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Categoria: Palavra do Presidente

Steiner para o 3º Domingo da Quaresma: saciemo-nos dos dons da redenção

“Em nossa caminhada, na busca da água que eleva para a vida eterna, bebamos, saciemo-nos dos dons da nossa redenção”. Foi o convite feito pelo cardeal Leonardo Steiner para o 3º Domingo da Quaresma (8). A liturgia do dia apresenta a cena do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, onde Jesus diz à Samaritana: Dá-me de beber!. A celebração aconteceu às 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. “Lá estava Jesus sentado junto ao poço de Jacó à espera de que alguém viesse e lhe desse de beber. Depois de longa caminhada, cansado da viagem, enquanto os discípulos vão em busca de alimento, Jesus está à espera de alguém que lhe mate a sede. Ele ali sentado, só, ao lado do poço, com sede, à espera de alguém que tire água e lhe dê de beber. E somente por volta do meio-dia uma samaritana se aproxima”, explicou o cardeal.  O desconhecido O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), reforçou a narrativa da aproximação da mulher “à busca de água”. Ela, mulher samaritana, é surpreendida pelo homem judeu “ali sentado a dirigir-lhe a palavra: Dá-me de beber”. Ele destaca que a visão dela se limitou a vê-lo como “o não do meu povo, aquele que adora em Jerusalém. Ele homem, ele desconhecido, ele quase atrevido, falando, mendigando água”. “Ela viu o judeu, o homem, o estrangeiro, o atrevido; não vira nele o seu Senhor e Deus. Ela não via, não sabia, não percebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia. Pedia água. “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: Dá-me de beber, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. Não sabia e não via e não se apercebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia para saciar a sua sede. Pedia água, para oferecer-lhe a água viva que jorra para a eternidade”, destacou. Tocar a alma No encontro, Jesus “sentado à beira do poço” parecia “apenas um pedinte” e, ao mesmo tempo, oferece “uma fonte de água que jorra para vida eterna”. A samaritana, movida pela dúvida, não consegue perceber “a força e a graça daquele que lhe pede água”. E para que ela acordasse, disse o cardeal, “Jesus toca no desejo de sua alma, na sua intimidade, nos seus amores. Disse-lhe Jesus:“vai chamar o teu marido e volta aqui. A mulher respondeu: eu não tenho marido. Jesus disse: Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos e o que tens agora não é o teu marido”. “Ela era uma mulher quase solitária. Ela tinha um homem, mas não tinha marido. Perdera cinco e não tinha nenhum. Talvez, perdida em si mesma, mas sedenta, pois busca água, talvez a razão da vida. Ela mulher, mas não esposa, mas buscadora. Ela aquela que não se deixa amar e não consegue amar. Ela aquela que vem à fonte na busca de água. Ela a sedenta, necessitada, ela que agora é buscada”, enfatizou o cardeal. Terás a quem amar A samaritana não notara que “o seu Senhor e Deus estava à sua espera” e que ao pedir “dá-me de beber”, pedia “para “ser por ela amado”. O arcebispo enfatizou que ao perceber que aquele judeu era “fonte de água viva que jorra para a vida eterna”, ela encontra “um marido, isto é, a quem amar” porque Ele a ama. E transbordando diz “acho que Ele é o Cristo, o Deus. Sai a anunciar que encontrou o Messias”. “E nós nesse tempo da quaresma desejosos e desejosas de sermos visitados pelo nosso Senhor e Deus” frisou o cardeal, o vemos “sentado à beira do poço de nossa existência, a nossa espera”. Ele diante nós “tão perto, tão desejo de nós, dando a vida por nós, nos oferecendo a água que jorra do peito aberto, salva e redime”. “O convite de Jesus é para que “estabeleçamos uma relação amorosa, íntima, mais intensa e mais vigorosa que o amor entre o homem e a mulher. Ele aqui na força da palavra, na força do pão. “Como a samaritana anunciando, saltitando, proclamando: o Filho de Deus, o Cristo está aqui e me pede água. Deus aqui pedindo água, Deus aqui pedindo cuidado. É por isso que nós faremos de tudo para armar nossas realidades e estabelecermos relações em que podemos servir a água da vida e fazer as existências destruídas pela violência. Aproximemo-nos do poço da água da eternidade. Aceitemos o convite que ele nos faz: dá-me de beber. Deixemos que transforme a nossa, recupera nossa interioridade e nos ajude a sair de nós mesmo e o anunciemos. Ele o nosso salvador e redentor”. Quaresma: sair ao encontro de Jesus O arcebispo destacou que o tempo da Quaresma é tempo “de sair e encontrar Jesus” e deixar-se encontrar por ele, como a mulher samaritana. Esse percurso quaresmal conduz “a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte”. Ele também pontuou o incessante convite à conversão, “o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Joel 2,12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”. Ele também expressou que este é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. E, nas palavras de Papa Francisco, nos recordou que “na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo”. Degustar as águas da salvação O jejum nos ajuda a degustar melhor as águas da salvação, observou o cardeal. Ele pediu as palavras de Papa Leão quanto ao jejum não sejam esquecidas durante esse período: “abster-se de palavras que atingem e ferem o nosso próximo”. O cardeal indica que o ponto de partida seja “desarmar a linguagem, renunciando às palavras…
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Steiner para 1º Domingo da Quaresma: Purificar a experiência da fé

“A tentação pode ser a purificação da experiência da fé acontecendo em nossa limitação. Ao mesmo tempo, é a experiência de, na limitação, nos abrirmos para a graça da vida nova oferecida por Jesus e que o Evangelho sempre nos aponta: a liberdade, o amor do Pai”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner para o 1º Domingo da Quaresma. A celebração aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30 da manhã. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispo do Brasil (CNBB Norte 1), explicou em sua homilia que o Evangelho desse domingo nos ensina que Jesus é conduzindo pelo Espírito ao deserto e “jejua quarenta dias”. O desejo do Espírito, é “prepará-lo para iniciar a missão de anunciador do Reino dos céus”. No deserto, Jesus é tentado pelo diabo, e depois dos “quarenta dias e quarenta noites” de jejum “teve fome”. A experiência da fé na condição humana Em sua reflexão, o cardeal Steiner apontou que “a tentação é a experiência da fé em nossa condição humana, na nossa situação finita, da finitude”. Para ele, essa “experiência da realidade humana”, “confrontada com a decisão da busca da vida eterna”, é “onde podemos nos deixar iluminar pela verdade do Evangelho, pela vida morte e ressurreição de Jesus”. O arcebispo enfatizou que o texto proclamado “nos fala da tentação como experiência da transparência de Jesus na relação com o Pai”. Na narrativa do Evangelho, Jesus é confrontado com três tentações. “Com a fome, com o poder e com o abandono de Deus. A tentação da fome de transformar a pedra em pão; a tentação do domínio de assumir o poder dos reinos; a tentação de não ser abandonado por Deus, sendo servido e acolhido pelos próprios anjos”. Transparência de Deus Segundo o cardeal Steiner, os 40 dias de jejum de Jesus no deserto nos ensinam que “somos sempre de novo confrontados com o que deveríamos ser: transparência de Deus”. Ele recordou que nas tentações Jesus “é asto, continente, transparência de Deus”. E que em cada uma das tentações, “Jesus vai aclarando o sentido de todas as coisas e de si mesmo com a Palavra de Deus”. “A cada tentação Jesus deixa mais evidente a sua pertença ao Pai; em cada tentação Jesus se torna mais límpido e transparente na sua relação com o Pai. Assim, Jesus sai das tentações do deserto mais forte, mais lúcido, pronto para iniciar o Reino de Deus, a Vida Nova. O Filho do Pai não é tentado pelo Pai, não tenta o Pai, mas é tentado por aquele que divide: diabo. É tentado e na tentação se reencontra como Filho no Pai”, explicou. Confronto e decisão: caminho do seguimento de Jesus Quotidianamente somos colocados diante “de tentação ou expressões de tentação”. O arcebispo explicou que essas experiências da tentação levam ao confronto e à decisão. Em suas palavras, exemplificou “O doce enfeitado que enche os olhos desperta o desejo de experimentar. A poça de água atrai a criança e suscita o impulso de tocar e ser tocada pela água. A beleza e a simpatia do homem e da mulher podem suscitar desejos”. O cardeal destacou que a “tentação pode levar ao pecado, mas não é pecado”, e que Jesus é “a medida grandiosa” da capacidade de ultrapassá-la a partir de Deus. Ele citou Santo Agostinho, que diz “que a tentação pode nos fortificar no caminho do seguimento de Jesus”. Isto é, sublinhou o arcebispo, “essa é a experiência da tentação apresentada no Evangelho de hoje: à luz da Palavra de Deus, sermos fiéis no seguimento de Jesus”. “Na aridez, no confronto com a nossa temporalidade, no deserto, nos 40 dias de nossa vida, não estamos sempre na tentação do fechamento e do enclausuramento em nossa realidade e na tentação contínua de querermos ultrapassar, transcender a nós mesmos as nossas dificuldades e tensões? Não estamos na tentação de fugir do deserto, isto é, do confronto com nossa realidade nua e crua, dura, ofegante, pesada e tentarmos, num passe de mágica, querer ultrapassar, ir para além, a partir de nós e não enfrentarmos na raiz as limitações?”, questionou o arcebispo. Optar pela vida amorosa com o Pai Neste início da Quaresma, o presidente explicou que a palavra de Deus indica o caminho da tentação “como a experiência da nitidez de sermos filhas e filhos do Pai Celeste”. Essa tentação, vivenciada “com nossa realidade desértica, e no jejum, na oração, na esmola”, não seria a possibilidade de “abrir toda a nossa pessoa à verdade do Pai?”, questionou. Ou ainda a experiência “de aprofundar nossa relação com o Pai e sermos conduzidos pelo Espírito?”. “E como Jesus no deserto, tentado por 40 dias, se aproxima limpidamente do Pai, não seria a tentação no deserto de nosso peregrinar, nos 40 dias de nosso tempo, a nossa possibilidade de entramos com maior nitidez, guiados pelo Espírito, no mistério da dor, da cruz, da morte de Jesus e nossa?” Para o cardeal, o tempo da Quaresma possibilita a percepção, na experiência concreta do Evangelho, da “beleza e a razão da nossa vida cristã”. E que na tentação, guiados pelo Espírito à luz da Palavra de Deus, abrir e limpar os olhos para “vermos melhor as coisas do alto”. Assim, “a tentação nos aponta para a grandeza da nossa fé cristã que não foge e despreza a tentação, mas em cada tentação elucida e opta pela grandeza sem igual da vida amorosa com o Pai”.  “Então para os seguidores e seguidoras de Jesus a tentação é a possibilidade, sempre renovada, de confronto, deixarmo-nos guiar pelo Espírito. Tentação é fazer a experiência de quem apreendeu a amar como Jesus ama e é amado pelo Pai. Por isso, rezamos em cada Pai nosso: não nos deixeis cair da tentação”, destacou o cardeal. Sondar o mistério de Deus O arcebispo recordou as cinzas recebidas na Quarta-Feira de Cinzas marcam o início do caminho quaresmal. Ao recebê-las, assumimos o compromisso de “sondar com mais disposição e alegria a nossa…
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Steiner: Quaresma é tempo de perceber a beleza da Salvação

“Somos convidados nesta quaresma a nos voltarmos para Deus, a nos voltarmos a Jesus e percebermos a graça, a beleza de termos sido salvos, redimidos na sua Cruz e Ressurreição”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner na Missa da Quarta-feira de Cinzas (18), realizada na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração marca o início do período quaresmal, tempo em que a Igreja nos convida para prepararmos a Páscoa do Senhor. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), enfatizou a característica do tempo quaresmal como tempo favorável de mudança. Nesse tempo de mudança, “somos desalojados de nós mesmos”, impelidos a sair de nós mesmo e ir ao encontro com nossos familiares. A celebração foi concelebrada por Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar de Manaus, Pe. Flávio Gomes, pároco da catedral, e Pe. Marcos Aurélio, vigário da catedral. Tempo favorável para voltarmos A liturgia da Quarta-feira de Cinzas pede que o caminho para a presença de Deus seja retomado. Segundo o arcebispo, o “voltai-vos”, presente na primeira leitura, é a expressão de “um convite belíssimo, um convite adorativo” para perceber essa presença. Nesse sentido, o texto da segunda leitura aponta o “tempo propício da quaresma” como “tempo de nos apercebermos cada vez mais amados na cruz”. Essa percepção do amor de Deus por nós, impulsiona-nos a “sempre distribuirmos, darmos, doarmos o que recebemos de mais precioso, o dom de podermos amar”. “De sermos cada vez mais em Jesus, filhos e filhas de Deus, de nos apercebermos cada vez mais irmãos e irmãs. É o tempo favorável de fazermos um caminho de aprofundamento da fé, de percebermos que como seguidoras e seguidores de Jesus, são sempre atraídos pelo seu amor. Mas um amor que se distribui, um amor que vai ao encontro dos irmãos, das irmãs. O encontro que vai especialmente ao encontro dos mais necessitados”, explicou o cardeal. Redimidos e salvos O arcebispo destacou que durante todo o percurso de 40 dias da Quaresma as leituras da Palavra mostraram que “fomos redimidos e salvos”. Essa compreensão se revela pelo modo de ser e agir de Jesus: “sua palavra, a sua vida, os seus milagres, os seus gestos, os seus olhares, os seus toques”. Esse horizonte do “dia da Salvação”, redime, salva, restaura, recoloca a pessoa na vida. “Mas no alto da Cruz, queridos irmãos e irmãs, é que realmente mostrou quanto nos ama e quanto nos quer salvos e redimidos. Viemos do ano da esperança. Viemos do ano da redenção, que esse tempo favorável, esse dia da salvação, nos traga realmente essa percepção de termos sido redimidos e salvos. E redimidos e salvos significa de nos sentirmos profundamente amados, amadas por Deus”. Receptividade, gratuidade e familiaridade O texto do Evangelho recorda os três exercícios quaresmais pelos quais a Igreja caminha.  O arcebispo explica que jejuar, dar esmola e rezar não são uma troca, mas um acolhimento de “uma graça que Deus despertou em nós”. Compreender essas três dimensões, nos coloca “abertos ao mistério da Salvação”, e “o teu Pai que vê o que está em segredo, te recompensará”. Ao jejuar, dar esmola e rezar estabelecemos uma relação com Deus e com os irmãos e irmãs que necessitam. Esse horizonte nos torna receptivos à graça de Deus, revela a gratuidade de nossas ações e aprofunda a nossa familiaridade com Deus.  Por isso a Igreja insiste que sejam aprofundados e vividos durante o percurso quaresmal. “Que esse tempo favorável, que esse dia da salvação, o tempo da quaresma, nos leve cada vez mais ao encontro de Deus e apreciemos cada vez mais a beleza, o dom da fé que nós recebemos, porque Deus nos quer todos juntos de si, por isso nos salvou, nos redimiu”, finalizou o cardeal.

Steiner: a cordialidade liberta da indiferença

“A cordialidade, queridos irmãos e irmãs, nos ajuda a libertar de sentimentos de indiferença e rejeição, pois opõe diretamente a nossa tendência a dominar, a manipular, a fazer o outro sofrer”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner na reflexão do 6º Domingo do Tempo Comum. A celebração aconteceu às 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus, Centro. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) iniciou sua homilia recordando que o Evangelho proclamado é uma continuação da meditação das bem-aventuranças. Essa continuação do texto, ajuda a compreender a dinâmica do seguimento a Jesus pautada sob o olhar da cordialidade. Ver a realidade que nos cerca No Evangelho, Jesus diz aos discípulos que para entrar no Reino dos Céus é necessário superar a justiça praticada pelos mestres da lei e fariseus. Essa superação só é possível quando se compreende a importância do “ver” com os olhos a realidade que nos cerca. Uma compreensão que, segundo o arcebispo, é aprofundada ao nos darmos conta que o ver existe também nos que “não têm olhos, que não têm a visão dos olhos”. O cardeal exemplificou, com cenas do quotidiano, inúmeras situações em que nos nossos olhos veem aquilo que Deus nos deu para ver. Como “é de encher os olhos quando contemplamos a beleza dos nossos rios, quando vemos a beleza das nossas florestas, quando vemos um vale florido”. Ele aponta que essa contemplação passa pelos “pequenos gestos, as pequenas mudanças, os mínimos acenos de ternura e de aconchego”, mas que “no andar da vida nossos olhos enxergam, mas muitas vezes não veem”. “Entramos nas nossas casas e não vemos que ela acabou de ser arrumada e limpa e entramos de qualquer jeito dentro da nossa casa. Vestimos as nossas roupas e não nos apercebemos como elas estão bem passadas, cuidadas. Passamos e não vemos, por exemplo, que cresceram nossos filhos. E cresceram em idade, sabedoria e graça. E às vezes os tratamos e deles cuidamos como sendo apenas crianças pequenas. Discutimos, brigamos e não vemos mais a grandeza do amor que nos alimenta e que é capaz de ter criatividade com as nossas diferenças”, explicou Steiner. Olhar que nos salva Segundo o arcebispo, o Evangelho desse domingo traz o convite de Jesus de arrancarmos o olho doente “para podermos assim perceber e nos darmos conta da preciosidade da vida que recebemos”. Isto porque, às vezes, estamos “na iminência de perder a sensibilidade do olhar dos pequenos, dos simples, dos humildes, dos amados de Deus, dos prediletos de Deus, dos filhos e filhas de Deus”. Por isso, o olhar não pode limitar-se ao que está posto como “coisas”, mas ser capaz de ver com “Olhos que enxergam a pobreza, a degradação humana, perambulando pelas nossas cidades. Olhos atentos para a injustiça, para a poluição, mas sempre capazes de buscar e oferecer soluções. Vivemos, queridos irmãos e irmãs, então, numa espécie de dualidade. Uma dualidade no ver, no olhar. Então é preciso arrancar o olho distraído, o olho traído, o olho traiçoeiro, pois somente o olho da vida é que conduz ao Reino de Deus e não desejamos perder o Reino de Deus”, sublinhou o cardeal. Ele pontuou que o olhar a ser cultivado é o de Deus, apresentado na Sagrada Escritura, onde “viu que tudo era bom”. E mesmo que os olhares estejam “dispersos e desatentos nessa multiplicidade de ver” é possível retomar o olhar que “salva, redime, conforta, cordializa”. Para isso, é necessário limpar o olho e devolver o olhar digno, o olhar da beleza, o olhar da fraternidade, o olhar do perdão. “Este olhar da bondade, isto é, o olhar de Deus. Esse olhar que se recolhe, esse olhar que é capaz de contemplar, esse olhar que se deixa invadir pela grandeza das criaturas, é aquele que nos salva. Olhar da benevolência, olhar do perdão, olhar que sempre descobre, até na miséria humana, a grandeza, a fraqueza de Deus, Jesus crucificado. O olhar que de Deus provém é pleno de positividade, queridos irmãos e irmãs. É cheio de jovialidade. É um olhar de cordialidade”, explicou o arcebispo. Redimidos pelo amor Ao citar o trecho bíblico do mandamento de “não matarás”, o presidente aprofunda a compreensão de que “amar o próximo exige fazer-lhe o bem”. Isto é “aceitar e valorizar o que há de amável nele”. De modo que a caridade cristã propõe “adotar uma atitude cordial de simpatia, solicitude e afeto, superando posturas de antipatia, de indiferença, de rejeição e, por que não dizer, de cólera”. “Esse modo vem condicionado pela sensibilidade, pela riqueza afetiva, pela capacidade de comunicação, de relação com todas as pessoas. O amor, essa relação que promove a cordialidade, o afeto sincero, a amizade entre as pessoas, o amor que redime. Essa cordialidade, que não é mera cortesia externa exigida por uma boa educação, nem simpatia espontânea que nasce no contato com as pessoas agradáveis, mas atitude sincera e purificadora de quem se deixa vivificar e transformar pelo amor. Amai-vos como eu vos amei”, reforçou. Permanecer na cordialidade O arcebispo de Manaus insistiu que a dimensão da cordialidade ajuda a suavizar “as tensões e conflitos, aproxima, fortalece e nos dá posturas de amizade e de um amor sincero”. Ele destacou que embora a cordialidade não  tenha recebido a devida importância na vida cristã, ela deve ser cultivada nas famílias, no trabalho e nas relações sociais.  Isto porque a comunicação do afeto “de maneira sadia e generosa criam em torno de si um mundo mais humano, mais habitável, mais confortável, mais harmônico”. “Jesus insiste em desenvolvermos a cordialidade não só diante do amigo ou da pessoa agradável, mas também diante de quem nos rejeita. Basta lembrar as suas palavras que revelam este modo de ser. Não saudeis só os vossos irmãos, se saudais somente vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?”, refletiu o cardeal. O caminho quaresmal na amabilidade Ao final de sua homilia, o presidente indicou a cordialidade como uma disposição a ser assumida no…
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Cardeal Steiner: trilhar o “caminho das bem-aventuranças, a realização, a uma vida de plenitude”

No o 4º domingo do Tempo Comum, 1º de fevereiro, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), presidiu a celebração das 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. A Liturgia do dia recordou as bem-aventuranças ensinadas por Jesus às multidões que o procuravam para ouvi-lo. Em sua homilia o cardeal explicou que o Evangelho mostra o convite de Jesus para trilhar o “caminho das bem-aventuranças, a realização, a uma vida de plenitude”. “Bem-aventurados, bem-aventuradas, porque chamados a viver o Reino de Deus, de sermos com Jesus, pobres em espírito, consolados, mansos herdando a terra da mansidão e da bondade, com fome e sede de justiça, misericordiosos, puros de coração, provedores da paz, filhos de Deus, herdeiros do Reino de dos Céus, tomados pela grandeza de sermos seguidores e seguidoras de Jesus, no Reino de Deus”, disse o cardeal Steiner. Somos chamados por Deus O arcebispo destacou a que na primeira leitura, o profeta Sofonias diz que “somos chamados à vida de justiça e humildade”. Esse convite conduz a buscar proteção de Deus como “um povo pobre e humilde, que busca refúgio no Senhor”, mas também convida a uma “conversão e aceitar as riquezas de Deus”. Na segunda leitura, cardeal Steiner recordou que São Paulo aponta para um “despertar e acordar”. “É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção”, destacou Steiner.  Esse horizonte apresentado por Paulo coloca que “quem se gloria deve gloriar-se no Senhor. Considerai vós mesmos, irmãos, como fostes chamados por Deus”, onde o cardeal indagou aos presentes a refletirem a que foram chamados. As bem-aventuranças definem o nosso modo de viver A seguir, o trecho da Homilia do Cardeal Leonardo Steiner: Jesus, rodeado por uma multidão, se dirige aos seus discípulos. Ensina que as Bem-aventuranças definem nosso modo de viver. Sermos discípulos, discípulas, de Jesus é o caminho dos bem-aventurados, bem-aventuradas. Na bem-aventurança somos convidados a perseverar, caminhar, ousar fidelidade, não olhar para trás quando na aflição, na pobreza, na fome, na perseguição, no desconsolo, na injustiça. Perseverar, caminhantes, semeando a paz, espargindo misericórdia, habitando a mansidão, movendo os pés e o coração quando os olhos já não enxergam mais a Deus, ofuscados pela violência e o desespero.Bem-aventurados vós, pobres. Papa Francisco nos ensinava que Jesus diz duas coisas sobre os seus: que são bem-aventurados e que são pobres; aliás, que são bem-aventurados porque são pobres. Em que sentido? No sentido em que o discípulo, a discípula de Jesus não encontram a sua alegria no dinheiro, no poder nem sequer noutros bens materiais, mas nos dons que recebe todos os dias de Deus: vida, criação, irmãos e irmãs, a natureza, o sol, chuva, os lírios do campo. Mas também que recebe dos irmãos e das irmãs: bondade, solidariedade, incentivo, perdão. São as dádivas que fortalecem os passos, fazem perseverar no caminho. Mas também, os bens que possui. A felicidade de partilhar, porque vive na lógica da bondade e do amor de Deus. E qual é a lógica de Deus? A gratuidade. Os discípulos aprendem a viver na gratuidade. Esta pobreza é também uma atitude em relação ao sentido da vida, porque o discípulo de Jesus não pensa que a possui, que já sabe tudo, mas sabe que deve aprender todos os dias, que é a vida que o possui e alimenta. E esta é a pobreza: a consciência de ter de aprender todos os dias. “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”. A aflição de fazer o bem, de espargir a cordialidade, uma aflição casta e sadia! Uma aflição no cuidado com os necessitados, os desvalidos.“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra”. Os mansos que realmente a habitam, moram, pois sem destruição, sem violência. A mansidão própria dos filhos e filhas de Deus. Não responde à violência com violência ainda maior, a agressão com a morte. Os mansos têm o modo da espera de Deus. Tudo na correspondência de um amor, de fraternidade universal. “Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados”. Aquela fome de todos receberem e viverem na justiça, na equidade, na dignidade de filhas e filhos de Deus. Uma fome e sede de despertar a todos para o bem, a verdade, a bondade, a mansidão, para o perdão, para o diálogo, para a cordialidade. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. Um coração cheio de comiseração, compaixão, proximidade, conforto esperançado. Uma pessoa que transpira o modo de ser de Deus que é misericórdia e compaixão.“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”. Límpidos, transparentes, não sem mancha, sem pecados, mas água límpida que deixa ver o fundo de nós mesmos assim como somos. Porque diante de Deus somos o que somos, não podemos mentir. E naquilo que somos e somos, deixamo-nos nos transformar por Ele.“Bem-aventurados os que provem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. Os que semeiam no meio da violência, da guerra, da morte, a fraternidade, a justiça, a misericórdia, a dignidade. Uma pessoa cultivadora da vida, cuidadora da vida capaz de aproximar as pessoas nos conflitos, permanecendo no diálogo mesmo na tensão e na discórdia.“Bem-aventurados os que são perseguidos, por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus”. O reino dos Céus é dos justos, dos equânimes, dos cultivadores do amor gratuito, mesmo quando perseguidos e caluniados. Permanecer na fidelidade do Evangelho, sem amarras, na liberdade dos filhos e filhas de Deus.“Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim”. Tudo por causa da beleza do Reino de Deus do qual fomos recebidos e do qual vivemos. A vida de Jesus. Jesus crucificado-ressuscitado.Felizes, Bem-aventurados! “Felizes os que tem espírito de pobre”, os que sabem viver com pouco, com o suficiente, como o que concede dignidade, confiando sempre em Deus. Felizes as comunidades eclesiais com a força e alma de pobre, porque estará atenta e a serviço dos necessitados…
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Cardeal Steiner: Batismo de Jesus inaugura uma humanidade nova

Na Festa do Batismo do Senhor o cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus, iniciou sua homilia recordando que “a liturgia deste domingo evoca o momento em que Jesus, ungido pelo Espírito Santo é apresentado aos homens como ‘Filho Amado’ de Deus. Abraçou a missão que o Pai lhe entregou: fazer nascer uma humanidade nova, um novo Reino. Recorda o batismo, quando fomos recebidos pela Trindade”. A celebração aconteceu neste domingo, 11 de janeiro, na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30. O cardeal explicou que com a Festa do Batismo de Jesus concluímos o tempo litúrgico do Natal. “Viemos do Natal e hoje encontramos Jesus adulto pedindo que João o batize, iniciando o seu ministério. Tudo acontece nas margens do Rio Jordão”. Fonte de vida “O rio Jordão tem um significado todo especial para o dar-se da salvação: foi através do Jordão que os hebreus, conduzidos por Josué entraram na Terra Prometida (cf. Js 3-4). No tempo do profeta Eliseu, o general sírio Naamã viu-se curado da lepra ao mergulhar nas águas do Jordão (cf. 2Rs 5,10-14). O local do batismo era, provavelmente a passagem para os peregrinos que vinham da Galileia para Jerusalém”, sublinhou o Arcebispo de Manaus. Segundo cardeal “As águas Jordão são fonte de vida. A imersão nas águas do rio tinha um significado de ruptura com a vida passada e o ressurgir para uma vida nova, um novo nascimento, um novo começo. O batismo proposto por João, era, provavelmente um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este ‘batismo’, renunciava ao pecado, buscava vida nova e passava a integrar a comunidade que esperava o Messias”. Ele explicou que “Jesus, que vivia na aldeia de Nazaré, na Galileia, procurou João nas margens do rio Jordão e escutou o seu apelo à conversão”. Citando o texto onde “João, ao ver Jesus entre as pessoas que vêm para ser batizadas, reage com espanto: ‘Eu é que preciso de ser batizado por Ti, e Tu vens ter comigo?’, destacou que “João, certamente tinha diante de si que o enviado de Deus ia ‘batizar no Espírito Santo e no fogo’ (Mt 3,11)”.  acrescentou que “a resposta de Jesus é quase incompreensível: ‘Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça’”, explicando que a “‘justiça’ se refere ao plano amoroso e salvador de Deus, para com toda humanidade”. Uma nova humanidade Segundo o presidente do Regional Norte 1 (CNBB Norte 1, citando novamente as palavras do Evangelho: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”, o Filho amado “é do meu agrado, me agrada, me é agradável”. De maneira que “ao entrar nas águas e receber o batismo de penitência, caminho de vida nova, Jesus indica a finitude humana como possibilidade de transformação no Espírito”. Nesse sentido, “afirma disposição de percorrer com os homens o caminho que leva à vida nova e plena”. “Quem é esse que no batismo indica o caminho da vida nova a ser percorrido? A ‘abertura do céu’ a revelar que Deus desceu ao encontro do seu Povo, tornou-se presença humanada. A descida do Espírito, como uma pomba, sobre Jesus é o sopro de vida de Deus que cria, que renova, que transforma, que cura os vivos e vivifica os mortos. O Espírito de Deus que na criação pairava sobre a superfície das águas (cf. Gn 1,2). Na força do Espírito, Jesus é anúncio, anuncia o encontro de Deus com os homens para o nascer uma nova humanidade. E a voz vinda do céu: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado’, a apresentar o Filho amado no qual todos são os amados e as amadas de Deus”, explicou o cardeal. Nas palavras do arcebispo “Jesus é o eleito de Deus, o Filho no qual o Pai ‘pôs toda a sua complacência’, Aquele que Deus enviou ao encontro dos homens para recriar a humanidade e para lhe oferecer a salvação”. Ele explicou que “do Filho amado de Deus, nasceu a nova humanidade, o Reino de Deus. A missão de Jesus se manifestará na obediência ao Pai; na suavidade, na simplicidade, na humildade, no agrado pelos homens, pois ‘não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada, nem apaga um pavio que ainda fumega, promoverá o julgamento para obter a verdade’ (cf. Is 42,2-3)”. A Missão dada pelo Pai “Batizado no Espírito, ungido com a força de Deus, Jesus anunciar o Reino de Deus. O cuidado do Pai para com seus filhos e filhas que peregrinam na história, o imenso amor que Ele nos dedica, a vontade que Ele tem de levar-nos ao encontro da vida verdadeira… Apesar das nossas fragilidades, apesar da nossa autossuficiência, apesar da nossa ingratidão e da nossa pouca sensibilidade, Deus continua a chamar-nos, a falar conosco, a vir ao nosso encontro, a acompanhar-nos no caminho, a oferecer-nos o seu amor, participar de sua familiaridade”, refletiu o cardeal. Ele reforçou que “Batizado no Jordão, ungido pelo Espírito, Jesus abraçou, sem reticências, a missão que o Pai lhe confiava: anunciar e visibilizar o Reino de Deus”. E nós ao sermos batizados em Cristo e pertencermos à comunidade dos filhos e filhas de Deus, “recebemos o mesmo Espírito e ouvimos a mesma voz, participamos da vida e missão de Jesus”. O arcebispo enfatizou aos presentes que no dia do nosso batismo “recebemos a missão de seguidores e seguidoras de Jesus, de discípulos missionários, para edificar um mundo mais fraterno e mais humano”, pedindo que busquemos “renovar o nosso compromisso batismal a cada dia, com nossas fraquezas e fragilidades”, pois recebemos a graça de seguir Jesus em todos os momentos de nossa vida e ser a sua presença para curar as feridas e chagas no corpo e no espírito de nossas irmãos e irmãs”. “O amor agradável e atraente do Pai iluminou o caminho que Jesus percorria: no anuncio da vida nova, na cura dos doentes no corpo e no espírito, na aproximação dos mais necessitados libertando-os das…
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Cardeal Steiner: Advento, “o nascer de Deus em nossa humanidade”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidiu a Celebração do 3° Domingo do Advento na Catedral Metropolitana de Manaus na manhã de 14 de dezembro de 2025. Ele recordou aos presentes que “estamos a caminho de Belém”. Nesse percurso, a liturgia traz o anúncio de diversas manifestações de Deus e que o Advento é a “espera do Filho do Homem o nascer de Deus em nossa humanidade”. Em sua homilia, o cardeal explicou que o 3° Domingo é chamado de Domingo da Alegria, por ser uma “espécie de antecipação litúrgica para podermos celebrar a alegria do Natal”. Em continuidade, recordou o Evangelho do domingo passado, onde “víamos João Batista às margens do Jordão” e hoje o Evangelho anuncia que ele está na prisão e em dúvidas e manda perguntar: “és tu aquele que há de vir ou devemos esperar por um outro?”. “João, o preparador, o anunciador, o aplanador das colinas, o endireitador dos caminhos, não sabe mais. Anunciava e agora já não sabe mais. Ele havia tocado, havia batizado seu Senhor e agora na quase ignorância do saber. Havia dito que não sou digno nem mesmo de carregar suas sandálias, agora já não sabe mais quem ele é”, ilustrou o cardeal. Seria Ele o esperado?  O arcebispo indagou os fiéis presentes a pensar “O que não faz a prisão, queridos irmãos e irmãs? O que pode fazer a solidão?”. Dando seguimento, explicou a perspectiva em que se encontrava João Batista “não mais rodeado pelas multidões, discussões, não mais pregações, nem mesmo o batismo de conversão”. Ele expôs que a solidão de João é um “nada para anunciar, nada para preparar, nada para endireitar” e com ela João se interroga: “é ele ou devemos esperar por um outro?”. “Abandonado, sem o vestido das peles de camelo, sem o cinturão de couro em torno dos rins, sem os gafanhotos e o mel silvestre, se interroga, duvida, espera. E agora no desejo da confirmação de uma presença nova que deve batizar no Espírito. Seria ele o esperado, o desejado das nações, o implorado, o rezado nos séculos o Deus conosco, o Deus da história, o Deus de nossos pais, o Deus de Abrão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó?”, novamente apontando as percepções da dúvida de João Batista.  Em suas palavras o cardeal conduziu os presentes a assumir o questionamento de Batista, “É ele? É ele o nascido em Belém, no quase relento, sem casa, sem lugar, no recolhimento das ovelhas? É Ele? Ele que nascera, Ele cumpridor das escrituras, Ele o esperado, Ele o meu primo, o da minha raça, do meu sangue, da minha parentela, da descendência de Davi. Ele o filho de Maria e José, João não sabe mais”. E outra vez trouxe a passagem do Evangelho “É aquele que devia vir ou devo esperar por um outro?”. O arcebispo prosseguiu com objeção de João “um grande profeta, um grande curador, anunciador”.  E acrescentou “seria demais, impossível que o desejado, implorado, explorado, esperado por tantas gerações fosse justamente ele, o da minha carne, o do meu sangue, da minha parentela, o de Nazaré?”. Isto porque, segundo ele, o precursor se vê “abandonado, solitário, à espera da morte”, e na dúvida envia de seus discípulos a Jesus para questioná-lo. Como resposta, Jesus pede que contem a João o que “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”. Feliz aquele que não se separa de Mim Em sua homilia, o cardeal explicou que o que viram e ouviram era “o sinal inconfundível de que era Ele e não o outro”. Em suas palavras “Ele era a vida nova que estava por pulular em todas as partes”, e por isso era “feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”. Dessa forma, escandalizar assume a compreensão de “não se separa de mim”. Porque, em Jesus, “uma vida nova, pois um reino novo, uma nova convivência. Tudo redimido, tudo transformado”, essas transformações é que tornavam visível a presença de Deus. O arcebispo acentuou que esses sinais não eram os milagres que causam “admiração e estupefação”. E sim “do cuidado e do desvelo de Deus, a aproximação de Deus em dar olhos, em conceder liberdade, em dar corpos limpos”, como explicou o cardeal. A visita de Deus aos pequeninos e necessitados “os enche de vida nova, os renova, os liberta, os coloca de pé, eles caminham com os próprios pés, veem com os próprios olhos, ouvem com os próprios ouvidos, mas todos purificados e limpos”. “É que vivem na purificação não própria. mas na purificação de Deus. Então, não necessitava esperar por o outro. Somente um Deus humanado poderia cuidar assim dos cegos, dos coxos, dos leprosos, dos surdos, dos mortos, dos pobres. Sim, João, sou eu, o da tua parentela, o filho de Maria José que você conheceu. Sou eu, aquele o esperado, implorado, desejado, ansiado por séculos. Sou eu, não precisas esperar por um outro” explicou o cardeal. É a criança de Belém O presidente destacou a beleza do texto apresentado da primeira leitura do Livro do Profeta Isaías “vida nova, parece tudo resplandecer, tudo brilhar, mas cheio de vida e de transformação”. Com a palavras do profeta, refletiu a quantidade daqueles que voltaram para casa curados “Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Quantos voltaram para casa curados? Nos textos do Evangelho encontramos”. No retorno iam “a Sião cantando louvores com infinita alegria, brilhando os seus rostos, cheio de gozo e de contentamento, não mais a dor e o pranto. Vida nova, porque presença nova de Deus entre nós”. Essa percepção responde ao questionamento de João a sim mesmo sobre a pessoa de Jesus “Assim era ele, João não precisava esperar por outro”. Hoje, queridos irmãos, queridas irmãs, queridos telespectadores, radiouvintes, Domingo da Alegria. Alegria pré-anunciada pelo profeta, alegre-se a terra que era deserta e intransitável. E não…
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Cardeal Steiner: Advento, tempo “para verificar o nosso desejo de Deus”

No segundo domingo do Advento, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando as palavras da pregação de João Batista no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos Céus está próximo.” Ele mostrou que “estamos no tempo de advento, em compasso de espera, estamos na expectativa. Conforme a Palavra de Deus do domingo passado, o Filho do Homem virá! Ele é o Advento. E no anúncio da vinda do Filho do Homem encontrávamos o convite: ficai preparados! O anúncio e o convite da preparação despertaram em nós o desejo de nos encontrarmos com o Filho de Maria e nos colocamos a caminho de Belém”. Memorar a primeira vida e preparar a segunda “Começamos a olhar e a celebrar, mais uma vez, a primeira vinda de Jesus. Ele nossa fonte, nossa raiz, nosso horizonte, raiz da humanidade, sentido de toda a história e de todo o universo. Ao memorarmos a primeira vinda, estamos realizando e preparando a segunda vinda de Jesus”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Segundo o cardeal, “o Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar ao regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expetativa de o encontrar”, disse inspirado as palavras de Papa Francisco. “Estamos a caminho de Belém e chegamos ao segundo domingo do Advento. E nesse nosso caminhar ao encontro do Filho de José, aquele que está por vir, no encontramos com João, o filho de Isabel e Zacarias. O encontramos ao lado do rio Jordão com suas roupas de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Ele, que se alimenta de gafanhotos e mel do campo. Nos impressiona esse homem com suas vestes e alimento rude e com seu semblante quase suave. Vemos o vir e ir de pessoas: moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de outros lugares”, disse o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1).  “As suas palavras são cheias de força e vigor”, disse citando o texto:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” O cardeal mostrou que “a sua voz penetrante como um olhar, diz da preparação, da expectativa, da esperança; o seu olhar penitente e iluminador, anunciam um novo Reino. As pessoas ao sorvem as suas palavras, confessam a fraqueza e de deixam purificar nas águas do Jordão”. Preparação e conversão Segundo o arcebispo de Manaus, “o nosso encontro com o Batista fala da preparação, conversão, indicando novos rumos, novos caminhos, novos empenhos; purificação, remissão, libertação, novo encontro.” Ele recordou que “já estamos prontos para partir quando ele olhando para nós proclama”, citando de novo as palavras do Evangelho: “Eu batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar as suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” Nesse sentido, ele enfatizou que “partimos meditando a Palavra que nas palavras, nos gestos e na figura do Batista, mais decididamente nos anima a subir até Belém”. “O caminho, no nosso caminhar, enquanto caminhantes, as suas palavras continuam a ressoar em nosso coração”, disse citando o texto bíblico:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” “Conversão porque o Reino dos céus está próximo. O Reino do céu está próximo… está se aproximando; está na proximidade. E se Ele está próximo, porque se aproximou, vivemos sempre próximos a Ele, vivemos d’Ele, nos movemos n’Ele, respiramos a Ele, nós nos direcionamos por Ele no caminho a Belém. Sim, Ele está próximo: Ele o senhor menino, Ele senhor fragilidade, Ele senhor da história humanado. Ele é o Reino que está próximo logo ali em Belém, logo aqui, em mim, Belém; logo ali no desejo de tocar a Deus não diferente de mim. Logo aqui, em mim tão diferente de mim. Esse reino, esse reinado, essa realidade, essa verdade, esse toque de proximidade”, refletiu o cardeal. Veredas que conduzem até Belém Segundo ele, “no caminhar as palavras se tornam vivas, inquietam, alegram, satisfazem, despertam e até apressam nossos passos. E nos lembramos das palavras de Isaías: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’. Sim preparai o caminho, endireitai as veredas. Os caminhos, as veredas, como as veredas do sertão, como o sertão veredas. Caminhos não trilhados, caminhos não pisados, caminhos não feitos; são os por trilhar, os por pisar, os que estão em preparação, são as veredas que nos conduzem diretamente, acertadamente, certeiramente até Belém”. “O seguidor, a seguidora de Jesus, é aquele, aquela que, ‘através da sua proximidade ao irmão, como João Batista abre caminhos no deserto, isto é, indica perspectivas de esperança até em contextos existenciais impenetráveis, marcados pela falência e pela derrota. Não nos podemos render diante das situações negativas de fechamento e rejeição; não nos devemos deixar submeter pela mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus com a sua palavra de luz, amor e consolação. É Ele! O Batista exortava com força, vigor e severidade as pessoas do seu tempo à conversão. Contudo, sabia ouvir e realizar gestos de ternura, gestos de perdão para com a multidão de homens e mulheres que iam ter com ele para confessar os próprios pecados e para receber o batismo de penitência’”, disse citando Papa Francisco. Anunciação da proximidade “Em preparando os caminhos, em buscando Belém, ouvimos a voz do profeta”, disse o cardeal, citando o texto bíblico: “A terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar” (Is 11,9). Segundo ele, “a proximidade do…
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Cardeal Steiner: “Não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!”

No Primeiro Domingo do Advento, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “ingressamos no tempo da vinda do Filho do Homem! Iniciamos o tempo do Advento.” O purpurado disse, se referindo ao tempo que se inicia, que “ele contém duas realidades que nos atraem e despertam: primeiro lugar, vinda do Filho de Deus que manifestou visivelmente na carne, a sua presença, esperada e desejada pelos Patriarcas, a vinda que nos trouxe a salvação. Essa vinda nos faz esperar a manifestação de Jesus na sua glória, o dia do Juízo, quando ele se manifestar no fim dos tempos”, inspirado no  Sermão para o Advento do Senhor de Santo Aelredo de Rievaulx. O filho do homem virá! “Iniciamos o tempo da espera, da expectativa, do nascer da criança de Belém. O tempo que nos é dado como caminho da admiração pelas manifestações de Deus em nossa humanidade. Entramos, novamente, em compasso de espera.” Ele recordou que “a Palavra de Deus a nos anuncia: ‘o Filho do Homem virá’! Ele está por vir, Ele é um Advento. Espera e expectativa; não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!” Citando o texto bíblico: “Ficai preparados” e “na hora em que menos pensais”, o arcebispo de Manaus refletiu: “o Filho do Homem virá, porque é um por-vir; é sempre um vir ao encontro. O Senhor veio e se tornou a presença inefável na nossa humanidade e fragilidade. A crença de que o Senhor já chegou, já nos visitou, chegou e fez sua morada em nosso meio, nos dá a disposição de continuarmos nos expondo a esse Senhor que deseja nos visitar mais uma vez. A liturgia celebra a essa visita, visibiliza essa visita. E para que ela possa se tornar audível e visível nós entramos em preparação, exercitamos os nossos olhos, para ver Aquele que nossos olhos não poderiam ver”. Ficai preparados! Segundo o presidente do Regional Norte 1: “Ficai preparados! É o convite do Evangelho deste primeiro domingo do Advento. Estar preparados, permanecer vigilantes, pois pode acontecer que Ele venha, nasça e nós não o vejamos, permanecemos cegos.”  Ele recordou as palavras de Santo Agostinho: “tenho medo que Jesus passe sem me dar conta” (Sermão, 88, 14, 13). Daí que “o Evangelho a nos dizer da necessidade da preparação, da atenção para vermos uma nova presença de Deus em Belém. Às vezes arrastados pelos nossos interesses meramente pessoais, às vezes distraídos por tantas coisas insignificantes, corremos o risco de perder o essencial. Por isso, hoje, o Senhor repete “estai preparados” (Mt 24, 44). Como se dissesse: vigiai, estai atentos, ficar preparados, desejo visitar-vos!” “Vigiar, preparar, é esperar! Estar em vigília! Viver na esperança da vinda transformativa de Deus em nossa humanidade! Como antes de nascer fomos esperados por quem nos amava, assim agora somos esperados pelo Amor que está por nascer em nossa humanidade. Tudo passa, só o amor que nos busca e deseja revelar-se em Belém, não passa. Preparemo-nos!”, disse o arcebispo. Oração para ficar vigilantes Diante disso, o arcebispo questionou: “E como podemos estar preparados, vigilantes?” Sua resposta foi: “Com a oração. Rezar é acender uma luz na noite. A oração desperta da frieza duma vida superficial, ergue o olhar para o alto: um encontro com Deus. A oração permite estarmos na proximidade de Deus; por isso liberta da solidão e devolve esperança. A oração oxigena a vida: tal como não se pode viver sem respirar, assim também não podemos viver sem rezar. Perdemos um pouco o sentido da oração, da adoração: permanecer em silêncio diante do Senhor, adorando, reverenciando, auscultando! A oração nos deixa vigilantes e conduz até Belém. Como estar preparados vigilantes? Com a vigilância da caridade que é amor em movimento. Para não cair no sono da indiferença e estarmos na preparação, estar na vigilância do amor, da caridade. A caridade é o coração pulsante do discípulo, da discipula de Jesus. Como não se pode viver sem a pulsação, assim também não se pode ser cristão sem caridade. Sentir compaixão, ajudar, cuidar, aproximar-se, servir! Tudo e apenas no amor. É com as obras de misericórdia que nos aproximamos do Senhor”, inspirado nas palavras de Papa Francisco. Ele recordou que “São Francisco de Assis desejo de ver o nascer de Deus em Belém, reuniu o povo do vilarejo de Greccio e encenou o nascimento de Deus. Ele desejava ver Aquele que nossos olhos não podem ver: a encarnação de Deus, a aproximação de Deus, a singeleza de Deus, o Deus criança.  Ele compreendeu o que o Evangelho nos dizia com “ficai preparados, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”. O Filho do Homem, aquele no colo e nos braços de Maria lhe deu uma alegria incontida, uma admiração poética. Ele compreendeu que a vinda, o nascer de Deus não era coisa do passado, da história, mas encontro cada vez renovado, porque o Filho do Homem era a sua vida. Por isso, ficar preparado era estar todo, por inteiro, à disposição do Filho do Homem. Para ele não existia aquela hora, a melhor hora, a hora decisiva, a hora que não sabemos, o desespero daquela hora. Não saber a hora, é a cada hora, em todas as horas, para além das horas, para quem das horas, meditando, admirando, vivendo, o Deus que se fez Filho do Homem”. A caminho de Belém “Nesse Advento, nos colocamos a caminho de Belém. Uma caminhada de quatro semanas para percorremos com o Povo de Israel os séculos da espera, de súplica, da esperança. É caminhar com Ele, o Deus conosco. Estaremos a caminho de Belém como nesses séculos os homens e a mulheres na confiança da vinda do Salvador. Por isso, o Advento desperta hoje, como no passado, a súplica: ‘Vem Senhor Jesus!’”, disse o cardeal Steiner. Segundo o arcebispo, “a primeira leitura nos serve de alento”, citando o texto bíblico: “Vamos subir ao…
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Cardeal Steiner: “A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”

Na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “concluímos, hoje o Ano Litúrgico. Na conclusão a liturgia de hoje celebra a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. As leituras no despertam para o sentido da Solenidade de hoje”. Unção de Davi NaPrimeira Leitura, ele destacou que “Davi é ungido rei das tribos de Israel (2Sm 5,1-3).O seu reino tornou-se símbolo do reino de paz, de justiça, de liberdade que um dia Deus teria instaurado na terra. E vemos como os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi, que iria realizar esse sonho, a realização das promessas de um reino livre e libertador. O povo de Israel esperou durante muitos séculos a realização do reino estável e duradouro. Especialmente no tempo de Jesus em que o povo estava dominado pelos romanos, estavam sob o jugo do estrangeiro, esperavam um salvador, um libertador. Um povo que havia recebido a terra prometida, havia conquistado um reino de justiça e liberdade com Davi, agora sob a dominação de estrangeiros. Conhecemos como muitos reis foram traidores da Aliança e levaram o povo à escravidão. Descuidaram, não pastorearam devidamente a promessa, a Aliança de Deus para com os patriarcas, Abraão Isaac, Jacó e sua descendência”. Já na segunda leitura, o cardeal disse que “a Carta de São Paulo aos Colossenses, a nos ensinar porque Jesus se tornou rei, o centro, a possibilidade de realização do existir na nossa humanidade”. Ele citou o texto bíblico: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, porque temos a redenção, o perdão dos pecados. (…) Ele o primogênito de toda a criatura, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as coisas visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas tem nele a sua consistência. (…) Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.” (Cl 1,12-20) Segundo o arcebispo de Manaus, “Paulo a nos recordar que Jesus é o centro da história, o fundamento de tudo o que existe. Foi Ele que nos devolveu a graça da filiação divina. Ele que nos salvou, nos ofereceu o perdão dos pecados. Os vivos e os mortos estão referidos a Ele. Ele o início e o fim de todas as coisas. Ele reconciliou todo o universo. E tudo na graça da cruz. Assim, Ele é o rei, pois reina, supera, a divisão, a maldade. O que nos impressiona é que esse rei que a tudo dá sentido e tudo deixa ser, é o Crucificado segundo o Evangelho”. Um Reino de serviço, de amor, de entrega “Na celebração de Cristo Rei do universo, o Evangelho a nos dizer que participamos da sua realeza crucificada. Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma coroa de espinhos, com uma inscrição sobre a cabeça: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus”. Rodeado de dois homens que seriam ladrões, insultado, escarnecido pelos soldados. Nada poder, autoridade, realeza terrena. Jesus na cruz, apresenta um Reino de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida; um reino de reconciliação”, ressaltou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. O cardeal Steiner mostrou que “nas palavras dos zombadores, vem a palavra de que Jesus é que salva, ele é o Salvador. A recordação da salvação vem como ironia, agressão para que ele salve a si mesmo. E Jesus não salva a si mesmo, morre crucificado, para salvar a todos. E na dor, no sofrimento, na passagem da morte salva toda a humanidade; nele somos salvos e libertos”. “Reino do amor, da vida veio visibilizado no pedido do homem que como ele está no infortúnio. No suplício da cruz, o bom ladrão reconhece a salvação que é Jesus, o seu reinado”, destacou o arcebispo de Manaus. “Por isso, pede a salvação”, disse ele, citando o texto evangélico: “lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Diante disso, “Jesus o acolhe”, disse, recordando as palavras de Jesus: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso“. Segundo ele, “a cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a salvação, a realeza de Jesus. Na cruz acontece a reconciliação, o perdão e a vida plena para todos. A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”. Inaugurar o Reino de Deus “A missão de Jesus foi anunciar e inaugurar o Reino de Deus, a salvação. Missão da Igreja, a nossa missão de discípulos missionários, de discípulas missionárias é continuar o anúncio do Reino de Deus e convocar a todos homens e todas as mulheres para construir aqui na terra, esse Reino da benevolência, do consolo, da misericórdia, do acolhimento, da bondade, da fraternidade universal, da salvação”, refletiu o cardeal Steiner. Ele recordou as palavras do Prefácio da solenidade de hoje, “Reino, eterno e universal, é o Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. Isso porque “esse é o Reino anunciado por Jesus, e plenificado na cruz, na sua morte e ressurreição”. “Ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Jesus nos disse para pedirmos que seu reino venha”, disse, recordando as palavras da oração dos cristãos: “venha nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terá como no céu”. “Venha a nós o vosso Reino!” Nisso ele vê “Jesus a nos convidar a fazer parte desse Reino e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos. Todos possam participar desse…
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