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Leonardo Lima Gorosito: Ser facilitador no Sínodo, ver “como o Espírito está a falar entre as pessoas”

Na Assembleia do Sínodo 2021-2024 foi criada uma nova figura, a do facilitador. Um deles é o leigo uruguaio Leonardo Lima Gorosito, que vê a sua figura como alguém que “tem a bênção de poder ver de alguma forma qual é o processo, como o Espírito está a falar entre as pessoas”. Trata-se de chegar à harmonia, de ver a diversidade como “um dom e uma graça para a Igreja”, insistindo que “uma Igreja sinodal, sem dúvida, tem de ser diversa”. Uma Igreja em que se vive a circularidade, algo que é ajudado pela conversa espiritual, onde “não há hierarquia, há humanidade, há pessoas chamadas”, que estão “em volta de algo, mas ao mesmo nível”. “É um caminho que tem de ser percorrido, algo que terá de ser introduzido na vida das comunidades“, insiste Lima Gorosito, em que é necessário formar e dar passos concretos para que “a conversa seja o que dinamiza as organizações, as estruturas”. Uma das novidades da Assembleia Sinodal que se realiza em outubro é o trabalho nas chamadas comunidades de discernimento, nas quais haverá um facilitador. Como alguém que vai assumir esse papel, o que significa? Pessoalmente, a verdade é que é uma bênção poder participar como animador. É um papel de ajuda, de apoio à dinâmica do diálogo espiritual, e o que procuramos é que o método ajude as pessoas a encontrarem-se profundamente num clima de oração, de abertura ao Espírito. O animador tem a bênção de poder ver, de alguma forma, qual é o processo, como o Espírito está a falar entre as pessoas, e nós também temos a graça de ver que dons são dados na conversa espiritual. Como é que o Espírito ajuda a fazer avançar a sinodalidade? O Espírito é, sem dúvida, o grande arquiteto de tudo isto, porque, naquilo que eu vi nos casos de conversa espiritual, conseguir chegar à harmonia, não necessariamente concordando em tudo ou apontando as coisas na mesma direção, mas conseguir chegar à harmonia, chegar à fraternidade, a fraternidade é alcançada muito rapidamente, vê-se como a ação do Espírito faz com que isso aconteça. A Palavra de Deus diz-nos que há uma diversidade de dons, mas o mesmo Espírito. A diversidade é uma coisa boa, o Papa Francisco insiste muito nisso. Porque é que é tão difícil para nós, na Igreja, aceitar aqueles que são diferentes e têm opiniões diferentes? Eu acolho bem a diversidade. O Sínodo aponta-nos para a igual dignidade de todos os batizados e isso desarma qualquer outra pretensão de que possa haver alguns que vão ser acolhidos e outros que não, alguns que vão ser salvos e outros que não vão ser salvos. Essas coisas não têm nada a ver com o Espírito, nem com o Espírito de Jesus, nem com o Espírito do próprio Deus. A diversidade é um dom e uma graça para a Igreja, e uma Igreja sinodal tem certamente de ser diversa. Por vezes há resistência, as pessoas não compreendem bem qual é o papel das pessoas ou o que somos chamados a fazer, mas a sinodalidade também nos mostrou que, na medida em que é um processo, temos de o percorrer e isso ajudará e curará. Fala da igual dignidade do Batismo. É um leigo e vai animar um grupo em que a maioria são bispos, com outras vocações e ministérios. Podemos dizer que esta dinâmica que o Papa Francisco quis promover neste Sínodo reforça essa dignidade batismal, reforça uma Igreja em que o sacramento fundamental é o Batismo? Sem dúvida, a partir dos textos preparatórios do Sínodo e das experiências continentais e diocesanas, aquilo que se viveu muito na Etapa Continental, a igual dignidade teve uma expressão que para mim foi bonita, não sentimos o carácter piramidal da Igreja, mas sentimos muita horizontalidade, eu diria, até circularidade, no sentido de que estávamos todos no mesmo plano, reunidos à volta de qualquer coisa e não havia um nível hierárquico. É o que acontece na conversa espiritual, quando se está no momento da conversa espiritual não há hierarquia, há humanidade, há pessoas chamadas, e experimenta-se algo muito circular, que estamos todos à volta de algo, mas ao mesmo nível. Nos encontros regionais da etapa continental do Sínodo, esta circularidade foi experimentada nos círculos de discernimento: é possível viver e caminhar assim, é possível construir a Igreja a partir desta circularidade? Sem dúvida, a experiência foi maravilhosa, pessoalmente eu estava muito cheio do Espírito, no sentido de que foi um momento de graça. É um caminho que tem de ser percorrido, algo que terá de ser introduzido na vida das comunidades. O diálogo espiritual é um grande instrumento e temos de apostar nele, é o momento de o fazer e estamos a caminho. Diz que o diálogo tem de ser introduzido na vida das comunidades, que passos têm de ser dados para isso? Precisamos de identificar, porque em todas as comunidades há pessoas que facilitam o diálogo, precisamos de identificar as pessoas que tornam isso possível nas comunidades e, depois, talvez formá-las para serem facilitadoras, para ajudar a que a conversa seja o que dinamiza as organizações, as estruturas. Que, nos conselhos diocesanos, nos conselhos paroquiais, pudesse haver este tipo de instância, facilitaria muito a tarefa. Precisamos de ser treinados para isso e de abrir espaço para isso. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Giacomo Costa: Assembleia Sinodal, “amassar a experiência e a Palavra de Deus para descobrir o que o Espírito está a dizer”

A Primeira Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo 2021-2024, que se realizará em outubro próximo, é definida pelo padre Giacomo Costa, secretário especial da Assembleia Sinodal, como um tempo de mudanças na continuidade. De fato, estamos perante um Instrumento de Trabalho diferente, que ele define como uma ajuda prática para trabalhar em conjunto com base em tudo o que foi feito nas assembleias continentais. O Povo de Deus como ponto de partida e de chegada O Sínodo dos Bispos tem evoluído nos últimos anos e a Episcopalis Conmunio, que pela primeira vez será aplicada na íntegra num sínodo, segundo o padre Costa, desempenha um papel importante nesta dinâmica.  No número 7 deste documento fica claro que “o processo sinodal tem o seu ponto de partida e também o seu ponto de chegada no Povo de Deus, sobre o qual devem ser derramados os dons da graça infundidos pelo Espírito Santo através da assembleia dos Pastores”. Neste processo sinodal, algumas questões foram levantadas: como é que este “caminhar juntos” que permite à Igreja anunciar o Evangelho, de acordo com a missão que lhe foi confiada, está a ser realizado hoje a vários níveis (do local ao universal)? Que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos como Igreja sinodal? Estamos perante um processo, sublinhou o jesuíta, em que “o trabalho se baseia nos temas que emergiram da escuta do Povo de Deus, apresentados no Instrumentum Laboris e recolhidos em documentos anteriores”. Por isso, insiste que o trabalho da Assembleia pretende ser um caminho de oração, de discernimento espiritual, porque o verdadeiro protagonista é o Espírito Santo. De 30 de setembro a 29 de outubro Um processo que começa a 30 de setembro com a Vigília Ecuménica de Oração, um retiro de três dias e a missa de abertura a 4 de outubro. Durante os trabalhos da assembleia, que serão acompanhados por momentos de oração e celebrações litúrgicas, o ponto de partida será uma experiência integral que ajudará, ao longo de quatro dias, a ter uma visão global do que é uma Igreja sinodal, o que constitui o primeiro segmento. Durante 13 dias, de 9 a 21 de outubro, serão trabalhados os três temas prioritários para a Igreja sinodal: comunhão, missão, participação, designados segmentos 2, 3 e 4. Finalmente, o segmento 5, que será o momento das conclusões e propostas, de 23 a 28 de outubro, com a missa de encerramento a 29 de outubro Características e comportamentos fundamentais de uma Igreja sinodal O objetivo é aprofundar as características e os comportamentos fundamentais de uma Igreja sinodal, a partir da experiência do caminho em conjunto vivida pelo Povo de Deus. O objetivo é identificar passos práticos significativos a dar para crescer como Igreja sinodal através do discernimento sobre os três temas prioritários que emergiram da consulta ao Povo de Deus. Trata-se de perguntar como ser mais plenamente sinal e instrumento de união com Deus e com os outros, como partilhar dons e tarefas ao serviço do Evangelho, e como procurar as estruturas e instituições necessárias numa Igreja sinodal missionária. Ao apresentar a dinâmica de cada segmento, o padre Costa disse que cada segmento seguirá o mesmo padrão, ajudando a construir consenso sem esconder as diferenças. Para tal, haverá uma introdução em que se contextualiza a realidade através de testemunhos e contributos bíblicos, um trabalho em grupos linguísticos, utilizando o método da conversa no Espírito, sessões plenárias, onde se fará a síntese do trabalho realizado nos grupos, com um debate aberto e uma recapitulação nos grupos, com base nos frutos recolhidos em plenário que ajudarão a formular um relatório final com propostas para os próximos passos. Articulação de perspectivas, dimensões e níveis Este trabalho será efetuado com base em fichas de trabalho, começando por uma breve contextualização, enquadrada pelas reflexões decorrentes da consulta ao Povo de Deus. Para o efeito, serão propostas algumas intuições e questões que articulam várias perspectivas, dimensões e níveis. Trata-se, nas palavras do padre Costa, de “amassar a experiência e a Palavra de Deus para descobrir o que o Espírito está a dizer“. Quanto às conclusões e propostas, ficou claro que o resultado não será um documento final, porque esta é a primeira sessão. Um novo documento surgirá para devolver o que foi trabalhado a toda a Igreja e para ver como aprofundar o que saiu da assembleia. Seguindo o que foi dito na Episcopalis conmunio, que afirma que “o consensus Ecclesiae não é dado pela contagem dos votos, mas é o resultado da ação do Espírito, a alma da única Igreja de Cristo”. Por isso, ele insistiu que “ou ganhamos todos ou não ganha ninguém”, afirmando que é inútil formular de qualquer maneira se não refletir o consenso. Uma experiência continental única de Igreja sinodal Aos participantes na Assembleia Sinodal em representação das Igrejas da América Latina e do Caribe, o secretário especial salientou a sua grande responsabilidade, “porque aqui têm uma experiência continental única de Igreja sinodal“. Daí a importância destes dias de encontro, que ajudam a tomar consciência dos dons da Igreja na América Latina e no Caribe, a reconhecer os dons das outras Igrejas e a aprender a caminhar juntos. O objetivo é ajudar toda a Igreja a crescer como Igreja sinodal missionária. Uma Assembleia sinodal em que a conversação no Espírito desempenha um papel fundamental, que Mauricio López vê como a práxis do discernimento. Nesta metodologia, ele vê a necessidade de uma atitude orante, que ajuda na busca progressiva do que o Espírito nos está a dizer. Reconhecendo que não é um método perfeito, insiste que o passo mais importante é passar do “eu” para o “tu”, para descobrir no que os outros partilharam a presença do Espírito. Algo que dá lugar à procura do “nós”, do sentimento comum de cada grupo, da presença do Senhor em cada um dos grupos. Algo que será realizado durante estes dias como preparação para o que será vivido em outubro. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo: O Marco Temporal “será um marco de continuidade de morte dos povos indígenas”

“Se aprovado será um marco de continuidade da destruição”. Assim vê o cardeal Leonardo Steiner o julgamento do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal, que será retomado nesta quarta-feira 30 de agosto. Até o momento três ministros já votaram, se posicionando um a favor e dois contra o Marco Temporal. O Regional Norte1 da CNBB tem entre suas prioridades a defesa dos povos indígenas, uma defesa que dom Leonardo Steiner assumiu em sua missão como cardeal, empenhado em preservar os direitos da Amazônia e dos povos que a habitam. Daí sua denúncia da destruição que provocaria a aprovação do Marco Temporal, “destruição da natureza, do meio ambiente, destruição das culturas”. É por isso que o presidente do Regional Norte1 afirma que “será um marco de continuidade de morte dos povos indígenas, de desrespeito em relação aos povos indígenas”. Um marco que fará, segundo o arcebispo de Manaus, “não levarmos em conta enquanto Federação nenhum dos direitos”. Caso contrário, “se não aprovado será um grande marco, um marco de justiça, um marco de preservação dos nossos povos indígenas, será um marco para podermos ajudar os povos a se erguerem, mas também dizerem que eles são realmente brasileiros. E são brasileiros que eles têm direito a suas terras, que tem direito a viver do modo que eles desejam, que eles têm direito a exercer a sua cidadania”, ressalto o cardeal Steiner. Ele deixou claro que “nós esperamos que o Marco Temporal não seja aprovado”. Dom Leonardo Steiner comparou a situação que vivem os povos indígenas do Brasil com a situação que seria vivida “se um empresário tivesse a sua empresa invadida, que é que isso significaria. Imagine se as nossas pessoas do agronegócio se tiverem as suas fazendas invadidas, o que que haveria de acontecer?”. Diante disso, o arcebispo de Manaus denunciou que “nós estamos invadindo as terras indígenas, nós estamos destruindo as terras indígenas, nós estamos matando os povos indígenas”. O cardeal pediu que “o Marco Temporal não seja aprovado e que nós possamos ir ao encontro dos povos indígenas, ajudá-los a retomar a sua cultura, as suas línguas, a sua religiosidade”. Ele afirmou sem reservas que “nós como Igreja queremos sempre estar do lado dos povos indígenas, especialmente neste momento do julgamento do Marco Temporal”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Jaime Spengler: No Sínodo, “estamos envolvidos na grande questão do presente e do futuro da Igreja”

O Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (Celam), realiza de 29 a 31 de agosto o encontro com os representantes das igrejas do continente na primeira sessão da Assembleia Sinodal que acontecerá em Roma no mês de outubro. Mais ou menos 50 pessoas, bispos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, presbíteros, membros da assembleia e facilitadores, estão reunidos na sede do Celam em Bogotá (Colômbia). Seguindo aquilo que a Liturgia da Palavra do dia apresentou, fazendo um chamado a não ter medo, a ir adiante, dom Jaime Spengler, na homilia da Eucaristia de abertura, relacionou as palavras da Escritura com aquilo que vai ser feito ao longo dos próximos dias, “dar continuidade ao caminho iniciado em vista da celebração da primeira sessão da Assembleia do Sínodo dos Bispos”, destacando a presença do padre Giacomo Costa, secretário especial da Assembleia Sinodal que será realizada no mês de outubro. O presidente do Celam insistiu em que “o Sínodo tem como tema a Igreja”, lembrando o desejo de fazer um Sínodo sobre essa temática, mas que não se sabia como fazer. Segundo o arcebispo de Porto Alegre, “o Papa Francisco assumiu essa tarefa e propôs um caminho que já de alguma forma está produzindo frutos, e também ácidas críticas”. Aqueles que foram escolhidos para representar os episcopados do continente e as igrejas com suas comunidades, têm “uma oportunidade única, é graça, é benção, é também uma responsabilidade, pois de algum modo estamos envolvidos na grande questão do presente e do futuro da Igreja”, ressaltou dom Jaime Spengler. Diante da atual realidade, onde “o cristianismo parece encontrar dificuldades de se apresentar com uma palavra crível e autorizada”, o presidente do Celam disse que “há quem afirme que a adesão à fé e Tradição está com os dias contados”. Ele lembrou as palavras do cardeal Martini, que dizia que “a Igreja está 200 anos atrasada”, questionando o porquê isso não nos incomoda e afirmando que “temos medo, medo ao invés de coragem”. “O ponto central não é a Igreja de hoje, não é a Igreja do passado, o ponto é a Igreja que virá, isto é, a Igreja que queremos deixar de herança às futuras gerações”, segundo o arcebispo de Porto Alegre. Ele destacou que “a questão é a capacidade do cristianismo e da Igreja de ser eloquente para todas as culturas e de ser compreendida na sua essência”. Isso porque “em alguns setores parece estar desaparecendo a figura do praticante e começando a surgir a figura do nômade e do peregrino”, em relação à Igreja. Ela “precisa ser ajudada e sustentada em seu caminho de verdade e liberdade, mais que uma Igreja que tem sempre algo a dizer, e que é sempre pronta a dar indicações e receitas”, enfatizou. Dom Jaime Spengler definiu a situação atual da Igreja numa palavra: “estamos em crise, e isso é bom, isto é salutar, isto é esperançoso, a crise tenta evitar que aconteça o pior. A Igreja está sempre em crise, ou ao menos deveria estar, o seu mais grande limite está em não tomar consciência desta situação”. Segundo o arcebispo de Porto Alegre, “a pluralidade é enorme e a vitalidade surpreendente, é o Evangelho”, lembrando que o Papa Francisco percebeu esta situação, e pedindo que “o Espírito divino nos inspire e nos guie, e que o diálogo franco entre irmãos e irmãs nos fortaleça”. Sobre o encontro que se realiza na sede do Celam de 29 a 31 de agosto, onde participa o cardeal Leonardo Steiner, presidente do Regional Norte1, dom Jaime Spengler colocou três pontos: rezar juntos, a final é o Espírito de Deus que nos inspira; nos conhecer, saber quem somos, de onde viemos, o que fazemos, quais são as nossas expectativas; iniciar um trabalho de diálogo em torno de aquilo que é o tema deste Sínodo, a própria Igreja com seus diversos aspectos. O presidente do Celam insistiu em que “uma oportunidade como esta, estes dias aqui junto à sede do Celam se torna um tempo privilegiado para realmente nós buscarmos sintonizar o nosso discurso”. Uma sinodalidade que “já está presente em muitos âmbitos da vida eclesial”, enfatizou dom Jaime Spengler, que disse que “desejamos avançar nesse modo de trabalhar”, citando diferentes exemplos dessa sinodalidade na vida eclesial presente nos conselhos existentes em todos os níveis de Igreja, que segundo o arcebispo de Porto Alegre é “o espírito que o Santo Padre pede que retomemos por assim dizer numa nova tonalidade”. Ele insistiu em pegar a mesma tonalidade, “pegar a sintonia do que o Santo Padre está nos pedindo neste momento”. Nesse sentido, disse que “não são bandeiras, é a identidade da Igreja segundo os critérios que vem, seja do Evangelho, seja da Tradição dos Santos Padres, seja também da bela Tradição da Igreja”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro dos participantes da América Latina y Caribe no Sínodo: Partilhar as vivências de uma Igreja sinodal

A sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (Celam), em Bogotá (Colômbia), acolhe de 29 a 31 de agosto o encontro daqueles que irão participar da Assembleia Sinodal em outubro no Vaticano como membros e como facilitadores. Quase 50 participantes, bispos, leigos e leigas, representantes da Vida Religiosa, presbíteros, chegados das 22 conferências episcopais que fazem parte do Celam. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da CNBB é um dos cinco bispos eleitos pelo episcopado brasileiro para o representar em Roma. Dom Leonardo destaca a importância de ouvir, “nós não queremos que o Sínodo seja uma participação, então ouvir quem vai participar, deixar repercutir, naquilo que cada um traz, cada uma traz”. Ele insiste em que “isso é sinal de comunhão da América Latina que deseja participar”. Estamos diante de um momento de muito encontro, segundo o cardeal, “para ajudar também a preparar as nossas falas, as nossas participações, mas sempre em vista da Igreja que está na América Latina”. Essa Igreja da América Latina e do Caribe, marcada pela sinodalidade em seu caminhar nas últimas décadas é uma Igreja da qual a Igreja universal espera seus aportes. Nesse sentido, o presidente do Regional Norte1 da CNBB não duvida em defini-la como “uma Igreja que evangeliza, uma Igreja que leva em conta todos os ministérios, vocações e serviços, as pastorais da Igreja”. Uma Igreja que dom Leonardo vê como missionária, “mas que só será missionária quando todos os membros, todos os batizados forem ativos”. Ele insistiu em que “nós temos uma belíssima experiência na Amazônia, nossa Igreja já respira há muito tempo, dadas as iniciativas do passado, uma Igreja sinodal, as nossas assembleias são sinodais, as nossas assembleias diocesanas são sinodais, no Regional são sinodais, mas também das igrejas que estão na Amazônia, nós vemos a participação de todos”. Uma dinâmica fundamental é “trazermos os leigos para participar”, lembrando que nos Atos dos Apóstolos, “eles estão lá participando ativamente e também fundam igrejas”, o que dom Leonardo define como muito bonito. É por isso que ressalta que “se nós pudermos como América Latina, como Brasil, levar isso para o Sínodo, para que nossa Igreja seja cada vez mais sinodal, será uma grande contribuição”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Assembleia do CNLB Roraima reflete sobre a profecia e elege novo conselho

A diocese de Roraima realizou de 25 a 27 de agosto a Assembleia formativa e eletiva do Conselho de Leigos e Leigas da Diocese – CNLB Roraima. O tema de reflexão ao longo do encontro foi “Não deixemos morrer a Profecia”. A assembleia contou com a participação de representantes de diferentes paróquias da diocese, de dom Evaristo Spengler, bispo diocesano, e de Francisco Meirelles, presidente do Conselho Nacional do Laicato Brasileiro Regional Norte. Ao longo da Assembleia foram abordados diferentes temas, dentre eles a formação em preparação ao Mês da Bíblia, que se inicia no dia 1º de setembro e que neste ano de 2023 realizará o estudo da Carta aos Efésios. Também foi refletido sobre o tema central da assembleia: “Não deixamos morrer a Profecia”, sendo realizado um trabalho em grupos com a seguinte pergunta: “quem são os profetas e profetizas hoje na diocese?”. As reflexões nos diferentes grupos foram partilhadas em plenário. A mesma temática foi abordada em nível regional e nacional, tendo como ponto de partida os vídeos de dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, bispo da Prelazia de Itacoatiara e referencial do laicato em nível regional, e Sônia Gomes de Oliveira, presidenta do Conselho Nacional do Laicato. A eleição do novo conselho, seguindo o regimento, aconteceu no domingo 27 de agosto, dia em que dentro do Mês Vocacional se reza pelas vocações laicais e se celebra o Dia do Catequista, um ministério onde o laicato tem um papel fundamental. Após a celebração da Eucaristia, presidida pelo padre Mauro Maia, foi realizada a eleição entre as duas chapas concorrentes, sendo eleito Lincoln, leigo engajado na Caritas Roraima e nas Pastorais Sociais. Os participantes encerraram a assembleia com a benção indígena, uma realidade muito presente no Estado de Roraima, e o gesto de lava-pés da ex-presidente do CNLB da diocese de Roraima aos novos eleitos para coordenar o laicato nos próximos anos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cultura e espiritualidade marcam encontro transfronteiriço do Povo Magüta

Um encontro para refletir sobre os quatro pilares da nação Magüta: Maü (origem), Naé (território), porá (cultura), fá (espiritualidade). Este foi o objetivo do encontro realizado na reserva indígena de Nazaré (Colômbia), de 25 a 27 de agosto de 2023, baseado na reflexão ancestral sobre a cultura, espiritualidade e identidade Magüta. Conforme relatado pelo Padre Ferney Pereira Augusto, sacerdote diocesano do Vicariato Apostólico de Letícia, indígena Ticuna, pároco da Sagrada Família de Nazaré (Colômbia), membro da coordenação do Projeto Igreja Sinodal com rosto Magüta, projeto implementado por um grupo de missionários da Tríplice Fronteira Brasil-Colômbia-Peru, o projeto contou com a participação de avós sábios (xamãs), médicos tradicionais, jovens, avôs, catequistas e agentes de pastoral das reservas indígenas de El Progreso, Arara, Nazaré, na Colômbia e de Umariaçu e dos Lassalistas de Tabatinga, na diocese de Alto Solimões. Grimaldo Ramos Bautista, autoridade Magüta e sábio da comunidade de Nazaré, refletiu sobre a importância da cultura da nação Magüta, especialmente a tradicional festa da puberdade (pelazón), sua importância na harmonia que os membros do povo Magüta devem ter com a natureza, com Deus e consigo mesmos. Outro membro da comunidade de Nazaré, Celestino Careca, médico tradicional (xamã), ajudou a aprofundar o território da nação Magüta, os lugares sagrados, as estradas, a cartografia Magüta e o grande território Magüta que atravessa a Tríplice Fronteira Brasil – Colômbia – Peru, mostrando que o povo Magüta não tem limites, que a terra é de todos e por isso deve ser cuidada como uma única casa comum. A origem do povo Magüta foi o ponto central da reflexão do xamã Javier Ramos, professor da reserva indígena de Arara, que enfocou a criação do mundo, a origem do homem Magüta, os clãs, refletindo sobre a importância de conhecer e praticar as tradições ancestrais para uma boa convivência na comunidade e sua relação com o mundo ocidental. O nascimento e o batismo tradicional, o rito da puberdade, a origem dos médicos tradicionais e a medicina ancestral como alternativa de cura espiritual e corporal do povo Magüta, foram elementos presentes na reflexão de Robinson Ríos, um jovem aprendiz de xamã, que destacou a importância dos xamãs na sobrevivência espiritual do povo Magüta e no cuidado com o meio ambiente. O encontro cultural e espiritual foi desenvolvido em torno do diálogo ancestral e da prática espiritual, destacando a importância da vida espiritual para o povo Magüta. São espaços onde o povo Magüta se encontra para a cura física e espiritual, um espaço para os avós e médicos tradicionais, onde curam e protegem o povo das suas doenças corporais e problemas espirituais. O encontro foi uma oportunidade para o xamã Magüta Sixto Ramos, da reserva indígena de Progreso, tratar pacientes com dores no corpo, especialmente as causadas por uma maldição de bruxaria. Humberto Pascual, xamã do povo Magüta da reserva indígena de Nazaré, especialista em tratamento de maldições de feitiçaria, proteção e cuidado do mundo espiritual, recomendou aos participantes a preservação da cultura, da espiritualidade ancestral, através da prática cultural e da conservação da casa do saber (maloca), que é o lugar sagrado mais próximo que a nação Magüta tem para cuidar do povo Ticuna ou Magüta. Um encontro em que os participantes foram nutridos espiritual, corporal e cognitivamente pelas reflexões e diálogos com os pajés, que lhes deram recomendações sobre o cuidado com o mundo natural, o mundo sobrenatural, o mundo espiritual e o mundo terreno. Foi sublinhado que estes mundos estão hoje quebrados devido à não prática e à não transmissão dos conhecimentos ancestrais à nova geração do povo Magüta, que está impregnada pela contaminação do mundo exterior (Korí, ocidental), o que tem enfraquecido a força espiritual, cultural e social do povo Magüta atual. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Momento formativo da Caritas Itacoatiara: partilhar, conhecer, celebrar

Aconteceu nos dias 25 e 26 de agosto, a formação permanente para o voluntariado da Caritas da Prelazia de Itacoatiara. Segundo Marcia Maria Miranda, articuladora da Caritas Regional Norte1 “foi um momento de partilha, avanço nos conhecimentos e celebração do dia do voluntariado”. O evento iniciou com a mística “Semear a esperança“, temática do dia do voluntariado. Na oportunidade também foi apresentado para os agentes novos que estão inserindo-se e iniciando Caritas Paroquial, a identidade da Caritas, a sua missão e suas áreas de ação. Caritas na Prelazia de Itacoatiara vem se destacando com o serviço e o cuidado aos irmãos mais vulneráveis, necessitados, aqueles que estão à margem da sociedade. Estavam presentes 35 agentes voluntários de 06 paróquias. Na formação se fez presente dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, bispo da Prelazia de Itacoatiara, que como pastor desse rebanho da Prelazia é um grande motivador das ações desenvolvidas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1, com informações de Caritas Regional Norte1

Cardeal Steiner: “A confissão de Pedro é a nossa confissão”

Uma resposta que “nasce espontânea, pois recolhe as conversas, as opiniões que circulam entre o povo”, afirmou dom Leonardo Steiner no início de sua homilia do 21º domingo do Tempo Comum. A resposta: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”, vem da pergunta de Jesus: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”. Segundo o arcebispo de Manaus, “é o dizer, o opinar, o avaliar em geral; a percepção, a intuição de uma pessoa ligada à tradição, à história do povo. Diante das palavras, gestos, proximidade, milagres, as pessoas ligam Jesus à presença de João Batista, de Elias, de algum dos profetas. Pensar que fosse João Batista, Elias, Jeremias tinha um alto significado”. “Um profeta em Israel era chamado, o escolhido de Deus, o recordador da Aliança, o despertador do Povo para voltar à beleza do primeiro amor”, lembrou o cardeal Steiner. Segundo ele, “os discípulos eram bons ouvintes, sabiam o que o povo pensava, percebia e sentia. Jesus é visto como uma pessoa enviada e a sua pregação leva a despertar para a conversão, a volta às fontes, à fidelidade de Deus”. “Jesus se dirige diretamente aos discípulos e lhes pergunta: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’. Não mais o que dizem, o que se diz, a opinião das multidões”, fez ver o cardeal. Ele insiste no “e vós!”, o que se concretiza no “vós que andais comigo, vós que participais da minha vida, vós que a cada dia me ouvis, me conheceis de perto: quem, sou eu para vós? Já não uma resposta da opinião pública, da opinião corrente, do WhatsApp. Quem sou eu para você? Para cada um de vocês o que eu significo, quem eu sou para cada um de vocês? Não se trata mais dos outros, trata-se de cada um dos discípulos; Jesus busca uma resposta pessoal”. “E Simão na sua espontaneidade e prontidão, olhando para Jesus confessa: ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’”, lembrou dom Leonardo. Ele destacou que “Simeão vem do hebraico Shim’on, de shamá, que significa ‘ele ouviu’; ele é bom ‘ouvinte’. O bom ouvinte sonoriza, verbaliza o ouvido, aquilo que ouviu e viu. Não um profeta, um Batista reencarnado, mas o Messias, o Filho de Deus”. “Na confissão de Pedro está a nossa confissão. A confissão de Pedro é a nossa confissão. Nós que ouvimos a Jesus e buscamos conviver com Ele, vamos despertando para a confissão: ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’”, insistiu o cardeal, que afirmou que “Ele a nossa referência, o sentido da nossa vida e das nossas cruzes. A nossa confissão na confissão de Pedro, está confissão da nossa comunidade de fé. A comunidade, a Igreja, que confessa sua fé no Filho de Deus: Jesus é o Messias, o Filho de Deus, o Salvador, o Redentor. A comunidade que confessa a sua fé em Jesus, quando se reúne para a celebração, quando serve os necessitados, quando busca transformar as estruturas injustas. A comunidade que confessa como Pedro, pois lugar de encontro onde Cristo é a pedra, o fundamento”. “Na confissão ouvida, proclamada, Jesus muda o nome do discípulo: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja’. Simão, passa a Pedro; Pedro-pedra; pedra-Pedro!”, destacou o cardeal. Ele lembrou as palavras de São Gregório Magno no Sermão 4, onde insiste na dignidade de Pedro. Do mesmo modo citou as palavras do Papa Francisco do Angelus do último 29 de junho, onde destaca a figura de Pedro como rocha e pedra. O arcebispo de Manaus ressaltou que “Pedro é pedra, é rocha, e por ser pedra também é pedrisco. Pedrisco, pois também é um homem fraco e frágil; trai a Jesus. Às vezes não compreende o que Jesus faz. Diante da prisão deixa-se dominar pelo medo e nega a Jesus. Na sua fraqueza se arrepende e chora amargamente (cf. Lc 22,54-62). Não tem a coragem de estar aos pés da cruz. Esconde-se com os outros no cenáculo, com medo de ser preso (cf. Jo 20,19). Tem vergonha de estar com os pagãos convertidos (cf. Gl 2,11-14)”. “Ao confessarmos a nossa fé no Filho de Deus temos uma pedra firme, e nos tornamos pedra. Somos pedra, pois alicerçados em Cristo, temos como fundamento Cristo, temos como razão da nossa vida Cristo. Nele pedra, somos pedra que forma a Igreja. Somos como Pedro fracos, duvidamos, nos escondemos, deixamos a vida da comunidade, por isso também somos pedriscos. Em Pedro nos vemos e percebemos que Jesus constrói a sua Igreja com as nossas fragilidades e pecados. Jesus vai edificando a sua Igreja com as nossas contradições e nosso seguimento. Mesmo sendo contratestemunhas, Cristo se torna visível. Possamos na admiração que Jesus suscita em nós dizer ‘Tu és o Filho de Deus’, para que o Pai do céu possa revelar aos corações distraídos e endurecidos a sua presença inefável”, segundo dom Leonardo Steiner. Dentro do Mês Vocacional, o cardeal lembrou que “neste domingo a Igreja no Brasil convida a contemplar a vocação dos leigos e leigas na Igreja, especialmente, do/a catequista. Nos Atos dos Apóstolos lemos como a comunidade de Antioquia nasceu da pregação dos que foram dispersados. Mulheres e os homens que, encantados com o Reino de Deus, anunciam, mostram e espalham a vida de Jesus Cristo”. O cardeal insistiu em que “os leigos e as leigas como povo de Deus, são chamados a confessar que Jesus é o Filho de Deus, sendo pedra que constrói, anunciando o bem, a paz, a justiça, a fraternidade, o amor; chamados à missão de denunciar o descarte, o pecado, a morte”. Isso significa, “todos os batizados e confirmados pelo Espírito Santo colocam-se a caminho!”, afirmou lembrando as palavras do Papa Francisco em Evangelii Gaudium 49, onde animando a sair, diz que “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído…
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Atualizar a Laudato Si’, um desejo do Papa Francisco que nos questiona a todos

No dia 21 de agosto, o Santo Padre surpreendeu o mundo ao dizer que “estou a escrever uma segunda parte da Laudato si’ para atualizar os problemas atuais“. Numa audiência com uma delegação de juristas dos países membros do Conselho da Europa, signatários do Apelo de Viena, o Papa Francisco revelou seu desejo. Nas suas palavras, nas quais exprimiu o seu apreço pelas iniciativas que estão a ser tomadas para desenvolver um quadro normativo a favor da proteção do ambiente, afirmou que “nunca devemos esquecer que as novas gerações têm o direito de receber de nós um mundo belo e habitável, e que isso nos investe de sérios deveres para com a criação que recebemos das mãos generosas de Deus”. A Laudato si’ é uma encíclica que promove o cuidado na interação dos seres vivos com o seu habitat, o cuidado com a casa comum. Com ela surgiu o conceito de ecologia integral, que chama a ouvir tanto o grito da terra como o grito dos pobres, que é o mesmo. De fato, são os pobres que mais sofrem as consequências da falta de cuidados com a casa comum. Em oito anos, tempo decorrido desde a publicação da Laudato Si’, essas consequências acentuaram-se, apesar de alguns, quase sempre movidos por interesses económicos e pela sua falta de vontade de renunciar ao que poderíamos chamar “privilégios climáticos”, insistirem em negá-lo. As situações extremas multiplicaram-se e isso exige respostas firmes, que muitos governos não querem assumir. Quanto maior é a prosperidade, menor é a consciência da necessidade de cuidar da terra e dos pobres. Ao longo destes anos – não podemos esquecer que a Laudato Si’ foi publicada apenas dois anos após o início do seu pontificado – o Papa Francisco entrou em maior contato com aqueles que podemos considerar mestres da ecologia integral, os povos indígenas. Movidos pela sua visão comunitária da existência, que leva ao cuidado mútuo, e da Terra como uma mãe que temos a obrigação de cuidar, devem ter-lhe oferecido diretrizes para o ajudar nas orientações que pretende dar à humanidade com o seu novo escrito. Neste sentido, o Sínodo para a Amazónia, onde os povos indígenas foram protagonistas ao longo de todo o processo, e tudo o que foi refletido a partir do seu Documento Final e da Querida Amazônia ao longo dos últimos quatro anos devem ser elementos presentes no documento que está a preparar. Lá aparecem apelos à conversão e na exortação pós-sinodal a sonhar, e dentro destas conversões e sonhos está o ecológico, sempre entendido em relação e complementaridade com as outras conversões e sonhos. Na audiência de 21 de agosto, Francisco referiu-se às novas gerações e ao seu direito a receber um mundo belo e habitável. Podemos dizer que os jovens devem ser outra das suas fontes de inspiração neste texto que tem em mãos. Um papa que olha sempre em frente, preocupado com aqueles que serão os gestores desse futuro, como expressou recentemente na Jornada Mundial da Juventude em Lisboa. Um texto que deve oferecer também elementos que ajudem a fazer avançar a boa política, uma ideia muito presente na outra grande encíclica do seu pontificado, Fratelli tutti. Cada vez mais políticos estão a prestar atenção às orientações que o Papa Francisco dá em relação à implementação da ecologia integral, o cuidado da casa comum. São ideias que estabelecem diretrizes para as políticas ambientais e para o cuidado com os mais pobres, e nisso ele pretende continuar a ajudar, apesar da resistência de alguns.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar