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Dom Leonardo: “Não seguimos ideologias, seguimos o pão descido do céu”

A Arquidiocese de Manaus celebrou neste 8 de junho a Solenidade de Corpus Christi, ocasião para “testemunharmos a presença de Jesus, uma presença humilde, simples, alimentícia”, afirmou o cardeal Leonardo Steiner no início da celebração eucarística realizada nas ruas do centro da cidade, que também acolheram o decorrer da procissão posterior. Segundo o arcebispo, “podemos testemunhar andando com Ele pelas ruas da nossa cidade essa presença de Deus que nos alimenta, nos fortifica y nos transporta”. O cardeal Steiner começou sua homilia citando as palavras de Jesus na passagem do Evangelho do dia: “Eu sou o Pão Vivo descido do Céu”. Dom Leonardo destacou que “Jesus vai descrevendo o Pão que é Ele mesmo, Ele que alimenta, a vida dele que nos é dada, nos é transmitida, a vida dele, sua palavra, que nos alimenta, nos ilumina, nos guia. Por isso, ele insistiu em que “o pão vivo descido do céu não é o fermento, é o pão vivo, a pessoa de Jesus, a pessoa de Jesus que vai nos iluminando, guiando, nos transformando, vai criando vida da comunidade”. “O pão vivo descido do céu, Jesus que veio ao nosso encontro, o sentido da nossa fé, o sentido das nossas comunidades, o sentido das nossas vocações, o sentido de nos encontrarmos aqui”, ressaltou. Ele lembrou que “quem vive de Jesus, quem se alimenta de Jesus, quem se dessedenta de Jesus, tem a vida eterna”, que segundo o arcebispo “vem na medida que vamos nos deixando tomar por Jesus, vamos nos alimentando de Jesus, vamos bebendo a vida de Jesus”. O arcebispo repassou as leituras do dia, destacando na primeira que “o povo nem sempre foi fiel, mas Deus cuidou de ter um alimento, um alimento que eles não conheciam, mas os alimentou, fez a travessia, chegaram à terra da promessa”. Segundo Dom Leonardo, “é esse pão descido do céu que nos faz fazer a travessia, que nos faz atravessar os desertos da vida, nas dores e os sofrimentos”, uma travessia de esperança, segundo o arcebispo, que nos leva à terra da promessa. Dom Leonardo comparou a terra da promessa com “o Reino novo, anunciado, transformado, vivificado por Jesus”, insistindo em que “não vivemos só de esperança, nós vivemos de uma realidade, o Reino novo, o Reino do céu”. Na segunda leitura destacou que “repartir traz comunhão”, afirmando que “Jesus se reparte, não se reserva, não se retrai, caminha, se entrega, divide, oferece a própria vida”. Se referindo à vida de casa, ele insistiu em que “criamos comunhão quando sabemos nos acolher, sabemos amar, sabemos codividir”, algo que também se dá nas comunidades, “onde existe partilha, existe comunidade, existe comunhão”. Ele também disse que “uma sociedade onde se divide há comunhão”, afirmando que “é tão difícil na nossa sociedade de hoje codividir, é mais fácil dividir, segregar, afastar, fechar a porta de quem às vezes tem um cheiro de droga, tem um cheiro de bebida alcoólica, tem cheiro de urina, tem cheiro de fezes”. O cardeal denunciou que “nós não conseguimos criar comunhão na nossa sociedade, nós vivemos segregados, nós vivemos divididos, porque não sabemos codividir, não sabemos sair ao encontro”. Igualmente destacou que “a Eucaristia é sinal de unidade”, falando de “uma unidade que cria comunhão”, algo que lhe levo a dizer que “muitas vezes como Igreja, também aqui em Manaus, nós não sabemos criar uma profunda comunhão, uma profunda unidade, é apenas os meus interesses, as minhas compreensões”. Frente a isso, insistiu em que “quando olhamos para Jesus na Eucaristia, todos nós pertencemos a Ele, todos nós dele nos alimentamos, todos nós com nosso olhar voltado para Ele, porque dele vivemos, a Ele nós seguimos. Não seguimos ideologias, seguimos o pão descido do céu”. Daí, o arcebispo fez um chamado a “que cresçamos na nossa comunhão, na nossa unidade como Igreja, como Arquidiocese”, denunciando nas comunidades “um outro grupo querendo separar, um outro grupo achando que eles são os verdadeiros adoradores”, questionando se eles são adoradores de Jesus e da Eucaristia, e chamado a que “tenhamos um grande amor a Jesus Eucaristia”.  O arcebispo lembrou dos homens e mulheres que ao longo da história “viveram de Jesus pão descido do céu, repartiram, doaram sua vida, porque olharam para Jesus e viram que a vida é para o outro”, pedindo que “Deus nos dê a graça de saber celebrar bem as nossas Eucaristias, e que Deus nos dê a graça de termos Eucaristia nas comunidades que tem às vezes duas, três vezes por ano”, inclusive na Arquidiocese de Manaus. Isso “porque toda Igreja se alimenta de Jesus, toda Igreja vive de Jesus, o pão descido do céu”. O arcebispo pediu “que Ele nos ajude a caminhar, que Ele nos ajude a esperançar, mas que Ele nos ajude também a repartir para que ninguém passe fome”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Evaristo: “Como Igreja, é necessário manter uma opção preferencial pelos povos indígenas”

Foi com cântico que os indígenas receberam Dom Evaristo Spengler, Bispo de Roraima, na concentração da manifestação contra o Marco Temporal, em Boa Vista. O bispo esteve junto a sacerdotes, religiosos e religiosas e com irmãs da Pastoral indigenista, na manhã desta quarta-feira (07), reafirmando a posição da Diocese de Roraima, contrária ao Marco Temporal e a favor da vida e direitos dos povos originários. Direcionado aos indígenas Dom Evaristo diz que a igreja é aliada e parceira dos povos originários: “Como igreja é necessário manter uma opção preferencial pelos povos indígenas. Somos aliados, somos parceiros, queremos caminhar juntos”, disse Dom Evaristo. O Bispo ainda diz que esse Marco Temporal significa uma grande injustiça: “O marco temporal  significaria cometer uma grande injustiça, porque só aceitaria com direito ao território quando o indígena estava sobre a terra em 1988, quando foi promulgada a constituição”, disse o Bispo. Dom Evaristo ainda reafirma que a igreja quer lutar contra todo projeto de morte. Cita o garimpo e diz que todo direito de vida deve ser preservada.  “O garimpo é um projeto de morte porque traz doença, violência, narcotráfico, a invasão dos territórios indígenas são violência“. “Nós queremos que a vida seja garantida e preservada em todos os seu direitos”, finalizou o Bispo. A manifestação concentra indígenas e suas lideranças contrários ao PL 490 sobre o Marco Temporal, na praça do Centro Cívico, no centro de Boa Vista. Rádio Monte Roraima 

Eucaristia, quando vai ser um direito de todos?

No dia em que a Igreja católica celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a festa da Eucaristia, que é a fonte e o cume da vida cristã, somos desafiados a nos questionarmos sobre as dificuldades que muitas comunidades têm no interior da Amazônia e em tantos outros lugares para celebrar a Eucaristia. As grandes distâncias, o escasso número de presbíteros, o alto custo para chegar em locais afastados, condiciona essa celebração continua. De fato, o primeiro Mandamento da Igreja diz: “Participar da Missa inteira aos domingos, de outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”. E o que acontece com quem vive em locais onde a presença do padre é uma ou duas vezes por ano, inclusive a cada vários anos? Como cumprir aquilo que a Igreja manda? O Sínodo para a Amazônia refletiu sobre essas questões, uma reflexão que foi deturpada com questões que não tinham nada a ver. Simplesmente foi planteada a necessidade de procurar caminhos para que as comunidades tenham a possibilidade de celebrar a Eucaristia cada domingo, uma dificuldade que, em menor medida, também é vivida nas cidades, inclusive em Manaus. Não colocamos em dúvida as leis da Igreja, mas também não podemos ter medo a refletir sobre se leis elaboradas séculos atrás continuam respondendo às necessidades daqueles que vivenciam sua fé na Amazônia no século XXI. Na medida em que o medo, ou outros condicionantes, não deixam pensar em caminhos de futuro eclesiais, isso condiciona e deteriora a caminhada da Igreja e a vivência da fé. Não podemos esquecer que a Eucaristia é alimento que fortalece nossa vida e missão como discípulos e discípulas de Jesus. Seu Corpo e Sangue nos aportam o valor necessário para enfrentar os desafios da missão, para ir além e para enxergar a presença daqueles que tem fome de pão, uma dimensão que a Campanha da Fraternidade deste ano nos levou a refletir durante a Quaresma. Quando Jesus é meu alimento, minha vida tem maior energia e isso me ajuda a fazer realidade seu projeto de Reino, um pedido que fazemos cada dia quando rezamos a oração que Ele mesmo nos ensinou. A Eucaristia visibiliza o Reino, porque a entrega, a partilha, são sinais do Reino. Valorizemos a Eucaristia, que ela seja celebração de vida, que não fique só em uma série de ritos e rubricas. Que possamos levar esse alimento para nossa vida cotidiana, uma vida que somos chamados a dar sentido pleno à luz de Jesus e de seu querer nos alimentarmos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Roque Paloschi: Marco Temporal, “o CIMI não pode arredar o pé dessa sua missão de estar junto com os povos indígenas”

Acabar com a demarcação de uma parte importante das terras indígenas, com o consequente aumento dos interesses econômicos sobre esses territórios com o avanço da monocultura, da exploração de madeira, da grilagem, da mineração, é o que está atrás do denominado Marco Temporal, uma questão de suma importância para os povos indígenas no Brasil, que ao longo da história viram como seus territórios foram roubados. Diante disso, a Igreja católica, como vem fazendo há décadas e reforçou no Sínodo para a Amazônia, quer ser aliada desses primeiros habitantes, ajudá-los para que eles possam viver plenamente e com dignidade em seus territórios. O Marco temporal é uma tragedia para o Brasil, “porque nós acabamos desrespeitando a Constituição de 88”, denuncia dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho (RO) e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), independentemente da data que for determinada. O texto da Constituição Federal de 1988 quis, segundo o arcebispo, “pagar essa dívida histórica com os povos originários, os povos tradicionais, do reconhecimento de seus direitos e seus territórios”. Ele insiste em que “o Marco Temporal vai contra uma cláusula pétrea da Constituição brasileira, onde ninguém tem o direito de retirar aquilo que é próprio da Constituição, mesmo a Câmara dos Deputados”, denunciando que “a votação da Câmara é um retrocesso, que mostrou essa hostilidade contra os povos indígenas e pouco compromisso com a Constituição Federal, com esse compromisso de cuidar da casa comum”.   Mesmo assim, Dom Roque enfatiza que “a decisão da Câmara não é a última palavra, tem o Senado também, e nós confiamos plenamente que o Supremo Tribunal Federal vai seguir a tese do Indigenato, ou seja, os povos aqui viviam e antes da constituição do próprio Estado brasileiro, esses direitos são inalienáveis, não é possível mexer nesses direitos”. Um processo que conta com uma presença significativa de indígenas em Brasília para acompanhar a votação que retoma nesta quarta-feira. Segundo o arcebispo de Porto Velho, essa “é uma situação que precisa ser resolvida no Brasil, para dar uma segurança jurídica para todos, seja para as famílias que estão colocadas em terras indígenas, mas também para as próprias comunidades indígenas. A Constituição previa aqueles cinco anos das normas transitórias da Constituição, que elas deviam ser reconhecidas, demarcadas e homologadas. O Estado brasileiro não cumpriu e agora voltasse contra a possibilidade de retirar os direitos dos povos originários”.  Seu presidente afirma que “o CIMI desde seu surgimento fez este compromisso de aliança com a causa indígena, e tivemos o momento auge, não só com um grande número de mártires, seja missionários, missionárias e lideranças indígenas, mas o momento auge foi o reconhecimento dos direitos indígenas nos artigos 231 e 232, e agora novamente um momento muito decisivo para a história do nosso país, a votação do Marco Temporal”. Ele insiste em que “por isso, o CIMI não pode arredar o pé dessa sua missão de estar junto com esses povos que historicamente sempre foram vistos como um atrapalho, um estorvo na história do Brasil, mas são os primeiros habitantes destas terras”.   Em uma perspectiva bíblica, Dom Roque diz que “um dia Deus vai nos perguntar como perguntou a Caim, onde está o teu irmão? Onde estão as populações indígenas que em 1500 eram quase 6 milhões e hoje o número é insignificante para este nosso país?”. Questionamentos que o levam a afirmar que “nós temos também essa responsabilidade de defender a vida. E defender a vida não é contra ninguém, e sobretudo defender o direito desses primeiros habitantes do país e juntamente com defender o direito deles, defender o direito de todos, sobretudo dos pobres”. O problema maior, segundo o presidente do CIMI, “é que nós vivemos uma sociedade preconceituosa e discriminatória, e nós não estamos entendendo muitas mentiras em relação ao Marco Temporal”. Ele denuncia que “o Marco Temporal é uma criação onde os que detêm o poder querem impor sobre as comunidades indígenas essa data de 5 de outubro, quando foi promulgada a Constituição de 88 como o marco em que todas as comunidades deveriam estar em seus territórios”. O motivo de ser contra isso está em que “até então, a população indígena no Brasil era tutelada, eles não tinham autonomia e eram conduzidos pela Fundação Nacional do Índio, que ia tirando de um lugar e colocando em outro, e os territórios deles iam sendo ocupados. E é por isso, que hoje é importante o reconhecimento desses direitos porque volto a dizer, essas populações já estavam aqui antes do surgimento do Estado brasileiro, antes da chegada dos europeus”, segundo Dom Roque Paloschi. “Os direitos são originários, são clausula pétrea da Constituição e nós não podemos ignorar isso”, concluiu o presidente do CIMI. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

“Já prestamos um serviço diaconal à Igreja”, afirmam as líderes indígenas no evento da CAL e do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral

A Sala Pio XI do Palácio de São Calixto, no Vaticano, acolheu um diálogo sobre a Amazônia com três mulheres indígenas: as vice-presidentes da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), Ir. Laura Vicuña Pereira Manso e Patricia Gualinga, e a vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazónica (REPAM), Yesica Patiachi. Um espaço para ver muito mais do que aquilo que está escrito nos livros Um evento organizado pela Pontifícia Comissão para a América Latina em colaboração com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Nas palavras de Emilce Cuda, secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina, “é uma honra que pessoas vindas da nossa América Latina nos tenham honrado com a sua presença”, que vê, nas palavras e na arte presentes na sala, “um espaço onde se pode ver muito mais do que aquilo que se lê nos livros, qual é a situação do nosso continente“. A Ir. Alessandra Smerilli, secretária do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, sublinhou a importância de trazer a voz dos territórios para o Vaticano, agradecendo o testemunho que estas mulheres indígenas estão a trazer para o Vaticano, algo que estão a fazer em diferentes dicastérios da Santa Sé e com o Papa Francisco, que as recebeu em audiência no dia 1 de junho. Rodrigo Guerra, secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, chamou a atenção para o fato de a Amazônia ser “um ícone, uma mensagem que mostra a dimensão universal que a Igreja Católica tem e a dimensão universal que a Igreja enfrenta em todas as partes do mundo”, insistindo que “a Amazônia tem sido a grande imagem, a grande presença que hoje nos permite ver melhor todas as nossas realidades na Igreja Católica e no mundo inteiro“, refletindo sobre as culturas indígenas e a presença de Deus nelas, “que nos reeducam e nos ajudam a compreender mais e melhor a essência do Evangelho, a mesma fé pode ter rostos diferentes”. Tudo fruto de uma carta ao avô Francisco Lucia Capuzzi, jornalista do Avvenire, moderadora do evento, contou como as três mulheres indígenas chegaram a Roma depois de terem escrito uma carta ao Papa Francisco, em março, para lhe falarem, como fizeram na audiência da semana passada, sobre os ministérios na Amazônia e a necessidade de reconhecer o trabalho que as mulheres já fazem no território amazónico. Segundo a Irmã Laura Vicuña, a carta surgiu informalmente na reunião das presidências da CEAMA e da REPAM, onde pensaram em escrever uma carta ao avô Francisco, que foi entregue ao Papa, que respondeu em cinco dias, o que lhes causou alegria e emoção. No encontro, as mulheres indígenas, recordou a religiosa, falaram ao Papa Francisco sobre o chamado Marco Temporário no Brasil, uma grande ameaça aos povos originários, pedindo solidariedade internacional, “porque aprovar o Marco Temporário é promover o extermínio dos povos indígenas mais uma vez no século XXI“. Ameaças seculares aos povos indígenas da Amazônia Uma realidade vivida pelo povo Kichwa de Sarayaku, ao qual pertence Patricia Gualinga, que salientou que o caso Sarayaku conseguiu “inspirar e tornar-se um símbolo de resistência para outros povos indígenas, porque conseguimos expulsar a empresa que queria extrair petróleo e conseguimos ganhar um julgamento a nível internacional, na Corte Interamericana de Direitos Humanos”, algo que foi conseguido com determinação, perante a ameaça de um impacto ambiental e social irreversível. Yesica Patiachi contou a história da borracha na Amazônia peruana e a tentativa de extermínio de muitas populações indígenas, que foram tratadas como mão-de-obra barata, apropriando-se dos territórios e praticamente exterminando estes povos, como foi o caso do povo Harakbut, a que pertence, que foi reduzido de 50.000 para 1.000 pessoas, em resultado de torturas e assassinatos, algo que continua a perpetuar-se de diferentes formas. Esta é uma realidade vivida por muitos povos da Amazônia peruana, uma história que não é contada nos livros, que nunca registaram a voz dos próprios povos indígenas. Neste contexto, surge a figura do frade dominicano José Álvarez, o Apaktone, considerado um exemplo da defesa dos povos indígenas pela Igreja Católica. Mulheres que prestam serviço diaconal Na audiência com o Papa Francisco, segundo a irmã Laura Vicuña, foi sublinhado que, na Amazônia, 90 por cento do trabalho ambiental, educativo e pastoral é realizado por mulheres, insistindo que “nós já prestamos à Igreja um serviço que é diaconal e, por isso, precisamos que a Igreja reconheça este serviço que já prestamos à Igreja“, sublinhando que não queriam falar de sacerdócio, mas de reconhecer o serviço diaconal em território amazónico. Um reconhecimento do qual ela defendeu a necessidade, pois “nós mulheres somos a maioria, e com isso não queremos rejeitar os homens, queremos caminhar como a Igreja nos propõe, caminhos de sinodalidade, caminhando juntos a partir das nossas diferenças”. Em relação à Conferência Eclesial da Amazônia, a primeira experiência do género na Igreja universal, insistiu que “não temos uma receita, não temos um caminho que outras pessoas já percorreram”, reconhecendo a alegria que as palavras do avô Francisco produziram nelas, quando disse que “não há volta a dar nas mudanças que estão a ser promovidas na Igreja, mas temos de continuar a avançar, temos de continuar a acompanhar nos territórios, e temos também de seguir um processo de conversão, seja conversão pastoral, eclesial, sinodal, ecológica, cultural e social”. Os governos só querem tirar proveito da Amazônia Sobre a posição dos governos da região, Patricia Gualinga denunciou que “o problema é que todos eles basearam as suas economias nos combustíveis fósseis”, na extração, e apesar de reconhecerem a importância da Amazônia e o fato de que algo deve ser feito, “estão a ver como tirar proveito de tudo, até da crise climática“. A partir daí, denunciou que os governos “não tomaram consciência da sua responsabilidade social para com os povos indígenas, que são os que têm mantido as florestas à custa de muito sacrifício e muito sangue”, dizendo que confia na consciência da sociedade civil, “porque só vejo nos governantes que os negócios e a economia se sobrepõem aos direitos humanos”, mostrando que…
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Dom Leonardo: “Nós experimentamos a sua misericórdia e nos damos conta de que Deus não desiste de nós”

Afirmando que “somos gerados pela Trindade e vivemos no mistério da Trindade, pois somos manifestação do Amor”, iniciou o cardeal Leonardo Steiner a homilia da Solenidade da Santíssima Trindade. Segundo o Arcebispo de Manaus, “o amor que nasce do encontro de Deus que é Pai, Deus que é Filho, Deus que é Espírito Santo”. O cardeal Lembrou que “Ele se manifestou em seu amor, saiu de si e veio ao nosso encontro por amor e por amor nos salva. Na manifestação da Trindade começamos a perceber que fazemos parte do Amor, do amor da Trinitário. É o Amor que nos gera como filhas e filhos. No amor somos filhos e filhas do mesmo Pai, irmãos e irmãs do mesmo Filho, e amoráveis no mesmo Espírito”. “A Solenidade da Santíssima Trindade nos faz celebrar e louvar a Comunidade de amor. A nossa celebração é um convite a contemplar Deus que é amor, que é comunidade e que nos gerou para participarmos do mistério de Amor. Deixemo-nos envolver, tomar pelo Mistério de amor e manifestemos a nossa fé, que é alimentada pelo Amor”, enfatizou Dom Leonardo. Citando Santo Agostinho, refletiu sobre o Mistério da Trindade, insistindo em que “Deus amou tanto o mundo que enviou o Filho para que pudéssemos participar de seu amor, da eternidade do Amor. No amor participamos da vida eterna. Não a morte, mas a vida; não a condenação, mas a salvação; não a destruição, mas a plenificação. Sim a eternidade do Amor! Participamos da vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Citando o texto bíblico, que diz: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito”, lembrou as palavras de São Bernardo que nos ensina que “a medida deste amor é amar sem medida”. Segundo Dom Leonardo, “Ele nos amou antes de toda e qualquer possibilidade nossa; ele veio a nos a partir Dele mesmo; Ele nos tocou; Ele nos veio livremente ao e de encontro. Ele se nos tornou acessível, tão acessível a ponto de nós o podermos chamar de Abba, Pai, o podermos pegar na mão e comer, fazer dele o que bem quisermos. Toda essa proximidade e possibilidade é porque Ele gratuitamente, livremente se nos deu, nos amou. Essa gratuidade não é nossa conquista, mas pertence a essência íntima da gratuidade da liberdade do Amor que nos encontrou, ‘nos amou primeiro’!” “Assim, somos convidados à admiração, à contemplação, pois somos amados por Deus. Um amor admirável, extasiável, pois nos enviou o seu Filho único”, afirmou o arcebispo, que também lembrou as palavras do Papa Francisco, que nos chama a descobrir que “o amor de Deus é também uma pessoa, o Espírito Santo que nos restaura e santifica para podermos viver eternamente com Deus”. Uma realidade que ele chamou a descobrir na Primeira Leitura, onde “Moisés grita, enquanto Deus passava diante dele: ‘Senhor, Senhor! Deus misericordioso, clemente, paciente, rico em bondade e fiel’ (Ex 34,4b-6.8-9). Moisés percebe que Javé é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia, pois fiel à Aliança. Deus se revela misericordioso, paciente, sem precipitação; sabe esperar, é esperançoso de conversão. Tolera as misérias e as fraquezas, não abandona, está sempre disposto ao perdão, à benevolência, à misericórdia. Sim, Deus é fiel; cuida de toda a sua obra criada e dos filhos e filhas gerados”. Aplicando isso a nossa realidade, insistiu em que “nós experimentamos a sua misericórdia e nos damos conta de que Deus não desiste de nós. Nos concede a sua Palavra, nos oferece o Pão da vida, nos faz viver crescer na comunidade de fé. E quando pecamos, nos desviamos do caminho Ele nos busca, oferece a salvação, insiste para que vivamos na benevolência, sendo consolo, acolhimento, misericórdia, salvação”. Já na segunda leitura, destacou a saudação de Paulo, que “repetimos ao iniciarmos a celebração Eucaristia. Uma saudação trinitária. Uma atenção especial para que nos demos conta de que a liturgia que está por começar é em nome da Trindade. Toda a ação litúrgica está envolta, envolvida pela graça da Trindade. As nossas comunidades reunidas, movimentadas e gracificadas pelo amor da Trindade. Os encontros, as celebrações na dinâmica de amor trinitário”. Em palavras do cardeal, “as nossas comunidades, a Igreja, a missão da Igreja, nasce do amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo. “Ide e batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”; “Ide anunciai a toda a criatura”. É o amor da Trindade que gera as nossas comunidades e as envia a anunciar, proclamar o amor da Trindade. Sermos a proclamação, o anúncio do Amor que renova o céu e a terra; purifica e vivifica as nossas relações”. “É o amor que constituiu um novo povo”, destacou o arcebispo. Segundo ele, “é o amor que nos fazer Igreja, comunidade, família. É que nos movimentos na vida da trindade. É a Trindade santa que nos deixa viver, sonhar, amar, nos salva. É o amor da Trindade que nos desperta para o cuidado dos últimos, dos deixados de lado, dos desprezados, como nos lembra Santo Agostinho: “Se tu vês a caridade, vês a Trindade”! Acolhimento, aproximação, consolação: a caridade! Mas também é a Trindade que nos desperta para o cuidado de todas as criaturas. Como cantava Francisco de Assis: irmão sol, irmã água, irmão vento…”. Dom Leonardo convidou a descobrir que “na solenidade da Trindade santa aflora um verdadeiro cântico de louvor! Louvamos e bendizemos da nossa participação: o Pai, a quem rezamos Pai-Nosso que estás no céu; o Filho, que nos concede a redenção, a justificação, a salvação; o Espírito Santo, que nos santifica, que habita em nós e vivifica a Igreja. É a revelação, a manifestação do ensinamento de São João: ‘Deus é amor’ (Jo 4,8.16). O Pai é amor, o Filho é amor, o Espírito Santo é amor. E na medida em que é amor, Deus não é solidão, mas comunhão, relação, doação, gratuidade relacional entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (…) Todos nós vivemos neste amor e deste mistério”,…
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Solenidade da Santíssima Trindade: “Amar é entregar-se a Deus e confiar que Ele proverá”

No domingo em que a Igreja comemora a Solenidade da Santíssima Trindade, Nazaré Silva, nos faz ver que “a liturgia nos convida a nos alegrarmos com a criação e a permanecermos firmes na defesa da vida”. Comentando a segunda leitura, da segunda carta de São Paulo aos Coríntios, a jovem afirma que “somos convidados a alegrar-nos e a avançar para que possamos fomentar uma cultura de paz em nossas comunidades”. “O Evangelho tem tanto a dizer sobre o amor que pode parecer que se perdeu a sua singularidade”, segundo Nazaré Silva. Ela insiste em que “o amor é o carinho que Deus tem por nós, e é por meio desse amor que podemos experimentar a verdadeira felicidade. O amor é o ato de sacrificar sua vida por aqueles que você ama. É uma emoção altruísta e descomplicada”. Segundo a jovem, “amar é entregar-se a Deus e confiar que Ele proverá para você. É também servir aos outros com diligência e compaixão. Às vezes, amar significa desistir de algo para ganhar muito mais em troca. É através do amor que nos tornamos mais semelhantes a Deus”. Diante da atual realidade brasileira, a jovem roraimense, disse que em “uma situação em que os direitos fundamentais dos povos indígenas são violados pela ameaça iminente da Marco Temporal, somos compelidos a agir e nos unir em oração e ação para combater toda e qualquer injustiça infligida a nossos irmãos”. Por isso, “devemos dizer junto não ao Marco Temporal”, conclui. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Evaristo Spengler denuncia as graves consequências do Marco Temporal

Com um pedido de oração a Deus, Nosso Pai, para “que venha em socorro neste momento crítico para a Amazônia, os povos indígenas e para todos nós“, inicia Dom Evaristo Spengler, bispo da diocese de Roraima, sua reflexão com o Povo de Deus e com os Homens e Mulheres de Boa Vontade.  Uma mensagem onde o bispo denuncia “um forte ataque às leis de proteção ambiental e de proteção das terras indígenas“, contravenindo aquilo que defende a Constituição Federal de 1988. Nisso consiste o chamado Marco Temporal, “uma proposta de mudar a Constituição e establecer que o Estado Brasileiro só irá reconhecer o direito dos Povos Indígenas que estavam em suas terras em 1988”, denunciando que “muitos povos foram empurrados para fora de suas terras, expulsos, e suas terras foram ocupadas por invasores”. Na mensagem, Dom Evaristo Spengler faz ver que “as terras indígenas são as áreas mais protegidas da floresta Amazônica e outros biomas“, afirmando que “a preservação da natureza é fundamental para enfrentarmos as mudanças climáticas e a poluição que causam destruição de lavouras, casas e resultam em perda econômica, fome e morte”. Em relação a Roraima diz que “é um dos estados mais poluídos com mercúrio”, pedindo um outro modo de prosperidade duradoura, pois “o bem de alguns não pode causar a morte de outros”. Seu bispo afirma que “a causa dos Povos Indígenas foi assumida em nossa Igreja de Roraima, como anúncio da dignidade humana e uma caminhada para o bem de todos, com prosperidade para todos e não somente para alguns”. Por isso, convida aos cristãos e a todos os irmãos e irmãs de boa vontade “a se unirem na defesa e na garantia  da vida e dos territórios, dos Povos Indígenas e da Natureza”, lhes convidando a rezar junto com ele. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

TiKunas do Brasil, Colômbia e Peru procuram ser uma “Igreja Sinodal com Rosto Magüta”.

Assumir a sua cultura, as suas raízes, raízes levadas para o futuro, foi o pedido do Papa Francisco aos jovens indígenas na última Jornada Mundial da Juventude realizada no Panamá. Um convite que podemos dizer que encontrou eco no povo Tikuna, o mais numeroso da Amazônia, um povo transfronteiriço, que está a avançar no caminho para tornar realidade uma Igreja com rosto amazónico. Numa tentativa de aproximação das tradições, reuniram-se de 24 a 26 de maio na comunidade indígena Magüta (Tikuna) de Yahuma, departamento de Loreto, Peru, para realizar o primeiro encontro de formação de “Agentes de Pastoral Magüta”, segundo Rodrigo Castells Daverede, leigo missionário que vive na comunidade indígena Tucuchira-Progreso (Colômbia), onde participaram catequistas e agentes de pastoral das comunidades indígenas Magüta da tríplice fronteira: Brasil (Umariaçu), Peru (San Juan de Barranco e Yahuma) e Colômbia (Nazaré, Arara e Progreso). Este encontro faz parte do projeto “Igreja Sinodal com rosto Magüta“. É o primeiro de seis encontros de formação previstos para 2023 e 2024, divididos em três partes: recolher as nossas tradições; alimentar o nosso caminho de fé; oferecer os nossos frutos. Nesta dinâmica, o primeiro encontro teve como objetivo “acolher e reconhecer a realidade ou situação dos processos celebrativos nas comunidades, tanto a nível eclesial como cultural“, segundo Rodrigo Castells. Superar os desafios logísticos, causados pelas deficiências e negligência do Estado peruano, juntamente com a falta de organização dos próprios indígenas que vivem no território peruano, dominado pelo narcotráfico. Segundo o leigo missionário, “abandonados para que, na sua fragilidade e vulnerabilidade socioeconómica, fiquem expostos e reféns do narcotráfico“. Apesar das dificuldades, foi destacada a alegria e o espírito de serviço da comunidade de Yahuma, pela primeira vez na sua história anfitriã de um evento com mais de 60 participantes, durante três dias, o que levou os participantes a desfrutarem da sua estadia apesar das inúmeras carências. Destacam como admirável, “a disponibilidade para oferecer alojamento, alimentação, espaços para trabalho em equipe e constante vontade de resolver, com amor e simplicidade, os imprevistos que surgiam”. Foi uma oportunidade de partilhar a espiritualidade da Nação Magüta através das suas histórias de origem (Pai Gütapa e os quatro irmãos) e das suas celebrações rituais (enquadradas no grande ritual do pelazón ou Moça Nova) e no que diz respeito às práticas atuais de celebração de sacramentos e catequese, o que permitiu iniciar um processo de reflexão. O sonho é fazer nascer a “Igreja Sinodal com Rosto Magüta”. Um processo de recuperação e conservação da sua cultura, que é diferente em cada um dos três países, tem vindo a ser desenvolvido há anos pelos Magüta, embora reconheçam que o processo de reflexão, aprendizagem e apropriação do valor simbólico-conceptual das suas histórias de origem e práticas rituais é ainda incipiente. Por isso, Rodrigo Castells insiste que “na procura de um diálogo frutífero, de uma integração assertiva e consistente dos elementos da cultura Magüta na celebração da fé católica, estes processos de reflexão devem ser aprofundados e dinamizados com mais ênfase”. Conscientes de que há ainda um longo caminho a percorrer, reconhece-se que o trabalho está já em curso. Para o efeito, o caminho será percorrido tendo como protagonistas os próprios Magüta, espaços de encontro e de reflexão.  O método será perguntar, ouvir e propor, com avôs e avós, catequistas, sábios e xamãs. Um trabalho de paciência, de “horas de tabaco, masato e Casa Grande (Maloca), sob a proteção dos antepassados e com o rio e a selva no coração, continuaremos a caminhar”. Um bom ponto de partida, sem esquecer que “a espiritualidade Magüta, marcadamente amazónica, procura entrar na Igreja com toda a sua sabedoria para cuidar e fazer crescer a vida“. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

“Espírito Santo, ajuda-nos a repartir”, pede a Igreja de Manaus na Solenidade de Pentecostes

Pentecostes é uma das grandes festas, inclusive podemos dizer que é a grande festa da Igreja de Manaus. No dia em que é comemorado o nascimento da Igreja, milhares de pessoas das comunidades, áreas missionárias, paróquias, pastorais e movimentos se reuniam no sambódromo para celebrar a Festa do Divino Espírito Santo, tendo como lema: “Espírito Santo, ajuda-nos a repartir”. O lema, inspirado na Campanha da Fraternidade deste ano, foi uma oportunidade para clamar por moradia, comida, pão, amor, paz, educação, justiça, lazer, saúde. Uma temática que cobra maior atualidade diante da ação que a Prefeitura de Manaus realizava nesta sexta-feira, 26 de maio, deixando sem pertences e documentos a um grupo de moradores de rua, algo que foi lembrado repetidas vezes durante a homilia pelo cardeal Leonardo Steiner, que presidiu a celebração eucarística. Na homilia, o arcebispo de Manaus começou lembrando o medo dos discípulos, sendo preciso “um vento que abrisse as portas”, fazendo com que se “espantasse o medo, o temor, o receio, o medo da morte”, insistindo em que “no momento em que a impetuosidade do Espírito tomou conta deles, saíram a pregar”, se iniciando assim a Igreja com o envio desses discípulos que aparece relatado nos evangelhos. “Com a força do Espírito esses homens se sentem enviados, e é por causa dessa pregação deles que nós aqui estamos, nós somos herança da pregação dos apóstolos, nós somos herança do envio que o Espírito Santo fez”, insistiu o cardeal Steiner. Ele insistiu na diversidade de línguas em que Jesus foi anunciado, algo que se repete em nossa Amazônia, “em nossa Amazônia em quantas línguas diferentes é anunciado o Reino de Deus”. Se referindo a uma homilia do Papa Francisco, em que invocava o Espírito como o Paráclito, o Consolador, aquele que nos acompanha, ilumina e indica os caminhos, lembrando que o Papa Francisco afirmava que “nós devemos ser hoje os consoladores e consoladoras, assim como o Espírito é para toda a Igreja, para todas as comunidades”. Ser consoladores e consoladoras, “não na palavra, não no discurso, mas na proximidade, na acolhida, na partilha”. O arcebispo chamou a “sermos próximos, não distantes”, destacando as muitas coisas que acontecem de proximidade na Arquidiocese, dentre elas o trabalho com os moradores de rua, com as pessoas que passam fome, insistindo em que “queremos ser cada vez mais uma Igreja que partilha, uma Igreja que cada vez mais seja uma Igreja que consola, não nas palavras, mas na mão estendida, no olhar, na proximidade, no abraço, no afeto, no amor”. Junto com isso, o Espírito como advogado, como aquele que nos diz o que temos que fazer, convidando os presentes a termos a mesma atitude para com os outros. Tendo como referência a segunda leitura, Dom Leonardo Steiner falou sobre a diversidade de ministérios, de vocações, de serviços, insistindo na necessidade de um mesmo Espírito, uma só Igreja. O arcebispo ressaltou que “nós não queremos combater-nos entre nós”, dizendo ter a sensação de que “não sabemos mais o que é a Igreja, porque vivemos falando mal do Papa, vivemos falando mal uns dos outros, e quanta palavra felina e violenta”. Diante disso, ele disse que “é um só Espírito que nos alimenta, que nos guia, um só, não meu espírito, não meu grupo, não a minha Igreja, não o meu movimento, é do Espírito”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1