Papa Bento XVI, o Arcebispo de Manaus ressaltou a sua afabilidade, que “permanece como sinal de sua personalidade, colegialidade e comunhão”. Em entrevista à Rádio Rio Mar da Arquidiocese de Manaus, ele lembrou um encontro com o Papa hoje falecido por ocasião da visita ad limina, sendo Bispo da Prelazia de São Felix do Araguaia. Naquele momento, Dom Leonardo disse ter ficado impressionado com uma pergunta em relação aos povos indígenas: “eles têm terra suficiente?”. O cardeal Steiner disse que depois até comentou com Dom Pedro Casaldáliga, “dizendo que ele tem uma percepção, ele tem uma sensibilidade e ele sabe que a terra para os povos indígenas é essencial, é a casa, é o lugar, é a morada, é a terra, mas é mais do que a terra, é o lugar da vida, do encontro”. Por isso, o Arcebispo de Manaus insistiu em relação ao Papa Bento XVI que “distante de todas essas questões, ele estava atento a questões tão importantes para os povos indígenas como era a questão da terra”. Igualmente, o cardeal destacou em seu Ministério Petrino que “serviu à causa da paz, do ecumenismo, da dignidade da pessoa humana, na fidelidade ao Concílio Ecumênico Vaticano II”. Um Papa que “viveu em um tempo muito difícil, das denúncias de pedofilia, de abusos sexuais, e ele tentou dar passos, ele deu passos, ele buscou enfrentar a questão de maneira muito digna. Também foi ele que começou uma reforma profunda dentro do Banco do Vaticano, foram realmente momentos muito exigentes para um homem que era um intelectual”. Dom Leoanrdo insistiu em destacar que estamos diante da figura de “um grande Papa, nós somos muito agradecidos a Deus por ele ter dado Bento XVI”. Após sua renúncia, “percebendo que não tinha mais condições de estar a frente da Igreja no Ministério Petrino”, Dom Leonardo Steiner afirmou que o Papa Bento XVI “continuou a servir a Igreja como Papa Emérito estando em comunhão com Papa Francisco, oferecendo a sua vida pela Igreja”, destacando desse tempo de Papa emérito que “permaneceu ali, como alguém que é fiel à Igreja, como alguém que é obediente ao Papa Francisco, essa obediência colegial, essa obediência ministerial que ele expressou de maneira tão bonita”. Finalmente, o cardeal Steiner afirmou que “unidos a Papa Francisco, rezamos agradecidos pela vida e pelo ministério de Bento XVI e que ele seja recebido no amor da Trindade Santa”, pedindo que “ele possa participar da glória da Vida, do Amor, da Trindade”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Verônica Rubi: “Louvar e Glorificar a Deus, preciosas atitudes de quem percebe a vida como um dom”

Na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, que acontece neste domingo 1º de janeiro, Verônica Rubi nos faz ver que “continuamos a contemplar o mistério do Natal, o Deus conosco, o Jesus menino, o recém-nascido deitado na manjedoura que recebeu a visita dos pastores depois do anuncio dos anjos, eles contaram o que lhes fora dito sobre o menino”. A missionária na Diocese de Alto Solimões mostrou que “Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. Maria, mulher prudente, atente e disponível ao querer de Deus”. Guardar e Meditar, nos lembra, dizendo que “Maria ensina-nos a viver com atenção o momento presente, a voltar a passar pelo coração as experiencias da vida cotidiana, os presentes que as relações com os outros nos deixam: palavras, atitudes, olhares, silêncios das relações interpessoais. Nos ensina a viver com um olhar de fé, como quem procura perceber a presença de Deus em cada situação da vida”.   Comentando a passagem do evangelho, Verônica nos mostra que “os pastores voltaram a suas atividades habituais, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido”. Ela considera que “Louvar e Glorificar a Deus, preciosas atitudes de quem percebe a vida como um dom, com tudo que ela traz de bom e de desafio. Louvar a Deus na felicidade pode ser fácil, mas louvá-lo na dificuldade, é só para quem já descobriu que Seu Amor de Pai não produz o mal, não manda provações, não quer nosso sofrimento, Seu Amor se manifesta também na dificuldade sendo sustento na dor, conforto nas privações, por isso podemos louvá-lo e glorificá-lo sempre e a todo momento”.    Em relação ao Dia Mundial da Paz, Verônica Rubi diz que “a liturgia nos lembra na primeira leitura a benção de Deus sobretudo o criado, que essa Benção chegue a nossas vidas, famílias, lugares de trabalho, preocupações, como o Amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo”. Ela lembra algumas palavras do Papa Francisco na Mensagem deste dia, que se repete por mais de 50 anos, nos fazendo ver já no título que “Ninguém pode salvar-se sozinho”. No texto aparece que “é urgente buscar e promover, juntos, os valores universais que traçam o caminho da fraternidade humana… Só a paz que nasce do amor fraterno e desinteressado nos pode ajudar a superar as crises pessoais, sociais e mundiais”, e junto com isso que “devemos repensar-nos à luz do bem comum, com um sentido comunitário, como um ‘nós’ aberto à fraternidade universal”. Por isso a missionária considera que “as reflexões do Papa no início deste novo ano são um programa de vida para alcançar a Paz, e Juntos construir a tão desejada Fraternidade universal”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom José Albuquerque: “Eu preciso antes de tudo respeitar a caminhada da Igreja local e colocar-me numa atitude de escuta”

Depois de seis anos e meio como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Manaus, no dia 21 de dezembro de 2022, o Papa Francisco nomeou Dom José Albuquerque de Araújo como Bispo da Diocese de Parintins, sendo marcado o início de sua nova missão para o dia 12 de fevereiro de 2023. Uma nomeação que Dom José está vivendo “com alegria e tristeza, tristeza no sentido de que quando fui ordenado bispo, eu já sabia que eu poderia ser chamado para servir em outro lugar”. O Bispo eleito da Diocese de Parintins lembra sua grande ligação com a Arquidiocese de Manaus, “toda minha vida até hoje foi ligada à vida da Igreja aqui”, o que o leva a afirmar que tem ficado com o coração apertado, vivendo o convite para seu novo serviço “como um turbilhão de emoções, alegrias, tristezas, uma grande satisfação porque vou poder continuar na Amazônia, mas por outro lado tenho que me desligar da família, dos amigos”. Dom José Albuquerque diz ter em relação à sua nova diocese “bastante proximidade e identificação, a começar do bispo, Dom Giuliano. Quando era padre aqui em Manaus, ele nos ajudou muito nas periferias, os missionários do PIME (Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras), sempre foram uma presença muito importante na Igreja local, aqui em Manaus”, lembrando que ele participou da ordenação episcopal de Dom Giuliano Frigenni acontecida na Catedral de Manaus em 1999. O novo bispo mostra sua alegria em “poder dar continuidade e conviver com ele, porque o convite já foi feito para que ele pudesse continuar em Parintins, pela sua experiência, pela sua relação de mais de 20 anos que está lá”. Junto com isso afirma já se sentir envolvido com a vida da Igreja local, lembrando que “a maioria dos padres que estão lá, foram nossos formandos aqui no Seminário (Dom José foi formador e reitor do Seminário São José de Manaus, onde se formam os seminaristas do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), e os padres que já têm mais de 20 anos de ministérios foram meus colegas como seminaristas, um ou outro que eu não convivi, eu me sinto muito em casa”. De fato, Dom José se mostra impressionado com a acolhida das pessoas, lembrando que em Manaus tem muitos parintinenses e dos municípios que fazem parte da diocese: Nhamundá, Barreirinha, Boa Vista do Ramos e Maués. A Igreja de Parintins sempre teve uma relação muito próxima com Manaus, vários bispos trabalharam como padres missionários na Arquidiocese, lembra o bispo. Alguém que tem trabalhado a dimensão vocacional como padre e como bispo, vai para uma diocese com um bom número de padres locais, reconhecendo que a Diocese de Parintins, “ela nasceu da ação missionária dos padres e das religiosas que vieram de fora, e sempre teve muito essa preocupação de formar o clero local”, sendo uma das dioceses da Amazônia com um número expressivo de padres incardinados. Segundo Dom José, o desafio, ainda mais neste Terceiro Ano Vocacional que a Igreja do Brasil vive, “é continuar nessa animação ajudando que cada deles se torne perseverante, possam continuar na formação permanente e possam ajudar a formar a Igreja para que a Igreja de Parintins também seja missionária, termos missionários de Parintins que possam ajudar em outras regiões do Brasil e do mundo”, recordando que já tem missionários e missionárias nascidos na diocese em outros países. Dom José insiste em que “precisamos incentivar e ajudar a criar essa cultura vocacional, fazendo com que as lideranças leigas, todo mundo possa trabalhar nesse mesmo projeto da evangelização e que neste Ano Vocacional possamos ter muitos frutos”. O bispo lembra que a Diocese de Parintins tem 11 seminaristas, a final de janeiro acontecerá mais uma ordenação presbiteral, e mais um concluiu o curso de Teologia recentemente. Também lembra as comunidades religiosas, muito inseridas na pastoral, morando no interior da diocese, o que “mostra essa dimensão profética da Vida Consagrada”. O Bispo eleito insiste em seu desejo de que “a Igreja de Parintins possa ser uma Igreja aberta, que possa valorizar todos os ministérios, todos os carismas”, destacando que “a Igreja da Amazônia é caracterizada por esse protagonismo dos leigos e dentre estes temos o papel das mulheres, que é fundamental para a animação das comunidades”. Ele insiste em seguir nesta linha, “que o Ano Vocacional também ajude a cada um dos cristãos leigos e leigas a se sentirem chamados e envolvidos na construção dessa história, valorizando todos os ministérios”. Nesse sentido, Dom José lembra da presença do diaconato permanente, da realidade das comunidades indígenas, que ele vê como uma riqueza, mas que “nos coloca nessa atitude de poder escutá-los e poder perceber que as lideranças dessas comunidades indígenas precisam ser ajudadas e apoiadas para que eles possam levar adiante os projetos da evangelização. Não recebam de fora, mas que possam surgir dentro dessas comunidades, até mesmo vocações ao ministério ordenado e à Vida Consagrada”. O Bispo lembra que “a presença da Igreja nas comunidades indígenas, para nós sempre foi muito valioso e prioritário, isso que eu quero continuar”. Ser o primeiro bispo amazonense depois de quatro bispos italianos na Diocese de Parintins, é visto por Dom José Albuquerque desde sua história pessoal, filho de migrantes, evangelizado numa comunidade paroquial animada por missionários, insistindo em que “sempre tive muita admiração e tenho muita gratidão por todos esses missionários que nos ajudaram aqui em Manaus, nas nossas periferias”. Inclusive, ele afirma que “também foi por isso que o Senhor me colocou em mim essa inquietação para ajudar a termos um clero autóctone, que podem servir à Igreja daqui, inclusive no ministério episcopal”. Segundo o Bispo eleito da Diocese de Parintins, “eu aceitei porque quero ser o primeiro de muitos, dado que aqui as comunidades se alegram de ter seus padres, seus bispos daqui da região. Eu sinto esta alegria, mas ao mesmo tempo esta responsabilidade, de ser o primeiro amazonense que está em Parintins”. Algo que ele vê como fruto de todo um trabalho, ressaltando que “os missionários do…
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Paz, uma urgência para o novo ano que estamos a iniciar

Pedir paz para o ano que nasce é um dos desejos presentes no coração de muita gente quando se encaram os últimos dias do ano. Uma paz que nasce da esperança, mesmo diante do “túnel obscuro e difícil da injustiça e do sofrimento”, que faz parte da realidade atual, segundo nos lembra o Papa Francisco em sua mensagem para o 56º Dia Mundial da Paz, que irá acontecer no dia 1º de janeiro. Uma paz que se faz cada vez mais urgente e necessária, se tornando um desafio inadiável, também no Brasil, onde a violência tomou conta da vida cotidiana do povo. Na missa do dia de Natal fui testemunha de algo que se tornou corriqueiro na cidade de Manaus e no Brasil todo. Uma jovem mãe agradecia a Deus diante do fato de que no dia da Noite de Natal mais um ônibus, onde ela viajava foi assaltado, agradecendo porque mesmo tendo sido roubados diferentes pertences dos viageiros, não tinha acontecido nada fatal com ninguém. Na Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, ele afirma que “a guerra na Ucrânia ceifa vítimas inocentes e espalha a incerteza, não só para quantos são diretamente afetados por ela, mas de forma generalizada e indiscriminada para todos”. Ele reflete sobre os efeitos colaterais da guerra, algo que pode ser aplicado à violência no Brasil e em tantos lugares do mundo. A guerra “representa uma derrota não apenas para as partes diretamente envolvidas, mas também para a humanidade inteira”, afirma o Papa Francisco. Ele desafia a encontrar soluções adequadas para o vírus da guerra, que segundo ele provém “do íntimo do coração humano, corrompido pelo pecado”. Do mesmo modo, a violência deve ser entendida nessa mesma perspectiva, e sua superação só será possível na medida em que nos deixemos mudar o coração para poder ver a realidade com um olhar diferente, um olhar que nasce da necessidade de promover a paz. Algo que vai além de um interesse pessoal e que tem que nos levar a ver o bem comum como necessidade. Não se trata de buscar instrumentos para me defender e sim de incentivar um sentimento comunitário que nos leve a buscar a fraternidade universal. Um sentimento coletivo que transcende nossas individualidades e faz com que a vida seja vista desde um todo, buscando assim “a cura da nossa sociedade e do nosso planeta, criando as bases para um mundo mais justo e pacífico, seriamente empenhado na busca dum bem que seja verdadeiramente comum”, como nos diz o Papa Francisco. Políticas públicas que ajudem a superar essas situações deve ser um dos pedidos para o novo governo que também assume o cargo no dia 1º de janeiro. Uma sociedade mais justa é fermento de uma sociedade em paz, sem violência, mais fraterna e humana. Todo ano é um novo recomeço e cada um e cada uma de nós somos chamados a fazer parte desse novo caminho que com o novo ano começa. É tempo de paz, mas isso também depende de mim e de você. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1