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Cardeal Steiner: O Bom Pastor nos convida a uma nova vida

Cardeal Steiner: O Bom Pastor nos convida a uma nova vida

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu a Celebração do quarto domingo da Páscoa, na manhã de 26 de março, na Catedral Metropolitana de Manaus. Neste domingo, a liturgia nos recorda Jesus Bom Pastor como Porta para uma nova vida. Nas palavras do cardeal “Jesus se apresenta como aquele que cuida das ovelhas e nos convida a uma nova passagem: Eu sou o bom Pastor, ‘Eu sou a porta’”.

“Ele se apresenta hoje como a “Porta”: “Quem entrar por mim será salvo”. Jesus a porta, a passagem; passagem de salvação, de libertação. Jesus nos diz: Eu sou a porta, porque sempre passagem de vida! Uma porta estreita, mas larga, generosa. Nela passamos todo-inteiros, como filhas e filhos de Deus, como salvos”.

O cardeal ressaltou que em algumas situações da vida é possível “que não vejamos mais a porta, a abertura, a saída, a passagem”. Esse sentimento pode vir “no sem sentido da morte de um filho, da esposa, do esposo, de nosso pai, de nossa mãe, pode acontecer que não vejamos mais a porta, a saída”, em momentos de passagem pela dor ou do sofrimento. Ele também pode se revelar diante da “doença grave, incurável, as portas todas não apenas se fecham, mas elas simplesmente não existem mais”, e esse é o espaço onde “Jesus nos diz: Eu sou a porta!”.

Jesus: Porta da fé

Bento XVI apresenta Jesus como a porta da fé. “A porta da fé (cf. At 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma” (Bento XVI, PF nº 1). Essa perspectiva apresentada por ele significa que “Jesus é o lugar de acesso para que possamos encontrar o significado da vida e o espaço, a paisagem que dão vida”, explicou o cardeal.

Em sua reflexão, o arcebispo continuou afirmando que “passar pela porta significa aderir a Ele, segui-lo, acolher a sua vida o seu modo de viver”. No caminho para a vida em em plenitude “as ovelhas que passam pela porta que é Jesus, os que aderem a Ele, podem passar para a terra da liberdade onde encontrarão pastos verdejantes”. Assim, Jesus é “a passagem que deseja que todas as pessoas encontrem vida em plenitude”.

“O vencedor da morte tornou-se a passagem para espaço sempre mais livres com sentido renovador, transformador. Ele é a passagem pois nele lemos os fenômenos cotidianos, os mais difíceis e sem sentido. Passagem porque indicou o caminho do drama humano como soerguimento, elevação da nossa humanidade. Passagem, pois nele vamos percebendo como na maior dor e desespero, a luz se acende e damo-nos conta dos rasgos de eternidade. Passagem, pois no humano mais humano ele nos indica o divino”, disse o cardeal.

A verdadeira contradição

Há uma verdadeira contradição em aderir ao “perdão na ofensa, a reconciliação no desprezo, a misericórdia na traição, a gratuidade na compra do existir humano”. Essa contradição existe porque “Jesus-porta, Jesus passagem, vai abrindo passagens perdidas, espaços desaparecidos”. A própria “morte violenta de cruz” de Jesus, que nos permite a “passagem para a vida”, expõe a contradição. Dom Leonardo explicou que ao colocarmos “nossa vida em sintonia com o Evangelho, abrem-se passagens imperceptíveis, passagens surpreendentes” onde é possível compreender a morte como uma passagem.

“Ele abre a porta do consolo, do perdão, da reconciliação, da fraternidade, do amor expansivo. Quantas portas Ele vai abrindo através da Palavra, dos sacramentos, da caridade, da solidariedade? Ele vai abrindo passagens para mundo sempre mais amplos, livres, amorosos. Quem vive de Jesus pode dizer como ele sendo a porta, abre a porta, as passagens existenciais. Aproximemo-nos de Jesus, Ele abrirá portas, nos indicará passagens que nos conduzem à vida: ‘Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância’”, explicou.

Passar pela porta e sair em missão

O arcebispo destacou que é por Jesus que entramos na Igreja e, nos ensinamentos de Papa Francisco, é por Ele que saímos em missão. Esse horozinte permite compreender constante envio em missão, onde “na Igreja se entra para sair e sai-se para entrar”. O que permite compreender que “a Igreja não é um espaço fechado, nem um paraíso, um edifício ornamental”, mas o lugar de reconhecer que Jesus “acompanha, conduz, cuida, alimenta, oferece fontes de água viva”.

“Na Igreja, nota-se um admirável dinamismo, onde se harmoniza o aparentemente contraditório. Todos estão a caminho, em permanente movimento. Aquele movimento que reúne, congrega, cria comunhão, a comunidade e, ao mesmo tempo o movimento para sair, a porta de saída pois todos chamados à proclamação, ao anúncio, a proclamação do Reino de Deus”.

No horizonte da fé, o pastor de ovelhas “quase sempre estava a serviço de outra pessoa; cuidava das ovelhas de outros”. A postura de cuidado e dedicação diário com cada uma das ovelhas criava laços de confiança e segurança, que “quando ele chamava, elas obedeciam, pois reconheciam a sua voz: ele sempre estava com elas, não as abandonava”. Ao segui-lo, as ovelhas, “não passavam nem fome e nem sede”.

Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Ao recordar o Domingo do Bom Pastor, onde se comemora também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o arcebispo retoma o convite para “descobrir o dom gratuito de Deus que floresce no mais profundo do coração de cada um de nós, para percorrermos juntos, o caminho da vida nova do Ressuscitado”. E cintando Papa Leão, “a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, brilhar a partir da sua própria beleza” (Papa Leão XIV, Mensagem Dia Mundial de Oração/2026).

“Ao rezarmos hoje pelas vocações, desejamos reafirmar a necessidade de criar espaços de silêncio interior para intuir o que Deus deseja para cada um de nós. Não se trata de um saber abstrato ou de um conhecimento erudito, mas de um encontro pessoal que transforma a vida e nos coloca a serviço dos irmãos e irmãs. Deus habita em nós, por isso, a vocação é um diálogo com Ele que, apesar do ruído que no rodeiam, nos chama, nos convidando a responder com alegria, disponibilidade e generosidade” disse o cardeal.

Ele enfatizou que as orações nas nossas comunidades devem cultivar as vocações. Para que em ajuda mútua “todas as vocações sejam sinal da presença do Ressuscitado, da Vida Nova”. Por isso, o tempo pascal é um convite para reconhecer a Jesus como “Aquele que cuida de nós, está conosco, nos acompanha nos caminhos difíceis e empoeirados; está conosco na travessia, na busca da outra margem, na busca de outras lugares que alimentam, a outras fontes que refrescam a nossa vida; está conosco em todos os momentos, em todos os lugares, não nos abandona, porque deu sua vida por nós”.

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