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Categoria: Palavra do Presidente

Cardeal Steiner: trilhar o “caminho das bem-aventuranças, a realização, a uma vida de plenitude”

No o 4º domingo do Tempo Comum, 1º de fevereiro, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), presidiu a celebração das 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. A Liturgia do dia recordou as bem-aventuranças ensinadas por Jesus às multidões que o procuravam para ouvi-lo. Em sua homilia o cardeal explicou que o Evangelho mostra o convite de Jesus para trilhar o “caminho das bem-aventuranças, a realização, a uma vida de plenitude”. “Bem-aventurados, bem-aventuradas, porque chamados a viver o Reino de Deus, de sermos com Jesus, pobres em espírito, consolados, mansos herdando a terra da mansidão e da bondade, com fome e sede de justiça, misericordiosos, puros de coração, provedores da paz, filhos de Deus, herdeiros do Reino de dos Céus, tomados pela grandeza de sermos seguidores e seguidoras de Jesus, no Reino de Deus”, disse o cardeal Steiner. Somos chamados por Deus O arcebispo destacou a que na primeira leitura, o profeta Sofonias diz que “somos chamados à vida de justiça e humildade”. Esse convite conduz a buscar proteção de Deus como “um povo pobre e humilde, que busca refúgio no Senhor”, mas também convida a uma “conversão e aceitar as riquezas de Deus”. Na segunda leitura, cardeal Steiner recordou que São Paulo aponta para um “despertar e acordar”. “É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção”, destacou Steiner.  Esse horizonte apresentado por Paulo coloca que “quem se gloria deve gloriar-se no Senhor. Considerai vós mesmos, irmãos, como fostes chamados por Deus”, onde o cardeal indagou aos presentes a refletirem a que foram chamados. As bem-aventuranças definem o nosso modo de viver A seguir, o trecho da Homilia do Cardeal Leonardo Steiner: Jesus, rodeado por uma multidão, se dirige aos seus discípulos. Ensina que as Bem-aventuranças definem nosso modo de viver. Sermos discípulos, discípulas, de Jesus é o caminho dos bem-aventurados, bem-aventuradas. Na bem-aventurança somos convidados a perseverar, caminhar, ousar fidelidade, não olhar para trás quando na aflição, na pobreza, na fome, na perseguição, no desconsolo, na injustiça. Perseverar, caminhantes, semeando a paz, espargindo misericórdia, habitando a mansidão, movendo os pés e o coração quando os olhos já não enxergam mais a Deus, ofuscados pela violência e o desespero.Bem-aventurados vós, pobres. Papa Francisco nos ensinava que Jesus diz duas coisas sobre os seus: que são bem-aventurados e que são pobres; aliás, que são bem-aventurados porque são pobres. Em que sentido? No sentido em que o discípulo, a discípula de Jesus não encontram a sua alegria no dinheiro, no poder nem sequer noutros bens materiais, mas nos dons que recebe todos os dias de Deus: vida, criação, irmãos e irmãs, a natureza, o sol, chuva, os lírios do campo. Mas também que recebe dos irmãos e das irmãs: bondade, solidariedade, incentivo, perdão. São as dádivas que fortalecem os passos, fazem perseverar no caminho. Mas também, os bens que possui. A felicidade de partilhar, porque vive na lógica da bondade e do amor de Deus. E qual é a lógica de Deus? A gratuidade. Os discípulos aprendem a viver na gratuidade. Esta pobreza é também uma atitude em relação ao sentido da vida, porque o discípulo de Jesus não pensa que a possui, que já sabe tudo, mas sabe que deve aprender todos os dias, que é a vida que o possui e alimenta. E esta é a pobreza: a consciência de ter de aprender todos os dias. “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”. A aflição de fazer o bem, de espargir a cordialidade, uma aflição casta e sadia! Uma aflição no cuidado com os necessitados, os desvalidos.“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra”. Os mansos que realmente a habitam, moram, pois sem destruição, sem violência. A mansidão própria dos filhos e filhas de Deus. Não responde à violência com violência ainda maior, a agressão com a morte. Os mansos têm o modo da espera de Deus. Tudo na correspondência de um amor, de fraternidade universal. “Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados”. Aquela fome de todos receberem e viverem na justiça, na equidade, na dignidade de filhas e filhos de Deus. Uma fome e sede de despertar a todos para o bem, a verdade, a bondade, a mansidão, para o perdão, para o diálogo, para a cordialidade. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. Um coração cheio de comiseração, compaixão, proximidade, conforto esperançado. Uma pessoa que transpira o modo de ser de Deus que é misericórdia e compaixão.“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”. Límpidos, transparentes, não sem mancha, sem pecados, mas água límpida que deixa ver o fundo de nós mesmos assim como somos. Porque diante de Deus somos o que somos, não podemos mentir. E naquilo que somos e somos, deixamo-nos nos transformar por Ele.“Bem-aventurados os que provem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. Os que semeiam no meio da violência, da guerra, da morte, a fraternidade, a justiça, a misericórdia, a dignidade. Uma pessoa cultivadora da vida, cuidadora da vida capaz de aproximar as pessoas nos conflitos, permanecendo no diálogo mesmo na tensão e na discórdia.“Bem-aventurados os que são perseguidos, por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus”. O reino dos Céus é dos justos, dos equânimes, dos cultivadores do amor gratuito, mesmo quando perseguidos e caluniados. Permanecer na fidelidade do Evangelho, sem amarras, na liberdade dos filhos e filhas de Deus.“Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim”. Tudo por causa da beleza do Reino de Deus do qual fomos recebidos e do qual vivemos. A vida de Jesus. Jesus crucificado-ressuscitado.Felizes, Bem-aventurados! “Felizes os que tem espírito de pobre”, os que sabem viver com pouco, com o suficiente, como o que concede dignidade, confiando sempre em Deus. Felizes as comunidades eclesiais com a força e alma de pobre, porque estará atenta e a serviço dos necessitados…
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Cardeal Steiner: Batismo de Jesus inaugura uma humanidade nova

Na Festa do Batismo do Senhor o cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus, iniciou sua homilia recordando que “a liturgia deste domingo evoca o momento em que Jesus, ungido pelo Espírito Santo é apresentado aos homens como ‘Filho Amado’ de Deus. Abraçou a missão que o Pai lhe entregou: fazer nascer uma humanidade nova, um novo Reino. Recorda o batismo, quando fomos recebidos pela Trindade”. A celebração aconteceu neste domingo, 11 de janeiro, na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30. O cardeal explicou que com a Festa do Batismo de Jesus concluímos o tempo litúrgico do Natal. “Viemos do Natal e hoje encontramos Jesus adulto pedindo que João o batize, iniciando o seu ministério. Tudo acontece nas margens do Rio Jordão”. Fonte de vida “O rio Jordão tem um significado todo especial para o dar-se da salvação: foi através do Jordão que os hebreus, conduzidos por Josué entraram na Terra Prometida (cf. Js 3-4). No tempo do profeta Eliseu, o general sírio Naamã viu-se curado da lepra ao mergulhar nas águas do Jordão (cf. 2Rs 5,10-14). O local do batismo era, provavelmente a passagem para os peregrinos que vinham da Galileia para Jerusalém”, sublinhou o Arcebispo de Manaus. Segundo cardeal “As águas Jordão são fonte de vida. A imersão nas águas do rio tinha um significado de ruptura com a vida passada e o ressurgir para uma vida nova, um novo nascimento, um novo começo. O batismo proposto por João, era, provavelmente um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este ‘batismo’, renunciava ao pecado, buscava vida nova e passava a integrar a comunidade que esperava o Messias”. Ele explicou que “Jesus, que vivia na aldeia de Nazaré, na Galileia, procurou João nas margens do rio Jordão e escutou o seu apelo à conversão”. Citando o texto onde “João, ao ver Jesus entre as pessoas que vêm para ser batizadas, reage com espanto: ‘Eu é que preciso de ser batizado por Ti, e Tu vens ter comigo?’, destacou que “João, certamente tinha diante de si que o enviado de Deus ia ‘batizar no Espírito Santo e no fogo’ (Mt 3,11)”.  acrescentou que “a resposta de Jesus é quase incompreensível: ‘Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça’”, explicando que a “‘justiça’ se refere ao plano amoroso e salvador de Deus, para com toda humanidade”. Uma nova humanidade Segundo o presidente do Regional Norte 1 (CNBB Norte 1, citando novamente as palavras do Evangelho: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”, o Filho amado “é do meu agrado, me agrada, me é agradável”. De maneira que “ao entrar nas águas e receber o batismo de penitência, caminho de vida nova, Jesus indica a finitude humana como possibilidade de transformação no Espírito”. Nesse sentido, “afirma disposição de percorrer com os homens o caminho que leva à vida nova e plena”. “Quem é esse que no batismo indica o caminho da vida nova a ser percorrido? A ‘abertura do céu’ a revelar que Deus desceu ao encontro do seu Povo, tornou-se presença humanada. A descida do Espírito, como uma pomba, sobre Jesus é o sopro de vida de Deus que cria, que renova, que transforma, que cura os vivos e vivifica os mortos. O Espírito de Deus que na criação pairava sobre a superfície das águas (cf. Gn 1,2). Na força do Espírito, Jesus é anúncio, anuncia o encontro de Deus com os homens para o nascer uma nova humanidade. E a voz vinda do céu: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado’, a apresentar o Filho amado no qual todos são os amados e as amadas de Deus”, explicou o cardeal. Nas palavras do arcebispo “Jesus é o eleito de Deus, o Filho no qual o Pai ‘pôs toda a sua complacência’, Aquele que Deus enviou ao encontro dos homens para recriar a humanidade e para lhe oferecer a salvação”. Ele explicou que “do Filho amado de Deus, nasceu a nova humanidade, o Reino de Deus. A missão de Jesus se manifestará na obediência ao Pai; na suavidade, na simplicidade, na humildade, no agrado pelos homens, pois ‘não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada, nem apaga um pavio que ainda fumega, promoverá o julgamento para obter a verdade’ (cf. Is 42,2-3)”. A Missão dada pelo Pai “Batizado no Espírito, ungido com a força de Deus, Jesus anunciar o Reino de Deus. O cuidado do Pai para com seus filhos e filhas que peregrinam na história, o imenso amor que Ele nos dedica, a vontade que Ele tem de levar-nos ao encontro da vida verdadeira… Apesar das nossas fragilidades, apesar da nossa autossuficiência, apesar da nossa ingratidão e da nossa pouca sensibilidade, Deus continua a chamar-nos, a falar conosco, a vir ao nosso encontro, a acompanhar-nos no caminho, a oferecer-nos o seu amor, participar de sua familiaridade”, refletiu o cardeal. Ele reforçou que “Batizado no Jordão, ungido pelo Espírito, Jesus abraçou, sem reticências, a missão que o Pai lhe confiava: anunciar e visibilizar o Reino de Deus”. E nós ao sermos batizados em Cristo e pertencermos à comunidade dos filhos e filhas de Deus, “recebemos o mesmo Espírito e ouvimos a mesma voz, participamos da vida e missão de Jesus”. O arcebispo enfatizou aos presentes que no dia do nosso batismo “recebemos a missão de seguidores e seguidoras de Jesus, de discípulos missionários, para edificar um mundo mais fraterno e mais humano”, pedindo que busquemos “renovar o nosso compromisso batismal a cada dia, com nossas fraquezas e fragilidades”, pois recebemos a graça de seguir Jesus em todos os momentos de nossa vida e ser a sua presença para curar as feridas e chagas no corpo e no espírito de nossas irmãos e irmãs”. “O amor agradável e atraente do Pai iluminou o caminho que Jesus percorria: no anuncio da vida nova, na cura dos doentes no corpo e no espírito, na aproximação dos mais necessitados libertando-os das…
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Cardeal Steiner: Advento, “o nascer de Deus em nossa humanidade”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidiu a Celebração do 3° Domingo do Advento na Catedral Metropolitana de Manaus na manhã de 14 de dezembro de 2025. Ele recordou aos presentes que “estamos a caminho de Belém”. Nesse percurso, a liturgia traz o anúncio de diversas manifestações de Deus e que o Advento é a “espera do Filho do Homem o nascer de Deus em nossa humanidade”. Em sua homilia, o cardeal explicou que o 3° Domingo é chamado de Domingo da Alegria, por ser uma “espécie de antecipação litúrgica para podermos celebrar a alegria do Natal”. Em continuidade, recordou o Evangelho do domingo passado, onde “víamos João Batista às margens do Jordão” e hoje o Evangelho anuncia que ele está na prisão e em dúvidas e manda perguntar: “és tu aquele que há de vir ou devemos esperar por um outro?”. “João, o preparador, o anunciador, o aplanador das colinas, o endireitador dos caminhos, não sabe mais. Anunciava e agora já não sabe mais. Ele havia tocado, havia batizado seu Senhor e agora na quase ignorância do saber. Havia dito que não sou digno nem mesmo de carregar suas sandálias, agora já não sabe mais quem ele é”, ilustrou o cardeal. Seria Ele o esperado?  O arcebispo indagou os fiéis presentes a pensar “O que não faz a prisão, queridos irmãos e irmãs? O que pode fazer a solidão?”. Dando seguimento, explicou a perspectiva em que se encontrava João Batista “não mais rodeado pelas multidões, discussões, não mais pregações, nem mesmo o batismo de conversão”. Ele expôs que a solidão de João é um “nada para anunciar, nada para preparar, nada para endireitar” e com ela João se interroga: “é ele ou devemos esperar por um outro?”. “Abandonado, sem o vestido das peles de camelo, sem o cinturão de couro em torno dos rins, sem os gafanhotos e o mel silvestre, se interroga, duvida, espera. E agora no desejo da confirmação de uma presença nova que deve batizar no Espírito. Seria ele o esperado, o desejado das nações, o implorado, o rezado nos séculos o Deus conosco, o Deus da história, o Deus de nossos pais, o Deus de Abrão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó?”, novamente apontando as percepções da dúvida de João Batista.  Em suas palavras o cardeal conduziu os presentes a assumir o questionamento de Batista, “É ele? É ele o nascido em Belém, no quase relento, sem casa, sem lugar, no recolhimento das ovelhas? É Ele? Ele que nascera, Ele cumpridor das escrituras, Ele o esperado, Ele o meu primo, o da minha raça, do meu sangue, da minha parentela, da descendência de Davi. Ele o filho de Maria e José, João não sabe mais”. E outra vez trouxe a passagem do Evangelho “É aquele que devia vir ou devo esperar por um outro?”. O arcebispo prosseguiu com objeção de João “um grande profeta, um grande curador, anunciador”.  E acrescentou “seria demais, impossível que o desejado, implorado, explorado, esperado por tantas gerações fosse justamente ele, o da minha carne, o do meu sangue, da minha parentela, o de Nazaré?”. Isto porque, segundo ele, o precursor se vê “abandonado, solitário, à espera da morte”, e na dúvida envia de seus discípulos a Jesus para questioná-lo. Como resposta, Jesus pede que contem a João o que “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”. Feliz aquele que não se separa de Mim Em sua homilia, o cardeal explicou que o que viram e ouviram era “o sinal inconfundível de que era Ele e não o outro”. Em suas palavras “Ele era a vida nova que estava por pulular em todas as partes”, e por isso era “feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”. Dessa forma, escandalizar assume a compreensão de “não se separa de mim”. Porque, em Jesus, “uma vida nova, pois um reino novo, uma nova convivência. Tudo redimido, tudo transformado”, essas transformações é que tornavam visível a presença de Deus. O arcebispo acentuou que esses sinais não eram os milagres que causam “admiração e estupefação”. E sim “do cuidado e do desvelo de Deus, a aproximação de Deus em dar olhos, em conceder liberdade, em dar corpos limpos”, como explicou o cardeal. A visita de Deus aos pequeninos e necessitados “os enche de vida nova, os renova, os liberta, os coloca de pé, eles caminham com os próprios pés, veem com os próprios olhos, ouvem com os próprios ouvidos, mas todos purificados e limpos”. “É que vivem na purificação não própria. mas na purificação de Deus. Então, não necessitava esperar por o outro. Somente um Deus humanado poderia cuidar assim dos cegos, dos coxos, dos leprosos, dos surdos, dos mortos, dos pobres. Sim, João, sou eu, o da tua parentela, o filho de Maria José que você conheceu. Sou eu, aquele o esperado, implorado, desejado, ansiado por séculos. Sou eu, não precisas esperar por um outro” explicou o cardeal. É a criança de Belém O presidente destacou a beleza do texto apresentado da primeira leitura do Livro do Profeta Isaías “vida nova, parece tudo resplandecer, tudo brilhar, mas cheio de vida e de transformação”. Com a palavras do profeta, refletiu a quantidade daqueles que voltaram para casa curados “Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Quantos voltaram para casa curados? Nos textos do Evangelho encontramos”. No retorno iam “a Sião cantando louvores com infinita alegria, brilhando os seus rostos, cheio de gozo e de contentamento, não mais a dor e o pranto. Vida nova, porque presença nova de Deus entre nós”. Essa percepção responde ao questionamento de João a sim mesmo sobre a pessoa de Jesus “Assim era ele, João não precisava esperar por outro”. Hoje, queridos irmãos, queridas irmãs, queridos telespectadores, radiouvintes, Domingo da Alegria. Alegria pré-anunciada pelo profeta, alegre-se a terra que era deserta e intransitável. E não…
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Cardeal Steiner: Advento, tempo “para verificar o nosso desejo de Deus”

No segundo domingo do Advento, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando as palavras da pregação de João Batista no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos Céus está próximo.” Ele mostrou que “estamos no tempo de advento, em compasso de espera, estamos na expectativa. Conforme a Palavra de Deus do domingo passado, o Filho do Homem virá! Ele é o Advento. E no anúncio da vinda do Filho do Homem encontrávamos o convite: ficai preparados! O anúncio e o convite da preparação despertaram em nós o desejo de nos encontrarmos com o Filho de Maria e nos colocamos a caminho de Belém”. Memorar a primeira vida e preparar a segunda “Começamos a olhar e a celebrar, mais uma vez, a primeira vinda de Jesus. Ele nossa fonte, nossa raiz, nosso horizonte, raiz da humanidade, sentido de toda a história e de todo o universo. Ao memorarmos a primeira vinda, estamos realizando e preparando a segunda vinda de Jesus”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Segundo o cardeal, “o Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar ao regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para ‘julgar os vivos e os mortos’. Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expetativa de o encontrar”, disse inspirado as palavras de Papa Francisco. “Estamos a caminho de Belém e chegamos ao segundo domingo do Advento. E nesse nosso caminhar ao encontro do Filho de José, aquele que está por vir, no encontramos com João, o filho de Isabel e Zacarias. O encontramos ao lado do rio Jordão com suas roupas de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Ele, que se alimenta de gafanhotos e mel do campo. Nos impressiona esse homem com suas vestes e alimento rude e com seu semblante quase suave. Vemos o vir e ir de pessoas: moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de outros lugares”, disse o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1).  “As suas palavras são cheias de força e vigor”, disse citando o texto:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” O cardeal mostrou que “a sua voz penetrante como um olhar, diz da preparação, da expectativa, da esperança; o seu olhar penitente e iluminador, anunciam um novo Reino. As pessoas ao sorvem as suas palavras, confessam a fraqueza e de deixam purificar nas águas do Jordão”. Preparação e conversão Segundo o arcebispo de Manaus, “o nosso encontro com o Batista fala da preparação, conversão, indicando novos rumos, novos caminhos, novos empenhos; purificação, remissão, libertação, novo encontro.” Ele recordou que “já estamos prontos para partir quando ele olhando para nós proclama”, citando de novo as palavras do Evangelho: “Eu batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar as suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” Nesse sentido, ele enfatizou que “partimos meditando a Palavra que nas palavras, nos gestos e na figura do Batista, mais decididamente nos anima a subir até Belém”. “O caminho, no nosso caminhar, enquanto caminhantes, as suas palavras continuam a ressoar em nosso coração”, disse citando o texto bíblico:“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.” “Conversão porque o Reino dos céus está próximo. O Reino do céu está próximo… está se aproximando; está na proximidade. E se Ele está próximo, porque se aproximou, vivemos sempre próximos a Ele, vivemos d’Ele, nos movemos n’Ele, respiramos a Ele, nós nos direcionamos por Ele no caminho a Belém. Sim, Ele está próximo: Ele o senhor menino, Ele senhor fragilidade, Ele senhor da história humanado. Ele é o Reino que está próximo logo ali em Belém, logo aqui, em mim, Belém; logo ali no desejo de tocar a Deus não diferente de mim. Logo aqui, em mim tão diferente de mim. Esse reino, esse reinado, essa realidade, essa verdade, esse toque de proximidade”, refletiu o cardeal. Veredas que conduzem até Belém Segundo ele, “no caminhar as palavras se tornam vivas, inquietam, alegram, satisfazem, despertam e até apressam nossos passos. E nos lembramos das palavras de Isaías: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’. Sim preparai o caminho, endireitai as veredas. Os caminhos, as veredas, como as veredas do sertão, como o sertão veredas. Caminhos não trilhados, caminhos não pisados, caminhos não feitos; são os por trilhar, os por pisar, os que estão em preparação, são as veredas que nos conduzem diretamente, acertadamente, certeiramente até Belém”. “O seguidor, a seguidora de Jesus, é aquele, aquela que, ‘através da sua proximidade ao irmão, como João Batista abre caminhos no deserto, isto é, indica perspectivas de esperança até em contextos existenciais impenetráveis, marcados pela falência e pela derrota. Não nos podemos render diante das situações negativas de fechamento e rejeição; não nos devemos deixar submeter pela mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus com a sua palavra de luz, amor e consolação. É Ele! O Batista exortava com força, vigor e severidade as pessoas do seu tempo à conversão. Contudo, sabia ouvir e realizar gestos de ternura, gestos de perdão para com a multidão de homens e mulheres que iam ter com ele para confessar os próprios pecados e para receber o batismo de penitência’”, disse citando Papa Francisco. Anunciação da proximidade “Em preparando os caminhos, em buscando Belém, ouvimos a voz do profeta”, disse o cardeal, citando o texto bíblico: “A terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar” (Is 11,9). Segundo ele, “a proximidade do…
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Cardeal Steiner: “Não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!”

No Primeiro Domingo do Advento, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “ingressamos no tempo da vinda do Filho do Homem! Iniciamos o tempo do Advento.” O purpurado disse, se referindo ao tempo que se inicia, que “ele contém duas realidades que nos atraem e despertam: primeiro lugar, vinda do Filho de Deus que manifestou visivelmente na carne, a sua presença, esperada e desejada pelos Patriarcas, a vinda que nos trouxe a salvação. Essa vinda nos faz esperar a manifestação de Jesus na sua glória, o dia do Juízo, quando ele se manifestar no fim dos tempos”, inspirado no  Sermão para o Advento do Senhor de Santo Aelredo de Rievaulx. O filho do homem virá! “Iniciamos o tempo da espera, da expectativa, do nascer da criança de Belém. O tempo que nos é dado como caminho da admiração pelas manifestações de Deus em nossa humanidade. Entramos, novamente, em compasso de espera.” Ele recordou que “a Palavra de Deus a nos anuncia: ‘o Filho do Homem virá’! Ele está por vir, Ele é um Advento. Espera e expectativa; não sabemos a hora em que Ele virá, mas gostaríamos de ficar preparados!” Citando o texto bíblico: “Ficai preparados” e “na hora em que menos pensais”, o arcebispo de Manaus refletiu: “o Filho do Homem virá, porque é um por-vir; é sempre um vir ao encontro. O Senhor veio e se tornou a presença inefável na nossa humanidade e fragilidade. A crença de que o Senhor já chegou, já nos visitou, chegou e fez sua morada em nosso meio, nos dá a disposição de continuarmos nos expondo a esse Senhor que deseja nos visitar mais uma vez. A liturgia celebra a essa visita, visibiliza essa visita. E para que ela possa se tornar audível e visível nós entramos em preparação, exercitamos os nossos olhos, para ver Aquele que nossos olhos não poderiam ver”. Ficai preparados! Segundo o presidente do Regional Norte 1: “Ficai preparados! É o convite do Evangelho deste primeiro domingo do Advento. Estar preparados, permanecer vigilantes, pois pode acontecer que Ele venha, nasça e nós não o vejamos, permanecemos cegos.”  Ele recordou as palavras de Santo Agostinho: “tenho medo que Jesus passe sem me dar conta” (Sermão, 88, 14, 13). Daí que “o Evangelho a nos dizer da necessidade da preparação, da atenção para vermos uma nova presença de Deus em Belém. Às vezes arrastados pelos nossos interesses meramente pessoais, às vezes distraídos por tantas coisas insignificantes, corremos o risco de perder o essencial. Por isso, hoje, o Senhor repete “estai preparados” (Mt 24, 44). Como se dissesse: vigiai, estai atentos, ficar preparados, desejo visitar-vos!” “Vigiar, preparar, é esperar! Estar em vigília! Viver na esperança da vinda transformativa de Deus em nossa humanidade! Como antes de nascer fomos esperados por quem nos amava, assim agora somos esperados pelo Amor que está por nascer em nossa humanidade. Tudo passa, só o amor que nos busca e deseja revelar-se em Belém, não passa. Preparemo-nos!”, disse o arcebispo. Oração para ficar vigilantes Diante disso, o arcebispo questionou: “E como podemos estar preparados, vigilantes?” Sua resposta foi: “Com a oração. Rezar é acender uma luz na noite. A oração desperta da frieza duma vida superficial, ergue o olhar para o alto: um encontro com Deus. A oração permite estarmos na proximidade de Deus; por isso liberta da solidão e devolve esperança. A oração oxigena a vida: tal como não se pode viver sem respirar, assim também não podemos viver sem rezar. Perdemos um pouco o sentido da oração, da adoração: permanecer em silêncio diante do Senhor, adorando, reverenciando, auscultando! A oração nos deixa vigilantes e conduz até Belém. Como estar preparados vigilantes? Com a vigilância da caridade que é amor em movimento. Para não cair no sono da indiferença e estarmos na preparação, estar na vigilância do amor, da caridade. A caridade é o coração pulsante do discípulo, da discipula de Jesus. Como não se pode viver sem a pulsação, assim também não se pode ser cristão sem caridade. Sentir compaixão, ajudar, cuidar, aproximar-se, servir! Tudo e apenas no amor. É com as obras de misericórdia que nos aproximamos do Senhor”, inspirado nas palavras de Papa Francisco. Ele recordou que “São Francisco de Assis desejo de ver o nascer de Deus em Belém, reuniu o povo do vilarejo de Greccio e encenou o nascimento de Deus. Ele desejava ver Aquele que nossos olhos não podem ver: a encarnação de Deus, a aproximação de Deus, a singeleza de Deus, o Deus criança.  Ele compreendeu o que o Evangelho nos dizia com “ficai preparados, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”. O Filho do Homem, aquele no colo e nos braços de Maria lhe deu uma alegria incontida, uma admiração poética. Ele compreendeu que a vinda, o nascer de Deus não era coisa do passado, da história, mas encontro cada vez renovado, porque o Filho do Homem era a sua vida. Por isso, ficar preparado era estar todo, por inteiro, à disposição do Filho do Homem. Para ele não existia aquela hora, a melhor hora, a hora decisiva, a hora que não sabemos, o desespero daquela hora. Não saber a hora, é a cada hora, em todas as horas, para além das horas, para quem das horas, meditando, admirando, vivendo, o Deus que se fez Filho do Homem”. A caminho de Belém “Nesse Advento, nos colocamos a caminho de Belém. Uma caminhada de quatro semanas para percorremos com o Povo de Israel os séculos da espera, de súplica, da esperança. É caminhar com Ele, o Deus conosco. Estaremos a caminho de Belém como nesses séculos os homens e a mulheres na confiança da vinda do Salvador. Por isso, o Advento desperta hoje, como no passado, a súplica: ‘Vem Senhor Jesus!’”, disse o cardeal Steiner. Segundo o arcebispo, “a primeira leitura nos serve de alento”, citando o texto bíblico: “Vamos subir ao…
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Cardeal Steiner: “A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”

Na Solenidade de Cristo, Rei do Universo, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “concluímos, hoje o Ano Litúrgico. Na conclusão a liturgia de hoje celebra a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. As leituras no despertam para o sentido da Solenidade de hoje”. Unção de Davi NaPrimeira Leitura, ele destacou que “Davi é ungido rei das tribos de Israel (2Sm 5,1-3).O seu reino tornou-se símbolo do reino de paz, de justiça, de liberdade que um dia Deus teria instaurado na terra. E vemos como os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi, que iria realizar esse sonho, a realização das promessas de um reino livre e libertador. O povo de Israel esperou durante muitos séculos a realização do reino estável e duradouro. Especialmente no tempo de Jesus em que o povo estava dominado pelos romanos, estavam sob o jugo do estrangeiro, esperavam um salvador, um libertador. Um povo que havia recebido a terra prometida, havia conquistado um reino de justiça e liberdade com Davi, agora sob a dominação de estrangeiros. Conhecemos como muitos reis foram traidores da Aliança e levaram o povo à escravidão. Descuidaram, não pastorearam devidamente a promessa, a Aliança de Deus para com os patriarcas, Abraão Isaac, Jacó e sua descendência”. Já na segunda leitura, o cardeal disse que “a Carta de São Paulo aos Colossenses, a nos ensinar porque Jesus se tornou rei, o centro, a possibilidade de realização do existir na nossa humanidade”. Ele citou o texto bíblico: “Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, porque temos a redenção, o perdão dos pecados. (…) Ele o primogênito de toda a criatura, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as coisas visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas tem nele a sua consistência. (…) Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.” (Cl 1,12-20) Segundo o arcebispo de Manaus, “Paulo a nos recordar que Jesus é o centro da história, o fundamento de tudo o que existe. Foi Ele que nos devolveu a graça da filiação divina. Ele que nos salvou, nos ofereceu o perdão dos pecados. Os vivos e os mortos estão referidos a Ele. Ele o início e o fim de todas as coisas. Ele reconciliou todo o universo. E tudo na graça da cruz. Assim, Ele é o rei, pois reina, supera, a divisão, a maldade. O que nos impressiona é que esse rei que a tudo dá sentido e tudo deixa ser, é o Crucificado segundo o Evangelho”. Um Reino de serviço, de amor, de entrega “Na celebração de Cristo Rei do universo, o Evangelho a nos dizer que participamos da sua realeza crucificada. Cristo não aparece sentado num trono de ouro, mas pregado numa cruz, com uma coroa de espinhos, com uma inscrição sobre a cabeça: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus”. Rodeado de dois homens que seriam ladrões, insultado, escarnecido pelos soldados. Nada poder, autoridade, realeza terrena. Jesus na cruz, apresenta um Reino de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida; um reino de reconciliação”, ressaltou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. O cardeal Steiner mostrou que “nas palavras dos zombadores, vem a palavra de que Jesus é que salva, ele é o Salvador. A recordação da salvação vem como ironia, agressão para que ele salve a si mesmo. E Jesus não salva a si mesmo, morre crucificado, para salvar a todos. E na dor, no sofrimento, na passagem da morte salva toda a humanidade; nele somos salvos e libertos”. “Reino do amor, da vida veio visibilizado no pedido do homem que como ele está no infortúnio. No suplício da cruz, o bom ladrão reconhece a salvação que é Jesus, o seu reinado”, destacou o arcebispo de Manaus. “Por isso, pede a salvação”, disse ele, citando o texto evangélico: “lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Diante disso, “Jesus o acolhe”, disse, recordando as palavras de Jesus: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso“. Segundo ele, “a cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a salvação, a realeza de Jesus. Na cruz acontece a reconciliação, o perdão e a vida plena para todos. A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita amor e entrega”. Inaugurar o Reino de Deus “A missão de Jesus foi anunciar e inaugurar o Reino de Deus, a salvação. Missão da Igreja, a nossa missão de discípulos missionários, de discípulas missionárias é continuar o anúncio do Reino de Deus e convocar a todos homens e todas as mulheres para construir aqui na terra, esse Reino da benevolência, do consolo, da misericórdia, do acolhimento, da bondade, da fraternidade universal, da salvação”, refletiu o cardeal Steiner. Ele recordou as palavras do Prefácio da solenidade de hoje, “Reino, eterno e universal, é o Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. Isso porque “esse é o Reino anunciado por Jesus, e plenificado na cruz, na sua morte e ressurreição”. “Ao nos ensinar a oração do Pai Nosso Jesus nos disse para pedirmos que seu reino venha”, disse, recordando as palavras da oração dos cristãos: “venha nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terá como no céu”. “Venha a nós o vosso Reino!” Nisso ele vê “Jesus a nos convidar a fazer parte desse Reino e a trabalhar para que esse Reino chegue ao coração de todos. Todos possam participar desse…
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Cardeal Steiner: “A Igreja nascida de Jesus é hoje o testemunho vivo da presença de Deus na história”

Na comemoração da Dedicação da Igreja do Latrão, a catedral do bispo de Roma, do Papa, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “construída pelo imperador Constantino, no tempo do Papa Silvestre I, foi consagrada no ano 324. Ela é chamada ‘a igreja-mãe de todas as igrejas da Urbe e do Orbe’. Mãe de todas as igrejas de Roma e do mundo, símbolo das igrejas de todo o mundo, unidas ao sucessor de Pedro. No fontal da Basília pode-se ler: ‘Papa Clemente XII, no quinto ano de seu pontificado, dedicou este edifício a Cristo, o Salvador, em homenagem aos Santos João Batista e João Evangelista’. A Igreja do Latrão foi dedicada inicialmente a Cristo Salvador e somente séculos depois é que foi codedicada aos dois outros santos”. A morada de Deus “A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão que se celebra no dia 9 de novembro, convida-nos a perceber que a Igreja nascida de Jesus é hoje, no meio do mundo, a ‘morada de Deus’, o testemunho vivo da presença de Deus na história dos homens. Ao celebrarmos a dedicação, a consagração, dessa igreja, renovamos a unidade, a comunhão e a sinodalidade da Igreja Católica. Na celebração de hoje expressamos a nossa comunhão com todas as comunidades em unidade com o Papa Leão XIV”, disse o cardeal Steiner. Segundo ele, “na Festa de hoje, meditemos as leituras que nos remetem para o templo: Igreja templo; nós como templo”. A experiência de Israel Na primeira leitura, ele enfatizou que “o profeta ‘vê’ brotar um rio de águas correntes, vivas. Símbolo de vida, de fecundidade, de abundância, de felicidade, a água tem sua fonte no templo na morda de Deus. Para o Povo marcado pela experiência do deserto, onde a falta água, a ervas são escassas, as frutas não abundantes, água traz vida, o verdor, a frutificação, a vida em abundância; é a experiência da vida, da terra da promessa.  O ‘rio’ de que o profeta fala brota da casa de Deus, a sua água evoca o poder vivificante e fecundante de Deus que, de Jerusalém, se derrama sobre o seu Povo, uma vez que transforma até as águas do mar morto”. “O profeta nos anuncia a sua visão de vida: rio de água viva e abundante que brota do Templo de Deus desce para a região mais desolada e árida do país até o Mar Morto. A água do templo de Deus que desce caudalosa e viva, fecunda a aridez do deserto, a tudo de vida, faz frutificar. As águas fazem nascer o verdor nas margens, fazem crescer árvores de toda a espécie, carregadas de frutos saborosos e levam vida fazendo submergir a morte. Os seus frutos servem de alimento e suas folhas são remédios. As águas fecundam e transformam a vida em todas as partes”, comentou o arcebispo. Continuando com a reflexão, ele ressaltou que “durante os anos sombrios da deportação, nas terras estrangeiras, esta promessa animou os exilados, despertando a esperança. De olhos postos em Jerusalém, no Monte do Templo, os exilados sonhavam de olhos abertos com esse novo templo prometido a partir do qual a vida de Deus voltaria a derramar-se abundantemente sobre toda a terra e em todo o povo. Do templo que renasce a vida, tudo se transforma, tudo é fecundado, e há abundância de bens, de vida e saúde” inspirado em Dehonianos, Festa da Dedicação. Nós somos templo de Deus São Paulo, na segunda leitura, segundo o cardeal, “a nos recordar que nós somos o templo de Deus, somos a casa do Espírito, Deus habita em nós. ‘Vós sois edifício de Deus… Veja cada um como constrói: ninguém pode colocar outro alicerce além do que está posto, que é Jesus Cristo. Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo e vós sois esse templo’ (1Cor 3, 9-17)”. “Somos templos em Cristo! Pela sua morte e ressurreição nos tornamos templos, morada! Fomos atraídos por Cristo, pertencemos à comunidade dos redimidos, dos libertados, dos esperançados. A comunidade que recebe o seu corpo e seu sangue, fonte abundante que conduz sempre à vida.  Fazemos parte de um Corpo do qual Cristo é a cabeça (cf. Rm 12,5; 1 Cor 12,27; Ef 1,22-23), a fonte que tudo transforma e vivifica. Somos templos que podem visibilizar o rosto bondoso e terno de Deus. Na partilha, solidariedade, serviço, reconciliação, consolo, gratuidade, se manifestam as águas que saem do templo e transformam os vales desérticos e secos em fertilidade, verdor, saúde! Fecundam com a justiça, a paz e o amor os desertos existenciais dos homens”, sublinhou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. Lugar de negócio Na passagem do Evangelho, ele destacou que “Jesus encontra os vendedores de bois e ovelhas no templo e os expulsa; convida os vendedores de pomba a retirarem seus animais. Limpa o templo, não deseja que o templo seja um lugar de comércio, de negócios. O templo tornara-se um lugar de compra e venda. O lugar do encontro, da oferta, da oferenda, transformada em negócio, em lucro. A templo de Deus, lugar da doação, do encontro, feito lugar de negociação. O lugar das águas fecundas e abundantes transformado no deserto da compra e venda”. Ele recordou que “Mestre Eckhart comentando a expulsão dos vendilhões do templo ensina”, citando o texto: “Quem eram as pessoas que compravam e vendiam, e quem eram elas? (…) todas elas são pessoas que compram (…) que desejam ser pessoas boas e fazem as suas boas obras como jejuar, dar esmolas e rezar e tudo o mais possível de boas obras (…) para que o Senhor lhes dê algo em troca ou Deus lhes faça alguma coisa que para eles fosse bom: Esses são compradores” (Deutsche Predigten und Traktate). É por isso que “a purificação do templo, a desobstrução do templo, possibilidade ser…
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Cardeal Steiner: o juiz mostra “o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos”

No 29º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia dizendo que “o Evangelho nos despertar para ‘a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir’. Não se trata de rezar de vez enquanto, quando temos vontade. O convite de Jesus é permanecermos, de estarmos em oração. Em um estado de oração. Um modo de viver ‘de rezar sempre, e nunca desistir’”. A injustiça para com os pobres Em suas palavras, o arcebispo de Manaus disse que “Jesus se refere a um juiz”, recordando que “o livro do Êxodo recomenda que os juízes sejam pessoas tementes a Deus, dignas de fé, imparciais e incorruptíveis (cf. Êx 18,21). Moisés instituiu juízes imparciais e inimigos do suborno, que julgassem segundo a Lei. Assim, as palavras do juiz, diante da pobre viúva, nos espantam”. Segundo o cardeal “aquele que tem a justiça como guia, como orientação de vida afirma: ‘Eu não temo a Deus e não respeito homem algum’. Linguagem que expressa a dureza de coração, a autossuficiência, o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos, os quase sem ninguém”. O presidente do Regional Norte 1 explicou que “a viúva era, em geral, a mais pobre dos pobres. O juiz no texto usa uma linguagem de quem se julgam acima de todos, intocável e único intérprete da verdade. O Evangelho a nos apresentar uma pessoa que, diante da responsabilidade da justiça colocar-se na distância, na irresponsabilidade da justiça, no desprezo pela viúva, necessitada, desamparada. Sem escrúpulos, sem consideração à Lei, fazia o que queria, é um surdo, um insensível; vive como que a parte da justiça”. Ele citou o texto do Evangelho: “Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: Faz-me justiça contra o meu adversário”. Diante disso, o cardeal Steiner citou as palavras de Papa Francisco em 25 de maio de 2016: “as viúvas, os órfãos e os estrangeiros, eram as pessoas mais frágeis da sociedade. Os direitos assegurados pela Lei podiam ser espezinhados com facilidade, pois eram pessoas sós e indefesas: uma pobre viúva, ali sozinha, ninguém a defendia, podiam ignorá-la, sem lhe fazer justiça. Do mesmo modo também o órfão, o estrangeiro, o migrante: naquela época esta problemática era muito acentuada”. Apenas guiada pela justiça “Ela sem guarida, sem valia, pobre, normalmente perdia até os filhos, uma vez viúva”, enfatizou o cardeal. Segundo ele, “o que nos encanta é a mulher que vive no desamparo, na desvalia, na não escuta, permanecer fiel na busca de receber justiça, ser justiça. A confiança, o destemor, a perseverança, a crença na justiça. Apenas guiada pela justiça permanece dia a dia na sua busca. Injustiçada e lesada em seus direitos, sente-se incapaz de ser ouvida, mas persevera. Sem poder fazer pressão por influências, muito menos dar presentes, sem dar compensação, àquele juiz insensível e descrente, retorna pacientemente, insiste, apresenta-se à presença do juiz. A surdez da justiça foi um confronto de liberdade, busca de encontro de amor e de doação de si mesma. Humilde, perseverante, sem gritos, sem desesperos, continua a apresentar-se ao juiz, guiada pela justiça e necessidade de vida. Como não lhe restava ninguém permaneceu fiel ao desejo de receber o dom da vida na justiça”. Depois de citar o texto do Evangelho: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o presidente do Regional Norte 1 destacou que “a perseverança, a ousadia, o comprometimento, desperta o surdo da insensibilidade, se não pela justiça, pela insistência da presença. A perseverança, a insistência, o destemor, foi tal que infundiu temor. O que desperta o homem de sua insensibilidade é o permanecer na busca, de apresentar-se quase cotidianamente, de oferecer as mesmas palavras, a mesma necessidade, sem desfalecer. Havia nela um ânimo e uma disposição que amedrontou o juiz. O apresentar-se na sua viuvez, temperada, fortalecida, acordou o juiz injusto para a justiça, a verdade. A fortaleza, a segurança, a determinação, a constância, fez descer a justiça!” O exercício da justiça é mais que direito De novo partindo do texto bíblico: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o cardeal disso que “sentiu-se agredido! Agredido na sua percepção de juiz, no cumprimento do seu dever, na aplicação da Lei, do seu dever de cuidar dos fracos, pequenos, desvalidos, estrangeiros, viúvas e órgãos. A presença da viúva na sua persistência e constância, acorda este homem para o exercício da justiça que é mais que direito”. O arcebispo de Manaus recordou que “Santo Agostinho ensinando a partir da oração nos diz: ‘Será mesmo necessário pedir-te em oração? Ora, quem nos diz: ‘Não useis de vãs repetições’ declara-nos noutro passo: ‘Pedi e recebereis’; e, para que não pensemos que o diz com leveza, acrescenta: ‘Procurai e encontrareis’; e, para que não pensemos que se trata de uma simples maneira de falar, vede como termina: ‘Batei, e vos será aberto’ (Mt 7,7). Ele quer, portanto que, para que possas receber, comeces por pedir, para que possas encontrar, te ponhas a procurar, para que possas entrar, não deixes, enfim, de bater à porta. […] Por que pedir em oração? Por que procurar? Por que bater? Porque cansarmo-nos a pedir, a procurar, a bater, como se estivéssemos a instruir Aquele que tudo sabe já? E lemos inclusive, noutra passagem: ‘Disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer’ (Lc 18,2). […] Pois bem, para esclareceres este mistério, pede em oração, procura e bate à porta! Se Ele cobre com véus este mistério, é porque quer animar-te e levar-te a que procures e encontres tu próprio a explicação. Todos nós, todos, devemos animar-nos a orar’” (Santo Agostinho, Sermão 80). A prece em favor do povo Na primeira leitura, o cardeal Steiner ressaltou que “ouvíamos a prece de Moisés em favor de seu povo, diante da luta desigual, desconfortável, sem possibilidade de vitória. Confiança, determinação, permanência em prece diante de Deus, de abraços estendidos. No…
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Cardeal Steiner: “Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”

“Celebramos neste domingo, na Igreja no Brasil, a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”, disse o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, no início de sua homilia. Segundo ele, “o Evangelho nos ensinava que Jesus iniciou a sua presença de salvação com um sinal. As Bodas de Caná na Galileia foi o primeiro sinal de Jesus realizado, indicando o encontro entre Deus e a nossa humanidade. Os sinais sinalizam, indicam realidades que no dia a dia não percebemos. Sinais despertam para a razão, verdades e grandezas desapercebidas e, no entanto, nos deixam participar da festa, do encontro”. Maria percebe a dificuldade O primeiro sinal, recordou o cardeal, “expressa a celebração do amor de dois recém-casados que se encontram em dificuldade no dia mais importante da vida. No meio da festa falta um elemento essencial, o vinho, e a alegria corre o risco de desaparecer entre os convivas. Maria, a Mãe de Jesus, percebeu a dificuldade e diz a Jesus: ‘Eles não têm mais vinho’. As palavras e o gesto de Nossa Senhora é o sinal da participação e do cuidado dela para com a festa de casamento. Nas palavras de Jesus, Nossa Senhora diz aos serventes: ‘Fazei tudo o que ele vos disser!’” Segundo o cardeal, “o mandato, o mandamento, da transformação, a mudança, a alegre continuidade das bodas, pede serviço, trabalho: encher as talhas com águas. O servir é que transforma o encontro das núpcias em sabor, em degustação da preciosidade do amor. As talhas que guardavam a água para a purificação estavam vazias. Jesus pede que sejam enchidas e transforma a água das talhas em vinho. A festa de casamento, sinal da comunidade humana que não tem mais vinho e, por isso, perdeu a alegria de viver, indicando que a humanidade perdeu a esperança”. “Na transformação da água em vinho vemos que Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Isso porque “Ele é o vinho novo da celebração do amor que concede a alegria do encontro e a esperança do caminho. Sinal de que a purificação exterior, não possibilita a alegria, não devolve a esperança. A Mãe de Jesus percebeu que havia necessidade de um vinho novo, um vinho melhor para experimentar a alegria de conviver, experimentar a esperança. O ‘Fazei o que ele vos disser’, acende a esperança, possibilita a alegria de quem vislumbra a beleza e a ternura da celebração do amor”. Falta-lhes o essencial “Irmãs e irmãos encanta o milagre do Evangelho de hoje!”, disse o cardeal. Segundo ele, “a delicadeza da percepção de Maria, o cuidado de Jesus em encher novamente de água as talhas da purificação, o trabalho generoso dos servos, o servir a água transformada em vinho. Toda narrativa Joanea indicando a transformação da nossa vida, da existência humana. Nossa Senhora participando das núpcias, dos encontros de amor, de nossas vidas, percebendo a falta, a penúria, a necessidade, a quase mendicância da nossa vida, atenta à nossa pobreza, fraqueza, dizendo: ‘Eles não têm mais vinho!’ Como que dizendo: falta-lhes o essencial, falta-lhes o vital, o mais importante, falta o que dê sentido ao encontro, falta o vinho… sem o essencial, sem o vital, não acontece mais a festa, vem a morte, desaparece o encanto de viver, a força de viver. E ela, então, nos repete hoje a palavra: ‘Fazei tudo o que ele voz disser!’” “E nós aceitamos o convite de encher as talhas da purificação. As talhas, a nossa vida, tanta capacidade, com tanto de possibilidade de purificação, de transformação na medida em que caminhamos entre a nossa casa, o nosso coração, e a fonte, Deus fonte de nossas vidas. E depois de pensarmos que fizemos tudo o que deveríamos fazer, talhas cheias, repletas da generosidade de nossa pobreza, transbordantes das possibilidades das nossas deficiências, somos, mais uma vez convidados: ‘Agora tirai e levai ao mestre-sala’. Depois de termos feito tudo o que poderíamos fazer vem o convite da transformação: servir! No servir às necessidades dos que desejam celebrar a bodas da vida que somos purificados, transformados, plenificados”, afirmou o cardeal Steiner. Isso porque “o Evangelho na Bodas de Caná nos revela o amor transformativo de Deus; o amor próximo, terno e compassivo, consolador!”, recordou. A vida do seu povo Na primeira leitura, ele destacou que “Rainha Ester vê as necessidades do povo e vai em socorro. Se apresenta ao rei correndo o risco de morte e implora: ‘A vida do meu povo, eis o meu desejo’! Não pensou em si mesma, mas na vida de seu povo. O rei acolheu o pedido de Ester e salvou o povo. O sinal de Ester é o sinal dos pequenos, dos humilhados, que não temem o poder frente a liberdade do conviver. Ester pôs toda a sua vida a serviço da vida do seu povo. Tornou-se sinal de beleza, de inteligência, da esperança, da libertação do povo”. Na segunda leitura, o arcebispo referiu-se a outro sinal: “apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Segundo ele, “uma mulher e um dragão, a fragilidade e a pequenez da mulher, que acabara de dar à luz e a força e a violência do dragão, que destrói e persegue. O Apocalipse a indicar a realidade de conflito e perseguição que as primeiras comunidades cristãs da Ásia Menor estavam sofrendo. Os cristãos eram perseguidos, aniquilados, destruídos pelo Império Romano. O dragão é o símbolo desse mal, da força destruidora. A mulher vestida de sol é o sinal de que o mal é vencido. O sinal, Deus gerado menino, não pode ser dominado pelo mal. A Mulher, força das pequenas comunidades, vence a tentação do medo e confia que Deus veio para permanecer junto ao seu povo”. Aparecida, a Mãe atenta O cardeal Steiner relatou que “em 1717,…
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Cardeal Steiner: “Jesus nos pede que percorramos, com coragem e empenho, o caminho da fé”

No vigésimo sétimo domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “aumenta a fé é a súplica dos discípulos a Jesus. O pedido, a súplica, que nasce depois de ouvirem a parábola do pobre Lázaro que nos foi proclamado no domingo passado e depois de ouvirem o ensinamento do perdão”, citando o texto do Evangelho: “Se pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe”. Os apóstolos pedem a graça da fé Ele sublinhou que “diante das revelações de Jesus que não cabem na compreensão dos apóstolos, eles pedem a graça da fé. A fé que permite ultrapassar o que é incompreensível, impensável; uma fé que acolhe e oferece horizonte extraordinariamente sem limites. Diante da dificuldade em acolher os ensinamentos de Jesus os discípulos são despertados para a necessidade de uma fé mais robusta, mais aberta, que leva à liberdade diante das contradições e cruzes da vida. A fé que supera a adesão a dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus. Fé que é fé, é adesão a Jesus, à sua proposta de vida, à vida do ‘Reino’”. O arcebispo recordou que Santo Ambrósio, nos diz Comentário sobre o Evangelho de Lucas VII, 176-180: “Lembro-me de outra passagem que evoca o grão de mostarda, e onde ele é comparado com a fé; diz o Senhor: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Muda-te daqui para acolá”, e ele há-de mudar-se» (Mt 17,19). […] Se, portanto, o Reino dos Céus é como um grão de mostarda e a fé também é como um grão de mostarda, a fé é seguramente o Reino dos Céus e o Reino dos Céus é a fé. Ter fé é ter o Reino dos Céus. […] Foi por isso que Pedro, que tinha fé, recebeu as chaves do Reino dos Céus: para poder abri-lo aos outros (Mt 16,19). Apreciemos agora o alcance da comparação. Este grão é certamente uma coisa comum e simples; mas, se o trituramos, faz irradiar a sua força. Do mesmo modo, à primeira vista, a fé é simples; mas, tocada pela adversidade, faz irradiar a sua força”. Adesão a Jesus Segundo o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil: “a adesão a Jesus e ao seu modo de viver, ao seu Reino, é um caminho incômodo, às vezes difícil, pois é um caminho na fragilidade, nas incertezas, na nossa finitude. Um estar a caminho que devagar vai abrindo horizontes, iluminando as incompreensões, os não saberes, possibilitando novas relações e uma percepção sempre mais profunda e real da vida com Deus”. “Nesse caminhar na fé existe um exercício de abandono. Um abandonar-se na fé, abandonar que é próprio da fé ‘é a máxima ousadia do homem’!”, disse citando Karl Rahner. Isso porque “uma partícula ínfima do cosmos se atreve a relacionar-se com a ‘totalidade incompreensível e fundante do universo” e, além disso, o faz confiando absolutamente com seu poder e em seu amor. Perceber a audácia inaudita que implicada atrever-nos a confiar no mistério de Deus’”, disse seguindo José Antônio Pagola, no “Caminho aberto por Jesus, S. Lucas”. Confiar incondicionalmente no Mistério Em palavras do arcebispo de Manaus, “a mensagem central e original de Jesus consiste precisamente em convidar a cada um de nós a confiar incondicionalmente no Mistério insondável que está na origem de tudo. A confiança que ressoa no anúncio: Não tenhas medo, confiai em Deus, chamai-o de Abbá, pai querido, papai. Ele cuida de vós, até os cabelos de vossa cabeça estão contados. Tende fé em Deus. Não vos preocupes.” Ele recordou o texto de Lucas 12,22-28: “Não fiqueis preocupados quanto a vossa vida, pelo que haveis de comer, nem, quanto aos vosso corpo, pelo que haveis de vestir. A vida vale mais quem o alimento, e o corpo mais que o vestuário. Observai os pássaros não semeiam, nem colhem, não tem dispensa, nem celeiro, e Deus os alimenta. Vós valeis mais que os pássaros do céu. Observai os lírios do campo, como crescem. Não trabalham, nem fiam, no entanto, eu vos digo que nem Salomão em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora se Deus veste assim a erva do campo que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, quanto mais a vós fracos na fé.” O cardeal prosseguiu: “Sim, a fé como confiança, como experimentar o cuidado de Deus para conosco”. O arcebispo referiu-se “à confiança proclamada pelo profeta na primeira leitura. Uma confiança que se torna em determinadas situações um clamor, um confronto: Senhor, até quando clamarei, sem me atenderdes, sem me socorres? Destruição e prepotência estão à minha frente; reina a discussão, surge a discórdia”. Ele considera que “as palavras tão atuais, ressoam os nossos dias, a nossas aflições, e e desilusões. E, no entanto, Habacuc a nos despertar para uma confiança: ‘se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. (…) o justo viverá por sua fé’ (Hab 1,3; 2,3-4)”. Igualmente, ele recordou as palavras de Paulo a Timóteo que nos ilumina ao ensinar: “Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Usa um compêndio de palavras sadias que de mim ouviste em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus. Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós” (2Tm 1,6;8.13-14). É a fé que tem a nós “O Espírito Santo que nos concede o dom da fé, nos concede a gentileza que percebermos que na dinâmica da fé nós não temos fé, é a fé que tem a nós. Mesmo a possibilidade, a disposição de nos abrimos à fé, é doação da fé. A fé é simples: una, inteiriça, coerente. Simples não quer dizer nem…
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