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CNBB pede “imediata e exemplar correção” para o deputado Frederico D’Avila

Diante dos ataques do deputado estadual do Estado de São Paulo, Frederico D’Avila, atacando a Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e ao Papa Francisco, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a CNBB tem emitido uma carta aberta em que “rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual”. A carta denuncia o ódio descontrolado do parlamentar, quem “feriu e comprometeu a missão parlamentar”, pedindo a “imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”. Lembrando seus 69 anos de caminhada, a presidência da CNBB deixa claro que “jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira”. Junto com isso, é lembrado que a CNBB “jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar”. Por isso, a CNBB levanta sua voz, “diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira”. O fundamento dessa postura, está no princípio que diz que “a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem”, palavras recolhidas do Documento do Vaticano II Gaudium et Spes. Em nome da democracia, a CNBB espera da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, “medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade”. Ao mesmo tempo, a CNBB afirma que “tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis”, sempre nos termos da Lei. Finalmente a CNBB reafirma “o nosso incondicional respeito e o nosso afeto ao Santo Padre, o Papa Francisco, bem como a solidariedade a todos os bispos do Brasil”. A CNBB aguarda uma resposta rápida do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Carlão Pignatari, pedindo uma “postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Papa Francisco erige canonicamente a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA)

O Papa Francisco erigiu canonicamente a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) como pessoa jurídica pública eclesiástica. Isto foi comunicado em uma carta datada de 11 de outubro pelo Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação dos Bispos, ao Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da CEAMA, em resposta a uma carta enviada por este último em 30 de setembro. A aprovação ocorreu em 9 de outubro, durante a audiência com o Santo Padre. Após a ereção canônica, falta a aprovação dos Estatutos, que o Papa examinará pessoalmente, e o correspondente Decreto de ereção deve ser redigido, o qual, como indica a carta, será enviado o quanto antes ao presidente da CEAMA, criada após sua Assembleia fundadora, realizada de 26 a 29 de junho de 2020, época em que se iniciaram os procedimentos com diferentes Dicastérios da Cúria Romana, um processo que durou até 4 de maio de 2021. Além disso, dentro do processo de renovação e reestruturação do Celam, também foram analisados os novos Estatutos do Conselho Episcopal Latino-americano, ao qual a CEAMA está vinculada. Segundo o Cardeal Ouellet, “os dois Estatutos foram comparados a fim de coordenar suas respectivas atividades institucionais, definindo suas relações recíprocas“. O objetivo é “evitar qualquer perigo de confusão ou sobreposição de competências, a fim de garantir o bom funcionamento das atividades e da missão de cada organismo”. A aprovação final depende “da conclusão do estudo comparativo necessário e da proposta e implementação das emendas ao texto”, diz o presidente da Congregação dos Bispos. Não podemos esquecer, como menciona a carta, a natureza sem precedentes do organismo, pois estamos tratando de uma conferência eclesial e não apenas de uma conferência episcopal. Neste sentido, o Pe. Alfredo Ferro SJ, secretário executivo da CEAMA, afirma que “para a Igreja latino-americana e particularmente para a Igreja da Amazônia, é uma grande alegria” o que se expressa na carta do prefeito da Congregação dos Bispos ao presidente da CEAMA, que comunica a ereção canônica da Conferência Eclesial da Amazônia pelo Santo Padre. Segundo o jesuíta colombiano, como CEAMA “sentimo-nos não só imensamente felizes, mas também reconhecidos por este gesto de afeto do Papa, dando reconhecimento ao que é o desejo e foi o compromisso do Documento Final do Sínodo, onde ele expressou a necessidade de criar esta conferência”. Para o padre Ferro, “este reconhecimento canônico é feito no marco de um chamado que o Papa Francisco nos fez para viver a sinodalidade“. Neste contexto, nas palavras do secretário executivo da CEAMA, “temos claramente um contexto e uma situação favorável, expressa também na carta, na reestruturação e renovação do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), na preparação e celebração da próxima Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe e no início do processo do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade“. Para o padre Ferro, “sentimos que novos ventos do Espírito estão soprando nesta Igreja“, pelo que ele agradece ao Senhor e ao cardeal Pedro Barreto, nomeado na carta, que “expressou explicitamente ao Cardeal Ouellet e ao Santo Padre a necessidade deste reconhecimento canônico para que a CEAMA possa agora desenvolver mais oficialmente, com esta personalidade jurídica, suas atividades e seus propósitos em sua ampla missão de delinear um Plano Pastoral para a Igreja da Amazônia”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Regional Norte 1 convoca momento de formação sobre CF e Sínodo 2023

Uma das propostas da 48ª Assembleia Regional Norte 1, que aconteceu de 20 a 23 de setembro, foi a celebração do Seminário para os multiplicadores e as multiplicadoras da Campanha da Fraternidade do ano de 2022. O Regional Norte 1, numa carta aos Senhores Bispos, Coordenadores Diocesanos de Pastoral e Coordenadores das Pastorais, Organismos e Serviços do Regional, convocou o Seminário da Campanha da Fraternidade que acontecerá na Maromba de Manaus, de 22, iniciando à noite, a 24 de novembro, encerrando com o almoço. Logo após, 24, iniciando à tarde, e 25 de novembro, até o final do dia, no mesmo local, vai acontecer um Seminário com os animadores e animadoras do Sínodo dos Bispos de 2023. O encontro de formação para multiplicadores e multiplicadoras da Campanha da Fraternidade é realizado todos os anos, segundo Francisco Lima. Em 2022, a Campanha da Fraternidade 2022, tem como tema “Fraternidade e Educação”, e como lema “Fala com sabedoria, ensina com amor”, onde devem participar, afirma o secretário executivo do Regional Norte 1 da CNBB, “multiplicadores e das multiplicadoras das nossas dioceses e prelazias”. Francisco Lima lembra que “ligado a esse seminário, a Igreja está vivendo um tempo de esperança, um tempo de refletir sobre a sua própria atuação. O Papa Francisco convocou um novo Sínodo dos Bispos, cuja assembleia ocorrerá em 2023 e haverá um tempo de preparação. Todas as dioceses e prelazias são convidadas a fazer a fazer a abertura local deste sínodo no próximo domingo, 17 de outubro”. O secretário executivo destaca que existe “um desafio muito grande no Regional com relação à questão tecnológica, nós não conseguimos realizar uma preparação de forma virtual e só agora está sendo possível realizarmos algumas atividades”. Ele lembra que este novo sínodo que o Papa convocou tem como tema, “Por uma Igreja sinodal”, e o como lema, “Comunhão, participação e missão”. Desde a secretaria executiva do Regional Norte 1, se insiste em que “nós queremos nos preparar para estes dois momentos tão importantes para nossa Igreja, a Campanha da Fraternidade com um tema tão relevante para o nosso tempo atual, que é a questão da educação, e o Sínodo, que nos faz pensar nesse caminho da nossa Igreja, que precisa cada vez mais ser de comunhão, de participação e missão”. Finalmente, Francisco Lima, anima a “que nós possamos nos preparar bem para esses dois momentos, que as nossas dioceses, as nossas prelazias, as nossas pastorais, organismos e serviços do nosso Regional possam participar bem destes dois momentos de formação que ocorreram no mês de novembro”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Religião: ligação com Deus além das aparências

A religião, a ligação entre o ser humano e a divindade, tem estado presente na vida da humanidade desde seus primórdios. De diferentes modos tem se manifestado uma relação que o ser humano expressa de diversas formas, mas também movido por interesses dispares, que nem sempre respondem a um sentimento unicamente religioso, que inclusive não tem nenhum sentimento religioso. Muitas vezes nos deparamos com aqueles que pretendem se aproveitar da religião, para melhor dizer, de uma falsa religião, visando alcançar benefícios pessoais. Não são poucos aqueles que ao longo da história tentaram, alguns deles conseguiram, sustentar seu poder tendo como base uma aparência religiosa, uma atitude que ainda hoje se faz presente. Nos dias de hoje, em que tudo o que acontece pode ser conhecido no mesmo instante, essa atitude de se aproveitar da religião e do sentimento religioso dos outros para conseguir benefícios pessoais se tornou algo presente. Muitas vezes se trata de lobos em pele de cordeiro, que tentam mostrar aquilo que de fato não faz parte da sua vida, se aproveitando de sentimentos religiosos daqueles que vivendo uma verdadeira religião, pensam que todos têm as mesmas atitudes. De nada adianta participar de uma celebração religiosa, se colocar diante de uma imagem, inclusive falar de Deus, se a pessoa não assume o modo de vida de quem quer caminhar com Deus. Uma verdadeira religião nos liga com Deus, mas também com aqueles em que Ele se faz presente. Virar as costas para os outros, sobretudo para os pequenos, para os vulneráveis, nos afasta de qualquer sentimento religioso. A religião cristã entende que Deus é alguém que se faz próximo da humanidade, e para estarmos próximos dele, não podemos virar as costas, nem ignorar o sofrimento dos pequenos. Ser cristão nos leva a um compromisso pessoal que supera o mundo das ideias, nos tornando assim presença de um Deus que não comunicamos só com as palavras e sim com as atitudes e nosso jeito de nos relacionarmos com aqueles que a sociedade descarta. Como ajudar as pessoas a descobrir aqueles que querem se aproveitar da religião em beneficio próprio? Como aprender a distinguir os sepulcros caiados que encerram morte e podridão dentro de si? Como construir hoje, no tempo atual, a verdadeira religião que vai além das aparências? Como desmascarar aqueles que continuam se aproveitando do sentimento religioso para construir seus planos que em nada condizem com aquilo que Deus quer? São perguntas que precisam de respostas, sobretudo da parte daqueles que dizem ter sentimentos religiosos, daqueles que entendem a ligação com Deus como modo de fazer realidade um mundo melhor para todos e todas, além de interesses pessoais que manifestam egoísmo, um sentimento que nos afasta de qualquer ligação com a divindade. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Dom Ionilton: Nossa Senhora Aparecida “vem no escondimento, de onde não se espera”

“Ester não foi egoísta, não pensou somente nela”, afirmava Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira em sua homilia na festa de Nossa Senhora Aparecida. Segundo o bispo de Itacoatiara, “Ester pensou em seu povo”. A atitude de Ester levou o bispo a pedir que “aprendamos de Ester e pensemos em nós e em nosso povo!”, um povo “ameaçado pela Covid, pela fome, pela violência, pelo tráfico de drogas e de pessoas, pela destruição da Floresta Amazônica, pela contaminação de nossos rios pelo veneno do agronegócio e das mineradoras, por falta de políticas públicas, pela retirada de direitos”. Comentando a passagem do Evangelho deste dia, o bispo insistiu em que “a Mãe de Jesus estava presente: ela está sempre presente na vida da gente”, descrevendo-a como intercessora, como aquela que “antecipa-se para ajudar, não espera ser solicitada, age preventivamente”. A única, autêntica e exclusiva mensagem de Nossa Senhora para nós, segundo Dom Ionilton é “Fazei o que Ele vos disser”. Por isso, fez um chamado a que “acolhamos e busquemos colocar em prática este conselho de nossa Mãe Maria”. Dai o bispo chamou a se perguntar: ”estou fazendo o que Jesus me manda fazer?”, a seguir o exemplo dos  serventes daquela Festa em Caná. Refletindo sobre Nossa Senhora Aparecida, a imagem encontrada em 1717, no Rio Paraíba, interior de São Paulo, falando de como foi se construindo a devoção em volta dela, Dom Ionilton insistiu em que “a imagem aparece a três pescadores: gente simples, trabalhadores”. Ela aparece no meio da lama, “vem no escondimento, de onde não se espera”. Junto com isso, o bispo da Prelazia de Itacoatiara lembrou que “aparece com a cor negra, quando em 1717 existia a escravidão dos negros no Brasil”. Por isso, afirmou que “aparece para ser solidária com o povo negro, explorado, discriminado, comprado e vendido como mercadoria, excluídos”. Daí ele fez um convite a, como devotos de Nossa Senhora Aparecida, sermos solidários. Solidários “aos negros em geral, aos negros nos quilombos, aos povos indígenas ameaçados em seus territórios e em suas culturas, desempregados, pessoas em situação de rua, crianças abandonadas e vítimas de tráfico humano, mulheres que sofrem violências domésticas, vítimas do trabalho escravo e da exploração sexual, dependentes químicos, os enfermos, os idosos sem apoio da família, as famílias que perderam um membro por causa da Covid, os ribeirinhos afetados pela enchente e esquecidos pelos poderes públicos, os pescadores artesanais prejudicados pelas empresas de pesca e pelo turismo ecológico, os moradores das periferias de nossas vilas e cidades sem nenhuma assistência e apoio, as famílias em crise de relacionamento ou passando dificuldades de manutenção e sobrevivência, vítimas das notícias falsas…” O desafio é imitar a maneira de ser e agir de Nossa Senhora. Algo que o bispo iluminava com as palavras do Papa Francisco em sua visita ao Santuário de Aparecida, em 2013, onde fez um chamado a conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Faleceu Dom Antônio Affonso de Miranda, bispo mais idoso do Brasil

Faleceu nesta segunda-feira, 11 de outubro, Dom Antônio Affonso de Miranda, sdn, bispo emérito da Diocese de Taubaté – SP. O falecimento aconteceu na cidade de Juiz de Fora – MG, onde estava internado. Nascido em 14 de abril de 1920 em Cipotânea – MG, era atualmente o bispo mais idoso do Brasil, com 101 anos. Em nota assinada pelo bispo Dom Wilson Angotti, a diocese de Taubaté afirmou que “a passagem de dom Antônio pela diocese de Taubaté foi marcada pelo equilíbrio entre a responsabilidade e a generosidade, a ternura e a firmeza”. Religioso da congregação dos Sacramentinos de Nossa Senhora, foi ordenado sacerdote em 1º de novembro de 1945, foi formador em diferentes seminários da congregação e pároco, sendo eleito o primeiro Superior Geral da congregação com apenas 32 anos, precisando da aprovação de Roma, diante de sua terna idade. Foi nomeado bispo de Lorena – SP, em 8 de novembro de 1971, onde permaneceu até 1977, em que foi transferido para a diocese de Campanha – MG, como bispo coadjutor, com direito à sucessão, e administrador apostólico com plenos poderes, em razão da doença de dom Othon Motta, que o impedia de dirigir aquela diocese. Deixou sua marca naquela cidade como um eficiente administrador e pastoralista. De Campanha foi transferido para a diocese de Taubaté – SP, para suceder a dom José Antônio do Couto, acometido de dois AVCs que o impediram de governar. Foi bispo de Taubaté até 1996, sendo reconhecido como pregador, grande administrador e incentivador das pastorais e movimentos leigos. Dom Antônio também é reconhecido como um intelectual renomado, admirado pelo episcopado brasileiro. Escritor refinado, produziu mais de 40 livros sobre vários assuntos, que incluem Teologia, Mariologia, Catequese, Formação Moral, Pastoral e até um de poemas. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nota assinada pela presidência, manifestou seu pesar pelo falecimento do bispo, agradecendo seu trabalho ao longo de quase 50 anos de ministério episcopal. Ao mesmo tempo, manifestam sua solidariedade ao bispo diocesano de Taubaté, aos familiares, à congregação dos Sacramentinos de Nossa Senhora, à comunidade Canção Nova, aos amigos e a todo o povo de Deus das dioceses por onde passou e deixou as marcas de sua presença como pastor. O sepultamento será amanhã, 12 de outubro, em Mercês – MG, a cidade para onde mudou-se com sua família em 1929, e onde atualmente morava sob os cuidados de seus familiares. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Do Rio Japura ao Rio Negro, um relato de uma vocação missionária

A história da Igreja da Amazônia relata a vida de muitos missionários que fizeram da missão uma aventura. Não tinha outro modo de chegar onde muitos deles chegaram, até as cabeceiras de rios e igarapés, até lugares impensáveis, inclusive hoje, numa região onde a distância e o tempo são medidos de forma diferente. Uma dessa histórias é a do espiritano holandês Roberto Van Meegeren, missionário na Amazônia brasileira por mais de duas décadas. Entre suas andanças está a viagem desde Tefé até Pari Cachoeira, distrito do município de São Gabriel da Cachoeira, na beira do Rio Tiquié, na bacia do Rio Negro, iniciada no dia 27 de setembro de 1954 e encerrada no dia 8 de janeiro de 1955, um percurso que ainda hoje resulta difícil de imaginar, ainda mais de realizar. Estamos diante de uma história relatada com detalhe pelo missionário, que acaba de ser publicada na Editora Chiado, por outro missionário espiritano, o português Firmino Cachada, que define a viagem como “uma gesta épica”, numa região que “ainda hoje permanece bastante ignorada do resto do mundo”. Segundo o padre Cachada, “essas viagens rio acima e ria abaixo faziam simplesmente parte da vocação missionária que tinha abraçado”, sem negar que essa viagem poderia ser considerada, como “ultrapassar o bom senso”. Mas acima de tudo estamos diante de “uma fonte de conhecimento impar dessa realidade geofísica e antropológica, não só do mundo indígena, mas também da sociedade cabocla dessa região central da Amazônia em meados do século passado”, afirma o padre Firmino Cachada.   De fato, no relato do padre Roberto pode se perceber o sofrimento que ele experimentou, o cansaço extenuante, mas também a vida do povo e seu modo de sobrevivência. Foi o povo, indígenas e ribeirinhos que acompanharam o padre Van Meegeren nas suas andanças, nas relatadas no livro e tantas outras ao longe de sua extensa missão na Prelazia de Tefé. O lançamento deste livro, realizado na comunidade Cristo Luz dos Povos, da paróquia Cristo Redentor, de Manaus, acompanhada pelos Missionários Espiritanos, foi um momento de recordar e também fazer memória desses missionários e missionárias que vinham para a Amazônia, e continuam a vir, e fazem essas experiências e se fazem presença junto ao povo, junto às comunidades. Buscando viver anunciar e testemunhar o Evangelho, mas também conhecer a história, a vida, do povo amazônico, segundo relata o diácono Francisco Lima. Os Missionários Espiritanos chegaram em Tefé nos idos de 1897, se assentando no lugar ainda hoje conhecido como Missão, onde o padre Roberto trabalhou, como foi resgatado neste livro. O secretário executivo do Regional Norte 1, incardinado na Prelazia de Tefé, que foi auditor no Sínodo para Amazônia, que está completando dois anos de sua Assembleia Sinodal, afirma que esse livro é oportuno nesse momento que a gente vive, um tempo de graça em que a gente continua semeando o processo do Sínodo para a Amazônia, o processo da caminhada da Igreja nessa região. Segundo Francisco Lima, que participou do lançamento do livro, foi “um momento muito bom da gente fazer essa memória e resgatar essa história desse missionário que viveu aqui na nossa região e que gastou sua vida aqui junto aos nossos povos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação Regional Norte 1

“Muita religião, pouca fé?”: necessidade de um cristianismo que incide na realidade

Existem perguntas comas quais muita gente se incomoda, mas não podemos esquecer que nos questionar é o jeito de crescer. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dentre as muitas propostas que vem fazendo, organiza toda primeira quinta-feira de cada mês uma live onde aborda questões atuais, conduzida por Dom Joaquim Mol Guimarães, presidente da Comissão de Comunicação da CNBB. Desta vez o debate teve como ponto de partida, uma pergunta: “Muita religião, pouca fé?”, tendo como convidadas Lucimara Trevisan e Majo Centurión. Diante dessa questão o bispo auxiliar de Belo Horizonte, afirmava que posso ser uma pessoa religiosa e ao mesmo tempo distante de Jesus Cristo e de seu projeto do Reino de Deus. Segundo ele, o centro da fé cristã é a adesão e o seguimento a Jesus Cristo. Dom Mol insistiu na necessidade de uma fé em Jesus Cristo que incide na realidade, afirmando que “o cristianismo passa a ter significado na medida em que incide na realidade”. O bispo advertiu sobre o perigo de pessoas religiosas, mas que não explicitam bem a fé em Jesus Cristo e no Reino de Deus que Ele anunciou para todos nós. Também sobre o investimento em manifestações religiosas, sem cuidar do núcleo fundamental e estruturante. O presidente da Comissão de Comunicação da CNBB se perguntava se as práticas religiosas estão levando à centralidade da nossa fé, que é a adesão a Jesus Cristo, a desenvolver uma fé comprometida. Nesse ponto lembrava as palavras do padre Libânio, um dos grandes teólogos brasileiros do pós-concílio, que falava de pessoas dentro do cristianismo que acreditavam, mas não tinham sinal de pertença. Trazendo esse pensamento para a realidade atual, o bispo afirmou que hoje muitos pertencem, mas não tem uma fé centrada verdadeiramente na pessoa de Jesus. No Brasil, existem muitas pessoas de tradição católica, mas que não fizeram uma experiência de fé, são adultos que não foram evangelizados, segundo Lucimara Trevisan. A Coordenadora da Comissão Bíblico-catequética do Regional Leste 2 da CNBB, falou de uma experiência exterior da fé, uma fé desligada da vida, uma fé formal, pessoas que se autonomeiam mais católicos do que os outros, inclusive do que o Papa, que ficaram no passado, com dificuldade na vivência da fé. Frente a eles, relatava a presença de pessoas com uma fé encarnada na existência, que sustenta sua vida. Também existem no Brasil, segundo a coordenadora do Centro Loiola de Belo Horizonte, pessoas que se dizem sem fé, marcadas por um catolicismo tradicional que as levou a se afastar da comunidade, mas que são pessoas com sede da verdade, do amor, com uma vida comprometida com os que mais sofrem e buscam constantemente um sentido para sua vida. Ela relatava aspectos que atrapalham a vivência da fé, dentre eles a falta de testemunho da comunidade cristã, muitas vezes centrada em se próprio, desvinculada da realidade, e a falta de cuidado de um bom processo de amadurecimento da fé, sem itinerários ao longo de toda a vida. Do Paraguai, Majo Centurión falou da realidade do país com a maior porcentagem de católicos na América Latina, algo que não se traduz em uma realidade onde há muitos Cristos crucificados, com 40% da população vivendo na pobreza e 20% na extrema pobreza, com uma brecha social alarmante, com grande corrupção. Para a Vice-Presidente de SIGNIS América Latina, o Paraguai é um país marcado por um clericalismo e fundamentalismo que aliena, com muita religiosidade e pouca espiritualidade, muito sacramentalismo, doutrinalismo, muitas regras, uma Igreja que deveria ser mais humana. Por esta razão, ele denunciou uma fé desligada da realidade e do sofrimento dos outros, uma fé que exclui e oprime. De acordo com Majo Centurión, fé e vida não são unidas, uma fé que faz de você uma pessoa melhor não é vivida. É verdade que também existem pessoas concretas que promovem ações para gerar mais justiça, com uma espiritualidade encarnada, que não param de fazer perguntas. Daí ela vê a necessidade de uma Igreja em saída, que seja inclusiva, que faça justiça, que seja intercultural, ecumênica, seguindo o exemplo de Jesus, que promoveu o Reino de Deus, uma Igreja que gera vida em abundância, que promove a Boa Vida. Para conseguir isso, devemos amadurecer nossa fé, não permanecer em uma fé infantil como adultos, mas avançar para ter um impacto na vida. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Ir. Rose Bertoldo recebe o Prêmio Nacional Medalha Zilda Arns

A Dra. Zilda Arns é uma das grandes defensoras da vida na história do Brasil, especialmente das crianças. A fundadora da Pastoral da Criança, falecida em 2010 no Haiti, vítima do terremoto que assolou o país, é lembrada desde há pela Prefeitura Municipal de Forquilhinha (SC), sua terra natal, com o Prêmio Nacional Medalha Zilda Arns, de Boas Práticas para a Primeira Infância. A entrega do reconhecimento, dado em 2020, mas adiado em consequência da pandemia da Covid-19, aconteceu durante o “Seminário Nacional e Internacional de Políticas Públicas para a Primeira Infância – Um Tributo a Zilda Arns”, realizado os dias 6 e 7 de outubro na cidade do sul do Estado de Santa Catarina. Doze personalidades e entidades foram homenageadas com a medalha “Zilda Arns Neumann”, por se destacarem no seu trabalho em favor de crianças e adolescentes, dentre elas a Irmã Rose Bertoldo, missionária em Manaus desde 2012. A integrante da Rede um Grito pela Vida tem realizado ao longo de quase dez anos um trabalho de combate ao abuso e exploração sexual e tráfico de crianças e adolescentes nas dioceses e prelazias que fazem parte do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Segundo recolhe a placa de homenagem, o reconhecimento foi outorgado “pela valiosa contribuição em prol da humanidade através de trabalhos, ações e projetos sociais voltados ao atendimento de crianças, adolescentes e idosos, desenvolvidos sob os princípios da solidariedade, do amor ao próximo e em defesa da vida em todas as etapas”. A religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria foi auditora no Sínodo para a Amazônia, que está completando dois anos de sua Assembleia Sinodal, aportando seu conhecimento e experiência aos participantes de um evento que abordou diferentes questões, dentre elas o cuidado com a vida das crianças. Um Sínodo que tem marcado o caminhar da Igreja da Amazônia e se tornou semente de mudança para a Igreja universal. Durante o seminário, a missionária no Regional Norte 1 da CNBB, contribuiu com uma reflexão sobre o “Papel da Sociedade Civil na Proteção à Infância”, momento em que foi apresentado o trabalho da Rede Um Grito Pela Vida no combate ao tráfico de crianças. Na sua intervenção, a religiosa denunciou o desmonte das políticas públicas no Brasil, o que está provocando o recorte de recursos públicos dedicados ao combate de um crime que o Papa Francisco considera “uma ferida no corpo da humanidade”. Segundo a Ir. Rose, “receber a Medalha Zilda Arns tem uma dimensão muito significativa”. Segundo a religiosa, “não é uma homenagem, recompensa, pelo trabalho, mas é uma homenagem cheia de inspiração, a qual Zilda Arns transmite a cada uma de nós, inspiração por levar adiante um trabalho de cuidado, de defesa da vida das crianças e dos adolescentes, da infância e da juventude, a qual ela tanto lutou”. A religiosa do Imaculado Coração de Maria diz dedicar a homenagem “a todas as crianças, adolescentes que a Rede um Grito pela Vida tem atendido. A todas as mulheres, principalmente aquelas que de tantas formas defendem a vida. Cada uma que faz a Rede um Grito pela Vida, cada uma que defende os direitos sem medir esforços”. A Irmã Rose Bertoldo também agradece “a minha congregação, a qual nos possibilita realizar essa missão no chão da Amazônia”. Também tem lembrado em suas palavras de “todos os promotores de direitos da Pan-Amazônia, que lutam na defesa da vida”. A Irmã Rose tem destacado que “receber a medalha no dia em que celebramos o segundo aniversário do Sínodo, tem significado muito profundo, pois a gente levou para o Sínodo da Amazônia essa temática do abuso, da exploração e do tráfico de pessoas, onde a vida é tão ferida neste chão sagrado da Amazônia”. A religiosa diz que “me ajudou a fazer memória desse processo, dessa construção sinodal que a gente continua com mais força, com mais esperança de conseguir formular políticas públicas voltadas para a infância e a adolescência”. No final do Seminário aconteceu a inauguração de um monumento em homenagem à Dra. Zilda Arns, algo que a Irma Rose considera “muito significativo, pois é um marco na história, não só de Forquilhinha, mas de todo o Brasil, um legado muito grande para toda a humanidade”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Sínodo para a Amazônia: dois anos de um momento histórico

No dia 7 de outubro de 2019 começaram os trabalhos da Assembleia Sinodal do Sínodo para a Amazônia. Após a Eucaristia de abertura, celebrada no dia 6, naquela segunda-feira, o interior da Basílica de São Pedro acolhia os participantes da Assembleia e outros convidados. Aos pés do túmulo de Pedro, a Igreja da Amazônia e seus povos, iniciavam um momento marcante na Igreja católica. A sinodalidade dava um passo importante, concretizando ainda mais uma ideia que nasceu no Concilio Vaticano II, mais de 50 anos atrás, uma Igreja que caminha junto, em comunhão. As imagens do Papa Francisco, sorridente, no meio do povo de Deus em todas suas expressões, se tornaram virais em poucos minutos. O Sínodo para a Amazônia foi um momento que ultrapassou a dimensão eclesial, despertando o interesse de muita gente, inclusive da grande mídia. É verdade que movidos por interesses diferentes, mas em muitos casos tomando postura diante desse momento, tanto a favor como contra. Ninguém pode negar que se posicionar em defesa da Amazônia e de seus povos nos leva a nos enfrentarmos com aqueles que movidos pelo desejo de lucro rápido, veem a Amazônia como lugar a ser espoliado. Foi um Sínodo em que as vozes tradicionalmente colocadas em segundo plano, as mulheres, os povos indígenas, foram escutadas, aportando a parresia que sempre pede o Papa Francisco para a Igreja. Vozes proféticas, livres, sem amarras institucionais, que ajudaram a introduzir na sala sinodal visões novas, enriquecedoras, que ajudaram no processo de discernimento dos novos caminhos. Falar e entender a vida como um processo é algo fundamental para construir a história, também na Igreja. Enquanto os eventos, muitas vezes desligados uns dos outros, são a grande preocupação da maioria, o Papa Francisco insiste na necessidade de propor processos a longo prazo, provocando mudanças que possam se perpetuar no tempo. Frente a uma sociedade que bate palmas diante dos fogos de artificio, aquilo que fica no segundo plano, que muitas vezes não é visto, que muitos não querem ver. Podemos dizer que hoje falar de Sínodo vai além de eventos pontuais. Estamos diante de uma forma nova de entender a vida, que nos leva a escutar mais, a construir a vida a partir daquilo que faz parte da vida do povo, da vida da gente. Buscar dinâmicas comuns, que nos ajudem a entender que caminhar juntos nos faz crescer, nos faz ser mais e melhores. É tempo de continuar o caminho começado, de sonhar, de apostar na comunhão, de construir juntos um futuro comum. Na medida em que a gente se empenha em avançar num caminho comum estamos vivendo a sinodalidade e construindo um futuro onde todos podem falar, onde todos tem que escutar.    Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar