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Cardeal Steiner na Missa de Santos Óleos: o Reino de Deus nos torna participantes de um amor desmedido

Cardeal Steiner na Missa de Santos Óleos: o Reino de Deus nos torna participantes de um amor desmedido

“Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, para a Missa dos Santos Óleos, dia 2 de março, na Catedral Metropolitana de Manaus.

A celebração foi concelebrada pelos auxiliares Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson e Dom Samuel Ferreira. Além dos eméritos Dom Luiz Soares, Dom Mário Pasqualotto e Dom Derek Byrne. Aproximadamente 200 sacerdotes participaram da missa do Crisma onde renovaram suas promessas sacerdotais. A Vida Religiosa e grande número de fiéis também estiveram presentes num sinal de plena comunhão sinodal da Igreja de Manaus.

Na celebração, foram abençoados os óleos que serão utilizados ao longo do ano nos sacramentos em nossas comunidades, áreas missionárias e paróquias. Um momento de renovação de fé e unidade. Em sua homilia, o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, agradeceu a disponibilidade daqueles que se propõem a anunciar a Boa-Nova do Cristo Crucificado-Ressuscitado.

Confira a homilia do cardeal Leonardo Steiner na Missa dos Santos Óleos:

Levantando-se para fazer a leitura, deram-lhe o livro de Isaías. Jesus se colocara a caminho ao regressar a Nazaré, espacialidade do crescimento em idade, sabedoria e graça. Na pequena sinagoga de Nazaré, lugar da escuta da Palavra, levantando-se, desenrola o livro e proclama Isaías, deixando percutir a sacralidade da palavra. Entre a proclamação de pé e o sentar-se, é encontrado pela sonoridade da Palavra.

Hoje se cumpriu esta passagem que acabastes de ouvir. Na leitura foi lido: O Espírito do Senhor que o consagrou com unção aponta a missão anunciar a Boa-Nova aos pobres. Envia para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista. Libertar os oprimidos e para proclamar a graça do Senhor. sentindo-se ungido e enviado pelo Espírito, não mais deixou de levantar-se, pois percorria a Judeia, a Galileia, passando pela Samaria, entrava nas vilas, nas cidades, nas sinagogas, proclamando o ano da Graça, o Reino de Deus.

Na disponibilidade, caminhante, desperta a todas para o cuidado do Pai, para com seus filhos e filhas, do mesmo modo como ele vela, cuida das flores do campo, dos pássaros do céu. Devolve à vida os adormecidos na morte. Oferece passos aos claudicantes. Possibilita a palavra ao desatar a língua. Sana os corpos e as relações. Devolve o movimento e a dinamicidade do encontro. Todos libertados, confortados, participantes de um encontro. E levantando-se, levantado pela Palavra, está sempre a caminho incansável, imparável.

Disponibilidade na Missão

Continua a leitura do cuidado do Pai nos pobres esquecidos. os colocados à margem pelas suas doenças do corpo e do espírito, sempre de pé, continua se levantando. De pé, a caminho se perfez envio missão até a cruz. E no alto da cruz, como ouvimos na narrativa da paixão no dia de Ramos, eu te ofereço o meu espírito. Na completa solidão, na suspensão de tudo e de todos, no quase esmorecer, no quase cair na tentação de não suportar a dor e a morte, levantado da cruz, se levanta.

E na disponibilidade e na cordialidade da missão: Eu entrego o meu Espírito, levanta até o Pai a si mesmo. Ungido pelo Espírito, enviado para proclamar a Boa-Nova, esteve sempre no movimento do levantar-se, audiente e proclamante até a morte. Assim, exaltado, transfigurado, ressuscitado, como memorava o livro do Apocalipse que ouvimos, aquele que é, aquele que era, aquele que vem, foi feito em tudo e em todos no poder do amor. É que o amor sempre nos mantém de pé.

A Boa-Nova aos pobres

E nós, queridos irmãos, queridas irmãs, ao desenrolarmos o livro dos Evangelhos, nos lemos também nós, como ungidos e enviados, pois recebemos o Espírito que nos ungiu e consagrou no Batismo e na Crisma, para levar a Boa-Nova aos pobres. Também nós proclamarmos a libertação dos cativos e aos cegos a recuperação da vista, liberar os oprimidos e proclamar que somos todos participantes da graça.

Todos nós, tomados pelo espírito da Boa-Nova, também nos levantamos. E nos colocamos a caminho, pois uma Igreja em Saída anunciar a alegria Daquele que venceu a morte, e na morte deu-nos vida e vida em plenitude. Levantados, levantadas. itinerantes a anunciar a todas as famílias, comunidades, casas e descasas, ruas, becos, caminhos, estradas, ramais e vicinais, periferias, comunidades ribeirinhas, nos condomínios abertos e fechados, o Reino de Deus, todos nós. Reino de Deus plenificado em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado.

Anunciar com alegria o Cristo Crucificado-ressuscitado

Participantes pelo Batismo da mesma unção envio, somos todos nós presença da vida nova, testemunhas da morte e da ressurreição. E como nos ensinava Papa Francisco, não anunciamos de maneira triste. Não anunciamos de maneira triste ou de maneira neutra, mas expressamos a alegria do hoje que se cumpriu a Palavra que acabamos de ouvir. Tudo cumprido em Cristo Crucificado-ressuscitado.

A alegria do Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos. A alegria de Jesus ao ver que os pobres são evangelizados e que os pequeninos saem evangelizar. a Boa-Nova, o Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido.

O “ser presbítero”

Queridos irmãos presbíteros, na celebração do Crisma todos os anos renovamos as nossas promessas sacerdotais. Jesus no Evangelho nos convida a voltarmos a pequenina sinagoga da terra do nosso ser presbítero antes das promessas sacerdotais, no dia da nossa ordenação presbiteral, diante da comunidade, também nós nos levantamos e na disponibilidade e na prontidão, como Jesus em Nazaré, dissemos: Eis-me aqui.

Hoje nos levantamos, mais uma vez, reafirmamos nossa disponibilidade e nossa prontidão de estarmos a caminho servindo o povo de Deus. Nos levantamos, percebendo-nos vocados, chamados pelo Espírito, repousados sobre cada um de nós, percebendo-nos consagrados, com as mãos ungidas, nos dispondo ao envio para proclamar a Palavra e servir a todos, servir a nossa Igreja que está em Manaus.

Como Jesus, queridos irmãos, nos levantamos e percorremos caminhos e descaminhos, veredas, matas, florestas, remamos rios e igarapés e anunciamos que completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Não só próximo, encarnou-se, transfigurou-se, realizou-se, personificou-se em Cristo Crucificado-Ressuscitado. Esse tesouro, caros irmãos padres, essa pérola preciosa nos anima, nos atrai, nos levanta cada manhã de nossas vezes desprazer de viver, nos coloca de pé mesmo diante da morte. E no recolhimento, no acolhimento repetimos também nós, também hoje: se cumpriu a Palavra. Aqui estamos para renovar a disponibilidade e proclamarmos com todo o nosso ser as bem-aventuranças do Reino.

A beleza e a suavidade do Reino

Santo Agostinho, numa das suas homilias, ensinava: Das ao mendigo que passa e te pede. Procura também o justo para dares. O mendigo que te procura, tu procura o justo. De um foi dito, dá a quem te pedir. Do outro, a esmola fique suada em tuas mãos até encontrares um justo a quem dar. E se durante muito tempo não encontrares, procura até achar. Que dinâmica da nossa vida e missão: até achar. Sim, dar o tesouro, a pérola preciosa a todos, não só os que pedem. A mão do nosso ser presbítero fique suada até entregarmos a beleza, a suavidade do Reino instaurado pelo Crucificado-Ressuscitado a todos.

Voltemos sempre à terra da nossa juventude presbiteral para nos sentirmos ungidos, tomados pelo Espírito Santo, enviados para estarmos na prontidão e disponibilidade do testemunho da presença de Jesus. O anúncio, queridos irmãos, queridas irmãs, acontece na unção. A missão da Igreja e nela a nossa missão de presbíteros é levantar-nos como samaritanos. Deitar o óleo e o vinho nas feridas dos assaltados e desanimados que estão a caminho. O óleo, o azeite da oliveira, será introduzida na nossa comunidade e pela nossa comunidade celebrante. Presencializando assim a nossa Igreja disposta a ungir e consolar. O óleo que hoje abençoamos e consagramos é participação na consagração e unção de Cristo pelo Espírito Santo.

Os óleos

Por isso invocaremos o Espírito Santo sobre o óleo. E como orávamos na coleta, a unção que nos constitui testemunhas da salvação que Cristo nos trouxe. Especialmente nós, queridos irmãos padres, nós fomos chamados para ungir e servir. Jesus nos envia como consolo e conforto. Imploraremos sobre o óleo da oliveira a bênção para que seja a proteção do corpo, da alma e do espírito, libertando os doentes da dor, da fraqueza, da enfermidade. O óleo dos enfermos.

Ser povo de Deus é ser um povo ungido. Rezaremos sobre o óleo, concedei a fortaleza aos catecúmenos que serão com ele ungidos, a fim de que, recebendo a sabedoria e a força do alto, tornados dignos da adoção de filhos e filhas, se alegrem com a graça de renascer, viver na vossa Igreja Santa. Sim, todos nós o fomos e desejamos que todos sejam batizados com água, com espírito e com fogo, ungidos.

 O azeite com o perfume receba a força e o sopro do Espírito Santo para consagrar, santificar e enviar. Rezaremos, Senhor, dignai-vos santificar e abençoar este óleo e comunicar-lhe a virtude do Espírito Santo pelo poder do vosso Cristo, convertei esse crisma em sacramento de salvação para aqueles que serão renovados no santo Batismo. Receba a dignidade real, sacerdotal e profética e sejam revestidos da graça e da imortalidade.

Ungidos e enviados

Nós, bispos, queridos irmãos, queridas irmãs, queremos hoje expressar a nossa gratidão a todos, aos diáconos, à vida consagrada, aos irmãos e irmãs, por ungirem o povo de Deus com a palavra, com o amor, com o consolo, animando o povo de Deus, consolando o povo de Deus, sendo caridosos para com o povo de Deus. É que nós somos uma Igreja Sinodal em missão, pois todos fomos ungidos e enviados.

Aos irmãos presbíteros, que com disponibilidade ungem e animam o povo de Deus nas periferias, nas pequenas comunidades distantes, nas comunidades ribeirinhas, nas comunidades indígenas, a nossa gratidão. Aos presbíteros que servem e ugem os doentes e necessitados, acolhem os irmãos e irmãs que vivem nas nossas ruas.

 Aos que seguindo os passos de Jesus consolam e curam as feridas da alma e do corpo. Aos presbíteros que tocados pela palavra se levantam a cada dia e anunciam o cumprimento das promessas. A gratidão de todo o povo de Deus. Deus abençoe, queridos padres, a vossa dedicação, a vossa atenção, a vossa gratuidade, o vosso amor.

A nossa igreja sinodal na disponibilidade da missão. Todos nós recebemos uma missão. Visibilizamos o Reino Novo, pois os pobres são acolhidos, os feridos no corpo e no espírito são cuidados, os violentos são reconciliados, apaziguados. Todos andam e recuperam a visão, o horizonte novo do Ressuscitado. Então, queridos irmãos e irmãs, na prontidão do envio, assumamos nossa vocação e missão, pois todos nós fomos revestidos de Cristo Jesus. Amém.

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