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Mentiras ao serviço do poder político e do mercado

A manipulação da informação sempre foi uma ameaça para a humanidade, pois gera situações que claramente prejudicam os mais fracos. Nos últimos anos, com a proliferação das redes sociais e da internet essa ameaça tem aumentado exponencialmente, gerando situações cada vez mais preocupantes. O anúncio de Mark Zuckerberg de que não serão checadas as publicações nas redes sociais que comanda, principalmente Facebook e Instagram e todos os aplicativos que fazem parte do Meta, abre a possibilidade de que as mentiras, as famosas Fake News, proliferem cada vez mais, servindo interesses espúrios no campo da política, da informação e do poder económico. Podemos dizer que estamos diante de uma institucionalização da mentira, um mecanismo que nos últimos anos, nas últimas eleições no Brasil, tem provocado graves consequências, ajudando a propagar Fake News que tiveram gravíssimas consequências para a sociedade brasileira, um fenómeno que tem se espalhado em diversos países do mundo. Sabemos que as redes sociais têm se tornado um instrumento de grande importância na divulgação das notícias. Através delas, a maioria das pessoas acessam as noticias dos diversos sites e veículos de informação, mas não podemos aceitar ser enganados para favorecer esses interesses espúrios que patrocinam governos, empresas e instituições que não visam o bem comum e muito menos a defesa dos pequenos. O mercado, e não podemos esquecer que as redes sociais são instrumentos para favorecer os interesses do mercado, está ao serviço dos poderosos e dirige as decisões políticas na maioria dos países. Essa realidade vai moldado o pensamento social e fazendo com que as pessoas sejam manipuladas de maneira cada vez mais explícita, mudando o pensamento humano e promovendo o controle social e o pensamento único. Como nos posicionarmos diante dessa realidade? Será que vamos ter a coragem de ir contra um sistema que tenta impor suas próprias regras? Vamos deixar que a mentira, amparada pelo poder político e económico, se torne norma de conduta social que determine o decorrer da história? A ética e a religião, especialmente o cristianismo, que prega o bem comum e a defesa dos pequenos e excluídos, devem ser instrumentos que ajudem a reagir diante dessa realidade. Uma mentira ao serviço do poder político e económico é algo que tem que nos levar a pensar. A liberdade que eles pretendem vender não é real, pois estamos diante de uma anomia, uma falta de leis que nunca leva pelo caminho que favorece a vida para todos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Na encarnação de Deus, está Maria, Mãe de Deus, que em Jesus é nossa Mãe e Mãe da Igreja”

Na solenidade da Mãe de Deus, Mãe da Igreja, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), dizendo que “a liturgia nos apresenta a visita dos pastores ao Menino Deus. O texto sagrado a nos recordar a razão, a verdade da nossa fé ao louvarmos a Maria como Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe: o mistério do nascer de Deus em nossa humanidade.” Ele lembrou que “ouvimos, mais uma vez o anúncio do Anjo: ‘Hoje, nasceu para vós um Salvador!’ (Lc 2,10-11). O anúncio levou os pastores uma dupla resposta: que o sinal seja verificado e que seu significado aceito. Os pastores caminham pressurosos e encontram tudo como fora anunciado pelo Anjo: Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Depois de terem aceitado o anúncio e terem encontrado o Menino e sua Mãe, irrompem em louvores e ação de graças. Um verdadeiro anúncio a todos. Um anúncio de paz, de fraternidade. A Boa Nova do nascer de Deus é proclamado a todos quantos encontravam. São os primeiros evangelizadores.” Com as palavras de Fernandes e Fassini, o arcebispo de Manaus afirmou que “A tradição cristã vê nestes pastores a figura dos pobres da terra que vivem à margem da segurança e das benesses do estado, da sociedade e da religião, uma gente fora da lei, envolvida, muitas vezes, em brigas internas por causa de furtos e outras desavenças comuns neste gênero de vida. Mas, não podemos esquecer, principalmente, que esses pastores estão ligados a Belém, a cidade de origem do menino Davi, pequeno pastor, escolhido para ser o grande rei, um segundo fundador do Povo eleito, imagem do futuro Messias; devemos também recordar Abraão e demais patriarcas, humildes e simples pastores que, também, souberam dar sua resposta de fé à visita e ao chamado do Senhor.” Diante disso, o cardeal Steiner questionou: “Quem é o centro do anúncio, quem é recordado, anunciado?”, respondendo que é “Aquele que recebe o nome de Jesus.” Segundo ele, “no mistério revelativo, na encarnação de Deus, está Maria, Mãe de Deus, que em Jesus é nossa Mãe e Mãe da Igreja. Não fosse a Mãe de Deus, não a teríamos como mãe e não a celebraríamos como a Mãe da Igreja.” “Na beleza, singeleza do mistério do Natal temos diante de nossos olhos a presença de Deus em nossa humanidade. Jesus é uma única pessoa, portadora de duas naturezas: a divina e a humana, que, sem se confundir, encontram-se profunda e intimamente unidas. Assim, Maria não é simplesmente a mãe Jesus, mas também do Verbo encarnado, ou, como a saudou Isabel: “Mãe do meu Senhor” (Lc 1,43). Ela é, assim a Theotokos, ela é verdadeira Mãe de Deus. É assim que a invocamos e saudamos e amos. Em cada Ave-Maria que sai do nosso coração a recordamos e a saudamos como a Cheia de Graça. E a invocamos: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores”, ressaltou o arcebispo de Manaus. Analisando a segunda leitura, o cardeal Steiner destacou que “nos recorda que somos filhos e filhas no Filho (Gl 4,4-7), pois “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher” (Gl 4,4). O Filho de Deus, o filho de Maria, gestado em nossa humanidade. Nesse processo gestativo, Jesus comunga da condição humana e nós recebemos a dignidade divina. Paulo insiste que o Filho de Deus é homem como todo e qualquer homem, homem inteiramente humano. Porque nascido de mulher, proclamarmos Maria como Mãe de Deus, nos afirmamos que somos todos verdadeiros irmãos, e irmãs. Nela vemos como Deus não fez descriminação, e nela, Mãe de Deus e nossa, somos todos pertencentes à mesma filiação. No Filho nascido, e nela Mãe de Deus, buscamos superar todos as discriminações: sociais, religiosas, econômicas, de raça, de cultura. ou político.” O presidente do Regional Norte1 recordou que “ao celebrarmos Mãe de Deus e nossa, celebramos o Dia Mundial da Paz”, e disse que “Papa Francisco nos enviou uma mensagem provocativa para o dia da Paz: ‘Perdoa-nos as nossas ofensas, concede-nos a tua paz’. A paz que nasce do perdão, a paz que nasce com o perdão. Sem reconciliação a paz permanece um desejo.” O cardeal citou as palavras do Santo Padre: “Na aurora deste novo ano que nos é dado pelo nosso Pai celeste, um tempo jubilar dedicado à esperança, dirijo os meus mais sinceros votos de paz a cada mulher e a cada homem, especialmente àqueles que se sentem prostrados pela sua condição existencial, condenados pelos seus próprios erros, esmagados pelo julgamento dos outros e já não veem qualquer perspectiva para a sua própria vida. A todos vós, esperança e paz, porque este é um Ano de Graça, que vem do Coração do Redentor!” “As relações novas que o perdão possibilita, cria a fraternidade. Dela nasce a paz. A intoxicação individualista, idólatra, consumista, oculta a justiça, desfaz a concórdia e impede a paz. A paz minada pela “desfraternidade”! Somos provocados a promover e fomentar relações que abrem o caminho da fraternidade: “Perdoa-nos as nossas ofensas, concede-nos a tua paz”. A paz nasce da fraternidade, do sermos todos irmãos e irmãs. Paz que é o cuidado uns pelos outros. O cuidado de irmãs e irmãos, desperta o espírito de bem-querer. Existem tensões, incompreensões, diferenças, até, às vezes agressões, mas o ser irmã, o ser irmão, refaz os laços, reconduz ao amor gerativo, possibilita a convivência de cuidado, justiça e fraternidade. Nada que não possa aproximar e no amar perdoar”, refletiu o arcebispo de Manaus. “Juntos pelas sendas da paz! E na busca da paz há necessidade da justiça e do perdão. A verdadeira paz é fruto da justiça. Será o perdão a curar as feridas e a restabelecer em profundidade as relações humanas fragmentadas, danificadas, rompidas. O perdão e a justiça estabelecem relações profundas e fecundas, pois não acontece na solidão, mas no encontro”, lembrou o cardeal Steiner com as palavras do Papa João Paulo II no Dia Mundial…
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“2025 nos ajude a construir um mundo melhor, o mundo da justiça, o mundo da fraternidade”

Desejando um abençoado ano 2025 e lembrando que estamos iniciando um Ano Jubilar, o Ano da Esperança, iniciou o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, sua mensagem para o ano que estamos prestes a começar. O cardeal Steiner fez um chamado a “sermos todos peregrinos, peregrinas, da esperança, atraídos pela esperança, anunciadores da esperança, sinalizadores, sinalizadoras da esperança.” O presidente do Regional Norte1 pediu que “este ano de 2025 nos ajude a construir um mundo melhor, o mundo da justiça, o mundo da fraternidade, porque somos pessoas esperançadas, porque esperançadas acreditamos num mundo melhor, acreditamos na nossa capacidade de nos relacionarmos de uma maneira mais tranquila, de uma maneira mais harmônica.” Finalmente, o arcebispo de Manaus pediu “que Deus abençoe este nosso ano e que sejamos todos peregrinos da esperança, peregrinas da esperança.” Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Igreja do Rio Negro, a mais indígena do Brasil, abre o Jubileu do Ano Santo da Esperança

A diocese de São Gabriel da Cachoeira, a Igreja do Rio Negro, a mais indígena do Brasil, iniciou o Jubileu 2025 com uma celebração que teve como ponto de partida o ginásio da diocese. Uma celebração que contou com uma boa participação do povo, e que podemos dizer teve sua singularidade “nos cantos nas línguas indígenas locais, o evangelho proclamado em língua Tucano e as flautas que anunciaram na procissão do ofertório que trazemos ao Senhor, as esperanças que os povos do Rio Negro neste jubileu se abrem”, segundo relatou o bispo local, dom Raimundo Vanthuy Neto. “A esperança primeiro de que, como a família de Nazaré que peregrina e vai com o pequeno Jesus a Jerusalém para celebrar a Páscoa, nós também esperamos como famílias, famílias plurais dos 24 povos, famílias que compreendem um mundo diferente, famílias que experimentam à luz de Deus porque caminham também, apesar das diferenças, juntas como única família da Igreja diocesana do Rio Negro”, disse o bispo diocesano. Famílias que esperam, nesse jubileu, acrescentou dom Vanthuy, “enfrentar com mais força, vindo da graça de Deus, mas vindo da união dos povos, enfrentar o tema da bebida alcoólica.” Concretizando na vida desse território, o bispo enfatizou que “a esperança é que o Jubileu nos aponte que as famílias do Rio Negro querem assumir um compromisso de diminuir toda a experiência difícil que advém da bebida alcoólica. Querem como que dar uma moratória, uma parada.” Esse foi o convite que o bispo diocesano, junto com os ministros da Palavra, da Eucaristia, os presbíteros, as irmãs da Vida Religiosa Consagrada fizeram e lançaram no início do Ano Jubilar. Junto com isso “a esperança de que o governo e de modo especial as leis brasileiras não venham tirar a tão esperada esperança que os povos venham tocar no tema da terra”, disse dom Vanthuy, lembrando o Marco Temporal, o projeto lei que tramita no Congresso Nacional que delimita, que diminui toda a questão das terras indígenas. Diante das palavras do bispo, o povo aclamava cantando viva a esperança, falando dom Vanthuy que “não esperamos, não é esperança o anúncio das leis como a lei forte que destrói a esperança, que destrói os sonhos, que destrói o futuro dos povos indígenas pois, limita a terra a lei forte do Marco Temporal.” Na homilia, o bispo diocesano ressaltou que “ressoa também que como a família de Nazaré experimentou perdas e encontros, também no Rio Negro as famílias experimentam perdas quando filhos e filhas jovens, sem perspectiva de vida, experimentam dar um fim a sua própria vida”. Dom Vanthuy ecoou que “não queremos esperar e não sonhamos e não temos esperança para as questões que levam os jovens ao caminho do suicídio, esperamos que os jovens do Rio Negro possam sonhar melhor, possam encontrar sempre perspectivas de vida”, ao que o povo todo de novo cantou: Viva a Esperança! Uma esperança que a homilia indicava que “estava plantada no nosso coração, pois a nós foi derramado em nossos corações o Espírito Santo. A esperança do Filho do Pai, que anima cada homem e cada mulher que segue Jesus Cristo, que participa das comunidades. Por isso ecoou o canto Viva a Esperança, onde nós cantamos a certeza de que carregamos a semente da esperança, a esperança que mora e habita cada pessoa do Rio Negro como semente, e que junto, viva como o verde de uma esperança de uma grande floresta, o verde da esperança que ilumina e que encanta o olhar e a vida do povo do Rio Negro”, sublinhou dom Vanthuy. O Jubileu foi anunciado com alegria quando as flautas do Cariçu foram tocadas, trazendo a Deus as esperanças dos povos: terra, frutas, crianças. O hino jubilar foi entoado por duas crianças pequenas do povo Tucano e do povo Baniwa. Em um momento de grande beleza, as crianças cantavam e o povo repetia. Terminada a celebração eucarística, onde se lembrou muito a família de Nazaré que peregrinou até Belém, se anunciou com alegria que nós também queríamos, como Jesus, crescer na esperança. Uma esperança que, como ele, em Nazaré, cresceu marcado pela sabedoria, cresceu pela experiência forte da companhia dos pais, cresceu pela experiência forte de que o Espírito Santo trabalhava N´Ele. O Jubileu quer ser para o povo do Rio Negro, segundo seu bispo “experiência cada vez mais em fortalecer as comunidades, uma esperança de uma igreja viva que possa acolher de modo especial toda pessoa que se encontra frágil e que anuncia que aqui a misericórdia de Deus é infinita e que Deus não estranha nem pecado, nem limites dos homens. Queremos crescer na sabedoria, retomando as sabedorias ancestrais de nossas comunidades, mas crescer na sabedoria do Evangelho. Como o texto mesmo diz, sentados ao redor, nós queremos nos maravilhar para aprender com Jesus. Por isso, ressoou que no jubileu nós queremos retomar o caminho dos círculos bíblicos, sentar ao redor de Jesus para que a Palavra dele nos ajude a descobrir a vontade do Pai.” No final da Eucaristia, foi benta uma grande cruz no centro do ginásio, cruz da madeira tirada das comunidades, levada em procissão e plantada na frente da catedral de São Gabriel. Posteriormente foi aberta a Porta Santa na catedral, e ali, o bispo junto com lideranças, colocaram perfumes nas portas, enquanto os indígenas tocavam as flautas tradicionais, e todo mundo quis se ajoelhar e entrar dentro da catedral, onde esperava o Santíssimo Sacramento exposto. Ali foi feita uma breve adoração, e todos juntos cantaram: Chama viva da esperança, pedindo que este canto suba para Deus, e seja renovada a esperança no Cristo, aquele que vem até nós. As comunidades foram convidadas para que possam viver esse período do Ano Santo marcado por peregrinações, para que em todas as festas de santos, nas paróquias e comunidades, possam se organizar momentos de peregrinação a cinco lugares: a Igreja Mãe do Rio Negro, a Catedral, a Igreja Primeira do Rio Negro, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Bacelos e a Igreja Centenária…
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Abertura oficial do Ano Jubilar na diocese de Borba

O Papa Francisco escolheu para o Jubileu de 2025 o tema “Peregrinos da Esperança”, sendo a peregrinação a igrejas jubilares um dos principais sinais deste Ano Santo. Na abertura do Jubileu 2025, os fiéis da diocese de Borba reuniram-se em romaria na comunidade de São Miguel Arcanjo – Paróquia de Cristo Rei, neste domingo, 29 de janeiro de 2024, onde Dom Zenildo proclamou o início da celebração deste Ano Jubilar. A caminhada seguiu para a Basílica de Santo Antônio com louvor e oração. A palavra “peregrinar” foi colocada por Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva como convocatória para “a vivência da santidade”. Logo, sendo este, o Domingo da Sagrada Família, “não podem faltar o amor, o respeito e a fidelidade, em nossa peregrinação e em nossas famílias”, o bispo diocesano afirmou que “se tivéssemos famílias santas, o mundo seria diferente”. “O evangelho de Lucas 2, 41-52 retrata o ensinamento e a revelação do reino por meio de Jesus que tinha apenas 12 anos. A sacralidade de Jesus em fazer a vontade do Pai está explícito na Sagrada Escritura” , refletiu dom Zenildo. Com a proclamação da Bula Papal intitulada “Spes non confundit” (SnC), ou seja, “A esperança não decepciona” (Rm 5, 5), seguindo a tradição, o Papa Francisco proclamou o Jubileu Ordinário do Ano 2025. A escuta atenta do Espírito Santo por meio dos sinais dos tempos, a sensibilidade com os dramas contemporâneos da humanidade e o seu discernimento de pastor da Igreja nesta etapa da história inspiraram o Papa Francisco propor à Igreja e ao mundo a celebração de um jubileu que tenha a “esperança” como sua palavra-chave. Abramos nosso coração às palavras do Papa Francisco, que escreve: “Todos esperam. No coração de cada pessoa, encerra-se a esperança como desejo e expectativa do bem, apesar de não saber o que trará consigo o amanhã. Porém, esta imprevisibilidade do futuro faz surgir sentimentos por vezes contrapostos: desde a confiança ao medo, da serenidade ao desânimo, da certeza à dúvida. Muitas vezes encontramos pessoas desanimadas que olham, com ceticismo e pessimismo, para o futuro como se nada lhes pudesse proporcionar felicidade. Que o Jubileu seja, para todos, ocasião de reanimar a esperança! A Palavra de Deus ajuda-nos a encontrar as razões para isso. Deixemo-nos guiar pelo que o apóstolo Paulo escreve precisamente aos cristãos de Roma. «Uma vez que fomos justificados pela fé, estamos em paz com Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele tivemos acesso, na fé, a esta graça na qual nos encontramos firmemente e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus (…). Ora a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 1-2.5)” (Bula Spes non confundit 1-2). Na homilia, o bispo diocesano apontou que Cristo tem esperança em cada ser humano. Quem vive a esperança pode até cair, mas logo vai se levantar. Logo podemos dizer que temos o verbo “esperançar” para conjugar nesta caminhada peregrina. Pois o Jubileu exige de nós um chamado e um olhar esperançoso, viver o novo. Para isso temos que nos preencher de indignação e coragem. Assim, viver os 2025 anos da existência de Jesus, é estar ancorado N´Ele. Abramos o nosso coração para a renovação da esperança e a concessão das indulgências plenárias em nossas famílias, em nossas paróquias e em nossa diocese de Borba. Pastoral da Comunicação da diocese de Borba

Cardeal Steiner: “Assumamos o dom e o compromisso de levar a esperança onde ela se perdeu”

“Iniciamos o Ano Santo Jubilar na Solenidade da Sagrada Família”, disse o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, na catedral da Imaculada Conceição, na homilia da celebração com que deu início o Jubileu da Esperança, que começo na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. “Celebramos a peregrinação da Família de Nazaré a Jerusalém, a experiência de Jesus, Maria e José, unidos por um amor imenso e animados por uma grande confiança em Deus. Peregrinam para a cidade santa, participam da festa da Páscoa e Jesus permanece no templo a dialogar e discutir com os mestres da Lei. No regresso da peregrinação, os pais dão-se conta de que o filho de doze anos não está na caravana. Depois de três dias de busca e de temor, o encontram no templo, sentado no meio dos doutores, escutando e fazendo perguntas. Ao ver Jesus, Maria e José ‘ficaram admirados’ e a Mãe manifestou a sua apreensão dizendo: ‘Teu pai e eu estávamos, aflitos, à tua procura’”, afirmou o arcebispo. “Na peregrinação a Jerusalém, a aflição e a admiração! Nossa Senhora e José passaram pela aflição; a aflição os levou à procura e ao encontro.  A ‘aflição’ pela perda, pelo desencontro, aflição, pois pai e mãe. Maria e José tinham acolhido aquele Filho, dele cuidavam e viam crescer em estatura, sabedoria e graça no meio deles. A maternidade e a paternidade, fez crescer o afeto, o amor em relação a Jesus. Ele era o filho amado. A família de Nazaré fez-se sagrada, pois voltada, centrada em Jesus. Dessa relação amorosa nasce a aflição: onde está, com quem está, vivo está?”, refletiu o presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1). Segundo o cardeal Steiner, “a aflição pode advir de uma perda, de uma desorientação, de não encontrar a quem se ama. Vivemos num tempo de situações dramáticas que causam tanta aflição: as guerras, a violência, a fome, a orfandade, os abusos, a desilusão da migração. Tantas situações de aflição por que passam as famílias. Quantas procuras sem encontrar o templo como lugar do reencontro. Mas sempre na esperança!” Ele disse que “aquela aflição que eles sentiam nos três dias em que perderam Jesus, deveria ser também a nossa aflição quando estamos distantes de Jesus. Deveríamos sentir aflição quando esquecemos a Deus por mais de três dias, sem rezar, sem ler a Sagrada Escritura, sem sentir a necessidade de ser sua presença e da sua amizade consoladora. Deveríamos sentir aflição no distanciamento de Deus e dos irmãos.” “É a admiração a provocar, o despertar para a esperança”, ressaltou o arcebispo. Segundo ele, “na família de Nazaré havia ‘admiração’; nem mesmo a perda de Jesus, deixou de causar admiração. Admiração: ‘todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas’”. O cardeal Steiner lembrou as palavras de Papa Francisco na festa da Sagrada Família de 2018, onde também pergunta e responde: “Mas que significa admiração, que significa ficar maravilhado? Ficar admirado e maravilhar-se é o contrário de dar tudo por certo, é o contrário de interpretar a realidade que nos circunda e os acontecimentos da história apenas conforme os nossos critérios. E quem faz isto não sabe o que significa maravilhar-se, o que significa ficar admirado. Admiração é elevação, alegria, receptividade. Admirar-se significa abrir-se aos outros, compreender as razões dos outros. A admiração cura dos prejulgamentos, dos pré-juízos. É indispensável para curar as feridas abertas no âmbito familiar e comunitário. A admiração se dá conta da bondade, das qualidades, dos afetos e acolhida.” “A sagrada família, as nossas famílias! Como são animadoras as palavras da Carta aos Colossenses: somos amados por Deus, somos os seus eleitos. Somos, insistentemente, convidados a revestir-nos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, sendo suporte uns para com os outros. Amar-nos uns aos outros; viver na paz, na gratidão, ajudar-nos na benevolência da sabedoria. Tudo para que as relações familiares sejam fecundas e frutuosas, cheios de liberdade e sabedoria. Como é admirável e desafiador a vida em família, pois é ali que crescemos na nossa humanidade e na nossa divindade”, sublinhou. O cardeal Steiner recordou que “iniciamos, hoje, na Arquidiocese o Ano Jubilar da Esperança! O Jubileu será tempo da esperança! ‘A esperança não decepciona’, indica o caminho de seguirmos a Jesus! Nossas comunidades eclesiais, movimentos e comunidades de vida, pastorais, serviços e organismos, vocações e ministérios, todos animados na esperança, pois mantemos os olhos fixos em Jesus. Tendo como horizonte o Reino de Deus, nossa esperança, nos empenhamos pela vida em plenitude para toda realidade criada. A nossa confiança em Jesus, que veio ‘para que tenham vida, e a tenham em abundância’ (Jo, 10,10).” Explicando o Jubileu, o arcebispo disse que “o Ano da Esperança, convida a redescobrir a alegria do encontro com Jesus, pois somos chamados a uma renovação espiritual e compromete-nos na transformação do mundo, para que este se torne verdadeiramente um tempo jubilar: que seja assim para a nossa mãe Terra, desfigurada pela lógica do lucro; que seja assim para os países mais pobres, sobrecarregados de dívidas injustas; que seja assim para todos aqueles que são prisioneiros de antigas e novas escravidões. A esperança cristã é precisamente o “algo mais” que nos pede para avançarmos e nos deixarmos encontrar por Jesus, o nascido em Belém, e pelos irmãos e irmãs que mais necessitam. Discípulas e discípulos do Senhor, somos convidados a encontrar em Jesus a nossa maior esperança e a levá-la sem demora, como peregrinos de luz nas trevas do mundo”, lembrando as palavras de Papa Francisco na Abertura do Ano Santo 2025. “O Ano Jubileu é uma ocasião privilegiada para a experiência do amor misericordioso de Deus e da mesma forma, nos dá a oportunidade para superarmos as marcas do pecado que enfraquecem nossas relações. Ano da Esperança, tempo de conversão! A Indulgência Jubilar, a experiência da misericórdia sem limites, nos dá a possibilidade de alcançarmos o perdão e evitar que os efeitos do pecado deixem suas marcas na nossa história pessoal e eclesial. Façamos a experiência…
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O poder da Palavra

O Tempo do Natal nos desafia a refletir sobre o poder de uma palavra, de uma Palavra que gera vida, nascida de Deus, e das palavras que semeiam morte e destruição. Somos questionados sobre o uso que cada um, cada uma de nós, fazemos das palavras. A pergunta que devemos nos fazer é para que usamos nossa capacidade de falar. O que é que a gente comunica, o que é que a gente transmite para os outros. Reparar naquilo que a gente comunica nos leva a perceber que muitas vezes nossa palavra nasce daquela parte de nós que se empenha em destruir os outros. São tantas as coisas negativas que brotam da nossa boca, que somos chamados a refletir sobre as consequências daquilo que a gente fala. Uma palavra que deveria ser instrumento de conhecimento, de crescimento para o outro, se torna uma bala que mata, que destrói vidas. A palavra deve ser construtora de um mundo melhor para todos e todas, deve ajudar a visibilizar o Reino de Deus no meio de nós. Sua Palavra, Jesus Cristo, é a melhor expressão de sua presença, e aqueles que se dizem seguidores e seguidoras dessa Palavra, discípulos e discípulas de Jesus, são desafiados a comunicar tudo aquilo que Deus quis transmitir no fato de se fazer carne e no modo em que isso aconteceu. Um Palavra, um sussurro de Deus, Ele se tornou presença entre nós em uma criança que se comunicava com sua presença. Um estar no meio de nós que nos desafia a entender o que Ele tem a nos comunicar. O que será que Deus quer me dizer hoje em tantas coisas pequenas, em tantas realidades que aparentemente não são importantes? Como entender o modo de se comunicar conosco e aprender essa linguagem que gera vida? Falar, se comunicar, para bendizer e nunca para maldizer, tirar da nossa vida tudo o que agride os outros, nos afasta deles e polariza nossa vida e nosso relacionamento com os outros, que nunca podem ser vistos como inimigos e sim como irmãos e irmãs. Quando estamos dispostos a nos fazermos pequenos, a nos comunicarmos no sussurro e não no grito, quando nossa palavra é caminho de diálogo e não de enfrentamento, vamos gerando vida, sendo Palavra encarnada do Deus da vida. Uma palavra que não manipula, mas que atrai, uma palavra que não domina, mas que ajuda a experimentar a grandeza de caminhar juntos, uma palavra que não divide, mas nos impulsiona na vivência da fraternidade. Pensemos antes de nos comunicar, não falemos a partir do impulso e sim de uma reflexão que nos ajuda a construir juntos, a gerar vida para todos e todas. É tempo de afinar o ouvido, de sintonizar com aquilo que Deus está nos dizendo para poder aprender a comunicar o que vem D´Ele. Deixemos que de cada um, de cada uma de nós possa brotar a Palavra que nos gerou e nos fez sua presença no meio aos outros, para assim poder tornar visível, audível, compreensível que vale a pena continuar fazendo carne o que Ele sempre nos comunicou e continua nos comunicando. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Palavra pequena, criança de Belém, que o vosso choro nos desperte da nossa indiferença, abra os olhos perante quem sofre”

Citando o texto do Evangelho da Missa do Dia de Natal, o Prólogo de São João: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava em Deus e a Palavra era Deus”, iniciou o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, sua homilia, afirmando que “agora a Palavra se fez carne e habita entre nós”, e que “é o que celebramos no dia do Natal.”  Segundo ele, “Na liturgia recordamos que a Palavra que tudo criara veio morar no meio de nós, se fez nossa Palavra e na nossa Palavra nasceu a esperança para todos nós.” Ele citou a Carta aos Hebreus, proclamada na segunda leitura: “muitas vezes e de muitos modos Deus falou outrora a nossos pais pelos profetas, mas nesses dias Ele nos falou por meio do próprio Filho.” Diante do texto, o arcebispo disse: “Agora não mais anjos, agora não mais profetas, não mais patriarcas, Deus a nos ensinar e a proclamar Deus no meio de nós.”. Isso porque “Deus insiste e busca apaixonadamente o coração humano, buscou pela manifestação dos anjos, pela vida dos patriarcas, na voz dos profetas, mas não resistindo no desejo de falar ao nosso coração, nos fala hoje pelo Filho. Deus se fez Palavra. O próprio Filho é a Palavra, o Logos, a Palavra eterna que se fez pequena, tão pequena que cabe numa manjedoura. A palavra que se fez criança para que pudéssemos compreender Deus em Jesus.” Desde então, destacou o cardeal Steiner, “a palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz. Agora a palavra tem o rosto, e por isso mesmo podemos ver a criança de Belém, Jesus de Nazaré. Tornou-se tão palpável, tão visível, tão audível, que já não mais profetas, mas a própria palavra que se faz carne e habita entre nós. Deus que se tornou palpável, audível, visível em nossa humanidade. Ele se fez palavra encarnada, palavra dada, doada, cordial, gratuita, uma verdadeira entrega de amor. Manifestou-se no silêncio de uma noite, ali no recolhimento, no acolhimento, na aceitação, Deus se tornou visível no meio de nós.” Verdadeiramente, refletiu o presidente do Regional Norte1, “a palavra carne da nossa carne, ossos dos nossos ossos, sangue do nosso sangue, é uma manifestação do amor livre e gratuito de Deus no nosso meio. Essa é a palavra que está no início de tudo, no início da nossa vida, no início da nossa fé, o sentido do nosso amor. O de vivermos como igreja, de formarmos comunidade, de sermos uma família. A palavra que tudo funda e tudo dá sentido. A palavra que cria e recria todas as coisas. A palavra que dá sentido até a morte. Dá sentido porque ela agora é a esperança. Ela é a nossa samaritanidade. é a medida da nossa justiça, da nossa solidariedade. É o sentido de sermos Igreja, comunidade de fé.” Segundo o cardeal Steiner, “ela que abre um novo céu e uma nova terra. Ela, a palavra, é o nosso céu e a nossa terra. Pois quando lemos a palavra nos recordamos de Jesus. E em Jesus vamos descobrindo as belezas da nossa fé, da nossa vida. E ali vamos descobrindo a grandeza do reino de Deus. O reino da verdade e da graça, o reino da justiça, do amor e da paz. A palavra, a palavra que se fez carne e habita entre nós.” Na segunda leitura, ele disse que “é iluminar a grandeza da palavra que é Jesus”, sublinhando que “não estremece, invadido de santo temor e tremor o nosso coração diante da beleza do extraordinário desta palavra feita criança.”  Ele citou São Gregório de Nazianzeno, que diz: “depois daquela tênue luz da lâmpada do precursor, veio a luz claríssima de Cristo. Depois da voz veio a palavra, depois do amigo, do esposo, veio esposo, uma palavra, disse o arcebispo, “tão audível, tão visível, tão dizível, tão próxima, tão audiente, tão convincente, Jesus na criança de Belém.” Ele enfatizou que “a palavra continua a ser carne na carne sofredora de Jesus de hoje. Ela se encarna na palavra que é escutada, na palavra silêncio, na palavra consolo, na palavra prece, feita oração, na palavra partilha, na palavra consorte, na palavra amorosa, na palavra que serve. Ela se encarna na palavra gesto, no pão repartido, no alimento oferecido, no revestimento da alma, no sofrer, reveste as pessoas na nudez do seu não bem querer. A palavra encarnada que vai se encarnando cada vez mais na medida em que nós vamos vivendo da palavra que é Jesus. Se a palavra está no princípio, é o princípio, o principiar, comecemos então a confiar cada vez mais em Deus.” Em palavras do arcebispo de Manaus, “ele está nos visitando, muitas vezes nos visita, mas às vezes é irreconhecível nas nossas cidades, nos nossos bairros. Ele também está preso nas nossas cadeias, Ele está dormindo nas ruas das nossas cidades, Ele bate as nossas portas, Ele nos busca no perdão, na misericórdia. Ele está presente nos assassinos, presente nos grupos armados, nas facções, Ele está presente nos traficantes, apesar de pensarmos que não, porque todos, mesmo na decadência humana, continuam a ser filhos e filhas de Deus.” O arcebispo questionou, “como anunciamos a palavra Jesus a esses irmãos e irmãs perdidos pelos caminhos?”, enfatizando que “Deus Jesus presente em todas as realidades humanas, também as mais deprimentes, as mais desconcertantes. A palavra Jesus, o nascido de Maria, Deus encarnado, a indicar que tudo foi feito para o nosso bem, apesar de tantos não viverem da paz, mas da violência, não viverem da concórdia, mas da agressão, não viverem da fraternidade, mas viverem da morte.” Diante disso, “somos, no entanto, no nascer de Jesus, a verdade que deve ser reafirmada”, ressaltou o cardeal Steiner. “A todos deu a capacidade de se tornarem filhos de Deus. Igualmente ele veio para iluminar a todo ser humano. Deus não desiste de nós, não desiste de ninguém. Deus não desiste de nenhum de nós. Por mais distantes que sejamos, por mais pecadores que sejamos, mesmo por sermos…
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Cardeal Steiner: “Deus abaixou-se para que dele pudéssemos nos aproximar”

Depois de citar o texto do Evangelho que diz: “Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,4-8), o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner iniciou sua homilia lembrando que “aos domingos depois da missa, crianças vem para receber a benção. Quando me abaixo e fico à altura de olhos nos olhos, elas se aproximam, normalmente sorriem. É o que celebramos nesta vigília de Natal. Deus abaixou-se para que dele pudéssemos nos aproximar. Abaixou-se, colocou-se olhos nos olhos, para que o pudéssemos ver, sentir o seu perfume, perceber a suavidade de seu respiro.” O arcebispo incidiu e que “aproximou-se! Deixou-se envolver com faixas, panos e reclinado na manjedoura. Aproximou-se: nasceu pobre, peregrino, na simplicidade, no quase abandono! Nasceu escondido, no meio da noite, fora da cidade, sem casa, aos cuidados de Maria e José, em meio de animais. Aproximou-se, recebendo como berço, como lugar para repouso e acolhimento a manjedoura dos animais. Aproximou-se na fragilidade, na nossa humanidade, revelando o seu rosto. No nosso rosto, Deus veio mostrar-se, tornou-se visível. Veio ao nosso encontro na fraqueza, na ternura de uma criança, na singeleza e inocência e fraqueza da nossa humanidade; Deus feito menino, proximidade!” Segundo o cardeal Steiner: “O ‘Deus próximo’ fala-nos de humildade. Não é um ‘grande Deus’ distante… não. Está próximo. É de casa. Aproximou-se iluminando os que viviam à margem, os esquecidos, os pastores. Naquela noite, Aquele que não tinha um lugar para nascer é anunciado àqueles que não tinham lugar nas mesas e nas ruas da cidade. Os pastores foram os primeiros a receber a Boa Notícia da proximidade de Deus.” Recordando as palavras de Papa Francisco na Vigília do Natal de 2017, ele disse: “Pelo seu trabalho, eram homens e mulheres que tinham de viver à margem da sociedade. As suas condições de vida, os lugares onde eram obrigados a permanecer, impediam-lhes de observar todas as prescrições rituais de purificação religiosa e, por isso, eram considerados impuros. Traía-os a sua pele, as suas roupas, o seu odor, o modo de falar, a origem. Neles tudo gerava desconfiança. Homens e mulheres de quem era preciso estar distante, recear; eram considerados pagãos entre os crentes, pecadores entre os justos e estrangeiros entre os cidadãos. A eles – pagãos, pecadores e estrangeiros – disse o anjo aproximou-se deu a bela notícia: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: ‘Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor’ (Lc 2, 10-11).” “Abaixou-se como ‘recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura’ (Lc 2,12). E os que se aproximaram na possibilidade do abaixamento de Deus, ficaram maravilhados a ponto de Lucas afirmar: ‘os pastores voltaram louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto (Lc 2,20). Ouviram anjos, mas viram Deus menino: pobreza, singeleza, silêncio, respiro, suspiro. No meio da noite pelo abaixamento, viram que havia uma semelhança entre Deus e eles. No abaixamento de Deus, não eram mais marginalizados, empobrecidos, indignos, desfavorecidos. Agora não mais sós a cuidar dos rebanhos. Eram filhos e filhas amados de Deus. Deus se fez filho como nos anunciava profeta: “um filho nos foi dado”, refletiu o cardeal. Ele afirmou: “O esperado das nações, o implorado por gerações, hoje celebrado nas palavras do profeta como o nascido menino, o filho que nos foi dado (Is 9,5). Deus se abaixou a tal ponto que se fez nosso filho, na sua filiação somos todos filhas e filhas de Deus. Deus gerado em nossa humanidade. A humanidade, por desejo e ação de Deus, foi capaz de gerar Deus. Agora não mais distante, mas proximidade, carne da nossa carne, para dizer o quanto ama, pois sinal de bondade e de misericórdia.” “Agora Ele mesmo no meio de nós, como um de nós, não outro de nós. Um de nós, como nós, pequeno, necessitado, dependente, necessitado de amor materno, paterno. Custa-nos crer que Deus seja tão próximo de nós, que se tenha abaixado a tal ponto que o podemos tomar nos braços, abrigá-lo, acariciá-lo, sentir o seu perfume. Às vezes nos é penoso confessar que Deus seja apenas uma criança, tenha o nosso corpo, que participa das nossas necessidades, da finitude humana”, destacou o presidente do Regional Norte1 da CNBB. Segundo ele, “Nesta noite vemos e apalpamos a proximidade de Deus, o abaixamento de Deus; como está próximo, pede-nos que estejamos próximos uns dos outros, que não nos afastemos uns dos outros. Deus se fez homem, próximo dos pastores, dos Magos, dos pobres, dos necessitados e foi para todos, sinal de consolo, cura e salvação.” Lembrando novamente as palavras de Papa Francisco, o cardeal disse: “Estar próximo aos últimos, curvar-se diante de suas feridas, cuidar de suas necessidades, é lançar uma boa base na construção de comunidades unidas e sólidas, para um mundo melhor e um futuro de paz. É o próprio Cristo que vem ao nosso encontro nos pobres, para nos mostrar o caminho para o Reino dos Céus, Ele que se fez pobre para nos enriquecer com sua pobreza.” Recordando que “desejávamos chegar a Belém, porque Ele nos esperava. Agora ao contemplarmos o abaixamento de Deus, dobremos reverentes e contentes os joelhos: um Filho nos foi dado!”, o arcebispo de Manaus pediu: “dobremos os joelhos e reverentes e contemplantes acolhamos a Criança envolta em panos e deitada entre animais, pastores e anjos. Dobremos os joelhos diante de Deus indefeso, Deus gemido: Tu, colocado numa manjedoura, és a Vida, vida da nossa vida. Necessitamos da terna fragrância do teu amor, a fim de tornar-nos, esperança e paz para no mundo. Toma-nos sobre os teus ombros frágeis de menino: amados por Ti, também nós amaremos as irmãs e os irmãos. Então será Natal,quando pudermos confessar: ‘Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu te amo!’ (Jo 21,17), amando os irmãos.” “Nesta noite, maravilhados com a presença do Deus-criança,…
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“A paz em um tempo de guerra nos ajude a pensar na harmonia, no cuidado”, pede o presidente do Regional Norte1 no Natal

A Paz é o pedido do arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, com motivo da Solenidade do Natal do Senhor. Em sua mensagem, ele iniciou suas palavras citando o texto evangélico “E Paz na Terra aos homens por Ele amado”. Segundo o presidente do Regional Norte1, acontece “o nascer de Deus com o anúncio da paz”, enfatizando que “o anúncio da paz que anuncia o nascer de Deus”. Ele pediu que “a paz em um tempo de violência, a paz em um tempo de guerra nos ajude a pensar na harmonia, no cuidado, na necessidade da fraternidade”. O cardeal Steiner insistiu: “que o Natal nos aproxime, que o Natal nos ajude a construir a paz e sermos testemunhas da paz, que possamos viver num mundo de fraternidade”. Ele encerrou sua mensagem desejando um Feliz Natal e pedindo a benção de Deus. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1