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Autor: Emmanuel Grieco

Faculdade Católica do Amazonas inicia curso de Realidade Amazônica em Manaus

A Faculdade Católica do Amazonas, em parceria com o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), iniciou o Curso de Extensão Universitária ‘Realidade Amazônica’, no Centro de Formação Maromba, em Manaus. Entre os dias 20 e 30 de julho, os 21 participantes, vindos da Etiópia, Itália, Camarões, Quênia e outras regiões do Brasil, terão a oportunidade de refletir o serviço missionário no chão amazônico. Fé antecede sinais Na missa de abertura, Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus e reitor da Faculdade Católica, recordou que a Amazônia é o lugar do amor de Deus. Ele enfatizou que “a fé antecede os sinais”, e, por isso, “nós não precisamos de provas reais, concretas, empíricas para afirmar a presença de Deus no meio de nós”, Ele se revela.  O bispo insistiu que a fé implica adesão e abertura para Deus que se revela na realidade de cada ser humano. Reconhecer essa revelação de Deus “implica querer aprender” e se dispor “a escutar e a caminhar juntos”, o caminho sinodal. Durante os 10 dias de formação, os inscritos participaram de atividades de conhecimento teórico e vivência pastoral nas comunidades da Arquidiocese de Manaus. “Nessa beleza de Deus. Deus faz com que tudo possibilite o diálogo, quando existe vontade de amar e de servir. Não tem nada que não possa, de fato, ser transformado. Quando há a intenção de semear, de se doar, de poder aprender e de poder também se realizar por aqui”, afirmou Dom Joaquim Hudson. Metodologia participativa A metodologia sinodal, decolonial e intercultural busca configurar os agentes de pastoral nas comunidades eclesiais e serviços pastorais na Região Amazônica. Assim, colaborar para padres, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, participantes do curso sejam capazes de promover propostas concretas de ação libertadora e encarnada na realidade em que estão inseridos. De acordo com a organização do curso, a exepectitiva é possibilitar uma imersão em informações sistematizadas no território, nas histórias e temáticas contemporâneas da realidade amazônica. Adotando uma reflexão sobre as questões pastorais emergentes para compreender a missão da Igreja, como “amazonizar” a teologia e as práticas missionárias. Além de atividades de campo nas periferias e comunidades ribeirinhas da Arquidiocese de Manaus. Conhecimentos teóricos Entre os conhecimentos teóricos oferecidos, está uma análise de conjuntura da realidade socioambiental, político-econômica, cultural e eclesial da Amazônia. Essa perspectiva inclui o estudo de ‘Cidades na Amazônia‘, com a professora Ma. Deusa Costa. Também uma abordagem sobre a ‘História da Igreja na Amazônia‘, com a professora Dra. Elisângela Maciel e ‘Comunidades Amazônicas‘, ministrada pela Ma. Núbia Gonzaga e Me. Franco Lindemberg. Nos horizontes geográficos e movimentos sociais na Amazônia, os inscritos aprenderão sobre a ‘Realidade Política e Socioambiental’ com a professora Dra. Socorros Chaves, e ‘Territorialidade, Bioma e Recursos na Amazônia’, ministrada pela professora Dra. Neila Picanço. No que diz respeito a História, cultura e sociedade serão abordadas as ‘Tradições Religiosas da Amazônia: Indígena e Afro’ e ‘Inculturação Interculturalidade’ com o professor Dr. Bruno Miranda. Ainda nesse eixo, os participantes trabalharam os ‘Aspectos Sociopsicológicos‘ com Ir. Maria Couto e a ‘Igreja Ministerial Amazônica’, com a professora Dra. Andreza Weil. Outro eixo de estudo é a Espiritualidade e vozes da Amazônia, que abordará a ‘Ecologia Integral e Laudato Si’, com o professor Dr. Rodrigo Fadul. ‘Sínodo para a Amazônia e Sinodalidade’ com o professor Dr. Pe. Ricardo Castro e o Manual Proteção de Crianças e Adolescentes e Adultos Vulneráveis (CNBB Norte 1), com a Ir. Roselei Bertoldo. Texto e fotos: Emmanuel Grieco

Secretária-executiva do Regional Norte 1 participa de Encontro dos Secretários e Secretárias dos Regionais da CNBB

A secretária-executiva do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ir. Roselei Bertoldo, participou do Encontro com Bispos, Secretários e Secretários-Executivos dos Regionais da CNBB. O encontro aconteceu em Brasília (DF), entre os dias 13 e 16 de julho. Durante quatro dias de reflexão, há momentos de partilha sobre a vivência em cada um dos regionais. Uma oportunidade fazer comunhão e dinamizar as atividades desenvolvidas, além de um estudo sobre questões administrativas e contábeis e orientações relacionadas à campanha da fraternidade, à campanha da evangelização e toda essa dinâmica de articulação da vida e missão nas Igrejas Locais. “Esses dias de encontro dos secretários e secretárias da CNBB Nacional têm sido um momento muito bom de partilha da vida e missão dos 19 regionais da CNBB. Onde cada secretária e secretária pode trazer os destaques, os desafios da vida, da missão de cada regional. E assim podemos ter uma visão geral da Igreja, da CNBB, o que para nós é muito bom, porque a gente contribui nessa dinamização dos regionais em nossas igrejas”, destacou a secretária. Ir. Rose Bertoldo destacou a importância da atualização secretários e secretárias nos assuntos administrativos porque assumem a “responsabilidade de gerir toda essa questão financeira, administrativa de cada regional”. Ela também reforçou o estudo com Padre Tiago Síbula, referencial da comunicação na CNBB, para construir uma “presença profética” a partir das relações e da comunicação com as pessoas no cotidiano. O encontro com Pe. Júlio César Resende, assessor da CNBB, e membro da coordenação da Equipe Nacional de Animação do Sínodo, trouxe uma dinâmica de implementação do sínodo e das novas diretrizes e esse compromisso que cada igreja local terá. Por fim, Ir. Rose ressaltou que “o encontro todo foi perpassado por uma espiritualidade, por celebrações eucarísticas, que vai também alimentando a nossa mística do ser secretário e secretária da CNBB”. Fotos: Assessoria CNBB

Regional Norte 1 participa da 46ª Reunião Ampliada do CEMOVIC

O Regional Norte 1 participou da 46ª Reunião Ampliada da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada (CEMOVIC), de 13 a 16 de julho, na Casa Dom Luciano, em Brasília (DF). Dom José Albuquerque, bispo da Diocese de Parintins, referencial a nível nacional e regional do Serviço de Animação Vocacional (SAV) e da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), e Ir. Gervis Monteiro, fsp, representando o SAV de nosso regional Norte 1. Entre as pautas do encontro, os participantes realizaram o estudo das novas diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032) e a atualização das Diretrizes para a formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil, Documento 110, sobre a formação presbiteral no Brasil. As principais instituições e organismos que compõem e participam desta comissão incluem: Ordem das Virgens (AISB); Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB); Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB); Conferência Nacional dos Institutos Seculares (CNISB); Comissão Nacional de Presbíteros (CNP); Comissão Nacional de Diáconos (CND); Serviço de Animação Vocacional(SAV), e Instituto de Pastoral Vocacional (IPV). “Nós temos um documento de estudo, e ontem (14) foi o dia todo para poder estudar e atualizar para as instituições de nossa comissão as novas diretrizes, e hoje (15) nós estamos refletindo sobre a formação presbiteral, apresentando sugestões para a atualização do documento que fala sobre a formação dos presbíteros. Basicamente, esses são os dois grandes assuntos, e depois assuntos de cada instituição”, destacou Dom José Albuquerque.

Formação, espiritualidade e missão marcam Jornada Formativa da Diocese de Borba

A Diocese de Borba reuniu mais de 600 lideranças para uma intensa Semana Formativa, com atividades ao longo de 10 dias, em uma série de encontros simultâneos em diferentes comunidades da diocese. A programação se encerrou na noite do dia 11 de julho, com a celebração da Santa Missa na Basílica de Santo Antônio, no município de Borba. Na comunidade da Imaculada Conceição, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, aconteceu o encontro dos secretários executivos das paróquias e áreas missionárias da diocese. A abertura contou com um treinamento voltado ao sistema do site da Cúria Diocesana. Em seguida, o psicólogo e diácono Leonardo Lucas Cunha, da Arquidiocese de Manaus, conduziu uma formação voltada à dimensão humana dos secretários, trabalhando métodos de aprendizagem e o modo de agir em relação ao outro no atendimento ao público na secretaria.O formador destacou a importância do cuidado de si mesmo para um bom atendimento, reforçando que o secretário deve zelar por uma vida equilibrada nas dimensões espiritual, física e humana. Os trabalhos também abordaram o relacionamento no ambiente de trabalho e as dificuldades no contato com os fiéis, ressaltando a importância de momentos de fraternidade na Igreja para um trabalho frutífero e bem estruturado, que promova a paz. A linguagem no atendimento também foi tema da formação com a orientação de que o secretário deve atender sempre com respeito aqueles que procuram os serviços da secretaria. Setor Juventude Já no auditório da Cúria Diocesana, aconteceu o encontro do Setor Juventudes, com assessoria de Giovanni Sampaio, da Arquidiocese de Manaus. Participaram representantes da Juventude Missionária, da Pastoral da Juventude (PJ), do Movimento Juvenil Orionita (MJO) e da Renovação Carismática Católica (RCC). A abertura contou com os símbolos da fé a Cruz, a Palavra de Deus e a Vela acesa. O grupo se dedicou ao tema “Formar para Servir, Fazer Comunhão e Evangelizar”, refletindo sobre o papel dos jovens na vida da Igreja a partir do exemplo dos discípulos de Emaús. No segundo dia, o formador destacou que o Setor Juventude precisa viver a sinodalidade, caminhando junto com as demais pastorais e movimentos da diocese, e apresentou a estrutura do setor, criado para integrar, articular e acompanhar os grupos juvenis das paróquias e comunidades. Dom Zenildo Luiz Pereira, Bispo da Diocese de Borba, destacou que os jovens são o presente e o futuro da Igreja e reforçou a importância da formação e do protagonismo juvenil. “A juventude não pode caminhar sozinha. Precisa caminhar com os padres, com as pastorais, com as familias”, afirmou o bispo, que encerrou sua fala incentivando os jovens: “Vão e anunciem que Cristo vive!”. Centralidade da Eucaristia No auditório da Paróquia Santo Antônio, aconteceu a formação voltada aos ministros e leigos, com o tema central da Eucaristia. O teólogo Matthias Grenzer trabalhou a centralidade da Eucaristia a partir da Ceia Pascal de Jesus. Além de abordar a presença dos Salmos na Liturgia da Palavra, aprofundando sua importância na vida litúrgica e espiritual dos fiéis. Na Matriz de Cristo Rei, aconteceu o encontro da Infância e Adolescência Missionária (IAM), assessorado pelo coordenador estadual Jairo Assunção. Participaram assessores e coordenadores que atuam junto às crianças e adolescentes na diocese. A abertura contou com a presença de Dom Zenildo Luiz, que refletiu os fundamentos da missão, a espiritualidade missionária e o papel dos agentes missionários. Em sua fala, Dom Zenildo Luiz destacou a relação entre discípulo e missionário: “o discípulo é o seguidor, o aluno, o aprendiz; já o missionário é aquele que evangeliza, que anuncia”. Segundo o bispo, as duas dimensões caminham juntas na vivência da missão. Ele também reforçou aos assessores presentes a importância de não esquecer o amor de Deus como base de toda ação missionária. Pastoral familiar Na comunidade São Miguel Arcanjo, da Paróquia Cristo Rei, aconteceu a formação da Pastoral Familiar, com o tema “Espiritualidade Conjugal: a família como Igreja doméstica, testemunha do amor de Deus”. O encontro foi conduzido por Dom Zenildo Luiz, que iniciou destacando que a familia deve ter Cristo sempre como centro da vida, sendo a cruz o compromisso da aliança e da responsabilidade que a família é chamada a viver. Dom Zenildo Luiz afirmou que a família é uma igreja, o lugar onde a Igreja nasce, e que a mesa da casa deveria ser espaço de partilha, um momento pascal, tendo Jesus como hóspede. Segundo ele, a oração é o ponto principal da vida familiar, que deve buscar sua consolação não nos objetos, mas no amor de Deus pois onde há amor, há espiritualidade. Ele destacou ainda que a familia luta pela santificação dos filhos e dos pais, com a missão de educar para a fé, para a oração e para a cidadania, acolhendo e ensinando as crianças nesse caminho. O bispo também abordou o tema do aborto, reafirmando a posição da Igreja contrária à prática, pois a vida começa desde a fecundação do óvulo e é Deus quem dá a vida, que não pode ser tirada por ninguém. Encerrando a sua participação, Dom Zenildo Luiz trabalhou a encíclica “Deus Caritas Est (Deus é Amor), do Papa Bento XVI, refletindo sobre a família à luz do documento e destacando que o amor cristão não é apenas um sentimento, mas um mandamento. Entrega das DGAE Durante a celebração de encerramento, o bispo entregou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032 para as lideranças presentes. O documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) orientará a caminhada pastoral da Diocese de Borba nos próximos anos. No momento do envio, o bispo reforçou que as lideranças de voltam para as suas comunidades com o compromisso de colocar em prática todo o aprendizado adquirido ao longo dos dias de formação, à luz das novas diretrizes. Em clima de alegria e gratidão, a Diocese celebrou esse grande corpo de missionários, reafirmando o compromisso com a Evangelização e a comunhão em toda a Igreja Particular de Borba. Fotos: Pascom Diocese de Borba Texto modificado de Italo Soares, Assessoria de Comunicação Diocese de Borba

Pré-Congresso Vocacional: horizontes vocacionais na Amazônia

No último final de semana o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou o Pré-Congresso Vocacional para refletirmos os horizontes vocacionais na Amazônia. Durante três dias vivenciamos um estudo dedicado ao Texto-Base do 5º Congresso Vocacional do Brasil que acontecerá em Aparecida (SP), 4 a 6 de setembro de 2026. O pré-congresso é uma oportunidade de nossas Igrejas Locais partilharem suas impressões, seus desafios e modo como a cultura vocacional se apresenta diante dos diversos contextos pastorais. É sabido que nossas realidades são tocadas por profundas e sofridas experiências humanas, mas mais ainda, transbordamos a esperança vivificante do Evangelho em um Igreja que acolhe a todos e todas. Nossas comunidades são uma expressão do tema escolhido para 5º Congresso Nacional: “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão”, com o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas”. Dentro do processo sinodal, as igrejas particulares trouxeram suas contribuições que serão enviadas para a preparação de subsídios para o Congresso Nacional. Integralidade da pessoa humana A Igreja na Amazônia está inserida em locais com regiões de garimpo, de comunidades abandonadas, de famílias com outras configurações. Esses espações são marcados por violações de direitos fundamentais, seja por violência física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial. Por isso, a presença da Igreja Católica, com a Iniciação à Vida Cristã, deve olhar para essas realidades buscar construir caminhos que devolvam a integralidade da pessoa humana. Para a Ir. Florizete Maria Moreira, das Irmãs Franciscanas de São Félix de Cantalice (CSSF), que atua na Prelazia de Tefé, o Serviço de Animação Vocacional (SAV) necessita olhar para as realidades da prostituição, do garimpo e do tráfico de drogas. Ela destacou que lá se encontram “muitos colombianos, muitas mães solteiras, muitas crianças, muitas viúvas de maridos vivos. Então, é uma realidade muito dura”. “A gente tem que mostrar essa pessoa que Deus o ama como ela é. Não os dogmas, o que a gente traz nos nossos livros, mas acolher. Eu acho que um dos principais aspectos da pastoral vocacional, do SAV, é acolher esse jovem na sua realidade. A família que a gente compõe hoje, há 20 anos atrás, já não é mais esse modelo de família que a gente tem nos interiores”, destacou a irmã sobre a realidade encontrada nos interiores do Amazonas. Centrados na pessoa de Jesus A sua fala nasceu depois de um dia dos trabalhos em grupo que refletiram o Texto-base. Ela também enfatizou que a vida religiosa se sustenta nessas realidades desafiadoras estando “24 horas centrada na pessoa de Jesus”. Viver esse segmento da pessoa de Jesus e apresentá-lo para os outros requer “tirar um pouco do que está na nossa mente, de tudo certinho, de tudo perfeito”. “Até o jovem que vem hoje para os seminários não é perfeito, gente. Às vezes ele sabe quem é a mãe, mas não sabe quem é o pai. É criado por avô. Então, esse que são as famílias. A gente, ah, vamos começar a iniciação cristã. Bonito, nós vamos fazer isso, mas com a família que ele tem. Tem jovens que querem ser um padre, mas tem lá os processos que não deixam. Tem uma jovem que quer ser uma religiosa, mas quando vai ver a vida que a igreja cai em cima, nós religiosas mesmas, você não pode. Você não pode ser padre, você não pode ser irmã, você não pode”, refletiu a irmã. Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, refletiu que essas realidades “devem encontrar em nós um desejo, uma motivação de animação vocacional”. Elas fazem parte da “vida e missão neste chão” e “nós temos uma grande contribuição para dar”. Em sua intervenção, o bispo expressou sua preocupação com a necessidade fazermos frente à essas realidades. Isto é, conduzir nossos corações para uma disponibilidade que não ofereça apenas respostas pontuais perante “uma avalanche estrutural que vem esmagando as pessoas”. Questionar as identidades O texto-base traz quatro partes fundamentais: a Exegese, partindo do capítulo 2 dos Atos Apóstolos, Encontro, Testemunho e a Missão. Essas partes nos ajudam a compreender a identidade das comunidades eclesiais como comunidades vocacionais. O estudo das partes norteou o trabalho dos grupos no questionamento vocacional dessas identidades, e assim contribuiu na construção de indicações para a animação vocacional nas igrejas locais do nosso regional. O pré-congresso é um convite a olhar as realidades de encontro, de testemunho e de missão em nossas comunidades eclesiais. Os dias de encontro realizados Centro de Treinamento Maromba, em Manaus, foram destinados a uma reflexão da Igreja de Manaus e do Regional Norte 1. O estudo do texto nos confronta em nossas realidades cotidianas, nos revela a beleza e a dignidade da vocação. Processo vocacional Dom Zenildo Lima fez memória de um período em que havia uma contraposição de ideias vocacionais. De um lado, uma resposta imediata de cada um de nós a um apelo de Deus, e de outro um vislumbrar do processo vocacional “como uma disponibilidade profética para responder aos desafios gritantes de uma realidade”. “Na época em que a gente refletia a partir da teologia latino-americana da libertação, a gente levava muito isso em conta no aspecto vocacional. A gente queria ser padre, a gente queria ser religiosa, a gente queria se consagrar para poder responder a questões tão gritantes. Essas sensibilidades não se opõem. O aspecto subjetivo da nossa liberdade diante do apelo compassivo de Deus não se opõe à capacidade de indignação”, recordou o bispo. Esse panorama social, levantado durante as exposições, que toca a questão da família, da juventude recordam a figura de Maria. Segundo bispo, “uma jovem, aparentemente, podia se parecer frágil lá em Nazaré, e como teve uma capacidade de leitura absolutamente transformadora da realidade”. Ela “conseguiu vislumbrar diante de um cenário aparentemente tão impossível de se combater, a possibilidade de derrubar os poderosos dos tronos e elevar os humildes” e isso deve nos encorajar vocacionalmente. Alcançar todos Como referencial nacional para vocações, Dom José Albuquerque, Bispo da Diocese de Parintins, destacou a beleza de celebrar…
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Cardeal Steiner: Somos todos vocacionados a semear a Palavra

Somos todos vocacionados a semear a Palavra. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, durante celebração Eucarística das 7h30, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição. Os mais de 70 congressistas do Pré-Congresso Vocacional Regional estiveram presentes na celebração que marcou o último dia do encontro. Em sua homilia o cardeal recordou que todos somos convidados a ser terra fértil que dá frutos, e nos leva à plenitude da vida. Os bispos Dom Wilfried Theising, auxiliar da Diocese de Münster (Alemanha), em visita à Arquidiocese de Manaus e Dom José Albuquerque, da Diocese de Parintins e Referencial para o Serviço de Animação Vocacional Nacional (SAV) concelebraram a Eucaristia. Além de Pe. Valmir Costa, coordenador do Departamento de Formação do Instituto Pastoral Vocacional (IPV), assessor do pré-congresso; os padres Leonardo dos Santos, assessor do SAV arquidiocesano e Pedro Cavalcante, Reitor do Seminário Arquidiocesano São José; Pe. Alex Mota, da Prelazia de Itacoatiara, os padres Marco Aurélio e Lyvio Costa, da Diocese de Parintins; Pe. Josinaldo da Silva, da Diocese de Coari e Pe. Pedro Cezar do Amaral, de Tabatinga, Diocese do Alto Solimões. Você confere abaixo a homilia do cardeal Leonardo Steiner: O semeador saiu a semear. A palavra que desde toda a eternidade está semeando. Desde toda a eternidade está semeando. Semeou, estrelas, semeou sóis, luas, plantas, águas, animais. Vemos a mão generosa que lança sementes e que os números não controlam, os cálculos enlouquecem. Não foi a Palavra que tudo criou, nos gerou? Semeou um povo que gerou o Filho de Deus, a filha de Sião, e semeou esperança, libertação, coragem, fidelidade, e continua a semear. E nós somos os receptadores, receptadoras da Palavra. A Palavra do amor, a Palavra da conversão, a Palavra da esperança, a Palavra da libertação, a Palavra do afeto. Quantas sementes a quase enlouquecer o nosso coração. O semeador é esparramar palavras. Quase nos foi dado vir o cair das sementes pela abundância do semeador. Generoso, abundante, desmedido, a semear. Semeia à beira do caminho, semeia entre pedras, entre espinhos, até encontrar a terra boa. Semeia, semeia sempre. Teimosamente semeia. Não houve lugar onde as sementes não caíssem. E semeou, espalhou, espargiu como se desejasse que toda a terra recebesse o dom da semente. Não que distribuísse as sementes, pois era generoso demais em apenas entregar ou deixar cair. Ao lançar com a mão semeadora, buscava espaços para que a semente pudesse germinar, mais, frutificar. Sementes irradiadoras não porque sobrassem, mas porque ele procura e busca o lugar para germinar e frutificar. Talvez possam crescer também à beira do caminho, talvez até entre pedras, talvez até entre espinhos. E na medida em que acompanhamos a palavra que é lançada em todas as direções, em todos os espaços, somos tomados de uma espécie de encanto, admiração pela abundância, a generosidade do semeador. Esperança de quem ao semear deseja germinação, frutificação. A sementeira foi feita pelos apóstolos e pelos profetas, mas é Jesus quem semeia, nos diz Santo Agostinho. Semeando, pois, entre as nações, o que disse Cristo? Um semeador saiu a semear. No outro texto, os semeadores foram enviados para colher. Agora, o semeador sai para semear. Não se queixa, no entanto, do trabalho. Com efeito, que importa que o grão de trigo caia beiro do caminho sobre as pedras ou entre espinhos? Se ele se deixasse desencorajar por esses lugares ingratos, não avançaria e não chegaria até a terra boa. É de nós que fala o texto, nos diz Santo Agostinho. Ele está a falar de cada um de nós. Seremos esse caminho, essas pedras, esses espinhos? Somos a terra boa? Dispomos o nosso coração para produzir 30 vezes, 60 vezes, 100 vezes, poderíamos dizer mil vezes. 30 vezes, mil vezes, sempre trigo, apenas trigo. A graça, a força da Palavra. Não sejamos mais esse caminho onde a semente é pisada por quem passa e onde o nosso inimigo agarra. Nem essas pedras onde a terra é pouco profunda faz germinar rapidamente um grão que não consegue resistir ao calor do sol. Nunca mais esses espinhos, as ambições deste mundo, esse hábito de fazer o mal. E conclui Santo Agostinho, com efeito, que coisa pior pode haver do que aplicar todos os esforços a uma vida que impede chegar à plenitude da vida? Que coisa mais infeliz que escolher a vida para perder a vida? Que coisa mais triste que temer a morte para sucumbir ao poder da morte? Arranquemos os espinhos, preparemos o terreno, recebamos a semente, aguentemos até a colheita, aspiremos por poder dar muito fruto. Então, queridos irmãos, queridas irmãs, dispomos a nossa pessoa, o nosso ser, para sermos aqueles, aquelas que produzem 100 vezes mais, 60 vezes mais, 30 vezes mais. Não sejamos esse caminho onde a semente é pisada por quem passa, não sejamos as pedras com pouca umidade, não sejamos os espinhos que sufocam a graça da Palavra. Jesus é o semeador, mas ao mesmo tempo a semente. A Palavra, a Palavra que saiu de Deus e veio semear, e semeia e continua a semear sempre, senão não estaríamos aqui, senão não faríamos um pré-congresso vocacional, se não tivéssemos recebido a graça da Palavra, a semente da Palavra de Deus. A generosidade e a gratuidade de quem semeia não está preocupado com o grão de trigo que cai à beira do caminho, sob as pedras ou entre os espinhos. Ele se deixa desencorajar por esses lugares ingratos? Não, porque senão não avançaria até a terra boa. Não importa o terreno, as dificuldades ou contrariedades, muito menos as perspectivas de sucesso da colheita. O que importa é semear, é espargir. Como Deus, queridos irmãos e irmãs, é extraordinário, está insistentemente semeando em cada um de nós. Semeando em cada um de nós em todas as nossas situações existenciais em todos os nossos fechamentos e distrações em todas as nossas rejeições e afastamentos em todas as nossas recusas assim mesmo ele semeia não deixa de semear sejamos então terra boa. A terra é boa, o…
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Regional Norte 1 da CNBB inicia Pré-Congresso Vocacional em Manaus

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou o Pré-Congresso Vocacional. Com o tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão” e lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46). De 10 a 12 de julho de 2026, no Centro de Formação Maromba, em Manaus. O encontro é uma preparação colaborativa para o 5º Congresso Vocacional do Brasil, promovido pela CNBB. A primeira noite contou com uma apresentação do SAV Regional por Dom José Albuquerque, bispo da Diocese de Parintins e referencial nacional do SAV e por Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus. Em sua fala, Dom Zenildo Lima recordou que desde a década de 70 os bispos pensavam em um formato de Igrejas Locais que correspondessem às realidades da Amazônia. Embora existisse uma profunda gratidão à “forte da presença das congregações missionárias”, alguns nomes do episcopado da época desejam que se constituísse um Igreja com rostos pertencentes ao território amazônico. Nomes como Dom Adalberto Marzi, no Alto Solimões e Dom Gutemberg Regis, em Coari. Dom Jorge Marskell, em Itacoatiara, Dom Arcângelo Cerqua, em Parintins, e Dom João de Sousa Lima em Manaus tiveram a percepção do o sínodo hoje chama de “Igreja com rosto amazônico”. “São lideranças que pensaram isso: A gente tem que levar para frente a vida dessa Igreja. Somos profundamente agradecidos aos missionários Ad Gentes que atravessaram o oceano para vir para cá, mas temos que ter o projeto de Igreja. Um dos mais lúcidos, nesse sentido, foi o bispo de Coari (Dom Gutembeg Regis) que pensou um projeto muito claro de agentes autóctones não somente clero, né?! Depois então começamos um caminho de pastoral vocacional”, explicou o bispo. Caminho vocacional Ao recordar o caminho vocacional do regional, Dom Zenildo lima destacou que inicialmente a animação da Pastoral Vocacional era feita por presbíteros. Nas décadas de 70 e 80, a pastoral procurava compreender o homem e a mulher amazônidas. Isto é, havia uma preocupação com a pessoa com a qual se trabalharia, nas palavras do bispo, “um peso antropológico”. “Depois, num outro momento da nossa animação vocacional, sempre dentro desse projeto de Igreja, a gente pensou assim, precisamos diversificar a ministerialidade. Então, a preocupação de ter clero local sempre foi um desafio para as nossas dioceses e prelazias. Mas, sobretudo, a preocupação de uma Igreja que fosse servida além do ministro presbítero, outros ministros também. Nos últimos anos, a gente retomou muito esse discurso da ministerialidade”, recordou bispo. Ao pensar sobre a ministerialidade, o bispo recordou que as últimas diretrizes do nosso regional “a comunidade aparece como um elemento muito significativo”. E relembrou que o cardeal Leonardo Steiner, tem insistido nos seus recentes discursos que “onde tem a comunidade, tem a igreja”. Uma abordagem a partir da comunidade que permite sua diversidade de sujeitos. Homens e mulheres comprometidos Inicialmente a animação vocacional envolvia os presbíteros. Depois, as mulheres da vida religiosa construíram um legado da animação. Também os cristãos leigos e leigas sempre estiveram presentes. A exemplo na Diocese de Parintins, que conta com da presença de casais, da vocação matrimonial dentro dessa perspectiva da animação vocacional”, afirmou Dom Zenildo Lima. Ainda que a animação vocacional do regional transmita a sensação de constantes recomeços, o auxiliar enfatizou que eles nunca iniciam do zero. Esses recomeços são sempre construídos em cima daquilo que em algum momento da história já foi trabalhado. Por esse motivo, é capaz de formar discípulos missionários, comprometidos com a realidade e com o exercício de serviços ministeriais na Amazônia. “Comprometidos com a realidade histórica dessa região, comprometidos com as questões socioambientais, comprometidos com a questão do cuidado com a casa comum. Comprometidos com algumas lutas que a gente trava, algumas questões que são permanentes para nós, como o combate à violência, o combate ao tráfico de pessoas, essas coisas que foram entrando na nossa pauta, mas não simplesmente como um ponto solto dentro da dinâmica pastoral”, disse Dom Zenildo Lima. Frutos do trabalho missionário Dom José Albuquerque destacou que a presença de rostos amazônicos no encontro é fruto do trabalho de missionários vindos de “diversas partes do Brasil e do mundo”. Eles contribuíram para que nos compreendêssemos como vocacionados. Com isso, a Igreja na Amazônia assumiu uma forte característica missionária. Com “o cheiro das ovelhas”, que pisa no chão, na lama, que anda de rabeta, de canoa, enfrenta temporais, que dorme em rede”. “É uma igreja que é marcada por essa dimensão missionária, que isso é muito original. E é também uma igreja onde a força dos cristãos leigos e leigas é inegável. Principalmente das mulheres. As mulheres são protagonistas. Ai de nós bispos e padres, se não fossem as religiosas, as leigas, nos mais diversos serviços pastorais. A força da mulher aqui é algo muito bonito, que a gente precisa também saber valorizar. E as mulheres não estão assim como auxiliares, não são apenas assessoras, são protagonistas”, pontuou o bispo. A expectativa do Congresso Nacional é fortalecer a consciência de que a comunidade eclesial é o ambiente fundamental para a animação, discernimento e vivência vocacional. Essa promoção de uma cultura vocacional, traz como novidade a perspectiva de uma nova linguagem para alcançar as novas realidades. Com assessoria de Pe. Valmir de Costa, RCJ, Religioso Rogacionista. Doutor em Filosofia e Coordenador do Departamento de Formação do Instituto de Pastoral Vocacional. Os mais de 70 participantes enfatizam a missão como elemento constitutivo do Serviço de Animação Vocacional.

“Encontrar, escutar e discernir”, bispos da Arquidiocese de Manaus realizam 3º Encontro com as Religiosas da periferia

Encontrar, escutar e discernir são as três palavras que nortearam o 3º Encontro dos Bispos da Arquidiocese de Manaus com as Religiosas da periferia que integram o território arquidiocesano, realizado na manhã de 7 de julho, na Cúria Metropolitana, no Centro da capital. O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, e os auxiliares, Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson Ribeiro e Dom Frei Samuel Ferreira, acompanharam integralmente o encontro. A Igreja em Manaus reconhece a presença da vida religiosa feminina como sinal do Reino de Deus. Ao percorrerem as mais diversas realidades e experimentarem a cotidianidade de nossas comunidades, as religiosas trazem as impressões e anseios dos locais em que desenvolvem suas atividades pastorais. Espaço de escuta O espaço foi de escuta profunda e de manifestação das demandas que podem ser ajustadas para melhor servirmos o Povo de Deus. O cardeal Leonardo Steiner agradeceu a presença das religiosas não só na reunião, mas em todas realidades de Evangelização nas quais estão inseridas. A dimensão geográfica da Arquidiocese é um desafio, mas a periferias existenciais são maiores e e mais desafiadoras. Por isso, o processo de escuta assumido pela Igreja possibilita alcançarmos a integralidade da pessoa humana com Boa Notícia da libertação oferecida por Jesus Cristo. E, dessa maneira, discernir juntos a atuação na vida cotidiana de nossas paróquias e áreas missionárias para retomarmos a comunhão. Entre as contribuições expostas, destacou-se a necessidade de intensificação da formação continuada, a formação do clero na perspectiva Sinodal e aprofundamento da dimensão missionária. Também a reafirmação da presença das religiosas em locais conflitivos como característica do trabalho nas periferias, a necessidade de atenção à juventude e a articulação das atividades das pastorais sociais e de uma aproximação entre o clero e a vida religiosa feminina. Além disso, uma atenção à presença dos migrantes e dos povos indígenas, a presença de diversas denominações religiosas e inserção de todos e todas que procuram as nossas comunidades eclesiais para iniciar a vida sacramental. Texto e fotos: Emmanuel Grieco

Fazer memória das lutas na construção do indigenismo encarnado

Na última terça-feira, 7 de julho, aconteceu o lançamento do livro “Memórias das lutas à construção do indigenismo encarnado”, de Egydio Schwade. O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representado por Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar de Manaus, marcou presença nesse importante espaço de construção e manutenção da memória de lutas dos povos originários na perspectiva do indigenista. Na mesa de abertura, Dom Zenildo Lima destacou que livro vai além das perspectivas acadêmicas e culturais, pois expressa uma radicalidade na vivência de todos aqueles e aquelas que lutam pela causa indígena. Uma realidade que foi, e ainda é, tão vergonhosamente violentada com consentimento do Estado. “Falar desta experiência de um comprometimento, indigenismo encarnado, a gente usa essa expressão, a gente está falando, evidentemente, de vidas, de iniciativas, mas de processos históricos. A nossa pátria e a história da nossa pátria é marcada por decisões desastrosas no que diz respeito à vida das nossas populações originárias. Desastrosas, mas não ingênuas. Desastrosas, mas sistematicamente articuladas”, enfatizou o bispo. História de resistência Embora esse modo brutal de tratar os povos indígenas seja tão evidente, Dom Zenildo Lima destacou que povos nativos “tem uma história de resistência”. Esse histórico de luta surge de uma inteligência que lê a própria história, e nela encontra homens e mulheres comprometidos em “dar outros rumos para a vida das nossas populações indígenas”. E entre esses nomes comprometidos com a causa, está o senhor Egydio Schwade, que testemunha para toda a sociedade que a “luta continua” viva e pulsante, mesmo diante de tantas incoerências humanas. “Temos sensação de que esses movimentos, tão reacionários, essas iniciativas tão violentas e tão intolerantes, parece ir dominando o cenário e ocupando os espaços, quase que nos sufocando. Mas fazendo memória do que tem sido a peregrinação, fazendo memória do que tem sido a expressão de tantas iniciativas, de tantas lutas, a gente tem uma esperança renovada e a gente tem um comprometimento renovado também”, disse o auxiliar. Experiência da memória O bispo auxiliar de Manaus recordou que fé cristã é constituída pela “experiência da memória”. Essa característica nos conduz a contar histórias e narrar os fatos das lutas pela perspectiva da resistência e das vitórias, que contribuíram para que os povos originários permanecessem. Ao narrarmos e escrevermos nos fazemos memória daquilo que é importante e necessário. “É preciso que a gente conte a história, é preciso que a gente narre os fatos, é preciso que a gente retome as lutas e é preciso que as lutas sejam contadas a partir da nossa perspectiva também. Senão a gente vai ter a impressão que ao falar da vida dos nossos povos, estamos contando lutas de lutas, de derrotas, e não é bem assim. Nós estamos contando histórias de resistência, nós estamos contando vitórias”, acrescentou o bispo. Uma vida dedicada aos povos indígenas O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1 e do Conselho Indigenista (Cimi), enviou uma mensagem de agradecimento pela construção da memória das lutas dos povos indígenas na Amazônia e também no Cimi. O livro traz memórias, reflexões e análises sobre a trajetória de vida de Egydio Schwade dedicada à defesa dos direitos dos povos indígenas. Entre as temáticas retratadas, encontramos a dinâmica de renovação do indigenismo e a relação da Igreja Católica com os povos, o surgimento do movimento indígena e das entidades de apoio aos povos originários, além dos impactos provocados pelos projetos desenvolvimentistas na Amazônia, como a construção da rodovia BR-174. A rodovia, construída no período da Ditadura Militar, liga as capitais Manaus a Boa Vista e foi a grande responsável pelo massacre dos Waimiri-Atroari. Sem esquecermos da construção da Hidrelétrica de Balbina e da exploração mineral na região. Além disso, a obra aponta o distanciamento entre as políticas públicas e as especificidades das populações locais, evidenciando os processos de degradação ambiental, social e cultural que marcaram diferentes períodos da história recente brasileira. Publicada pela Alexa Cultural, de Embu das Artes (SP), a obra apresenta um testemunho histórico sobre a construção do indigenismo contemporâneo no Brasil e a participação de Schwade em mais de 60 anos de atuação profética junto aos povos indígenas. Segundo infirmações dos organizadores, haverá um laçamento do livro na cidade de Manaus. Durante o lançamento, conferimos a prévia do documentário “O Silêncio dos Kiña”, dirigido por Heraldo Daniel, que expõe o genocídio de mais de 2 mil indígenas Waimiri Atroari durante a Ditadura Militar e a construção da rodovia BR-174. Ele retrata as memórias e traumas do contato forçado dos Waimiri Atroari com o homem branco. As filmagens aconteceram entre novembro de 2023 e setembro de 2024, nas cidades de Manaus, São Paulo, Brasília, Vila de Balbina e Presidente Figueiredo, onde Egydio Schwade mora com a família há mais de 40 anos. Fotos e texto: Emmanuel Grieco.

Diocese de Borba realiza 1ª Assembleia diocesana do CNLB

A Diocese de Borba realizou a 1ª Assembleia diocesana do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) nos dias 03 e 04 de julho, no Auditório da Paróquia Santo Antônio, na sede do município de Borba (Am). 82 cristãos leigos e leigas refletiram o tema “Sou Igreja e sujeito social na comunidade cristã” e o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Lc 5, 13-14). Um sinal concreto de sinodalidade e corresponsabilidade laical na vida e missão da Igreja na diocese. Com a presença de Dom Zenildo Luiz Pereira, bispo da Diocese de Borba, os participantes iniciaram o primeiro dia (3) pelo momento orante a partir do tema e do lema bíblico. Em seguida, a professora Maria do Socorro Paiva conduziu uma análise de conjuntura da história e da caminhada dos cristãos leigos e leigas na diocese. O dia encerrou com um momento de partilha e confraternização. No sábado (4), após o momento de oração e reflexão do Evangelho, os participantes conheceram a articulação do CNLB, sua história e caminhada no Brasil como sinal do Reino de Deus, assessorados por Francisco Meireles, presidente do CNLB Regional Norte 1. O encontro terminou com a comissão preparará a assembleia eletiva. A expectativa é fortalecer a presença do laicato na Igreja e na sociedade. Informações: Francisco Meireles. Imagens: Pascom Diocese de Borba.