Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Autor: cnbbnorte1blog@gmail.com

Abertura da Campanha da Fraternidade em Manaus: A fome “é um pecado mortal que clama ao céu!”

A Feira da Manaus Moderna, lugar aonde chegam os alimentos na cidade, acolheu neste 22 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, a Abertura da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Manaus. Em 2023 a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e Fome”, e como lema “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Um chamado a “sermos mais fraternos, sermos pessoas que sabem dividir, experimentar a solidariedade”, segundo o Cardeal Leonardo Steiner, que denunciou que “temos muitas pessoas passando fome, a insegurança alimentar é muito grande no Brasil”. Junto com isso o Arcebispo de Manaus fez ver que “existe a fome do lazer, existe a fome da saúde, existe a fome da educação”, chamando a descobrir que “há necessidade da partilha, do cuidado, há necessidade do emprego, há necessidade de mudarmos esse sistema econômico que privilegia alguns e descarta outras pessoas”. Uma reflexão, debate e oração do qual ele deseja que participem todas as pessoas. O Arcebispo destacou as práticas que a Igreja de Manaus realiza para combater a fome: refeitórios para crianças, ações de cuidado através da Caritas, afirmando a necessidade de aumentar essas ações, mas também de ser criadas “políticas públicas que ajudem a transformar essa situação”. O Cardeal disse que “a Quaresma é sempre um tempo de transformação, um tempo de conversão, um tempo de pensarmos no significado que tem a Vida, a Morte e a Ressurreição de Jesus. Quaresma é um caninho de transformação, é um caminho de renovação, a realidade que nós estamos vivendo de fome exige uma transformação muito profunda”. Ao redor da mesa com alimentos, sinal da fraternidade, querendo partilhar, uma oportunidade para viver a solidariedade que leve a viver a fraternidade, que “nos oferece a oportunidade de colocar em prática o que Jesus nos pede: Dai-lhes vós mesmos de comer!”, segundo disse Dom Leonardo,  foi realizada uma Celebração da Palavra. Comentando o Evangelho onde aparece o chamado de Jesus a dar de comer, Dom Tadeu Canavarros disse que “a fome não é um dado natural. Não é fruto do acaso ou do destino. Não é mera consequência de preguiça ou comodismo pessoal. Nem muito menos é vontade ou castigo de Deus”. O Bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus denunciou que a fome “é resultado de tremendas injustiças e desigualdades que caracterizam nossa sociedade e fazem com que uns tenham tanto e outros tenham tão pouco ou quase nada”. Dom Tadeu lembrou da situação do Povo Yanomami em Roraima como exemplo de injustiça e desigualdade, mais uma amostra do drama da fome presente no ao longo da história do Brasil. Por isso afirmou que a fome “é a expressão mais cruel e perversa do modelo capitalista de sociedade que se implantou aqui ao longo de mais de 500 anos”, num país que entrou de novo no mapa da fome em consequência do “desmonte progressivo das políticas públicas a partir de 2016. Relatando os números da fome no país, uma situação “escandalosa e criminosa se considerarmos que não falta alimento no Brasil”, Dom Tadeu insistiu em que “a fome no Brasil é fruto da injustiça e da desigualdade social. É um pecado mortal que clama ao céu! E pode ser eliminada com a solidariedade de todos e com vontade e decisões políticas”. Superar a fome “é questão de humanidade e justiça social! Isso é questão de fé e critério de salvação ou condenação”, concluiu o Bispo auxiliar. Uma celebração onde os participantes levaram alimentos que depois foram partilhados com aqueles que passam fome, expressão de uma Igreja samaritana que em Manaus, através das diferentes pastorais, acolhe o chamado de Jesus a seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Mensagem do Papa Francisco pela Campanha da Fraternidade: “Voltemos o nosso olhar aos afetados pelo flagelo da fome”

A Quaresma é um tempo em que “somos chamados por Deus a trilhar um caminho de verdadeira e sincera conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele”, afirma o Papa Francisco na mensagem enviada ao Brasil com motivo da Campanha da Fraternidade 2023 (Ver aqui). Um tempo em que “encontramos na oração, na esmola e no jejum, vividos de modo mais intenso durante este tempo, práticas penitenciais que nos ajudam a colaborar com a ação do Espírito Santo, autor da nossa santificação”. O Pontífice lembra que o povo brasileiro é chamado neste ano a “que voltemos o nosso olhar para os nossos irmãos mais necessitados, afetados pelo flagelo da fome”. Lembrando suas palavras aos Movimentos Populares, ele disse que “milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isto constitui um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável”. Diante disso, o Santo Padre lembra que “a indicação dada por Jesus aos seus apóstolos “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14, 16) é dirigida hoje a todos nós, seus discípulos, para que partilhemos – do muito ou do pouco que temos – com os nossos irmãos que nem sequer tem com que saciar a própria fome”. Isso porque “indo ao encontro das necessidades daqueles que passam fome, estaremos saciando o próprio Senhor Jesus, que se identifica com os mais pobres e famintos”, segundo nos lembra Mateus 25. O Papa Francisco chama a ações concretas, que ele vê necessárias, “que venham de modo emergencial em auxílio dos irmãos mais necessitados, mas também gere em todos a consciência de que a partilha dos dons que o Senhor nos concede em sua bondade não pode restringir-se a um momento, a uma campanha, a algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante de todos nós, que nos compromete com Cristo presente em todo aquele que passa fome”. Uma atitude de partilha que pede fazer presente nas paróquias e dioceses, mas também nos órgãos de governo em todos os níveis e nas entidades da sociedade civil, a fim de que, “trabalhando todos em conjunto, possam definitivamente extirpar das terras brasileiras o flagelo da fome”, pois “aqueles que sofrem a miséria não são diferentes de nós”. Sob a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, o Papa envia sua Benção Apostólica a todos os brasileiros e brasileiras, “de modo especial àqueles que se empenham incansavelmente para que ninguém passe fome”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Festa, alegria, gratidão nos 100 anos da presença das Salesianas na Diocese de São Gabriel da Cachoeira

Um momento de festa, de alegria, de gratidão, tem sido vivido neste domingo 19 de fevereiro de 2023 na Igreja de São Gabriel da Cachoeira, segundo Dom Edson Damian. A celebração dos 100 anos da chegada das quatro primeiras Filhas de Maria Auxiliadora, procedentes de São Paulo, que de Manaus para São Gabriel, elas levaram 39 dias, lembrou o Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira. Ele insistiu em que “se hoje ainda é difícil esse trajeto a través do Rio Negro, imaginemos naquela época”. “Em pouco tempo, elas já estavam presentes nas principais comunidades indígenas aqui da nossa região”, disse Dom Edson. Um acontecimento que a pesar da chuva reuniu uma multidão no Ginásio do Colégio São Gabriel. No início da celebração teve uma encenação muito criativa da chegada das primeiras quatro irmãs, narrando a través das crónicas daquele tempo como foi a chegada. Um momento que despertou saudade e gratidão nas pessoas mais idosas, alunas naqueles primeiros tempos. A celebração da Eucaristia, presidida por Dom Edson Damian, foi concelebrada por 12 padres, dentre eles alguns indígenas da região, que foram alunos das Salesianas. Também estava presente a Ir. Paula, visitadora chegada de Roma que nos próximos messes vai se fazer presente em todas as comunidades da Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia, coordenada pela Ir. Carmelita Conceição, auditora no Sínodo para a Amazônia, onde defendeu a importância da educação para os povos originários da região, e atual vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), um dato importante pelo fato dela ter nascido na região amazônica e conhecer sua Igreja. Na Eucaristia, Dom Edson destacou como algo muito importante da presença da família salesiana no Rio Negro, presente desde 1915, o ramo masculino, e desde 1923, depois de perceber a importância de sua presença, as Filhas de Maria Auxiliadora. Citando as palavras do antropólogo indígena Gersen Baniwa, Dom Edson diz que desde a chegada da Família Salesiana, as lideranças indígenas perceberam que eram diferentes dos outros brancos, que chegavam na região para escravizá-los e explorá-los. Enquanto isso os salesianos e as salesianas chegaram para morar, para permanecer com eles. Junto com isso, eles chegaram para transmitir os seus conhecimentos, o que fez com que fossem acolhidos pelos indígenas, que decidiram aprender o que tinham ido partilhar com eles e assim lutar pelos seus direitos. Numa região onde até 1990 o Estado brasileiro estava totalmente ausente, Dom Edson Damian destacou que “quem cuidou da educação e da saúde foram os salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora”, inclusive ajudando a formar jovens indígenas nas faculdades de Manaus, que sempre mostraram gratidão por tudo o que receberam dos padres Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora. Juntos fizeram prevalecer o catolicismo nas comunidades indígenas da Diocese de São Gabriel da Cachoeira. O Bispo ressalta que a grande maioria das Filhas de Maria Auxiliadora que trabalham na Amazônia brasileira são originárias da região, sendo muitas as irmãs indígenas. “É uma Congregação que adquiriu um rosto amazônico e cada vez mais um rosto indígena”, destaca Dom Edson. Um carisma salesiano que “foi se amazonizando, se inculturando aqui na nossa região”, um elemento importante em palavras do Bispo, que junto com a Diocese de São Gabriel da Cachoeira agradeceu os 100 anos de trabalho heroico das irmãs salesianas, pedindo que elas “continuem aqui no meio de nós por muitos e muitos anos, porque elas continuam fazendo um bem imenso, uma evangelização a través da educação, da presença nas famílias, no meio da comunidade”. Dom Edson Damian recordou uma fato histórico, que ele considera muito elucidativo, que foi a decisão do Governo Brasileiro de estabelecer na década de 80 as colónias agrícolas no Alto Rio Negro, que pretendiam introduzir colonos de outras regiões do país, o que foi combatido abertamente pelos povos indígenas, que em 1988 se reuniram na primeira assembleia de suas lideranças, com o apoio da Diocese. Foi aí que nasceu a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), sendo também a primeira luta pela demarcação e homologação da Área indígena, algo que foi conseguido. A partir daí, lembrou o Bispo, foi a luta pela educação indígena, pelos direitos de assistência médica, os benefícios sociais e a aposentadoria, uma luta que continua até agora. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo: “O único extremismo cristão lícito é o amor”

Como um estímulo de Jesus no caminho das bem-aventuranças são vistas por Dom Leonardo Steiner o contive que aparece no Evangelho do 7º Domingo do Tempo Comum: “Sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito”. O Arcebispo de Manaus destaca que Jesus “sempre nos apresenta a liberdade, a superação da lei, para nos assemelharmos ao Pai do céu”. Um Deus que “cuida e vela a todas as criaturas. Está sempre guardando, animando, vivificando. Ele é uma dinamicidade amorosa. Por isso per-feito! Per-feito como nos diz a palavra, aquele que se está se per-fazendo, está na ação de fazer, do amar e por isso, é!”. O Cardeal Steiner define o Amor como encontro, como doação, advertindo que “qualquer sinal de reserva e de troca faz o eu correr o risco de sucumbir ao desejo da posse e não da doação”. Ele fez ver que “o eu que ama ao dirigir o seu olhar para o tu, permanece na contemplação da interioridade do amor e não se fixa jamais em si mesmo. Nesse contínuo movimento do passar do meu para teu, o eu conquista a si mesmo, tendo sempre presente que no amor todo eu é tu e todo tu é eu; cada vez se é amado e amante, expressão única de amar. E nesse movimento, o tu e o eu, permanecem na diferença e crescem e amadurecem na própria diferença e identidade”. Um amor que ele vê como puro dom, “porque o amor se doa de forma incompreensível e sem mérito algum nos amantes”. Um amor que não é conquista e sim “nossa morada, pois morar é habitar no amor e ser habitado por ele”. Um Amor que é “um instante de eternidade acontecendo no limite de um tempo finito”, pois “Deus é amor!!, e por isso, sempre busca a cada um de nós e sempre está velando, animando, vivificando todas as criaturas”. Um Amor que é sempre um nós, sem limites e sem reservas, pura doação, liberdade, resgate, entrega, livre, aberto, a guiar e determinar a nossa vida, sem medida, infinito e incondicionado. O Cardeal questionava: “E somos capazes de amar como Deus ama?”. Ele respondia que “sim, pois fomos e somos concebidos, gerados, nascidos do Amor sem limites, infinito e incondicionado”. A novidade está em “amar como Deus ama”, algo que se concretiza “em Jesus Cristo, um amor sem limites, sem queixas, pura entrega, pura acolhida, olhar de misericórdia, despojamento total, pobreza completa de encontro”. Um amor que sai, que busca, acolhe, oferece a misericórdia. Segundo Dom Leonardo, “o Evangelho nos provoca a sermos todos irmãos, irmãs”. Ele afirma que “em Cristo fomos todos feitos geração de Deus. Gerados pelo amor que é Deus, salvos no amor que é o Crucificado-ressuscitado. Amarás e não odiarás!”. Até o ponto de que em palavras de Santo Agostinho: “Ao amar o teu inimigo, desejas que ele seja para ti um irmão”. O Arcebispo de Manaus afirmou que “somos convidados no amor a termos uma percepção mais real e profunda de cada irmão, de cada irmã. Em Cristo não somos inimigos, somos sempre irmãos e irmãs a caminho”. Frente a isso ele denunciou tudo o que nos leva hoje a sermos inimigos, pois “as ideologias, as opções políticas têm nos levado a atitudes, ações e palavras de inimigos que expressam o desejo viver na distância, separados, e às vez até mortos”. Recordando as palavras do Papa Francisco, Dom Leonardo recordou como “alguns setores da política como de certos meios de comunicação, por vezes incita-se à violência e à vingança, pública e privada”. Nesse sentido, ele disse que “temos a impressão de que deixamos de ser irmãos e irmãos e assim mesmo nos afirmamos cristãos, católicos”. Por isso, o Cardeal insistiu em que “se quisermos ser discípulos de Cristo, se quisermos ser chamados de cristãos, este é o caminho: Amados por Deus, somos chamados a amar; perdoados, a perdoar; tocados pelo amor, a dar amor sem esperar que os outros tomem a iniciativa, que o outro corresponda; salvos gratuitamente, a não buscar lucro algum no bem que fazemos”. Quando Jesus diz: “Amai os vossos inimigos”, Dom Leonardo destaca que “são palavras diretas, palavras precisas”, ressaltando que “amar os inimigos e orar pelos que perseguem, é a novidade cristã, a especificidade de quem deseja seguir a Jesus. O próprio, o único, o imprescindível, o essencial, de que quem segue a Jesus, está no amar”. Por isso, ele afirmou que “o único extremismo cristão lícito é o amor”, lembrando as palavras do Papa Francisco. “Assim, seremos per-feitos como é per-feito o Pai do céu. Deus é amor, pois o amor o faz, é o seu ser. Para ele não existem inimigos, mas filhos e filhas”, segundo Dom Leonardo. Ele insistiu em que “somos filhos e Filhas do Pai que está nos céus, quando amamos os nossos inimigos e rezamos por aqueles que nos perseguem!”. Finalmente, o Arcebispo de Manaus convidou a seguir Jesus, a que “trilhemos as sendas do Evangelho, perseveremos no caminho do amor”. E junto com isso que “Deus nos conceda a graça de sermos amados e amantes; a amar como Ele ama, a viver sem inimigos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

7º Domingo Tempo Comum: “Nossa condição humana mais bonita, sermos pessoas livres, capazes de fazer escolhas”

No 7º Domingo do Tempo Comum a Palavra de Deus nos faz um convite tão bonito, “o de percorrermos um caminho de santidade e de perfeição”, afirma a Ir. Cidinha Marques. A religiosa coloca que “a primeira tentação que temos é de pensar a perfeição como a condição de não errar, de fazer tudo certo, dentro dos nossos princípios e aprendizados do que é ser perfeito e isto já é uma dificuldade, pois nos engessa, aprisiona e impede a nossa condição humana mais bonita, de sermos pessoas livres, capazes de fazer escolhas”. Segundo a Ir. Cidinha, “o mundo tem sua concepção de perfeição que nos orienta para a estética, a beleza, modelos de comportamento, de corpo, e isso comporta rituais de regimes, de observâncias corporais, exercícios, incensados por uma ideologia que exclui a diversidade, a originalidade, as diferentes possibilidades de sermos quem somos, de viver a vida e a fé”. Comentando as leituras, a religiosa Catequista Franciscana afirma que “nos falam da santidade que tão bem tem nos ensinado o papa Francisco, a capacidade de sermos profundamente humanos e humanizados, pessoas que desde dentro, das entranhas fazem um movimento de ser no mundo contradição: ‘Amar o próximo como a si mesmo’, que nos é proposto com questões práticas, não ter ódio no coração, não procurar vingança, guardar rancor, e, o Evangelho vai nos colocando em um novo caminho, o da reconciliação, de ir além do que se é esperado, amar não só os amigos, mas também os inimigos, rezar por quem nos persegue e esta atitude aprendemos do próprio Deus que faz o sol nascer sobre bons e maus e a chuva cair sobre justos e injustos”.   “Esta reviravolta a nós pedida é o caminho do discipulado, certamente que temos tempo de bonança desta vivência e muitos momentos de recaída”, afirma a Ir. Cidinha. Segundo ela, “precisamos começar sempre de novo, a cada dia, a cada amanhecer, bebendo desta fonte de vida e liberdade que nos é dada, de sermos  santuário, casa e morada do Espirito de Deus”. Seguindo a segunda leitura, a religiosa destaca “um Deus tão grande que nos escolhe como seu santuário, seu sacrário, a ser cuidado, amado, em nós e em quem nos rodeia”. “O caminho da santidade e da perfeição, então por mim não  compreendido como o  caminho de quem não erra e desafina, é sim o caminho  de pessoas humanizadas que escolhem viver o amor e por amor, vencendo assim o ódio, a divisão, a vingança e tudo aquilo que nos afasta uns dos outros e de toda a criação”, segundo a Ir. Cidinha. Ela recordou as testemunhas desta vivência: Francisco de Assis, irmã Dulce dos pobres, irmã Dorothy, o Papa Francisco, Ailton Krenak, lideranças de nossas comunidades, catequistas, mulheres e homens de bençãos para o mundo. Finalmente, a religiosa pediu “que sejamos pessoas amorosas e reconciliadas, bondosas e compassivas, podendo assim cantarmos: Bendize ó minha alma ao senhor, pois ele é bondoso e compassivo!”.

Papa Francisco: Seguir o caminho quaresmal e sinodal para uma “transfiguração pessoal e eclesial”

Ligar a Quaresma e o Sínodo podemos dizer que é o propósito do Papa Francisco na sua mensagem quaresmal (ver aqui) para este ano 2023, que se intitula: “Ascetismo quaresmal, itinerário sinodal“. O Santo Padre começa por voltar o seu olhar para o episódio da Transfiguração de Jesus, que é proclamado todos os anos no segundo Domingo da Quaresma. Seguindo o relato evangélico, o Papa Francisco vê a Quaresma como um tempo em que “o Senhor toma-nos consigo e conduz-nos à parte“. É uma oportunidade para “uma particular experiência de ascese”, que é definida na mensagem pontifícia como “um empenho, sempre animado pela graça, no sentido de superar as nossas faltas de fé e as resistências em seguir Jesus pelo caminho da cruz”. Uma dinâmica presente em Pedro e nos outros discípulos, também cada um de nós, que “para aprofundar o nosso conhecimento do Mestre, para compreender e acolher profundamente o mistério da salvação divina, realizada no dom total de si mesmo por amor, é preciso deixar-se conduzir por Ele à parte e ao alto, rompendo com a mediocridade e as vaidades. É preciso pôr-se a caminho, um caminho em subida, que requer esforço, sacrifício e concentração“, algo que pode ser aplicado ao caminho sinodal. O Papa Francisco insiste que “a Jesus, seguimo-Lo juntos“, dentro da dinâmica do ano litúrgico e fazê-lo “com aqueles que o Senhor colocou ao nosso lado como companheiros de viagem”. Um caminho quaresmal que ele define como “sinodal, porque o percorremos juntos pelo mesmo caminho”, insistindo na necessidade, durante a Quaresma e o Sínodo, de “entrar cada vez mais profunda e plenamente no mistério de Cristo Salvador”. O momento culminante é ver Jesus na Sua glória, ver a luz que “irradiava d´Ele mesmo”. Fazendo uma comparação com a dificuldade de escalar uma montanha e o maravilhoso panorama que se revela no final, o Santo Padre refere-se ao processo sinodal, que “se apresenta árduo e por vezes podemos até desanimar“, mas que nos leva a algo “sem dúvida, maravilhoso e surpreendente, que nos ajudará a compreender melhor a vontade de Deus e a nossa missão ao serviço do seu Reino”. Usando as figuras de Moisés e Elias, o Santo Padre deixa claro que “o caminho sinodal está radicado na tradição da Igreja e, ao mesmo tempo, aberto para a novidade. A tradição é fonte de inspiração para procurar estradas novas, evitando as contrapostas tentações do imobilismo e da experimentação improvisada“. Estes são caminhos, a Quaresma e o sinodal, que têm como objetivo “uma transfiguração pessoal e eclesial”, inspirada por Jesus, e levada a cabo pela sua graça. Para isso, o Papa Francisco propõe dois caminhos: escutar Jesus, que nos fala na Palavra de Deus e “nos irmãos, sobretudo nos rostos e vicissitudes daqueles que precisam de ajuda”. Juntamente com isto, ele apela a uma escuta recíproca, que é indispensável numa Igreja sinodal. A segunda indicação é “não refugiar-se numa religiosidade feita de acontecimentos extraordinários, de sugestivas experiências, levados pelo medo de encarar a realidade com as suas fadigas diárias, as suas durezas e contradições”. Face a isto, chama a “sermos artesãos de sinodalidade na vida ordinária das nossas comunidades”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Missionários da Consolata mostram solidariedade e compromisso com o Povo Yanomami

Os missionários da Consolata reunidos online, nos dias 14 a 16 de fevereiro de 2023, para a sua Assembleia Continental em preparação ao XIV Capítulo General, lançaram uma nota de solidariedade e compromisso (ver aqui) “com a vida dos povos Indígenas na Amazônia, em especial com os Yanomami que neste momento enfrentam uma situação de grave ameaça a sua sobrevivência”. A nota destaca que “as imagens e informações divulgadas sobre os Yanomami dentro do seu território homologado em Roraima, ganharam grande repercussão no Brasil e no mundo gerando diversas manifestações de indignação, solidariedade e cobranças de investigação dos crimes e rigorosa punição dos responsáveis”, denunciando que “essa violência não é de hoje”. Os Missionários da Consolata lembram que “durante os últimos cinco anos, organizações indígenas e aliados fizeram várias denúncias com documentos e fatos sobre a invasão da Terra Indígena Yanomami, apontaram a omissão do governo e cobraram providências. Não houve resposta adequada o que evitaria essa tragédia”. O texto vê como causa da grave situação “a combinação entre o aumento sistemático e incentivado do garimpo e a intencional desassistência na saúde nos últimos cinco anos ameaçando a vida física e cultural do povo Yanomami”. Segundo os Missionários da Conslata, “esses fatores geraram, entre outros males, crescente violência contra as comunidades, a destruição do meio ambiente, a contaminação dos rios, aumento da malária, desnutrição, verminose e doenças respiratórias”. Diante disso, os religiosos reforçam “os apelos da Igreja presente na Amazônia, das organizações indígenas e aliados, para que as autoridades competentes do governo combatem a raiz do problema com medidas que visem o desmonte da cadeia do garimpo, a desintrusão imediata dos garimpeiros de dentro da Terra Indígena, bem como a investigação dos crimes cometidos contra o povo Yanomami”. Ao mesmo tempo, eles dizem apoiar “todas as medidas emergenciais do governo federal de atendimento ao povo Yanomami para salvar vidas, mas ao mesmo tempo, pedimos para que, em diálogo com as comunidades, se recupere as condições de atendimento visando a prevenção e o acompanhamento da saúde dentro do território conforme a Constituição”.  Finalmente, a Congregação manifesta, em espírito de família “o nosso apoio e solidariedade aos missionários e missionárias da Consolata que há 75 anos acompanham os povos indígenas em Roraima para que sua missão vivida no respeito, diálogo e testemunho profético contribua como Igreja na defesa das comunidades, dos seus territórios e culturas, e no cuidado integral da Casa Comum”. Eles pedem “que a nossa histórica opção pelos povos indígenas e pela Amazônia nos ajudem a sermos mais fiéis ao carisma da missão ad gentes”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Comissão para a Amazônia reunida em Manaus: avaliar, pensar seu futuro e um maior envolvimento das igrejas particulares

A Comissão para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil está reunida em Manaus nos dias 17 e 18 de fevereiro. Participam do encontro o Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus (AM) e Presidente da Comissão, a Ir. Irene Lopes, Assessora, e os membros, Dom Roque Paloschi, Arcebispo de Porto Velho (RO), Dom Evaristo Spengler, Bispo eleito de Roraima e Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, Bispo de Itacoatiara (AM). “Uma reunião que visa nós preparamos uma avaliação da Comissão para podermos apresentar na Assembleia Geral agora em abril”, segundo Dom Leonardo Steiner. O Arcebispo de Manaus disse que o encontro quer ser uma oportunidade para “pensarmos um pouco no futuro da Comissão e qual é a relação da Comissão com a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA)”. Segundo seu Presidente, “a Comissão foi muito importante, está sendo muito importante para as igrejas que estão na Amazônia”, vendo como desafio “como a Comissão envolver ainda mais as igrejas e pensar nos encontros possíveis entre as igrejas particulares para assim buscarmos um diálogo maior, entre nós, mas também com as outras igrejas do Brasil e as outras igrejas da Pan-Amazônia”, insistiu o Cardeal. Uma Comissão “fundada em 2003 a partir de uma solicitação da Igreja na Amazônia e a partir da solicitação dos Bispos”, lembrou sua Assessora. A Ir. Irene Lopes destacou que “hoje tem esse papel de fazer com que a Igreja da Amazônia seja vista fora da Amazônia. A partir disso fazer com que essa reflexão seja feita a partir dos territórios. É uma Comissão que ajuda os Bispos e também os territórios a pensar um pouco a realidade amazônica hoje vivida com todas essas problemáticas, com todas essas questões que hoje têm refletido”. A Igreja da Amazônia hoje é desafiada a “viver a fidelidade à Cruz do Senhor e aos crucificados de hoje”, ressaltou Dom Roque Paloschi. O Presidente do Conselho Indigenista Missionário se referiu ao cenário atual, “não só dos povos yanomami, mas de todos os povos indígenas, os povos originários e sobretudo as grandes periferias das cidades, onde nós vemos a situação da fome aumentando”. Olhando para a realidade eclesial, o Arcebispo de Porto Velho destacou a necessidade de “alimentar aqueles 4 sonhos que o Papa colocou na Querida Amazônia. Esses sonhos que nos ajudam a sonhar uma Igreja verdadeiramente samaritana, servidora, comprometida com a vida de todos e a vida da Criação”. Uma Comissão que nasceu para criar pontes entre a Igreja da Amazônia e as outras igrejas locais no Brasil. Diante disso, Dom Ionilton reconheceu que ainda existe o desafio de “fazer a Igreja do Brasil olhar para nós”. O Bispo da Prelazia de Itacoatiara lembrou da frase do Papa Paulo VI, que diz que “Cristo aponta para a Amazônia”, e junto com isso que “essa Comissão surgiu com esse objetivo de fazer uma integração entre nós que estamos aqui e as outras igrejas locais no Brasil inteiro”. O Presidente da Comissão Pastoral da Terra afirmou que “a Amazônia ainda é um assunto que causa um pouco de estranheza em muitos dos Bispos e da Igreja mesmo como um todo”. Por isso, ele insistiu em que “nosso desafio é fazer com que cada vez mais a gente consiga levar para a Igreja do Brasil, das outras regiões, a necessidade e a importância da missão como Igreja católica aqui na Amazônia”. “O Papa com o Sínodo para a Amazônia fez uma experiência da sinodalidade na Igreja, e ele próprio está conduzindo esse processo de uma forma muito mais ampla para a Igreja universal, que é um tema da Igreja universal de fato”, afirmou Dom Evaristo Spengler. Segundo o Bispo eleito de Roraima, “além do caminhar juntos como povo de Deus, o Papa insiste muito  numa Igreja não tão clerical, que seja de fato uma Igreja povo de Deus, conforme o Vaticano II, mas também as questões ambientais, as questões ecológicas, as questões culturais, sociais, é algo que o Sínodo para a Amazônia enfrentou”. O Presidente da REPAM-Brasil, disse que “isso não pode ficar restrito apenas à situação amazônica, mas é necessária uma transformação de acolhimento da cultura do cuidado a nível de todos os povos, cuidado com os migrantes, com os indígenas, com o povo negro, onde se crie uma grande fraternidade universal”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Ir. Carmelita Conceição: 100 anos das Salesianas no Amazonas, “Nós somos no nosso espírito, aquelas pioneiras”

Em 1923 as Filhas de Maria Auxiliadora chegavam em São Gabriel da Cachoeira, iniciando assim sua missão no Amazonas. 100 anos depois, sua atual superiora, a Ir. Carmelita Conceição vive esta data como momento de memória, de celebrar a vida e a missão que aquelas irmãs começaram. Mas também é tempo de, inspiradas naquelas pioneiras, tentar dar uma resposta para o hoje. Depois de 100 anos a missão mudou, principalmente a mentalidade, passando de colocar o foco na estrutura a colocá-lo na pessoa.   Promover a vida, se unir e se inserir na reflexão da Laudato Si´ e da Querida Amazônia, dos sonhos do Papa Francisco é um desafio para o futuro da Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia. A Ir. Carmelita insiste em destacar que “os protagonistas hoje são os indígenas, são as pessoas da região”. Tudo isso com a mesma coragem que se fez presente nas primeiras missionárias, que faça “querer conhecer mais a diversidade cultural ou religiosa e podermos ser aquelas missionárias na versão de hoje, no estilo de hoje, não deixarmos de ser missionárias. As Filhas de Maria Auxiliadora estão completando 100 anos de missão na Amazônia, o que isso representa para a Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia e para a Congregação Salesiana? É uma data muito importante para todos nós, porque primeiro é a memória, lembrar toda aquela luta das primeiras irmãs, a maneira como optaram por vir, vir para a Amazônia no século passado, e hoje para nós celebrar a vida delas, a missão que elas começaram, mas também revisar esse processo de revisão e de descobrir como agir hoje na Amazônia. Nós estamos aqui há cem anos, já se passaram várias gerações, várias situações, e na situação de hoje nós temos que tentar dar uma resposta adequada para o hoje. Esse é nosso maior desafio, descobrir o que que nós, como Filhas de Maria Auxiliadora, Salesianas, precisamos ser aqui. Porque hoje nós não pensamos tanto em fazer, construir, nós pensamos em como a gente pode realmente estar, com o povo, entendendo, apoiando, fortalecendo, estando lado a lado. No início nós pertencíamos à Provincia de São Paulo, que era a única que tinha no Brasil. Elas tinham de lá esse olhar para os lugares onde precisava ter presença e pensaram no Amazonas. Depois vieram muitas irmãs do Nordeste, nossa segunda geração, dentro desses 100 anos, é formada por uma maior parte de irmãs do Nordeste, de Minas Gerais, e algumas irmãs italianas que vinham. E depois elas foram favorecendo para que nós autóctones, entrássemos, participássemos desse dinamismo. É uma celebração que envolve o Brasil todo. Uma missão que começou com missionárias estrangeiras e que hoje continua com brasileiras, amazônidas, inclusive a senhora é amazonense, em que mudou o trabalho das Filhas de Maria Auxiliadora pelo fato desse surgimento de vocações nativas, inclusive vocações indígenas? Mudou muito, principalmente a mentalidade. A gente entende que as irmãs que vieram, não eram todas estrangeiras, algumas eram paulistas, mas elas tinham uma mentalidade da época do construir, da estrutura. Para elas a segurança diante do fato de vir para um lugar tão distante era ter uma casa bem construída, casas muito grandes. A missão delas era muito de ajudar o povo, ajudar a aprender a língua, ajudar a estudar, dar condições deles puderem ter autonomia. Uma Vida Religiosa muito tradicional porque aquele era o estilo. Com o tempo eu acho que as irmãs foram aprendendo e também com esse aumento da presença de irmãs da região, que no início eram pessoas de Manaus, de Belém, de Porto Velho, que não tinham nascido no Rio Negro e iam para lá. Mas também de outras partes de Brasil, houve uma campanha missionária muito forte no Brasil para ir pessoas para lá. A primeira geração era de italianas e aquelas missionárias de São Paulo, depois vieram muitas europeias, italianas, espanholas, alemãs. Depois se formou um grupo de irmãs da Amazônia que foram assumindo a Inspetoria. Esse assumir das irmãs brasileiras e da Amazônia foi facilitando para a entrada das jovens, inclusive das jovens indígenas. E hoje eu acho que somos mais de 90 por cento brasileiras amazônidas, com algumas nordestinas, mais idosas, ainda daquela geração, e pouquíssimas estrangeira, 4 ou 5 talvez, e toda a coordenação da Inspetoria somos nós que estamos fazendo em todos os níveis. A senhora fala das salesianas indígenas, cada vez mais numerosas entre as irmãs e as novas vocações. O que as irmãs indígenas aportam à congregação? É uma contribuição muito interessante, não só para nós, é para o Instituto, porque traz a visão de quem vive no interior da floresta amazônica, que é uma vida um pouco diferente do caboclo, do ribeirinho, do urbano. Todos somos amazônidas, mas modo de vida diferente. E o mais interessante das irmãs indígenas, dessa geração que está aí é a visão, que a estrutura vale muito pouco. O foco é na pessoa, do indígena, do jovem que está ali, e na maneira como pode entrelaçar essa cultura urbana com a cultura indígena, que é uma cultura muito do cuidado, da preservação, da valorização, do espírito, da sintonia com a natureza. Bem dentro da ideia da Laudato Si´, que é que tudo está interligado, as coisas todas estão envolvidas, elas trazem isso para nós. Porque nós que vivemos em cidade, nós nos acostumamos no quadrado, se não tiver quatro paredes a gente não está segura. Eles não, só um telhado de palha e uma rede e estou bem. Elas nos trazem essa libertação da estrutura, é uma experiência muito interessante, além da diversidade das etnias que traz alguns valores, de um grupo, de outro grupo. A gente entende que é um desafio muito grande para elas entrar na estrutura, porque aquelas que querem ser irmãs acabam acolhendo esse modo de ser nosso, e para nós ao mesmo tempo ter essa coragem, essa abertura para procurar entender como é a riqueza dessa vida que as famílias delas vivem. Durante muito tempo a evangelização da Amazônia foi divida por congregações. No Alto…
Leia mais

O Povo Ticuna protagonista na missão entre os ticunas

O Povo Ticuna através da Paróquia São Francisco de Assis de Belém do Solimões, na Diocese de Alto Solimões assumiu a missão como elemento primordial no trabalho evangelizador. São missionários ticuna que evangelizam o Povo Ticuna. A última missão aconteceu nas comunidades Nossa Senhora de Nazaré, Santa Clara, Nossa Senhora da Prosperidade e outras comunidades da Paróquia de São Paulo Apóstolo no município de São Paulo de Olivença, onde 10 missionários e missionárias realizaram esse trabalho missionário de 5 a 14 de fevereiro de 2023. Mesmo diante das dificuldades, a seca e ao mesmo tempo as chuvas torrenciais não permitiram a entrada em algumas comunidades ticuna. Uma situação que faz parte da vida missionária na Amazônia, que faz com que os missionários não desanimem pois eles sabem que voltarão. Sempre é assim em todo lugar, mas na Amazônia é Deus que determina a realização daquilo que é planejado. Estamos diante de mais um testemunho de Evangelização indígena, de doação, protagonismo e compromisso com o Reino de Deus. As missões realizadas pelos missionários e missionária ticuna é um tempo de formação sobre a Palavra de Deus, Catequese, Dízimo, Celebração Dominical, Vocação, Ecologia e luta contra alcoolismo e drogas, dentre outros elementos abordados. Uma missão que está sendo muito bem acolhida pelas comunidades, desde as crianças até os idosos. Para isso é muito importante o fato de estar sendo feito do jeito e na língua ticuna. Isso se expressa nas orações, dinâmicas, partilhas de alimentos, algo que ajuda a superar os desafios e as longas viagens de peque-peque com fortes chuvas e sol quente. Tudo isso é feito com alegria por amor de Deus e do povo. Buscando fomentar o trabalho com a juventude indígena, a Paróquia São Francisco de Assis de Belém do Solimões tem desenvolvido uma Oficina Pedagógica de Teatro Popular, onde participaram 35 jovens do Povo Ticuna e Kokama. Ao longo do programa foram desenvolvidos processos de Laboratório nas modalidades teóricas e práticas: O homem e o meio; o que é o teatro? Resgate do teatro cristão e seu objetivo na comunidade; jogos preparatórios, expressão corporal, expressão oral, respiração, jogos dramáticos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Com informações do Blog Povo Ticuna de Belém do Solimões