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Categoria: Palavra do Presidente

Cardeal Steiner: a cruz é o caminho amor

Neste 22º Domingo do Tempo Comum (30), o cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos recorda o convite da liturgia de hoje a descobrir a “loucura da cruz”. O cardeal reflete que “a vida verdadeira e plena que Deus nos oferece, passa pelo caminho do amor e dom da vida: a cruz”. No Domingo passado Pedro recebia a revelação a filiação divina de Jesus, e hoje se escandaliza diante do “anúncio da paixão, do sofrimento, da morte de Jesus”.  Nas palavras do cardeal, “o final na cruz, não fazia sentido. Pedro não consegue entender que na cruz floresce a vida, que a vida é um dom, salvação”. Diante da cruz, Pedro não vislumbra “expressão mais radical e sublime de amor”, mas a condenação e o vilipêndio. “Nós como Pedro, desejamos nos afastar dos sofrimentos, das cruzes e mortes. Temos dificuldade de perceber a presença de Deus no despojamento, nas cruzes cotidianas, na negação de nós mesmos. Pouco ou nada diz a nossa finitude cercada de dor e fraqueza”, refletiu o cardeal. Desvelar-se O arcebispo nos recorda que Jesus Crucificado e o Pai se tornam um na cruz. No entanto, é preciso tempo para o desvelar dessa compreensão. Por isso, ele evocou a figura de São Paulo para explicar que “o cristão vive da cruz, da grandeza da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. O santo proclamou “quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz de Nosso, Senhor Jesus. Doravante ninguém me moleste, pois eu trago em meu corpo as marcas de Jesus” (Gl 6,14-17). Para o cardeal Steiner, existe, na meditação da cruz, “um mistério que fala no silêncio e recolhimento da incompreensão”, mas que revela no Crucificado “um amor que salva e redime o universo”. “Quantas vezes nos nossos sofreres acabamos vazios de sentido e, no entanto, acabamos caindo nas mãos amorosas de Deus? Quantas vezes o sofrimento abre um horizonte novo que antes não vislumbrávamos, não intuímos, mas que de repente se torna clarividente? E a vida toma nova cor, novo sabor! Novo viver, já não de nós mesmos, mas de Deus”, considerou o cardeal.  O convite de Jesus, que parte de uma negação de si mesmo, se atualiza pela atratividade do Pai. Nas palavras do cardeal, “é a força do Pai” que desperta um desejo de seguimento “porque atraído, segue porque alcançado por Cristo”.  É um movimento simultâneo “da busca de Deus por nós” que se oferece “para que venhamos à vida e à graça do Evangelho”, e “da nossa parte a tentativa de correspondência ao segredo depositado em nosso coração”. Seduzidos por Deus Ao considerar a experiência de Jeremias na primeira leitura, o cardeal nos lembra que o profeta descobre a experiência de “cruz” ao se contrapor a lógica dos poderosos. Diante do sofrimento, Jeremias descreve a sua experiência de “cruz”. Seduzido por Deus, colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e de seu povo. Mesmo na desilusão, “continua a anunciar a beleza do primeiro amor, o amor de Deus pelo seu Povo”, porque “o inusitado da atração de Deus” faz acender a correspondência de amor. “Deus é tão desejoso e dadivoso no seu amor, que nos seduz. Ele é um sedutor amoroso; não desiste jamais de oferecer vida e salvação a todos os filhos e filhas. Ele no amor é sempre irresistível, pois incansável, forte, repleto de um cativante poder de convencimento. A vida cristã tem o sabor da sedução de Deus para conosco, também na cruz”, explicou o arcebispo. E nesse amor despertador, que nos seduz e nos impele o desejo de correspondência e nos oferece a clareza de compreender “que quando iluminados, quando despertados, quando atraídos, somos tomados pelo fogo do amor, pelo desejo de corresponder, pela força que nos permite estar ao lado de quem seduziu, atraiu no amor. Eis a cruz do ser cristão!” Tomar a cruz “Tomar a cruz” de Jesus e segui-lo. A cruz é a expressão de um amor total, radical, que floresce na morte. Significa a entrega da própria vida por amor. “Tomar a cruz” é ser capaz de gastar a vida – de forma total e completa – por amor a Deus e para que os irmãos e as irmãs sejam mais felizes”, explicou o cardeal. O arcebispo esclareceu que existe uma lógica da cruz que é oferecer a vida por amor, não como uma perda, mas como um ganho de plenitude de vida. É a lógica do Reino de Deus que expõe à compreensão de “que a nossa vida neste mundo não é a vida definitiva”. Nessa dinâmica de Deus, a “vida tem sentido quando assumimos os valores do Reino” e vivemos no “amor, na partilha, no serviço, na solidariedade, na humildade, na simplicidade”. Nesse horizonte, o cardeal destacou que o Evangelho de hoje nos recorda que o verdadeiro discipulado a Jesus deveria “superar os ritualismos, as meras fórmulas, as práticas pietistas, as obrigações legalistas”. Para que no seguimento a Jesus construamos um ser cristão pautado em Jesus e na sua proposta de vida que dá sentido a nossa existência. “Um convite a oferecermos a nossa vida cotidiana a Deus através dos irmãos. O verdadeiro sacrifício, vivo, santo e agradável a Deus é uma vida que se assemelha à vida de Jesus que vai até a doação unificadora da cruz”, enfatizou o cardeal.

Cardeal Steiner: como Pedro proclamar que Jesus é o Filho de Deus

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), nos recorda que o Evangelho do 21º Domingo do tempo Comum é um convite a sermos como “Pedro: proclamarmos que Jesus é o Filho de Deus”. A afirmação nasce espontânea à pergunta de Jesus “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e revela como Jesus é visto entre povo.  O modo de Jesus nas “palavras, gestos, proximidade, milagres” desperta para “presença de João Batista, de Elias, de algum dos profetas” como “uma pessoa enviada”. “É o dizer, o opinar, o avaliar em geral; a percepção, a intuição de uma pessoa ligada à tradição, à história do povo. Pensar que fosse João Batista, Elias, Jeremias tinha um alto significado. Um profeta em Israel era uma pessoa chamada, escolhida de Deus, o recordador da Aliança, o despertador do Povo para voltar à beleza do primeiro amor. Os discípulos eram bons ouvintes, sabiam o que o povo pensava e sentia”, ressaltou o cardeal. E vós Na continuidade do diálogo, Jesus direciona sua pergunta a cada um dos discípulos para que revelem suas próprias percepções. Nas palavras do cardeal, “Vós que andais comigo, vós que participais da minha vida, vós que a cada dia me ouvis, me conheceis de perto: quem, sou eu para vós?”. O mesmo questionamento se aplica particularmente para cada um de nós nos dias de hoje, quando pensamos no que Jesus significa para nós e não construímos dele por meio de uma “resposta da opinião pública, da opinião corrente, do WhatsApp.” Em seguida, o arcebispo nos recordou que Simeão vem do hebraico Shim’on, de shamá, que significa “ele ouviu”; ele é bom “ouvinte”, afirmou. E como bom ouvinte, Simão olha para Jesus e confessa: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Isto é, como “bom ouvinte sonoriza, verbaliza o que ouviu e viu”. Pedro não vê “um profeta, um Batista reencarnado”, mas “o Messias, o Filho de Deus”. Nessa confissão de Pedro nos reúne como “comunidade dos que creem” fundamentada em Cristo que é a “razão da nossa vida”. “A confissão de Pedro é a nossa confissão. A capela de madeira envelhecida e pendida no alto da colina, tem sua confissão; a pequena igreja fechada junto à estrada de terra, tem a sua confissão. Ali está uma comunidade, uma igreja, ou esteve uma igreja, uma comunidade de fé. É ou era o lugar de encontro porque Cristo é a pedra, o fundamento. Continua a confessar a presença de Cristo. Nós, mesmo nas nossas incapacidades e traições somos uma confissão de Cristo”, refletiu o cardeal. Onde vais? Diante de nossas contradições e contratestemunhos seguimos visibilizando a “confissão de Pedro: ‘Tu és o Filho de Deus’”. Em sua reflexão, o cardeal Steiner nos convidou a “dizer: ‘Tu és o Filho de Deus’”. E desse modo, “o Pai do céu” pode “revelar aos corações distraídos e endurecidos a presença inefável do Filho e a suavidade do Espírito”. É a partir dessa confissão que Jesus muda o nome do discípulo que “de Simão, passa a Pedro; Pedro-pedra; pedra-Pedro!”. “Pedro é pedra, é rocha, e por ser pedra também é pedrisco. Pedrisco, pois é um homem fraco e frágil, trai a Jesus. Às vezes não compreende o que Jesus faz. Diante da prisão de Jesus deixa-se dominar pelo medo e nega a Jesus. Na fraqueza se arrepende e chora amargamente (cf. Lc 22, 54-62). Não tem a coragem de estar aos pés da cruz. Esconde-se com os outros no cenáculo, com medo de ser aprisionado (cf. Jo 20,19). Em Antioquia, tem vergonha de estar com os pagãos convertidos, e Paulo exorta-o à coerência (cf. Gl 2,11-14); e segundo a tradição do Quo vadis, procura fugir diante do martírio, mas ao longo do caminho encontra Jesus e readquire a coragem de voltar atrás”. Pedro edifica a Igreja O arcebispo de Manaus também recordou que Papa Francisco indicou o significado da mudança do nome: “Pedro é uma rocha: em muitos momentos é forte e firme, genuíno e generoso. Deixa tudo para seguir Jesus (cf. Lc 5,11), reconhece-o como Cristo, Filho de Deus vivo (cf. Mt 16,16), mergulha no mar para ir depressa ao encontro do Ressuscitado (cf. Jo 21,7). Além disso, com franqueza e coragem, anuncia Jesus no Templo, antes e depois de ser preso e flagelado (cf. At 3,12-26; 5,25-42). A tradição nos fala também da sua firmeza diante do martírio, que teve lugar precisamente aqui (cf. Clemente Romano, Carta aos Coríntios, V,4). O papa refletiu que Pedro é também uma pedra: é uma rocha e inclusive uma pedra, adequada para oferecer apoio aos outros: uma pedra que, fundamentada em Cristo, serve de sustentáculo para os seus irmãos na edificação da Igreja (cf. 1Pd 2,4-8; Ef 2,19-22). Também isto encontramos na sua vida: responde ao chamamento de Jesus com André, seu irmão, Tiago e João (cf. Mt 4,18-22); confirma a disponibilidade dos Apóstolos a seguir o Senhor (cf. Jo 6,68); cuida de quem sofre (cf. At 3, 6); promove e encoraja o anúncio comum do Evangelho (cf. At 15,7-11). É “pedra”, é ponto de referência fiável para toda a comunidade” (Papa Francisco, Angelus, 29/06/2023). Nossa fraqueza Ao meditar as palavras da segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Romanos (11,33-36), o cardeal nos lembra que “Deus na sua sabedoria conta com a fragilidade de Pedro e na sua sabedoria conta a nossa fragilidade para a edificação do Reino de Deus”. Ele afirmou que “Jesus quer continuar a construir a sua Igreja, esta casa com fundamentos sólidos, mas onde não faltam fendas, e que precisa continuamente ser concertada. Sempre”. “A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, concertada. Sem dúvida não nos sentimos rochas, mas apenas pequenas pedras. Contudo, nenhuma pequena pedra é inútil, aliás, nas mãos de Jesus a pedra mais pequenina torna-se preciosa, porque Ele a recolhe, a conserva com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção”, explicou o cardeal.  E por isso “cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção…
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Cardeal Steiner: fazer a travessia para a margem da doação, da generosidade, da fé

No 19º Domingo do Tempo Comum, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus nos recordou a necessidade de fazermos a travessia para a margem da doação, generosidade e da fé. A liturgia apresenta o momento após a multiplicação dos pães em que Jesus envia os discípulos para a outra margem e sobe a montanha para orar a sós. “Ele busca a solidão para encontra-se a sós com o Pai. E no encontro com o Pai, não mais sós. O Pai é seu repouso, seu conforto, a sua sabedoria, a sua inspiração. No encontro do silêncio da noite pode ouvir o Pai. Solidão, pois só com o todo, tudo ali no encontro com o Pai. O Pai e eu somos um: comunhão, coração no coração do Pai. Jesus que recolhe o dom do tudo no pouco e oferece ao Pai. Agradece ao Pai, louva e bendiz o Pai. O Pai a sua inspiração, pois desejo de fazer sua vontade”, refletiu o cardeal. Jesus percebe a dificuldade dos discípulos de aportarem a outra margem por conta das ondas agitadas e do vento contrário. Aqueles homens “tocados pela beleza da partilha”, ao “percorrem o caminho da outra margem entram em crise. Os discípulos “haviam percebido em Jesus a transformação, a abundância, o cuidado”, mas não suportam as “contrariedades, as dificuldades nas ondas agitadas e no vento forte”. A presença de Jesus O cardeal Steiner continuou sua reflexão apontando o significado da noite, das ondas e dos ventos contrários e a presença de Jesus diante das dificuldades. A “noite” revela a insegurança dos discípulos de Jesus diante dos caminhos quem devem percorrer. Já as “ondas”, demostram as hostilidades e os embates “contra o barco da vida”. E os “ventos contrários” são “as resistências ao projeto de Jesus, o Reino dos céus”. “Os discípulos sentem-se perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as forças contrárias à vida com Jesus. Difícil permanecer na atenção e na sintonia da doação do pouco, tudo. Naquele pouco do pão houve pão para todos. Em meio às intempéries Jesus se faz presente. Ele se apresenta caminhando com a noite, com as ondas e os ventos contrários. Ele ‘caminha sobre o mar’”, explicou o cardeal. Sou Eu “No meio da agitação, em meio a visão o pavor e o medo, vem-lhes ao encontro a palavra: “Sou eu”! Não tenhais medo, coragem, calma, tranquilizai-vos sou eu, apenas eu. Estavam agitados demais, inquietos demais, para perceberem que era Jesus”, refletiu o cardeal. Jesus se aproximou dos discípulos “andando sobre as ondas agitadas e o vento contrário” e ao avistá-lo “foram tomados de pavor, e gritaram de medo”. A revelação de sua identidade faz com que Pedro queira aprender a “caminhar na liberdade das ondas agitadas e do vento contrário”. E reconhecimento de suas agitações e incompreensões necessitam de Jesus. Mesmo diante do “Vem!” de Jesus, Pedro desceu da barca e foi ao encontro de Jesus, “o vento, o medo, a dúvida, a mente distraída, o leva para o fundo”. “O sou Eu, no mar agitado da vida, nas agitações e dúvidas interiores que a cotidianidade desperta também em nós o caminhar sobre, desfazendo-nos das aflições e às vezes até das angústias. Também nós suplicamos: deixa-me ir ao teu encontro. E Ele benevolamente, amavelmente nos diz “vem!” E pensamos que Ele retira os dessabores, as mortes, as aflições naquele vem”, ressaltou o arcebispo. Salva-me Ao perceber que estavam afundando Pedro invoca “Senhor, salva-me”!. Essa súplica de Pedro revela também “os nossos impulsos e debilidades” ao percorrermos “o caminho da fé”. E em nossos naufrágios do caminhar “com confiança dizemos: salva-me”. E no caminho “ao encontro de Jesus ressuscitado” apresentamos nossa fragilidade e pobreza, a inquietude que é “vitoriosa, no meio das tempestades e dos perigos em que vivemos” porque Jesus “estende sempre a mão e nos ergue”. O cardeal nos convidou a repetir as palavras de Pedro como uma oração: “Senhor, salva-me!”. E recordou as palavras de Papa Francisco, “Jesus é a mão do Pai que nunca nos abandona; a mão forte e fiel do Pai, que quer sempre e só o nosso bem. A fé é manter o coração voltado para Deus, para o seu amor, para a sua ternura de Pai, no meio da tempestade. Na escuridão, na tristeza, caminho perturbado, bloqueado por forças adversas, digamos “Senhor, salva-me”. Na pobreza da fé “Senhor, salva-me”, pois Ele passou pela morte nos salvou. Ele sempre está ao nosso lado. (cf. Papa Francisco, Angelus, 9/08/2020) Presença sutil Na primeira leitura da liturgia (1Rs 19,9a.11-13a), Dom Leonardo recordou a presença sutil de Deus quando Elias é convidado a perceber a passagem de Deus. E destacou a presença Dele “na suavidade da brisa”. Nessa mesma reflexão trouxe o texto de Martin Buber que traduziu a passagem bíblica revelando a sutileza da “presença de Deus, de Jesus, mesmo em meio aos tormentos e desilusões”: “E falou: Para Fora De pé, para a montanha, diante da minha face! E Passando Ele: Um vendaval tempestuoso imenso e violento, Fendendo montanhas, esmigalhando rochas, De lá, da sua face: Ele, não, na tempestade – E após a tempestade, um terremoto: Ele, não, no terremoto – E após o terremoto, um fogo: Ele, não, no fogo – Mas, após o fogo, A voz do silêncio suspenso.” (Em: Zwischen Rosen und Schatten). “Deus não é o grande rumor, não é o furacão, não é o incêndio, não é o terremoto, mas é a brisa ligeira, é aquele “fio de silêncio sonoro” que não se impõe mas pede para ser ouvido: “Sou eu”! Naquele “coragem, sou eu”, a suavidade de uma brisa suave, um silêncio sutil!  Aquele silêncio de Jesus: vem! Aquele silêncio suspenso a ergue Pedro que se sentia tragado pelas águas. Suspende a Pedro, mantém, sem violência, na suavidade de uma presença que conduz à outra margem”, evidenciou o cardeal. Dia dos Pais Nesse domingo o Brasil recorda o Dia dos Pais, por isso o arcebispo insistiu para que rezemos pelas nossas mães e pelos nossos pais durante mês vocacional. Segundo…
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Cardeal Steiner: Somos todos vocacionados a semear a Palavra

Somos todos vocacionados a semear a Palavra. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, durante celebração Eucarística das 7h30, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição. Os mais de 70 congressistas do Pré-Congresso Vocacional Regional estiveram presentes na celebração que marcou o último dia do encontro. Em sua homilia o cardeal recordou que todos somos convidados a ser terra fértil que dá frutos, e nos leva à plenitude da vida. Os bispos Dom Wilfried Theising, auxiliar da Diocese de Münster (Alemanha), em visita à Arquidiocese de Manaus e Dom José Albuquerque, da Diocese de Parintins e Referencial para o Serviço de Animação Vocacional Nacional (SAV) concelebraram a Eucaristia. Além de Pe. Valmir Costa, coordenador do Departamento de Formação do Instituto Pastoral Vocacional (IPV), assessor do pré-congresso; os padres Leonardo dos Santos, assessor do SAV arquidiocesano e Pedro Cavalcante, Reitor do Seminário Arquidiocesano São José; Pe. Alex Mota, da Prelazia de Itacoatiara, os padres Marco Aurélio e Lyvio Costa, da Diocese de Parintins; Pe. Josinaldo da Silva, da Diocese de Coari e Pe. Pedro Cezar do Amaral, de Tabatinga, Diocese do Alto Solimões. Você confere abaixo a homilia do cardeal Leonardo Steiner: O semeador saiu a semear. A palavra que desde toda a eternidade está semeando. Desde toda a eternidade está semeando. Semeou, estrelas, semeou sóis, luas, plantas, águas, animais. Vemos a mão generosa que lança sementes e que os números não controlam, os cálculos enlouquecem. Não foi a Palavra que tudo criou, nos gerou? Semeou um povo que gerou o Filho de Deus, a filha de Sião, e semeou esperança, libertação, coragem, fidelidade, e continua a semear. E nós somos os receptadores, receptadoras da Palavra. A Palavra do amor, a Palavra da conversão, a Palavra da esperança, a Palavra da libertação, a Palavra do afeto. Quantas sementes a quase enlouquecer o nosso coração. O semeador é esparramar palavras. Quase nos foi dado vir o cair das sementes pela abundância do semeador. Generoso, abundante, desmedido, a semear. Semeia à beira do caminho, semeia entre pedras, entre espinhos, até encontrar a terra boa. Semeia, semeia sempre. Teimosamente semeia. Não houve lugar onde as sementes não caíssem. E semeou, espalhou, espargiu como se desejasse que toda a terra recebesse o dom da semente. Não que distribuísse as sementes, pois era generoso demais em apenas entregar ou deixar cair. Ao lançar com a mão semeadora, buscava espaços para que a semente pudesse germinar, mais, frutificar. Sementes irradiadoras não porque sobrassem, mas porque ele procura e busca o lugar para germinar e frutificar. Talvez possam crescer também à beira do caminho, talvez até entre pedras, talvez até entre espinhos. E na medida em que acompanhamos a palavra que é lançada em todas as direções, em todos os espaços, somos tomados de uma espécie de encanto, admiração pela abundância, a generosidade do semeador. Esperança de quem ao semear deseja germinação, frutificação. A sementeira foi feita pelos apóstolos e pelos profetas, mas é Jesus quem semeia, nos diz Santo Agostinho. Semeando, pois, entre as nações, o que disse Cristo? Um semeador saiu a semear. No outro texto, os semeadores foram enviados para colher. Agora, o semeador sai para semear. Não se queixa, no entanto, do trabalho. Com efeito, que importa que o grão de trigo caia beiro do caminho sobre as pedras ou entre espinhos? Se ele se deixasse desencorajar por esses lugares ingratos, não avançaria e não chegaria até a terra boa. É de nós que fala o texto, nos diz Santo Agostinho. Ele está a falar de cada um de nós. Seremos esse caminho, essas pedras, esses espinhos? Somos a terra boa? Dispomos o nosso coração para produzir 30 vezes, 60 vezes, 100 vezes, poderíamos dizer mil vezes. 30 vezes, mil vezes, sempre trigo, apenas trigo. A graça, a força da Palavra. Não sejamos mais esse caminho onde a semente é pisada por quem passa e onde o nosso inimigo agarra. Nem essas pedras onde a terra é pouco profunda faz germinar rapidamente um grão que não consegue resistir ao calor do sol. Nunca mais esses espinhos, as ambições deste mundo, esse hábito de fazer o mal. E conclui Santo Agostinho, com efeito, que coisa pior pode haver do que aplicar todos os esforços a uma vida que impede chegar à plenitude da vida? Que coisa mais infeliz que escolher a vida para perder a vida? Que coisa mais triste que temer a morte para sucumbir ao poder da morte? Arranquemos os espinhos, preparemos o terreno, recebamos a semente, aguentemos até a colheita, aspiremos por poder dar muito fruto. Então, queridos irmãos, queridas irmãs, dispomos a nossa pessoa, o nosso ser, para sermos aqueles, aquelas que produzem 100 vezes mais, 60 vezes mais, 30 vezes mais. Não sejamos esse caminho onde a semente é pisada por quem passa, não sejamos as pedras com pouca umidade, não sejamos os espinhos que sufocam a graça da Palavra. Jesus é o semeador, mas ao mesmo tempo a semente. A Palavra, a Palavra que saiu de Deus e veio semear, e semeia e continua a semear sempre, senão não estaríamos aqui, senão não faríamos um pré-congresso vocacional, se não tivéssemos recebido a graça da Palavra, a semente da Palavra de Deus. A generosidade e a gratuidade de quem semeia não está preocupado com o grão de trigo que cai à beira do caminho, sob as pedras ou entre os espinhos. Ele se deixa desencorajar por esses lugares ingratos? Não, porque senão não avançaria até a terra boa. Não importa o terreno, as dificuldades ou contrariedades, muito menos as perspectivas de sucesso da colheita. O que importa é semear, é espargir. Como Deus, queridos irmãos e irmãs, é extraordinário, está insistentemente semeando em cada um de nós. Semeando em cada um de nós em todas as nossas situações existenciais em todos os nossos fechamentos e distrações em todas as nossas rejeições e afastamentos em todas as nossas recusas assim mesmo ele semeia não deixa de semear sejamos então terra boa. A terra é boa, o…
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Cardeal Steiner: discípulos anunciadores da vida nova

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, recordou que Deus se compadeceu dos sofredores e enviou os discípulos para anunciar a vida nova em Jesus Cristo. No texto do Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum, Jesus se depara com “as multidões cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor”. Tomado pela compaixão, envia todos nós como anunciadores da esperança do Reino presente na história. “Deus, queridos irmãos, queridas irmãs, é um Deus de compaixão. A compaixão, dizia Papa Francisco, é a fraqueza de Deus, mas também a sua força. É o que de melhor nos ofereceu, pois foi compaixão que levou o Pai a enviar Jesus, o seu Filho único. A compaixão é a linguagem de Deus, é o modo de Deus. A compaixão é confiança no amor providente de Deus. Então, Jesus compadeceu-se, foi tomado de compaixão, é que a compaixão vê realidades que nós, na cotidianidade, não vemos”, destacou o cardeal. Manifestação concreta do amor Ao refletir a primeira leitura do Livro do Êxodo (19,2-6a), o cardeal recordou a compaixão de Deus que toca as realidades do cotidiano. No texto, Deus oferece uma declaração de amor concreto ao seu povo por meio do cuidado das necessidades, sejam do corpo ou do espírito. O povo escolhido sente a compaixão manifestada no Reino de proximidade anunciado pelos discípulos. “A verdadeira compaixão, queridos irmãos e irmãs, é um sofrer com os outros, é assumir a dor dos outros, é fazer-se um com o outro que sofre. Jesus encontra gente simples, pobre, doente, pecadora, marginalizada, cansada. Multidões que necessitavam uma palavra de esperança, de força, de vida nova. Multidões cansadas, desgarradas, como quem não tem pastor. O pastor que encontra e busca as multidões para oferecer-lhes o remédio para uma cura do cansaço e do abatimento”, disse o arcebispo. Proclamar a proximidade de Deus O envio dos discípulos ultrapassa um simples direcionamento do povo, é a proclamação do reino “da proximidade, o reino da justiça, o reino da compaixão”. O arcebispo enfatizou que “a primeira missão dos discípulos e também a nossa, é proclamar que Deus está próximo”. Essa proximidade de Deus nos prepara para a libertação e para a vida plena na gratuidade do amor. “Essa é a mensagem que nós anunciamos. Essa proximidade anima também os nossos passos, revigora as forças, concede olhos para ver novos horizontes, um novo modo de viver. Por isso, o anúncio do Reino acontece na gratuidade, um proclamar gratuito, mas proclamar a gratuidade da vida. O reino novo tem sinais, oferece indicações para despertar do abatimento e do cansaço”, esclareceu o cardeal. Sinais do Reino O arcebispo apontou os sinais do Reino no texto do Evangelho que incluem a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a purificação dos leprosos e a expulsão dos demônios. Esses acontecimentos são sinais de transformação, de elevação, de saúde corporal e espiritual “diante do inquietante abismo aberto” pelo “modo de viver da cotidianidade longe de Deus”. Hoje, esse distanciamento pode ser compreendido também pela lógica do avanço da ciência e da técnica que nos afasta da percepção do amor de Deus no dia a dia. “Vemos pessoas correndo imersas numa vida nervosa, intensa de atividade, esvaziando-se por dentro, sem saber exatamente o que desejam, o que querem. Não tem lugar para chegar, não tem porto para colocar o barco da existência. E Jesus no Evangelho dizia, o reino de Deus está próximo. O envio de Jesus diante do abatimento e cansaço também é para nós que estamos enfermos e necessitados de cura, mortos que precisamos de ressurreição, possessos que esperamos ser libertados dos demônios que nos impedem de viver como filhos e filhas de Deus”, apontou o arcebispo. Liberdade do Reino Outra relação proposta pelo Reino de Deus é da libertação de “tudo que rouba a vida, que rouba o bom humor, a graciosidade de viver”. Segundo o cardeal, o anúncio desperta “mulheres e homens para o dom da vida, do amor, da força da esperança, para que despertem da morte cotidiana”. O Evangelho é a força para vencer a “dureza impiedosa da vida diária”, da pobreza da fome e do abandono e restabelecer a convivência do amor. “Elevar para o amor à vida, a vontade de lutar, o desejo de libertar a confiança em Deus. Sim, irmãos e irmãs, ressuscitar, viver, andar, caminhar, esperançar. Ouvimos também purificar os leprosos, purificar, limpar o corpo social da mentira, da hipocrisia, da falsidade, da vontade de poder, do convencionalismo. Purificar o corpo social para viver na verdade, na simplicidade, na bondade, na transparência, na honradez, na justiça, não do engano”, enfatizou o arcebispo. Refazer o tecido das relações Refazer o tecido das relações é “expulsar tantos demônios que esvaziam perverte em a vida familiar a nossa vida social, mas também às vezes a nossa vida eclesial”. Para que nelas não prevaleçam as disputas e desejos de poder que ferem a fraternidade. Somente transformando a nossa vida em amor é que testemunharemos o Reino da compaixão anunciado pelos discípulos. “É um anúncio que se faz através do testemunho da nossa vida de sermos seguidoras e seguidores de Jesus. Então, somos convidados no Evangelho de hoje a nos curarmos, a ressuscitarmos, a sermos suporte, a ajudar as pessoas a voltar a sorrir, a ter esperança na vida. É que a compaixão, queridos irmãos e irmãs, supera a indiferença. Como nos lembrava Papa Francisco ir ao encontro dos irmãos e irmãs oprimidos por condições de vida precárias, por situações existenciais difíceis e desprovidas de pontos de referência de vida”, recordou o cardeal. Vencer a indiferença Ao partirmos e encontrarmos “pessoas cansadas, abatidas, sem sentido, sob o peso insuportável do abandono”, somos convidados a vencer a indiferença que fere a dignidade das relações. Isto implica reconhecer situações de injustiça e o “fardo de um sistema econômico que explora”. Por isso Jesus convida todos “a serem compaixão, cuidado para com os outros” superando o distanciamento. “O que nos salvará não será o conforto, os meios eletrônicos, o bem-estar, as riquezas, a tecnologia, mas…
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Cardeal Steiner: como Mateus, seguir Jesus com as nossas fraquezas

“Como Mateus, sigamos a Jesus com as nossas fraquezas, sigamos a Jesus com os nossos pecados para que ele use para conosco de misericórdia”.O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, refletiu sobre o chamado de Mateus proposta pelo Evangelho do 10º Domingo do Tempo Comum, 7 de junho. A celebração aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30. Em sua homilia, o arcebispo descreveu a pintura de Caravaggio, da igreja de São Luís dos Franceses, em Roma, para recordar que Jesus veio para chamar os pecadores. “Jesus aponta para Mateus e o rosto dele está completamente iluminado, porque da janela vem uma luz que passa pelo dedo de Jesus e vai até Mateus. E Mateus aceita o convite de Jesus. É um quadro belíssimo do chamado. E hoje talvez o Evangelho nos indica o caminho de nós que somos frágeis e pecadores: ‘Eu vim chamar, não vim chamar os justos, mas os pecadores’”, disse o cardeal. Mateus, o pecador A mensagem da vinda de Jesus para chamar os pecadores poderia ser o ensinamento do Evangelho narrado por Mateus. Segundo o cardeal, “Mateus sabia de seu pecado, da sua traição, do seu desalinho em relação à lei. Talvez até tenha se envergonhado ao ser chamado por Jesus”. No entanto, o próprio nome, que significa dom de Deus, sugere porque Mateus se “levantou da mesa dos impostos e seguiu Jesus, convidando depois a fazer refeição em sua casa. “Ele desempenhava a função de cobrador de impostos em Cafarnaum. Ele era um dos que faziam pagar os impostos do povo de Israel para os romanos. Cobradores de impostos publicanos eram homens desprezados, às vezes até odiados. Eram considerados impuros, pecadores. E Jesus, ao olhar para Mateus, viu nele um anunciador, apesar de pecador e cobrador de impostos. Viu nele um propagador do Reino de Deus, um testemunhador da vida de Deus. O chamou e Mateus iniciou o caminho da redenção, da salvação, da santificação”, explicou o arcebispo. Um Reino para todos Ao ouvir o chamado de Jesus para segui-lo, Mateus se levanta imediatamente e deixa o lugar do “ganha-pão, o lucro seguro”. E mesmo pecador, convida Jesus “para tomar a refeição na sua casa”. O cardeal explica que o levantar-se do pecador é o caminho do seguimento do Reino oferecido por Jesus que “não distingue entre bons e maus, justos e injustos. É a proposta de sanação, de salvação, de eternidade”, pois em seu Reino há lugar para todos justamente porque “não existem desclassificados, não existem marginais, existem filhos e filhas de Deus”. “Alegria de seguir, de encontrar a salvação. Porque segue e convida o mestre a fazer refeição em sua casa. Agora não mais impostos, não mais enganos a serviço do estrangeiro. Agora convívio, familiaridade, convivialidade. Jesus chama um publicano, um cobrador de impostos. Os cobradores de impostos eram gente desclassificada socialmente entre o povo judeu. Catalogada como pecadora sem qualquer possibilidade de salvação”, sublinhou o cardeal. O homem novo Na sequência de sua reflexão o cardeal recordou o ensinamento de Santo Ambrósio, comentando a vocação de Mateus, onde diz que Cristo não restaura o velho homem, mas cria o homem novo. A vida nova de Mateus reflete o desejo de Jesus de “salvá-los, devolver-lhes a dignidade”. Ao sentar-se com os transgressores indesejados Jesus estabelece o novo vínculo do Reino. “Jesus entra na casa e deixa-se servir pelos pecadores. Senta-se à mesa, o banquete para o povo judeu é o lugar do encontro, da fraternidade, dos laços de familiaridade, de convivialidade, poderíamos dizer, de comunhão. Sentar-se à mesa com alguém significava estabelecer laços profundos, íntimos, familiares com essa pessoa. Jesus nos diz que o banquete é símbolo do reino da fraternidade e da comunhão do amor sem limites”, refletiu o arcebispo. Misericórdia, não sacrifício A presença de Jesus no entre os publicanos e pecadores é o cumprimento de sua vinda para resgatar os pecadores e oferecer-lhes a misericórdia do Reino. O cardeal reforça que Jesus vem para “dar saúde aos doentes, vim sanar, recuperar, devolver a saúde, reintegrar, levar uma vida ética, uma vida de gratidão, de gratuidade, nada mais de negócios a serviço dos outros”. É o convite para sentar-se “à mesa da misericórdia e buscar o perdão”. “Agora, Reino de Deus. Jesus os busca, aqueles que tem saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Deus Jesus não se afasta de nós quando agimos mal, quando pecamos, mas nos convida a sentar à mesa da misericórdia e buscar o perdão. Quer a misericórdia o amor não os sacrifícios E Jesus mesmo no Evangelho nos afirma, quero misericórdia e não os sacrifícios”, recordou o presidente. O olhar de Jesus Para explicar a adesão de Mateus ao seguimento de Jesus, o arcebispo rememorou as palavras de Papa Francisco que indicam o olhar de Jesus como o despertar do pecador. Diante do amor e da misericórdia de Jesus se reconhece como pecador desprezado e se deixa tocar pela liberdade de segui-lo, “pois sentindo-se pecadores estavam prontos para o seguimento”. “A primeira condição para ser salvo é sentir-se frágil, pecador, perceber-se pecador. A primeira condição para ser curado é sentir-se doente. No sentir-se pecador, recebe o olhar da misericórdia de Jesus. O olhar de Jesus misericordioso, afável, belo, bom, amorável. Também este olhar nos busca, queridos irmãos e irmãs. É o olhar da misericórdia, é o olhar do amor, é o olhar que salva e que nos sugere a nunca ter medo de Deus”, esclareceu o cardeal. Misericórdia aos necessitados No cotidiano somos convidados a nos reconhecermos como pecadores e necessitados da misericórdia de Deus. O cardeal Steiner reforçou que ao examinarmos nossa vida, nos deparamos com nossas fragilidades e transgressões, principalmente quando “excluímos as pessoas necessitadas que nos buscam, às vezes até nos incomodam”. Ele insistiu que Deus “aceita e busca esses irmãos e irmãs”. “Ele não exclui porque cheiram a bebida, não excluem porque cheiram a droga. Não excluem porque cheiram a fezes, urina. Não excluem, não excluem mesmo os que têm uma percepção…
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Cardeal Steiner: o pão descido do céu nos une

O pão descido do céu nos une, nos reúne. O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, presidiu a celebração de Corpus Christi (4) da Arquidiocese de Manaus. A celebração eucarística expressou a profunda comunhão e dinamismo da Igreja em Manaus com a participação de inúmeros fiéis, do clero e da vida religiosa. Com o tema “Eucaristia: Pão Vivo feito morada entre nós”. Na tarde da quinta-feira, as comunidades reuniram-se no Centro Histórico da cidade para celebrar Jesus, o Pão vivo descido do céu. O cardeal enfatizou que esse pão é o sinal profundo da presença de Deus no meio de nós. Uma presença capaz de “estar na nossa mão, de ser um conosco, de se fazer um com cada um de nós”. “Uma presença tão apocada. Uma presença tão pequenina que nós, no momento da comunhão, estendemos a nossa mão sobre uma outra mão, como um trono, como dizia nos primeiros séculos da igreja, se dizia. E de pé é como se disséssemos a Palavra do apocalipse: ‘vem Senhor Jesus’”, explicou o cardeal. Dar o próprio Corpo e Sangue Em sua homilia, o arcebispo recordou que não tememos o deserto porque sabemos da presença de Deus em nosso meio como verdadeiro alimento da nossa vida. Da mesma maneira como Deus alimentou e saciou a sede do povo que caminhou no deserto. Por isso necessitamos procurar essa presença que Deus nos dá com seu próprio Corpo e Sangue.  “Como pode dar ele o seu corpo? Como pode ele dar o seu sangue? Sim, queridos irmãos, queridas irmãs, é Jesus que nos alimenta, é Jesus que nos conduz, é Jesus que nos levanta, é Jesus que nos faz caminhar. Esse pão descido do céu, esse cálice da bênção é que nos coloca todos a caminho como povo de Deus”, disse o cardeal. Nesse caminho, somos alimentados e saciados pelo Pão da vida e assim, o deserto e o sofrimento oferecem a possibilidade de uma purificação. Esse mesmo pão descido é que nos possibilita uma profunda comunhão. E nela, “todos nós formamos o corpo do Senhor” como “visibilização de Jesus” manifestada que nos une e reúne como Igreja. Agradecer e louvar O cardeal enfatizou a celebração de Corpus Christi como um momento oportuno de expressarmos profunda gratidão e louvar a presença de Deus no meio de nós como pão descido do céu. Mesmo que a maioria de nossas mais de mil comunidades não tenham a presença da Eucaristia todo final de semana. Mas, se sustentam pela Palavra de Deus que “também é o corpo do Senhor”. “Uma comunidade viva, ninguém tinha deixado a igreja, ninguém tinha ido para outra igreja, todos reunidos, todos no fim de semana, rezava o texto e a Palavra de Deus. A Palavra de Deus que dava corpo, os fazia Igreja, fazia testemunho do apoio, da fraternidade. Depois de oito anos encontrei adultos preparados já como crianças para receberem a primeira Eucaristia. A palavra de Deus que é o corpo, nos dá comunhão, nos faz ser corpo de Jesus”, disse o cardeal recordando uma visita a uma comunidade. Padres, diáconos e ministros da Eucaristia O presidente estendeu sua gratidão aos padres que animam as comunidades entregando o Corpo do Senhor, fazendo-as cada vez mais sinal de comunhão e libertação. Uma missão que exige humildade, assim como “Deus se faz humilde, pequeno, cabe numa mão”. Além dos diáconos e ministros da Palavra e da Eucaristia pela disponibilidade construtora de comunhão, consolo, liberdade e visibilidade ao Reino de Deus, especialmente os que visitam os doentes e idosos. “Que coisa bonita, a nossa Igreja, indo ao encontro. Você que é ministro da Eucaristia, ministro da Eucaristia, levando Jesus aos nossos doentes, idosos. Aqueles que às vezes ajudaram a construir a comunidade, agora não podem vir. Nós é que vamos e levamos Jesus, o Pão descido do céu. Agradecer por essa disponibilidade, por levar Jesus, por anunciar Jesus como ministro da Palavra, ministra da Palavra”, expressou o arcebispo. Ao final da celebração, o povo de Deus percorreu as ruas do Centro acompanhados pelo Santíssimo Sacramento e retornou ao palco, na avenida Eduardo Ribeiro, para bênção final.

Cardeal Steiner no Domingo da Ascensão: Jesus nos dá a certeza esperançada de que estará conosco até o fim

Tenhamos a certeza esperançada de que “Eis que eu estarei convosco todo os dias, até ao fim dos tempos”. foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, no Domingo da Ascensão do Senhor (17). A celebração aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30. A subida Jesus ressuscitado aos céus completa as manifestações e nós prepara para Solenidade de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo. Acompanhe a reflexão oferecida pelo arcebispo. Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com ele o nosso coração. E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também nós subamos com ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que nos está prometido, nos diz Santo Agostinho (Sermão da Ascensão do Senhor). Jesus, antes da ascensão, envia os discípulos entregando-lhes uma missão: “ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!” O Evangelho de Marcos nos diz: “Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Ide, pois estarei convosco todos os dias. Enviados para difundir o Reino O Ressuscitado envia os seus discípulos a difundir o Reino novo, a Vida nova, a nova Luz em todos os povos e se eleva ao céu. Admirável que Jesus confie essa missão a um grupo pequeno, quase insignificante. “Parece demasiado audaz a missão que Jesus confia a um pequeno grupo de homens simples e sem grandes capacidades intelectuais! Contudo, este grupo restrito, irrelevante diante das grandes potências do mundo, é enviada para levar a mensagem de amor e de misericórdia, da mansidão e do consolo a todos os recantos da terra (cf. Papa Francisco, Regina Coeli, 13/05/2018). Ide e fazei discípulos! Ide e fazei seguidores! ide e fazei anunciadores; que em todos os povos haja discípulos e discípulas do Novo Reino. Em todos os povos Jesus seja anunciado, conhecido, amado e seguido. Em todos os cantos da terra possa ressoar a presença do Crucificado-ressuscitado, o novo Reino. Vida nova, novas comunidades, que na alegria de conhecer a Jesus, o significado de sua morte e ressurreição, testemunhem que todos podem participar da alegria, da beleza e do júbilo de uma vida sem fim. Não podiam vê-lo A primeira leitura aponta a estaticidade dos discípulos apesar de terem sido enviados: “Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram, então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: Homens da Galileia, porque ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (At 1,1-11). Os homens de branco a enviá-los, pois não devem permanecer parados olhando para o céu, mas ir e fazer discípulos em todos os povos, “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!” Discípulas e discípulos a caminho, falando, testemunhando a vida, o modo de vida, a paz, o bem, a misericórdia, a magnanimidade, a superabundância de bem e de bondade, a morte e a ressurreição de Jesus.  Não podemos guardar para nós esse tesouro extraordinário que nos foi entregue e plenifica a nossa vida. É a missão que recebemos no batismo e confirmamos pela crisma. Pelo batismo e pela crisma somos enviados a anunciar e testemunhar a Jesus e o seu Reino. A graça do batismo e o dom da crisma nos envia, nos faz missionários, missionárias, do Crucificado-ressuscitado. Homens e mulheres da Ascensão Papa Francisco nos ensinava que “a Ascensão do Senhor ao céu, enquanto inaugura uma nova forma de presença de Jesus no meio de nós, pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para o servir e para o testemunhar aos outros. Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra. Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança de que nós para lá iremos” (cf. Regina Coeli, 13/05/2018). Cristo foi elevado ao mais alto dos céus; contudo continua sofrendo na terra através das tribulações e aflições que experimentamos ao tentarmos viver do Evangelho. Elevado ao céu continua na terra com fome, com sede, sem casa, preso, doente, nu. Bem nos diz o evangelista: “Eu estava com fome e me destes de comer” (Mt 25,35). O Ide e batizai, tem essa grandeza de perceber a presença de Jesus em cada irmã e cada irmão que sofre e passa por necessidades. E não só as necessidades corporais, mas também as da alma. Irmãs e irmãos, Cristo está no céu, mas está também conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com Ele. Ele está conosco pela sua divindade, pelo seu poder, pelo seu amor; nós, embora não possamos realizar isso pela divindade, como Ele, podemos realizá-lo ao menos pelo amor para com Ele (cf. Santo Agostinho, Sermão da Ascensão do Senhor). Dia Mundial das Comunicações Sociais Durante sua homilia, o cardeal recordou a celebração do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais.Ele refletiu a mensagem enviada pelo Papa Leão: “Preservar vozes e rostos humanos.” O rosto e a voz são traços únicos e próprios de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elementos constitutivos de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto”…
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Cardeal Steiner no 6º Domingo da Páscoa: “Não vos deixarei órfãos”

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu o 6° Domingo da Páscoa, 10 de maio, na Catedral Metropolitana de Manaus. Em sua homilia, o cardeal destacou que no Evangelho de hoje, Jesus apresenta “uma espécie de testamento de Jesus. Ele prepara os discípulos para caminharem na força do Consolador e confirma a sua presença: não os deixarei órfãos! Aos discípulos inquietos, Jesus promete o “Paráclito”. Será o Espírito Santo a conduzir a comunidade cristã em direção à verdade e levá-la a uma comunhão cada vez mais íntima com Jesus e com o Pai. Dessa forma, a comunidade será a “morada de Deus” no mundo, como ouvimos na liturgia do domingo passado, e dará testemunho da salvação que Deus quer oferecer a todos”, escreveu o cardeal. O testamento entregue por Jesus é o amor! “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. É o amor a fundar e fundamentar os mandamentos que visibilizam a relação nova e renovadora, a dinâmica na qual somos convidados a ingressar e permanecer. “Ele nos ensinou a amá-lo, ao nos amar primeiro e até à morte de cruz. Por seu amor e sua dileção, suscita nosso amor por ele, que nos amou primeiro e até o fim. Foi assim mesmo: vós nos amastes primeiro para que vos amássemos. Não tínheis necessidade de ser amado por nós, mas não poderíamos atingir o fim para o qual fomos criados se não vos amássemos” (Guilherme de Saint-Thierry). Sim, amar como Jesus nos amou e no seu amor guardar os mandamentos. Como nos ensina São João: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele” (Jo 14,23). “Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costume. (…) Se assim guardares a Palavra de Deus, certamente ela te guardará” (São Bernardo de Claraval). O amor é a base de tudo “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade.” Como nos encanta as palavras de Jesus que ao viver o mandamento do amor atrai o Espírito Santo. Não é comovente percebermos que ao nos deixarmos mover e direcionar pelo mandamento do amor atraímos o Espírito Santo?  Ele movimenta, ilumina e consolo as nossas comunidades, o caminho pessoal de cada seguidor e seguidora de Jesus. Papa Francisco ensinava que “Se me amardes”, observardes, é a lógica do Espírito. Muitas vezes pensamos ao contrário: se observarmos, amamos. Estamos habituados a pensar que o amor deriva, essencialmente, da nossa observância, da nossa perícia, da nossa religiosidade; ao passo que o Espírito nos lembra que, sem o amor na base, tudo o mais é vão e que este amor não nasce das nossas capacidades, este amor é dom d’Ele. Ele nos ensina a amar, e devemos pedir este dom. É o Espírito de amor que põe em nós o amor, é Ele que nos faz sentir amados e nos ensina a amar. Ele é o «motor» da nossa vida espiritual. É Ele que move tudo a partir de dentro de nós. Mas, se não começamos do Espírito ou com o Espírito ou por meio do Espírito, não se consegue caminhar” (cf. Homilia 05/06/2022). Testemunhas do Consolador O “Paráclito” permanece sempre conosco. “Paráklêtos”, significa o advogado, auxiliar, defensor, o consolador, o intercessor. Jesus ensinou, protegeu, guiou, orientou, defendeu os discípulos, enquanto esteve com eles. Ele enviará o Espírito Santo, o “Paráclito”, o consolador e, no viver o mandamento do amor, o Espírito estará com eles, os guiará, os fortificará, transformará, os firmará na fé a ponto de darem a vida pelo Evangelho. Também nós somos chamados a dar testemunho no Espírito Santo, a tornar-nos paráclitos, isto é, consoladores. Sim, o Espírito pede para darmos corpo à sua consolação, visibilizarmos, aproximando-nos das pessoas, sendo proximidade, compaixão! O Paráclito nos envia a anunciar que hoje é o tempo da consolação. É o tempo do anúncio do Evangelho, pois da consolação. É o tempo para levar a alegria do Ressuscitado, não para nos lamentarmos do drama da secularização. É o tempo para derramar amor sobre o mundo, levando consolo. É o tempo para testemunhar a misericórdia, mais do que para inculcar regras e normas. É o tempo do Paráclito! É o tempo da liberdade do coração, no Paráclito (cf. Papa Francisco, idem). O Paráclito conduz a Igreja O Espírito ensinará e cuidará dos seguidores e seguidoras, das discípulas e discípulos de Jesus. O Espírito Santo conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, iluminando-nos para interpretar a Boa Nova diante das realidades e desafios que vamos desvendando. É Espírito que guia, defende, aclara para enfrentar as contrariedades, as incertezas, as hostilidades. O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não vê, nem o conhece, alimenta a esperança, fortalece o amor, confirma a fé. Contemplando a história da Igreja vemos que o Paráclito a conduz e a conduzirá até o fim dos tempos. O Defensor permanecerá sempre conosco. “Não vos deixarei órfãos”! Não nos sentiremos órfãos ao vivermos do amor e com a certeza de que o Espírito permanece entre nós e está em nós. Ele em nós, não nos sentiremos privação: desamparados, carentes, separados, desiludidos, perdidos, desprezados, na orfandade. Ele, no aquecimento do amor, no consolo, na proximidade, a nos firmar e confirmar na pertença à filiação do Pai, à fraternidade do Filho. Nunca sós! jamais abandonados! Mesmo nas maiores dificuldades, nos desacertos e contradições, o Espírito a nos guiar, iluminar e aquecer. A orfandade pode levar a uma verdadeira degradação nas relações. “Pouco a pouco, nos vamos degradando, já que ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém: degrado a terra, porque não me pertence; degrado os outros, porque não me pertencem; degrado a Deus, porque não lhe pertenço; e, por fim, acabamos por nos degradar a nós próprios, porque esquecemos quem…
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Cardeal Steiner: “deixemos ressoar o consolo: ‘Não se perturbe o vosso coração’”

A Palavra de Jesus a indicar que nos momentos de perturbação, angústia incerteza deixemos ressoar o consolo: “Não se perturbe o vosso coração”. Afirmou o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, em sua homilia para o 5° Domingo da Páscoa, 3 de maio, na Catedral Metropolitana de Manaus. Essa afirmação indica o consolo de Jesus que chega a cada um de nós, assim como chegou aos discípulos que se encontravam aflitos e perturbados durante a Ceia Pascal. “A casa onde mora a perturbação e angústia será transformada na casa do aconchego, do amor, da compreensão. […] Termos a percepção de que Jesus está presente e nos acompanha. Papa Francisco nos ensinava que Jesus pede para termos fé n’Ele, para não nos apoiarmos em nós mesmos, mas em Jesus, pois a libertação da perturbação passa pela confiança. Confiar-nos a Jesus, dar o “salto” na fé. Esta é a libertação da perturbação. Jesus ressuscitou e vive precisamente para estar sempre ao nosso lado”, explicou o arcebispo. Jesus é o caminho Ao se apresentar como “caminho, verdade e vida” diante da pergunta de Tomé, Jesus direciona a compreensão para a dinâmica de “sua vida, as suas palavras, os seus gestos, o seu amor e a sua bondade, o dom de sua vida por amor com a morte de cruz”. Esse caminho apresentado por Jesus é o que caracteriza seus discípulos e discípulas. Ao aceitá-lo, os seguidores assumem esse caminho de identificação com o Mestre e caminham “ao encontro da verdade e da vida em plenitude, o Reino de Deus. “Caminhantes que somos, seguimos o caminho que é Jesus. Como nos ensina Santo Agostinho: ‘Ouçamos o Senhor: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida». Se procuras a verdade, segue o caminho; porque o caminho é também a verdade; ele é o teu destino e o teu percurso. Não é por outra coisa que vais a outra coisa; não é por outra coisa que vens a Cristo: é por Cristo que vens a Cristo. E como vais a Cristo por Cristo? Vais ao Cristo Deus pelo Cristo homem; pelo Verbo feito carne, vais ao Verbo que estava, no começo, em Deus; por aquilo que o homem comeu àquilo que os anjos comem todos os dias’”, disse o cardeal. Caminho a seguir “Por onde queres ir? Eu sou o caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida. Todo o homem consegue compreender a Verdade e a Vida; mas nem todos encontram o Caminho. Os sábios do mundo compreendem que Deus é vida eterna e verdade cognoscível; mas o Verbo de Deus, que é Verdade e Vida junto ao Pai, fez-se caminho ao assumir a natureza humana. Caminha contemplando a sua humildade e chegarás até Deus”, argumentou o cardeal citando Santo Agostinho, no texto dosTratados sobre o Evangelho de São João. Recordando as meditações de Papa Francisco, o cardeal Steiner refletiu sobre os caminhos que seguimos que podem não nos levar ao céu, como “os caminhos da mundanidade, os caminhos da autoafirmação, os caminhos do poder”. Ele também apresentou o caminho de Jesus, que é o “caminho do amor humilde, da oração, da mansidão, da confiança, do serviço aos outros”. O caminho de Jesus coloca o próprio Mestre como protagonista de nossas vidas e levanta duas questões abordadas por Papa Francisco: “Jesus, o que achas desta minha escolha? O que farias nesta situação, com estas pessoas?”. (cf. Regina Coeli, 10/05/ 2020) “Jesus que hoje nos consola como caminho, desperta em nós o desejo de sermos caminho de presença misericordiosa, transformadora, curadora, sanadora no meio dos mais necessitados. Ele-caminho, nos leva ao encontro dos famintos e necessitados de justiça. Ele-caminho, nos conduz ao encontro da verdade, a verdade de nossas relações, a verdade das notícias, a verdade que nos deixa ver a bondade, o amor que nos guia. Ele-caminho, nos leva a superar o modo agressivo de viver, de matar, de caluniar. Ele-caminho, nos leva a superação de um estilo de vida de consumismo, de hedonismo, para o encontro com irmãos e irmãs na diferença.”, explicou o arcebispo. Ver o Pai O pedido de Felipe a Jesus para ver o Pai demonstra que ele “não havia percebido que na presença consoladora e misericordiosa de Jesus era visível o Pai”. Dom Leonardo explicou que “no modo de Jesus estava vivo o Pai”, a nitidez dessa revelação acontece no alívio das dores, reconforto dos desolados, na reinserção na vida religiosa e social dos afastados e descartados pela lepra, no despertar à vida dos desconsolados “Ensinava o cuidado do Pai nos pássaros do céu, na beleza dos lírios do campo. Nele tudo falava e fazia ver o Pai e Felipe não via, “Quem me viu, viu o Pai”. Na sua bondade, na sua cordialidade, na sua gratuidade, na sua amabilidade, na sua amorosidade, na sua singeleza, simpatia, na sua doação, no consolo, Felipe ainda não havia se dado conta que no Filho estava o Pai. Pois quem vê o Filho vê o Pai.” Partilha e fraternidade Na segunda leitura, o cardeal destacou que o “modo de Jesus viver, de se relacionar e de estar entre as pessoas” e a relação com o Pai, deveria despertar os discípulos “para conhecerem a Jesus e nele ver o Pai”. Na primeira, a uma certa divisão na comunidade aponto para necessidade dos discípulos de realizar a “escuta e a oração em comunidade”. Delas é possível reconstruir a “comunhão” e “o bem para toda a comunidade”, pois “como comunidade de discípulos missionários e discípulas missionárias, somos animados a realizar as obras da partilha, da fraternidade”. “Ao lermos, meditarmos e a Palavra de Deus morando em nós, vamos vendo Jesus e em vendo Jesus vemos o Pai. E em vendo a Jesus e o Pai, somos guiados, fortalecidos pelo Espírito Santo. Jesus nos prometeu uma morada, que é a morada da Trindade, que caminhemos com alegria e esperança ao encontro da morada definitiva”, finalizou o cardeal.