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Cardeal Koch: no caminho ecumênico, “o Batismo é a base da unidade e da sinodalidade”

O briefing deste dia 26 de outubro com os participantes da Assembleia Sinodal, podemos dizer que foi uma mesa ecumênica, com a presença do Cardeal Kurt Koch, Prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Sua Eminência Iosif, Metropolita Ortodoxo Romeno da Europa Ocidental e Meridional, Opoku Onyinah, delegado ao Sínodo das Igrejas Pentecostais, Catherine Clifford, Professora de Teologia Sistemática na Saint Paul University em Ottawa, e Mons. Stanislaw Gadecki, Arcebispo de Poznan e Presidente da Conferência Episcopal Polonesa. Trabalhando no Documento Síntese A Assembleia Sinodal está trabalhando no Documento Síntese. Na quarta-feira à tarde, quando a Carta ao Povo de Deus foi votada, com 336 a favor e 12 contra, e o Papa Francisco falou sobre o que ele entende por Igreja como Povo de Deus, houve intervenções livres, nas quais foi enfatizada a audácia missionária da Igreja, que se constitui como tal no anúncio do Evangelho, que não pode ser pensado fora da missão. Também foi enfatizada a importância do sensus fidei e das mulheres, sua capacidade de escutar e consolar, e o fato de que elas não podem ser objetos, mas sujeitos da Igreja. Antes do trabalho em círculos menores, foram compartilhados os critérios que estão presentes no documento, insistindo que se trata de um documento de transição e que ajuda a saber onde estamos e a retomar um caminho que começou em 2021 e vai até 2024. Um documento que ajuda a trilhar um caminho para todos, um documento que ilumina e ajuda a entender como caminhar juntos e buscar soluções compartilhadas, sem cair na tentação do clericalismo. Sínodo Ecumênico e Ecumenismo Sinodal A dimensão ecumênica, que remonta ao Concílio Vaticano II, é importante na história dos sínodos, enfatizou o Cardeal Koch, lembrando que o batismo é a base da unidade e da sinodalidade, e que todas as igrejas têm estruturas de sinodalidade, algo em que as Igrejas Ortodoxas se destacam. A reflexão sobre a dimensão ecumênica esteve presente na preparação do Sínodo, lembrando a Vigília Ecumênica de 30 de setembro, com representantes de várias Igrejas. Recordando as palavras do Santo Padre, o Cardeal suíço sublinhou que este Sínodo deve ser ecumênico e que o ecumenismo deve ser sinodal. O representante ortodoxo saudou o convite do Papa para um processo que tem interesse no trabalho sinodal, que está muito presente na Igreja Ortodoxa. Nesse campo ecumênico, passamos de relações difíceis para relações fraternas, pois todos buscamos o que nos une, o que temos em comum, destacou. Um ecumenismo presente na vida de muitas famílias, que ele vê como experiências que ajudam a entender que a unidade em torno de Cristo é possível. Para o ganês Opoku Onyinah, que destaca o fato de a Assembleia Sinodal ser uma experiência muito aberta, com uma metodologia que incentiva a participação de todos, o convite do Papa a outras igrejas representa uma atitude de humildade. Em suas palavras, ele destacou a mistura entre os bispos e outras pessoas nos círculos menores e o fato de que cada contribuição é considerada de igual importância, o que ele vê como um sinal de maturidade. Ele também disse que ficou impressionado com a espiritualidade do Sínodo, sendo capaz de ouvir o sopro do Espírito no discernimento. Por fim, ele definiu o Sínodo como uma tentativa de eliminar as divisões para unir os cristãos à maneira de Cristo. Encontrando consenso pacificamente O Arcebispo de Poznan, que está participando de seu quinto Sínodo, disse que ficou surpreso com a metodologia do Sínodo, que ajudou a superar conflitos e, com o sopro do Espírito, a encontrar pacificamente um ponto de consenso. Portanto, ele mostrou como esse método de conversação sob a influência do Espírito, que ajuda a estabelecer diálogos, conversas pacíficas para aliviar problemas, poderia ajudar a resolver conflitos globais, a evitar o confronto entre culturas e civilizações, chamando a caminhar não na direção do confronto e do desacordo, mas na direção do diálogo e da boa vontade. Essa também é uma posição importante no diálogo ecumênico, definindo o caminho sinodal como um processo em direção à unidade. A teóloga canadense destacou a presença da sinodalidade no Magistério do Papa Francisco desde 2013, insistindo que a Igreja Católica tem muito a aprender com a Igreja Ortodoxa em termos da prática da sinodalidade, um elemento aprofundado na Evangelii Gaudium. O ecumenismo tem sido importante no processo de escuta no Canadá, insistindo na participação de todos os fiéis e batizados, incentivando a participação plena em todos os níveis da vida da Igreja, vendo a sinodalidade como um paradigma para o caminho comum, pois a fé em Jesus é muito mais ampla. Levar a sério a igual dignidade de todos os batizados Em resposta à intervenção do Papa na Sala do Sínodo, onde ele insistiu em uma Igreja como povo de Deus e em sua crítica às batinas e chapéus ou alvas e túnicas com rendas, Catherine Clifford insistiu que nos últimos 30 anos houve conversas muito importantes entre os teólogos sobre a compreensão da Igreja, enfatizando a importância de lembrar o ensinamento do Vaticano II sobre a Igreja como comunhão e povo de Deus, uma eclesiologia que ela definiu como muito bíblica e compartilhada com outras Igrejas cristãs que ajuda a crescer em uma compreensão comum da Igreja. Com o objetivo de ajudar os seminaristas a se sintonizarem com a cultura sinodal da Igreja, a teóloga enfatizou a importância da formação para a compreensão da Igreja como um corpo sinodal que leva a sério a igual dignidade de todos os batizados. De acordo com Dom Gadecki, essa formação tem sido prolongada, buscando trabalhar a formação a partir das diferentes ciências, buscando aprender uma nova forma de diálogo, um novo estilo de se relacionar com os outros, chamando a, sem cair no mundanismo, estar em contato com a vida das famílias e a introduzir as mulheres no caminho formativo e a não se distanciar do mundo real. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Francisco, o Papa comprometido em concretizar uma Igreja Povo de Deus

Um dos grandes legados do Concílio Vaticano II foi a concepção da Igreja como o Povo de Deus, uma imagem muito presente no pensamento do Papa Francisco, que está sempre determinado a fazer com que as decisões do último Concílio sejam adotadas na Igreja. Ele está ciente da dificuldade, mas permanece firme em seu propósito e não perde uma oportunidade de mostrar sua posição. Um forte chamado de atenção O que ele experimentou na quarta-feira, durante a 18ª Congregação Geral da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, pode ser definido como um claro chamado de atenção, por causa do tom, com aquele tom “portenho” que ele usa quando quer deixar as coisas claras, e por causa do momento em que o fez, antes do início das discussões sobre o Documento de Síntese que dará a conhecer os elementos presentes nesta primeira sessão da Assembleia Sinodal, que começou em 4 de outubro e será encerrada no domingo, dia 29. Parece que teve gente que ficou engasgada com as palavras. Podemos imaginar os rostos daqueles que experimentam “batinas e chapéus ou alvas e vestes de renda” nas alfaiatarias eclesiásticas de Roma. O fato de Francisco não gostar de tais coisas ficou claro em sua aparição pública logo depois de ser eleito Papa, uma posição que ele expressou repetidamente, apesar da pouca atenção que alguns, também presentes na Sala do Sínodo, dão a isso. O flagelo do clericalismo Palavras com as quais ele quer combater o clericalismo, do qual ele disse muitas vezes que é um pecado, ressaltando que “é um chicote, é um flagelo, é uma forma de mundanismo que contamina e danifica o rosto da esposa do Senhor; escraviza o santo povo fiel de Deus”. Um clericalismo que se traduz em uma Igreja que é “o supermercado da salvação”, onde os sacerdotes são “meros empregados de uma multinacional”. O Sínodo da Sinodalidade quer promover “a Igreja como o povo fiel de Deus, santo e pecador”, a Igreja que Francisco gosta de pensar. A grande questão é o poder, quem está no comando, quem decide e o método usado para isso. Não se trata de uma questão de autoridade, o problema é o poder ao qual alguns se apegam para que a vontade deles, e não a de Deus, seja feita. Uma Igreja na qual as pessoas se empurram, pisam umas nas outras, se acotovelam para poder subir na escada, para poder comandar, não para servir. A Igreja de comando e controle Nessa Igreja de ordem e controle, “o povo simples e humilde que anda na presença do Senhor (o povo fiel de Deus)” é deixado para trás, é ignorado, só interessa como mão de obra barata. O “povo santo e fiel de Deus” a caminho, santo e pecador, não conta quando se trata de tomar decisões, não é ouvido, porque é considerado ignorante. Eles não estão interessados em como acreditam, mas no que acreditam, na Doutrina em detrimento da Caridade, presente na viúva pobre do Evangelho. Todos nós, inclusive os membros da hierarquia, somos batizados e deve ser o batismo o sacramento fundamental. Uma Igreja de homens e mulheres que se expressa em “dialeto feminino“, uma Igreja da qual Francisco diz ser mulher e é desafiada a assumir as atitudes das mulheres, pois “a mulher do povo santo e fiel de Deus é um reflexo da Igreja. A Igreja é feminina, ela é esposa, ela é mãe”. Assumindo a Igreja como o povo santo e fiel de Deus Quando realmente descobriremos a necessidade de uma Igreja Povo de Deus, uma Igreja em que o batismo nos torna iguais? Quando deixaremos para trás uma Igreja em que alguns ministros “maltratam o povo de Deus, desfiguram a face da Igreja com atitudes machistas e ditatoriais”? Quando pediremos perdão por tanto desprezo, maus-tratos e marginalização pelo clericalismo institucionalizado? A esperança é que este Sínodo, especialmente o tempo que transcorrerá entre as duas sessões da Assembleia, possa nos ajudar a assumir a Igreja de que Francisco gosta, a Igreja que é o povo santo e fiel de Deus. Isso exigirá o envolvimento de todos os batizados e batizadas, mas também que aqueles que puderem fazê-lo sejam aspersores e não funis. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Francisco denuncia as atitudes machistas e ditatoriais dos ministros ordenados em uma Igreja que é feminina

Em uma daquelas intervenções tão típicas de Francisco, na Congregação Geral, na tarde desta quarta-feira 25 de outubro, ele se dirigiu aos participantes da Assembleia Sinodal, que estavam iniciando a análise do Documento Síntese. “Gosto de pensar na Igreja como o povo fiel de Deus, santo e pecador, um povo chamado e convocado com a força das bem-aventuranças e de Mateus 25″, começou. Um povo simples e humilde que caminha com o Senhor Lembrando a atitude de Jesus, que “não assumiu nenhum dos esquemas políticos de seu tempo”, nem nenhuma “corporação fechada”, ele insistiu em uma Igreja “como esse povo simples e humilde que caminha na presença do Senhor (o povo fiel de Deus)”, enfatizando a ideia do “povo santo e fiel de Deus” a caminho, santo e pecador, definindo assim a Igreja. Sua infalibilidade é vista pelo Papa como uma das características desse povo, “é infalível in credendo“, explicando-o claramente: “quando você quiser saber o que a Santa Madre Igreja acredita, vá ao Magistério, porque ele é encarregado de ensiná-lo a você, mas quando você quiser saber como a Igreja crê, vá ao povo fiel”. Consciência da dignidade batismal Ele lembrou a imagem do povo fiel reunido na entrada da Catedral de Éfeso, pedindo aos bispos que declarassem dogma a verdade que eles já possuíam como povo de Deus, Maria, Mãe de Deus. A partir daí, ele deixou claro que “o povo fiel, o santo povo fiel de Deus, tem uma alma, e como podemos falar da alma de um povo, podemos falar de uma hermenêutica, de uma maneira de ver a realidade, de uma consciência. Nosso povo fiel tem consciência de sua dignidade, batiza seus filhos, enterra seus mortos”, talvez uma advertência àqueles que, mesmo na Sala Sinodal, estão determinados a não tornar realidade uma Igreja baseada no Sacramento do Batismo e não no Sacramento da Ordem Sagrada. Ele deixou claro que “nós, membros da hierarquia, viemos dessas pessoas e recebemos a fé dessas pessoas, geralmente de nossas mães e avós”, enfatizando a importância de “uma fé transmitida em um dialeto feminino“. Francisco destacou que a fé “foi transmitida em um dialeto, e geralmente em um dialeto feminino. Isso só acontece porque a Igreja é Mãe e são exatamente as mulheres que melhor a refletem”. Mulheres corajosas O Papa vê as mulheres como “aquelas que sabem esperar, que sabem descobrir os recursos da Igreja, do povo fiel, que arriscam além do limite, talvez com medo, mas corajosas, e no claro-escuro de um dia que está começando, elas se aproximam de um túmulo com a intuição (ainda não esperança) de que pode haver alguma vida”. “A mulher do povo santo e fiel de Deus é um reflexo da Igreja. A Igreja é feminina, é esposa, é mãe”, assinalou, denunciando que “quando os ministros vão longe demais em seu serviço e maltratam o povo de Deus, desfiguram o rosto da Igreja com atitudes machistas e ditatoriais“, recordando a intervenção da Ir. Liliana Franco. Ele também expressou sua tristeza por “encontrar em alguns escritórios paroquiais a ‘lista de preços’ dos serviços sacramentais à maneira de um supermercado”. Não a uma Igreja empresa de serviços diversos Por isso, disse que “ou a Igreja é o povo fiel de Deus a caminho, santo e pecador, ou acaba sendo uma empresa de serviços diversos. E quando os agentes pastorais seguem esse segundo caminho, a Igreja se torna o supermercado da salvação e os padres meros funcionários de uma multinacional. Essa é a grande derrota a que o clericalismo nos conduz. E isso com grande tristeza e escândalo”, denunciando o escândalo dos jovens padres que experimentam batinas e chapéus ou alvas e vestes cobertas de renda. “O clericalismo é um chicote, é um flagelo, é uma forma de mundanismo que contamina e danifica o rosto da esposa do Senhor; escraviza o povo santo e fiel de Deus”, ressaltou o pontífice. Diante dessas atitudes, “o santo povo fiel de Deus segue em frente com paciência e humildade, suportando o desprezo, os maus-tratos e a marginalização por parte do clericalismo institucionalizado“, denunciou Francisco, que concluiu com uma nova denúncia, ao dizer que “com que naturalidade falamos dos príncipes da Igreja, ou das promoções episcopais como ascensão na carreira! Os horrores do mundo, o mundanismo que maltrata o povo santo e fiel de Deus”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Uma Carta de homens e mulheres sentados à mesma mesa, em virtude de seu batismo, para discutir e votar como Assembleia Sinodal

Uma Carta da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, dando “graças a Deus pela bela e rica experiência que acabamos de viver”, foi lançada em 25 de outubro. Um tempo “vivido em profunda comunhão“, com toda a Igreja, agradecendo pelas orações e mostrando a presença na sala sinodal das expectativas, perguntas e temores presentes no povo de Deus. Uma experiência sem precedentes Relembrando o “longo processo de escuta e discernimento, aberto a todo o povo de Deus“, vivido ao longo de dois anos, o documento ressalta a importância da experiência vivida desde 30 de setembro, dia em que ocorreu a oração Together e os membros da Assembleia partiram para o retiro de três dias. Uma experiência que é definida como sem precedentes, destacando que “pela primeira vez, a convite do Papa Francisco, homens e mulheres foram convidados, em virtude de seu batismo, a se sentar à mesma mesa para participar não apenas das discussões, mas também da votação desta Assembleia do Sínodo dos Bispos”. Desse caminho conjunto, destaca-se a escuta da “Palavra de Deus e da experiência dos outros”, por meio do método da conversa no Espírito, com o qual “compartilhamos humildemente as riquezas e as pobrezas de nossas comunidades em todos os continentes, tentando discernir o que o Espírito Santo quer dizer à Igreja hoje“. A importância da presença de outras Igrejas é relatada, em uma assembleia realizada em um mundo em crise, com guerras em países de onde vêm alguns dos membros do Sínodo. Escuta respeitosa O texto relata a oração pelas vítimas de violência homicida, pelos migrantes, mostrando solidariedade e compromisso com aqueles que “atuam como artesãos da justiça e da paz”. Ele destaca a importância do silêncio, seguindo o convite do Santo Padre, “para promover entre nós a escuta respeitosa e o desejo de comunhão no Espírito“. O mesmo se aplica à vigília ecumênica de abertura, buscando a unidade em torno da Cruz, confiando “a nossa casa comum, onde o grito da terra e o grito dos pobres ressoam com uma urgência cada vez maior”. Uma Assembleia Sinodal que pediu “conversão pastoral e missionária“, em uma Igreja da qual os sem-teto dizem esperar o Amor, que “deve permanecer sempre o coração ardente da Igreja, o amor trinitário e eucarístico”. Algo que deve ser feito com confiança, lembrando as exortações emitidas durante a Assembleia Sinodal. Maior participação no período entre as duas sessões Com relação ao período entre as duas sessões da Assembleia, espera-se que todos participem “do dinamismo da comunhão missionária indicada na palavra sínodo”, insistindo que “não se trata de uma ideologia, mas de uma experiência enraizada na Tradição Apostólica”. Portanto, espera-se que, diante dos desafios e das perguntas, “o relatório-síntese da primeira sessão esclareça os pontos de acordo alcançados, destaque as questões em aberto e indique como continuar o trabalho“. Para progredir em seu discernimento, o texto reconhece que “a Igreja precisa absolutamente escutar a todos, começando pelos mais pobres”, o que significa “escutar aqueles que não têm o direito de falar na sociedade ou que se sentem excluídos, também da Igreja. Escutar as pessoas que são vítimas de racismo em todas as suas formas, em particular em algumas regiões de povos indígenas cujas culturas foram humilhadas”, e “escutar, em um espírito de conversão, aqueles que foram vítimas de abusos cometidos por membros do corpo eclesial, e comprometer-se concreta e estruturalmente para que isso não aconteça novamente”. Uma escuta que deve ser estendida aos leigos: catequistas, crianças, idosos, famílias. Uma Igreja chamada a “acolher as vozes daqueles que desejam se envolver em ministérios leigos ou em órgãos participativos de discernimento e tomada de decisões“. Uma escuta à qual não podem estar ausentes os ministros ordenados e a vida consagrada, nem mesmo aqueles que não compartilham a fé, mas que buscam a verdade. Relembrando as palavras do Papa Francisco, nas quais ele nos lembra que “o caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”, a carta nos incentiva a não ter medo de responder a esse chamado. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Nora Kofognotera Nonterah: “Uma Igreja sinodal deve estar preparada para sentar-se com as leigas do Sul do mundo”

Em meio a dois cardeais e um bispo, a força profética do briefing de 25 de outubro veio da voz de uma mulher leiga, Nora Kofognotera Nonterah, uma das duas leigas africanas presentes na Assembleia Sinodal e uma das poucas teólogas leigas africanas. Isso em um dia em que a Assembleia Sinodal recebeu a Carta ao Povo de Deus, que relata a experiência vivida, e o Documento Síntese, um texto de 40 páginas, que será estudado e debatido pessoalmente e em círculos menores nos próximos dias, antes de ser votado no próximo sábado. Um encontro de diversidade A teóloga leiga africana, que vê no atual Sínodo “uma grande fonte de inspiração”, um espaço de “encontro da diversidade, um momento de relacionamento com as pessoas, culturas, tradições diferentes, um encontro com o Espírito Santo“, enfatizando que “conversas muito profundas podem ser mantidas com pessoas que têm experiências diferentes”, destacando o fato de que pessoas diferentes “sentam-se ao redor da mesma mesa porque querem falar sobre questões que são importantes para todos”. A teóloga enfatizou que “me senti muito ouvida como leiga, como mulher e como africana“. Isso em uma Igreja que “infelizmente não soube como transmitir a voz única do sopro de Deus, que não soube como se enriquecer com a sabedoria que vem dos leigos, dos religiosos da África”. Em sua primeira participação em um Sínodo, ela disse que havia chegado com esperança, alegria, queixas que haviam chegado a ela em seu país, “mas também com resiliência, com a resiliência das mulheres africanas, dos leigos e de toda a Igreja como um todo”, denunciando que “em alguns casos a Igreja não consegue se sentar à mesa onde questões muito importantes são discutidas com base em experiências existenciais”. Mulheres que ensinam a Igreja a ser uma mãe para todos Diante disso, ela insistiu que “uma Igreja sinodal deve estar preparada para sentar-se com as mulheres, especialmente com as mulheres leigas que vêm do Sul do mundo, para aprender a renovar o pensamento da Igreja, um pensamento orientado para o Espírito Santo, que nos dá uma abundância de vida para todos”. Em suas palavras, inspiradas no papel maternal de Maria, ela disse que “as mulheres africanas podem ensinar à Igreja como ser mãe de todos”. A partir daí, ela definiu a sinodalidade como “a melhor maneira de viver a Igreja e pode fornecer um testemunho autêntico do Evangelho“. Para isso, enfatizou a importância da conversa no Espírito que “sempre nos convida a celebrar nossas diferenças, não a escondê-las, é importante reconhecê-las”. Ele também pediu a promoção da participação dos leigos nas diferentes áreas da teologia, uma prática em uma Igreja sinodal, que ajuda a construir uma Igreja melhor baseada no Batismo e, assim, criar uma consciência de corresponsabilidade, que ele considera ser a base da sinodalidade. Permitir que as mulheres contribuam para os processos de tomada de decisão Com relação às mulheres na África, ela enfatizou que são elas que são as construtoras, que constituem o ponto de força da missão da Igreja por meio das muitas atividades que realizam em todos os níveis da Igreja, afirmando que “quando as mulheres participarem mais dos processos de tomada de decisão dentro da Igreja, será possível enriquecer a Igreja com suas contribuições”, algo iniciado pelo Papa Francisco. A partir daí, ela disse estar esperançosa de que “a sinodalidade pode nos ajudar a descobrir a necessidade do papel das mulheres na governança e nas estruturas de tomada de decisão na Igreja em todos os níveis“. Ele também enfatizou a necessidade de priorizar a educação de mulheres e jovens no continente africano, insistindo na importância de reconhecer a importância das mulheres. Uma Igreja sinodal é um dos métodos mais eficazes para ajudar na prevenção de abusos, já que, diante do medo das crianças de falar, a sinodalidade pode ajudar as famílias a praticar a escuta, para que as crianças percebam a importância de falar livremente em família, sem medo, nas igrejas domésticas sinodais. Entendendo a vontade do sopro do Espírito O Cardeal Prevost, prefeito do Dicastério dos Bispos, destacou a contribuição de Santo Agostinho, contando elementos presentes no pensamento agostiniano em relação à sinodalidade. Uma experiência de sinodalidade que ele viveu como bispo em Chiclayo, com assembleias com espírito sinodal para promover a vida da Igreja que ele vê muito presente na América Latina. No processo sinodal, ele enfatizou a importância de ouvir a todos, da conversa espiritual, que ajuda a “descobrir com mais profundidade o que somos chamados a fazer, a entender a vontade do sopro do Espírito“, que nos ensina a confiar mais em Deus, a trabalhar juntos, a buscar soluções para responder às necessidades do mundo de hoje. Uma sinodalidade que está cada vez mais presente na eleição dos bispos, com as religiosas e os leigos sendo ouvidos nas consultas, com a presença de religiosas e uma leiga entre os membros do Dicastério Episcopal, destacou o prefeito. Uma Assembleia Sinodal na qual há opiniões diferentes, mas não divisões, há perspectivas diferentes que lançam luz sobre a comunidade, não houve divisões, algo importante dada a grande diversidade. Necessidade de maior participação Na África Central, um país marcado pela guerra, o Cardeal Dieudonn Nzapalainga enfatizou a importância de todos terem se unido na busca pela paz. Ele descreveu o Sínodo como “um momento importante em que criamos um silêncio dentro de nós mesmos e ouvimos os outros para que o Espírito possa nos falar. Um momento para captar o belo, para descobrir a riqueza, a beleza do outro. Nestes dias, colhemos muita beleza em prol de um sonho, a Igreja de amanhã, que não é concebida por um só”. Dom Timothy Broglio, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, onde o Papa Francisco e a sinodalidade não encontram muitos aliados, disse que havia aprendido com a Assembleia Sinodal as formas como a fé é vivida em todo o mundo, as diversas experiências da Igreja, colocando a escuta como a chave, a ponto de dizer que “se ouvíssemos mais, poderíamos ter um mundo mais respeitoso”.…
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A Assembleia Sinodal começa a decidir o que fazer daqui para frente

A cinco dias do final da primeira sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, três dias de trabalho na quarta-feira, quinta-feira e sábado, um dia de descanso na sexta-feira e a Eucaristia final no domingo, os 365 membros do Sínodo enfrentam dias nos quais será decidido o caminho a seguir no processo sinodal. Um caminho para continuar Cada vez mais vozes estão enfatizando a importância dos onze meses que se passarão entre as duas sessões da Assembleia Sinodal, e esse caminho deve ser indicado nos dias que faltam para o encerramento da primeira sessão da Assembleia, e os sinais que indicarão o caminho a seguir devem ser o conteúdo fundamental do Documento Síntese. Um primeiro esboço do Documento de Síntese, cujos detalhes finais foram acordados na reunião de terça-feira, 24 de outubro, foi preparado pela Comissão para o Relatório de Síntese, que inclui o Cardeal Mario Grech, Secretário Geral do Sínodo, o Padre Riccardo Battocchio, Secretário Especial, os eleitos pelas sete regiões: os Cardeais Ambongo, Aveline, Lacroix, os bispos, Azuaje, Mackinlay, Khairallah, o padre Davedassan; e os três membros por nomeação pontifícia: Cardeal Marengo, Irmã Patricia Murray e Padre Giuseppe Bonfrate. Trabalho pessoal e trabalho nos Círculos Menores Na Congregação Geral desta quarta-feira de manhã, após a oração de abertura e um momento de meditação, o esboço do Relatório Síntese será apresentado pelo Relator Geral, Cardeal Hollerich, e os membros da Assembleia Sinodal terão tempo para leitura pessoal e oração. Após esse trabalho individual, na Congregação Geral, na tarde de quarta-feira, os membros da Assembleia Sinodal terão a oportunidade de fazer intervenções livres sobre o esboço do Relatório Síntese. Na quinta-feira de manhã, o trabalho será feito em círculos menores, que trabalharão no esboço do Relatório de Síntese, que será entregue à Secretaria. À tarde, serão coletadas propostas sobre os métodos e as etapas da próxima fase do processo sinodal, antes da segunda sessão. Com as contribuições de quarta e quinta-feira, na sexta-feira a comissão acima mencionada elaborará a versão final do Documento de Síntese, que será lido na Assembleia Sinodal no sábado de manhã, para ser votado ponto a ponto no sábado à tarde, concluindo assim o trabalho da primeira sessão, que será encerrada no domingo de manhã com uma missa. Trazendo de volta o que foi experimentado e retomando os passos já dados Deve-se enfatizar que este é um trabalho de grande importância para o processo sinodal. Não nos esqueçamos de que a grande maioria dos membros da Assembleia Sinodal está lá representando as conferências episcopais e as sete regiões nas quais a Etapa Continental foi dividida, juntamente com os membros de nomeação pontifícia e aqueles que participam em virtude de seu cargo na Cúria Romana. Quando alguém é um representante, ele tem a obrigação moral de trazer de volta o que foi vivido por aqueles que ele representa, mas também de retomar os passos dados. Isso significa ser uma Igreja sinodal, caminhar junto, escutar, dialogar, discernir em comunidade. Uma tarefa coletiva que será mais rica quando o leque de participação for ampliado. Antes da primeira sessão, muitas pessoas participaram de um trabalho que deu frutos. Agora é hora de concretizar, de encontrar a melhor maneira de decidir para onde ir daqui para frente. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Documento de Síntese: uma semente que dará frutos se for cuidada e fertilizada

O cuidado com a semente é essencial para que ela germine, e esse é o grande desafio dos próximos 11 meses. Nesse período de gestação, de espera ativa, que o Padre Timothy Radcliffe destacou no início de uma semana que é de grande importância para que o atual processo sinodal se concretize, para que a Igreja se torne mais sinodal, para que a sinodalidade se torne concreta, é decisivo encontrar a maneira de fazê-lo. Trabalho nas igrejas particulares Sinodalidade significa caminhar juntos e, para isso, é essencial encontrar uma direção comum, algo que não é fácil quando falamos da Igreja Católica, que é universal, que se encarna nas mais variadas realidades e culturas. Será nas igrejas particulares que a semente que será plantada com o Documento de Síntese poderá germinar, brotar e crescer. É verdade que o poder do Espírito é importante para isso, mas também é verdade que o cuidado do agricultor não pode ser ignorado. Neste momento histórico em que estamos vivendo, somos os agricultores, e é necessário usar as ferramentas à nossa disposição, os fertilizantes necessários, para podermos produzir cem vezes mais. Esses são os elementos que devem estar presentes no Documento de Síntese que a Assembleia Sinodal elaborará e que será divulgado no sábado, 28 de outubro, quando o trabalho iniciado no dia 4 será concluído. Palavras positivas de esperança Muitos dos presentes na Sala Paulo VI enfatizaram que esta foi uma assembleia sinodal diferente, e isso por causa do método de conversa no Espírito que foi usado como forma de discernimento, um momento de “palavras positivas, palavras de esperança“, de acordo com o Padre Radcliffe, que as definiu como “sementes que são lançadas no solo da Igreja”. Palavras que não podem ser lançadas em ouvidos surdos, que devem fazer seu trabalho em cada pessoa batizada, mas também em toda a Igreja, pois somente assim darão frutos. Um Documento de Síntese que deve indicar clara e explicitamente para onde ir, os tópicos a serem estudados em profundidade, seja porque há um consenso de que devem ser estudados em profundidade, seja porque geram debate e divisão. Também é decisivo, se quisermos avançar em uma Igreja sinodal, encontrar mecanismos para esse tempo de espera ativa que possibilitem o intercâmbio no debate, inclusive entre continentes. No final, as decisões serão tomadas pela Assembleia Sinodal como um todo, e o processo de discernimento comunitário será facilitado na medida em que o progresso já tiver sido feito. É um momento de reflexão, de descoberta dos sinais do amor de Deus neste momento da história. É um momento de esperar pelo Deus que vem ao nosso encontro e, para isso, é decisivo aguçar nossos sentidos, estar na sintonia certa que nos permita sintonizar e, assim, ouvir sua voz de forma sintonizada. Uma voz que está presente quando menos esperamos, onde menos esperamos e naquele nem sempre foi ouvido. É uma questão de estarmos abertos a essa voz de Deus que nos fala em um sussurro, no pequeno, no vulnerável. Sejamos bons agricultores para cuidar da semente que Deus nos confiou. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Aguiar: “Tudo vai depender de colocar em prática o que estamos aqui dizendo que a Igreja deve ser”

Três cardeais, Schönborn, Aguiar e Aveline, e a Irmã Samuela Maria Rigon foram os participantes da primeira coletiva de imprensa da última semana da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, que concluirá sua primeira sessão no próximo domingo com a celebração de uma Eucaristia na Basílica de São Pedro. Uma semana em que o trabalho está centrado no Documento de Síntese e na Mensagem ao Povo de Deus, cujo esboço foi apresentado à assembleia na segunda-feira e que será aprovado e publicado na quarta-feira. Fé, esperança e caridade como frutos O Cardeal Christoph Schönborn vê o Sínodo como o melhor de sua vida, devido à disposição dos participantes e porque está funcionando de forma muito positiva. Quanto aos frutos, ele espera que, seguindo o exemplo do Concílio Vaticano II, seja colhido um aumento na fé, na esperança e na caridade. Um Sínodo que, mais de 50 anos após a instituição do Sínodo dos Bispos, tem como objetivo como viver a comunhão na Igreja, uma comunhão com Deus que está aberta a todos os homens e mulheres. O Arcebispo de Viena enfatizou que “a sinodalidade é a maneira pela qual podemos viver a comunhão“. O ponto focal é a visão da Igreja na Lumen Gentium, onde se diz que a Igreja é Mistério, a Igreja é o povo de Deus, como anterior à hierarquia, insistindo que a base da sinodalidade é o Batismo. O Cardeal refletiu sobre como as Conferências Episcopais Europeias estão atrasadas nas estruturas de sinodalidade em relação a outros continentes, destacando a sinodalidade presente nas Igrejas Orientais, algo explícito neste Sínodo, que têm essa dimensão em seu coração, que é visível na assembleia dos fiéis. Um percurso sinodal que o Cardeal Carlos Aguiar abordou na perspectiva da transmissão da fé, recordando a sua primeira participação num sínodo, o da Nova Evangelização em 2012, a que se seguiram o Sínodo da Juventude e o Sínodo da Amazônia. Não se deixar abater por coisas pequenas O Cardeal Aveline, Arcebispo de Marselha, disse que chegou ao seu primeiro Sínodo com emoções diferentes, com um sentimento de curiosidade, diante de pessoas vindas de todo o mundo, mas que depois de um mês descobriram muitas coisas juntas. Um Sínodo em um mundo em crise, que neste mês se agravou. Em vista disso, ele conclamou a Igreja a não se prender a coisas pequenas, mas a assumir a responsabilidade e levar o amor de Deus ao mundo. O cardeal francês refletiu sobre a falta de participação no processo sinodal em seu país, sobre o método de conversação no Espírito, que mostra que temos uma responsabilidade comum no batismo, e sobre a importância de poder falar livremente. Enfatizando a importância desta última semana para chegar a um acordo sobre as questões restantes, ele pediu arregaçar as mangas e começar a trabalhar. Ele também insistiu na importância dos 11 meses entre as duas sessões da assembleia para que a semente germine, “um período em que temos que ser todos ouvidos, para escutar o que está brotando“, concluiu. A Ir. Rigon, apesar de sua resistência inicial, vê sua participação como “um chamado de Deus para servir à nossa Igreja. Fazer minha contribuição como mulher batizada e consagrada está me fazendo tocar com minhas mãos a universalidade da Igreja, a origem de situações que muitas vezes não são faladas, a experiência da universalidade”. Com humildade, ela disse sentir que “posso contribuir com meu grão de areia e estamos construindo um mosaico muito bonito”. De acordo com a religiosa, “estamos recebendo uma semente importante e Deus a ajudará a crescer em nós e por meio de nós“. Lembrando as palavras de São Francisco de Assis: “hoje começo a ser um cristão diferente”, ela disse que via isso como algo que nos ajudaria a transformar a face da Igreja e oferecer a face misericordiosa e amigável de Jesus. Colocando isso em prática O Cardeal Aguiar insistiu que “se colocarmos em prática o que já definimos, discutimos e vivemos aqui, há um caminho a seguir. Se não o fizermos, se apenas ouvirmos e não levarmos isso para o nosso cotidiano, para as nossas responsabilidades, nada acontecerá. Portanto, tudo dependerá de nós quando voltarmos às nossas dioceses e colocarmos em prática o que estamos dizendo aqui que a Igreja deve ser”. Na mesma linha, o cardeal Schönborn insistiu que esse método, com diferentes variantes, “são elementos-chave que mudam de maneira fundamental a situação da Igreja hoje“. Um método que ele propõe como uma maneira específica de resolver os problemas da guerra no mundo, pedindo que um método sinodal, com escuta e intercâmbio, seja adotado pelas Nações Unidas para avançar. A escuta é o ponto chave Um método no qual, de acordo com a religiosa italiana, “o cerne da questão é escutar“, um aspecto que não podemos negligenciar em todos os níveis da vida e da Igreja. Por esse motivo, ela disse que apreciou muito “o fato de que todos pudemos falar e ser ouvidos”, definindo-o como muito construtivo, sem esquecer que o primeiro mandamento da Bíblia é “Escuta Israel”. Um Sínodo no qual o Cardeal Schönborn não vê nenhum problema na participação de não-bispos, porque o Sínodo “é um exercício do Povo de Deus“, em comunhão com o Papa, com os bispos e com os fiéis da Igreja. Um exercício como Povo de Deus que está “enraizado na corresponsabilidade colegial para o bem da vida da Igreja”, uma experiência muito positiva. De fato, ele destacou que o sínodo sempre incluiu peritos leigos, lembrando as intervenções de peritos leigos que foram cruciais para o sínodo. O arcebispo de Viena disse que é uma pena que os cristãos não estejam unidos, mas sabemos que se os cristãos usassem bem a unidade, seria possível encontrar mais força. Uma unidade na qual, para o Cardeal Aguiar, não devemos nos surpreender com a diversidade, as formas, os contextos são diferentes, mas todos com o mesmo critério. Uma unidade que esteve presente na oração ecumênica do dia 30 de setembro, segundo o Cardeal Aveline, afirmando que o…
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A Assembleia Sinodal prepara a Síntese para onze meses de gravidez, de espera ativa

A primeira sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade está entrando em sua última semana, na qual a redação da Mensagem ao Povo de Deus e, sobretudo, do Documento de Síntese serão o foco dos trabalhos, que começaram com uma Eucaristia na Basílica de São Pedro e um momento de reflexão na Sala Paulo VI. Encarnando um caminho sinodal de fé A missa foi presidida pelo Cardeal Charles Bo, Arcebispo de Rangoon, Mianmar, e Presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC). Em sua homilia, ele começou refletindo sobre a busca espiritual da humanidade desde que Adão e Eva escolheram “um caminho envolto em trevas”, insistindo que “Deus nunca abandona seu povo“. Na vida, “somos chamados a nos aventurar no desconhecido, guiados por nossa fé inabalável”, disse o Cardeal Bo, que vê Deus como “nosso guia, nosso roteiro e nosso companheiro”, e a Igreja, seguindo o exemplo de Abraão, como aquela que “é chamada a ser justa, a encarnar uma jornada sinodal de fé com a convicção de que Deus nunca erra“, pedindo inspiração em Moisés e para entender que “mesmo que não cheguemos ao destino pretendido, participar da jornada já é uma bênção”. Isso porque “essa jornada sinodal é intergeracional” e, pessoalmente e como Igreja, somos desafiados a nos alinhar com a vontade de Deus. Relembrando o chamado do Papa Francisco à reconciliação com Deus (Evangelii Gaudium), com a natureza (Laudato Si’) e uns com os outros (Fratelli Tutti), ele afirmou que “nosso caminho sinodal é sobre curar e reconciliar o mundo em justiça e paz”, definindo a sinodalidade global como a única maneira de salvar a humanidade e criar um mundo de esperança, paz e justiça. De acordo com o cardeal, “neste Sínodo, uma de nossas grandes preocupações é o legado que deixaremos para a próxima geração“, refletindo sobre a realidade da Ásia e suas consequências para o futuro. Preparando-se para o momento mais fértil do Sínodo O padre Timothy Radcliffe descreveu os onze meses entre as duas sessões do Sínodo como o período mais fértil do Sínodo, o período de germinação. Na primeira sessão, as palavras proferidas são vistas pelo dominicano como “as sementes que são semeadas no solo da Igreja“, que “quando chegar a hora, darão frutos”, afirmando que “se nossas palavras forem amorosas, elas brotarão na vida de pessoas que não conhecemos”. Onze meses que ele comparou a uma gravidez, “um tempo de espera ativa”, conclamando, com as palavras de Simone Weil, a não buscar os dons mais preciosos, mas a esperar por eles, algo que ele definiu como profundamente contracultural, em uma cultura “muitas vezes polarizada, agressiva e desdenhosa das opiniões dos outros”, de onde ele fez um apelo para não pensar de forma partidária, o que “não é o caminho sinodal”. Para que a semente germine, ele considera necessário que “mantenhamos nossas mentes e corações abertos para as pessoas que encontramos aqui, vulneráveis às suas esperanças e medos”, o que produzirá “uma colheita abundante, uma verdade mais plena. Então a Igreja será renovada. Para isso, será necessário falar, nesses onze meses, palavras que sejam férteis e cheias de esperança, e não palavras que sejam destrutivas e cínicas, palavras que sejam nutritivas e não venenosas. O pequeno como marca do estilo de Jesus Por sua vez, Ir. Maria Grazia Angelini refletiu sobre a necessidade de “narrar parábolas em vez de lançar proclamações“. Para isso, fez uma pergunta: “Como podemos falar hoje do Mistério do Reino, do crescimento surpreendente e dramático, narrando estes dias do caminho sinodal, com palavras de carne? Na semente lançada, que podemos dizer que o Sínodo lançará com o Documento Síntese, a monja beneditina vê “um mistério de geração, de aliança gratuita”, uma oportunidade para discernir os sinais do Reino a exemplo de Jesus. Para captar e dar espaço ao dinamismo da Palavra em si mesmo e na Igreja, a religiosa vê a necessidade do silêncio e da verdadeira humildade, insistindo que “o surpreendente sentido do pequeno como portador do futuro marca o estilo de Jesus”. A primeira sessão da Assembleia Sinodal, que ela definiu como um mês de semeadura, é vista por ela como “um ato profundamente subversivo e revolucionário“, a fim de “abrir um caminho para a reforma – uma nova forma – que a vida exige”, e para isso, como algo do Espírito, “captar e narrar semelhanças sem precedentes entre o Reino de Deus e as realidades mais simples, mínimas, frágeis e vitais da terra, semelhanças que abrem o futuro”. A religiosa fez um chamado a ver Deus “no que há de mais baixo” e, assim, “criar e alimentar narrativas concretas disso”. É um trabalho que “deve amadurecer a partir da formação da consciência”, exigindo “um distanciamento decisivo do cuidado pastoral de qualquer perspectiva estatística, eficiente, processual e sistêmica”. Por fim, disse que rezava “para que este Sínodo receba a arte de novas narrativas, a humildade radical de quem aprende a reconhecer a semelhança do Reino nos dinamismos mais verdadeiros e vitais do humano, dos vínculos primários, da vida que bate misteriosamente em todos os mundos e esferas da existência humana, em uma admirável harmonia oculta. Com tanta paciência. A capacidade de olhar para a noite”. Isso para relatar “novas parábolas, que dão alimento para o pensamento, para o crescimento, para a esperança, para caminhar – juntos”. Discernimento entre oportunidades e armadilhas Refletindo sobre a tradição, Ormond Rush, Professor Associado de Religião e Teologia do Instituto de Religião e Investigação Crítica da Universidade Católica Australiana, disse que o Concílio Vaticano II pode “conter algumas lições para este sínodo, já que agora eles realizam a síntese de seu discernimento sobre o futuro da igreja“. Para iluminar as discussões presentes no Concílio, ele se baseou nas palavras do perito do Concílio, Joseph Ratzinger, que observou que a fonte de tensão eram duas abordagens à tradição: uma compreensão “estática” da tradição, legalista, proposicional e a-histórica, relevante para todos os tempos e lugares, tendendo a se concentrar no passado, e uma compreensão “dinâmica”, personalista, sacramental e enraizada na história,…
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Ormond Rush: “Discernir a diferença entre oportunidades e armadilhas” na elaboração do Documento de Síntese

O Sínodo da Sinodalidade, que de 4 a 29 de outubro está realizando a primeira sessão da Assembleia Sinodal, está entrando em sua última semana de trabalho, na qual a principal tarefa é elaborar o Documento de Síntese. Para refletir sobre isso, Ormond Rush, Professor Associado de Religião e Teologia no Instituto de Religião e Investigação Crítica da Universidade Católica Australiana, ajudou os participantes do Sínodo a refletirem a partir da perspectiva do Concílio Vaticano II, que pode “conter algumas lições para este sínodo, à medida que agora é realizada a síntese de seu discernimento sobre o futuro da igreja“. O ensinamento do Concílio Vaticano II Em seu discurso, ele observou como um dos principais pontos de tensão no Vaticano II foi a “tradição“, contando como um texto preliminar sobre “as fontes da revelação” foi rejeitado, o qual “foi concebido nas categorias do neoescolasticismo, que falava de revelação, fé, Escritura e tradição de uma forma amplamente unidimensional: em termos apenas de declarações doutrinárias proposicionais”. O professor australiano lembrou as palavras do perito conciliar Joseph Ratzinger, que observou que a fonte de tensão eram duas abordagens à tradição: uma compreensão “estática” da tradição, legalista, proposicional e a-histórica, relevante para todos os tempos e lugares, tendendo a se concentrar no passado, e uma compreensão “dinâmica”, personalista, sacramental e enraizada na história, realizada no presente, mas aberta a um futuro ainda a ser revelado, que o Concílio definiu como “tradição viva”. Ratzinger falou de três maneiras inter-relacionadas pelas quais o Espírito Santo guia o desenvolvimento da tradição apostólica: o trabalho dos teólogos; a experiência vivida pelos fiéis; e a supervisão do magistério, onde Rush vê uma igreja sinodal. Diferentes abordagens à tradição Nessa perspectiva, “a tradição não deve ser vista apenas de forma afirmativa, mas também de forma crítica“, disse Rush. Relembrando as palavras do Papa Francisco, ele observou que “a tradição é uma realidade viva, e apenas uma visão parcial vê o ‘depósito da fé’ como estático”. O teólogo vê a revelação não apenas como “uma comunicação de verdades sobre Deus e a vida humana, articuladas nas Escrituras e em declarações doutrinárias”, mas como “uma comunicação do amor de Deus, um encontro com Deus Pai em Cristo por meio do Espírito Santo”. Uma revelação que na Dei Verbum, o que é importante para entender a sinodalidade e o próprio propósito deste Sínodo, é apresentada “como um encontro contínuo no presente, e não apenas como algo que aconteceu no passado“. Uma revelação que na Dei Verbum aparece basicamente como diálogo. A partir daí, ele definiu este Sínodo como “um diálogo com Deus”, que Rush vê presente nas “conversas no Espírito”. Por isso, “Deus está esperando sua resposta”. Para isso, apontou o Concílio de Jerusalém como uma possível inspiração, onde com “o Espírito Santo tiveram que se reunir para uma nova adaptação do Evangelho de Jesus Cristo com relação a essa nova questão, que não havia sido prevista antes”. Lembrando que “o Vaticano II exortou a Igreja a estar sempre atenta aos movimentos do Deus revelador e salvador presente e ativo no fluxo da história, prestando atenção aos ‘sinais dos tempos’ à luz do Evangelho vivo”, Rush vê o discernimento deste Sínodo como um chamado “para ver, com os olhos de Jesus, os novos tempos; mas também nos exorta a estarmos atentos às armadilhas, onde podemos estar sendo atraídos para formas de pensar que não são de Deus”. Essas armadilhas estão presentes em “nos ancorarmos exclusivamente no passado, ou exclusivamente no presente, ou não estarmos abertos à futura plenitude da verdade divina para a qual o Espírito da Verdade está conduzindo a Igreja”, desafiando todo o povo de Deus a “discernir a diferença entre oportunidades e armadilhas” e, para isso, ele os convidou a “fixar nosso olhar em Jesus“. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1