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Sem o “nós”, nunca haverá sinodalidade, nunca caminharemos juntos

Sinodalidade significa caminhar juntos e isso significa passar do “eu” para o “nós”, do individualismo para a comunhão, de pensar única e exclusivamente em mim, de mim e para mim, para pensar em nós, de nós e para todos nós. Uma tarefa complicada, mas na qual, com este Sínodo sobre a Sinodalidade, estão sendo dados passos importantes, pode-se até dizer irreversíveis, sem volta atrás. Sínodo, o modo de ser da Igreja O Papa Francisco insiste constantemente no fato de que o Sínodo é o modo de ser da Igreja, um caminho conjunto que pressupõe uma mudança de mentalidade, uma conversão pessoal, mas também uma conversão das estruturas, uma passagem de uma organização piramidal para o ser e o estar de modo circular, em mesas redondas, onde o progresso é colocado no centro, onde todos veem da mesma distância o que é fruto da comunhão, do nós. O “nós” também deve nos levar a refletir sobre as tentativas de idolatrar pessoas específicas, pessoas que querem, se aproveitando D´Ele, ofuscar o próprio Deus, tomar o lugar do Senhor. Um “nós” que se constrói mais facilmente na medida em que nos aproximamos de Deus e nos sintonizamos com ele para descobrir sua voz no outro. O discernimento comunitário, a conversa espiritual, que não são formas novas, mas incomuns para muitas pessoas na Igreja, ajudam a avançar no “nós”, no consenso. O Espírito como protagonista do Sínodo É a voz do Espírito, que é o protagonista do Sínodo, que se manifesta para a comunidade, para a Igreja. Ele fez isso no Pentecostes para aquele pequeno grupo de discípulos temerosos, tem feito isso ao longo da história e há sinais de que está presente na Sala Paulo VI, em meio àqueles homens e mulheres batizados que, em sua diversidade, estão construindo um nós eclesial, um reflexo do Nós Trinitário que revela a identidade de Deus. Essa necessidade de ser comunidade, esse “nós”, é o que faz com que os círculos menores e a Assembleia Sinodal como um todo consigam avançar em meio às tensões. A partir da partilha de uma experiência pessoal, uma peça comum é moldada com o cinzel da oração e o Instrumentum Laboris, fruto do fato de encontrar na palavra do outro, da outra, uma novidade que me confronta, que me desafia, que nos tira de nós mesmos e nos abre para a comunhão, para o nós. A diversidade é enriquecedora quando vista do ponto de vista do “nós”. As diferentes posições, que existem e é bom que existam, vistas a partir do “nós”, adquirem um sentido que enriquece e o faz porque é fruto de uma criatividade comum. É hora de sermos corajosos, e ganhamos coragem quando nos sentimos apoiados por um “nós” que sentimos ao nosso lado, uma coragem que leva a Igreja a parar de remendar as coisas e a entrar na dinâmica do Espírito, que, como Francisco disse muitas vezes, resolve as situações, inclusive os conflitos, transbordando, algo que não é fácil de fazer e que exige mais força quando se trata de dar certos passos. Essa é a maneira de superar os medos e as limitações que diminuem a Igreja, que a tornam mundana, que lhe permitem ser guiada por aquele Espírito que transborda e abre novos caminhos. É sobre questões complexas que a Assembleia Sinodal é desafiada a apostar, apostar como um nós irreversível na mudança, um desejo muito presente em Francisco. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Liliana Franco: No Sínodo, “não sinto que haja agendas ocultas”

  A Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que elegeu os membros das comissões de Síntese e de Informação, onde aos membros natos se juntou um representante de cada uma das sete regiões em que a Igreja universal foi dividida, continua seu curso, nas duas últimas sessões com o trabalho nos chamados círculos menores. Um processo muito importante Um Sínodo em que “não há agendas ocultas“, nas palavras de Liliana Franco, Presidenta da Conferência Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas, que, junto com o Cardeal Joseph William Tobin, Arcebispo de Newark (Estados Unidos), realizou uma coletiva de imprensa com jornalistas credenciados, Ele disse que estava gostando muito da experiência de participar da assembleia sinodal, insistindo que “como católicos estamos vivendo algo que é muito importante”, algo que é feito na Igreja Católica toda vez que professamos nossa fé em uma Igreja que é católica e apostólica. O cardeal americano lembrou que cresceu em uma família com muitos membros, sendo o mais velho de 13 irmãos, e que em sua infância era difícil para ele entender que os outros tinham idiomas diferentes, que comiam alimentos diferentes. Com o passar do tempo, ele disse que descobriu, ajudado pelo fato de ter crescido em um caldeirão de culturas diferentes, que “há maneiras diferentes de fazer as mesmas coisas“, insistindo que, nesses primeiros dias, “estamos falando em um nível muito alto de complementaridade, muitas pessoas encontram pontos em comum nas preocupações e enfatizamos a escuta”. O Espírito Santo no coração do Sínodo O objetivo de Liliana Franco é levar a voz do continente latino-americano e da Vida Religiosa que peregrina nesse continente. A religiosa colombiana insistiu em que “o protagonista do Sínodo está sendo o Espírito, no centro está a pessoa de Jesus e o desejo de explicitar os valores do Evangelho“, destacando o profundo desejo de viver à maneira de Jesus, “aquela maneira que eleva, que humaniza, que dignifica, que inclui, que torna possível que a Vida Religiosa viva à maneira de Jesus”, que inclui, que possibilita que o outro esteja na totalidade de sua dignidade”, tornando muito significativa a experiência de “um método de conversação no espírito, em mesas redondas, em que nos reconhecemos na dignidade comum que todos temos, em uma atmosfera de respeito, de comunhão, de apreciação mútua”. Uma experiência de encontro com diferentes linguagens, sensibilidades, diferentes formas de entender as coisas, que a religiosa define como “a experiência de construção coletiva, de sentir que todos temos algo a contribuir” e, acima de tudo, que “todos viemos habitados pelos territórios de onde chegamos”. No trabalho desses dias, ela destacou “o chamado para ouvir o grito dos pobres”, que está presente na migração, no tráfico de pessoas, naqueles que estão sendo mais excluídos, dizendo ter sentido o chamado para “ser uma presença profética, uma presença que se compromete” e, junto com isso, “unir forças, criar redes, fortalecer as redes que temos”. Liliana Franco destacou o sentimento de gratidão a uma Igreja comprometida com as questões sociais e ambientais, porque “não é possível seguir Jesus sem um compromisso também com o desenvolvimento humano integral“, algo que muitos missionários assumem e que possibilita que muitas pessoas vivam com mais dignidade. Na Assembleia Sinodal, o grito da Terra, das culturas e dos mais pobres também foi ouvido em “um construir de irmãos e irmãs, na mesa redonda que se assemelha à mesa de uma sala de jantar, onde há espaço para todos”. Ninguém é ignorado e nada é ignorado “Há uma forte vontade de colocar uma forte ênfase no que podemos fazer como Igreja, uma reflexão comum“, destacou o cardeal Tobin, que disse sentir que é muito forte que neste processo sinodal “ninguém é ignorado e nada é ignorado em nosso trabalho sinodal”, algo que ele acha que influencia o processo sinodal, destacando a escuta profunda realizada na América do Norte durante o processo sinodal, com reuniões on-line nas quais “o eco da Igreja local e das diferentes igrejas locais surgiu”. Nesse sentido, ele afirmou que o Instrumentum Laboris está seguindo o fio dessa tradição, “a beleza desse processo é que ele começa a partir da base e não do topo”. Um Sínodo que ecoa o que está acontecendo no mundo, as diferentes guerras, no mesmo grupo de discernimento há uma mulher russa e uma mulher ucraniana, mas também fala sobre o que está acontecendo na Igreja, destacando o Arcebispo de Newark que uma grande preocupação é que “muitas pessoas não se sentem em casa no âmbito da Igreja Católica“. A esse respeito, ele contou a anedota de que alguém que foi seu bispo auxiliar uma vez lhe disse que mais bonito do que a catedral como um edifício é o fato de suas portas estarem abertas, dizendo que esperava que “este Sínodo nos ajudasse a abrir as portas de uma forma mais significativa”. Opção pela fraternidade e sinodalidade Nesse sentido, a presidenta da CLAR destacou que “o Sínodo contextualiza a situação, com os pés no chão, abraçando os diferentes territórios“, o que faz ressoar com força a realidade de nosso mundo, no qual “a opção da Igreja é a opção pela fraternidade, é a opção pela sinodalidade, a disposição de entender que somos todos irmãos”, que abre espaço para todos, para os mais pobres de nosso mundo, os migrantes, as vítimas do tráfico de pessoas, os exilados, os deslocados, para aqueles para os quais não há lugar nesta sociedade. Isso nos chama a continuar unindo forças para tornar possível o acolhimento, a hospitalidade, a alimentação, a educação e uma vida digna, sendo, como Igreja, defensores dos direitos humanos, “uma voz profética que gera o questionamento necessário que nos torna mais conscientes da necessidade de trabalhar por um mundo melhor”. O cardeal Tobin recordou as palavras do Papa para ser “um Sínodo livre, um Sínodo que é livre para falar e enfatizar todas as grandes questões“, aceitando e acolhendo as tensões presentes na sala sinodal. Isso é em busca de uma única voz dentro da assembleia sinodal, apesar das diferenças, lembrando…
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Sinodalidade: A diversidade nunca é uma ameaça, os proscritos nos abrem para Deus

Compreender uma diversidade que nos enriquece, que não é uma ameaça, é um dos grandes desafios em uma sociedade, também em uma Igreja onde o diferente é quase sempre visto como uma ameaça. Fazer isso é ser discípulo, pois não nos esqueçamos de que a atitude de Jesus era a de se relacionar com todos, mesmo com aqueles que eram diferentes, com os proscritos, incluindo as mulheres e os samaritanos. Sempre dispostos a abraçar No encontro de Jesus com a mulher samaritana, uma cena que ilumina a reflexão do Módulo B1, que está sendo trabalhado nestes dias pela Assembleia Sinodal, aparece a atitude do Senhor que nos questiona e deve nos levar a refletir sobre como nos aproximamos dos outros, se “com as unhas” para atacar, ou com os braços abertos para abraçar. A Assembleia Sinodal está mudando de cara, pode-se ver isso nas atitudes daqueles que chegam à sala sinodal, dispostos em mesas redondas na Aula Paulo VI do Vaticano, mas também se pode ver isso nos momentos que antecedem o início dos trabalhos. Nós, jornalistas, conseguimos entrar no momento da oração e, da posição que ocupamos, podemos ver os participantes da Assembleia em sua totalidade. Aos poucos, a formalidade, até mesmo na maneira de se vestir, foi se perdendo, as pessoas estão ganhando confiança, as saudações deixaram de ser formais e se tornaram mais fraternas. Ouvem-se risadas, provavelmente como resultado de piadas ou comentários que alegram o coração daqueles que veem no outro um companheiro, um companheiro de caminho, com quem construir juntos a Igreja sinodal que o Papa Francisco indica e da qual todos nós precisamos, embora alguns insistam em negá-la, embora alguns a enfrentem com toda a força e com artimanhas vis e desonestas. Comunidades com um lugar para os “indesejáveis” Voltando à cena do Evangelho, em que aquela mulher de um povo indesejável e de uma vida supostamente questionável diante de um olhar sem misericórdia, podemos dizer que é ela quem liberta Jesus. Isso nos desafia como Igreja, ainda mais se quisermos apostar em uma Igreja sinodal. A grande questão é se essas pessoas têm lugar em nossas comunidades eclesiais, que devem ser a presença de uma Igreja que quer ser expressão de comunhão, que é o grande tema do Módulo B1, de unidade na diversidade, uma Igreja que não é para os saudáveis, mas para os doentes, também de espírito, que precisam recuperar uma dignidade que lhes foi negada. É com essas pessoas que nós batizados e batizadas, a Igreja sinodal, devemos ser um instrumento de unidade para toda a humanidade, algo que a pergunta que orienta esse módulo nos leva a refletir. Para isso, cinco temas diferentes serão discutidos nas comunidades para o discernimento, nos círculos menores ou, para resumir, nas mesas redondas, pois este é o “Sínodo das mesas redondas”: serviço de caridade, compromisso com a justiça e cuidado com a casa comum; encontro entre amor e verdade; troca de dons entre as igrejas; compromisso ecumênico; e diálogo com culturas e outras religiões. O tempo de teste já passou, as mesas redondas, nas quais desde ontem houve algumas mudanças, estão marcando o objetivo, indicando o caminho para ser uma Igreja sinodal. Um caminho que será mais fácil e mais suportável na medida em que a escuta for honesta e profunda, se for descoberto que, na voz do outro, da outra, as mulheres têm uma delicadeza diferente que sempre ajuda, Deus nos fala, se faz presente em nossas vidas de batizados e batizadas, e no caminho de uma Igreja que deve ser comunhão, na qual deve ser cada vez mais fácil passar do eu para o nós, escutar a voz que vem das periferias. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Inicia o Segundo Módulo da Assembleia Sinodal: “Todos são convidados a fazer parte da Igreja”

A primeira sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade entrou em seu segundo módulo. E o fez com uma missa no rito ortodoxo, na qual “pudemos saborear a riqueza de um dos ritos de nossa Igreja única e multifacetada”, nas palavras do Cardeal Hollerich, Relator Geral do Sínodo, que enfatizou que “no primeiro módulo, nos reconectamos com a experiência do ‘caminhar juntos’ do Povo de Deus nos últimos dois anos. Trabalhamos para focar melhor a Igreja sinodal como uma visão global”. Passando do “eu” para o “nós Lembrando que até agora os membros da assembleia ganharam experiência no uso da metodologia da Conversação no Espírito, começaram a tecer relacionamentos e a criar vínculos, passando do “eu” para o “nós”. Ele lembrou que nesse Módulo a composição dos Círculos Menores está mudando, insistindo na questão prioritária: “Como ser mais plenamente sinal e instrumento da união com Deus e da unidade de toda a humanidade?“. O cardeal partiu da premissa de que “a Santíssima Trindade é a base de todas as comunhões”, refletindo sobre as dificuldades de viver a comunhão em um sentido prático, ao que insistiu que “todos são convidados a fazer parte da Igreja“, algo que o Papa Francisco insistiu na JMJ de Lisboa e em sua homilia na missa de abertura. A partir daí, ele fez várias perguntas aos participantes, mostrando a necessidade de partir de experiências concretas, em nível pessoal e como Povo de Deus. Para isso, ele explicou como trabalhar nos próximos dias e, assim, mostrar que em diferentes contextos a pergunta feita neste módulo tem ressonâncias diferentes, valorizando a importância da pluralidade. Um Deus que tem sede de nós “Como podemos nos formar todos para uma comunhão que transborde em missão?” foi a pergunta a partir da qual o Pe. Timothy Radcliffe OP iniciou sua reflexão sobre o texto que narra o encontro de Jesus com a samaritana junto ao poço, que passou de figura solitária a primeira pregadora do Evangelho. Algo que parte das palavras de Jesus: “Dá-me de beber”, insistindo que “todo o Evangelho de João se articula em torno da sede de Jesus”, e que “Deus aparece entre nós como alguém que tem sede, especialmente por cada um de nós”. Nas palavras do frade dominicano, “nossos pecados, nossos fracassos, muitas vezes são tentativas equivocadas de encontrar o que mais desejamos. Mas o Senhor espera pacientemente em nossos poços, convidando-nos a ter ainda mais sede”. É por isso que a formação para “uma comunhão que irradia”, o tema deste módulo, “consiste em aprender a ter sede e fome cada vez mais profunda“. Isso porque “o que nos isola é ficarmos presos a pequenos desejos, a pequenas satisfações, como vencer nossos adversários ou ter status”. Sinodalidade: aprendendo a ser pessoas apaixonadas A partir daí, ele definiu a formação para a sinodalidade como “aprender a ser pessoas apaixonadas, cheias de profundo desejo”, perguntando, especialmente aos seminaristas: “como se tornar pessoas apaixonadas – apaixonadas pelo Evangelho, cheias de amor mútuo – sem desastres?” É por isso que “uma Igreja sinodal será aquela em que somos formados para um amor sem posses: um amor que não foge nem se apodera da outra pessoa; um amor que não é abusivo nem frio”. “Devemos nos treinar para encontros profundamente pessoais uns com os outros, nos quais transcendemos os rótulos fáceis. O amor é pessoal e o ódio é abstrato”, enfatizou Radcliffe. O dominicano ressaltou que “muitas pessoas se sentem excluídas ou marginalizadas em nossa Igreja porque lhes demos rótulos abstratos”, concluindo que “nosso papel como sacerdotes é, muitas vezes, apoiar aqueles que já começaram a colher a safra antes mesmo de acordarmos”.  Comunhão: vivendo juntos em Cristo A reflexão continuou com a professora Anna Rowlands, que começou lembrando a pergunta do padre Radcliffe: “Podemos ter a coragem de encarar a realidade como ela é?”, refletindo assim sobre a comunhão a partir da passagem das Bodas do Cordeiro. A professora de Pensamento e Prática Social Católica destacou que o módulo, que está sendo lançado, “nos leva ao coração desse paradoxo cristão básico: esperança e dificuldade, a beleza e a liberdade do chamado de Deus e os desafios de crescer em santidade“. Um texto que recupera a linguagem da Lumen Gentium e nos leva a descobrir que “a vida de comunhão nos é oferecida como a maneira abençoada de vivermos juntos em Cristo, aprendendo a ‘suportar’ a realidade, com doçura, generosidade, amor e coragem, para a paz e a salvação do mundo inteiro”, compreender que a comunhão é “o fundamento da realidade e a fonte do ser da Igreja”, e que “participar da vida de comunhão é a honra e a dignidade de nossas vidas”, chamando a pensar “na comunhão como a primeira e a última palavra de um processo sinodal”. Comunhão: a beleza da diversidade na unidade Uma comunhão que é “a beleza da diversidade na unidade“, superando a homogeneidade do mundo moderno. Uma comunhão que, citando São Boaventura, nos leva a refletir sobre “como a pluralidade da criação permite que todas as diferentes cores da luz divina brilhem”. Diante da competitividade do mundo, “Deus nos atrai para uma comunhão de humildade e serviço”, destacou a professora do Departamento de Teologia e Religião do Centro de Estudos Católicos da Universidade de Durham (Reino Unido). Portanto, essa seção B1 “nos convida a crescer em comunhão, refletindo com humildade com aqueles que são vulneráveis, sofredores ou fracos e sobre as vulnerabilidades e fraquezas da Igreja”, disse ela. Uma seção que nos leva a nos perguntar corajosamente “como podemos estar mais próximos dos mais pobres, mais capazes de acompanhar todos os batizados nas várias situações humanas, despojados de falsos poderes, mais próximos de nossos irmãos e irmãs cristãos e mais comprometidos com nossas culturas particulares”. Isso porque “a Igreja nasceu inseparável do drama humano”, uma comunhão que “existe em realidades concretas e tangíveis”, e que encontra na Eucaristia “as diferentes dimensões da comunhão”. Uma comunhão que se traduz no acompanhamento de vítimas de abuso por parte do clero, de migrantes e refugiados,…
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Sônia Gomes de Oliveira: “Igreja sinodal é a que não deve ter medo de caminhar juntos

O segundo módulo da primeira sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que busca responder à pergunta sobre “Como podemos ser mais plenamente sinal e instrumento da união com Deus e da unidade do gênero humano?”, iniciou com uma Missa no Altar da Cátedra em rito greco-bizantino, presidida por Sua Beatitude Rev. Youssef ABSI, Patriarca de Antioquia dos Greco-Melquitas, Presidente do Sínodo da Igreja Católica Greco-Melquita, com a homilia de Sua Beatitude Eminência Card. Béchara Boutros RAÏ, O.M.M., Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Chefe do Sínodo da Igreja Maronita, que pode ser considerado um passo a mais no caminho da unidade. O processo sinodal na Igreja do Brasil Na Congregação Geral os participantes da Assembleia Sinodal escutaram diversos depoimentos, dentre eles o partilhado por Sônia Gomes de Oliveira, presidente do Conselho Nacional do Laicato Brasileiro e uma das mulheres membros da Assembleia. A leiga brasileira iniciou suas palavras lembrando que “viver o processo sinodal na Igreja do Brasil foi uma continuidade do caminho iniciado na Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe”, destacando o processo de escuta realizado, mesmo com a pandemia. Ela destacou a importância da Equipe Nacional no trabalho de animação do processo sinodal chegando nas bases, onde foi importante a participação do laicato, uma prática que ajudou a conhecer a realidade em diferentes níveis e dos leigos e leigas se descobrir como corresponsável na missão. Também uma oportunidade para iniciar processos de formação, lembrando as palavras do relatório realizado no Brasil para a fase continental: “o Sínodo caiu, no mundo dos leigos e leigas, como um oceano a ser explorado e valorizado e, por isto a partir de agora não deve ser só um momento, mais uma prática da Igreja”. Uma Igreja sinodal na prática Sônia Gomes de Oliveira insistiu na necessidade de uma Igreja sinodal na prática “onde todos os batizados são chamados a participar, não só como colaboradores, mas reconhecido e conscientes da responsabilidade pela missão”, mas também afirmando que “nem todos compreenderam o processo”. Ela disse ter compreendido que “Igreja sinodal é a que não deve ter medo de caminhar juntos com aqueles que querem viver a unidade, respeitando os diversos carismas e vocações”, destacando a necessidade de “colocar os chinelos e os pés no caminho, ouvir o povo que grita e a Igreja precisava ouvir”. Segundo a presidenta do laicato brasileiro é necessário “exercer o meu papel de batizada no meu ambiente de Trabalho com um jeito e forma de ser Igreja”, que a leve a “unir a minha profissão com o meu ser cristã”. Ela destacou a importância das escutas, de fazê-las do jeito de Jesus, relatando duas experiências marcantes, uma com uma prostituta, que disse: “agora entendi, a Igreja e o Papa Francisco querem saber como estou”, afirmando carregar um fio de esperança, e agradecendo ter chegado até ela, o que fez com que ela se sentisse aliviada, mas dizendo, “pena que o povo da Igreja não faz isto sempre!”. Uma segunda experiência foi num presidio, onde experimentou o consolo levado até os detentos, e como “somos chamados a consolar”. Experiências de escuta Em suas palavras, Sônia Gomes de Oliveira foi partilhando diversas experiências vividas nas escutas, querendo assim ressaltar que “falar de uma experiencia sinodal é falar de uma Igreja que tem que ser aberta para acolher, aberta para escutar”, pois, “existem muitos lugares de dor, sofrimento, é importante a presença da Igreja”, chamado a todos e todas a estar ali, “ainda temos muitos lugares que não conseguimos chegar”. É por isso que temos que “ser Igreja no coração do mundo”, uma Igreja que acolhe a todos, e ter um coração fraterno que acolhe os crucificados de hoje, refletindo sobre o sofrimento das mulheres e a necessidade de entender que “fazer o caminho sinodal é ser pobre com os pobres e não para os pobres”. Diante de tantas coisas bonitas que existem na Igreja, a presidenta do laicato no Brasil fez um chamado a ser cireneus, a “criar ou fortalecer uma rede da sinodalidade que acolhe, que reza, que ajuda”. Uma Igreja que respeita a cultura dos povos indígenas e comunidades tradicionais, com uma liturgia mais próxima de sua realidade, com uma presença mais acolhedora para com aqueles que são descartados. Finalmente, mostrou a necessidade de “uma Igreja que precisa que cativemos mais pessoas, Igreja do encantamento que leva a entender que eles também são testemunhas do Ressuscitado, Igreja da Esperança, Igreja profética que entra nos porões onde a vida está ameaçada, Igreja da partilha da Eucaristia, Igreja da Pertença. “A Igreja que o Espírito nos impele a mostrar Jesus”, destacou. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Steiner preside Eucaristia na Paróquia São Leonardo de Porto Maurizio, sua Igreja em Roma

  O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) presidiu a celebração da Eucaristia na paróquia São Leonardo de Porto Maurizio na Acilia, sua paróquia em Roma. O Santo Padre encomenda a cada um dos cardeais eleitores, aqueles que têm menos de 80 anos, uma paróquia de Roma, sendo considerados o clero do Papa. O arcebispo de Manaus, que é cardeal presbítero, lhe foi entregue essa paróquia, que fica na periferia de Roma, em 27 de agosto de 2022, dia em que ele foi criado cardeal. O purpurado mostrou sua alegria e gratidão por poder presidir a Eucaristia e iniciou sua homilia dizendo levar uma saudação da Arquidiocese de Manaus, “uma saudação de quase mil comunidades, uma saudação de 70 mil indígenas que estão na arquidiocese, uma saudação das nossas comunidades ribeirinhas, uma saudação das nossas comunidades da cidade de Manaus, uma cidade de dois milhões e sessenta mil habitantes, uma saudação das nossas comunidades da periferia, que são comunidades novas, que agora estão iniciando suas comunidades com pessoas que vem do interior procurando um modo de viver, saúde e educação, uma saudação de todos”. Dom Leonardo lembrou a realização do Sínodo Arquidiocesano, quando as comunidades da Arquidiocese de Manaus mostraram o que pensam, o que sonham para o futuro da nossa Igreja, sendo escolhidas diversas linhas para a arquidiocese. Ele disse estar participando da primeira sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, que definiu como “um momento belíssimo, porque estamos sentados em torno a uma mesa redonda”, lembrando que são 35 mesas onde estão irmãs, padres, leigos, bispos, cardiais, “todos pensando em uma Igreja sinodal, onde todos nós estamos em caminho, onde todos nós vamos buscando aos poucos o Reino definitivo, onde todos nós pensemos o que fazer que todos possam participar da graça do Evangelho”. Segundo o cardeal “aos poucos vamos chegar naquilo que quer o Papa Francisco, ser uma Igreja sinodal, todos participando, todos anunciando, todos vivendo o Evangelho de Jesus”. O arcebispo de Manaus destacou como “o Evangelho se encarna aos poucos em diversas culturas”, algo que se faz presente nos grupos para o discernimento, com presença de diversos países e continentes no mesmo grupo, destacando a beleza que representa os diversos modos de pensar, de viver o Evangelho, “mas todos com a força e a iluminação do Espírito que aponta o Reino de Deus”. Analisando as leituras da Liturgia da Palavra do 27º Domingo do Tempo Comum, o cardeal Steiner destacou que a primeira leitura mostrava um sonho de amore, que se transforma numa realidade e uma relação de amor. Já no Evangelho, ressaltou os frutos que não deram, falando sobre os frutos que nascem da relação de Deus conosco, o modo de Deus estar no meio de nós, em Jesus Cristo Crucificado. Um texto que mostra que Deus quer que nós demos frutos porque Ele tem dado seu amor em Jesus. Após destacar alguns elementos da segunda leitura, o cardeal pediu que o Evangelho, que é um sonho amor, possa dar frutos de perdão, de reconciliação, do amor, da justiça, da familiaridade, que esses dons e esses frutos façam disfrutar da vida e experimentar o sabor da vida, que não é para se tornar insuportável e sim para desfruta-la. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Ramazzini: “A primeira coisa que eu diria àqueles que desprezam os migrantes é que eles não deveriam se considerar cristãos”

Em setembro de 2023, o Cardeal Álvaro Ramazzini foi eleito presidente da Rede Clamor, uma organização da Igreja Católica que acompanha migrantes e refugiados na América Latina e no Caribe. O Papa Francisco pede para acolher, proteger, promover e integrar, a fim de enfrentar “uma realidade dolorosa por causa de tudo o que vimos acontecer”, nas palavras do Bispo de Huehuetenango, que já se perguntou repetidamente “como colocar em prática esses quatro verbos que o Papa nos propõe”. O desafio é promover O cardeal afirma que “alguns deles já estamos fazendo, o que continua a ser um desafio, pelo menos pessoalmente, é a questão da promoção, como conseguir inserir muitas pessoas em uma nova sociedade, onde muitas vezes os empregos exigem um alto nível de qualificação profissional”. O Cardeal fala da realidade de seu país, a Guatemala, onde muitas pessoas nem sequer têm a educação formal necessária e, portanto, vão fazer os trabalhos, no caso dos Estados Unidos, onde há uma imigração muito forte de guatemaltecos, o que os norte-americanos não fazem. Diante dessa situação, ele pergunta: “Como podemos realmente garantir que essa recepção também seja dada por sociedades nas quais o que importa é que você tenha dinheiro e produza dinheiro? O presidente da Rede Clamor responde que “os quatro verbos ainda são desafiadores e continuarão a exigir políticas migratórias abrangentes“. Ele também questiona qual país está atualmente colocando os quatro verbos em prática, mesmo que eles possam justificar que isso vem do Papa. Uma questão de sofrimento humano Na realidade, “os quatro verbos implicam ações que poderiam realmente ajudar a enfrentar e confrontar a questão da migração de uma forma humana”, insistindo que “é aqui que temos que continuar fazendo esforços para entender que não é uma questão de lei, mas uma questão que vai muito além das leis, é uma questão de sofrimento humano, de deficiências humanas, de problemas humanos, que devem ser vistos de uma perspectiva humana”. Reconhecendo que o que é legal deve existir, o cardeal guatemalteco afirma que “nos esquecemos de que, abaixo da legalidade, deve sempre haver um espírito no qual a humanidade é respeitada”. Um desprezo pelos migrantes, uma xenofobia que está presente em pessoas que se dizem cristãs, católicas. Diante disso, o presidente da Rede Clamor afirma que “a primeira coisa que eu diria àqueles que desprezam os migrantes é que eles não deveriam se considerar cristãos”. Isso porque a essência da identidade cristã é “viver o Evangelho, porque para nós não é apenas a norma que deve reger nossas vidas, mas é a palavra que nos dá vida”, lembrando que “foi isso que disseram ao Senhor Jesus, só você tem as palavras de vida eterna”, algo que o cardeal considera “uma consideração que muitas vezes esquecemos”, e que seremos julgados no final de nossas vidas “se acolhemos ou não o migrante”. Compromisso baseado na fé em Jesus Cristo Segundo o cardeal guatemalteco, “uma pessoa que não se coloca diante do Evangelho e não questiona o que o Evangelho propõe e exige para ser verdadeiramente cristão, certamente não será capaz de entrar em um processo de conversão que ajude não apenas a acolher, mas também a promover uma pessoa migrante”, o que ele considera lógico “a partir de uma lógica do mundo no sentido joanino, de uma lógica do dinheiro, de uma lógica do que importa para mim o que acontece com os outros se eu estiver bem”, o que ele considera “nada cristão”. Para o presidente do Clamor Vermelho, o desafio é que “se alguém realmente quer se comprometer com os migrantes, deve fazê-lo a partir da fé em Jesus Cristo e do desejo de ser um discípulo de Jesus Cristo“. Com relação à assembleia sinodal que iniciou sua primeira sessão em 4 de outubro, ele disse que gostaria de “poder ir juntos buscando a aplicação nos vários níveis da sociedade em geral daquilo que sempre dissemos: todo migrante é meu irmão, todo migrante é minha irmã, ninguém na Igreja deve ser estrangeiro“. Em suas palavras, ele reflete sobre a clara separação em muitos estados entre a Igreja e o Estado, afirmando que “o desafio não é tanto que, para nós cristãos, o Evangelho seja a palavra que dá vida, mas, acima de tudo, retornar verdadeiramente às raízes de quem somos”. Tratar o outro como uma pessoa O cardeal insiste que “somos seres humanos e, na medida em que eu me considero um ser humano e considero os outros seres humanos, logicamente deve haver uma reação, e a reação é que estamos no mesmo barco, estamos no mesmo planeta, por que não deveríamos ajudar uns aos outros”. Em sua reflexão, ele lembrou “O Drama do Humanismo Ateu”, de Henri de Lubac, em que aborda a questão da perda do verdadeiro humanismo, afirmando que os ateus viam nos outros um próximo para ajudar, algo que ele considera que estamos perdendo, “estamos perdendo essa valorização dos outros como pessoas, e que eles esperam que eu os trate como pessoas, que os respeite como pessoas e que os ajude como pessoas”, enfatizando que “estamos em uma fase de esquecimento de quem somos nesta terra”. Algo que ele critica nos Estados Unidos, questionando “como é possível que, em um país como os Estados Unidos, que geralmente é considerado cristão, protestante e católico, como é possível que a essência do cristianismo: ‘Eu era um estrangeiro e você me acolheu’, não seja vivida”. Nesse momento, ele reconhece a existência da separação entre Igreja e Estado, mas afirma que “temos um sistema legal que, em um país que se diz cristão, no entanto, os fundamentos dessa essência do cristianismo são deixados de lado porque estamos em uma sociedade totalmente secular, secular no sentido estrito da palavra”, algo que ele diz não entender. Cristãos que não se comportam como cristãos Nesse sentido, ele diz que denunciou em seu país “como é possível que deputados que se dizem cristãos, católicos e não católicos, atuem de tal maneira no Congresso quando se trata de elaborar leis nas quais se…
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Sala Sinodal em mesas redondas, diversidade e método marcam o início da Assembleia

O final da primeira semana da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, meia semana se não contarmos o retiro anterior de domingo a terça-feira, embora muitos concordem que foi um momento de grande importância para o que está sendo vivenciado e será vivido nesta assembleia, é um bom momento para fazer uma primeira avaliação. A participação de toda a Igreja O primeiro aspecto a ser destacado é a participação de toda a Igreja. Por se tratar de um Sínodo dos Bispos, a presença de não bispos é algo que enriquece o processo, embora alguns membros do Sínodo, desrespeitando o pedido de silêncio do Papa Francisco, tenham se manifestado contra a presença de não bispos, especialmente mulheres, com direito a voz e voto. E é preciso dizer que as mulheres, especialmente as religiosas, têm sido protagonistas positivas nesses primeiros dias. Em segundo lugar, a disposição da sala do sínodo, com 35 mesas redondas distribuídas na Aula Paulo VI. Uma maneira de estar com os outros, olhando nos olhos, que ajuda a tornar a escuta mais atenta e o diálogo mais franco, com a consequente melhoria do processo de discernimento comunitário. Essa disposição também ajuda na dinâmica dessa primeira sessão da Assembleia Sinodal. As tensões, que existem em alguns círculos menores, não prejudicam o fluxo geral da assembleia, e evita que algumas pessoas, protegidas por sua posição de autoridade eclesiástica, monopolizem a voz da assembleia, algo que aconteceu em sínodos anteriores. Conversação espiritual Com relação ao método de trabalho, o discernimento comunitário à luz da conversa espiritual é muito mais do que um formato diferente. Os participantes destacam os momentos de silêncio, tanto nos círculos menores como nas chamadas congregações gerais, quando os 35 grupos em que se divide a assembleia, que serão renovados ao final de cada um dos módulos, compartilham suas experiências, algo que em muitas dessas comunidades de discernimento comunitário nasce de uma grande diversidade de origens, culturas, formas de viver a fé e de ser Igreja. É aqui que há espaço e tempo para que todos entrem em seu próprio ritmo. É um caminho lento, mas que está ajudando a se apropriar de um modo de ser Igreja ao qual muitos não estão acostumados e que, podemos dizer, ainda provoca desconfianças, especialmente entre aqueles que defendem um modo de ser Igreja marcado pelo clericalismo. Não nos esqueçamos de que esse é um dos pecados que o Papa Francisco sempre condena e que esta Igreja sinodal, onde se caminha juntos e juntas, na qual se escuta e se dialoga com todos e todas para discernir em comum, busca superar. Um caminho indicado pelo pequeno Uma Igreja na qual o caminho e o ritmo não são mais marcados pela autoridade, mas pelas vozes que, a partir do pequeno, indicam onde continuar dando passos como Igreja. E para isso, o método da conversa espiritual é decisivo, porque Deus se faz presente na brisa suave e não no vento impetuoso. Isso é algo que tradicionalmente tem sido experimentado nas Igrejas Orientais, onde a sinodalidade, a prática de caminhar juntos, sempre foi muito mais evidente. Sua presença na Assembleia Sinodal é um instrumento de aprendizado, pois as diferentes denominações cristãs presentes ajudam a olhar de outra perspectiva, a valorizar outros elementos que ajudam a continuar dando passos. Após os primeiros dias de reflexão sobre o tema: “Por uma Igreja Sinodal. Uma experiência integral”, aprofundando os sinais característicos de uma Igreja sinodal e a maneira de assumir esse modo de ser Igreja, a conversa no Espírito, os membros do Sínodo entrarão no segundo módulo do Instrumento de Trabalho que trata dos três temas prioritários para a Igreja sinodal: comunhão, missão, participação. Daí a pergunta que é o ponto de partida e deve marcar o discernimento neste segundo momento que começa na segunda-feira: “Como podemos ser mais plenamente sinal e instrumento da união com Deus e da unidade do gênero humano?“. Uma nova reflexão sobre o amor a Deus e ao próximo, que mostra àqueles que têm medo do Sínodo que ele é mais um passo para entender e viver melhor o Evangelho. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Ambongo: Na Assembleia Sinodal “a autoridade vem do Batismo, é por causa do Batismo que estamos aqui”

A primeira coletiva de imprensa com a presença dos membros da primeira sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que acontece na Sala Paulo VI do Vaticano de 4 a 29 de outubro, foi realizada neste sábado na Sala Stampa vaticana. Um cardeal africano e uma religiosa migrante Aos tradicionais relatórios de Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé e presidente da Comissão de Comunicação do Sínodo, assistido diariamente por Sheila Leocádia Pires, secretária da mesma comissão, juntou-se a irmã Leticia Salazar, Irmã da Companhia de Maria e Chanceler da Diocese de San Bernardino (Estados Unidos) e o Cardeal Fridolin Ambongo Besungo, Arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo), que está participando como Presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM). A primeira semana da Assembleia sinodal está terminando, onde foi concluída a seção A do Instrumento de Trabalho, que Ruffini considera rica em eventos, tendo abordado as características de uma Igreja sinodal e experimentado a grandeza da Igreja e sua unidade. O prefeito do Dicastério transmitiu a gratidão do Papa pelo trabalho dos jornalistas. Destaques dos primeiros dias Os principais temas dos primeiros dias foram lembrados, entre outros, a formação em todos os níveis de todos os batizados, especialmente nos seminários, a experiência de comunhão por parte da hierarquia e como encontrar novas formas de participação na comunhão, afirmando que a sinodalidade é uma atitude espiritual que requer estruturas e passando do conceito de poder para o conceito de serviço, sendo uma Igreja acolhedora, que supera o clericalismo e valoriza o papel dos leigos, que está com os pobres, especialmente com os migrantes. Uma assembleia sinodal cujos membros receberam na sexta-feira à tarde o livro do Papa Francisco “Santos, não mundanos“, e que na quinta-feira à tarde peregrinarão às Catacumbas de Santa Domitila, um lugar de importância na vida da Igreja se nos referirmos às primeiras comunidades cristãs, ou mais recentemente ao Concílio Vaticano II ou ao Sínodo para a Amazônia, e aos pactos ali assinados. Os membros da assembleia são convidados a rezar e têm desfrutado da presença de Francisco em todas as congregações gerais, que está sempre entre os primeiros a chegar e conversa abertamente com os presentes no salão sinodal. Estar abertos e aprender com todos A Irmã Leticia Salazar disse que participou de vários Capítulos Gerais da Companhia de Maria, mas enfatizou que essa experiência é diferente, é uma experiência com toda a Igreja, “ela nos permite estar abertos e aprender com todos“. Nascida no México, ela emigrou com sua família para os Estados Unidos aos 17 anos, enfatizando que foi a Igreja Católica que a acolheu. Este é o quarto sínodo do qual o Cardeal Ambongo participa, e ele destacou que cada um chegou à Assembleia Sinodal com suas próprias esperanças, “mas pouco a pouco entramos no processo e percebo que este Sínodo não é como os outros dos quais participei“. Reconhecendo que ninguém sabe como ele terminará, ele enfatizou a importância de que “somos irmãos e irmãs ouvindo a vontade de Deus para sua Igreja”, que ninguém veio com uma agenda para impor. Um Sínodo que está sendo vivido com alegria e confiança, em um clima positivo, e onde o que sair será acolhido como a vontade de Deus, dizendo estar convencido de que dará muitos frutos para a Igreja. Importância do método de discernimento comunitário Um Sínodo que só terá resultados no final da segunda sessão da Assembleia Sinodal, em outubro de 2024, por isso os temas, algo que ele disse em relação aos ministérios ordenados, são tratados, mas não para decidir algo e sim para ver o que o Espírito nos diz em relação a esse tema, ressaltando a necessidade de ouvir para descobrir a vontade do Senhor. Para isso, é importante o método escolhido, o discernimento comunitário, porque “ninguém pode dizer que eu sei qual é a vontade de Deus”, enfatizou o cardeal. Um método no qual “buscamos juntos a melhor solução para o problema neste momento”, o que garantirá que “o resultado seja o mais próximo possível do que podemos considerar ser a vontade de Deus”. Um trabalho feito em conjunto, porque “a autoridade vem do Batismo, é por meio do Batismo que estamos aqui“. Nos círculos menores, é necessária a maioria para aprovar os relatórios, que são apresentados à congregação geral, onde todos podem reagir, e depois as comunidades de discernimento discutem novamente o que foi ouvido na congregação geral, elaborando um relatório final a ser apresentado à secretaria do Sínodo. Uma Igreja com traços sinodais A Ir. Leticia Salazar compartilhou o trabalho que a Diocese de San Bernardino realiza com os migrantes latino-americanos, onde há 30 anos refletem sobre como ser uma Igreja acolhedora, com traços sinodais, que busca a integração das pessoas, afirmando que o tema da migração faz parte do discernimento sinodal e é necessário continuar a aprofundar o que significa ser irmãos e irmãs. Como o cardeal africano, a religiosa insistiu que “foi o Batismo que nos trouxe até aqui”, enfatizando a importância da oração, que “nos permite ver coisas que nunca vimos antes, nos permite abrir-nos a novas possibilidades“. Isso exige muita atenção à Palavra de Deus, às vozes que escutamos, não se trata apenas de nossa experiência pessoal e isso se expressa livremente nos círculos, enfatizou, porque é aqui que “o que Deus está nos dizendo é revelado, isso é discernimento comunitário, é uma comunidade que atinge a meta”. Nesse sentido, destacou que “muitas vezes as pessoas não entendem o que é sinodalidade, que não é um conceito, é a experiência de se sentir incluído, escutado”. Para o Cardeal Ambongo, “a formação no espírito da Igreja sinodal é fundamental, todos nós temos que nos deixar formar no espírito da sinodalidade“. A partir daí, ele disse que “não é o Sínodo que resolve problemas particulares, mas o Sínodo que define a nova maneira de enfrentar os problemas no espírito da sinodalidade”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Mesas redondas que geram caminhos de esperança em uma Igreja sinodal

Ser uma fonte de esperança para uma Igreja onde haja espaço para todos, todos, todos. Poderíamos dizer que esse é um dos desafios do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está realizando a primeira etapa da Assembleia Sinodal na Sala Paulo VI, no Vaticano, de 4 a 29 de outubro. Um ponto chave para a vida da Igreja Não podemos nos esquecer de que a esperança é um ponto chave para a vida da Igreja, especialmente para aqueles que passaram por experiências difíceis, dolorosas e desafiadoras. São essas pessoas que esperam que a Igreja as ajude a encontrar uma luz que as abrirá para um modo de vida diferente, a superar o medo, a entender que, ao viver em docilidade ao que o Espírito Santo quer dizer, a pessoa encontra o caminho da vida. Uma esperança que está inerente em todos aqueles que acreditam na Ressurreição, em todos e todas os que se sentem o povo do Ressuscitado, o povo da esperança. A experiência do Sínodo está ajudando a muitos dos que são membros da Assembleia Sinodal a viver a experiência de uma Ressurreição. Parece que estávamos na tumba, tudo frio, tudo derrotado, com aquele sentimento primeiro dos discípulos de Emaús. Um Sínodo para encontrar-se com o Ressuscitado Diante disso, o Sínodo sobre a Sinodalidade está fazendo com que muitas pessoas se encontrem com o Ressuscitado. É a esperança que faz parte da vida daqueles que passam por experiências difíceis em seu cotidiano, em seu dia a dia. Na secura vivenciada por tantos homens e mulheres mundo afora, às vezes, uns pingos de chuva fazem com que a terra da vida cobre um sabor diferenciado, uma cor nova, o broto começa a nascer da semente que foi plantada. Uma experiência que está sendo vivida nesse Sínodo, que mais do que uma novidade é um despertar de algo que já existia, que já existe, e que hoje está se revelando, se abrindo. É o túmulo que se abre e o Ressuscitado que aparece e traz a esperança que brota da vida em plenitude. Muitas pessoas apontando caminhos para uma Igreja sinodal O fato de ver tantas pessoas que de diferentes modos, dentro e fora da sala sinodal, estão apontando caminhos para ser uma Igreja sinodal é um sinal de esperança que leva a acreditar que a Igreja está no caminho certo, que está superando os medos, pois quem tem esperança não tem medo da novidade, medo de caminhar junto. Um modo de se colocar a caminho que leva a ter a certeza de que no caminho podemos encontrar tropeços, pedras, mas sobretudo alegria, companheiros e companheiras, gente em sintonia diante dos mesmos problemas. Um Sínodo que está sendo uma oportunidade para apontar caminhos para a esperança em algo novo, para uma revelação de algo que estava escondido na Igreja, porque a Igreja sinodal, ela já existe. Talvez ela tivesse sido esquecida, talvez muitos nem a conheciam. Mas estamos diante de um chamado que nos leva a assumir a necessidade de resgatar, de recuperar. Como Madalenas se faz preciso anunciar essa Igreja da esperança, essa Igreja sinodal onde todos se propõem caminhar juntos, algo que é bem mais do que dar as mãos e caminhar, é perceber que nós temos erros e que no caminho somos chamados a acertar esses erros, acolhendo todos e todas sem exclusão de ninguém. Essas mesas redondas onde se olhando aos olhos, os membros do Sínodo, homens e mulheres chegados de todos os cantos da Igreja buscam discernir esses caminhos de esperança. Um modo de ser Igreja a ser assumido em tantos lugares onde a esperança é necessária para não duvidar que Deus sempre está com todos, todos, todos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1