Cardeal Steiner: discípulos anunciadores da vida nova
O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, recordou que Deus se compadeceu dos sofredores e enviou os discípulos para anunciar a vida nova em Jesus Cristo. No texto do Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum, Jesus se depara com “as multidões cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor”. Tomado pela compaixão, envia todos nós como anunciadores da esperança do Reino presente na história. “Deus, queridos irmãos, queridas irmãs, é um Deus de compaixão. A compaixão, dizia Papa Francisco, é a fraqueza de Deus, mas também a sua força. É o que de melhor nos ofereceu, pois foi compaixão que levou o Pai a enviar Jesus, o seu Filho único. A compaixão é a linguagem de Deus, é o modo de Deus. A compaixão é confiança no amor providente de Deus. Então, Jesus compadeceu-se, foi tomado de compaixão, é que a compaixão vê realidades que nós, na cotidianidade, não vemos”, destacou o cardeal. Manifestação concreta do amor Ao refletir a primeira leitura do Livro do Êxodo (19,2-6a), o cardeal recordou a compaixão de Deus que toca as realidades do cotidiano. No texto, Deus oferece uma declaração de amor concreto ao seu povo por meio do cuidado das necessidades, sejam do corpo ou do espírito. O povo escolhido sente a compaixão manifestada no Reino de proximidade anunciado pelos discípulos. “A verdadeira compaixão, queridos irmãos e irmãs, é um sofrer com os outros, é assumir a dor dos outros, é fazer-se um com o outro que sofre. Jesus encontra gente simples, pobre, doente, pecadora, marginalizada, cansada. Multidões que necessitavam uma palavra de esperança, de força, de vida nova. Multidões cansadas, desgarradas, como quem não tem pastor. O pastor que encontra e busca as multidões para oferecer-lhes o remédio para uma cura do cansaço e do abatimento”, disse o arcebispo. Proclamar a proximidade de Deus O envio dos discípulos ultrapassa um simples direcionamento do povo, é a proclamação do reino “da proximidade, o reino da justiça, o reino da compaixão”. O arcebispo enfatizou que “a primeira missão dos discípulos e também a nossa, é proclamar que Deus está próximo”. Essa proximidade de Deus nos prepara para a libertação e para a vida plena na gratuidade do amor. “Essa é a mensagem que nós anunciamos. Essa proximidade anima também os nossos passos, revigora as forças, concede olhos para ver novos horizontes, um novo modo de viver. Por isso, o anúncio do Reino acontece na gratuidade, um proclamar gratuito, mas proclamar a gratuidade da vida. O reino novo tem sinais, oferece indicações para despertar do abatimento e do cansaço”, esclareceu o cardeal. Sinais do Reino O arcebispo apontou os sinais do Reino no texto do Evangelho que incluem a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a purificação dos leprosos e a expulsão dos demônios. Esses acontecimentos são sinais de transformação, de elevação, de saúde corporal e espiritual “diante do inquietante abismo aberto” pelo “modo de viver da cotidianidade longe de Deus”. Hoje, esse distanciamento pode ser compreendido também pela lógica do avanço da ciência e da técnica que nos afasta da percepção do amor de Deus no dia a dia. “Vemos pessoas correndo imersas numa vida nervosa, intensa de atividade, esvaziando-se por dentro, sem saber exatamente o que desejam, o que querem. Não tem lugar para chegar, não tem porto para colocar o barco da existência. E Jesus no Evangelho dizia, o reino de Deus está próximo. O envio de Jesus diante do abatimento e cansaço também é para nós que estamos enfermos e necessitados de cura, mortos que precisamos de ressurreição, possessos que esperamos ser libertados dos demônios que nos impedem de viver como filhos e filhas de Deus”, apontou o arcebispo. Liberdade do Reino Outra relação proposta pelo Reino de Deus é da libertação de “tudo que rouba a vida, que rouba o bom humor, a graciosidade de viver”. Segundo o cardeal, o anúncio desperta “mulheres e homens para o dom da vida, do amor, da força da esperança, para que despertem da morte cotidiana”. O Evangelho é a força para vencer a “dureza impiedosa da vida diária”, da pobreza da fome e do abandono e restabelecer a convivência do amor. “Elevar para o amor à vida, a vontade de lutar, o desejo de libertar a confiança em Deus. Sim, irmãos e irmãs, ressuscitar, viver, andar, caminhar, esperançar. Ouvimos também purificar os leprosos, purificar, limpar o corpo social da mentira, da hipocrisia, da falsidade, da vontade de poder, do convencionalismo. Purificar o corpo social para viver na verdade, na simplicidade, na bondade, na transparência, na honradez, na justiça, não do engano”, enfatizou o arcebispo. Refazer o tecido das relações Refazer o tecido das relações é “expulsar tantos demônios que esvaziam perverte em a vida familiar a nossa vida social, mas também às vezes a nossa vida eclesial”. Para que nelas não prevaleçam as disputas e desejos de poder que ferem a fraternidade. Somente transformando a nossa vida em amor é que testemunharemos o Reino da compaixão anunciado pelos discípulos. “É um anúncio que se faz através do testemunho da nossa vida de sermos seguidoras e seguidores de Jesus. Então, somos convidados no Evangelho de hoje a nos curarmos, a ressuscitarmos, a sermos suporte, a ajudar as pessoas a voltar a sorrir, a ter esperança na vida. É que a compaixão, queridos irmãos e irmãs, supera a indiferença. Como nos lembrava Papa Francisco ir ao encontro dos irmãos e irmãs oprimidos por condições de vida precárias, por situações existenciais difíceis e desprovidas de pontos de referência de vida”, recordou o cardeal. Vencer a indiferença Ao partirmos e encontrarmos “pessoas cansadas, abatidas, sem sentido, sob o peso insuportável do abandono”, somos convidados a vencer a indiferença que fere a dignidade das relações. Isto implica reconhecer situações de injustiça e o “fardo de um sistema econômico que explora”. Por isso Jesus convida todos “a serem compaixão, cuidado para com os outros” superando o distanciamento. “O que nos salvará não será o conforto, os meios eletrônicos, o bem-estar, as riquezas, a tecnologia, mas…
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