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Cardeal Steiner: “A fome é consequência de um sistema económico que nos atinge no Brasil, um descaso em relação aos pobres”

A Campanha da Fraternidade acompanha a vida da Igreja do Brasil durante a Campanha da Fraternidade desde há quase 60 anos. Um tempo para refletir e encontrar caminhos de conversão em torno a realidades presentes na sociedade brasileira. Em 2023, a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e Fome”, e como lema “Dai-lhes vós mesmos de comer”. No Brasil 33 milhões de pessoas passam fome, uma realidade que também está presente na cidade de Manaus, denunciou o Cardeal Leonardo Steiner em coletiva de imprensa. Uma campanha que tem a sua história, segundo o Arcebispo de Manaus que acontece no “tempo da conversão, o tempo da penitencia, o tempo do jejum, o tempo da esmola, essa tentativa de nos aprofundarmos no Mistério Salvífico de Deus em Jesus Cristo, na sua Paixão, Morte e Ressurreição”. Dom Leonardo insistiu em que “a Campanha da Fraternidade deseja entrar nessa dinâmica de conversão, de mudança, de transformação”. O Cardeal afirmou que “comer não é um direito, comer faz parte do humano, é mais do que direito. Sem comer o ser humano não subsiste, não vive”. Ele denunciou o que está a acontecer com o Povo Yanomami, que “por falta de comida, por uma desnutrição enorme, eles perdem o ânimo e a capacidade de viver, eles perdem o desejo de viver, perdem o desejo de ser”. A fome é uma realidade preocupante em um país que em 2022 só 41,3% dos domicílios no Brasil tinham seus moradores em segurança alimentar, o que faz com que mais de 58% dos domicílios brasileiros, 125 milhões de pessoas, vivessem em algum nível de insegurança alimentar, sendo 15,5% os que conviviam com a fome, 33 milhões, um número repetido por 3 vezes pelo cardeal. Ele disse esperar que “essa Campanha da Fraternidade nos desperte”, chamando a entender que “ninguém é excluído do amor de Deus”, algo que contrasta com o fato de que “nós estamos deixando irmão e irmãs a passar fome”. Uma realidade que “é consequência de um sistema económico que nos atinge no Brasil, um descaso em relação aos pobres”, ressaltou Dom Leonardo. Uma situação que tinha sido superada no passado, definindo a situação atual como uma amostra de que no Brasil “estamos perdendo a fraternidade, estamos perdendo a capacidade humana de nos ajudarmos, de nos auxiliarmos, de termos emprego suficiente para todos, de termos um sistema econômico que seja a favor de todas as pessoas e não apenas do sistema de mercado”. Diante disso ele chamou a refletir, mas também a realizar ações concretas em favor das pessoas que passam fome. Algo que demanda “um pacto global na sociedade, entre as instituições, Igreja, mas também os governos, as empresas” em vista da superação da fome, segundo o Padre Geraldo Bendaham. Ele insistiu em que “tem saída, tem caminhos, a gente precisa mudar”, buscando uma economia solidária onde ocorra a partilha. O Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Manaus ligou a questão da fome com outras realidades, água, saneamento básico, educação… O Padre Geraldo chamou a refletir sobre o desperdício de alimentos, algo que quer ser expressado no fato da Arquidiocese de Manaus realizar o lançamento da Campanha, que será realizado na Quarta-feira de Cinzas, no entorno da feira, abrindo assim as atividades que irão levar às comunidades a aprofundar nesse tema ao longo da Quaresma. Junto com isso, ele denunciou que “a sociedade tem criatividade, capacidade para superar a fome”, demandando políticas públicas que ajudem a superar a fome e fazer com que as desigualdades desapareçam no Brasil, um país que tem alimentos, mas onde muitas pessoas passam fome, algo que considera vergonhoso e que deve ser levado a sério pelos governos, “porque se trata de pessoas, seres humanos, nossos semelhantes”. A Igreja de Manaus vem realizando diferentes iniciativas para ajudar a superar a fome, segundo o diácono Afonso Brito. Durante a pandemia a Arquidiocese ajudou 100 mil pessoas a superar a fome, um trabalho que continua e que está sendo coordenado pela Caritas Arquidiocesana e as Caritas Paroquiais. O objetivo é ajudar às famílias que passam fome a ter o mínimo possível, algo que é realizado com a doação de pessoas anônimas e de instituições públicas. O Cardeal Steiner colocou como algo necessário “discutirmos e refletirmos sobre o sistema económico que tem levado tantas pessoas a esse estado de fome”. Ele ressaltou outros elementos relacionados com a fome, como é a educação, a saúde, a cultura, os espaços de lazer. Manaus é um cidade onde é possível apalpar a fome, insistiu o Arcebispo, com situações muito difícil, uma realidade que se repete nas periferias das cidades brasileiras. Diante disso, ele disse esperar que a Campanha da Fraternidade possa ajudar a “abrir os olhos das pessoas, para que haja mais partilha, mas também haja uma reflexão e uma discussão sobre o próprio sistema econômico e a falta de políticas públicas que tem levado a essa situação”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Mulheres missionárias centenárias

Na evangelização da Amazônia, a coragem das mulheres sempre foi decisiva. Sua presença nos locais mais longínquos se tornou uma constante na caminhada da Igreja na região. Ao completar-se 100 anos da presença das Filhas de Maria Auxiliadora, das Salesianas, no Alto Rio Negro, ainda hoje um dos locais de mais difícil acesso na região amazônica, a gente só pode ter um sentimento de gratidão e admiração. As salesianas chegaram em São Gabriel da Cachoeira em 1923, seguindo os passos de seus irmãos de carisma, os salesianos, que lá estavam desde 1915. Uma viagem que vista hoje poderia ser considerada uma loucura, mas que na verdade respondia ao apelo do Evangelho, onde Jesus envia seus discípulos e discípulas em missão até os confins do mundo. E podemos dizer que um lugar onde a viagem demorava 39 dias desde Manaus poderia ser considerado um desses locais onde essas seguidoras de Jesus e da Madre Mazzarello, estavam sendo chamadas. Assim iniciou uma presença que foi se espalhando por todos os cantos da Cabeça do Cachorro, chegando nas fronteiras e aprendendo a conviver com realidades e culturas diferentes. Uma presença evangelizadora, especialmente no campo da educação e da saúde, mas também do trabalho pastoral, se tornando uma presença samaritana na vida dos povos indígenas. A história nos mostra a entrega de mulheres que ao longo de décadas gastaram sua vida nessa presença de cuidado, em que tantas crianças, adolescentes e jovens, mas também adultos, foram entendendo quem era esse Deus diferente que chegava com as Filhas de Maria Auxiliadora. Um testemunho de vida que foi cativando o interesse de muitas jovens que hoje são salesianas, dando um novo rosto, um rosto indígena, na congregação. Um antecipo daquilo que o Sínodo para a Amazônia chama de uma Igreja com rosto amazônico e indígena. Um trabalho que mais nunca parou e que hoje continua com uma presença numerosa nos três municípios que forma parte do Alto Rio Negro, da Diocese de São Gabriel da Cachoeira: Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. Uma presença que foi perpassando a vida de diversas gerações de homens e mulheres de diferentes povos indígenas. O testemunho de vida destas missionárias deve nos levar a refletir como Igreja, mas também como sociedade, e assim sentir a necessidade de sair de nossos lugares de conforto para ir ao encontro daqueles que precisam de nós. As efemérides são uma boa oportunidade para isso, para olhar para atrás e agradecer, mas também para olhar para frente e não ter medo dos desafios a serem enfrentados. Que essas mulheres apaixonadas pela missão nos levem a superar os medos e assumir com coragem aquilo que Deus e a Igreja esperam de cada um e cada uma de nós. É tempo de superar os medos e entender que nesse mundo das águas podemos saciar nossa sede de Deus e de um mundo melhor para todos e todas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

A Igreja do Brasil avança na preparação do 5º Congresso Missionário Nacional em Manaus

A Igreja do Brasil se prepara para o 5º Congresso Missionário Nacional, que será realizado na Arquidiocese de Manaus de 11 a 15 de novembro de 2023, tendo como tema: “Ide! Da Igreja local aos confins do mundo”, e como lema: “Corações ardentes, pés a caminho”. Um Congresso que está sendo articulado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Missionário Nacional (COMINA), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Arquidiocese de Manaus. A Igreja do Brasil é consciente, embora que nas últimas décadas houve um amadurecimento da consciência missionária, da falta ainda de um empenho mais efetivo e generoso, individual e eclesial, uma maior disponibilidade e um compromisso mais amplo para assumir a missão ad gentes, sendo muitas as Igrejas particulares do Brasil ainda não assumiu seu protagonismo e sua responsabilidade nesse campo. Seguindo o já realizado, o 5º Congresso Missionário Nacional pretende dar passos adiante, através de um processo sinodal de escuta e diálogo, em comunhão com as Igrejas locais e com todos os sujeitos eclesiais. Para isso se faz necessária uma conversão pastoral que leve descobrir a missão como tarefa primária da Igreja. Nesse sentido, desde o coração da Amazônia até os extremos do mundo, este Congresso quer, também, estimular e potenciar a cooperação missionária e despertar um novo vigor para a missão ad gentes das Igrejas particulares. O Congresso, partindo do princípio de que a missão da Igreja é evangelizar, busca impulsionar a missão ad gentes das Igrejas particulares. Para isso se faz necessário escutar os apelos do Espírito Santo, protagonista da missão; impulsionar uma reflexão acerca da responsabilidade das Igrejas particulares pela missão ad gentes; incentivar projetos de colaboração missionária, partindo da experiência evangelizadora da Igreja na Amazônia. Junto com isso integrar forças, contribuir na efetivação do Programa Missionário Nacional, reafirmar a opção pelos pobres, e impulsionar o processo de preparação da Igreja no Brasil para o 6º Congresso Missionário das Américas (CAM 6), que será realizado em Puerto Rico em 2024. Um Congresso que será realizado seguindo uma metodologia sinodal, de comunhão e de participação. Se busca um caminhar juntos para cumprir uma tarefa comum, por meio da participação de cada um de seus membros. Para isso se pretende conhecer as iniciativas e projetos e atividades missionárias ad gentes existentes. Tudo isso seguindo um itinerário bíblico, teológico, espiritual e metodológico, segundo o método Ver-Discernir-Agir. O ponto de partida são as Igrejas locais e o desafio de envolvê-las no processo do 5º Congresso, que leve a despertar desde a primazia da graça, a consciência missionária ad gentes na perspectiva da universalidade da missão. Para isso quer se envolver os organismos misionários de cada diocese como fundamento das reflexões que serão desenvolvidas durante o Congresso nas conferências, nos painéis temáticos, nas oficinas e partilhas missionárias dos participantes. A Comissão organizadora, reunida neste 14 de fevereiro foi avançando nos passos a serem dados durante e antes do Congresso, como é a elaboração do Texto Base, insistindo na necessidade de uma reflexão desde uma perspectiva amazônica. Na preparação previa, acontecerá o Seminário de preparação para o 5º Congresso Missionário Nacional, que será realizado em Brasília de 26 a 29 de março de 2023 com a participação dos representantes dos Comités Missionários dos Regionais da CNBB.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Retiro do clero de Borba e Itacoatiara: “Momento de graça para fortalecer a consciência do chamado de Deus”

A Casa de Retiros Vicente Cañas em Manaus, acolhe de 13 a 16 de fevereiro o retiro anual do clero da Diocese de Borba e da Prelazia de Itacoatiara.  Segundo Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva “esse retiro acontece dentro de um contexto de alegria, pois estamos celebrando os 60 anos de criação das Prelazias”. O Bispo da Diocese de Borba destaca que “vale lembrar que a Diocese de Coari, Diocese de Borba e a Prelazia de Itacoatiara foram criadas pelo mesmo sopro do Espírito Santo na mesma Bula Papal de 13 de julho de 1963”. O pregador do Retiro do Clero da Diocese de Borba e da Prelazia de Itacoatiara é Dom José Maria Chaves dos Reis, Bispo da Diocese de Abaetetuba no Pará, que está trabalhando a temática da espiritualidade presbiteral.  Dom Zenildo insiste em que “esse retiro é uma oportunidade de renovação e de aquecimento da fé e da missão”. Em nome da Diocese de Borba, seu Bispo agradece Dom Ionilton, Bispo da Prelazia de Itacoatiara que aceitou realizar esse retiro juntos e agradece também todos os padres da Prelazia pela unidade, proximidade e sinodalidade. Segundo Dom Ionilton, “o retiro do clero de uma Diocese, uma Prelazia, uma Arquidiocese é um momento em que os padres, diáconos, bispos param um pouco as suas atividades para sair do ambiente do dia a dia da missão, até o nome já diz, se retirar num espaço aparte, para termos a oportunidade de rezar mais, meditar mais a Palavra de Deus, de nos encontrarmos com os outros e de forma comunitária, enquanto clero fazer uma revisão de vida, retomar nossos compromissos de ministros ordenados e aprimorar o nosso desejo de continuar servindo ao povo de Deus na missão que nos é confiada a partir do ministério que a gente abraça”. O Bispo da Prelazia de Itacoatiara insiste em que “o retiro do clero se torna também um momento de graça em nossa vida, que serve para nos animar, encorajar, fortalecer essa nossa consciência do chamado de Deus, aumentar em nós escolheu e nos enviou para uma missão junto de uma parcela do seu povo. E isso fazer com que a gente possa cumprir a nossa missão sempre lembrando de que nós estamos fazendo isso em nome de Deus e em nome da Igreja”. Segundo Dom Ionilton, “fortalecidos por um retiro, nós ministros ordenados que compomos um clero retornaremos muito mais dispostos e motivados para continuidade de nossa missão e do serviço ao povo de Deus que está sob nossos cuidados pastorais, para animar a vida e a missão de todas as pessoas que fazem parte da Igreja, dos leigos e leigas, dos consagrados e consagradas, dos missionários e missionárias, e lembrar sempre que nós estamos nesse serviço para toda a parcela do povo de Deus sob nossos cuidados”. “Deus pede de nós uma atenção para os mais pobres, para os idosos, para os enfermos, para os migrantes, para os povos indígenas, para as populações ribeirinhas, para quem vive nas populações dos ramais”, disse o Bispo da Prelazia de Itacoatiara. Ele insistiu em que “é assim o nosso pastoreio, revigorar em nós esse desejo de continuar servindo à Igreja aqui na realidade da Amazônia, levando em conta também a nossa missão de cuidadores da casa comum, da nossa irmã natureza, irmã terra, do território, das águas. Isso também faz parte do nosso ministério, que o retiro revigora, nos motiva e nos encoraja”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro de Coordenadores Diocesanos de Pastoral do Regional Norte1: “Fazer caminho em conjunto”

Os coordenadores e coordenadoras de Pastoral das Dioceses e Prelazias do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1) estão reunidos na sede do Regional em Manaus para partilhar os aspectos relevantes no caminho das Igrejas locais e avançar no caminho sinodal que a Igreja universal está vivenciando atualmente com a Etapa Continental. O encontro começou com a celebração da Eucaristia, presidida por Dom Tadeu Canavarros, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e Vice-presidente do Regional Norte1. Ao longo do encontro serão partilhados os desafios que são encarados pela Dioceses e Prelazias e a agenda em nível local e regional. O Regional repassara algumas orientações, além de materiais. Durante o encontro será abordado o 3º Ano vocacional e a preparação da 50ª Assembleia Regional Norte1, que será realizada no mês de setembro. Junto com isso, será avaliado como as Igrejas locais estão concretizando os encaminhamentos da última assembleia do Regional. “Esse trabalho da coordenação de pastoral de cada uma das Dioceses e Prelazias vem de encontro com a animação, o trabalho de cada coordenador está exatamente como animador”, segundo Dom Tadeu Canavarros. O Vice-presidente do Regional Norte1 afirmou que “esse encontro tem essa pauta de serem também os promotores do Sínodo, dessa caminhada sinodal”. O Bispo Auxiliar de Manaus pensa que “a colaboração e a animação de cada pastoral vai ajudando os Bispos a tornarem mais concretas as ações pastorais no dia a dia”. Um encontro onde é vivenciado “a dimensão da comunhão, do caminhar juntos”, segundo a Secretária Executiva do Regional Norte1. A Ir. Rose Bertoldo destaca que “os coordenadores e coordenadoras de pastoral tem uma função muito grande nas Dioceses e Prelazias e eles é que dão corpo a todos os encaminhamentos que são feitos nas assembleias do Regional”. Daí a importância de “trabalhar junto, fazer com que essa comunhão, ela seja colocada em prática nas Dioceses e Prelazias é de fundamental importância porque vai concretizando as Diretrizes para o quadriênio no Regional, e também os encaminhamentos das assembleias”, insistiu a Secretária Executiva. Segundo ela, “os coordenadores têm essa grande missão de manter a unidade junto com o Bispo diocesano e com as lideranças. Por isso, o objetivo desse encontro é estudarmos, mas também ver as prioridades e fazer esse caminho em conjunto”. Joelma Rolim destaca do encontro “essa partilha entre as Dioceses e Prelazias, essa troca de experiências. O que está acontecendo no local serve como uma experiência para a gente trabalhar junto, estar caminhando junto”. Segundo a representante da Prelazia de Itacoatiara, “a experiência conta para a gente, porque na nossa Prelazia a gente tem um conselho de pastoral e a gente tem os encontros para planejar nossas atividades pastorais. Nesse planejamento, a gente já vê um todo para que todas as pastorais possam ser contempladas durante o ano nas nossas atividades dentro daquilo que já foi planejado na assembleia da Prelazia”. “Os desafios que nós temos na coordenação de pastoral de uma Diocese na nossa região amazônica, primeiro as questões geográficas e que precisa de ter toda uma logística para que a gente possa realmente atender”, afirma o Padre Jânio Negreiros. Ele também fala sobre a dificuldade de “mão de obra, pessoas que vem realmente a atuarem para somarem junto, num trabalho pastoral conjunto, para se envolverem, se engajar, se comprometer com o trabalho é uma limitação, se comprometer com aquilo que é prático da evangelização. Coordenar a Pastoral dentro dessa realidade, realmente precisa de poder convidar as pessoas, as muitas mãos, a poder trabalhar nessa fraternidade da missão que compete a cada um de nós”. O Coordenador de Pastoral da Diocese de Parintins insiste em que “para nós, fortalecendo um pouco mais essa unidade das partilhas das Dioceses e Prelazias, trazer os nossos desafios mas também enriquecer com os pontos que já deram certo em outras localidades e que podem ser também uteis para o trabalho nas nossas Dioceses e Prelazias, que são também de situações, de realidades bem parecidas”. Segundo o Padre Jânio, “essa partilha de experiências enriquece muito o nosso trabalho para atuar na vida das Dioceses e Prelazias dentro do nosso Regional”.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom José Albuquerque assume como Bispo de Parintins e quer “aprender a ser um bom pastor para o povo de Deus que aqui está”

Um momento histórico na vida das Igrejas particulares do Regional Norte1. Assim é vista a posse de Dom José Albuquerque de Araújo como Bispo da Diocese de Parintins. Uma prova disso foi o comentário entre alguns padres participantes da celebração que comentavam que um momento assim seria impensável 30 anos atrás. A Igreja da Amazônia foi evangelizada por missionários e aos poucos os presbíteros diocesanos locais foram assumindo diferentes ministérios, dentre eles o episcopado, como acontece com Dom José e foi lembrado ao longo da celebração. Nascido em Manaus, onde vivenciou sua fé e foi ordenado presbítero e bispo, assumindo desde 2016 a missão de Bispo Auxiliar, desde hoje, 12 de fevereiro de 2023 Dom José é Bispo da Diocese de Parintins. Uma data importante na vida da Igreja da Amazônia, pois em 12 de fevereiro de 2020 foi publicada a Querida Amazônia, a Exortação Pós-sinodal do Sínodo para a Amazônia e na mesma data 18 anos atrás foi martirizada a Ir. Dorothy Stang, um exemplo do que que significa assumir desde a fé a missão de preservar a Amazônia, de cuidar da casa comum. A felicidade do novo Bispo é a felicidade daquele que agora se tornou Bispo emérito, Dom Giuliano Frigenni, que na homilia destacou a sintonia profunda que encontrou no povo da Diocese de Parintins, encontrado a sabedoria dos humildes, dos povos originários, dos povos ribeirinhos. Ele recordou a importância do clero local, de fomentar vocações, algo assumido como missionário do PIME há 50 anos e como Bispo de Parintins durante quase 24 anos. Dom Giuliano disse conhecer Dom José desde há muitos anos, desde que era seminaristas, depois trabalharam juntos como padres na Arquidiocese de Manaus e hoje é seu sucessor como Bispo de Parintins e irão viver juntos. Em nome dos Bispos do Regional Norte1, Dom Edson Damian, Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira e Presidente do Regional Norte1 mostrou a felicidade do episcopado pela nomeação de um filho da Amazônia, de alguém com coração e rosto amazônico. Ele lembrou do legado da Ir. Dorothy, que assumiu a causa dos pobres da Amazônia, dizendo que o Bispo é chamado a dar a vida pelo povo. Junto com isso insistiu nos sonhos do Papa Francisco na Querida Amazônia. Dom Edson mostrou a Dom José a colegialidade episcopal, lhe fazendo ver que conte sempre com a amizade e oração de seus irmãos bispos. O clero de Parintins, através de seu representante, deu as boas-vindas a Dom José Albuquerque, lembrando e agradecendo o trabalho realizado pelos missionários do PIME, que com seu sacrifício surgiu uma nova geração de sacerdotes diocesanos. O clero disse estar disposto a lhe ajudar diante dos desafios, lhe pedindo ser acompanhados e que seja pai, amigo, irmão, diretor espiritual, mas também se for necessário aquele que puxa a orelha. Uma Igreja em sinodalidade, que cuida das vocações, uma Igreja em saída, quer ser o clero de Parintins junto com seu novo Bispo, para quem pediram a proteção de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da Diocese. Uma acolhida que também foi realizada pela Vida Religiosa, que desde seus carismas quer viver na unidade, na fidelidade e na sinodalidad, dizendo contar sempre com o Bispo que também pode contar com as orações dos religiosos e religiosas. O laicato acolhe seu novo Bispo com alegria, numa Diocese que sempre esteve marcada em seus passos pelas pastorais, movimentos e serviços assumidos com generosidade pelos leigos e leigas, que seguindo o Sínodo da Sinodalidade compreendem a necessidade de caminharmos juntos como comunidade fraterna. As autoridades do Estado da Amazonas e dos municípios que fazem parte da Diocese destacaram a importância da chegada do novo Bispo, querendo continuar caminhando junto com a Igreja católica e desenvolvendo as grandes parcerias que tem ajudado no desenvolvimento da região do Baixo Amazonas. Finalmente, Dom José Albuquerque mostrou sua gratidão aos Bispos presentes na pessoa de Dom Leonardo Steiner, agradecendo a presença de Dom Bernardo Bahlmann Bispo da Diocese de Óbidos e Presidente do Regional Norte2. Também dos padres, diáconos, seminaristas, Vida Religiosa e todos os presentes, cumprimentando as autoridades, com quem disse querer colaborar numa parceria que possa ajudar aos últimos, aos sofredores, aos que estão sendo muitas vezes negligenciados em seus direitos. O novo Bispo de Parintins disse querer aprender a ser um bom pastor para o povo de Deus que aqui está, desejando amar o povo do mesmo jeito que Dom Giuliano lhe ama, de quem diz precisar de sua ajuda, querendo dar continuidade ao realizado por ele e pelos missionários do PIME. Dom José mostrou seu desejo de visitar todas as comunidades, pedindo um minuto de silêncio e oração por todos os missionários que entregaram sua vida pela Igreja de Parintins e da Amazônia, na evangelização e defesa dos direitos humanos. Finalmente, Dom José pediu que Nossa Senhora do Carmo lhe ajude a servir, a ser um bom pastor para todos, a quem ficando de joelhos pediu que rezassem um Ave Maria por ele. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo: “Os olhos do Evangelho pedem que adotemos o modo da cordialidade, da simpatia, da solicitude e afeto”

“Jesus continua a nos indicar a que fomos chamados: às bem-aventuranças, à realização, à plenificação”, afirma o Cardeal Leonardo Steiner comentando o Evangelho do 6º Domingo do Tempo Comum, onde “Ele a nos dizer do caminho a que somos convidados: percorrer um caminho, uma vida digna, livre e plenificada”. Citando o texto evangélico, Dom Leonardo vê nele “uma nova visão, um novo modo de viver, um viver que possibilita a verdadeira liberdade, um viver na cordialidade. O modo de viver da justiça, da boa medida, da medida equilibrada. As decisões segundo o que convém e é necessário, não conforme a lei, as normas. Viver que tem a boa medida da bondade, da misericórdia, como Deus, o justo”. Segundo o Arcebispo de Manaus, “a justiça dos homens, a nossa justiça é diversa da justiça da Deus. A de Deus é equânime, livre, libertadora, consoladora, resgatadora. A justiça de Deus não se desvia, não acusa, não condena. Ela resgata, eleva, santifica”. A partir do texto, o Cardeal ressalta “Como dependemos de nossos olhos! Como dependemos da visão que temos da pessoa, de Deus, do mundo! Grandeza de nosso olhar, fraqueza de nossos olhos: purificação, transparência do olhar!”.  Dom Leonardo lembrou o que nos possibilitam os olhos: perceber grandezas, belezas; se deixar atrair pela beleza de uma paisagem, pela obra de arte escondida atrás de um edifício; se deixar encantar com a beleza das pequenas e estreitas ruas da cidade medieval sobre a colina; é de encher os olhos o vale florido”. O Arcebispo lembrou “o olhar que se perde ao buscar o alto, o sem confim do mar”, e também os olhos a seguir o ritmo das águas dos rios, a vida que nela acontece, a vida nascida do rio. O olhar que lê as águas, os igarapés, os rios; que percebem os pequenos gestos, as pequenas mudanças, os mínimos acenos de ternura e aconchego; que veem a dignidade humana perdida, descartada e o menosprezo em relação à natureza, à casa comum”. Um olhar que “vê a beleza da face enrugada, digna e cheia de história. São os olhos tomados de grandeza e beleza. Olhos capazes de nos dar a sensação e percepção de um mundo digno de ser visto e vivido”. “No andar da vida, nossos olhos enxergam aquilo que permanece esquecido e velado”, disse o Cardeal Steiner. Ele chamou a atenção em “tantas coisas que nos distraem”, que não nos deixam enxergar o cotidiano: nossa casa que acabou de ser arrumada e limpa; nossas roupas bem passadas e cuidadas; como cresceram nossos filhos, como eles cresceram em idade sabedoria e graça; a grandeza do amor que pode alimentar e dar criatividade às nossas diferenças. Citando o texto que diz “Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração”, Dom Leonardo insistiu no “olhar que se tornou unidirecional, uni focal. Perdeu o horizonte do ver que tudo vê na sua transparência, na quase inocência. Perdemos o olhar que nos indica nossas raízes, nossa pertença, nossa terra, o nosso céu. O olhar que já não vê beleza, delicadeza, apenas desejo de posse, de possuir. Possuir é traição ao modo que nos é proposto e indicado no Evangelho, perceber a cada um como filho e filhas de Deus. Posse, dominação, que no Evangelho em dito como não consumação física, mas a consumação no coração. Aquele adultério, aquela traição, uma relação que nos afasta do amor primeiro, da pessoa amada e deixamos que o olhar se torno traição”. Por isso, o Cardeal destacou que “o convite de Deus hoje é de arrancarmos esse olho doentio, distorcido, para não perdermos a vida, isto é permanecer na cercania do amor, da convivialidade de termos sido amados”. Segundo ele “às vezes estamos na iminência de perder a sensibilidade do olhar dos pequenos, simples e humildes amados de Deus e por ele desejados como prediletos, como filhos e filha de seu coração”, convidando a reparar no “olhar que se desvia do indiferente, do meramente atraente” e chamando a perceber que “vivemos nessa espécie de dualidade de olhos, do olhar”. Daí, Dom Leonardo fez ver que “é preciso arrancar o olhar distraído, traído, traiçoeiro, pois somente o olho da vida nos conduz ao Reino de Deus. E o Reino de Deus não desejamos perder”. “Olhos que veem, olhos que, no entanto, podem estar dispersos e desatentos nessa multiplicidade de ver, sem estar concentrados e guiados pelo olhar salvador. O olhar disperso, distraído, o olhar sem grandeza, sem beleza”, destacou. Por isso, ele fez ver que “arrancar indica salvação, permanecer com o olho mau indica a condenação ao fogo do inferno, pois perdemos a graça de ver o que é invisível aos olhos. Já não vemos mais. No não ver a verdade, pecamos com nosso olho. Então é melhor entrar na vida com um olho só do que nos perdermos”. Uma reflexão que o levou a questionar: “Mas como receber esse olhar, esse olho renovador, ágil, simples, grandioso que nos deixar ver na nossa realidade a realidade e a verdade de Deus?”, lembrando que “o Evangelho de hoje nos fala de entrar na vida com um olho só. Esse olhar é aquele olhar que na Sagrada Escritura vem dito como: ‘E Deus olhando o criado, viu que tudo era bom’. Esse olhar que se recolhe, que contempla, que se deixa invadir pela grandeza das criaturas é que nos salva. O olhar da benevolência, o olhar do perdão, o olhar que sempre descobre em toda miséria humana uma grandeza toda própria: a fraqueza de Deus. Para isso precisamos perder nossos olhos, sem perdê-los não limpamos o olhar com que Deus nos presenteou”. Dom Leonardo fez ver que “recebemos olhos que enxergam a pobreza e a degradação humana perambulando pela nossa cidade. Olhos atentos para a injustiça, para a poluição. O olhar que de Deus provém, é pleno de positividade, de jovialidade, de cordialidade. É sem descanso, sem rótulos. É o olhar que já viu tudo, que sabe tudo, não…
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6º Domingo do Tempo Comum: “O revolucionário é fazer o bem até mesmo aqueles que nos desejam o mal”

No 6º domingo do Tempo Comum do ciclo A, Verónica Rubi nos lembra que “cada domingo vamos fazendo uma leitura consecutiva do Evangelho de Mateo”. Três domingos atras, nos lembra a missionária leiga na Diocese de Alto Solimões, “ouvimos que Jesus subiu ao monte com seus discípulos para ensinar-lhes, e lhes deu a conhecer as bem-aventuranças como fundamento principal para a verdadeira felicidade”. “No domingo passado ouvimos outro ensinamento: ‘vos sois o sal da terra, vos sois a luz do mundo’, destacando a importância de nossas obras, da nossa vida que glorifica ao Pai”, afirma. “Neste domingo continuando os ensinamentos na montanha, Jesus diz que Ele veio para dar pleno cumprimento à Lei e aos Profetas, não porque faça outra interpretação ou explicação das profecias, senão porque Ele mesmo é a plenitude da Lei, Jesus é a Plenitude, ele com sua vida, sua maneira de obrar, suas prioridades, sua atenção aos desfavorecidos, com seus ensinamentos, nos revela o coração do Pai”, segundo a missionária.  “Nós estamos chamados a segui-lo de perto, para conhecê-lo e aprender dele, e assumindo nosso batismo, ser discipulas- discípulos do Deus conosco e com ele protagonistas do Reino dos Céus”, lembra Verônica. Segundo ela, “nesse momento, no Monte, Jesus também lembra o que diz a Lei: ‘não mataras’, ‘não cometeras adultério’, ‘não jurarás falso’, mais Ele não fica na proibição do que não devemos fazer, do que no está certo, ele se preocupa pelas intenções mais profundas do nosso coração, por ser elas as que motivam nossas ações”. Jesus “nos chama a reconciliação com quem temos brigado, insultado, mal decido no nosso coração, tenta fazer-nos entender que na Lei de Deus que é o Amor, não adianta só não matar, o revolucionário é fazer o bem até mesmo aqueles que nos desejam o mal”, destaca Verónica Rubi. Ela nos levar a nos questionar: “Alguma vez tenho conseguido responder bem por mal? Procuro a reconciliação explicita ou implícita com aquele que me distanciei?” Segundo a missionária, “quanto ao adultério, que é romper a relação de fidelidade entre conjugues, Jesus não fica só na relação carnal, também fala do desejo, deixando claro que é a intenção, o impulso, o que estamos chamados a trabalhar, em função do bem, da verdade, da plenitude”. Daí ela se pergunta: “Como estou neste aspecto de minha vida? Consigo trabalhar, modelar meus impulsos ou eles me cegam em busca da satisfação?”   “Por último, fala do valor da palavra dada e nos motiva a viver na Verdade, a dizer as coisas como são, até mesmo se assumir a realidade nos causa problemas”, destaca, nos questionado: “Qual é minha experiencia, vivo na verdade ou vou pelo mundo modificando as situações a minha conveniência? Reconheço que dizer uma coisa por outra é uma mentira, tento trabalhar isso em mim?”. Daí ela lembra: “que seja nosso Sim, Sim, nosso Não, Não”. Isso a faz ver que “ainda temos muito por andar, muito que melhorar, que Jesus nos anime no caminho de discípulas-missionários e nos fortaleça com sua graça para glorificar ao Pai”.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Assembleia CIMI Regional Norte1: Celebrar, fazer memória, buscar ser um sinal de presença da Igreja

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) Regional Norte1 realiza de 11 a 13 de fevereiro no Xare (Manaus) sua assembleia, a primeira que acontece de modo presencial após a pandemia, segundo lembra Jussara Góes, Coordenadora do CIMI Regional Norte1, algo que considera muito significativo. A missionária do CIMI vê este momento como “fortalecedor depois de 4 anos de governo genocida anti indígena e agora com o novo governo”. Uma assembleia que busca discutir temas “que vão nos proporcionar encontrar caminhos para os próximos anos, principalmente na questão do fortalecimento da luta indígena, de esperança para os missionários do CIMI, fortaleza na luta e também na garantia e efetivação dos povos indígenas”. Ao longo da assembleia será apresentada a Conjuntura Política Indigenista e os desafios depois de 50 anos de caminhada do CIMI. Junto com isso a articulação e avanço do movimento indígena em âmbito regional. O encontro abordará as mudanças climáticas, a mercantilização da natureza e sua relação com os povos indígenas. A Coordenação Regional apresentará seu relatório que servirá como base para elaborar as prioridades e estratégias para a atuação do CIMI diante do cenário de desafios atual, elaborando a agenda a seguir. Na Assembleia do CIMI se fizeram presentes alguns dos Bispos do Regional Norte1. Dom Leonardo Steiner insistiu na importância de “uma assembleia celebrativa como memória, recordação do passado, mas também dos gestos importantes da missão que o CIMI exerceu e com isso também pensar no futuro do CIMI”. O Cardeal lembrou da situação dos tão difícil dos Yanomami, a quem ele visitou recentemente, “que fez o CIMI pensar em aprofundar a sua missão, serem missionários e missionárias junto aos povos originários levando sempre esperança, ajudando o povo a se organizar, buscado sempre de novo ser um sinal de presença da Igreja, sinal da presença do Evangelho, uma presença de ânimo”. O Arcebispo de Manaus lembrou da questão do Marco Temporal e de “buscar junto ao Supremo Tribunal Federal uma maneira de chegar ao julgamento final que terá repercussão na questão do Marco Temporal”, uma partilha muito rica “porque nós temos missionários e missionárias de todo o Regional Norte1”. Segundo Dom Leonardo, “essa partilha de experiências, momento celebrativo, momento de ação de graças sempre traz ânimo, sempre traz encorajamento para nunca perder de vista que estamos para servir”. O cardeal destacou que “mais uma vez foi repetida a palavra avancemos, avançar sempre, porque Jesus nos convida no Evangelho a buscar a profundidade de servir sempre”. “A Assembleia do CIMI ela tem uma importância muito grande porque Amazonas é o Estado que concentra maior população indígena do país, inclusive a maior diversidade cultural”, segundo Dom Edson Damian. Ele lembrou de sua Diocese, São Gabriel da Cachoeira que 90% são indígenas e pertencem a 23 povos diferentes e são faladas 18 línguas. Algo que o Presidente do Regional disse que “trata-se de um patrimônio étnico, linguístico, cultural e antropológico de primeira grandeza”. Segundo Dom Edson, “nossa Igreja está de mãos dadas com esses povos para preservar sua cultura, suas línguas e principalmente os territórios aos que eles têm direito porque vivem aqui desde tempos imemoriais”. Logo após a celebração dos 50 anos do Cimi, o Bispo insistiu em que “se não fosse o CIMI muitos povos indígenas teriam desaparecido literalmente do nosso país”. Ele destacou a importância do Ministério dos Povos Indígenas, a FUNAI e a SESAI totalmente administradas por eles. Ele chamou a “nos manter unidos e organizados, porque nossa democracia é muito fraca”, destacando que “os povos indígenas são para nós um testemunho de organização fantástica. Temos muito a aprender dos povos indígenas e caminhar com eles para que continuem nas suas lutas”. Um momento de “fazer memória, de celebração, de resistência, mas também de desafio”, segundo Gilmara Fernandes. A missionária do CIMI recordou a importância de “avaliar a caminhada de 50 anos e daí tirar os desafios para os próximos anos, o que a gente está vivenciando na atual conjuntura da política indigenista”, o que deve levar, depois de fazer uma análise da realidade e partilhar o trabalho das equipes, a tirar as prioridades para os próximos 3 anos no Regional Norte1. “Depois de 4 anos de retrocesso nós temos o desafio da reconstrução da política indigenista oficial, especialmente no que se refere a destravar todo o processo de demarcação dos territórios indígenas que foram travados nos últimos 4 anos”, afirmou Antônio Eduardo Oliveira. Segundo o Secretário Executivo do CIMI, “temos muitas pendências, represamentos das demarcações e isso faz com que aumente os conflitos nos territórios indígenas”. Desde o contato permanente com o movimento indígena, o CIMI quer “dar continuidade ao processo de mobilização, mesmo agora tendo essa recepção do Governo Federal com relação a uma maior participação deles no âmbito do executivo”. Segundo ele, “é necessário a continuidade do processo de mobilização para destravar toda uma legislação que foi construída contra os direitos dos povos indígenas no Brasil”. Ele lembrou da situação dos Yanomami, a invasão de territórios no Sul da Bahia, nos Munduruku e também em relação aos Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Por isso, ele destacou que “são questões que são urgentes para poder ser tomadas providências e aí vamos fazer essa carga no Governo Federal a partir da mobilização dos povos indígenas e recuperar o julgamento de repercussão geral que discute duas teses fundamentais para os povos indígenas, a tese do Marco Temporal, que é uma articulação da Bancada Ruralistas, dos setores ruralistas, para poder retirar direitos dos povos indígenas e a tese do Indigenato que a Constituição Federal já contempla”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Papa Francisco recebe Presidência da CNBB e pede perseverar na comunhão sinodal e proximidade, afirma Dom Mário Antônio da Silva

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), junto com os assessores e assessoras encerraram neste 9 de fevereiro sua visita aos Dicastérios da Cúria Romana e ao Papa Francisco realizada na última semana. “Uma visita de agradecimento e também de relatar para os Prefeitos e assessores de dicastérios os últimos quatro anos da Igreja no Brasil, sobretudo da atuação da Presidência juntamente com o episcopado brasileiro”, afirmou Dom Mário Antônio da Silva, que insistiu em que “não foi uma prestação de contas, mas foi uma partilha muito fraterna”, e mesmo com o frio enfrentado em Roma, num ambiente “muito caloroso, de muita receptividade”. Um momento de “muita acolhida, inclusive até um pouco de expectativa dos dicastérios, tendo em vista o momento eclesial do processo sinodal e tendo em vista também o momento social brasileiro, seja nas questões políticas, também nas questões sociais” destaca o 2º Vice-presidente do episcopado brasileiro. Ele vê na presença dos assessores e assessoras, “uma valorização dos leigos e leigas, da Vida Consagrada, dos demais ministros ordenados que se ocupam do serviço da CNBB”. No último dia da visita foi celebrada a Eucaristia junto ao túmulo de São Pedro, um momento que o Arcebispo de Cuiabá define como “reconhecimento e gratidão da Presidência em nome do episcopado aos assessores, em comunhão com toda a Igreja no Brasil”. Da audiência com o Papa, a quem Dom Mário Antônio define como “sempre muito paterno, mais ao mesmo tempo deixando espaço para a fraternidade e conversando conosco de irmão para irmão”, o 2º Vice-presidente da CNBB destaca “toda a preocupação da Igreja no momento com as questões do Sínodo e evidentemente tudo aquilo que circunda a nossa vida como cristãos e como cidadãos”. Segundo ele, “o Papa sempre muito preocupado em acompanhar cada momento da vida da Igreja em todos os países e mormente no Brasil, onde ele tem um grande conhecimento e tem realmente uma predileção tendo em vista a Igreja na Amazônia”. “O Papa Francisco, ele reconhece e agradece a comunhão da Igreja no Brasil a ele”, segundo Dom Mário Antônio da Silva, insistindo em que “a comunhão é mais do que uma admiração, é uma adesão aos seus ensinamentos e a suas propostas”. Um Papa “como sempre, muito atento na escuta, no discernimento para que o diálogo seja frutuoso, pediu de nós a responsabilidade, a corresponsabilidade de perseverar na comunhão e numa atuação sempre ascendente daquilo que a proposta do Sínodo para este momento ainda preparatório”. Também foi insistido pelo Santo Padre a necessidade da proximidade, “proximidade com Deus, proximidade entre nós Bispos, proximidade com o clero e Vida Consagrada, e uma proximidade exemplar com os cristãos leigos e leigas, mormente com aqueles que mais sofrem e com aqueles que por uma ocasião ou outra, talvez estejam afastados de nós”, destaco o Arcebispo de Cuiabá. Junto com isso, a recomendação clara e objetiva na “atuação junto aos nossos seminários, junto às comunidades eclesiais, fazendo com que a espiritualidade seja profunda, a vida comunitária bastante séria, saudável, através de uma missionariedade e uma pastoralidade que gere frutos e que sobretudo visibilize as bem-aventuranças do Evangelho”, enfatizou Dom Mário Antônio. ç Nos dicastérios, a Presidência da CNBB e seus assessores, puderam ouvir “as indicações para melhor atuação pastoral, missionária, também litúrgica na nossa Igreja, tanto no campo bíblico, litúrgico, como no campo pastoral, vocacional”, segundo o Arcebispo. Um momento que ele define como “uma experiência que nos faz crescer como pastores e ainda estarmos mais unidos e apaixonados pela Igreja no Brasil, na atuação que é prevista nas Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”. Uma visita que foi oportunidade para levar a Roma “o essencial da Igreja do Brasil para o coração do Papa e também de todos os dicastérios, que sempre estão atentos para o melhor prosseguimento da Igreja, seja no Brasil, seja em todo lugar”, fazendo assim crescer o “compromisso para com aquilo que já temos diante de nossos propósitos e propostas da Igreja para o Brasil”. Uma visita que acontece pouco antes de encerrar o quatriênio como Presidência da CNBB, algo que é visto por Dom Mário Antônio como “um dom de Deus que a gente agradece a toda a Igreja no Brasil pela comunhão e espírito de oração e adesão para conosco”. Reconhecendo “divergências e obstáculos que já enfrentamos e que certamente serão ainda enfrentados um longo tempo no Brasil infelizmente”, o 2º Vice-presidente da CNBB insiste em que “o saldo é muito positivo, de saber que nosso episcopado, mesmo na diversidade, comunga de uma união, de um consenso naquilo que a Presidência tem oferecido de textos e de atividades para toda nossa Igreja”. No decorrer da atual Presidência, o Arcebispo de Cuiabá destaca que “diálogo e comunhão, essa foi sempre uma grande preocupação nossa, porque o diálogo se faz entre diferentes, e até mesmo entre aqueles que divergem as opiniões buscando um consenso que vai gerar uma comunhão, senão absoluta, pelo menos num consenso de objetivo comum. Isso foi nosso esforço durante os últimos quatro anos”. Igualmente destaca como positivo a comunicação, afirmando que “não obstante várias questões ainda em andamento, a Presidência da CNBB procurou ser ágil na comunicação, até mesmo às vezes se antecipando em algumas questões que pudessem ocasionar rupturas entre o episcopado, sobretudo na atuação da Igreja neste momento eclesial e político vivenciado pelo Brasil nos últimos dois, três anos, e agora neste ano 2023”. Dom Mário Antônio da Silva ressalta a grande preocupação com a gestão, “que não é apenas econômica, mas que também se preocupa com as pessoas, não só os assessores, mas todos aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos com as atividades da nossa Conferência, indo além dos membros da Presidência”. Por isso, apesar das divergências, insiste em que “nós estamos vivendo um momento de comunhão, em preparação da próxima Assembleia Geral, que será eletiva, em abril em Aparecida (SP)”. Diante das expectativas, o 2º Vice-presidente reconhece que “nós da Presidência temos aí a gratidão de poder estar encerrando…
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