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Autor: Emmanuel Grieco

Cardeal Steiner: Deus se manifesta sempre como misericórdia

“Esse Deus Crucificado-Ressuscitado, se manifesta sempre como misericórdia, como benevolência, como aconchego, como proximidade”. Foram a as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, na Catedral Metropolitana de Manaus, durante a celebração do 2° Domingo da Páscoa, em que a Igreja recorda a misericórdia divina. Anunciar a verdadeira paz O Evangelho do dia retrata dois encontros do Ressuscitado com os discípulos reunidos sem a presença de Tomé. Eles estavam “fechados, trancados, angustiado, deprimidos, assustados”, disse o cardeal, significando seu remorso por terem abandona e renegado a Jesus. Na mesma cena, Jesus aparece e proclama aos presentes: “A paz esteja convosco”. “A paz do alento, irmãos e irmãs, da confiança, da esperança, uma paz interior que não lhes será tirada, roubada, nem pela guerra, nem pela desilusão, nem pela calúnia, uma paz que ninguém pode tirar. Não traz uma paz que de fora elimina os problemas, uma paz que infunde confiança, uma confiança interior. A paz de dentro que envia serem agora anunciadores e construtores da paz. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. Os discípulos desanimados recuperam a paz, mas na paz recebem uma missão” explicou o arcebispo. Esse desejo da paz e envio em missão expressam que para Deus não considera ninguém como inútil ou excluído. A paz dada por Jesus é um convite de “de anunciar a verdadeira paz”. Segundo o cardeal, o desejo de paz explícita que somos importantes, temos uma missão onde “ninguém pode realizá-la em teu lugar. És insubstituível. E Jesus poderia nos dizer, eu creio em ti. Por isso, a paz esteja contigo”. Meu Senhor e meu Deus No segundo encontro, Tomé está presente, deseja encontrar-se com Jesus e tocar as chagas do lado e das mãos para acreditar na presença Dele, pois não acreditava na palavra dos outros discípulos. Ao ver o lado e a marca dos cravos Tomé exclama: “meu Senhor e meu Deus”. O arcebispo refletiu que essa afirmação de fé, é apontada por Santo Agostinho como o despertar de Tomé: “via e tocava o homem, mas confessava a Deus que não via, nem tocava. Por meio do que via e tocava, venceu toda dúvida, acreditou no que não via”. “Não dizemos: escuta e vê que suave melodia, aspira e vê que perfume, degusta e vê o sabor, toca e vê como está quente, Sempre se diz ver, mesmo se ver é próprio dos nossos olhos. É assim que Jesus mesmo disse a Tomé, põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Lhe disse, toca e vê, mesmo se Tomé não tinha olhos no dedo. Dizendo, acreditaste porque me viste, Jesus refere seja ao ver que ao tocar. Se poderia também dizer que o discípulo não ousou tocá-lo, se bem que o Senhor o convidasse a fazer”, apontou o arcebispo. O evangelista não afirma se Tomé tocou as mãos e os lados, mas é possível intuir a sinestesia da cena. E por isso, destacou o arcebispo, “Jesus exalta e louva de preferência a fé dos povos”, ao citar aqueles que creram sem ver. Uma realidade da qual nós participamos ao vermos “a presença de Jesus no pão, nos irmãos, nos necessitados, na Palavra, na vida da comunidade” porque “somos tocados por Jesus”. “Não houve necessidade de tocar como desejara e impusera aos outros discípulos. Ao ver a Chagas é tocado e atingido em toda a sua pessoa, e é por isso que exclama: “meu Senhor e meu Deus”. E antes de tocar, é tocado. Antes de ver, Tomé é visto. Ele tinha razão no desejo de tocar e não apenas de receber notícias. Desejar um encontro e eis que o Senhor se apresenta e se apresenta com o amor que o amara até o fim, visível, tocável, visível, tocável, no lado aberto e nas chagas. E na admiração, na simpatia, na afeição, na cordialidade, numa profunda reverência exclama: ‘meu Senhor e meu Deus’”. A ousadia de Tomé  “E que ousadia, queridos irmãos e irmãs, a de Tomé. Na sua confissão deseja como que tomar posse de Deus e diz, meu Senhor e meu Deus. Em si, não que Tomé o desejasse a possasse, mas desejou expressar a sua disposição e disponibilidade para Jesus. É admiração, não posse. o desejo de ser todo de Jesus, uma nova pertença à pessoa de Jesus. Senhor, se assim me amaste, sou todo teu. Faz de mim o que quiseres, o que de mim fizeres, eu te agradeço. É como se confessasse, nada mais meu, sou todo teu. Por isso, meu Senhor e meu Deus”, refletiu Dom Leonardo. Essa atitude de Tomé ao dizer “meu Deus” e a nossa, de dizermos “nosso” refletem a exigência de “familiaridade” do amor e a exigência da “confiança” na misericórdia retomando o pensamento de Papa Francisco. Nas palavras do arcebispo, o pontífice apresenta um Deus “amante, zeloso, que se apresenta como teu, isto é, como meu, como teu”. Diante dessa compreensão, é possível entender a misericórdia como “o modo palpitar do coração de Deus em nossa relação”. “Então, como Tomé, não vivemos mais como discípulos vacilantes, devotos, mas hesitantes. Nós também nos tornamos verdadeiros enamorados de Deus. Não devemos ter medo desta palavra, enamorados do Senhor. Meu Senhor e meu Deus significa encantados, atraídos por Deus”, esclareceu o cardeal. Enviados como misericórdia Ao comentar o texto do Evangelho em que Jesus concede o Espírito Santo para perdoar os pecados, “depois de libertar, transformar, colocar de pé aqueles homens escondidos”, o cardeal explicou que Jesus “os envia como misericórdia”. E este envio como misericórdia, capacita “perdoar porque foram perdoados”. “É tão difícil sermos misericordiosos se primeiro não nos damos conta de que Deus é misericórdia para conosco. É próprio de Deus usar de misericórdia e nisso se manifesta de modo especial a sua grandeza, a sua força. A misericórdia divina não é de modo algum um sinal da fraqueza de Deus, pelo contrário, um sinal da benevolência de Deus. É por isso que a liturgia, numa das orações antigas, convida a rezar, Senhor, que…
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Cardeal Steiner na Páscoa: perceber e anuciar a vida nova

O cardeal Leonardo Steiner presidiu a Missa do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor na manhã de 5 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração marca o ínicio do Tempo Pascal no qual somos convidados a perceber e anunciar a vida nova oferecida por Jesus ressuscitado. O arcebispo de Manaus dedicou sua homilia a figura de Maria Madalena que, no texto evangélico, se dirige cedo ao túmulo e não encontra o corpo de Jesus. Filha amada A reflexão feita pelo arcebispo conduziu os presentes a vivenciar a cena: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram” pela perspectiva de Maria Madalena. Ela percorre a si mesma no espaço de tempo entre o túmulo vazio, o encontro com Pedro e João, e a certeza da ressurreição. Nesse caminho, percebe que seu “desconsolo” era pela sensação de perda do Mestre “como a um Filho amado, era do meu agrado, me agradava, me era agradável, o perdi na cruz e agora o perdi no túmulo vazio”. Maria Madalena sente a perda Dele “razão de minha vida, Ele amor de minha, Ele minha vida, vida da minha vida”. Ela que “dele ouvi, mas a Ele não via, tão ocupada estava com os homens da minha vida. Apenas ouvia falar do Homem de Nazaré”. Recordou do encontro em que  o viu e despertou o desejo de ouvi-lo. E ao ouvir as palavras dele que “penetravam as entranhas” de sua alma ao falar do Pai se sentia filha amada. “E quando Ele comigo se encontrou, nada de mais forte e suave, nada de mais suave e violento, nada de mais puro e transparente! Me senti completamente despida, mas não envergonhada. Não me cobiçava, não me desejava, apenas me amava. Nenhum homem havia me despido assim. Tão despida, tão desvestida, tão eu, eu mesma, como se estivesse só diante de Deus. Foi então que vi meu coração, tão desejoso, tão amoroso, tão sedento de liberdade, de verdade, de amor”, refletiu o cardeal. Vida nova Pelo caminho da memória de Maria Madalena, o arcebispo recordou sua entrada na casa do fariseu para lavar os pés de Jesus com suas lágrimas de arrependimento e “ele sem desprezo nem constrangimento se deixava tocar, se deixava lavar os pés”.  O toque onde se sentiu perto de Deus e “amada como uma Filha, quase como uma esposa. E em mim vida nova, pessoa nova, nova mulher, mulher inteira; tudo novo, novo mundo, nova terra um novo céu. Mas ainda não sabia que eu tocara e acariciara o próprio Deus”. O cardeal Steiner sublinhou que o convívio e o serviço transmitiam a ela liberdade e força. E com a perda de Jesus, restava a Madalena “o túmulo onde guardamos seu corpo frio e inerte” depositando o seu conforto. O desconforto com a ausência do Senhor que revelou a necessidade de perdê-lo para cresse no seu Senhor e Deus. “Foi preciso perder-te, foi preciso esvaziar o túmulo das minhas seguranças, foi preciso o vazio completo de tudo, foi preciso a liberdade onde meu nome ressoava para que cresse em ti meu Senhor e Deus. Somente agora creio, quando tudo perdi e te ouvi, razão do meu viver, vida de todo ser que vive”. O nosso peregrinar Não distante do momento histórico em que vivemos, o arcebispo considerou que o nosso peregrinar também busca consolo e encontra túmulos “abertos e vazios”. E como “Igreja feita da experiência da ressurreição”, é necessário “retirar a pedra e deixar que a esperança do Ressuscitado nos encontre e nos devolva vida em meio a tantas incertezas, sofrimentos, mortes”. Por isso, o cardeal reforçou a importância da Igreja de sair “como Maria Madalena a procura” do Mestre, mas de deixar-se “encontrar pelo Ressuscitado” e anunciar a sua ressurreição. E na experiência do Ressuscitado, “levar a todos a alegria do Evangelho”. Daí a necessidade de libertar o ressuscitado das “formalidades onde frequentemente o enclausuramos”. E levá-lo, como gesto de paz, para vida cotidiana marcada pela guerra, pela violência e por palavras violentas e ofensivas. “E, sobretudo, com obras de amor e fraternidade, familiaridade”, disse o cardeal. Como Igreja, somos o corpo de Deus, afirmou o Steiner, e por isso não devemos nos esquecer que louvar ao Senhor é o horizonte da Nova Vida apresentado pela morte e ressurreição de Jesus. De maneira que esse louvor não seja “só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações”, relembrando as palavras de Santo Agostinho. Por fim, o cardeal convidou a levar a todos a alegria do Senhor ressuscitado presente na comunidade dos discípulos missionários e das discípulas missionárias.

Cardeal Steiner na Vígilia Pascal: Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!

Ressuscitou! Procuremos o Vivo, que está no meio de nós, que nos dá vida!. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu a Celebração da Vígilia Pascal na Noite Santa do dia 4 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A Vígilia iniciou na área externa, com a bênção do fogo novo e acendimento do Círio Pascal, que representa de Cristo, Luz do mundo, vitorioso sobre a morte. O arcebispo emérito de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, participou das preparação do Círio Pascal inserindo o cravos. A cruz central: símbolo da redenção. A letra grega alfa (Α): Cristo é o Princípio. A letra grega ômega (Ω): Cristo é o fim. O ano atual representa Deus no presente e como Mestre e Senhor de toda a eternidade. O Χ e o P, letras gregas, que são o anagrama de Cristo (Χριστός). Gratuidade de um amor libertador Em sua homilia, o cardeal Steiner destacou que as leituras proclamadas na vigília são a memória de toda a história da Salvação. Na primeira leitura, foi apresentado o cuidado criador de Deus como uma “ação amorosa” que se expande e revela “seu amor trinitário”. Essa fonte criadora do Amor gera o homem e a mulher, como imagem e semelhança do Deus gerador. No horizonte da libertação do povo da escravidão do Egito, o cardeal sublinhou que essa atitude de Deus nos “para o seu amor libertador, a sua presença que abre mares, atravessa desertos para conduzir os escolhidos à terra da Salvação”. De maneira que “cantávamos com o povo de Israel liberto: ‘cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória; o Senhor é minha força, é a razão do meu cantar, pois foi para mim libertação’” Nesse amor libertador, Isaias a nos convidava: “Ó vós todos que estais com sede, vinda às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite sem nenhuma paga” (Is 55,1). Uma “gratuidade do amor de Deus que “alimenta e dessedenta os seus amados, as suas amadas, na gratuidade de seu amor”. Pois, nas palavras do cardeal, Deus “envia a palavra para orientar, iluminar, fecundar, alimentar, consolar: Deus nunca abandona seu povo, está na cercania, cuidando dos seus amados”. Mulheres do cuidado e do anúncio Outro elemento no Evangelho da noite é a presença das mulheres: “No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. Elas encontraram a pedra do túmulo removida” (Lc 24,1-2). Sua presença revela um amor que prepara, cuida e deseja corresponder ao amor recebido.  O Evangelho comunicando a ausência “do depositado e agora não mais encontrado” na sepultura, mas também “a presença anunciadora da ressurreição percutiu nos corações das mulheres anunciadoras, proclamadoras da ressureição”. O encontro das mulheres com o anúncio da vida e não mais “túmulo vazio” é o convite não temer a realidade da Salvação oferecida por Deus. Por isso, como diz o Evangelho, aquelas mulheres «estavam cheias de medo e maravilha» (Mc 16,8). Este maravilhar-se, segundo Steiner “é uma mistura de medo e alegria que se apodera dos seus corações, ao verem a grande pedra do túmulo rolada para o lado e, dentro, um jovem de túnica branca” dizendo que sigam para a Galileia pois lá estará o Ressuscitado. “As mulheres do cuidado, dos perfumes, do amor perdido, recebem o anúncio da Ressurreição. A Boa Nova de um amor que vence a morte e as guarda. Ele ressuscitou e segue à frente até a Galileia. Ele agora seguirá sempre à frente. Ele agora é a terra da promessa, Ele a realização, a completude das promessas, Ele o principiar de uma nova criação, de um novo céu e uma nova terra”, explicou. O cardeal enfatizou ainda que Pedro recebe o anúncio das mulheres como “um desvario, uma ilusão”. E mesmo “a remexer os lençóis onde estava envolvo o Senhor”,  ele “volta admirado, mas ainda não acreditado”. Essa atitude de Pedro revela a dificuldade de “entrar na dinâmica de um amor que se faz gratuidade”. Galileia como lugar de recomeço Compreender a ida à Galileia como um “recomeçar” é o convite de Jesus “para voltar ao lugar do encontro, do chamado, da vocação, da missão recebida, do amor primeiro”. Um convite que nos impele a recomeçar anunciando o Reino, a vida nova, e as novas relações. O encontro do Ressuscitado na Galileia inicia o Reino da verdade e da graça, o reino da justiça, do amor de paz. “Na Galileia, os encontros com o Ressuscitado, o maravilhar-se com o amor infinito do Deus, que traça novas sendas nos caminhos nas derrotas e contradições”. O arcebispo recordou que na noite da Vigília Pascal “recebemos novos irmãos e irmãs na nossa Igreja que está em Manaus em muitas comunidades pelo batismo”. E fez memória das meditações de Papa Francisco onde nos colocava diante da Galileia como lugar de “recomeçar sempre”, porque a vida nova de Deus é capaz, independentemente de todos os nossos falimentos, de reiniciar encontros e caminhos, explicou. Nessa perspectiva, Dom Leonardo enfatiza que Deus “sempre nos precede: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, bem como na glória duma vida que ressurge, duma história que muda, duma esperança que renasce”. E, parafraseando São Paulo na Carta aos romanos, “se fomos identificados com Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também na ressurreição. Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Considerai-vos vivos para Deus, em Jesus Cristo (cf. Rm 6,5.8.11)”. E por isso, os novos membros da Igreja de Manaus tem parte na vida do Ressuscitado: “Farão parte da história da salvação, serão recriados, re-gerados, revestidos de Cristo ressuscitado. Será o Ressuscitado a lavar as culpas, a restituir a inocência, a conceder alegria, a derrubar o orgulho, a dissolver o ódio, a oferecer a concórdia, a fraternidade, a paz. O Ressuscitado de entre os mortos, há de iluminar com a sua luz e a sua paz. Que possam viver e seguir o…
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Cardeal Steiner na Sexta-feira Santa: celebrar a radicalidade da nossa vida

“É a celebração da radicalidade da nossa vida. Porque Jesus foi ao mais radical da nossa existência humana, que é a morte”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner ao meditar as leituras da Celebração da Paixão do Senhor nesta Sexta-Feira Santa (3). O arcebispo de Manaus reforçou que o sentido dessa celebração é compreender que Jesus, ao vencer a morte, inaugura um “horizonte novo”, da morte como um processo de completude da vida. A celebração aconteceu no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, no bairro Praça 14. Desejados por Deus Em sua reflexão, o cardeal destacou que a Sexta-Feira Santa é um privilégio para nós cristãos católicos. Nela, é possível perceber “o quanto fomos amados desejados por Deus” e como Ele “se entregou por cada um de nós” em sacrifício. Isto porque “o sumo sacerdote agora é Jesus”, explicou o cardeal, “que se oferece como sacrifício por todos nós, por toda a humanidade. Nós até poderíamos dizer para todo o universo”. O arcebispo sublinhou que na Sexta-Feira Santa “recordamos o silêncio do mundo diante da morte”. Esse silêncio permite que ouçamos “mais facilmente o choro, o soluço”, mas também “repercute dentro de cada um de nós, especialmente quando se trata dos entes queridos mais próximos”. Essa repercussão, transfigura a sensação de perda dentro de nós no horizonte “extraordinário da ressurreição”, tornando-nos participantes na morte de Jesus. “Vivemos desta certeza, de que Jesus morrendo na cruz, Nos trouxe a vida. Que Jesus crucificado nos indica a vida maior. Aquele que morreu na cruz, indica que a morte é incapaz de vencer a vida. Que a morte jamais pode vencer a vida. Porque Cristo morreu. Deu a vida por nós. E ressuscitou como celebraremos amanhã na vigília” explicou o cardeal. Participar no sofrimento de Jesus Para ilustrar “os nossos sofrimentos” e “as mortes” como participações no sofrimento de Jesus”, o cardeal Steiner recordou que ao encontrar um enfermo o convida a “pedir a Jesus que ele deixe você participar do seu sofrimento para a salvação do mundo”. Essa sugestão provoca um estranhamento inicial, mas, em seguida, a pessoa “é capaz de dizer: ‘eu gostaria de participar dos sofrimentos de Jesus’”. Pois, segundo ele, “os nossos sofreres são participações no sofrimento de Jesus”. “Eu fico imaginando, por exemplo, tantas guerras que temos tido ultimamente só por cobiça de dinheiro. Quantas mães sofrendo? Quantas crianças sofrendo? Quantas crianças se tornaram órfãs? No mundo, eu fico olhando, meditando e pensando, todas elas participam da cruz de Jesus. E mesmo que elas não queiram, participam da nossa salvação”, enfatizou o arcebispo. Olhar para Jesus crucificado Evocando a memória de Papa Francisco, o arcebispo salientou que inúmeros santos e santas meditavam olhando para Jesus crucificado e a conversão de São Francisco de Assis aconteceu diante de uma cruz. Nessa perspectiva, o santo de Assis se tornou o amante da cruz, compreendendo que “era preciso reconstruir os corações”. Também em São Paulo, ao dizer “eu não anuncio, eu anuncio o Cristo crucificado, se encontra a radicalidade da fé cristã. “Aqui está a grandeza da nossa fé. Devagarinho irmos tentando sondar, compreender, meditar, contemplar a morte, mas como vida, como eternidade, como participação na vida de Deus”, disse o cardeal. Essa compreensão da grandeza de nossa fé perpassa as palavras de Jesus lidas no texto do Domingo de Ramos: “nas suas mãos eu entrego o meu espírito”. Porque nela está contida a participação na vida de Deus. Como disse o cardeal “sem nada mais. Tudo perdido. Tudo sofrido”, e no abandono “até o Pai” diz antes de expirar: “olha, o que eu tenho ainda te dou: o meu espírito”. No recolhimento que antecede o Sábado Santo, os presentes retornaram à Catedral em procissão com a imagem do Senhor morto para veneração.

Cardeal Steiner na Missa de Santos Óleos: o Reino de Deus nos torna participantes de um amor desmedido

“Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, para a Missa dos Santos Óleos, dia 2 de março, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração foi concelebrada pelos auxiliares Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson e Dom Samuel Ferreira. Além dos eméritos Dom Luiz Soares, Dom Mário Pasqualotto e Dom Derek Byrne. Aproximadamente 200 sacerdotes participaram da missa do Crisma onde renovaram suas promessas sacerdotais. A Vida Religiosa e grande número de fiéis também estiveram presentes num sinal de plena comunhão sinodal da Igreja de Manaus. Na celebração, foram abençoados os óleos que serão utilizados ao longo do ano nos sacramentos em nossas comunidades, áreas missionárias e paróquias. Um momento de renovação de fé e unidade. Em sua homilia, o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, agradeceu a disponibilidade daqueles que se propõem a anunciar a Boa-Nova do Cristo Crucificado-Ressuscitado. Confira a homilia do cardeal Leonardo Steiner na Missa dos Santos Óleos: Levantando-se para fazer a leitura, deram-lhe o livro de Isaías. Jesus se colocara a caminho ao regressar a Nazaré, espacialidade do crescimento em idade, sabedoria e graça. Na pequena sinagoga de Nazaré, lugar da escuta da Palavra, levantando-se, desenrola o livro e proclama Isaías, deixando percutir a sacralidade da palavra. Entre a proclamação de pé e o sentar-se, é encontrado pela sonoridade da Palavra. Hoje se cumpriu esta passagem que acabastes de ouvir. Na leitura foi lido: O Espírito do Senhor que o consagrou com unção aponta a missão anunciar a Boa-Nova aos pobres. Envia para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista. Libertar os oprimidos e para proclamar a graça do Senhor. sentindo-se ungido e enviado pelo Espírito, não mais deixou de levantar-se, pois percorria a Judeia, a Galileia, passando pela Samaria, entrava nas vilas, nas cidades, nas sinagogas, proclamando o ano da Graça, o Reino de Deus. Na disponibilidade, caminhante, desperta a todas para o cuidado do Pai, para com seus filhos e filhas, do mesmo modo como ele vela, cuida das flores do campo, dos pássaros do céu. Devolve à vida os adormecidos na morte. Oferece passos aos claudicantes. Possibilita a palavra ao desatar a língua. Sana os corpos e as relações. Devolve o movimento e a dinamicidade do encontro. Todos libertados, confortados, participantes de um encontro. E levantando-se, levantado pela Palavra, está sempre a caminho incansável, imparável. Disponibilidade na Missão Continua a leitura do cuidado do Pai nos pobres esquecidos. os colocados à margem pelas suas doenças do corpo e do espírito, sempre de pé, continua se levantando. De pé, a caminho se perfez envio missão até a cruz. E no alto da cruz, como ouvimos na narrativa da paixão no dia de Ramos, eu te ofereço o meu espírito. Na completa solidão, na suspensão de tudo e de todos, no quase esmorecer, no quase cair na tentação de não suportar a dor e a morte, levantado da cruz, se levanta. E na disponibilidade e na cordialidade da missão: Eu entrego o meu Espírito, levanta até o Pai a si mesmo. Ungido pelo Espírito, enviado para proclamar a Boa-Nova, esteve sempre no movimento do levantar-se, audiente e proclamante até a morte. Assim, exaltado, transfigurado, ressuscitado, como memorava o livro do Apocalipse que ouvimos, aquele que é, aquele que era, aquele que vem, foi feito em tudo e em todos no poder do amor. É que o amor sempre nos mantém de pé. A Boa-Nova aos pobres E nós, queridos irmãos, queridas irmãs, ao desenrolarmos o livro dos Evangelhos, nos lemos também nós, como ungidos e enviados, pois recebemos o Espírito que nos ungiu e consagrou no Batismo e na Crisma, para levar a Boa-Nova aos pobres. Também nós proclamarmos a libertação dos cativos e aos cegos a recuperação da vista, liberar os oprimidos e proclamar que somos todos participantes da graça. Todos nós, tomados pelo espírito da Boa-Nova, também nos levantamos. E nos colocamos a caminho, pois uma Igreja em Saída anunciar a alegria Daquele que venceu a morte, e na morte deu-nos vida e vida em plenitude. Levantados, levantadas. itinerantes a anunciar a todas as famílias, comunidades, casas e descasas, ruas, becos, caminhos, estradas, ramais e vicinais, periferias, comunidades ribeirinhas, nos condomínios abertos e fechados, o Reino de Deus, todos nós. Reino de Deus plenificado em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado. Anunciar com alegria o Cristo Crucificado-ressuscitado Participantes pelo Batismo da mesma unção envio, somos todos nós presença da vida nova, testemunhas da morte e da ressurreição. E como nos ensinava Papa Francisco, não anunciamos de maneira triste. Não anunciamos de maneira triste ou de maneira neutra, mas expressamos a alegria do hoje que se cumpriu a Palavra que acabamos de ouvir. Tudo cumprido em Cristo Crucificado-ressuscitado. A alegria do Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos. A alegria de Jesus ao ver que os pobres são evangelizados e que os pequeninos saem evangelizar. a Boa-Nova, o Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido. O “ser presbítero” Queridos irmãos presbíteros, na celebração do Crisma todos os anos renovamos as nossas promessas sacerdotais. Jesus no Evangelho nos convida a voltarmos a pequenina sinagoga da terra do nosso ser presbítero antes das promessas sacerdotais, no dia da nossa ordenação presbiteral, diante da comunidade, também nós nos levantamos e na disponibilidade e na prontidão, como Jesus em Nazaré, dissemos: Eis-me aqui. Hoje nos levantamos, mais uma vez, reafirmamos nossa disponibilidade e nossa prontidão de estarmos a caminho servindo o povo de Deus. Nos levantamos, percebendo-nos vocados, chamados pelo Espírito, repousados sobre cada um de nós, percebendo-nos…
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Pastoral do Menor participa de curso sobre Justiça Restaurativa e Construção de Círculos de Paz

De 28 a 30 de março aconteceu a Formação da Pastoral do Menor, em Manaus (AM). Com participação de 18 pessoas a nível de Região Norte,incluindo educadores e coordenações dos Regionais: Norte 1, Norte 2 e Noroeste, sobre Justiça Restaurativa e Construção de Círculos de Paz. O curso, promovido pela Pastoral do Menor Nacional, acontece por regiões e busca construir estratégias de prevenção a violência, capacitando agentes da Pastoral do Menor. Escuta, diálogo e entendimento A metodologia dos Círculos de Paz envolve a construção de habilidades de escuta empática e capacidade de promover o diálogo respeitoso, buscando facilitar conversas construtivas e entendimento mútuo. Essa abordagem, permite ao agente uma expansão dos horizontes de atuação para o cotidiano das relações: na comunidade, em escolas, com famílias, adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e aparelhos institucionais que atendam crianças e adolescentes. O intuito é resolver conflitos de forma pacífica e criar um ambiente de confiança e respeito entre as pessoas. Fortalecer a cultura da paz Os dois primeiros dias de programação, 28 e 29 de março, aconteceram no Centro de Treinamento Maromba, no bairro Chapada, em Manaus. Com a assessoria de Maria Aurilene Moreira Vidal, Bacharela em Serviço Social, Facilitadora e Instrutora de Círculos de Paz e da Justiça Restaurativa e agente da Pastoral do Menor há mais de 30 anos no regional Nordeste 1, no estado do Ceará. Ela possui ampla experiência na área da Justiça Restaurativa com mais de 50 cursos ministrados em escolas e organizações da sociedade civil. O curso de Justiça Restaurativa e dos Círculos de Paz trabalha a cultura de paz nos espaços onde a Pastoral atua. Ao comentar sobre a assessoria, Maria Aurilene classificou as participações como pontapé inicial para que as bases fortaleçam a cultura de paz. Em suas palavras, uma “paz verdadeira que a gente espera que aconteça em nós e nos outros, nas nossas relações, nas nossas comunidades”. “A gente trabalhou várias habilidades do facilitador do Círculo de Paz, a gente aprendeu o que é e onde a gente pode estar utilizando o Círculo de Paz, quais são as habilidades que a gente precisa desenvolver para isso e como, enquanto Igreja, eu posso estar ajudando nessa transformação desse mundo que a gente acredita, nesse mundo melhor, tendo essa ferramenta, essa metodologia como suporte da minha prática de ser igreja e de estar no mundo”, explicou a assessora. Teoria e prática No dia 30 de março, as atividades foram realizadas na sede do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), no bairro Centro. Durante o período de curso, os participantes seguirão o referencial teórico para a prática dos Círculos de Construção de Paz que incluem os princípios e valores da Justiça Restaurativa. A carga horária do curso soma 52 horas total, divididas em:

Diocese de Parintins realiza formação de lideranças para a Amazônia

A Diocese de Parintins realizou, de 25 a 28 de março, no Centro Pastoral Mãe de Deus, em Parintins, a primeira etapa presencial da formação de lideranças locais do projeto Fratelis Amazônia. A iniciativa foca no fortalecimento de governanças participativas capazes de articular propostas de desenvolvimento social, político, econômico e cultural na realidade e nos desafios do território amazônico. Além disso, reforça a defesa dos direitos humanos e a preservação do meio ambiente. Protagonismo jovem O curso contou com a parceria do Programa Universitário Amazônico (PUAM) e reuniu participantes em atividades formativas que buscam fortalecer a atuação comunitária e pastoral na região. De acordo com o padre Eduardo Lima, articulador do curso Fratelis na Diocese de Parintins, a proposta do curso é promover uma formação que fortaleça o protagonismo de jovens e agentes sociais. “Esse curso é uma iniciativa para formar de forma empoderada jovens, pessoas que estão envolvidas no território, que podem ajudar nesse processo de reconhecer o território e reconhecer as suas problemáticas, suas dificuldades. Então é agradecer a Deus, agradecer a PUAM, na pessoa do seu diretor Maurício, da Alejandra que esteve conosco esses dias”. Apoio e acolhida A formação contou com a participação de uma das coordenadoras do projeto, a Dra. Alejandra Espinosa. Para ela, o primeiro encontro superou as expectativas e agradeceu o apoio institucional para a realização do curso. “Quero enfatizar a participação de todos, todos muito colaborativos. Cada um vinha com seus conhecimentos, cada um aportou tudo o que conhecem sobre o seu território. Fico muito feliz por toda a acolhida de Parintins, pela acolhida da Diocese de Parintins e sempre agradecendo ao Dom José Albuquerque e ao Padre Eduardo Lima para fazer este primeiro encontro Fratelis”, disse a coordenadora. Diálogo com a realidade amazônica A pesquisadora Sandrelly Inomata, uma das alunas do curso, avaliou que o conteúdo dialoga diretamente com a realidade amazônica e amplia a compreensão sobre o conceito de Pan-Amazônia. “Para mim foi muito importante participar desse curso, trouxe muitas novidades, ao mesmo tempo que está muito relacionado com o que eu já venho desenvolvendo no meu trabalho como pesquisadora aqui na Amazônia e a expectativa para a próxima sessão do curso é muito grande porque o que vimos nesse primeiro momento foram temas muito bem claros”, esclareceu a pesquisadora. A segunda etapa de formação está marcada para o dia 16 de maio, no Centro Pastoral Mãe de Deus, em Parintins. Já a terceira fase, será realizada em agosto, na cidade de Bogotá, na Colômbia.  Por João Carlos Moraes / Alvorada Parintins.

Representantes da Pastoral da AIDS do Regional Norte 1 participam de Seminário de Incidência Política

Quatro representantes do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) participaram do Seminário Nacional de Incidência Política, de 26 a 29 de março, em Porto Alegre (RS). O evento, com o tema ” Novo Impulso”, promovido pela Pastoral da AIDS Nacional, contou com a presença de Dom Luiz Ricci, bispo referencial da pastoral. Os participantes do Regional Norte 1 foram: Adinamar Farias, da diocese de Parintins, Liliane Cruz, Assistente Social da casa de Acolhida Frei Mario Monacelli, em Manaus, Tatyanny Bindá, conselheira estadual de saúde, e Ir. Maria Irene Tondin, coordenadora da Pastoral da AIDS do regional. Nova configuração Entre as atividades vivenciadas durante o seminário, Adinamar Farias, agente da pastoral da AIDS na diocese de Parintins, destacou o acompanhamento da nova dinâmica de configuração da pastoral. A reconfiguração foi apresentada pelo Frei Luiz Carlos Lunardi (OFMCap), Assessor Eclesiástico Nacional da pastoral. Além disso, acompanharam uma palestra sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). “E podemos ver a síntese de onde a Pastoral está, em quais conselhos a Pastoral da AIDS se encontra, nos diversos municípios, nos diversos estados, nos diversos regionais que existem”, disse Adinamar Farias, destacando a importância da presença regional. Participação nas Políticas Públicas Para a Ir. Maria Irene Tondin, coordenadora da Pastoral no Regional Norte 1, os conhecimentos adquiridos no seminário de incidência política possibilitam “uma participação mais confiante, mais aprimorada na questão das políticas públicas”. Essa participação, contribui na luta “pelos direitos das pessoas que vivem com HIV”. A irmã enfatizou que os conteúdos abordados servem para todos os regionais do Brasil, fortalecendo a caminhada da Pastoral da AIDS e de outros grupos. “Tantos outros grupos que necessitam desse conhecimento de prevenção, aprimoramento e de incidir nas políticas públicas, incidir nos conselhos, incidir naqueles momentos que precisam da nossa atuação e ação como participantes e conhecendo um pouco mais dessa caminhada”, explicou a religiosa. Informações e imagens: Cordenação da Pastoral da AIDS Regional Norte 1 da CNBB.

Cardeal Steiner: Como em Jesus, Deus não nos abandona.

Tantos momentos em que pensamos que Deus nos abandonou, mas como em Jesus, não nos abandona. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, ao presidir a missa do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (28), início da Semana Santa, na qual celebraremos os mistérios da Paixão, morte e Ressurreição de Cristo. A celebração, com grande número de fiéis e a presença do arcebispo emérito, Dom Luiz Soares Vieira, iniciou com a bênção dos ramos, na praça em frente à Catedral Metropolitana de Manaus. Em seguida, uma procissão até a igreja, recordando a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém para o mistério da morte-ressurreição. Solidário com as nossas solidões Em sua homilia, o arcebispo recordou o grito de Jesus: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, que reflete a proximidade com o Pai, mas também um eco da “humanidade abandonada”. Segundo o cardeal, o grito e o gemido de Jesus são por não “compreender o abandono do Pai”, assim como nós em “tantas situações desesperadoras”, não entendemos o porquê “do abandono e do sofrer, ou porquê das mortes, dos assassinatos, das guerras”. Nas palavras do cardeal Steiner, essa experiência de total abandono e desolação foi “por nós, para servir-nos”. Ele recordou que Papa Francisco nos ensinava meditando esse grito de Jesus na perspectiva do “abandono dos seus, que fugiram”. Nesse “abismo da solidão”, experimentado por Jesus, “restava-lhe, porém, o Pai” a quem se dirige nas palavras de um Salmo (cf 22,2).  “Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que não Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total, a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário com as nossas solidões. O fez por mim, por ti, por cada um nós”, afirmou o cardeal. No grito de Jesus, o grito da humanidade Ao comentar a primeira leitura, cardeal Steiner destacou, citando o livro de Isaías, o alento de ter o Senhor Deus como “meu auxiliador, por isso não deixei abater o ânimo”. Nessa perspectiva “da dor e da destruição da humanidade”, disse o cardeal, “Jesus se faz intimidade como Pai, exclama, grita não me abandones, de ti vim, para ti desejo voltar, não me abandones. E não o abandonou”, e assim também nós somos alcançados pelo auxílio de Deus em Jesus. “Porque Jesus diz: tudo o que Eu tenho, o que me resta, eu te dou o meu espírito. No grito de Jesus ouvimos a humanidade desesperada: dor, fome, fuga, imigração, guerra, a morte”, explicou o cardeal. Jesus transforma a nossa humanidade Ao refletir sobre a segunda leitura, onde Paulo aponta a condição de esvaziamento de Jesus que assume a “condição de escravo e tornando-se igual aos homens”, o cardeal aponta que “assim é Deus-cruz no qual reluz a nossa humanidade transformada”. Isto porque “Deus esvaziou-se, não se assegurou na sua divindade, mas se humilhou, trilhou o caminho da morte, se fez morte”. Essa atitude de Jesus nos permite ver “na morte a nossa salvação”. “Em Jesus nos vemos, em Jesus Crucificado nos lemos, n’Ele nos cremos. Participamos da sua sorte, isto é, da mesma morte, da vida. Na mesma morte, na mesma sorte de sermos perpassados pelo mistério da dor e da morte que nos desperta para vida da eternidade. Mistério da dor e da morte no qual nos movemos todos os dias, ora com mais intensidade, ora suavidade. Mas sempre envoltos por esse mistério incompreensível, mas que Jesus crucificado nos indica o horizonte, o sinal, a redenção, a salvação” explicou o arcebispo. O cardeal também indicou um caminho possível para trilhar na Semana Santa: “deixarmos tomar pelo mistério da morte como plenitude da vida”. Esse caminho, ajuda a compreender o “jogo de morte no qual Deus mesmo se inseriu e experimentou” como indicativo de que “no amor tudo se transforma”. E reforçou que a grandeza do abandono aponta não “uma piedade conformista, mas de um itinerário e caminho único de quem na fraqueza a possiblidade de transformação, de salvação”, capaz de iniciar uma vida nova com o Pai. Oferecer os frutos da conversão O arcebispo também recordou que a contribuição na Coleta Nacional da Solidariedade é a oferta dos “frutos do nosso caminho de conversão, do encontro com Jesus que deu sua vida por nós”.  Ela expressa um “desejo de identificação com Jesus”. E por fim, o cardeal agradeceu e aos irmãos e irmãs que, no período quaresmal, foram ao encontro dos necessitados continuando “o caminho de caridade”. A vida, morte e ressurreição de Jesus nos atrai e nos faz consolação. Em nome de todas as irmãs e todos os irmãos que receberam e receberão ajuda, a minha gratidão. “O Senhor das dores nos ajude no caminho desta Semana. Ele nos mostrará na dor e na morte não o reino dos mortos, nem o Reino dos mortos-vivos, nem dos vivos-mortos, mas apenas na morte o Reino dos vivos, o convívio o mais precioso e suave com o Pai. Entremos com Jesus em Jerusalém e experimentemos o que pode fazer de nós o Amor”, finalizou o cardeal.

Fraternidade presbiteral e escuta do Espírito marcam retiro do clero Arquidiocesano de Manaus

A Arquidiocese de Manaus reuniu cerca de 90 padres no retiro anual do clero. De 23 a 26 de março no Centro de Formação Maromba, os participantes refletiram sobre a Missionariedade na vida do presbítero, conduzidos pelo Pe. Antônio Niemiec, CSsR. O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, e os bispos auxiliares da arquidiocese Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson Ribeiro e Dom Samuel Ferreira, e o emérito Dom Mário Pasqualotto participaram integralmente. Pe. Manoel Rubson Vilhena, pároco da Área Missionária Divina Misericórdia, na zona Norte de Manaus, destacou o retiro como forte momento de “intimidade com Cristo, de escuta do Espírito, também de fraternidade presbiteral”. Além disso, ele apontou a oportunidade de retomar os fundamentos vocação presbiteral, considerando os cuidados como saúde mental. Um momento integrador e vivificante. “Ouvir sobre a configuração, a nossa configuração a Cristo, a nossa doação de vida, se assemelhar a Ele, voltar a essas fontes, revivificar de novo a nossa vocação, o espírito sacerdotal, o serviço de Cristo, e aquela consciência de que o sacerdócio é dom de Cristo para a igreja”, explicou o padre. Cristo Palavra  O coordenador da Pastoral Presbiteral, Pe. Gilson Pinto, destacou a presença de alguns padres da Prelazia de Itacoatiara.  Ele enfatizou que os padres estavam reunidos em oração pela igreja e pelo povo na dimensão da fraternidade, da missão, do serviço escuta da Palavra de Deus. Segundo o coordenador, esse retiro no tempo da quaresma aprofunda o convite a “escutar a Palavra”, renovar as forças e preparar “nosso coração para a grande semana, a Semana Santa”. O presbítero explicou ainda que todo o retiro foi programado e planejado na perspectiva “de fazer essa experiência com Cristo”. Em suas palavras, “Cristo que vem a partir da palavra, o Cristo que serve, o Cristo que nos convida a sermos novas criaturas”. Este horizonte, de reconhecer Cristo nas relações, permite que o retiro cumpra a finalidade de ter “uma relação, uma comunhão com o clero, estar mais perto, mais juntos, e vendo essa dinâmica de oração, da escuta, da partida”. Pe. Michel Carlos da Silva, que participa pela primeira vez como presbítero, enfatizou o retiro como “encontro fecundo com a Palavra”. Para ele, o aprofundamento da dimensão do silêncio recorda que “é no silêncio de todas as coisas que Deus fala”.  O presbítero acentuou que a Palavra é uma Pessoa, o próprio Jesus, e compara a força geradora de vida da Palavra a uma semente. Portando  “O ministro ordenado é aquele que é movido pelo Verbo encarnado, porém é necessária uma intimidade com Deus para que diante de tantas vozes que ressoam em nosso meio poder discernir a voz de Deus em nossas vidas. Nessa dinâmica o conhecer é sinônimo de amar. O conhecimento na dimensão da relação com Deus gera a comunhão de sentimentos com Ele e a missão está na identidade do presbítero que a partir da Palavra é chamado e enviado” disse o padre. Eucaristia, caridade e missão O período de retiro do clero foi marcado pela oração permeada da Palavra de Deus. O pregador do retiro, Pe. Antônio Niemiec, CSsR, trabalhou a importância da Palavra de Deus na vida do presbítero e na vida de cada cristão.  Além da identidade missionária do presbítero, enraizada no “nosso ser de presbíteros”. Outro ponto abordado foi a ligação entre Eucaristia e o serviço caritativo, com ênfase nas pessoas mais empobrecidas e abandonadas. De acordo com o pregador, essa reflexão segue aquilo que o Papa Leão XIV escreveu na exortação “sobre o amor para com os pobres”. Em suas palavras, Pe. Antônio apresentou que “o presbítero esse homem que deve dinamizar dentro da comunidade, dentro da paróquia, esta sensibilidade para com as pessoas mais vulneráveis”. Informações: Pe. Matheus Marques e fotos: Pe. Hilton Brito e Pe. Humberto Vasconcelos.