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Categoria: Artigos

Cardeal Steiner: Advento, tempo “para verificar o nosso desejo de Deus”

No segundo domingo do Advento, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando as palavras da pregação de João Batista no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos Céus está próximo.” Ele mostrou que “estamos no tempo de advento, em compasso de espera, estamos na expectativa. Conforme a Palavra de Deus do domingo passado, o Filho do Homem virá! Ele é o Advento. E no anúncio da vinda do Filho do Homem encontrávamos o convite: ficai preparados! O anúncio e o convite da preparação despertaram em nós o desejo de nos encontrarmos com o Filho de Maria e nos colocamos a caminho de Belém”. Memorar a primeira vida e preparar a segunda “Começamos a olhar e a celebrar, mais uma vez, a primeira vinda de Jesus. Ele nossa fonte, nossa raiz, nosso horizonte, raiz da humanidade, sentido de toda a história e de todo o universo. Ao memorarmos a primeira vinda, estamos realizando e preparando a segunda vinda de Jesus”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Segundo o cardeal, “o Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar ao regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expetativa de o encontrar”, disse inspirado as palavras de Papa Francisco. “Estamos a caminho de Belém e chegamos ao segundo domingo do Advento. E nesse nosso caminhar ao encontro do Filho de José, aquele que está por vir, no encontramos com João, o filho de Isabel e Zacarias. O encontramos ao lado do rio Jordão com suas roupas de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Ele, que se alimenta de gafanhotos e mel do campo. Nos impressiona esse homem com suas vestes e alimento rude e com seu semblante quase suave. Vemos o vir e ir de pessoas: moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de outros lugares”, disse o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1).  “As suas palavras são cheias de força e vigor”, disse citando o texto:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” O cardeal mostrou que “a sua voz penetrante como um olhar, diz da preparação, da expectativa, da esperança; o seu olhar penitente e iluminador, anunciam um novo Reino. As pessoas ao sorvem as suas palavras, confessam a fraqueza e de deixam purificar nas águas do Jordão”. Preparação e conversão Segundo o arcebispo de Manaus, “o nosso encontro com o Batista fala da preparação, conversão, indicando novos rumos, novos caminhos, novos empenhos; purificação, remissão, libertação, novo encontro.” Ele recordou que “já estamos prontos para partir quando ele olhando para nós proclama”, citando de novo as palavras do Evangelho: “Eu batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar as suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” Nesse sentido, ele enfatizou que “partimos meditando a Palavra que nas palavras, nos gestos e na figura do Batista, mais decididamente nos anima a subir até Belém”. “O caminho, no nosso caminhar, enquanto caminhantes, as suas palavras continuam a ressoar em nosso coração”, disse citando o texto bíblico:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” “Conversão porque o Reino dos céus está próximo. O Reino do céu está próximo… está se aproximando; está na proximidade. E se Ele está próximo, porque se aproximou, vivemos sempre próximos a Ele, vivemos d’Ele, nos movemos n’Ele, respiramos a Ele, nós nos direcionamos por Ele no caminho a Belém. Sim, Ele está próximo: Ele o senhor menino, Ele senhor fragilidade, Ele senhor da história humanado. Ele é o Reino que está próximo logo ali em Belém, logo aqui, em mim, Belém; logo ali no desejo de tocar a Deus não diferente de mim. Logo aqui, em mim tão diferente de mim. Esse reino, esse reinado, essa realidade, essa verdade, esse toque de proximidade”, refletiu o cardeal. Veredas que conduzem até Belém Segundo ele, “no caminhar as palavras se tornam vivas, inquietam, alegram, satisfazem, despertam e até apressam nossos passos. E nos lembramos das palavras de Isaías: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’. Sim preparai o caminho, endireitai as veredas. Os caminhos, as veredas, como as veredas do sertão, como o sertão veredas. Caminhos não trilhados, caminhos não pisados, caminhos não feitos; são os por trilhar, os por pisar, os que estão em preparação, são as veredas que nos conduzem diretamente, acertadamente, certeiramente até Belém”. “O seguidor, a seguidora de Jesus, é aquele, aquela que, ‘através da sua proximidade ao irmão, como João Batista abre caminhos no deserto, isto é, indica perspectivas de esperança até em contextos existenciais impenetráveis, marcados pela falência e pela derrota. Não nos podemos render diante das situações negativas de fechamento e rejeição; não nos devemos deixar submeter pela mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus com a sua palavra de luz, amor e consolação. É Ele! O Batista exortava com força, vigor e severidade as pessoas do seu tempo à conversão. Contudo, sabia ouvir e realizar gestos de ternura, gestos de perdão para com a multidão de homens e mulheres que iam ter com ele para confessar os próprios pecados e para receber o batismo de penitência’”, disse citando Papa Francisco. Anunciação da proximidade “Em preparando os caminhos, em buscando Belém, ouvimos a voz do profeta”, disse o cardeal, citando o texto bíblico: “A terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar” (Is 11,9). Segundo ele, “a proximidade do…
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COP 30: tomar medidas para mitigar as consequências das mudanças climáticas

A Amazônia, uma região fundamental na preservação do Planeta, se torna nos próximos dias o foco da mídia mundial. A COP 30, que será realizada em Belém do Pará, de 10 a 21 de novembro, deveria representar um avanço na toma de consciência sobre a necessidade de adotar medidas que ajudem a mitigar as consequências das mudanças climáticas. Uma urgência diante da atual realidade planetária, que provoca graves catástrofes ambientais, que aumentam cada dia. Fenómenos desconhecidos em muitas regiões do Planeta se tornaram cotidianos, ocasionando situações que geram sofrimento na população, especialmente nos mais pobres. Não podemos esquecer que o grito da Terra e o grito dos pobres é o mesmo. O negacionismo climático é uma atitude presente em algumas pessoas. Essa atitude resulta mais preocupante quando essas pessoas têm poder político, poder de decidir o futuro da humanidade. Nesse sentido, a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resulta inquietante. Na última Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na sede dessa organização em setembro de 2025, ele definiu as mudanças climáticas como a maior farsa. No mundo científico se tornou doutrina comum que as mudanças climáticas são reais e que elas são causadas pelos humanos, se agravando a cada ano. Diante disso, todos nós, mas também cada pessoa, você, eu, somos chamados a refletir e nos questionar sobre as atitudes que podemos adotar. Junto com isso, como sociedade, somos desafiados a lutar para que sejam adotadas políticas públicas que exijam a todos os países o cuidado da Casa Comum. A grande questão é se a humanidade está disposta a assumir mudanças estruturais em vista da preservação do Planeta. Em palavras de Papa Francisco em Laudato si´, se faz necessário entrar no caminho da conversão ecológica como único caminho para superar a atual crise, que provoca milhões de mortes mundo afora em consequência da degradação planetária. Que a COP seja realizada na Amazônia tem uma importância decisiva. A preservação das florestas tropicais, que tem na região amazônica seu maior expoente, é um caminho que deve ser assumido por todos os países do mundo. Se faz necessário o incremento de investimentos que ajudem na preservação, mas também é urgente a defesa dos povos originários e das populações tradicionais, verdadeiro exemplo de convivência harmoniosa com o bioma amazônico. O perigo é deixar passar mais uma oportunidade para enfrentar essa problemática. Sabemos que das decisões tomadas, mas sobretudo de sua implementação, depende o futuro do Planeta e da humanidade. Ficar olhando para o outro lado, não se comprometer com a ecologia integral, pode nos levar a um caminho sem retorno, o caminho do sofrimento e da destruição. Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Morte-vida, nossa esperança, pois na morte vislumbramos o mistério do Amor que tudo cria e recria”

Na Comemoração dos Fiéis Defuntos, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “Jesus no Evangelho nos convida a viver na prontidão, com lâmpadas acessas. Estar à espera do Senhor que está por vir: ‘vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o senhor voltar … para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.’ (Lc 12,35-36) Viver da espera do inesperado, da chegada do amado, da amada, viver da esperança, estarmos em prontidão, na atenção, pois o Senhor da vida está por chegar. Chega na vida e na morte, na morte-vida. Morte-vida, nossa esperança, pois na morte vislumbramos o mistério do Amor que tudo cria e recria; memória da vida verdadeira!” Despertos como servos que não dormem Inspirado nas palavras de Papa Francisco, ele disse que “estarmos despertos como servos que não dormem, até o Senhor chegar, pois nossa existência é laboriosa, frutuosa, fecunda, ativa, amante. Deixarmos as distrações, a desocupação, a sonolência, o torpor, e estar na atenção para acolher com gratidão e admiração cada novo dia que nos é concedido. Cada manhã é uma página branca que o cristão começa a escrever com obras de bem. Jáfomos salvos pela redenção de Jesus, mas agora estamos à espera da manifestação plena do seu senhorio: quando finalmente Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28). Nada é mais certo, na fé dos cristãos, do que este “encontro”, este encontro com o Senhor, quando Ele voltar. E quando este dia chegar, nós cristãos queremos ser como aqueles servos que passaram a noite com os rins cingidos e as lâmpadas acesas: é preciso estar prontos para a salvação que chega, prontos ao encontro. Pensastes como será aquele encontro com Jesus quando Ele vier? Mas será um abraço, uma alegria enorme, uma grande alegria! Devemos viver na expetativa deste encontro!” “Somos convidados a permanecer com as lâmpadas acessas, porque o Senhor da vida sempre está por chegar. Se não mantivermos nossas lâmpadas acessas, será apenas noite e não teremos como abrir as portas da nossa existência quando o Senhor chegar. Nessa atenção benévola e na receptividade amorável a porta permanece aberta e convidativa para que o Senhor entre permaneça conosco. E conosco, ‘Ele mesmo vai cingir-se, faze-nos sentar à mesa e, passando, nos servirá!’ No manter a luz da esperança nos damos conta que é Deus mesmo a nos servir, a cuidar e iluminar nossos dias, a vida e a morte, a morte e a vida”, refletiu o cardeal. Por que temos medo diante da morte? O presidente do Regional Norte 1 da CNBB questionou: “No dia em que fazemos memória dos nossos irmãos e irmãs falecidos também nos perguntamos: por que temos medo diante da morte?” Ele recordou as palavras de Bento XVI: “Diria que as respostas são múltiplas: temos medo diante da morte porque temos medo do nada, deste medo de partir em direção a algo que não conhecemos, que nos é desconhecido. E então existe em nós um sentido de rejeição porque não podemos aceitar que tudo aquilo de belo e de grande que foi realizado durante uma existência inteira, venha de repente apagado, caia no abismo do nada. Sobretudo, nós sentimos que o amor chama e pede eternidade e não é possível aceitar que isto venha destruído pela morte em um só momento. Ainda, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos rumo ao fim da existência, existe a percepção que exista um juízo sobre as nossas ações, sobre como conduzimos a nossa vida, sobretudo sobre estes pontos de sombra, que, com habilidade, sabemos remover e tentamos remover da nossa consciência”. “No dia de Finados, nos movimentamos entre a memória e a esperança. Enquanto caminhamos, caminhamos na esperança, pois redimidos, salvos. Seguimos o que nos ensinava o Evangelho: “vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o senhor voltar … para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater” (Lc 12,35-36). Apesar de nossos tropeços, das nossas contradições e mesmo das nossas traições, porque salvos, permanecemos no caminho, no seguimento de Jesus, na superação de nossa fraqueza. Continuamos a plantar, regar, a semear, a oferecer esperança e caridade, pois a vida é generosa, esperançada”, destacou o arcebispo. Vivemos da vida que nos adveio pela morte “A razão maior de caminharmos na esperança e com confiança é o que nos veio ensinado por São Paulo”, disse citando o texto de 1Cor 15,20-22: “Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos reviverão”. Isso porque “vivemos da vida que nos adveio pela morte. A ressurreição que é florir da morte de cruz. Cristo crucificado-ressuscitado nos dizendo: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá’ (Jo,11,25-26)”. Diante do texto bíblico, o cardeal questionou: “Como não viver de esperança? Como no dia de Finados não memorar a grandeza de que todos fomos gerados para a vida e a vida eterna?” O arcebispo fez um chamado a “fazemos memória! A memória fortalece um povo porque se sente radicado num caminho, numa história, numa comunidade, numa família. A memória faz com que compreendamos que não estamos sozinhos, somos uma comunidade que tem uma história, um passado, uma vida. Fazemos memória, rememoramos, trazemos à lembrança e nos apercebemos numa relação nova e inusitada que ultrapassa o tocado, o cheirado, o visto e nos conduz ao encontro de uma presença em outro espaço e tempo: o tempo e o espaço do amor, da esperança. A liturgia de Finados é memória das relações, despedidas, dores, solidões que nos advieram com o desaparecer de nossos olhos nossos entes queridos”. Nas nossas orações, refletiu o cardeal Steiner,…
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Mais de 120 mortos no Rio de Janeiro: outro episódio da violência incontrolada

A operação policial, o massacre, a chacina no Rio de Janeiro, como está sendo definido o acontecido na terça-feira 28 de outubro de 2025, tem que nos levar a refletir. Um número de mortos indeterminado, mas que já superou as 120 vítimas, mesmo que o governador do Rio de Janeiro só considere como tais os quatro policiais falecidos. Enfrentar as causas da violência Um sucesso que tem virado manchete na imprensa internacional e que muitos organismos tanto brasileiros como transnacionais pedem sejam apuradas as circunstâncias. Mais um episódio da violência que tem se instalado nas periferias de muitas cidades brasileiras. O grande problema é que não querem se enfrentar as causas dessa realidade. O povo das periferias sente o abandono do poder público, que aos poucos entregou o controle social ao crime organizado. Um poder alternativo que controla e determina a vida do povo e atrai de diversos modos a parte da população, sobretudo jovens e adolescentes. Soldados do tráfico que muitas vezes, como aconteceu na última terça-feira, são os primeiros a morrer. Um povo que apenas sobrevive As imagens que aparecem na mídia são estarrecedoras. A fila de corpos na rua e as sacolas pretas jogadas no chão às portas do Instituto Médico Legal da capital fluminense é uma situação que deve provocar uma reflexão. Mais do que um sucesso, o acontecido no Rio deveria ser visto como um chamado a enfrentar a violência de modo diferente. Encarar as causas dessa violência deveria ser a grande preocupação do poder público. Mas para isso se faz necessário acompanhar a vida do povo da periferia, um povo que apenas sobrevive, mas que não tem vida em plenitude. Viver sob a ameaça constante da morte já foi assumido por muitos moradores da periferia como uma possibilidade real em suas vidas. Pessoas constantemente ameaçadas, vítimas dos diversos tipos de violência instalados nesses locais. Uma realidade que determina o dia a dia da população e condiciona gravemente a convivência. Cuidar da vida Diante do acontecido as reações são diversas. Nos deparamos, especialmente nas redes sociais, com pessoas que mostram sua alegria diante da morte dessas pessoas. Diante dessa atitude somos chamados a refletir com as palavras de Papa Francisco: “Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”. A primeira obrigação de todos, especialmente do poder público, é cuidar da vida, e isso está acima de qualquer política de segurança. A dor e o sofrimento é um sentimento comum. Daí a necessidade de nos colocarmos ao lado daqueles que choram diante da morte de seus entes queridos. Sejamos construtores de paz, superemos os sentimentos de ódio, de vingança, de indiferença, que destroem o tecido social. É tempo de parar e pensar, de encontrar caminhos que ajudem a superar a violência e gerar uma sociedade onde os direitos humanos sejam respeitados por todos e para todos. Editorial Rádio Rio Mar

Das crianças e adolescentes cuidar juntos é o caminho

A violência contra as crianças e adolescentes é um crime presente no Brasil, que demanda a colaboração de todos para ser erradicado. Um passo a mais, que mostra que cuidar juntos das crianças e dos adolescentes é o caminho, foi dado nesta semana em Manaus com a inauguração do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente (CIACA), um dos nove centros especializados existentes no Brasil. Um acompanhamento mais eficiente e mais humanizado Um espaço para centralizar o acolhimento das crianças e adolescentes vítimas da violência, que é fruto da luta de mais de dez anos e que desde o início contou com o envolvimento da Igreja católica. Se busca que as crianças tenham um acompanhamento mais eficiente e mais humanizado. Isso se tornou realidade com o apoio do Ministério Público do Trabalho, que financiou o investimento. Diante desse crime todos devemos tomar consciência e fazer o que estiver em nossa mão para erradicá-lo. Defender a vida em plenitude, especialmente das crianças e adolescentes, é uma exigência para todo ser humano. Ninguém pode ficar de fora, pois o envolvimento de todos faz a diferença e ajuda as vítimas a superar os traumas que carregam em consequências dos abusos sofridos. Políticas públicas que cuidem das crianças e dos adolescentes O poder público tem a exigência de se comprometer com políticas públicas que cuidem das crianças e dos adolescentes, providenciando os instrumentos que façam possível a implementação dessas políticas públicas. Junto com isso a denúncia tem que ser assumida como um costume que ajude a erradicar esse crime. A defesa das vítimas tem que ser sempre o caminho a seguir. A falta de cuidado das crianças e dos adolescentes condiciona gravemente a vida social. Uma sociedade que não cuida dos vulneráveis deve se questionar sobre seu comportamento. Um olhar atento para com as vítimas da violência, especialmente quando a curta idade dificulta a autoproteção, tem que ser assumido como atitude presente em cada coletivo social e em cada indivíduo. Desafiados a entrar nesse caminho Quando as pessoas olham para o outro lado, quando ignoramos o sofrimento das vítimas nos tornamos cumplices. O cuidado tem que ser uma atitude comum e constante. Só assim os crimes são resolvidos e superados. Só assim as vítimas recuperam sua vida em plenitude. Daí a importância de espaços como o Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente para entender e assumir que das crianças e adolescentes cuidar juntos é o caminho. Todos nós, eu e você, somos desafiados em cada momento a entrar nesse caminho, a assumir essa luta. A sociedade vai ganhar com isso, mas especialmente as vítimas, as crianças e os adolescentes, vão se sentir protegidos. Que possam contar com a gente é uma necessidade. Ninguém está dispensado desse compromisso de cuidado comum. Será que podem contar comigo? Será que podem contar contigo? Editorial Rádio Rio Mar

Leão XIV e Lula: os pobres no centro

Segunda-feira, 13 de outubro de 2025, o Papa Leão XIV recebeu em audiência privada Lula, o presidente do Brasil. Podemos dizer que tanto o pontífice como o presidente brasileiro colocam os pobres no centro. Robert Prevost, o agostiniano nascido nos Estados Unidos, escolheu viver como religioso no Peru, no meio dos pobres, e Luiz Inácio Lula da Silva, que experimentou a pobreza em sua infância, assumiu desde seu primeiro mandato a defesa e promoção dos pobres. O amor aos pobres Leão XIV publicou na semana passada sua primeira exortação apostólica, “Dilexi te” (Eu te amei), que pode ser vista como um chamado a viver o Evangelho a partir dos pobres e nos faz a proposta de refletir sobre o amor aos pobres. Na mesma linha, Lula disse depois do encontro com o Santo Padre que “não podemos separar a fé do amor aos pobres”. Durante o encontro o presidente brasileiro manifestou ao Papa a necessidade de “criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade”, fazendo um chamado a ler o documento pontifício e colocá-lo em prática por parte de todos. Nesse sentido, as políticas promovidas pelo governo Lula têm feito com que o Brasil saísse do Mapa da Fome, um grande desafio em um país onde a desigualdade social tem acompanhado a história do país, atingindo especialmente as mulheres, os afrodescendentes, os povos indígenas, os moradores das favelas e do Nordeste e o Norte do país. Transformar estruturas Diante da pobreza somos chamados a superar os preconceitos e a ideia de meritocracia, segundo nos mostra o texto pontifício. Um texto que nos faz entender que somos desafiados como humanidade e como cristãos a transformar as estruturas que geram pobreza, que excluem uma boa parte da humanidade, que é descartada por grupos de poder político e económico. A pobreza é bem mais do que uma ideia, ela tem rosto e nos mostra que o mundo tem perdido a alma na medida em que deixou tomar conta da vida da humanidade a uma economia que mata. Combater a pobreza não é uma ideologia, é uma questão de justiça, é uma atitude necessária naqueles que dizemos ter fé, naqueles que temos o Evangelho como norma de vida. Os cristãos acreditamos em um Deus que não é alheio ao que acontece no mundo, ao sofrimento dos descartados. Os pobres, lugar privilegiado de encontro com Cristo O cristão é obrigado a entender que os pobres são “o lugar privilegiado no encontro com Cristo”. Isso faz com que não possamos ficar indiferentes diante das vítimas da pobreza, mas também é um chamado a assumir a simplicidade evangélica como modo de vida. Uma atitude que nos identifica com Jesus, aquele que quebrou o esquema social estabelecido, que mostrou a compaixão como atitude básica na vida de todos aqueles que acreditam em Deus. Independentemente das motivações que cada um de nós tem o grande desafio é enxergar a presença de Cristo nos pobres e viver o Evangelho não só com palavras, mas também com obras, com atitudes. Isso porque a fé cristã não pode ser separada do amor concreto, da justiça social e da transformação das estruturas que geram miséria e exclusão. Editorial Rádio Rio Mar

Dia das Crianças: o melhor presente é garantir seus direitos

O Dia das Crianças, que no Brasil é comemorado no dia 12 de outubro, deveria nos levar a refletir sobre sua realidade no país e no mundo. Diante de uma data marcada pelos presentes, somos chamados a nos perguntarmos sobre os desafios que as crianças enfrentam e sobre o que dar para elas em vista de um futuro melhor. O amanhã das crianças Não podemos esquecer que nas crianças está o futuro da humanidade, mas a realidade atual tem que nos levar a nos questionarmos como será o amanhã. Uma reflexão que tem que abordar questões relacionadas com as mudanças climáticas e o futuro do Planeta, com a Inteligência Artificial e sua influência na vida cotidiana, na vida laboral, com a proteção das crianças diante de todo tipo de abuso e exploração, com o sistema educativo e a formação do conhecimento e da personalidade, com a violência e as guerras, que atingem a vida de muitas crianças. Uma reflexão que tem que estar presente nos diversos âmbitos, na família, na escola, nas igrejas. Na família a criança vai fraguando sua personalidade, assumindo valores e modos de entender a vida que irão determinar sua existência. Uma tarefa que pode ser complementada na escola, nas igrejas, mas que nunca irão substituir o papel fundamental da família. Direitos da criança e do adolescente Os direitos básicos de uma criança e de um adolescente incluem o direito à vida, direito à saúde, direito à educação e cultura, direito ao lazer, direito à liberdade de se expressar, direito à dignidade e ao respeito, direito à convivência familiar e comunitária, direito à proteção e direito a ter preparo para o trabalho, desde que protegido de exploração, abusos e violência. Direitos que no Brasil estão garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. A questão é se de fato esses direitos são respeitados na sociedade brasileira. A realidade nos diz que existem crianças no Brasil que não têm garantidos esses direitos. Diante disso, qual é nossa reação? Até que ponto nos envolvemos para que toda criança, todo adolescente, tenha garantidos seus direitos? Como a gente reage quando sabe que existem crianças e adolescentes que não têm seus direitos respeitados? Garantir os direitos O melhor presente que a sociedade pode dar, mas também cada um e cada uma de nós podemos dar para as crianças e adolescentes é aquele que leve a avançar na garantia desses direitos para todos. Tudo o que acontece na vida da criança que não tem garantidos seus direitos fica no segundo plano, pois está ficando como algo secundário o que de fato é fundamental. Que o Dia das Crianças seja uma oportunidade para mostrar como sociedade a preocupação por elas. Que ninguém se conforme com dar só presentes, com buscar uma felicidade externa nas crianças. O que vai fazer com que elas possam crescer em harmonia e se tornarem adultos construtores de uma sociedade melhor é a garantia de seus direitos, e para isso precisam da ajuda de cada um e cada um de nós. Vamos lhes dar esse presente, o melhor presente. Editorial Rádio Rio Mar

A missão é fundamento da Igreja, enriquece a vida de cada batizado

A missão é fundamento da Igreja, um chamado inadiável que recebemos todos os batizados e batizadas. Iniciamos o Mês Missionário, que em 2025 tem como tema “Missionários da Esperança entre os Povos”, e como lema o mesmo que nos acompanha ao longo do Ano Jubilar 2025: “A esperança não decepciona”, citando o versículo 5 do capítulo 5 da Carta aos Romanos. Testemunhas de Deus na vida dos outros Quando a gente deixa de lado a missão, como batizados e batizadas e como comunidade eclesial, nos afastamos da razão de nossa vida de fé. Ninguém pode esquecer que somos desafiados a sermos testemunhas de Deus na vida dos outros. Mas também a reconhecer a presença de Deus nas pessoas e em tudo o que acontece, em tudo o que temos em volta de nós. É N´Ele que está a Esperança que não decepciona, daí o desafio de reconhecê-lo e testemunhá-lo. Fazer missão não pode ser entendido como proselitismo e sim como testemunho de vida. As pessoas vão se encantando com Deus, vão se tornando discípulos e discípulas, na medida em que descobrem N´Ele, a partir do testemunho missionário dos irmãos e irmãs, a Esperança que não decepciona. A conquista de novos membros para a Igreja não é consequência de uma batalha, não é furto de uma imposição. As pessoas respondem ao chamado do Deus que se comunica nas coisas pequenas, na leve brisa, na pequenez da cotidianidade. Ele está conosco, e em nós se apresenta na vida de cada pessoa, que é livre para responder à proposta de vida que Ele faz a cada um através de seu chamado a segui-lo. A missão nos enriquece A missão entre os povos enriquece a vida de cada batizado. Na missão a gente vai se enriquecendo, no convívio, no testemunho de fé, a gente vai aprendendo diversos modos de se relacionar com Deus. Ele nos revela seu rosto, encarnado em pessoas concretas, nos mostra que com Ele nossa vida encontra sentido e pode ser vivida com esperança, com alegria, com sentido. O Documento Final do Sínodo para a Amazônia nos desafia a ser uma Igreja de presença. Podemos dizer que a missão tem mais sentido quando ela nos ajuda a ser presença na vida do povo, quando nos leva a partilhar o cotidiano das pessoas. Missão é bem mais do que celebrar, ela tem que nos levar a dividir o caminho do Evangelho, encarnado em tantas pessoas e situações, encarnado no chão e nas águas da Amazônia. Acompanhar a vida de todas as pessoas Acompanhar a vida de todas as pessoas, mas especialmente a vida daqueles que por diversos motivos perderam a esperança, é sempre um desafio a ser enfrentado por aqueles que assumem o chamado a serem missionários da Esperança entre os povos. Nesse caminhar junto, a gente recebe tanto quanto dá, inclusive bem mais do que dá. Na partilha da experiência de fé com o povo, o missionário carrega as baterias para continuar levando o Evangelho entre os povos. A exemplo de Paulo, aquele que na primeira Igreja, em circunstâncias difíceis, levou a Esperança para as pequenas comunidades que se iniciavam no caminho do cristianismo, na trilha do discipulado, somos chamados por Deus a continuar essa tarefa, a levar adiante essa mesma missão. Sem medo a enfrentar os empecilhos, com a coragem que nasce do fato de caminhar em companhia de Jesus, avancemos ao encontro dos outros e levemos o fundamento de nossa vida pessoal e comunitária: a Boa Notícia do Evangelho. Editorial Rádio Rio Mar

Dom Adolfo Zon: No Mês Missionário “reafirmar o compromisso com a missão”

No início do Mês Missionário, o bispo da diocese de Alto Solimões e vice-presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), dom Adolfo Zon, escreveu uma mensagem onde lembra que “somos chamados a vivenciar o mês missionário sob o belo e profundo tema: ‘Missionários da Esperança entre os Povos’, inspirado pelo lema: ‘A esperança não decepciona’ (Rm 5,5)”. Segundo o bispo, “em tempos marcados por incertezas, desigualdades e tantos desafios humanos e espirituais, a Igreja nos convida a ser sinal vivo da esperança que vem de Deus, uma esperança que não se baseia em promessas vazias, mas no amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” Dom Adolfo Zon faz um triplo chamado: reafirmar o compromisso com a missão; ser esperança viva nas comunidades; caminhar juntos, com espírito sinodal, explicitando os passos a serem dados. Ele mostra o desejo do Mês Missionário ajudar a “redescobrir a beleza da missão, reacendendo em nós o ardor pelo anúncio do Reino”, e junto com isso promover nas paróquias e comunidades “momentos de oração, formação missionária, gestos concretos de solidariedade e evangelização nas casas, nas ruas, nas escolas, com especial atenção aos mais necessitados”.

MUTICOM 2025: A Ecologia Integral deve nos levar a mudar nosso estilo de vida

10 anos depois da Laudato Si´, a encíclica que popularizou o termo “ecologia integral”, ainda estamos diante de um conceito pouco compreendido pela grande maioria das pessoas. Daí a importância do capítulo IV da primeira encíclica de Papa Francisco, onde ele aborda os diversos elementos que fazem parte dela. O decorrer da história nos mostra a importância desse conceito e nos leva a aprofundar nas palavras do número 225 da Laudato Si´: “Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença ‘não precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada’”. Nessa perspectiva, o 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação, o MUTICOM, que inicia hoje, 25 de setembro de 2025, em Manaus, é mais uma oportunidade para refletir sobre essa temática, superando preconceitos mal-intencionados ou alimentados por interesses políticos ou econômicos, que levam a negar as consequências das mudanças climáticas. Uma atitude que mais uma vez mostrou nesta semana, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O evento, que acontece em Manaus de 25 a 28 de setembro, tem como tema: “Comunicação e Ecologia Integral: Transformação e Sustentabilidade Justa”. Uma oportunidade para entender a necessidade de comunicar sobre essa temática, em vista de ajudar o povo a descobrir a necessidade de recuperar essa harmonia com a Criação, que nos chama a Laudato Si´. Uma reflexão que cobra especial importância na Amazônia, ainda mais a menos de dois meses da COP30, que será realizada em Belém do Pará em novembro. Ambos os eventos, mesmo em escalas diferentes, deveriam desencadear processos de reflexão em vista de mudanças inadiáveis, que levem a humanidade a aprender com os povos da Amazônia, especialmente com os povos originários, a importância da ecologia integral como norma de comportamento e de relações com a natureza e com as pessoas. Laudato Si´ afirma no número 156 que “a ecologia integral é inseparável da noção de bem comum”. Podemos dizer que o bem comum, ainda mais o bem viver, é um conceito chave nas cosmovisões e nos modos de vida dos povos originários da Amazônia e de outras regiões do Planeta. Quando nosso comportamento ético está orientado em vista do bem comum avançamos em humanidade, pois superarmos o individualismo que destrói toda tentativa de avanço nesse sentido. Conhecer que a ecologia integral é um modo de vida assumido em algumas comunidades da Amazônia em vista de uma sustentabilidade justa é uma oportunidade para testemunhar que essa dinâmica é possível assumi-la. Na mente das pessoas, as coisas existem quando são conhecidas, quando são comunicadas. É missão dos comunicadores católicos mostrar que a harmonia com a criação é um desafio a ser assumido por aqueles que acreditam no Deus Criador. Editorial Rádio Rio Mar