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Categoria: Palavra do Presidente

Cardeal Steiner no Domingo da Ascensão: Jesus nos dá a certeza esperançada de que estará conosco até o fim

Tenhamos a certeza esperançada de que “Eis que eu estarei convosco todo os dias, até ao fim dos tempos”. foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, no Domingo da Ascensão do Senhor (17). A celebração aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30. A subida Jesus ressuscitado aos céus completa as manifestações e nós prepara para Solenidade de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo. Acompanhe a reflexão oferecida pelo arcebispo. Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com ele o nosso coração. E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também nós subamos com ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que nos está prometido, nos diz Santo Agostinho (Sermão da Ascensão do Senhor). Jesus, antes da ascensão, envia os discípulos entregando-lhes uma missão: “ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!” O Evangelho de Marcos nos diz: “Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Ide, pois estarei convosco todos os dias. Enviados para difundir o Reino O Ressuscitado envia os seus discípulos a difundir o Reino novo, a Vida nova, a nova Luz em todos os povos e se eleva ao céu. Admirável que Jesus confie essa missão a um grupo pequeno, quase insignificante. “Parece demasiado audaz a missão que Jesus confia a um pequeno grupo de homens simples e sem grandes capacidades intelectuais! Contudo, este grupo restrito, irrelevante diante das grandes potências do mundo, é enviada para levar a mensagem de amor e de misericórdia, da mansidão e do consolo a todos os recantos da terra (cf. Papa Francisco, Regina Coeli, 13/05/2018). Ide e fazei discípulos! Ide e fazei seguidores! ide e fazei anunciadores; que em todos os povos haja discípulos e discípulas do Novo Reino. Em todos os povos Jesus seja anunciado, conhecido, amado e seguido. Em todos os cantos da terra possa ressoar a presença do Crucificado-ressuscitado, o novo Reino. Vida nova, novas comunidades, que na alegria de conhecer a Jesus, o significado de sua morte e ressurreição, testemunhem que todos podem participar da alegria, da beleza e do júbilo de uma vida sem fim. Não podiam vê-lo A primeira leitura aponta a estaticidade dos discípulos apesar de terem sido enviados: “Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram, então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: Homens da Galileia, porque ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (At 1,1-11). Os homens de branco a enviá-los, pois não devem permanecer parados olhando para o céu, mas ir e fazer discípulos em todos os povos, “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!” Discípulas e discípulos a caminho, falando, testemunhando a vida, o modo de vida, a paz, o bem, a misericórdia, a magnanimidade, a superabundância de bem e de bondade, a morte e a ressurreição de Jesus.  Não podemos guardar para nós esse tesouro extraordinário que nos foi entregue e plenifica a nossa vida. É a missão que recebemos no batismo e confirmamos pela crisma. Pelo batismo e pela crisma somos enviados a anunciar e testemunhar a Jesus e o seu Reino. A graça do batismo e o dom da crisma nos envia, nos faz missionários, missionárias, do Crucificado-ressuscitado. Homens e mulheres da Ascensão Papa Francisco nos ensinava que “a Ascensão do Senhor ao céu, enquanto inaugura uma nova forma de presença de Jesus no meio de nós, pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para o servir e para o testemunhar aos outros. Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra. Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança de que nós para lá iremos” (cf. Regina Coeli, 13/05/2018). Cristo foi elevado ao mais alto dos céus; contudo continua sofrendo na terra através das tribulações e aflições que experimentamos ao tentarmos viver do Evangelho. Elevado ao céu continua na terra com fome, com sede, sem casa, preso, doente, nu. Bem nos diz o evangelista: “Eu estava com fome e me destes de comer” (Mt 25,35). O Ide e batizai, tem essa grandeza de perceber a presença de Jesus em cada irmã e cada irmão que sofre e passa por necessidades. E não só as necessidades corporais, mas também as da alma. Irmãs e irmãos, Cristo está no céu, mas está também conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com Ele. Ele está conosco pela sua divindade, pelo seu poder, pelo seu amor; nós, embora não possamos realizar isso pela divindade, como Ele, podemos realizá-lo ao menos pelo amor para com Ele (cf. Santo Agostinho, Sermão da Ascensão do Senhor). Dia Mundial das Comunicações Sociais Durante sua homilia, o cardeal recordou a celebração do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais.Ele refletiu a mensagem enviada pelo Papa Leão: “Preservar vozes e rostos humanos.” O rosto e a voz são traços únicos e próprios de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elementos constitutivos de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto”…
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Cardeal Steiner no 6º Domingo da Páscoa: “Não vos deixarei órfãos”

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu o 6° Domingo da Páscoa, 10 de maio, na Catedral Metropolitana de Manaus. Em sua homilia, o cardeal destacou que no Evangelho de hoje, Jesus apresenta “uma espécie de testamento de Jesus. Ele prepara os discípulos para caminharem na força do Consolador e confirma a sua presença: não os deixarei órfãos! Aos discípulos inquietos, Jesus promete o “Paráclito”. Será o Espírito Santo a conduzir a comunidade cristã em direção à verdade e levá-la a uma comunhão cada vez mais íntima com Jesus e com o Pai. Dessa forma, a comunidade será a “morada de Deus” no mundo, como ouvimos na liturgia do domingo passado, e dará testemunho da salvação que Deus quer oferecer a todos”, escreveu o cardeal. O testamento entregue por Jesus é o amor! “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. É o amor a fundar e fundamentar os mandamentos que visibilizam a relação nova e renovadora, a dinâmica na qual somos convidados a ingressar e permanecer. “Ele nos ensinou a amá-lo, ao nos amar primeiro e até à morte de cruz. Por seu amor e sua dileção, suscita nosso amor por ele, que nos amou primeiro e até o fim. Foi assim mesmo: vós nos amastes primeiro para que vos amássemos. Não tínheis necessidade de ser amado por nós, mas não poderíamos atingir o fim para o qual fomos criados se não vos amássemos” (Guilherme de Saint-Thierry). Sim, amar como Jesus nos amou e no seu amor guardar os mandamentos. Como nos ensina São João: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele” (Jo 14,23). “Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costume. (…) Se assim guardares a Palavra de Deus, certamente ela te guardará” (São Bernardo de Claraval). O amor é a base de tudo “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade.” Como nos encanta as palavras de Jesus que ao viver o mandamento do amor atrai o Espírito Santo. Não é comovente percebermos que ao nos deixarmos mover e direcionar pelo mandamento do amor atraímos o Espírito Santo?  Ele movimenta, ilumina e consolo as nossas comunidades, o caminho pessoal de cada seguidor e seguidora de Jesus. Papa Francisco ensinava que “Se me amardes”, observardes, é a lógica do Espírito. Muitas vezes pensamos ao contrário: se observarmos, amamos. Estamos habituados a pensar que o amor deriva, essencialmente, da nossa observância, da nossa perícia, da nossa religiosidade; ao passo que o Espírito nos lembra que, sem o amor na base, tudo o mais é vão e que este amor não nasce das nossas capacidades, este amor é dom d’Ele. Ele nos ensina a amar, e devemos pedir este dom. É o Espírito de amor que põe em nós o amor, é Ele que nos faz sentir amados e nos ensina a amar. Ele é o «motor» da nossa vida espiritual. É Ele que move tudo a partir de dentro de nós. Mas, se não começamos do Espírito ou com o Espírito ou por meio do Espírito, não se consegue caminhar” (cf. Homilia 05/06/2022). Testemunhas do Consolador O “Paráclito” permanece sempre conosco. “Paráklêtos”, significa o advogado, auxiliar, defensor, o consolador, o intercessor. Jesus ensinou, protegeu, guiou, orientou, defendeu os discípulos, enquanto esteve com eles. Ele enviará o Espírito Santo, o “Paráclito”, o consolador e, no viver o mandamento do amor, o Espírito estará com eles, os guiará, os fortificará, transformará, os firmará na fé a ponto de darem a vida pelo Evangelho. Também nós somos chamados a dar testemunho no Espírito Santo, a tornar-nos paráclitos, isto é, consoladores. Sim, o Espírito pede para darmos corpo à sua consolação, visibilizarmos, aproximando-nos das pessoas, sendo proximidade, compaixão! O Paráclito nos envia a anunciar que hoje é o tempo da consolação. É o tempo do anúncio do Evangelho, pois da consolação. É o tempo para levar a alegria do Ressuscitado, não para nos lamentarmos do drama da secularização. É o tempo para derramar amor sobre o mundo, levando consolo. É o tempo para testemunhar a misericórdia, mais do que para inculcar regras e normas. É o tempo do Paráclito! É o tempo da liberdade do coração, no Paráclito (cf. Papa Francisco, idem). O Paráclito conduz a Igreja O Espírito ensinará e cuidará dos seguidores e seguidoras, das discípulas e discípulos de Jesus. O Espírito Santo conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, iluminando-nos para interpretar a Boa Nova diante das realidades e desafios que vamos desvendando. É Espírito que guia, defende, aclara para enfrentar as contrariedades, as incertezas, as hostilidades. O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não vê, nem o conhece, alimenta a esperança, fortalece o amor, confirma a fé. Contemplando a história da Igreja vemos que o Paráclito a conduz e a conduzirá até o fim dos tempos. O Defensor permanecerá sempre conosco. “Não vos deixarei órfãos”! Não nos sentiremos órfãos ao vivermos do amor e com a certeza de que o Espírito permanece entre nós e está em nós. Ele em nós, não nos sentiremos privação: desamparados, carentes, separados, desiludidos, perdidos, desprezados, na orfandade. Ele, no aquecimento do amor, no consolo, na proximidade, a nos firmar e confirmar na pertença à filiação do Pai, à fraternidade do Filho. Nunca sós! jamais abandonados! Mesmo nas maiores dificuldades, nos desacertos e contradições, o Espírito a nos guiar, iluminar e aquecer. A orfandade pode levar a uma verdadeira degradação nas relações. “Pouco a pouco, nos vamos degradando, já que ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém: degrado a terra, porque não me pertence; degrado os outros, porque não me pertencem; degrado a Deus, porque não lhe pertenço; e, por fim, acabamos por nos degradar a nós próprios, porque esquecemos quem…
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Cardeal Steiner: “deixemos ressoar o consolo: ‘Não se perturbe o vosso coração’”

A Palavra de Jesus a indicar que nos momentos de perturbação, angústia incerteza deixemos ressoar o consolo: “Não se perturbe o vosso coração”. Afirmou o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, em sua homilia para o 5° Domingo da Páscoa, 3 de maio, na Catedral Metropolitana de Manaus. Essa afirmação indica o consolo de Jesus que chega a cada um de nós, assim como chegou aos discípulos que se encontravam aflitos e perturbados durante a Ceia Pascal. “A casa onde mora a perturbação e angústia será transformada na casa do aconchego, do amor, da compreensão. […] Termos a percepção de que Jesus está presente e nos acompanha. Papa Francisco nos ensinava que Jesus pede para termos fé n’Ele, para não nos apoiarmos em nós mesmos, mas em Jesus, pois a libertação da perturbação passa pela confiança. Confiar-nos a Jesus, dar o “salto” na fé. Esta é a libertação da perturbação. Jesus ressuscitou e vive precisamente para estar sempre ao nosso lado”, explicou o arcebispo. Jesus é o caminho Ao se apresentar como “caminho, verdade e vida” diante da pergunta de Tomé, Jesus direciona a compreensão para a dinâmica de “sua vida, as suas palavras, os seus gestos, o seu amor e a sua bondade, o dom de sua vida por amor com a morte de cruz”. Esse caminho apresentado por Jesus é o que caracteriza seus discípulos e discípulas. Ao aceitá-lo, os seguidores assumem esse caminho de identificação com o Mestre e caminham “ao encontro da verdade e da vida em plenitude, o Reino de Deus. “Caminhantes que somos, seguimos o caminho que é Jesus. Como nos ensina Santo Agostinho: ‘Ouçamos o Senhor: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida». Se procuras a verdade, segue o caminho; porque o caminho é também a verdade; ele é o teu destino e o teu percurso. Não é por outra coisa que vais a outra coisa; não é por outra coisa que vens a Cristo: é por Cristo que vens a Cristo. E como vais a Cristo por Cristo? Vais ao Cristo Deus pelo Cristo homem; pelo Verbo feito carne, vais ao Verbo que estava, no começo, em Deus; por aquilo que o homem comeu àquilo que os anjos comem todos os dias’”, disse o cardeal. Caminho a seguir “Por onde queres ir? Eu sou o caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida. Todo o homem consegue compreender a Verdade e a Vida; mas nem todos encontram o Caminho. Os sábios do mundo compreendem que Deus é vida eterna e verdade cognoscível; mas o Verbo de Deus, que é Verdade e Vida junto ao Pai, fez-se caminho ao assumir a natureza humana. Caminha contemplando a sua humildade e chegarás até Deus”, argumentou o cardeal citando Santo Agostinho, no texto dosTratados sobre o Evangelho de São João. Recordando as meditações de Papa Francisco, o cardeal Steiner refletiu sobre os caminhos que seguimos que podem não nos levar ao céu, como “os caminhos da mundanidade, os caminhos da autoafirmação, os caminhos do poder”. Ele também apresentou o caminho de Jesus, que é o “caminho do amor humilde, da oração, da mansidão, da confiança, do serviço aos outros”. O caminho de Jesus coloca o próprio Mestre como protagonista de nossas vidas e levanta duas questões abordadas por Papa Francisco: “Jesus, o que achas desta minha escolha? O que farias nesta situação, com estas pessoas?”. (cf. Regina Coeli, 10/05/ 2020) “Jesus que hoje nos consola como caminho, desperta em nós o desejo de sermos caminho de presença misericordiosa, transformadora, curadora, sanadora no meio dos mais necessitados. Ele-caminho, nos leva ao encontro dos famintos e necessitados de justiça. Ele-caminho, nos conduz ao encontro da verdade, a verdade de nossas relações, a verdade das notícias, a verdade que nos deixa ver a bondade, o amor que nos guia. Ele-caminho, nos leva a superar o modo agressivo de viver, de matar, de caluniar. Ele-caminho, nos leva a superação de um estilo de vida de consumismo, de hedonismo, para o encontro com irmãos e irmãs na diferença.”, explicou o arcebispo. Ver o Pai O pedido de Felipe a Jesus para ver o Pai demonstra que ele “não havia percebido que na presença consoladora e misericordiosa de Jesus era visível o Pai”. Dom Leonardo explicou que “no modo de Jesus estava vivo o Pai”, a nitidez dessa revelação acontece no alívio das dores, reconforto dos desolados, na reinserção na vida religiosa e social dos afastados e descartados pela lepra, no despertar à vida dos desconsolados “Ensinava o cuidado do Pai nos pássaros do céu, na beleza dos lírios do campo. Nele tudo falava e fazia ver o Pai e Felipe não via, “Quem me viu, viu o Pai”. Na sua bondade, na sua cordialidade, na sua gratuidade, na sua amabilidade, na sua amorosidade, na sua singeleza, simpatia, na sua doação, no consolo, Felipe ainda não havia se dado conta que no Filho estava o Pai. Pois quem vê o Filho vê o Pai.” Partilha e fraternidade Na segunda leitura, o cardeal destacou que o “modo de Jesus viver, de se relacionar e de estar entre as pessoas” e a relação com o Pai, deveria despertar os discípulos “para conhecerem a Jesus e nele ver o Pai”. Na primeira, a uma certa divisão na comunidade aponto para necessidade dos discípulos de realizar a “escuta e a oração em comunidade”. Delas é possível reconstruir a “comunhão” e “o bem para toda a comunidade”, pois “como comunidade de discípulos missionários e discípulas missionárias, somos animados a realizar as obras da partilha, da fraternidade”. “Ao lermos, meditarmos e a Palavra de Deus morando em nós, vamos vendo Jesus e em vendo Jesus vemos o Pai. E em vendo a Jesus e o Pai, somos guiados, fortalecidos pelo Espírito Santo. Jesus nos prometeu uma morada, que é a morada da Trindade, que caminhemos com alegria e esperança ao encontro da morada definitiva”, finalizou o cardeal.

Cardeal Steiner: O Bom Pastor nos convida a uma nova vida

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu a Celebração do quarto domingo da Páscoa, na manhã de 26 de março, na Catedral Metropolitana de Manaus. Neste domingo, a liturgia nos recorda Jesus Bom Pastor como Porta para uma nova vida. Nas palavras do cardeal “Jesus se apresenta como aquele que cuida das ovelhas e nos convida a uma nova passagem: Eu sou o bom Pastor, ‘Eu sou a porta’”. “Ele se apresenta hoje como a “Porta”: “Quem entrar por mim será salvo”. Jesus a porta, a passagem; passagem de salvação, de libertação. Jesus nos diz: Eu sou a porta, porque sempre passagem de vida! Uma porta estreita, mas larga, generosa. Nela passamos todo-inteiros, como filhas e filhos de Deus, como salvos”. O cardeal ressaltou que em algumas situações da vida é possível “que não vejamos mais a porta, a abertura, a saída, a passagem”. Esse sentimento pode vir “no sem sentido da morte de um filho, da esposa, do esposo, de nosso pai, de nossa mãe, pode acontecer que não vejamos mais a porta, a saída”, em momentos de passagem pela dor ou do sofrimento. Ele também pode se revelar diante da “doença grave, incurável, as portas todas não apenas se fecham, mas elas simplesmente não existem mais”, e esse é o espaço onde “Jesus nos diz: Eu sou a porta!”. Jesus: Porta da fé Bento XVI apresenta Jesus como a porta da fé. “A porta da fé (cf. At 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma” (Bento XVI, PF nº 1). Essa perspectiva apresentada por ele significa que “Jesus é o lugar de acesso para que possamos encontrar o significado da vida e o espaço, a paisagem que dão vida”, explicou o cardeal. Em sua reflexão, o arcebispo continuou afirmando que “passar pela porta significa aderir a Ele, segui-lo, acolher a sua vida o seu modo de viver”. No caminho para a vida em em plenitude “as ovelhas que passam pela porta que é Jesus, os que aderem a Ele, podem passar para a terra da liberdade onde encontrarão pastos verdejantes”. Assim, Jesus é “a passagem que deseja que todas as pessoas encontrem vida em plenitude”. “O vencedor da morte tornou-se a passagem para espaço sempre mais livres com sentido renovador, transformador. Ele é a passagem pois nele lemos os fenômenos cotidianos, os mais difíceis e sem sentido. Passagem porque indicou o caminho do drama humano como soerguimento, elevação da nossa humanidade. Passagem, pois nele vamos percebendo como na maior dor e desespero, a luz se acende e damo-nos conta dos rasgos de eternidade. Passagem, pois no humano mais humano ele nos indica o divino”, disse o cardeal. A verdadeira contradição Há uma verdadeira contradição em aderir ao “perdão na ofensa, a reconciliação no desprezo, a misericórdia na traição, a gratuidade na compra do existir humano”. Essa contradição existe porque “Jesus-porta, Jesus passagem, vai abrindo passagens perdidas, espaços desaparecidos”. A própria “morte violenta de cruz” de Jesus, que nos permite a “passagem para a vida”, expõe a contradição. Dom Leonardo explicou que ao colocarmos “nossa vida em sintonia com o Evangelho, abrem-se passagens imperceptíveis, passagens surpreendentes” onde é possível compreender a morte como uma passagem. “Ele abre a porta do consolo, do perdão, da reconciliação, da fraternidade, do amor expansivo. Quantas portas Ele vai abrindo através da Palavra, dos sacramentos, da caridade, da solidariedade? Ele vai abrindo passagens para mundo sempre mais amplos, livres, amorosos. Quem vive de Jesus pode dizer como ele sendo a porta, abre a porta, as passagens existenciais. Aproximemo-nos de Jesus, Ele abrirá portas, nos indicará passagens que nos conduzem à vida: ‘Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância’”, explicou. Passar pela porta e sair em missão O arcebispo destacou que é por Jesus que entramos na Igreja e, nos ensinamentos de Papa Francisco, é por Ele que saímos em missão. Esse horozinte permite compreender constante envio em missão, onde “na Igreja se entra para sair e sai-se para entrar”. O que permite compreender que “a Igreja não é um espaço fechado, nem um paraíso, um edifício ornamental”, mas o lugar de reconhecer que Jesus “acompanha, conduz, cuida, alimenta, oferece fontes de água viva”. “Na Igreja, nota-se um admirável dinamismo, onde se harmoniza o aparentemente contraditório. Todos estão a caminho, em permanente movimento. Aquele movimento que reúne, congrega, cria comunhão, a comunidade e, ao mesmo tempo o movimento para sair, a porta de saída pois todos chamados à proclamação, ao anúncio, a proclamação do Reino de Deus”. No horizonte da fé, o pastor de ovelhas “quase sempre estava a serviço de outra pessoa; cuidava das ovelhas de outros”. A postura de cuidado e dedicação diário com cada uma das ovelhas criava laços de confiança e segurança, que “quando ele chamava, elas obedeciam, pois reconheciam a sua voz: ele sempre estava com elas, não as abandonava”. Ao segui-lo, as ovelhas, “não passavam nem fome e nem sede”. Dia Mundial de Oração pelas Vocações Ao recordar o Domingo do Bom Pastor, onde se comemora também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o arcebispo retoma o convite para “descobrir o dom gratuito de Deus que floresce no mais profundo do coração de cada um de nós, para percorrermos juntos, o caminho da vida nova do Ressuscitado”. E cintando Papa Leão, “a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, brilhar a partir da sua própria beleza” (Papa Leão XIV, Mensagem Dia Mundial de Oração/2026). “Ao rezarmos hoje pelas vocações, desejamos reafirmar a necessidade de criar espaços de silêncio interior para intuir o que Deus deseja para cada um de nós. Não se trata de um saber abstrato ou de um conhecimento erudito, mas de um encontro pessoal que transforma a vida e nos coloca a serviço dos irmãos e…
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Cardeal Steiner: Deus se manifesta sempre como misericórdia

“Esse Deus Crucificado-Ressuscitado, se manifesta sempre como misericórdia, como benevolência, como aconchego, como proximidade”. Foram a as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, na Catedral Metropolitana de Manaus, durante a celebração do 2° Domingo da Páscoa, em que a Igreja recorda a misericórdia divina. Anunciar a verdadeira paz O Evangelho do dia retrata dois encontros do Ressuscitado com os discípulos reunidos sem a presença de Tomé. Eles estavam “fechados, trancados, angustiado, deprimidos, assustados”, disse o cardeal, significando seu remorso por terem abandona e renegado a Jesus. Na mesma cena, Jesus aparece e proclama aos presentes: “A paz esteja convosco”. “A paz do alento, irmãos e irmãs, da confiança, da esperança, uma paz interior que não lhes será tirada, roubada, nem pela guerra, nem pela desilusão, nem pela calúnia, uma paz que ninguém pode tirar. Não traz uma paz que de fora elimina os problemas, uma paz que infunde confiança, uma confiança interior. A paz de dentro que envia serem agora anunciadores e construtores da paz. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. Os discípulos desanimados recuperam a paz, mas na paz recebem uma missão” explicou o arcebispo. Esse desejo da paz e envio em missão expressam que para Deus não considera ninguém como inútil ou excluído. A paz dada por Jesus é um convite de “de anunciar a verdadeira paz”. Segundo o cardeal, o desejo de paz explícita que somos importantes, temos uma missão onde “ninguém pode realizá-la em teu lugar. És insubstituível. E Jesus poderia nos dizer, eu creio em ti. Por isso, a paz esteja contigo”. Meu Senhor e meu Deus No segundo encontro, Tomé está presente, deseja encontrar-se com Jesus e tocar as chagas do lado e das mãos para acreditar na presença Dele, pois não acreditava na palavra dos outros discípulos. Ao ver o lado e a marca dos cravos Tomé exclama: “meu Senhor e meu Deus”. O arcebispo refletiu que essa afirmação de fé, é apontada por Santo Agostinho como o despertar de Tomé: “via e tocava o homem, mas confessava a Deus que não via, nem tocava. Por meio do que via e tocava, venceu toda dúvida, acreditou no que não via”. “Não dizemos: escuta e vê que suave melodia, aspira e vê que perfume, degusta e vê o sabor, toca e vê como está quente, Sempre se diz ver, mesmo se ver é próprio dos nossos olhos. É assim que Jesus mesmo disse a Tomé, põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Lhe disse, toca e vê, mesmo se Tomé não tinha olhos no dedo. Dizendo, acreditaste porque me viste, Jesus refere seja ao ver que ao tocar. Se poderia também dizer que o discípulo não ousou tocá-lo, se bem que o Senhor o convidasse a fazer”, apontou o arcebispo. O evangelista não afirma se Tomé tocou as mãos e os lados, mas é possível intuir a sinestesia da cena. E por isso, destacou o arcebispo, “Jesus exalta e louva de preferência a fé dos povos”, ao citar aqueles que creram sem ver. Uma realidade da qual nós participamos ao vermos “a presença de Jesus no pão, nos irmãos, nos necessitados, na Palavra, na vida da comunidade” porque “somos tocados por Jesus”. “Não houve necessidade de tocar como desejara e impusera aos outros discípulos. Ao ver a Chagas é tocado e atingido em toda a sua pessoa, e é por isso que exclama: “meu Senhor e meu Deus”. E antes de tocar, é tocado. Antes de ver, Tomé é visto. Ele tinha razão no desejo de tocar e não apenas de receber notícias. Desejar um encontro e eis que o Senhor se apresenta e se apresenta com o amor que o amara até o fim, visível, tocável, visível, tocável, no lado aberto e nas chagas. E na admiração, na simpatia, na afeição, na cordialidade, numa profunda reverência exclama: ‘meu Senhor e meu Deus’”. A ousadia de Tomé  “E que ousadia, queridos irmãos e irmãs, a de Tomé. Na sua confissão deseja como que tomar posse de Deus e diz, meu Senhor e meu Deus. Em si, não que Tomé o desejasse a possasse, mas desejou expressar a sua disposição e disponibilidade para Jesus. É admiração, não posse. o desejo de ser todo de Jesus, uma nova pertença à pessoa de Jesus. Senhor, se assim me amaste, sou todo teu. Faz de mim o que quiseres, o que de mim fizeres, eu te agradeço. É como se confessasse, nada mais meu, sou todo teu. Por isso, meu Senhor e meu Deus”, refletiu Dom Leonardo. Essa atitude de Tomé ao dizer “meu Deus” e a nossa, de dizermos “nosso” refletem a exigência de “familiaridade” do amor e a exigência da “confiança” na misericórdia retomando o pensamento de Papa Francisco. Nas palavras do arcebispo, o pontífice apresenta um Deus “amante, zeloso, que se apresenta como teu, isto é, como meu, como teu”. Diante dessa compreensão, é possível entender a misericórdia como “o modo palpitar do coração de Deus em nossa relação”. “Então, como Tomé, não vivemos mais como discípulos vacilantes, devotos, mas hesitantes. Nós também nos tornamos verdadeiros enamorados de Deus. Não devemos ter medo desta palavra, enamorados do Senhor. Meu Senhor e meu Deus significa encantados, atraídos por Deus”, esclareceu o cardeal. Enviados como misericórdia Ao comentar o texto do Evangelho em que Jesus concede o Espírito Santo para perdoar os pecados, “depois de libertar, transformar, colocar de pé aqueles homens escondidos”, o cardeal explicou que Jesus “os envia como misericórdia”. E este envio como misericórdia, capacita “perdoar porque foram perdoados”. “É tão difícil sermos misericordiosos se primeiro não nos damos conta de que Deus é misericórdia para conosco. É próprio de Deus usar de misericórdia e nisso se manifesta de modo especial a sua grandeza, a sua força. A misericórdia divina não é de modo algum um sinal da fraqueza de Deus, pelo contrário, um sinal da benevolência de Deus. É por isso que a liturgia, numa das orações antigas, convida a rezar, Senhor, que…
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Cardeal Steiner na Páscoa: perceber e anuciar a vida nova

O cardeal Leonardo Steiner presidiu a Missa do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor na manhã de 5 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração marca o ínicio do Tempo Pascal no qual somos convidados a perceber e anunciar a vida nova oferecida por Jesus ressuscitado. O arcebispo de Manaus dedicou sua homilia a figura de Maria Madalena que, no texto evangélico, se dirige cedo ao túmulo e não encontra o corpo de Jesus. Filha amada A reflexão feita pelo arcebispo conduziu os presentes a vivenciar a cena: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram” pela perspectiva de Maria Madalena. Ela percorre a si mesma no espaço de tempo entre o túmulo vazio, o encontro com Pedro e João, e a certeza da ressurreição. Nesse caminho, percebe que seu “desconsolo” era pela sensação de perda do Mestre “como a um Filho amado, era do meu agrado, me agradava, me era agradável, o perdi na cruz e agora o perdi no túmulo vazio”. Maria Madalena sente a perda Dele “razão de minha vida, Ele amor de minha, Ele minha vida, vida da minha vida”. Ela que “dele ouvi, mas a Ele não via, tão ocupada estava com os homens da minha vida. Apenas ouvia falar do Homem de Nazaré”. Recordou do encontro em que  o viu e despertou o desejo de ouvi-lo. E ao ouvir as palavras dele que “penetravam as entranhas” de sua alma ao falar do Pai se sentia filha amada. “E quando Ele comigo se encontrou, nada de mais forte e suave, nada de mais suave e violento, nada de mais puro e transparente! Me senti completamente despida, mas não envergonhada. Não me cobiçava, não me desejava, apenas me amava. Nenhum homem havia me despido assim. Tão despida, tão desvestida, tão eu, eu mesma, como se estivesse só diante de Deus. Foi então que vi meu coração, tão desejoso, tão amoroso, tão sedento de liberdade, de verdade, de amor”, refletiu o cardeal. Vida nova Pelo caminho da memória de Maria Madalena, o arcebispo recordou sua entrada na casa do fariseu para lavar os pés de Jesus com suas lágrimas de arrependimento e “ele sem desprezo nem constrangimento se deixava tocar, se deixava lavar os pés”.  O toque onde se sentiu perto de Deus e “amada como uma Filha, quase como uma esposa. E em mim vida nova, pessoa nova, nova mulher, mulher inteira; tudo novo, novo mundo, nova terra um novo céu. Mas ainda não sabia que eu tocara e acariciara o próprio Deus”. O cardeal Steiner sublinhou que o convívio e o serviço transmitiam a ela liberdade e força. E com a perda de Jesus, restava a Madalena “o túmulo onde guardamos seu corpo frio e inerte” depositando o seu conforto. O desconforto com a ausência do Senhor que revelou a necessidade de perdê-lo para cresse no seu Senhor e Deus. “Foi preciso perder-te, foi preciso esvaziar o túmulo das minhas seguranças, foi preciso o vazio completo de tudo, foi preciso a liberdade onde meu nome ressoava para que cresse em ti meu Senhor e Deus. Somente agora creio, quando tudo perdi e te ouvi, razão do meu viver, vida de todo ser que vive”. O nosso peregrinar Não distante do momento histórico em que vivemos, o arcebispo considerou que o nosso peregrinar também busca consolo e encontra túmulos “abertos e vazios”. E como “Igreja feita da experiência da ressurreição”, é necessário “retirar a pedra e deixar que a esperança do Ressuscitado nos encontre e nos devolva vida em meio a tantas incertezas, sofrimentos, mortes”. Por isso, o cardeal reforçou a importância da Igreja de sair “como Maria Madalena a procura” do Mestre, mas de deixar-se “encontrar pelo Ressuscitado” e anunciar a sua ressurreição. E na experiência do Ressuscitado, “levar a todos a alegria do Evangelho”. Daí a necessidade de libertar o ressuscitado das “formalidades onde frequentemente o enclausuramos”. E levá-lo, como gesto de paz, para vida cotidiana marcada pela guerra, pela violência e por palavras violentas e ofensivas. “E, sobretudo, com obras de amor e fraternidade, familiaridade”, disse o cardeal. Como Igreja, somos o corpo de Deus, afirmou o Steiner, e por isso não devemos nos esquecer que louvar ao Senhor é o horizonte da Nova Vida apresentado pela morte e ressurreição de Jesus. De maneira que esse louvor não seja “só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações”, relembrando as palavras de Santo Agostinho. Por fim, o cardeal convidou a levar a todos a alegria do Senhor ressuscitado presente na comunidade dos discípulos missionários e das discípulas missionárias.

Cardeal Steiner na Vígilia Pascal: Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!

Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu a Celebração da Vígilia Pascal na Noite Santa do dia 4 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A Vígilia iniciou na área externa, com a bênção do fogo novo e acendimento do Círio Pascal, que representa de Cristo, Luz do mundo, vitorioso sobre a morte. O arcebispo emérito de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, participou das preparação do Círio Pascal inserindo o cravos. A cruz central: símbolo da redenção. A letra grega alfa (Α): Cristo é o Princípio. A letra grega ômega (Ω): Cristo é o fim. O ano atual representa Deus no presente e como Mestre e Senhor de toda a eternidade. O Χ e o P, letras gregas, que são o anagrama de Cristo (Χριστός). Gratuidade de um amor libertador Em sua homilia, o cardeal Steiner destacou que as leituras proclamadas na vigília são a memória de toda a história da Salvação. Na primeira leitura, foi apresentado o cuidado criador de Deus como uma “ação amorosa” que se expande e revela “seu amor trinitário”. Essa fonte criadora do Amor gera o homem e a mulher, como imagem e semelhança do Deus gerador. No horizonte da libertação do povo da escravidão do Egito, o cardeal sublinhou que essa atitude de Deus nos “para o seu amor libertador, a sua presença que abre mares, atravessa desertos para conduzir os escolhidos à terra da Salvação”. De maneira que “cantávamos com o povo de Israel liberto: ‘cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória; o Senhor é minha força, é a razão do meu cantar, pois foi para mim libertação’” Nesse amor libertador, Isaias a nos convidava: “Ó vós todos que estais com sede, vinda às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite sem nenhuma paga” (Is 55,1). Uma “gratuidade do amor de Deus que “alimenta e dessedenta os seus amados, as suas amadas, na gratuidade de seu amor”. Pois, nas palavras do cardeal, Deus “envia a palavra para orientar, iluminar, fecundar, alimentar, consolar: Deus nunca abandona seu povo, está na cercania, cuidando dos seus amados”. Mulheres do cuidado e do anúncio Outro elemento no Evangelho da noite é a presença das mulheres: “No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. Elas encontraram a pedra do túmulo removida” (Lc 24,1-2). Sua presença revela um amor que prepara, cuida e deseja corresponder ao amor recebido.  O Evangelho comunicando a ausência “do depositado e agora não mais encontrado” na sepultura, mas também “a presença anunciadora da ressurreição percutiu nos corações das mulheres anunciadoras, proclamadoras da ressureição”. O encontro das mulheres com o anúncio da vida e não mais “túmulo vazio” é o convite não temer a realidade da Salvação oferecida por Deus. Por isso, como diz o Evangelho, aquelas mulheres «estavam cheias de medo e maravilha» (Mc 16,8). Este maravilhar-se, segundo Steiner “é uma mistura de medo e alegria que se apodera dos seus corações, ao verem a grande pedra do túmulo rolada para o lado e, dentro, um jovem de túnica branca” dizendo que sigam para a Galileia pois lá estará o Ressuscitado. “As mulheres do cuidado, dos perfumes, do amor perdido, recebem o anúncio da Ressurreição. A Boa Nova de um amor que vence a morte e as guarda. Ele ressuscitou e segue à frente até a Galileia. Ele agora seguirá sempre à frente. Ele agora é a terra da promessa, Ele a realização, a completude das promessas, Ele o principiar de uma nova criação, de um novo céu e uma nova terra”, explicou. O cardeal enfatizou ainda que Pedro recebe o anúncio das mulheres como “um desvario, uma ilusão”. E mesmo “a remexer os lençóis onde estava envolvo o Senhor”,  ele “volta admirado, mas ainda não acreditado”. Essa atitude de Pedro revela a dificuldade de “entrar na dinâmica de um amor que se faz gratuidade”. Galileia como lugar de recomeço Compreender a ida à Galileia como um “recomeçar” é o convite de Jesus “para voltar ao lugar do encontro, do chamado, da vocação, da missão recebida, do amor primeiro”. Um convite que nos impele a recomeçar anunciando o Reino, a vida nova, e as novas relações. O encontro do Ressuscitado na Galileia inicia o Reino da verdade e da graça, o reino da justiça, do amor de paz. “Na Galileia, os encontros com o Ressuscitado, o maravilhar-se com o amor infinito do Deus, que traça novas sendas nos caminhos nas derrotas e contradições”. O arcebispo recordou que na noite da Vigília Pascal “recebemos novos irmãos e irmãs na nossa Igreja que está em Manaus em muitas comunidades pelo batismo”. E fez memória das meditações de Papa Francisco onde nos colocava diante da Galileia como lugar de “recomeçar sempre”, porque a vida nova de Deus é capaz, independentemente de todos os nossos falimentos, de reiniciar encontros e caminhos, explicou. Nessa perspectiva, Dom Leonardo enfatiza que Deus “sempre nos precede: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, bem como na glória duma vida que ressurge, duma história que muda, duma esperança que renasce”. E, parafraseando São Paulo na Carta aos romanos, “se fomos identificados com Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também na ressurreição. Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Considerai-vos vivos para Deus, em Jesus Cristo (cf. Rm 6,5.8.11)”. E por isso, os novos membros da Igreja de Manaus tem parte na vida do Ressuscitado: “Farão parte da história da salvação, serão recriados, re-gerados, revestidos de Cristo ressuscitado. Será o Ressuscitado a lavar as culpas, a restituir a inocência, a conceder alegria, a derrubar o orgulho, a dissolver o ódio, a oferecer a concórdia, a fraternidade, a paz. O Ressuscitado de entre os mortos, há de iluminar com a sua luz e a sua paz. Que possam viver e seguir o…
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Cardeal Steiner na Sexta-feira Santa: celebrar a radicalidade da nossa vida

“É a celebração da radicalidade da nossa vida. Porque Jesus foi ao mais radical da nossa existência humana, que é a morte”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner ao meditar as leituras da Celebração da Paixão do Senhor nesta Sexta-Feira Santa (3). O arcebispo de Manaus reforçou que o sentido dessa celebração é compreender que Jesus, ao vencer a morte, inaugura um “horizonte novo”, da morte como um processo de completude da vida. A celebração aconteceu no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, no bairro Praça 14. Desejados por Deus Em sua reflexão, o cardeal destacou que a Sexta-Feira Santa é um privilégio para nós cristãos católicos. Nela, é possível perceber “o quanto fomos amados desejados por Deus” e como Ele “se entregou por cada um de nós” em sacrifício. Isto porque “o sumo sacerdote agora é Jesus”, explicou o cardeal, “que se oferece como sacrifício por todos nós, por toda a humanidade. Nós até poderíamos dizer para todo o universo”. O arcebispo sublinhou que na Sexta-Feira Santa “recordamos o silêncio do mundo diante da morte”. Esse silêncio permite que ouçamos “mais facilmente o choro, o soluço”, mas também “repercute dentro de cada um de nós, especialmente quando se trata dos entes queridos mais próximos”. Essa repercussão, transfigura a sensação de perda dentro de nós no horizonte “extraordinário da ressurreição”, tornando-nos participantes na morte de Jesus. “Vivemos desta certeza, de que Jesus morrendo na cruz, Nos trouxe a vida. Que Jesus crucificado nos indica a vida maior. Aquele que morreu na cruz, indica que a morte é incapaz de vencer a vida. Que a morte jamais pode vencer a vida. Porque Cristo morreu. Deu a vida por nós. E ressuscitou como celebraremos amanhã na vigília” explicou o cardeal. Participar no sofrimento de Jesus Para ilustrar “os nossos sofrimentos” e “as mortes” como participações no sofrimento de Jesus”, o cardeal Steiner recordou que ao encontrar um enfermo o convida a “pedir a Jesus que ele deixe você participar do seu sofrimento para a salvação do mundo”. Essa sugestão provoca um estranhamento inicial, mas, em seguida, a pessoa “é capaz de dizer: ‘eu gostaria de participar dos sofrimentos de Jesus’”. Pois, segundo ele, “os nossos sofreres são participações no sofrimento de Jesus”. “Eu fico imaginando, por exemplo, tantas guerras que temos tido ultimamente só por cobiça de dinheiro. Quantas mães sofrendo? Quantas crianças sofrendo? Quantas crianças se tornaram órfãs? No mundo, eu fico olhando, meditando e pensando, todas elas participam da cruz de Jesus. E mesmo que elas não queiram, participam da nossa salvação”, enfatizou o arcebispo. Olhar para Jesus crucificado Evocando a memória de Papa Francisco, o arcebispo salientou que inúmeros santos e santas meditavam olhando para Jesus crucificado e a conversão de São Francisco de Assis aconteceu diante de uma cruz. Nessa perspectiva, o santo de Assis se tornou o amante da cruz, compreendendo que “era preciso reconstruir os corações”. Também em São Paulo, ao dizer “eu não anuncio, eu anuncio o Cristo crucificado, se encontra a radicalidade da fé cristã. “Aqui está a grandeza da nossa fé. Devagarinho irmos tentando sondar, compreender, meditar, contemplar a morte, mas como vida, como eternidade, como participação na vida de Deus”, disse o cardeal. Essa compreensão da grandeza de nossa fé perpassa as palavras de Jesus lidas no texto do Domingo de Ramos: “nas suas mãos eu entrego o meu espírito”. Porque nela está contida a participação na vida de Deus. Como disse o cardeal “sem nada mais. Tudo perdido. Tudo sofrido”, e no abandono “até o Pai” diz antes de expirar: “olha, o que eu tenho ainda te dou: o meu espírito”. No recolhimento que antecede o Sábado Santo, os presentes retornaram à Catedral em procissão com a imagem do Senhor morto para veneração.

Cardeal Steiner na Missa de Santos Óleos: o Reino de Deus nos torna participantes de um amor desmedido

“Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, para a Missa dos Santos Óleos, dia 2 de março, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração foi concelebrada pelos auxiliares Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson e Dom Samuel Ferreira. Além dos eméritos Dom Luiz Soares, Dom Mário Pasqualotto e Dom Derek Byrne. Aproximadamente 200 sacerdotes participaram da missa do Crisma onde renovaram suas promessas sacerdotais. A Vida Religiosa e grande número de fiéis também estiveram presentes num sinal de plena comunhão sinodal da Igreja de Manaus. Na celebração, foram abençoados os óleos que serão utilizados ao longo do ano nos sacramentos em nossas comunidades, áreas missionárias e paróquias. Um momento de renovação de fé e unidade. Em sua homilia, o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, agradeceu a disponibilidade daqueles que se propõem a anunciar a Boa-Nova do Cristo Crucificado-Ressuscitado. Confira a homilia do cardeal Leonardo Steiner na Missa dos Santos Óleos: Levantando-se para fazer a leitura, deram-lhe o livro de Isaías. Jesus se colocara a caminho ao regressar a Nazaré, espacialidade do crescimento em idade, sabedoria e graça. Na pequena sinagoga de Nazaré, lugar da escuta da Palavra, levantando-se, desenrola o livro e proclama Isaías, deixando percutir a sacralidade da palavra. Entre a proclamação de pé e o sentar-se, é encontrado pela sonoridade da Palavra. Hoje se cumpriu esta passagem que acabastes de ouvir. Na leitura foi lido: O Espírito do Senhor que o consagrou com unção aponta a missão anunciar a Boa-Nova aos pobres. Envia para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista. Libertar os oprimidos e para proclamar a graça do Senhor. sentindo-se ungido e enviado pelo Espírito, não mais deixou de levantar-se, pois percorria a Judeia, a Galileia, passando pela Samaria, entrava nas vilas, nas cidades, nas sinagogas, proclamando o ano da Graça, o Reino de Deus. Na disponibilidade, caminhante, desperta a todas para o cuidado do Pai, para com seus filhos e filhas, do mesmo modo como ele vela, cuida das flores do campo, dos pássaros do céu. Devolve à vida os adormecidos na morte. Oferece passos aos claudicantes. Possibilita a palavra ao desatar a língua. Sana os corpos e as relações. Devolve o movimento e a dinamicidade do encontro. Todos libertados, confortados, participantes de um encontro. E levantando-se, levantado pela Palavra, está sempre a caminho incansável, imparável. Disponibilidade na Missão Continua a leitura do cuidado do Pai nos pobres esquecidos. os colocados à margem pelas suas doenças do corpo e do espírito, sempre de pé, continua se levantando. De pé, a caminho se perfez envio missão até a cruz. E no alto da cruz, como ouvimos na narrativa da paixão no dia de Ramos, eu te ofereço o meu espírito. Na completa solidão, na suspensão de tudo e de todos, no quase esmorecer, no quase cair na tentação de não suportar a dor e a morte, levantado da cruz, se levanta. E na disponibilidade e na cordialidade da missão: Eu entrego o meu Espírito, levanta até o Pai a si mesmo. Ungido pelo Espírito, enviado para proclamar a Boa-Nova, esteve sempre no movimento do levantar-se, audiente e proclamante até a morte. Assim, exaltado, transfigurado, ressuscitado, como memorava o livro do Apocalipse que ouvimos, aquele que é, aquele que era, aquele que vem, foi feito em tudo e em todos no poder do amor. É que o amor sempre nos mantém de pé. A Boa-Nova aos pobres E nós, queridos irmãos, queridas irmãs, ao desenrolarmos o livro dos Evangelhos, nos lemos também nós, como ungidos e enviados, pois recebemos o Espírito que nos ungiu e consagrou no Batismo e na Crisma, para levar a Boa-Nova aos pobres. Também nós proclamarmos a libertação dos cativos e aos cegos a recuperação da vista, liberar os oprimidos e proclamar que somos todos participantes da graça. Todos nós, tomados pelo espírito da Boa-Nova, também nos levantamos. E nos colocamos a caminho, pois uma Igreja em Saída anunciar a alegria Daquele que venceu a morte, e na morte deu-nos vida e vida em plenitude. Levantados, levantadas. itinerantes a anunciar a todas as famílias, comunidades, casas e descasas, ruas, becos, caminhos, estradas, ramais e vicinais, periferias, comunidades ribeirinhas, nos condomínios abertos e fechados, o Reino de Deus, todos nós. Reino de Deus plenificado em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado. Anunciar com alegria o Cristo Crucificado-ressuscitado Participantes pelo Batismo da mesma unção envio, somos todos nós presença da vida nova, testemunhas da morte e da ressurreição. E como nos ensinava Papa Francisco, não anunciamos de maneira triste. Não anunciamos de maneira triste ou de maneira neutra, mas expressamos a alegria do hoje que se cumpriu a Palavra que acabamos de ouvir. Tudo cumprido em Cristo Crucificado-ressuscitado. A alegria do Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos. A alegria de Jesus ao ver que os pobres são evangelizados e que os pequeninos saem evangelizar. a Boa-Nova, o Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido. O “ser presbítero” Queridos irmãos presbíteros, na celebração do Crisma todos os anos renovamos as nossas promessas sacerdotais. Jesus no Evangelho nos convida a voltarmos a pequenina sinagoga da terra do nosso ser presbítero antes das promessas sacerdotais, no dia da nossa ordenação presbiteral, diante da comunidade, também nós nos levantamos e na disponibilidade e na prontidão, como Jesus em Nazaré, dissemos: Eis-me aqui. Hoje nos levantamos, mais uma vez, reafirmamos nossa disponibilidade e nossa prontidão de estarmos a caminho servindo o povo de Deus. Nos levantamos, percebendo-nos vocados, chamados pelo Espírito, repousados sobre cada um de nós, percebendo-nos…
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Cardeal Steiner: Como em Jesus, Deus não nos abandona.

Tantos momentos em que pensamos que Deus nos abandonou, mas como em Jesus, não nos abandona. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, ao presidir a missa do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (28), início da Semana Santa, na qual celebraremos os mistérios da Paixão, morte e Ressurreição de Cristo. A celebração, com grande número de fiéis e a presença do arcebispo emérito, Dom Luiz Soares Vieira, iniciou com a bênção dos ramos, na praça em frente à Catedral Metropolitana de Manaus. Em seguida, uma procissão até a igreja, recordando a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém para o mistério da morte-ressurreição. Solidário com as nossas solidões Em sua homilia, o arcebispo recordou o grito de Jesus: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, que reflete a proximidade com o Pai, mas também um eco da “humanidade abandonada”. Segundo o cardeal, o grito e o gemido de Jesus são por não “compreender o abandono do Pai”, assim como nós em “tantas situações desesperadoras”, não entendemos o porquê “do abandono e do sofrer, ou porquê das mortes, dos assassinatos, das guerras”. Nas palavras do cardeal Steiner, essa experiência de total abandono e desolação foi “por nós, para servir-nos”. Ele recordou que Papa Francisco nos ensinava meditando esse grito de Jesus na perspectiva do “abandono dos seus, que fugiram”. Nesse “abismo da solidão”, experimentado por Jesus, “restava-lhe, porém, o Pai” a quem se dirige nas palavras de um Salmo (cf 22,2).  “Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que não Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total, a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário com as nossas solidões. O fez por mim, por ti, por cada um nós”, afirmou o cardeal. No grito de Jesus, o grito da humanidade Ao comentar a primeira leitura, cardeal Steiner destacou, citando o livro de Isaías, o alento de ter o Senhor Deus como “meu auxiliador, por isso não deixei abater o ânimo”. Nessa perspectiva “da dor e da destruição da humanidade”, disse o cardeal, “Jesus se faz intimidade como Pai, exclama, grita não me abandones, de ti vim, para ti desejo voltar, não me abandones. E não o abandonou”, e assim também nós somos alcançados pelo auxílio de Deus em Jesus. “Porque Jesus diz: tudo o que Eu tenho, o que me resta, eu te dou o meu espírito. No grito de Jesus ouvimos a humanidade desesperada: dor, fome, fuga, imigração, guerra, a morte”, explicou o cardeal. Jesus transforma a nossa humanidade Ao refletir sobre a segunda leitura, onde Paulo aponta a condição de esvaziamento de Jesus que assume a “condição de escravo e tornando-se igual aos homens”, o cardeal aponta que “assim é Deus-cruz no qual reluz a nossa humanidade transformada”. Isto porque “Deus esvaziou-se, não se assegurou na sua divindade, mas se humilhou, trilhou o caminho da morte, se fez morte”. Essa atitude de Jesus nos permite ver “na morte a nossa salvação”. “Em Jesus nos vemos, em Jesus Crucificado nos lemos, n’Ele nos cremos. Participamos da sua sorte, isto é, da mesma morte, da vida. Na mesma morte, na mesma sorte de sermos perpassados pelo mistério da dor e da morte que nos desperta para vida da eternidade. Mistério da dor e da morte no qual nos movemos todos os dias, ora com mais intensidade, ora suavidade. Mas sempre envoltos por esse mistério incompreensível, mas que Jesus crucificado nos indica o horizonte, o sinal, a redenção, a salvação” explicou o arcebispo. O cardeal também indicou um caminho possível para trilhar na Semana Santa: “deixarmos tomar pelo mistério da morte como plenitude da vida”. Esse caminho, ajuda a compreender o “jogo de morte no qual Deus mesmo se inseriu e experimentou” como indicativo de que “no amor tudo se transforma”. E reforçou que a grandeza do abandono aponta não “uma piedade conformista, mas de um itinerário e caminho único de quem na fraqueza a possiblidade de transformação, de salvação”, capaz de iniciar uma vida nova com o Pai. Oferecer os frutos da conversão O arcebispo também recordou que a contribuição na Coleta Nacional da Solidariedade é a oferta dos “frutos do nosso caminho de conversão, do encontro com Jesus que deu sua vida por nós”.  Ela expressa um “desejo de identificação com Jesus”. E por fim, o cardeal agradeceu e aos irmãos e irmãs que, no período quaresmal, foram ao encontro dos necessitados continuando “o caminho de caridade”. A vida, morte e ressurreição de Jesus nos atrai e nos faz consolação. Em nome de todas as irmãs e todos os irmãos que receberam e receberão ajuda, a minha gratidão. “O Senhor das dores nos ajude no caminho desta Semana. Ele nos mostrará na dor e na morte não o reino dos mortos, nem o Reino dos mortos-vivos, nem dos vivos-mortos, mas apenas na morte o Reino dos vivos, o convívio o mais precioso e suave com o Pai. Entremos com Jesus em Jerusalém e experimentemos o que pode fazer de nós o Amor”, finalizou o cardeal.