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Dom Leonardo: “Não necessitamos esperar por um outro, pois Jesus nos indica o encontro com as necessidades mais fundamentais”

No domingo laetare, domingo da alegria, Dom Leonardo Steiner começou sua homilia citando o texto evangélico: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” Ele lembrou que “estamos a caminho de Belém”, definindo o Advento, como “a espera do Filho de Deus!”. Lembrando o Evangelho do domingo passado, que “nos mostrava João que batizava às margens rio Jordão”, afirmou que “o mesmo João que hoje encontramos na prisão ouvindo falar das obras de Jesus, envia os discípulos com a pergunta: ‘És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?’”  O Arcebispo de Manaus vê João Batista como alguém “estranho”: “João o preparador, o anunciador, o aplainador das colinas, o endireitador dos caminhos, não sabe mais. Havia dito que não sou digno nem mesmo de carregar as suas sandálias e agora não sabe mais. Ele havia tocado, havia batizado, seu Senhor e agora não sabe mais. Ele agora se pergunta: é ele que devia vir ou devemos esperar um outro? João não sabe mais”.  “O que não faz a prisão… a solidão…! Não mais rodeado pelas multidões, não mais discussões, não mais pregações, nem mesmo o batismo de conversão. Nada para anunciar, nada para preparar, nada para endireitar. Só, na solidão o comedor de gafanhotos e de mel do campo se interroga. Abandonado, sem o vestido de pelos de camelo, sem o cinturão de couro em torno dos rins, sem os gafanhotos e o mel, agora se interroga, ele agora na dúvida! Ele no desejo da confirmação de uma presença nova, aquela que batiza no Espírito. Ali sem resposta à sua inquietação e interrogação se pergunta e manda perguntar: és tu ou devemos esperar por outro”, é visto como a causa da pergunta do Batista.  Um João que segundo o cardeal Steiner se faz perguntas: “Seria ele o esperado e desejado das nações, o implorado e rezado a séculos, o Deus conosco, o Deus da história, o Deus de nossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Issac, o Deus de Jacó? É ele? Ele o nascido em Belém, no quase relento, sem casa, no lugar do recolhimento das ovelhas? É ele o esperado, ele o meu primo, o da minha raça, o do meu sangue, o da minha parentela? Ele o filho de Maria e de José? Ele o de Nazaré; ele como eu, como um dos outros, como um qualquer! É Ele? E a prisão e a solidão e a desilusão se embatem na interrogação. João deseja um sinal”. Dúvidas para João, que deseja ver: “É ele aquele que devia vir ou devo esperar um outro?”. Por isso seus questionamentos: “Ele seria apenas um grande profeta, ele um grande curador e anunciador? Seria demais, impossível, que o desejado, implorado, esperado por tantas gerações fosse justamente ele o da minha carne, do meu sangue, da minha parentela, o filho de Maria, o de Nazaré. E eu que o anunciei, aqui abandonado, solitário, à espera da morte. O melhor mesmo é perguntar a ele mesmo”. Daí que “os discípulos de João, se colocam a caminho e entregam a Jesus a interrogação-inquietação nascida na prisão: ‘És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?’”. E daí a resposta do Senhor: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”  Citando os sinais que aparecem no Evangelho, Dom Leonardo os vê como “o sinal inconfundível de que era Ele e não havia necessidade de esperar por outro. Era a vida nova que estava por pulular em todos as partes, a alegria do Emanuel, um novo Reino. A transformação, a realização da presença de um Espírito novo estava se tornando visível.  Sim era ele e era inútil esperar por um outro”. Milagres que ele vê como “os sinais do cuidado e desvelo de Deus, a aproximação de Deus a dar olhos, a dar liberdade, a conceder corpos limpados”.  Segundo o cardeal, “Deus está cuidando, se aproximou dos necessitados, dos esquecidos: os cegos, os surdos, os paralíticos, os leprosos. Os pequenos, os necessitados, os que morreram recebem a visita de Deus e os enche de vida, os renova, os liberta, os coloca sobre os próprios pés; eles caminham com os próprios pés, veem com os próprios olhos, ouvem com os próprios ouvidos, vivem e não vegetam mais. Vivem na purificação da própria limitação de humanidade, porque Deus mesmo se fez nossa humanidade. Na verdade, irmãs e irmãos, não de si mesmos, mas da benevolência de Deus ter-se feito nossa humanidade e fragilidade”. Dom Leonardo insistiu em que “sim, era ele e não necessitava esperar por um outro. Por mais estranho que seja, por mais próximo que seja, por mais nosso que seja, por mais humano que seja, era ele. Somente um Deus humanado poderia cuidar assim dos cegos, dos coxos, dos leprosos, dos surdos, dos mortos, dos pobres. Sim, João, sou eu, o de tua parentela, o filho de Maria e de José. Sou eu aquele o esperado, o implorado, o desejado, o ansiado a séculos. Sou eu não precisas anunciar, esperar por nenhum outro!”  Algo que aparece no texto do profeta Isaias na primeira leitura, que nos leva reconhecer nas palavras de Isaías, “a presença que alegra, transforma, purifica, vivifica. Nele, se alegra a terra que era deserta e intransitável, agora exulta a solidão e floresça de alegria e louvores… A solidão de João, o Batista, floresceu de alegria quando ouviu as transformações, as purificações: visão nova, ouvidos sensíveis, corpos purificados, relações vivificadas, os descartados alimentados pela palavra da esperança”. Isso nos leva a afirmar com João: “não esperamos um outro!”, se questionando se “ainda estamos a esperar um outro Deus?”. Daí Dom Leonardo disse: “gostaríamos tanto que fosse um outro, mais forte, mais retumbante, mais guerreiro, mais… Um Deus de meus sonhos e necessidades, um Deus dos…
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Ir. Michele Silva: “Estamos mudando de vida para acolher a novidade do Deus Menino?”

“Esperançar na alegria pela vinda do nosso Salvador!” é o convite da Liturgia neste terceiro Domingo do Advento, segundo a Ir. Michele Silva. Segundo a religiosa do Imaculado Coração de Maria, “a primeira leitura do Livro do Profeta Isaías, resgata a experiência que o povo de Israel fez no êxodo de um Deus amoroso e libertador: ‘fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados’, numa mensagem de esperança: ‘criai ânimo, não tenhais medo!’, o povo não conhecerá mais nem a dor, nem o pranto. É um convite para vivermos este tempo de advento com alegria e esperança em dias melhores para todas e todos!” “O salmista profetiza a salvação que o Deus menino trará, justiça aos oprimidos, alimento aos famintos, libertação aos presos, visão aos cegos, levanta os caídos, proteção aos estrangeiros, as viúvas e órfãos, uma verdadeira revolução da ternura aos sofredores e marginalizados”, disse a Ir. Michele. Comentando a segunda leitura da carta de São Tiago, a religiosa destaca que “somos encorajadas a mantermo-nos firmes, a fortalecermos o nosso coração e opção pelo Cristo que vem a nós, na fragilidade de um menino, trará a alegre libertação, não pode haver espaço para reclamações e julgamentos ao nosso próximo, um novo tempo exige mudança de vida e profetismo de nossa parte”. Em relação ao Evangelho segundo Mateus, segundo a Ir. Michele, “nos aponta o profetismo de João que prepara a vinda do Salvador, que assume a sua missão doando a própria vida, mesmo preso motiva seus seguidores a continuarem o seguimento a Jesus, e o próprio Cristo reconhece a importância do seu papel com mensageiro, mas também a sua humildade em reconhecer a sua pequenez: ‘de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista, no entanto o menor no Reino dos céus, é maior do que ele’”. A religiosa vê questionamentos na liturgia: “como estamos assumindo o profetismo em nossas vidas? Estamos mudando de vida para acolher a novidade do Deus Menino? Mesmo com os desafios conseguimos nos alegrar e esperançar?”. Finalmente, a religiosa convida a pedir “a Deus Pai e Mãe a graça de vivenciarmos esse Tempo de Advento com abertura de coração e alegre espera pelo Deus Menino que vem nos libertar de tudo o que nos divide ou oprime os mais pequeninos!”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Festa da Mãe sempre é motivo de alegria

Festa da Mãe sempre é motivo de alegria, de encontro, de grande celebração, ainda mais quando essa mãe é Maria, Nossa Senhora, a Imaculada Conceição, a Padroeira. Manaus vivência nesta quinta-feira 8 de dezembro, uma das maiores expressões de religiosidade popular da capital do Amazonas. Seus filhos querem ir ao encontro de Maria, caminhar com ela e mostrá-la sua devoção e confiança em sua intercessão diante de Deus. Ainda mais depois de dois anos em que a pandemia da Covid-19 impossibilitou seguir seu andor nas ruas. Maria que neste tempo de caminhada sinodal nos ajuda a descobrir a necessidade de escutar a Deus e ao próximo. Maria é a mulher de ouvido atento, da escuta generosa, que coloca a vontade do Outro e dos outros acima da própria vontade, seguindo o caminho que nos leva a fazer realidade a vontade de Deus. Escutar para servir, para acompanhar a vida, de modo gratuito, sem esperar nada em troca, com a atitude própria de quem vive para os outros, de quem vive para plenificar a vida daqueles que Deus coloca no caminho da gente e que são sua presença no meio de nós. Um Deus que se faz carne, que se faz gente, e isso acontece porque Maria diz que Deus pode contar com ela. Será que ele pode contar comigo? Será que Maria e suas atitudes se fazem presentes na minha vida de modo cotidiano? Meu querer caminhar com Maria me leva a fazer o esforço de assumir seu modo de vida em meu caminhar no dia a dia? Essas e outras questão devemos nos fazer diante da Solenidade da Imaculada Conceição. Ainda mais se a gente se diz católico e quer levar ela na rua, na vida do povo. Não só no dia 8 de dezembro, mas nos 365 dias do ano. Maria sempre tem que ser referência na vida dos seus filhos e filhas, o olhar filial tem que nos levar a querer imitar seu agir, seu modo de vida, de se posicionar diante dos outros, sobretudo dos pequenos, dos abandonados, daqueles que mais precisam do amor maternal, que se faz realidade hoje a través de cada um e cada uma de nós, a través de mim e de você. Hoje é dia de festa, mas a festa será maior se o que hoje queremos viver, nós o fazemos vida todos os dias. Levemos sempre conosco a Maria, não só no andor, mas também no coração, nas atitudes, no modo de ver a vida, de olhar para os outros. Hoje é dia de Maria, mas também daqueles que com devoção filial assumem seu jeito e mostram com orgulho quem é sua Mãe, a Mãe de Deus e nossa. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Seminário Sant´Ana de Coari encerra ano formativo

O Seminário Sant’Ana da Diocese de Coari encerrou nesta segunda 05 de dezembro o ano formativo com a celebração eucarística presidida por Dom Marcos Piatek, Bispo diocesano. A celebração aconteceu dentro do III Ano Vocacional da Igreja do Brasil, que tem como tema “Vocação: Graça e Missão” e o lema “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24, 32-33) inspirado no encontro de Jesus Ressuscitado com os discípulos de Emaús. O Ano Vocacional nos lembra que todos somos vocacionados e cabe a nós fazer o discernimento. Nesta caminhada vocacional tem o espaço para a vida presbiteral a qual os jovens se preparam no seminário, segundo afirma Dom Marcos Piatek. No Seminário Sant´Ana iniciaram o Ano Propedêutico 09 jovens, sendo 06 os que chegaram no final desta etapa formativa, sendo 05 da Diocese de Coari e 01 da Diocese do Alto Solimões. A celebração eucarística foi momento para agradecer a Deus pela caminhada vocacional destes jovens. O Bispo da Diocese de Coari agradeceu a todos aqueles que colaboraram no processo formativo: “às irmãs religiosas, aos nossos padres, aos professores leigos e aos nossos benfeitores. Gratidão todo especial ao Pe. Josinaldo Plácido, reitor do nosso Seminário Sant’Ana, pela sua dedicação e constante acompanhamento dos seminaristas no processo formativo”. Segundo Dom Marcos Piatek, “vocação é dom e compromisso!” Ele pede a intercessão de Sant’Ana pelos seminaristas da Diocese de Coari. Por aqueles que concluíram o Ano Propedêutico e por aqueles que se formam no Seminário São José da Arquidiocese de Manaus e estudam na Faculdade Católica do Amazonas, onde aqueles que concluíram serão formados a partir do próximo ano. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

2ª Assembleia do EWARE pede mais possibilidades de formação para os indígenas

Os caciques e cacicas das Terras Indígenas EWARE I e EWARE II se reuniram de 01 a 04 a de dezembro de 2022 em Belém do Solimões para realizar sua II Assembleia Geral. No encontro se fizeram presentes lideranças de 30 comunidades, destacando os jovens e as mulheres. Entre os pedidos surgidos na Assembleia, os organizadores destacam a urgência de ter uma verdadeira Universidade presencial, insistindo em que não seja on-line, em Belém do Solimões. Junto com isso, eles insistiram na necessidade de ter mais cursos profissionalizantes para os jovens que estão se perdendo no alcoolismo, drogas e suas tristes consequências. Também foi destacada a presença de diversas denominações religiosas (Igreja Católica, Irmandade da Santa Cruz, Assembleia de Deus, Igreja Batista, Igreja Adventista…). Eles estiveram reunidos num verdadeiro diálogo, buscando caminhar juntos em prol da Vida Plena dos povos, especialmente dos jovens. Elementos que foram expressos no momento de oração, onde na língua ticuna, eles cataram: “Wü’igü tchi i puracüẽgü, rü tataẽgü…” (“quando trabalhamos juntos somos felizes, meu trabalho é o teu trabalho e o nosso trabalho é o trabalho de Deus!”). A Assembleia foi oportunidade para tomar decisões em relação a 2023, buscando assim organizar cursos e ações práticas em prol da conservação da floresta, dos peixes, avicultura indígena, fábrica de açaí e frutas. Também em relação com a luta contra o aumento do lixo e do alcoolismo, e sobre a Rádio Indígena, dentre outras questões. A Assembleia foi organizada pelas Associações ADACAIBS e MAPANA, que agradeceram as voluntárias e voluntários da “Equipe das Panelas” pelo seu generoso e grande trabalho, como também os pescadores e as tantas famílias indígenas que colaboraram com seus alimentos. Também reconheceram o apoio das instituições parceiras nas lutas: Frades Menores Capuchinhos, Paróquia São Francisco, Diocese, FUNAI, CIMI, UEA, UFAM, IFAM, NESAM… Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 Com informações e fotos do Blog Povo Ticuna de Belém do Solimões

Conceição Silva: “Gritar no deserto significa pregar a Palavra onde ela é proibida”

No Segundo Domingo do Advento, Conceição Silva reflete sobre a passagem do Evangelho de Mateus que faz parte da Liturgia da Palavra desse dia, uma leitura que “nos mostra que João foi o escolhido naquele tempo para anunciar a vinda de Cristo nosso Salvador, assim como nós”. Segundo a membro das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus, nós “também somos escolhidos para levar a Palavra de Deus até os mais distantes e excluídos da sociedade”. Conceição lembra que “o Evangelho ressalta que não devemos nos calar, ou ter medo, pois o Espírito Santo está conosco, e ainda nos fala que gritar no deserto significa pregar a Palavra onde ela é proibida, onde é perigoso, onde vamos ser humilhados e passar por provações, mas é no deserto que somos aperfeiçoados por Deus”. “Esse deserto pode ser na sua casa, no seu trabalho, na sua escola, na sua comunidade, enfim na sociedade”, insiste. Ela coloca que “quando João Batista batizava as pessoas elas eram limpas e purificadas do pecado, pediam perdão e mudavam de vida”. Diante disso, afirma que “hoje nós também devemos nos confessarmos e mudarmos de vida, pois, fomos resgatados pelo sangue de Jesus, para sermos puros e alcançarmos a santidade”. Segundo Conceição Silva, “precisamos morrer para o pecado, e nascer de novo, para continuar lutando pela vida de cada irmão e cada irmã excluída(o) da nossa sociedade, viver para Deus e para os irmãos e irmãs é nossa meta”. Analisando o Evangelho, ela diz que “também nos mostra que João era perseguido, julgado, assim também como ocorre nos dias de hoje, pois nós somos mensageiros da luz, e a luz incomoda quem está na escuridão”. Diante disso, afirma que “não devemos temer o mal, podemos até ser perseguidos, mas sempre teremos Jesus ao nosso lado para nos fortalecer com o seu Espírito Santo”. Igualmente coloca que “notamos também que João compara seus perseguidores com víboras, cobras que picam e nos causam dor, mais é através da oração, do jejum e de nossas práticas que venceremos o mundo, retribuindo o ódio com amor e oração”. Analisando a realidade atual, Conceição Silva mostra que “estamos passando por tempos sombrios, difíceis, com uma realidade de ódio, de medo, de desamor, e a nossa  reflexão de hoje nos mostra que cada um de nós cristãos e cristãs somos capacitados para levar a Palavra de Deus à quem mais precisa, aos moradores de rua, aos ribeirinhos, quilombolas, indígenas, enfim a todos que se encontram à margem da sociedade, e tenhamos sempre a certeza que Cristo estará conosco, seja na oração ou com seu Espírito Santo, nos consolando, resgatando e nos motivando para fazermos a ponte, e assim resgatarmos a vida, que está sempre em primeiro lugar”. Finalmente, ela coloca duas perguntas: Como nós cristãos e cristãs estamos nos preparando para esse Tempo do Advento? Qual o chamado que estou respondendo: da luz ou das trevas”. Daí pede “que Jesus seja sempre a nossa luz e que Maria nossa Mãe nos cubra com seu divino manto, para alcançarmos as graças de sua infinita misericórdia”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Regional Norte1 realiza formação para a CF 2023: “Fraternidade e Fome”

A Campanha da Fraternidade, “o jeito brasileiro de viver a Quaresma”, segundo o Padre Patricky Samuel Batista, tem como tema em 2023 “Fraternidade e Fome”. O Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organizou de 2 a 4 de dezembro um encontro de formação para conhecer melhor essa temática. Uma Campanha que busca “vivenciarmos a Quaresma na dimensão sociotransformadora, sociopolítica da fé, uma fé que tem que ser encarnada no chão”, afirmou Dom Adolfo Zon na acolhida dos aproximadamente 40 representantes de todas as dioceses e prelazias e das pastorais em nível regional. Um encontro que conta com a assessoria do Padre Patricky Samuel Batista, a Ir. Gervis Monteiro e Dom Adolfo Zon. Ao longo dos três dias está sendo aprofundado o conteúdo da Campanha seguindo o método ver-julgar-agir, presente no Texto Base. O ponto de partida foi a partilha de como foi a preparação e vivência da Campanha da Fraternidade 2022 nas dioceses e prelazias, que teve como tema “Fraternidade e Educação”. Ao longo do encontro, os participantes, a quem a Ir. Rose Bertoldo, Secretária Executiva do Regional, chamou a se sentir em casa, conheceram os objetivos da Campanha e foram refletindo a partir da realidade local. Uma temática que precisa ser iluminada à luz da Palavra, buscando chegar em ações concretas e estratégias de articulação da Campanha nas igrejas locais. Dom Adolfo Zon destacou que o encontro “é um momento muito importante porque aqui se faz a apresentação da Texto Base, é apresentado o Objetivo Geral da Campanha, o que se quer atingir durante a Quaresma, e sobretudo ver quais ações podemos realizar das pastorais, dos movimentos populares para atingir os objetivos específicos”. O Bispo referencial das Pastorais Sociais no Regional Norte1insistiu na importância de abordar essa temática no momento atual. “O Brasil depois da pandemia sofreu uma debilidade no combate à fome”. É por isso que “a Campanha vem para nos fazermos acordar, para nos colocarmos todos num mutirão e resgatar todas aquelas políticas, também aquela Campanha da CNBB de superar a fome no início do século, resgatar tudo isso para a través de uma mobilização do povo ir criando condições para diminuir os efeitos desta falta de alimentos”, lembrou o Bispo da Diocese de Alto Solimões. “Quando os bispos escolheram o tema da fome foi uma continuidade da Campanha da Fraternidade de 2020, que se transformou na ação solidaria emergencial ‘É tempo de cuidar’”, disse o Padre Patricky. O coordenador de Campanhas da CNBB insistiu em que “tendo em vista o agravamento da situação de insegurança alimentar, também devido à pandemia da Covid-19 e às diversas opções que o governo fez de desmanche dos conselhos que favorecem uma alimentação de qualidade, os bispos então escolheram o tema da fome”. Uma temática que é abordada pela terceira vez, depois de 1975 e 1985, e que “agora vem ainda mais agravado por esse contexto da pandemia”. O Padre Patricky destacou que “o tema traz diversas provocações, por exemplo o Brasil é conhecido no cenário internacional como celeiro do mundo”, se questionando: “Como é que ele permite que muitos dos seus filhos e filhas estejam nessa situação de fome, de vulnerabilidade social?”. Diante dessa realidade, “em linhas gerais, isso que os bispos esperam com a Campanha da Fraternidade, sensibilizar a sociedade para que a gente encontre caminhos de superação desses contrastes que existem em nosso país, para atender sobretudo os nossos irmãos e irmãs que estão nessa situação”, destacou. Segundo o coordenador de Campanhas da CNBB, “a Campanha da Fraternidade é uma plataforma muito importante de diálogo com a sociedade. Prova disso a Campanha de 2017 que já falava da importância de nos envolvermos diretamente na construção de políticas públicas para que a gente possa cuidar sobretudo dos mais pobres”. Ele disse que “um dos caminhos que a Campanha apresenta é justamente essa parceria para que nós possamos ajudar a superar esse cenário, de sensibilizar a sociedade”. “Daí alguns temas transversais que aparecem, como por exemplo a questão do desperdício de alimentos, políticas públicas que favoreçam também a agricultura familiar, e não simplesmente políticas públicas que favorecem o agronegócio e as comodities, mas que possam ser pensados realmente alguns programas”, afirmou o Padre Patricky, que como exemplo diz esperar “recuperar o PNE, Programa Nacional de Educação, que tem uma parceria com a agricultura familiar local”. Uma Campanha que segue uma dinâmica desde 2020: cuidar, dialogar, educar, alimentar. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Na Copa e na vida, o bem coletivo sempre deve primar

Em tempo de Copa, o futebol e as atitudes daqueles que participam do jogo deve nos levar a refletir sobre o que acontece na vida da gente, na sociedade da qual fazemos parte. Se fez viral a atitude de uma das estrelas da seleção brasileira, mais pelo bombo da imprensa do que pelo futebol que joga, que não quis abraçar um colega quando machucado ficou fora dos seguintes jogos. Uma atitude que nos leva pensar em como existem pessoas que diante da derrota o do fato de sair do foco, se desentendem daquilo que é bom para o time. Muitas pessoas ficam se questionando diante do fato de ter caído fora por parte da primeira autoridade do país até 31 de dezembro de 2022. Diante das responsabilidades que nos são confiadas, seja representar um país na copa do mundo, seja governá-lo, seja qual for, temos que nos questionar se estamos ao serviço do coletivo ou de nós mesmos. O bem coletivo sempre deve primar, sempre deve ser colocado acima, independente de sermos protagonistas ou ficar fora do campo ou do foco. Os jogadores, os governantes, passam, mas a seleção e a própria nação permanecem. Na medida em que os egos tomam conta da realidade, o coletivo perde. Somos desafiados, cada um e cada uma de nós, a nos perguntarmos o porquê dessas atitudes que nos levam a colocar o próprio interesse acima do interesse comum. Ninguém pode se achar dono da bola, da camisa, do país, estamos ao serviço de interesses maiores, que superam as individualidades. Na medida em que somos conscientes disso a vitória e algo que seja melhor para todos e todas se torna uma realidade visível. Sermos conscientes disso nos humaniza, nos ajuda a crescer e superar atitudes infantis que fazem parte da vida de muitos que se dizem adultos. É tempo para enfrentar juntos os desafios, de deixar de lado atitudes que nos fazem pequenos, que nos tornam personagens insignificantes na história. Na medida em que assumimos que a coletividade está acima das individualidades descobrimos que juntos somos mais e que isso nos faz mais gente. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

O Papa Francisco aos impulsores da Etapa Continental do Sínodo: “Sempre caminhem juntos, em unidade, não em ruptura”

O Papa Francisco sempre insistiu na sinodalidade como o caminho para ser Igreja. Daí seu impulso e envolvimento pessoal no processo sinodal atual, que visa ajudar a Igreja a descobrir a necessidade de promover este caminho em todos os níveis. Após a fase diocesana, trabalho recolhido pela Secretaria do Sínodo no Documento para a Fase Continental, a própria Secretaria convocou uma reunião em 28 e 29 de novembro com a participação dos presidentes das conferências continentais dos bispos e dos coordenadores das equipes da Fase Continental do Sínodo. O ponto alto da reunião pode ser considerado o encontro com o Papa Francisco que ocorreu na tarde de segunda-feira, 28 de novembro, que durou quase duas horas. Anteriormente, os participantes do encontro, após um momento de oração, foram informados dos detalhes da Etapa Continental, ouvindo como esta fase foi estruturada em cada um dos continentes. No caso da América Latina e do Caribe, o presidente do Conselho Episcopal da América Latina e do Caribe (Celam), como seus pares fizeram, relatou os passos dados até agora, desde a fase diocesana, querendo assegurar “a conexão do processo da Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe com este caminho sinodal“.  A Etapa Continental será realizada em quatro encontros presenciais em cada uma das quatro regiões do continente. Dom Miguel Cabrejos anunciou as datas e os lugares destes encontros regionais, nos quais participarão entre 400 e 500 pessoas, escolhidas por cada conferência episcopal, dos quais 55% serão leigos, incluindo representantes das periferias e outras denominações cristãs, religiões e não-crentes, e 45% bispos, sacerdotes, diáconos permanentes, religiosos e religiosas. Estas reuniões seguirão a metodologia da conversa espiritual, e as reflexões serão discutidas em uma reunião continental com dois representantes de cada região e a equipe do Celam para a elaboração da Síntese Continental. Finalmente, os bispos, em um exercício de diálogo e aprofundamento, aprovarão a síntese continental. Dom Cabrejos insistiu na continuidade com a Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que ele definiu como “um verdadeiro laboratório de sinodalidade”. Os participantes da reunião com a Secretaria do Sínodo realizaram um discernimento comunitário sobre o método de conversa espiritual, e foram apresentados com uma síntese do Documento para a Etapa Continental, que deu lugar a um diálogo sobre a oportunidade que este Sínodo representa e seus desafios. Foi também um tempo para os continentes contribuírem com sua experiência aos outros continentes, o que permitiu, de maneira rica e intensa, ver como a etapa continental está organizada em cada um dos continentes e a possibilidade de ser enriquecida por cada um deles. No encontro com o Papa Francisco, que ele descreveu como “uma experiência maravilhosa e extraordinária“, Dom Miguel Cabrejos, agradecendo a Deus pelo “dom da fé na Igreja em peregrinação na América Latina e no Caribe”, disse ao Santo Padre que “além de nossas particularidades, que nos enriquecem mutuamente, vivemos em uma unidade que tem sido fruto da presença do Espírito e do legado daqueles que proclamaram Cristo nestas terras”. Nas palavras do presidente do Celam, “o Senhor nos deu a possibilidade de falar línguas comuns e quis que isso servisse de ponte entre as diferentes culturas e expressões eclesiais para caminharmos juntos ao longo de nossa história recente”. Dali ele agradeceu “este tempo sinodal que fortalece o legado das Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano e da Primeira Assembleia Eclesial“, e também “pelos povos originários presentes nestas terras que nos transmitiram e continuam sendo guardiães de um poliedro cultural capaz de continuar iluminando nossos passos no respeito humano e no cuidado com nossa casa comum”, assim como pela figura de Maria de Guadalupe, “a grande evangelizadora com seu rosto indígena e sua presença protetora”.   Do encontro com o Papa Francisco, Dom Cabrejos destacou a espontaneidade e a proximidade do Santo Padre, assim como a grande liberdade, proximidade e confiança com que os participantes falaram em um momento que ele definiu como “um diálogo de um pai com seus filhos ou de seus filhos com seu pai“. O presidente do Conselho Episcopal da América Latina e Caribe destacou uma frase de São Basílio, citada pelo Papa, referindo-se ao Espírito Santo: “O Espírito Santo é harmonia e nós precisamos do Espírito de Deus em todo este caminho de sinodalidade”. Ele também enfatizou a ênfase do Papa Francisco no discernimento, que vai além de um método ou uma questão mecânica. Junto com isto, a importância da oração e a referência à migração, fenômeno que vai além da guerra ou da fome, já que praticamente todo o mundo é migrante, e o Papa pediu que as leis e as conferências episcopais considerem como podem ajudar face a este grande problema. Também a situação de guerra, não apenas na Ucrânia, mas no mundo, e a necessidade do Espírito de Deus nestes tempos, porque Ele é harmonia. Em relação a este encontro, “cordial, próximo, rico em ideias e experiências”, Dom Luis Marín de San Martín destacou o fato de que “o Santo Padre chegou caminhando sobre seus próprios pés, o encontramos bastante recuperado fisicamente e com sua habitual lucidez e agudeza”. A reunião começou com uma introdução do Cardeal Hollerich, na qual o Relator Geral do Sínodo insistiu na necessidade de evitar a politização e polarização no processo sinodal, e que deu lugar à intervenção dos representantes dos 7 grupos continentais, que comentaram “como o processo sinodal está sendo vivido em cada continente a partir de sua própria sensibilidade e riqueza”. Na ampla discussão com o Santo Padre, o Subsecretário do Sínodo enfatizou que muitos temas surgiram. Entre eles estava que “o processo sinodal é um processo no Espírito Santo, se não há Espírito Santo não há Sínodo“, enfatizando “a centralidade da dimensão espiritual deste processo”. Um segundo elemento é “a atitude de disponibilidade e de assumir a própria vulnerabilidade”, porque “quem se abre a Cristo, assume ser vulnerável, como Cristo assume em sua encarnação para se tornar vulnerável, não pela arrogância, pela segurança, pelo controle de tudo, pelo poder”. O Sínodo está ocorrendo em uma situação…
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Advento: Tempo de Esperança, ou Desejo de Deus?

“É por isso que ao entrar neste mundo, Cristo diz: ‘não quiseste sacrifícios e oferendas, mas formaste-me um corpo. Holocaustos e oblações pelo pecado não te foram agradáveis’. Então eu disse: Eis-me aqui para fazer a tua vontade“. Realizar o Desejo de Deus, foi para Jesus um Projeto de Vida. Ele que traz em seu nome identidade e missão. Jesus em hebraico significa aquele que salva. A vinda do Filho de Deus à terra, é um acontecimento tão grandioso, que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ele foi anunciado pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Chega a despertar no coração dos pagãos a obscura expectativa de sua vinda! Por isso eu pergunto: Advento, é tempo de esperança ou é Desejo de Deus? De qualquer forma, prepare o seu coração neste tempo de espera, para o Menino que há de vir. “Exulte o coração dos que procuram o Senhor” (Sl 105,3). Maria nos ensina a procurar Jesus. Com seu Sim, a Mãe de Deus e nossa Mãe, nos ensina a obediência na fé: “faça-se em mim, segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38). Amados irmãos e irmãs, o tempo do Advento nos fala das maravilhas e da ternura de Deus; vivamos este tempo com profunda gratidão e na busca constante da nossa própria conversão. O tempo do Advento tem a duração de quatro semanas. Este ano, vai de 27 de novembro a 24 de dezembro de 2022. Os quatro domingos do tempo do Advento irão nos ajudar a bem viver este tempo da Esperança, do Desejo de Deus. É um tempo de espera e de esperança para a chegada de Cristo. As duas primeiras semanas do Advento visam a preparação para a chegada de Jesus Cristo, e as duas últimas semanas do Advento propõem-se a fazer a preparação para a celebração do Natal. A coroa do Advento é um símbolo do Natal utilizado nas igrejas durante o tempo do Advento. Consiste em um ramo verde disposto em forma circular, onde são colocadas quatro velas nas seguintes cores: verde, vermelha, roxa e branca. A cada domingo uma vela é acesa, até que todas estejam acesas no último domingo do Advento. As velas são acesas na ordem abaixo e têm os seguintes significados: 1º Domingo do Advento: vela verde, significa a esperança que a vinda de Jesus nos traz. 2º Domingo do Advento: vela vermelha, significa o amor de Deus por nós. 3º Domingo do Advento: vela roxa, significa a reflexão que este tempo requer das pessoas, mas com alegria pela vinda de Jesus. 4º Domingo do Advento: vela branca, significa Jesus, que é a luz que ilumina o mundo, tirando-o da escuridão. Neste tempo vivamos a ternura de Deus, a obediência na fé, na pessoa de Maria. Jesus, verbo que se torna carne e vem habitar entre nós, une o Desejo de Deus ao Sim de Maria. E nos diz: “Eu vim para fazer a tua vontade“. Feliz Advento! Dom Altevir, CSSp – Bispo de da Prelazia de Tefé-AM