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Dom Zenildo Lima convida fiéis a viverem sob o olhar de Deus na solenidade de Santa Maria

Dom Zenildo Lima convida fiéis a viverem sob o olhar de Deus na solenidade de Santa Maria

Durante a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, convidou os fiéis a pedirem à Virgem Maria a graça de permanecerem sempre sob o olhar de Deus. “Que nos sintamos envolvidos, amados, perdoados e pacificados”, afirmou o bispo na celebração realizada na noite de 31 de dezembro de 2025, às 18h, na Catedral Metropolitana de Manaus.

A liturgia da solenidade recorda que “a Mãe de Deus guarda todas essas coisas no seu coração. A Mãe de Deus guarda toda a nossa história no seu coração. A Mãe de Deus guarda a vida de cada um e de cada uma no seu coração”. E por isso os cristãos são convidados a fazer uma firme decisão pela paz conforme pede o Papa Leão XIV. O bispo explicou que a perspectiva de uma paz desarmada e desarmante envolve não se preparar para “reação ou para reagir agressivamente” e se constrói a partir dos pequenos.

Deu salva

O bispo iniciou sua homilia recordado a passagem do Evangelho onde passados os oito do nascimento de Jesus ele foi circuncidado recebeu o seu nome que significa Deus salva. Ele explicou aos presentes e ouvintes que a solene celebração do Natal e dos oito dias seguintes proporciona que todos participem “dessa dinâmica de salvação” que é o grande projeto de Deus. Segundo Dom Zenildo Lima, essa celebração permite a afirmação da divindade de Jesus, onde para outras experiências religiosas há um “grande líder, um grande profeta, uma grande referência”.

“Nós Dele afirmamos que Ele é Deus, como o Pai, que Ele é Deus da mesma natureza, da mesma substância, diz a igreja, do Pai. Por isso, para a celebração de hoje, a gente reza a profissão de fé do símbolo de Niceia e de Constantinopla, ou afirmar categoricamente, sim, Ele é Deus como o Pai. E mais tarde se vai dizer da Virgem Maria, ela é a Mãe de Deus, a solenidade que celebramos no primeiro dia do ano”, explicou o bispo.

Deus olha para nós

A primeira leitura do livro de números traz a bênção de Arão, nela é experimentado o gesto de Deus de “olhar para nós”.  A atitude de Deus é uma disposição direcionada a cada homem e a cada mulher que indica a bênção como “uma experiência de disposição nossa para outra pessoa”, disse Dom Zenildo. Essa disposição ao outro é percebida nas famílias quando há insistência das crianças para que sejam escutadas, mas também para que “a gente volte o rosto, volte o olhar” para o que elas desejam comunicar.

“E quando a gente volta o olhar para o pequeno, quando a gente volta o olhar para a pequena, eles experimentam não somente que estão debaixo dos nossos olhares, estão também dentro do nosso abraço, estão também participantes da nossa relação, estão debaixo do nosso cuidado, estão debaixo da nossa compaixão, estão protegidos por nós e lhes é assegurada a paz. Assim é a benção proposta no livro dos números”.

O horizonte proposto pela bênção de Arão dimensiona a grandeza do olhar misericordioso de Deus que alcança a totalidade de todo o povo. E por isso não pode ser vista como uma concorrência ou privilégio, pois “é sempre uma experiência de escolha do outro”, destacou o bispo. Essa expressão da vontade de Deus de abençoar, proteger e dar paz ao Seu povo requer abandonar as experiências religiosas que diminuem sua “dinâmica e força” empobrecem seu significado.

“O Senhor volta ao seu rosto. pessoa abençoada não é a pessoa bem sucedida financeiramente a pessoa abençoada não é a pessoa necessariamente que conquistou suas esperas a pessoa abençoada é aquela que entrou na relação com Deus nosso Pai uma relação com quem nos guarda, uma relação com quem se dirige a nós com compaixão, uma relação que nos garante Paz. Por isso, todo gesto de bênção, ele é solene”, afirmou Dom Zenildo Lima.

Jesus é a proposta de Deus

A Igreja Universal celebra a 59ª Jornada Mundial da Paz, e Dom Zenildo exortou que a bênção experimentada nas famílias nos dias do Natal precisa envolver cuidado, compaixão e assegurar a paz. E a proposta de Deus para todos é Seu Filho Jesus Cristo, que visita todo o percurso da história, contemplando a todos, sem distinção, e apresentando a grandeza de Deus manifestada na aparente fragilidade e pequenez do Menino no Presépio.

Por isso, recordou o bispo, o Papa Leão tem insistido que se volte olhar para as coisas pequenas e frágeis. Para que ao contemplá-las, seja possível pensar as escolhas, modelos e interesses que devem ser assumidos por cada um no ano que se inicia. Isto envolve experimentar o cuidado e a compaixão pelos que vivem em situação de rua, migrantes, pelos jovens perseguidos e todos que interpelam “uma relação de cuidado” que lhes garanta paz.

“A paz que tanto nós queremos. A paz que tanto nós almejamos. A paz que nós rezamos. Não é um horizonte que está distante de nós. Esta paz que nós vivenciamos, a experimentamos à medida em que a gente é capaz de sustentar, de assegurar, de vivenciar relações que são assim, que são marcadas por esta capacidade de cuidado, que são envolvidas nessas dinâmicas de compaixão, que asseguram, que asseguram de tal modo a vivência entre as pessoas que se garanta para todos a paz”, acrescentou o bispo.

Não alimentar a inimizade

Por fim, Dom Zenildo Lima desejou que todos sintam o olhar de Deus que abraça, envolve e propõem relações de compaixão que distanciam mágoas, rancores e desejos de vingança para construir relações de paz. Ele destacou o aumento da violência contra jovens e, especialmente, o número alarmante de feminicídios, apontando como inaceitável o último caso ocorrido no país.

Além disso, rememorou o pedido do Cardeal Leonardo Steiner para que não nos vejamos como inimigos, visto que haverá eleições nas esferas estaduais e federais. E que os últimos processos políticos do país têm desviado o olhar do que realmente é necessário para assegurar a dignidade das pessoas. E por tanto não se chegará ao “discernimento pacífico” e responsabilidade mútua se nos mantivermos pautados pela experiência de agressão.

“E se às vezes somos estimulados a uma reação tão agressiva e tão violenta, nos pede o papa lembremo-nos de Jesus na agonia da sua paixão, reprovando a violência de Pedro. Pedro, guarda essa tua espada na bainha. Não precisamos de armas… Não precisamos de guerras… Não precisamos de conflitos armados… O que nós precisamos e podemos vivenciar desde já… É da experiência da paz… E esta depende de nós… Dos nossos corações… Nós não estamos sozinhos… A Mãe de Deus está conosco”, finalizou o bispo.

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