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O encontro da Diocese de São Gabriel da Cachoeira com o Papa

Numa audiência marcada pela simplicidade, pela partilha cultural e pelo uso fluido da língua portuguesa, o Santo Padre recebeu no sábado (3) a comitiva da Diocese de São Gabriel da Cachoeira. A Delegação recebida no Palácio Apostólico, no Vaticano, contou com a presença de dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo de São Gabriel da Cachoeira, do bispo emérito Dom Edson Taschetto Damian, de irmã Letícia, e de sacerdotes do Colégio Pio Brasileiro de Roma. O encontro permitiu trazer o coração da Amazônia diretamente ao centro da Igreja Católica. Durante a conversa, foram expostas as proporções impressionantes da diocese: com uma área de 294 mil quilômetros quadrados, a diocese é geograficamente maior do que o estado de São Paulo, aproximando-se da dimensão territorial da Itália. Abrange cerca de 400 comunidades espalhadas pela bacia do Rio Negro, onde convivem 24 etnias indígenas diferentes e se falam 18 línguas distintas. Cerca de 94% da população local é composta por povos indígenas, que mantêm viva a essência de guardiões da floresta e da biodiversidade. Desafios Pastorais e Logísticos nas Águas do Rio Negro Dom Vanthuy destacou que a gestão pastoral de um território desta envergadura apresenta obstáculos logísticos consideráveis. Sendo uma diocese essencialmente fluvial, a locomoção depende de embarcações e canoas, exigindo dos missionários e bispos longas jornadas para superar as cachoeiras e alcançar as comunidades mais remotas. O processo de evangelização e formação assenta fortemente no papel fulcral dos catequistas indígenas. O bispo de São Gabriel da Cachoeira afirmou que para consolidar a fé e a liderança nas comunidades, realizam-se encontros formativos prolongados que chegam a durar 15 dias consecutivos, reunindo dezenas de indígenas vindos de várias regiões. Apesar das dificuldades econômicas e financeiras enfrentadas pelos povos coletores — que vivem essencialmente da caça e da pesca em comunidades onde o dinheiro circula escassamente —, o trabalho pastoral continua a expandir-se com o apoio de congregações religiosas e diocesanas. Dom Vanthuy disse que questionado sobre projetos e apoios financeiros, o Papa indicou caminhos de abertura e soluções para dar continuidade à missão na Igreja do Rio Negro. A preservação da Amazônia e o diálogo intercultural Um dos pontos altos do encontro com o Santo Padre foi a reflexão sobre a preservação ecológica. Dom Edson e Dom Raimundo sublinharam perante o Pontífice que a região do Rio Negro é uma das áreas mais bem preservadas de toda a Amazônia, com menos de 10% da sua floresta derrubada. Os povos indígenas, através da sua cultura e sabedoria ancestral, assumem-se como os verdadeiros protótipos dos “guardiões da terra e da floresta”. Esta realidade dialoga de perto com os ensinamentos da Igreja, nomeadamente documentos como a exortação Querida Amazônia (fruto do Sínodo para a Amazônia), que valoriza a “semina Verbi” (as sementes do Verbo já presentes nas culturas antes da chegada dos missionários). O respeito pelas tradições, pelos casamentos interétnicos e pela vida comunitária reflete valores profundamente humanos e cristãos partilhados por estes povos. Símbolos da Amazônia e gestos de afeto no Vaticano O encontro ficou também marcado pela troca de presentes significativos que transportaram a identidade amazônica até ao Papa. Uma mitra tecida com palmeira de tucum e decorada com sementes de açaí; paramentos litúrgicos (cálice, patena e cibório) fabricados em pau-brasil, provenientes de uma das raras regiões onde a espécie permanece protegida graças à tutela indígena; cachecóis e peças artesanais produzidas por comunidades locais e pelo artesanato peruano. Dom Vanthuy e dom Edson destacaram que num ambiente de grande proximidade e simplicidade, o Papa interagiu afetuosamente com todos os membros da comitiva em português, manifestando interesse profundo pelas fotografias, pelas realidades locais e pelas sugestões pastorais deixadas pelos bispos. Esta visita histórica reforça os laços entre a Igreja universal e as periferias geográficas e existenciais da Amazônia, reafirmando o compromisso mútuo com a fé, a dignidade humana e a defesa da Casa Comum. A memória salesiana, o papel das mulheres e os desafios da Amazônia profunda Durante a entrevista nos estúdios da Rádio Vaticano – Vatican News, a Irmã Letícia, Filhas de Maria Auxiliadora”, natural da região norte (com raízes familiares em Boa Vista, Roraima) e de ascendência agostiniana, destacou a emoção de reviver a história missionária do Rio Negro. A religiosa relembrou a convivência próxima com a Irmã Cleusa Rodi Coelho, a grande mártir do Rio Purus, sugerindo que o seu processo de canonização deveria avançar pelo exemplo marcante de entrega e dedicação que deixou à Igreja. A conversa também evocou a chegada dos missionários salesianos a partir de 1915 e das irmãs salesianas em 1923, que se diferenciaram de outros colonizadores por escolherem morar com os povos indígenas, protegê-los contra a exploração econômica abusiva e partilhar conhecimentos. Foi recordada ainda a importância de figuras históricas e intelectuais como o pesquisador indígena Gersen Baniwa — autor da tese doutoral A Educação Escolar Indígena no Alto Rio Negro: Entre a Utopia e a Realidade —, que documentou a chegada dos missionários e o impacto ambíguo dos antigos internatos na preservação ou abafamento das línguas nativas. O protagonismo feminino e a educação na Bacia do Rio Negro A presença feminina foi apontada como um dos pilares fundamentais da ação pastoral na região. Se no passado as mulheres eram frequentemente relegadas a planos secundários, hoje a realidade transformou-se de forma muito positiva. Irmã Letícia sublinhou que o Rio Negro oferece atualmente novas perspetivas de estudo, recordando que hoje temos indígenas com graus acadêmicos de mestrado e doutorado. As mulheres indígenas ocupam agora cargos de destaque como professoras e diretoras de escolas e colégios e lideram frentes cruciais no auxílio à catequese e no suporte comunitário, contrariando o tradicional machismo cultural da região. O diálogo com o Papa Com mais de vinte minutos de escuta atenta por parte do Pontífice, dom Vanthuy descreveu a audiência como um momento de enorme simplicidade, espontaneidade e proximidade no Palácio Apostólico. O bispo de São Gabriel da Cachoeira pediu ao Papa uma bênção especial para a Igreja do Rio Negro, para os missionários e para o país durante o fim de semana…
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Assessoria de Comunicação da CNBB publica “Nota de Esclarecimento” sobre informações falsas envolvendo o nome da instituição

A Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou no domingo, 27 de setembro, uma Nota de Esclarecimento, sobre informações e manifestações que circulam nas redes sociais envolvendo o nome da instituição e o processo eleitoral. Na nota, a CNBB esclarece que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”. “A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”, reforça um trecho do documento. Na nota, a CNBB afirma que não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência. “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, conclui a nota. A CNBB, no documento, reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz. Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Cardeal Steiner: Jesus nos convida a participar do Reino de Deus

No 26º Domingo do Tempo Comum o Evangelho apresenta o convite de Jesus a estabelecermos uma relação de fidelidade, proximidade e participação no Reino de Deus. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, explicou que a primeira leitura (Ez 18,25-28) ajuda a compreendermos o que Jesus nos conta com a parábola do convite do pai ao trabalho na vinha (Mt 21,28-32). No texto, o profeta Ezequiel aponta que afastar-se do mal e praticar o bem preserva a vida. “O profeta busca acordar os israelitas exilados na Babilônia para a vida extraordinária de serem um povo escolhido, o povo de Deus. Os exilados são convidados a permanecer na fidelidade, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. O verdadeiro israelita é levado à fonte da palavra, a palavra da aliança. Tenha vida, proximidade e viva na justiça”, explicou o cardeal. Já na parábola, Jesus retoma a necessidade de estabelecer uma relação de participação com o Reino. Diante do convite do pai para ir trabalhar na vinha surgem duas respostas aparentemente contraditórias: “Não, eu não vou, mas vai. Sim, pai, mas não vai”. O arcebispo esclareceu que essa dinâmica de respostas deseja superar a ideia de religião pautada apenas em prática exterior, habitual e ritual, para uma atitude que recai sobre a vida e estabeleça uma “relação profunda com Deus”. “O primeiro filho se nega, mas vai a trabalho. O segundo afirma que vai, mas não vai para a vinha. Jesus ensina que podemos dizer sim, mas acabamos não trabalhando na vinha do Senhor. Não deixamos que Deus trabalhe em nós. Pode ser que digamos não, mas com o passar do tempo nos aproximamos e aceitamos o convite de Deus”, esclareceu o arcebispo. Animar e esperar Comentando a parábola do Evangelho, o cardeal Steiner recordou-nos os ensinamentos de Papa Francisco de como “Deus é paciente com cada um de nós”. Mesmo diante do nosso não, Deus permanece ao nosso lado para nos animar e esperar. Essa espera de Deus “nos deixa livres de nos distanciarmos dele e até cometermos erros”, porque “Ele respeita a nossa liberdade, mas continua a nos convidar”. “Ele aguarda com confiança o nosso sim para nos acolher novamente nos seus braços paternos maternos e nos cobrir com sua misericórdia que não tem limites. A fé em Deus pede que renovemos todos os dias, renovemos todos os dias a escolha do bem em vez do mal. A escolha da verdade em vez da mentira. A escolha do amor ao próximo em vez do egoísmo”. Convite do Pai  Escolher o amor é convite do Pai direcionado a cada um de nós. As palavras do cardeal sublinham que “aqueles que se convertem a essa escolha, depois de ter experimentado o pecado, encontrarão os primeiros lugares no reino dos céus”. Ele reforçou é um convite, “nada de ordem, nada de comando, nada de obrigação”. Isto porque é um convite cheio de ternura e beleza onde o pai “falou não ao rosto como um homem, mas ao coração como Deus, penetrando até a inteligência por meio dos sentidos”. “Queridos irmãos e irmãs, é o hoje. É sempre um hoje, não um ontem, não um amanhã. É sempre hoje, pois hoje é o meu existir, é o meu viver, é a minha vida. É o meu conviver, é viver em Deus hoje. Santo Agostinho nos diz que Deus é sempre um hoje porque é amor. Mas esse hoje, num texto antigo se diz, isto é, durante toda a vida porque a vida é sempre um hoje. Uma vida inteira, toda a vida no hoje, ir para a vinha do Senhor, participar da vida de Deus”, enfatizou o cardeal Steiner. Despertar a fé A proposta do texto evangélico nos insere na perspectiva da fé como um “um longo caminho que passa também, às vezes, pelo esquecimento”. Mesmo que a cotidianidade nos conduza a indiferença, “de repente acordamos e vamos: é o despertar da fé”. Mesmo que tenhamos aprendido a experimentar a presença de Deus, no “movimento de contínuo sair e deixar-se embeber pela beleza do Evangelho, às vezes também se manifesta na nossa vida como não vou”.  “Esquece, adormece, no entanto, pela presença de Deus acordamos e vamos. É um processo extraordinário que nos plenifica, é um processo de conversão que nos atrai. São às vezes aquelas percepções no nosso dia a dia que não precisamos de Deus. Os sentimentos de que podemos viver a partir de nós mesmos e não precisamos da graça da vinha do Senhor. Uma espécie de achar que podemos viver de nós mesmos e aí nos distanciamos do amor de Deus, mas Deus na sua insistência continua nos acordar e então dizemos sim e vamos”, insistiu o cardeal. Corrigir vontades Dom Leonardo evocou Santo Agostinho para indicar a necessidade de corrigir nossas vontades e alinhá-las com a vontade de Deus. “É quando dizemos não, mas nos convertemos, nos plenificamos e dizemos eu vou”, disse o arcebispo. Essa realidade ir e não ir nos aponta para “uma mudança de vida, de preparação, de conversão, de atenção para estar junto da benevolência de Deus manifestada em Cristo Jesus”, como também em João Batista. E mesmo na recusa, à escuta do convite de Jesus, não consegue rejeitar a graça e diz, eu vou, Senhor, vem”. Essa realidade toca os pecadores, cobradores de impostos. Os cobradores de impostos e as prostitutas serão predecessores no reino de Deus, porque “pareciam não escutar, mas escutaram a Jesus”. O cardeal exemplificou com as figuras de“Zaqueu, nós temos Mateus, nós temos o publicano que sobe ao templo e pede misericórdia”. “Esses homens que eram pecadores, eram como que prostitutas do Estado e ouvindo a palavra de Jesus se convertem, aceitam e aceitam fazer parte do mistério do povo de Deus. Ir e servir no reino de Deus, caríssimos irmãos e irmãs, é aceitar Jesus, viver com Jesus, seguir a Jesus. Estamos quase na dinâmica cotidiana de não vou, mas sempre de novo nos sentimos atraídos e atraídas e vamos”, disse o arcebispo. O caminho  O caminho para corresponder ao…
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Nota Pública: em defesa da vida diante das queimadas, da fumaça e do calor extremo em Manaus

O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) assinou uma Nota Pública em defesa da vida diante das queimadas, da fumaça e do calor extremo que afetam as populações amazônicas. A nota foi apresentada na manhã do dia 25 de setembro, durante a reunião do Clero da Arquidiocese de Manaus, no Centro de Formação Maromba, em Manaus (AM). A capital amazonense e a região metropolitana têm sofrido com esse cenário. Por isso, a Igreja em Manaus solicita às autoridades públicas o fortalecimento de ações de prevenção, fiscalização e combate às queimadas e incêndios florestais em todo estado do Amazonas. Comissão de Ecologia Integral A presença dos membros da Comissão de Ecologia Integral da Arquidiocese de Manaus reafirmou o compromisso coletivo no cuidado da casa comum. Nessa perspectiva, cada cristão, comunidade e sociedade somos convidados a refletir a responsabilidade pelo cuidado da Criação, especialmente aqueles que tem seu cotidiano afetado pela péssima qualidade do ar, as altas temperaturas e a baixa umidade.  Nosso Regional Norte 1 reafirma seu compromisso com anúncio do Evangelho, a defesa da Dignidade Humana e cuidado da Casa Comum. Confira a nota:

COMIRE Regional Norte 1 define nova coordenação, equipe do PMN e articuladores da POM

O Conselho Missionário Regional Norte 1 (COMIRE Norte 1) definiu sua nova coordenação pelos próximos dois anos (2026-2028). Outra definição importante foi a dos membros da equipe do Programa Missionário Nacional (PMN) e do Articulador Regional das Pontifícias Obras Missionárias (POM), com uma equipe ampliada. As novas composições são fruto da Assembleia Eletiva realizada nos dias 18 e 19 de setembro, no Centro de Formação da Maromba, em Manaus. Durante a assembleia, os missionários de nossas Igrejas Locais aprofundaram a mensagem do Papa Leão XIV para o mês missionário de 2026 e o Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis. Um reflexo da opção das Igrejas do Regional Norte 1 pela cultura do cuidado com espaços de prevenção. Na manhã do dia 17, os participantes dedicaram-se à escuta sobre a caminhada dos organismos missionários em nossa região, partilhando experiências, desafios e perspectivas para a missão. Assessorados pela diretora da POM no Brasil, Ir. Regina Pedro, a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Missões permeou as discussões sobre aspectos da missão. Durante a missa de encerramento, a diretora destacou a riqueza das contribuições e a característica sinodal observada nas intervenções. Reino de Deus O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, nos recordava que “nós estamos levando um modo de viver, que é o modo de Jesus, o Reino de Deus”. Ele explicou que esse modo de viver tem as suas características, e são elas que deveriam nos entusiasmar. Por isso, a vocação principal do nosso Regional é nos despertar para a missionariedade e viver a unidade em prol da missão, despertando as comunidades para a missão. Como missionários e missionárias, nos colocamos sempre a anunciar Jesus. Porque ele é a visibilização, a concretização do Reino de Deus. O arcebispo também refletiu que, pela graça de Deus, cada um de nós recebeu uma vocação. E cada vocação recebida deve animar nossas comunidades para serem cada vez mais missionárias. Programa Missionário Nacional A expectativa do Programa Missionário Nacional (PMN) é unificar o caminho das ações missionárias de dioceses, paróquias, congregações e movimentos em todo o país. Nascido do processo de escuta das assembleias regionais, a equipe de formadores do PMN é responsável pela animação e articulação do programa nas igrejas locais. Cada uma de nossas Igrejas Locais terá duas pessoas de referência para fazer a articulação de divulgação do programa em seus territórios. Os membros da equipe, discernidos na Assembleia Regional, são responsáveis pelos Conselhos Missionários em suas Igrejas Locais. Alguns dos indicados receberam formação específica promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias, pela Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB e pelo Centro Cultural Missionário, o que garantirá uma fecunda colaboração no processo de animação e formação missionária. Indicações considerando as Igrejas Locais: • Diocese do Alto Solimões: Leonan Barros e Aparecida Severo. • Prelazia de Tefé: Aparecida Severo e Ir. Terezinha Ferreira. • Diocese de Coari: Pe. Raimundo Gordiano e Marinilton Correa. • Diocese de Borba: Ademir Jackson e Ir. Silvana Pauletti. • Prelazia de Itacoatiara: Imaculada e José Kennedy. •Diocese de Parintins: Pe. Ozéias Cativo e José Kennedy. • Diocese de Roraima: Helen Prestes e Pe. Gutemberg Pinto. • Diocese de São Gabriel da Cachoeira: Ir. Raimunda e Pe. Raimundo Gordiano. • Arquidiocese de Manaus: Rosa Maria e Pe. Gutemberg Pinto. POM em saída Com a criação do Articuladores Regionais, o projeto “POM em Saída: Itinerário de atualização das Pontifícias Obras Missionárias” assume sua robustez sinodal. A figura do articulador regional encarrega-se do papel de aproximar as POM das bases eclesiais, daí a necessidade de ser um o profundo conhecedor das Obras. Em nosso regional, o articulador trabalhará com uma equipe ampliada. Os articuladores regionais são um canal direto entre a POM e os anseios dos regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Além disso, o articulador deve incentivar o surgimento e a formação de articuladores diocesanos, e a implementação das Obras onde ainda não existem. Outro serviço é a integração entre a Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF), Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária (IAM) e a Pontifícia Obra da União Missionária (PUM). E por fim, a integração com a coordenação do COMIRE para atuação em conjunto. Indicações: Articulador Regional: Pe. Matheus Marques da Costa – da equipe de Coordenação do COMIRE. Equipe Ampliada: Essa indicação prevê:

Bispos do Regional Norte 1 conclamam os fiéis brasileiros para voto consciente nas eleições de 2026

Os bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), Amazonas e Roraima, conclamam os fiéis e todas os brasileiros de boa vontade para voto consciente nas eleições de 2026. Essa atitude é o cumprimento do papel educativo da Igreja Católica na contribuição para a formação da consciência cidadã. A transformação que desejamos começa com as escolhas que fazemos no agora. O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é o caminho pelo qual nossas escolhas devem ser tomadas. Para a promoção da verdade, o Evangelho quer que assumamos o cuidado aos mais vulnerabilizados e empobrecidos, a construção da paz, da justiça, do perdão e da reconciliação, a defesa e promoção dos pequeninos, e o cuidado com a Casa Comum. Dignidade Humana O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1, nos recorda que na “Carta encíclica Laudato Sí, publicada em 2015, Papa Francisco defende que o cuidado com o meio ambiente é inseparável da justiça social, da dignidade humana e da vida em sociedade. A ecologia integral demonstra que tudo está interligado na Casa Comum: a crise ambiental não está isolada; ela se conecta diretamente à economia, à cultura, aos estilos de vida e à forma como tratamos os seres”. E por isso, o arcebispo afirma que “a ecologia não está associada somente a derrubada de florestas, a extinção de animais e a poluição do ar, mas também às múltiplas consequências do modelo econômico que levou o planeta ao estado atual de degradação social e ambiental”. Analisar a verdade É necessário que não nos deixemos seduzir pela indisposição a analisar a verdade a partir das evidências. A crise climática em Manaus, por exemplo, com a recorrência de secas históricas, a fumaça de queimadas e incêndios florestais que alteram o cotidiano das cidades, e também de nossas populações tradicionais e indígenas. E não esqueçamos da degradação de nossos igarapés, transformados em esgotos a céu aberto e ausência de uma coleta seletiva que incentive a destinação correta dos materiais recicláveis. Considerar a realidade brasileira e regional em conjunto com as propostas oferecidas por cada candidato são instrumentos para a escolha consciente.  Nossa escolha por mulheres e homens, que estejam dispostos a cuidar do bem comum do meio ambiente no Executivo e no Legislativo, do Estado brasileiro e nos estados da federação é fundamental, especialmente para nós que habitamos a Amazônia. Eleger para o legislativo e o executivo mulheres e homens dispostos a eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento para garantir o respeito do meio ambiente. As eleições são expressão da democracia e a reafirmam. Democracia que se manifesta através do voto de cada cidadão, de cada cidadã. Ela expressa pela participação a responsabilidade pelo cuidado para com o Brasil e o estado do Amazonas. Eleger pessoas, mulheres e homens, que governem olhando para o bem de toda a sociedade, de todas as comunidades. Nesse sentido: As eleições sejam uma celebração de cidadania para o bem de todos!

Cardeal Steiner: convidados a buscar Deus que nos busca e deseja nos encontrar

No 25º Domingo do Tempo Comum o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus refletiu que na primeira leitura (Is 55,6-9) somos convidados a buscar a Deus. Já no Evangelho (Mt 20,1-16), é Deus que nos busca e deseja encontrar. Segundo o cardeal, Deus “se aproxima de modo compassivo”, pois diferente da nossa compreensão, o modo de Deus é “dar a todos o mesmo”. A afirmação: “Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti” confirma esse horizonte. Deus não desiste de nos buscar e oferecer “a todos o mesmo: tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence”. “Deus chama a todos para participar do seu Reino; oferece a todos a mesma retribuição: participação de sua bondade, de seu amor. Deus está continuamente saindo, está em busca. Incansavelmente busca a cada pessoa para participar do seu Reino. Que ninguém fique fora de seu amor materno-paterno”, afirmou o cardeal. Reino O arcebispo enfatizou que o Reino dos Céus é feito de serviço, participação e pertencimento. Esse Reino inaugura um novo modo de viver, de conviver, uma antecipação da vida em plenitude. Retomando as palavras do Evangelho, destacou que o vinhateiro “saiu de madrugada, às nove, ao meio-dia, às três da tarde, às cinco da tarde” para chamar todos para o serviço no Reino. Um chamado que revela um Deus sempre em saída e que nos procura a todo momento sem descanso para que “ninguém seja excluído do seu desígnio de amor (cf. Papa Francisco, Angelus, 20/09/2020). “A insistência da parábola em dizer madrugada, às nove, às doze, às quinze e às cinco, quando o sol já está poente, nos faz perceber o quanto somos buscados por Deus. O dia todo, o dia inteiro sai ao encontro de pessoas e oferece o dom, a graça, a benevolência de uma vida cheia razões e realizações: a vida do Reino. A prata oferecida, é a preciosidade da vida que recebe quem aceita o convite, aceita participar, ser receptivo à graça de sua benevolência. Deus que nos busca e nos chama”, ressaltou o cardeal. Em suma, Deus deseja a participação de todos no Reino. Por isso, o cardeal sublinhou que “Jesus não fala do trabalho nem do salário justo, mas da vida do Reino de Deus e da bondade do Pai celeste que continuamente sai para convidar a participar do serviço do Reino de Deus”, oferecendo tudo a todos. Deus revela sua abundância sem olhar “para o tempo, os resultados, mas para a disponibilidade, olha para a generosidade com a qual nos colocamos ao seu serviço”. É desse modo que sua ação “vai além da justiça e manifesta-se na graça“. “Tudo é graça. A nossa salvação é graça. A nossa santidade é graça. Ao conceder-nos a graça, Ele nos dá mais do que merecemos.  E assim, quem raciocina com lógica humana, isto é, a de mérito adquirido com a própria habilidade, de primeiro torna-se último. […] O convite para servir no Reino de Deus é para todos: não há excluídos, indignos, descartados, pecadores ou justos, bons e maus. Para Deus há filhas, filhos a quem ele ama, a quem oferece a salvação e a quem convida para trabalhar na sua vinha. A única coisa realmente decisiva é que aceitemos participar do mistério do seu amor”, afirmou o arcebispo. Oferecer a Palavra Além disso, a segunda leitura “nos oferece com extraordinária beleza aceitar servir na vinha do Senhor”. Quando escreve a carta aos Filipenses, Paulo está preso esperando o julgamento e não sabe se sairá da prisão vivo ou morto. Contudo, o “que é importa para ele é o que dá sentido ao seu viver ou morrer: Cristo”. O pagamento de Paulo é participar na vida de Cristo e do seu reino onde todos estão a servir. Com a morte e ressurreição de Jesus todos tempos a salvação concedida na gratuidade, sem merecimento. O arcebispo retomou as palavras de Papa Francisco no Angelus de 20/09/2020 que nos diz: As nossas comunidades são chamadas a sair para oferecer a todos a palavra de salvação que Jesus veio trazer. É uma questão de abertura a horizontes de vida que ofereçam esperança àqueles que estão estacionados nas periferias existenciais e ainda não experimentaram, ou perderam, a força e a luz do encontro com Cristo. A Igreja deve ser como Deus: sempre em saída; e quando a Igreja não está em saída, adoece com os tantos males que temos na Igreja. E por que há estas doenças na Igreja? Porque não está em saída. É verdade que quando saímos há o perigo de um acidente. Mas é melhor uma Igreja acidentada, por sair, por anunciar o Evangelho, do que uma Igreja que está doente por fechamento. Deus sai sempre, porque é Pai, porque ama. A Igreja deve fazer o mesmo: sempre em saída. “Na graça do reino vive-se da bondade de Deus. Ali não existe comparação de paga, de pagamento; ali tudo é apenas graça de participação, serviço de bondade e redenção; “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,1-16). Ali, somos um reino eterno e universal”, finalizou o cardeal. Oração Senhor que não cessas de nos chamar para o serviço no vosso Reino, abre os nossos ouvidos para escutar o vosso insistente convite. Com o apóstolo Paulo confessamos que sois nossa vida, a nossa alegria e a nossa vida eterna. Vosso Espírito nos guie na vida nova do Reino e a nossa vida seja um convite para viver e servir e amar. Grande é o Senhor e digno de louvor, insondável em sua grandeza. O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas. O Senhor e justo em todos os seus caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos o invocam, de quantos o invocam em verdade. Louvemos e bendigamos o Senhor de toda a bondade, todos os dias. Amém.

53º Assembleia Regional Norte 1: uma caminhada construída pela esperança

O segundo dia (15) da 53ª Assembleia Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) reconheceu a dinâmica de esperança da caminhada sinodal que brota de cada uma de nossas Igrejas Locais. A comunhão, a participação e a missão reforçam a necessidade de promover os sinais da esperança que não decepciona diante dos desafios do tempo presente. Pela manhã, a análise de conjuntura destacou uma normalização da violência cotidiana e a dominância do pensamento individualista, pautado na competitividade e não na vida comunitária. Para o Professor Marcelo Seráfico, vivemos um tempo de perplexidade e desorientação. Nas formas de avaliação de indicadores sociais prevalece a perspectiva numérica, e não uma avaliação da qualidade de vida das pessoas. No horizonte eclesial, Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, destacou que vivemos uma transformação no cenário religioso onde cada menos as pessoas se identificam com uma pertença institucional religiosa. Não é um desaparecimento da religião, mas uma nova opção de vivenciar a fé, marcada pelo individualismo. Essa compreensão desvela a comunidade como um desafio, mas também como caminho para superação desse cenário. Opções pastorais Esse contexto deve conduzir nossas opções pastorais por uma Evangelização que alcance as periferias existenciais. Por isso, é preciso reforçar os aspectos comunitários e de comunhão e assim garantirmos um caminho que olha para as nossas partilhas pastorais, mas também para toda a realidade na qual estamos inseridos. É conforme a vontade do Espírito, que assumiremos as posturas sinodais que mexem com as estruturas. Durante a tarde, a Arquidiocese, as Dioceses e Prelazias partilharam suas principais ações evangelizadoras. Caminhos percorridos desde o Encontro dos Bispos em Santarém (1972), pautados pela encarnação e pela libertação, que nos ajudaram solidificar o caminho missionário em todo nosso regional. Os testemunhos de ampliação das experiências dos processos participativos. No processo formativo e de construção de vínculos comunitários, as Igrejas destacaram a importância dos subsídios produzidos para todos do Regional. Como a Novena de natal, os círculos bíblicos para o mês da bíblia e Campanhas da Fraternidade. Além disso, o destacaram a presença da vida religiosa como fundamental para evangelização na Amazônia. Assembleias regionais: caminho de sinodalidade A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma conferência episcopal com estatuto e regimento que regulamentam suas atividades, como a Assembleia Anual.  Os bispos são membros natos, mas a assembleia apresenta algumas participações ou presenças. Com a extensão territorial do Brasil, a CNBB se divide em 19 regionais. Os bispos dos regionais formam os Conselhos Episcopais Regionais. Os conselhos regionais seguem a mesma dinâmica de Estatuto e Regimento Nacional. A partir disso, podemos compreender que as Assembleia dos Regionais da CNBB são Assembleias dos Conselhos Episcopais Regionais, portanto, a Assembleia dos Bispos do Regional. Nessas assembleias, os bispos se encontram, para as deliberações que são próprias do episcopado, segundo o estatuto da conferência para aquele regional, sempre relacionado com a conferência nacional. Nos nossos regionais do norte, essas assembleias contam com a participações com outras presenças, dos cristãos leigos e leigas, das religiosas. O nosso Regional Norte 1 é profundamente marcado e atento a essa dinâmica. Participação Nas Assembleias do Norte 1, respeitamos a questão estatutária e regimental. Elas mantêm-se como Assembleias do Episcopado, mas salvaguardamos a nossa caminhada sinodal que envolve a participação de outros sujeitos. Isto é, são um encontro episcopal do episcopado do regional, mas também é um momento em que as igrejas se reúnem. Segundo o regimento, somente os bispos podem votar nas questões específicas de competência do episcopado. No entanto, nosso regimento acolhe as iniciativas e articulações pastorais que não são assuntos reservados de competência exclusiva do episcopado. Então, os bispos, os cristãos leigos e leigas, presbíteros e diáconos, a vida religiosa, são presenças nessa Assembleia com o direito de participação e com o direito de voto, naquilo que diz respeito à caminhada pastoral. “Aquilo que a competência específica do Episcopado, as decisões são tomadas no que nós chamamos de reuniões reservadas, de modo que quando a gente faz esse encontro regional em setembro, nós temos tanto esse momento do Episcopado, do Conselho Episcopal Norte I, o Conselho Episcopal Regional, como também da vitalidade das igrejas locais”, explicou Dom Zenildo Lima. No caminho encontrado pelo nosso regional, salvaguardamos as duas dinâmicas, respeitamos a questão regimental e estatutária, reservamos aquilo que é específico de deliberação do episcopado para o episcopado e compartilhamos as experiências pastorais nesse caminho de sinodalidade.

Sinodalidade marca início da 53º Assembleia Regional Norte 1

A caminhada na Sinodalidade do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) ganha novo impulso com o início da 53ª Assembleia Regional. Os 97 integrantes de nossas Igrejas Locais estão reunidos no Centro de Formação Maromba, em Manaus. No período de 14 a 17 de setembro serão definidas as diretrizes regionais para a ação evangelizadora.  Durante a missa de abertura da assembleia, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, recordou que a cruz é para nós um sinal de esperança. Mesmo com nossos limites e fraquezas, somos convidados a olhar para o crucificado-ressuscitado e sermos sinais da presença amorosa de Deus. Assim, continuaremos a construção de nossas diretrizes a partir da esperança, da libertação e da salvação. Igreja dinâmica Na continuidade da programação do primeiro dia, o cardeal Leonardo Steiner, presidente do Regional Norte 1, apresentou a pauta da Assembleia. Com a aprovação, Dom José Altevir, secretário do regional e Ir. Rose Bertoldo, secretária executiva, trouxeram o relatório das atividades da presidência nos quatro anos de atuação de uma Igreja eminentemente dinâmica. O documento representa um apanhado das atividades de impacto para todo o Regional. Para complementação do material apresentado, Dom Zenildo Lima da Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, destacou dois elementos: a grande presença da vida religiosa, especialmente feminina, atuante em todo o território de nosso regional e relevância das assembleias de cada uma de nossas 9 Igrejas Locais que constroem seus planos pastorais de acordo com a indicações regionais, o que ajuda a moldar a Igreja com rosto amazônico. Dom Joaquim Hudson, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, enfatizou a incluir o percurso de “fazer memória” adotado pelo regional. Esse horizonte inclui trazer os nomes e histórias daqueles e daquelas que ajudaram a construir grande parte de história, como exemplo, o retorno à Santarém. Dom José Altevir reforçou essas iniciativas indicando que cada diocese e prelazia deve anexar esse Relatório em seus Livros Tombos e construir um histórico de todo o caminho percorrido. Comunhão Sinodal Outro ponto de vista levantado, para acréscimo no relatório, foi a importância da dinâmica regional oferecida pelo Seminário Arquidiocesano São José. Dom Evaristo Spengler, bispo da Diocese de Roraima, enfatizou que acolhida dos seminaristas de todas as Igrejas Locais garante uma formação de qualidade ao alcance de todas as Dioceses e Prelazias. Esse modelo eclesial do Regional e a comunhão entre os bispos gera muita proximidade e facilita a comunhão sinodal. De acordo com o bispo da Diocese de Parintins, Dom José Albuquerque, é fundamental apontar a maneira como os serviços, ministérios e vocações são muito valorizadas no Regional, correspondendo às Diretrizes. Ele também destacou o esforço do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) que tem se articulado nas Igrejas Locais, priorizando a formação em missão de comunhão. Essa característica de atuação dos cristãos leigos e leigas é muito significativa em nosso Regional, principalmente a atuação das mulheres. O Coordenador Conselho do Laicato, Francisco Meireles, ressaltou as mobilizações do Grito dos Excluídos e excluídas e os cursos de Fé e Política que estão acontecendo nas Igrejas Locais como fortalecimento dessa mobilização do laicato. A Ir. Sofía Quintáns Bouzada, chanceler da Diocese de Roraima, reforçou a contaste renovação do cuidado da vida como sinal de profecia que permeia as ações e intuições do Regional Norte 1. E por fim, o cardeal Steiner recordou as iniciativas do ponto vista educacional. Como o Mestrado em Direito Canônico – Região Amazônica, promovido pela Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo. O curso é uma oportunidade de formação aos estudantes para atuar em tribunais e câmaras eclesiásticas, cúrias, chancelarias e demais serviços canônicos das dioceses e prelazias da região e contribuírem para o processo de Evangelização no Regional. Além do Programa de Pós-Graduação em Teologia, fundamental para o avanço do conhecimento teológico na região

“Vida em Primeiro Lugar!”, Arquidiocese de Manaus realiza 32ª Edição do Grito Excluídos

No dia em que o Brasil celebra sua Independência a Igreja Católica no Brasil e representantes de movimentos, grupos, entidades, sindicatos e a sociedade civil se reuniram para 32ª Edição do Grito Excluídos e Excluídas. As mobilizações reforçam o tema permanente: “Vida em Primeiro Lugar!”. E o lema da trigésima segunda edição foi “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Na capital amazonense, a Arquidiocese de Manaus, por meio das suas Pastorais Sociais e Cáritas Arquidiocesana, propôs uma dinâmica de mobilização diferente das edições anteriores. As atividades aconteceram no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), das 8h às 17h. Uma experiência singular, já que muitos participantes relataram não conhecer o espaço onde são desenvolvidas pesquisas, conhecimentos e tecnologias que ajudam na tomada de decisões, e apresenta alternativas para o desenvolvimento da Amazônia. Durante a coletiva de Imprensa realizada pela manhã, Pe. Alcimar Araújo, assessor eclesiástico das pastorais sociais, destacou que o grito é uma das poucas manifestações populares que se mantém viva em Manaus. E enfatizou que embora seja organizado pela Igreja em Manaus, agrega diversos outros movimentos populares. A coordenadora das pastorais sociais da Arquidiocese de Manaus, Guadalupe Peres, destacou a presença das mulheres que impulsionam o trabalho pastoral e demonstrou preocupação com o aumento dos casos de feminicídio no Brasil e no estado do Amazonas. Além disso, a coordenadora também denunciou a precariedade do sistema de saúde do estado, uma situação que perdura há anos, mesmo com a mudança dos governantes. Programação A programação contou com uma Feira da Economia Popular com estandes regionais, artesanato, comidas e produtos da economia popular. Os movimentos, pastorais, coletivos e organizações envolvidos puderam expor suas ações e experiências. Além disso, tendas temáticas ofereceram aos participantes espaços de diálogo, reflexão e mobilização sobre temas como: Moradia e direito à cidade; Mulheres e seus direitos; Meio ambiente e defesa da Casa Comum; Lutadores e lutadoras do povo.  Pela tarde, aconteceram apresentações artísticas, momentos de imersão, expressão cultural e manifestações das lutas e resistências do nosso povo. As atividades dentro do INPA encerram com a Celebração Eucarística presidida por Dom Frei Samuel Ferreira de Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus. A reflexão enviada por Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, nos recordou que o trecho de Ezequiel (47, 9-12) “trata-se de uma profecia esperançosa e certa: Deus nunca abandona seu povo”. “Que possamos ser em Deus, na consciência ambiental de cuidadoras e cuidadores da obra da criação, rios de vida e de esperança, que com toda a força e superabundância de vida, ao chegar no mar morto (quer dizer, lá onde as estruturas de morte parecerem ter definido o fim de tudo), o milagre transformador possa se confirmar e a vida possa continuar”, escreveu Dom Joaquim Hudson. História de luta Em sua mensagem, Dom Joaquim Hudson recordou que celebramos resistência, conquistas, teimosias e esperanças. Essa história de lutas requer de nós um grito profético que reflete nossa confiança em Deus que faz nova todas as coisas. A escolha da data é contraponto ao Grito da Independência oficial, para que reflitamos nossa consciência política de luta por uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna.   “Gritamos pela Independência de um verdadeiro Brasil onde suas filhas e filhos vivam em um estado democrático, onde todas e todos tenham seus direitos constitucionais garantidos, promovidos, efetivados e assegurados, assim como garantidos os direitos da natureza – sinais concretos da justiça ecossocial, em tempos de forte apelo ambiental onde as mudanças climáticas e suas consequências já nos alertam e nos impactam”, refletiu o bispo. A proposta do Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB, cujo tema era Brasil, alternativas e protagonistas, inspirada na Campanha da Fraternidade de 1995, e lema: A fraternidade e os excluídos. O primeiro Grito foi realizado em 7 de setembro de 1995, tendo como lema “A vida em primeiro lugar”. A partir de 1996, o Grito foi assumido pela CNBB que o aprovou em sua Assembleia Geral, como parte do PRNM (Projeto Rumo ao Novo Milênio – doc. 56 nº 129). A cada ano, se efetiva como uma imensa construção coletiva, antes, durante e após o 7 de setembro. Após a missa, os participantes caminharam até a rotatória do Complexo Viário Gilberto Mestrinho (bola do Coroado), onde aconteceu o Ato Público, com manifestações e celebração da força da organização.