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Assembleia Sinodal Cone Sul: “Resgate de toda a beleza do Batismo que nos une”

A etapa continental na América Latina e Caribe do Sínodo 2021-2023 dá mais um passo em frente esta semana, com a quarta e última assembleia das programadas para a realização desta fase. Um encontro sinodal que terá lugar de 6 a 10 de março na Casa Mons. Luciano Mendes de Almeida da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. Quase 200 representantes do povo de Deus das cinco conferências episcopais que fazem parte da Região do Cone Sul do Conselho Episcopal da América Latina e Caribe (Celam): Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai e Brasil, reunir-se-ão para partilhar testemunhos e experiências da Igreja no continente, uma oportunidade para socializar e caminhar juntos, em sinodalidade, seguindo a metodologia da conversa espiritual. É o momento de utilizar estas experiências do povo de Deus para tornar real aquilo que o Papa Francisco nos pede: construir uma Igreja sinodal, uma Igreja de comunhão, participação e missão. “A acolhida da assembleia do Cone Sul, para nós enquanto equipe sinodal, enquanto Igreja no Brasil, é um momento antes de tudo de ação de graças por todo o caminho feito até o momento, e também de expectativa daquilo que será o Sínodo dos Bispos”, segundo o Padre Patriky Samuel Batista. O Secretário Geral Adjunto da CNBB afirma que “é uma ocasião favorável para que a gente possa começar a transformar toda essa escuta em um caminho”. O presbítero lembra as palavras do Papa Francisco, para quem “a sinodalidade é o caminho que Deus quer para a Igreja hoje”. Ele insiste em que “agora então atentos aos sinais dos tempos, nessa escuta comprometida, que nós possamos agora celebrar agora presencialmente no encontro com a Igreja na América Latina, no Cone Sul. É um momento de ação de graças, de memória e de renovação da esperança”. Um encontro que é visto pelo Padre Patriky como “um compartilhar de experiências que vai nos ajudando a perceber desafios comuns, mas também horizontes que se apresentam também de superação desses desafios, tanto na perspectiva eclesial como nos desafios que tocam diretamente à sociedade”. Ele insiste em que “além disso é uma oportunidade singular para que a gente possa compartilhar as boas práticas e as experiências também de escuta dos outros países, das outras conferências. Esse compartilhar a partir da escuta do Espírito é um momento muito especial para todos nós”, ressaltando que “é uma dinâmica nova”. Um momento em que participam todos os estamentos do povo de Deus, o que é considerando pelo Secretário Geral Adjunto da CNBB como “expressão bela da Igreja que é comunhão”. Uma dinâmica que, antes de tudo é “esse resgate de toda a beleza do Batismo que nos une”. O presbítero brasileiro não duvida em definir este encontro como “um belo testemunho que a gente oferece para o mundo, onde todos, cada um com sua vocação, com seu ministério são chamados a ser essa Igreja em saída, mas sairmos juntos, esse é o grande horizonte”. Lembrando de novo as palavras do Papa Francisco, o Padre Patriky diz que “há momentos que os pastores estejam à frente, no meio, às vezes atrás”. Ele destaca “essa mobilidade, essa disposição de caminhar juntos, mas também de ir valorizando cada membro do povo de Deus, sobretudo o laicato, é um momento singular”. De fato, “toda essa caminhada sinodal, esse processo de escuta e essa assembleia agora do Cone Sul, é também uma oportunidade para que a gente possa redescobrir a Teologia do Batismo”. Estamos diante de “uma Igreja que deseja mais do que nunca caminhar juntos, na escuta uns dos outros, transformando essa escuta em caminho. É uma Igreja profundamente ministerial e aí vem toda essa reflexão sobre o sacramento do Batismo, mas do que a fonte comum para todos nós, o trampolim que nos joga realmente na missão, independente da vocação, do ministério que exerce, a importância e a beleza do sacramento do Batismo”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Steiner: Transfiguração, “um caminho em subida, que requer esforço, sacrifício e concentração”

Lembrando que “no primeiro domingo da quaresma fomos impelidos a meditar as tentações de Jesus, o seu jejum, a nitidez de seguir fazendo a vontade do Pai, a anunciar o Reino da salvação. Fomos despertados para o jejum que nos esvazia de nós mesmos e, por isso, somos convocados a tomarmos sempre a decisão de seguir a Jesus, sua vida, morte e participarmos da ressurreição”, iniciou o Cardeal Leonardo Steiner sua homilia no segundo domingo da quaresma. Ele fez ver que “como Jesus, podemos ser, nas tentações, fortificados no caminho do seguimento de Jesus”.   Se referindo à primeira leitura e o convite a Abrão a sair da sua terra, Dom Leonardo disse que “somos hoje convidados a sair como Abraão, pois nos conduz pelo caminho da transfiguração”. O Arcebispo de Manaus ressaltou que “ao sair com Jesus os discípulos viram o seu rosto verdadeiro. Saindo, subindo que puderam dar-se conta da benção que haveria de cair sobre eles. A benção da morte e ressurreição que alcançará a cada um de nós, na medida em que nos colocarmos a caminho, seguirmos a Jesus”.   Na Carta de Paulo a Timóteo, “nos recordava justamente que em Jesus a graça nos revela pela sua manifestação”, segundo o Cardeal. Ele fez ver que “como comunidade vivermos da manifestação, da graça que é Jesus. Certos de que não fomos abandonados, mas elevados. Sabemos o caminho e o tempo da quaresma a elucidar sempre mais a transfiguração a que somos destinados em Jesus”. Seguindo os discípulos, conduzidos por Jesus ao alto, Dom Leonardo disse que “com os discípulos todos nós convidados a subir”. Ele lembrou a escolha de três discípulos “para serem testemunhas dum acontecimento singular”, insistindo em que Jesus “deseja que a experiência de graça não seja vivida solitariamente, mas de forma compartilhada, como é a nossa vida de fé. Vivemos o seguimento de Jesus em comunidade, em família”. Somos chamados a descobrir que recebemos “a graça da antevisão do Reino definitivo”.   O Cardeal Steiner, tendo como referência a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano, afirmou que “a Jesus, seguimos juntos; e juntos, como comunidade de fé que peregrina no tempo, vivemos a Quaresma, caminhando com aqueles que Jesus colocou ao nosso lado como companheiros de viagem. A subida de Jesus com os discípulos ao Monte Tabor, nos indica o caminho quaresmal. Como comunidade percorremos juntos o mesmo caminho, discípulas e discípulos com Jesus, o Mestre”.   “Para seguir a Jesus no deserto, nas contrariedades, na dor, na cruz, ele nos leva ao monte onde é transfigurado. Ele nos propõe subirmos com Ele ao monte da oração, para contemplar no seu rosto humano iluminado, transformado” destacou o Arcebispo de Manaus. Ele disse que “o Evangelho nos indica a luz transfigurativa e a voz iluminativa. A luz divina que resplandece no rosto e vestes de Jesus e presencializam a Mosés e Elias. A luz que se manifesta em Jesus a indicar o sentido da história da salvação nas figuras de Elias e Moisés. A voz do Pai celeste que que provém da nuvem a proteger aqueles discípulos amedrontados. Dá testemunho dele e pede que escutemos o Filho. Jesus lhes revela a essência de sua vida e a vida do Reino de Deus, o novo horizonte que se delineia no alto da cruz”.   O medo dos discípulos é “a nuvem que os cobriu e a voz que dela emanou”, a mesma nuvem “que acompanhara o povo no tempo do deserto, da travessia, da intempérie, da luta, da fome. A nuvem que nunca os abandonara”. Essa nuvem agora fala e faz ver aos três discípulos, “agora estou no meio de vós como um de vós. Mas em ouvindo, em seguindo, sereis como ele: transfigurados. Nele compreendeis a Moisés e a Elias, a todos os profetas. Nele agora entrevedes, antevedes a plena realização das promessas; nada mais oculto. Grudai os vossos ouvidos em Jesus. Ouvi-o; transfiguração!”.   “Se isso era verdade, se isso poderiam conhecer, foi o motivo de temor, de medo”, segundo Dom Leonardo, que lembrou que Jesus aproximando-se deles, os tocou e os ajudou a superar o medo. O Arcebispo destacou que “Jesus manifesta ao seu rosto verdadeiro que nasceria da cruz e ressurreição. Ele a demonstrar o sentido da história o comprimento das promessas, a verdadeira presença de Deus em nosso mundo. Uma nova realidade, uma nova verdade a iluminar a vida dos que convivem com Jesus. Tudo referido à nossa finitude, ao mistério encarnatório de Deus, à cruz e ressurreição de Jesus”.   Citando de novo a Mensagem quaresmal do Papa Francisco, Dom Leonardo chamou a “não se refugiar numa religiosidade feita de acontecimentos extraordinários, de sugestivas experiências, levados pelo medo de encarar a realidade com as suas fadigas diárias, as suas durezas e contradições. Permanecer no caminho do seguimento de Jesus que recebe a cruz, nela dá a sua vida, e ressurge glorioso. A luz que Jesus mostra aos seus discípulos é uma antecipação da glória pascal, e é nesta direção que é necessário caminhar seguindo ‘apenas Jesus e mais ninguém’. A Quaresma orienta-se para a Páscoa: a retirada para a montanha, não é um fim em si mesmo, mas prepara-nos para viver – com fé, esperança e amor – a paixão e a cruz, a fim de chegarmos à ressurreição”.   “A quaresma é o caminho de conversão, de mudança”, segundo o Cardeal. “O caminho da cruz, da transformação na cruz; caminho de transfiguração”, lembrando que “os discípulos perceberam o caminho transformativo do seguimento, mesmo assim, não foram fiéis até o fim”. Dom Leonardo vê nisso que “a própria fraqueza, reconhecida, misericordiada, conduz à transformação. Na caminhada quaresmal somos despertados para compreender e acolher o mistério da salvação, realizada no dom total de si mesmo por amor na cruz”. Por isso, ele fez um chamado a nos colocarmos “a caminho, um caminho em subida, que requer esforço, sacrifício e concentração, como encontro na montanha. Subamos juntos como comunidade”.   Se referindo à Campanha da Fraternidade, Dom…
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Dom Marcos Piatek benze a sede do Ministério Público do Estado do Amazonas em Coari

No dia 03 de março de 2023 o Município de Coari ganhou novas instalações da Sede da Promotoria de Justiça no Município, que receberam o nome de Dra. Simone Martins Lima. Da inauguração participaram as autoridades do poder executivo, legislativo e judiciário. Na inauguração se fez presente Dom Marcos Piatek, Bispo da Diocese de Coari, que benzeu as nova sede do poder legislativo. No início da benção o Bispo leu o trecho do Evangelho de São Mateus onde Jesus nos convida a sermos o Sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-16). Na sua reflexão lembrou que “existe a separação entre o Estado e a Igreja. O Estado é laico, mas os cidadãos tem a sua fé, a sua religiosidade e por isso, preservando a autonomia dos dois, faz sentido rezar, benzer e pedir a benção de Deus”. Segundo Dom Piatek, “o ser humano é definido como ‘Homo Sapiens’, como ‘Homo Faber’, como ‘Homo Ludens’, mas também como ‘Homo Orans’ – ‘Homem que Reza’. Sendo assim as pessoas, desde os tempos remotas, constroem os lugares de culto e rezam”. O Bispo da Diocese de Coari lembrou o pensamento de Paulo Freire que nos disse que “o ser humano é um ‘Ser Inacabado’ e por isso precisamos da graça de Deus na nossa vida”. Dom Marcos falou que “vivemos num mundo marcado por muitas coisas bonitas, pelo progresso, pela ciência, tecnologia cada vez mais avançada. Porém, no meio de nós tem muitas chagas como fome, desigualdade, violência, injustiça, guerras, drogas, etc.”. O Bispo lembrou da atualidade das palavras de Ruy Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantear-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Diante disso, o Bispo fez um chamado a “zelar mais, como nos lembra o Papa Francisco na ‘Fratelli Tutti’, zelar pela cultura do encontro e pela fraternidade universal”. Igualmente, ele lembrou o artigo 127 da Constituição Federal de 1988: “O Ministério Público tem como tarefa: a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, a defesa da ordem jurídica e a defesa do regime democrático”. “A sociedade é chamada a zelar pelos menos favorecidos e pobres”, ressaltou Dom Piatek. Ele lembrou as palavras de Mahatma Gandhi, o pai da Índia: “Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa aos pequenos e às minorias”. Igualmente se referiu às palavras que São João Paulo II disse em Paris, em 1997: “Uma sociedade é julgada pela mentira de encarar os feridos da vida e pela atitude diante dos doentes, injustiçados e pobres” . Finalizando a sua reflexão, o Bispo parabenizou todos aqueles que tornaram uma realidade de ter no Município de Coari uma nova e moderna sede do Ministério Público. Em seguida abençoou a água, rezou uma benção especial e os participantes junto com o prédio foram aspergidos com a água benta. O ato religioso terminou com a oração do “Pai Nosso” e a benção final, pedidno “que a nova sede do Ministério Publico sirva a todos os munícipes de Coari em busca de uma sociedade mais humana, mais fraterna e mais justa”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Seminarista Rodrigo Bruce novo diácono na Diocese de Borba na humildade, simplicidade e proximidade

A Diocese de Borba tem mais um diácono. No dia 04 de março de 2023 o seminarista Rodrigo Bruce foi ordenado diácono transitório para o serviço da Igreja. A celebração aconteceu no Santuário Santo Antônio de Borba e foi presidida por Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva CSSR, Bispo diocesano de Borba. Na celebração participaram presbíteros, dentre eles o Padre Zenildo Lima, Reitor do Seminário São José de Manaus, onde o novo diácono realizou sua formação, diáconos, religiosas, seminaristas, o povo das paróquias e comunidades da Igreja de Borba e a família e amigos de Rodrigo Bruce. Dom Zenildo destacou que essa presença é sinal de comunhão e unidade. O novo diácono escolheu como lema “Eu porém, estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc. 22,27), querendo destacar a centralidade do amor em seu ministério e que é por causa deste amor que está respondendo ao chamado e assumindo sua missão. Um lema que o Bispo chamou ao novo diácono a não esquecer nunca. Na homilia, o Bispo diocesano de Borba, que agradeceu à família do novo diácono pela sua presença e doação de Rodrigo Bruce à Diocese de Borba, ressaltou a função do diácono como servo, que se configura ao Cristo Servo por amor ao Reino. Um serviço que deve fazer resplandecer no diácono a humildade, a simplicidade, a proximidade. Por isso, Dom Zenildo fez um chamado ao diácono Rodrigo Bruce para que ele seja um servo guardião, um servo samaritano para pensar e amar os mais pobres. Junto com isso, o Bispo disse ao novo diácono que sua vocação deve ser nutrida na oração, na Palavra de Deus, na piedade e na sinodalidade junto ao presbitério da Diocese de Borba, uma Igreja ministerial onde tem lugar para todo mundo e onde tudo é missão. Além disso, Dom Zenildo lhe fez ver ao diácono a necessidade de ele amar sua vocação e cultivar a intimidade com Deus e com os livros, sendo obediente a Deus e à Igreja. Dom Zenildo chamou a tomar conhecimento e posicionamento em defesa da vida, especialmente em uma Amazônia ameaçada, onde nas comunidades faltam anunciadores de Jesus, da fé da Igreja, não uma fé intimista, e sim um Deus comunhão, um Deus unidade. Um diaconato que deve levar a assumir a kénosis, a colocar o avental. O Bispo da Diocese de Borba chamou o povo a rezar pelo diácono para ele se parecer com Jesus, que o leve a viver como Ele viveu, a amar como Ele amou, a assumir sua misericórdia e compaixão. Um diaconato que deve se sustentar na espiritualidade, no contato com os enfermos e os pobres, na autoridade discreta, que se abaixa, que serve, na simplicidade do coração.  No final da celebração Rodrigo Bruce agradeceu pelas pessoas que passaram pela sua vida, sobretudo nos oito anos de formação no Seminário São José de Manaus, que disse ter sido sua casa nesse tempo, agradecendo em nome do reitor a todos funcionários e formadores. Também agradeceu a sua família, “que sempre me apoiou em tudo”, e ao Bispo Dom Zenildo, pela confiança, animando aos seminaristas a continuar firmes em sua caminhada sob a intercessão de Maria. Do mesmo modo agradeceu aos diáconos, ao clero, e ao povo da Diocese de Borba, se colocando a disposição para servi-los.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Escola Bunecü: A Missão Central Franciscana ajuda crianças e jovens ticuna a estudar em Enepü, sua comunidade

O Papa Francisco na Querida Amazônia, ele afirma que “é preciso garantir, para os indígenas e os mais pobres, uma educação adequada que desenvolva as suas capacidades e empoderamento”. Quando o Santo Padre fala do sonho cultural na exortação pós-sinodal do Sínodo para a Amazônia, ele coloca que o sentido da melhor obra educativa é “cultivar sem desenraizar, fazer crescer sem enfraquecer a identidade, promover sem invadir. Assim como há potencialidades na natureza que se poderiam perder para sempre, o mesmo pode acontecer com culturas portadoras duma mensagem ainda não escutada e que estão ameaçadas hoje mais do que nunca”. A Igreja da Amazônia tem se empenhado ao longo dos anos em fazer realidade processos educativos com os povos da Amazônia. Em Enepü, uma comunidade indígena da Diocese do Alto Solimões, “crianças e alguns jovens ticuna nunca puderam entrar na escola para receber educação”, segundo recolhe o Blog Povo Ticuna de Belém do Solimões. Uma realidade que está mudando pelo Projeto “Escola em prol da Vida e Ecologia Indígena”, que fez com que no dia 02 de março de 2023, a comunidade toda participasse junto à Paróquia São Francisco de Assis de Belém do Solimões e aos Frades Menores Capuchinhos, da benção da nova Escola Municipal Indígena Bunecü. Esta escola é de extrema importância pois a “comunidade não será mais obrigada a abandonar sua terra para buscar educação em outras comunidades ou na cidade”, uma realidade que tem acompanhado a vida desta comunidade durante muito tempo. Agora as crianças e os jovens poderão permanecer e assim cuidar desta terra sagrada e reserva natural da qual este povo ticuna é o verdadeiro guardião. Sem dúvida, um motivo de imensa alegria para todos, mas, de modo especial, para as crianças e jovens indígenas que moram nesta comunidade. A escola tem sido realizada com a ajuda da Missão Central Franciscana (MZF), que, com sua rede de benfeitores e benfeitoras, enviou os recursos necessários para fazer realidade este sonho. Uma escola que contará com a parceria da Prefeitura Municipal de São Paulo de Olivença, que vai enviar o primeiro professor e o material escolar o para o início das aulas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Com informaçãoes do Blog Povo Ticuna de Belém do Solimões

Dom Edson Damian: “Com os Povos Indígenas aprendi a viver com sobriedade, com o estritamente necessário”

Todos os Bispos, ao completar 75 anos tem que apresentar sua renúncia ao Papa, que depois dessa data é aceita no momento que ele considera mais oportuno. Dom Edson Damian, Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira completou essa idade neste 04 de março de 2023. Nesta entrevista, Dom Edson faz um repasse de sua caminhada episcopal, sempre na mesma Diocese, iniciada em 24 de maio de 2009. Ele diz apresentar sua renúncia “com o humilde sentimento do dever cumprido”, após vivenciar seu ministério na Diocese mais extensa e com maior porcentagem de população indígena do Brasil. No dia 04 de março o senhor completa 75 anos, idade em que todos os Bispos têm que apresentar sua renúncia ao Papa. O que representa em sua vida como Bispo este momento? O primeiro sentimento que me vem neste momento é de gratidão a Deus por me permitir chegar aos 75 anos.  Agradeço mais ainda por ter me concedido a graça do ministério presbiteral, recebido das mãos de Dom Ivo Lorscheiter, um autêntico Padre da Igreja, no dia 20 de dezembro de 1975. Com maior gratidão e também redobrado temor, aceitei também o múnus episcopal, atendendo ao chamado do Papa Bento XVI para ser bispo missionário no coração da Amazônia desde o dia 24 de maio de 2009.  “Com Jesus amar e servir” é o lema episcopal que me orientou nesta caminhada. À luz do carisma São Charles de Foucuald, procurei “gritar o Evangelho com a vida”, a partir dos últimos lugares que me exigiam a missão para chegar às comunidades ribeirinhas mais distantes e abandonadas. Em todas as atividades missionárias contei sempre com a colaboração generosa dos presbíteros, das religiosas, dos cristãos leigos e leigas que exercem gratuitamente vários ministérios nas comunidades. Por isso, no momento de apresentar minha renúncia, faço-o com o humilde sentimento do dever cumprido. Se não fiz mais, devo à minha limitação humana e os meus pecados. Porém, em tudo o que realizai sempre acreditei que o “amor supplet”, pois Deus é amor e misericórdia. “A arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia” (MV 10). Assumiu a Diocese de São Gabriel da Cachoeira em 24 de maio de 2009, uma diocese com um rosto indígena. Depois de quase 14 anos o que o senhor aprendeu dos povos originários? São Gabriel de Cachoeira é a diocese mais extensa do Brasil: tem 294.000 quilômetros quadrados. É também a mais indígena, pois 90% da população é constituída por Povos Indígenas de vinte e três etnias e ainda são faladas dezoito línguas. Tive a graça de conferir a ordenação presbiteral a treze jovens indígenas de diferentes etnias. Quando o Núncio Apostólico me chamou para comunicar a nomeação, além do susto, apresentei vários motivos pelos quais julgava que não deveria aceitar, mas ele refutou a todos. Por fim, deu-me uma semana para conversar com pessoas que me conheciam. O primeiro bispo que consultei, tinha sido meu orientador espiritual. Simplesmente ofereceu-me um báculo, uma cruz peitoral, rezou por mim e disse que a ordenação deveria ser em São Gabriel. Além do estímulo de todos, encontrei vários motivos para aceitar: em primeiro lugar, temos uma dívida social imensa com os povos indígenas que sofrem tantas violências e injustiças; segundo, o que sou hoje devo à Igreja que me acolheu e me formou desde os 12 anos, por isso seria injusto se fugisse desta missão; terceiro, o amor a Jesus, o seguimento do Evangelho e o testemunho de São Charles de Foucauld, sempre me levaram a servir os pobres, a buscar o último lugar. Como sinal de amor aos Povos Indígenas fui ordenado bispo no meio deles, inclusive com alguns ritos e símbolos próprios da sua cultura.   O Padre Justino Rezende SDB, indígena Tuyuka, primeiro padre desta Diocese, escreveu um texto que me inspirou muito: “A boa nova das culturas indígenas acolhe a Boa Nova de Jesus”. As sementes do Verbo estão presentes em todos os povos e culturas. É a partir delas que cada povo realiza a enculturação do Evangelho. Desde as primeiras visitas às comunidades fiquei encantado com alegria da vida comunitária, a partilha dos alimentos como prolongamento da celebração eucarística, a sobriedade das casas, a acolhida fraterna aos visitantes. Os Povos Indígenas são também mestres em ecologia, verdadeiros guardiões da floresta. Menos de 3% da mata foi destruída nesta região. “Os povos originários vão salvar a Amazônia”, disse-nos o Papa Francisco”, na visita ad limina. O jeito indígena de cultivar as roças no Alto Rio Negro, em 2010, foi declarado patrimônio cultural do Brasil pelo IPHAN. Há duas instituições que prestam imensos benefícios aos rionegrinos: a FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) e o ISA (Instituto Sócio-Ambiental). Apoio e, na medida do possível, também participo de algumas das muitas atividades que realizam. O Sínodo para a Amazônia pode ser considerado um momento importante em sua caminhada episcopal. Como o senhor vivenciou esse processo sinodal e em que lhe tem ajudado em sua missão como Bispo? O Sínodo foi um verdadeiro kairós para a Amazônia. Convidado do Cardeal Hummes, que era presidente da REPAM, participei desde o primeiro momento quando o Papa Francisco visitou Puerto Maldonado, no Peru. Lá acompanhei a primeira reunião para indicar os temas que deveriam ser abordados e também sugerir os assessores. O processo de escuta realizado nas comunidades indígenas apresentou excelentes propostas que foram sintetizadas pelo Pe Justino Rezende, escolhido para participar da comissão de peritos do Sínodo. A etapa final realizada em outubro de 2019, em Roma, foi um acontecimento inesquecível: a convivência com representantes de 09 países da Pan-Amazônia, a presença do Papa Francisco em todos os momentos, as sessões iniciais quando cada participante, em quatro minutos, apresentava um tema que considerava fundamental para as conclusões do Sínodo. Falei sobre a importância da Teologia Índia no processo de enculturação do Evangelho. Evento histórico foi também o “Pacto das Catacumbas pela Casa Comum” que grande número de participantes do Sínodo assinamos nas Catacumbas de Santa Domitila. Finalmente, a alegria…
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2º Domingo da Quaresma: “Transfigurarmos nossas vidas, comunidades e mentalidades”

A liturgia deste 2º Domingo da Quaresma “nos provoca a transfigurarmos nossas vidas, comunidades e mentalidades, a acolher a novidade que a Palavra de Deus nos revela”, segundo a Ir. Michele Silva. Na primeira leitura do Livro de Gênesis, a religiosa destaca que “temos o chamado vocacional de Abraão, que é desafiado a sair do seu lugar de conforto, deixar sua terra, família e seguir para onde Deus indicar, confiando na Palavra de Deus que promete formar um grande povo abençoado!”. Em relação ao Salmo, ele disso que “o Salmista nos convida a confiar esperando no amor de Deus que é gratuidade, justiça, que salva e liberta toda a vida de forma integral!”. Já na segunda leitura da segunda carta de São Paulo a Timóteo, a Ir. Michele faz ver que “Paulo nos enche de esperança ao dizer que Deus nos salvou e chamou a vocação, por meio da graça manifestada por Jesus Cristo – que destruiu a morte e faz brilhar a vida eterna, que já acontece aqui, por meio das experiências da ressurreição no cotidiano da vida!”. Na passagem do Evangelho segundo Mateus, “nos convida a transfigurarmos nossas vidas, em conformidade ao seguimento de Jesus”, segundo a religiosa. Ela convida a se perguntar “O que preciso transfigurar?”, dizendo que “a quaresma nos propõe a mudança de vida, a sermos novas mulheres e homens, e também transformar a Igreja e a sociedade. A construirmos novas relações e revisar os processos da caminhada cristã”. Por isso, a religiosa questiona: “Como estamos vivenciando a dimensão da ministerialidade com relação as Mulheres e as lideranças leigas? A sinodalidade tem acontecido em nossas comunidades? Estamos nos desafiando a mudança?”. Se referindo às palavras de Pedro no Evangelho: “é bom estar aqui”, ela insiste em que “o lugar do conforto é bom e seguro, temos a tentação de manter tudo como está, a ‘montanha’ é tranquila, estar em oração nos fortalece, mas precisamos descer e seguir lutando pela transformação! Essa profunda experiência com Jesus precisa nos levar a ‘descer a montanha’ – enfrentar os desafios, assumir a construção do Reino de Deus!”. Daí, a Ir. Michele Silva faz um chamado a “sair da nossa zona de conforto para assumir o compromisso com a superação da fome, proposta da Campanha da Fraternidade 2023! Transformar as realidades de morte causadas pela ganância e indiferença: em nossa volta temos o povo Yanomami, a escravidão de seres humanos, a destruição de nossa casa comum, as guerras e todas as formas de desigualdades sociais, isso precisa nos sensibilizar. Para sermos transfiguradas precisamos reconhecer no irmão e irmã alguém que precisa ter dignidade!”. Finalmente, ela deseja “que essa caminhada quaresmal nos transfigure em pessoas mais humanizadas e cuidadoras da Casa comum de forma integral e que o clamor de nossas irmãs e irmãos, ressoe como um compromisso permanente da construção de uma nova Igreja e sociedade!”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dois anos de falecimento do saudoso Dom Sérgio Castriani

 “Habitou entre nós” (Jo 1,14)  Verdadeiramente viveu o que indicava o seu lema, durante toda sua vida dedicada à Missão da Igreja, a serviço do Evangelho.  Morre aos 66 anos Dom Sérgio Eduardo Castriani, arcebispo emérito de Manaus, assim foi anunciado a sua Páscoa Definitiva, ocorrida no dia 03 de março de 2021. Dois anos se passaram a memória dele continua viva nos corações das pessoas. Dom Sérgio Castriani, um missionário na Amazônia, por inteiro, entregou a sua vida, sem reservas para que Jesus Cristo fosse de fato conhecido, acolhido e imitado. Sua história por este chão foi marcada por ser um missionário ousado e apaixonado pela missão de anunciar e construir o Reino de Deus; um homem marcadamente missionário e adepto aos ensinamentos de Jesus Cristo. Dom Sérgio continua sendo sinal de esperança na vida de muitas pessoas. E hoje recordamos este dia ainda com muita tristeza, pois este nosso irmão marcou as nossas vidas com as mais belas experiências de dedicação ao seu serviço.  Que ele interceda por nós junto ao Pai. Meus irmãos e irmãs, rezemos na intenção deste nosso irmão que há dois anos nos antecedeu no Reino de Deus. Dom José Altevir da Silva, CSSp – Bispo da Prelazia de Tefé

Para se converter é necessário nos empenharmos

Queremos realmente nos converter? As oportunidades para mudar de vida, para deixar para atrás aquilo que nos leva a nos afastarmos de nosso ser gente, de nosso ser pessoas, sempre estão aí. É por isso que cada um, cada uma de nós tem que se questionar até que ponto queremos dar esse passo e entrar no caminho da mudança de vida. Infelizmente, a gente faz parte de uma sociedade onde parece que nos empenhamos em aplaudir àqueles que fazem as coisas erradas. Ser boa pessoa virou sinónimo de gente besta e isso tem que nos preocupar como sociedade. Somos obrigados a potenciar o ser boa pessoa como aquilo que é reconhecido e aplaudido. Só assim vamos poder fazer com que as novas gerações encontrem referências válidas para construir um mundo melhor para todos e todas. O que a gente orienta para as crianças, para os adolescentes, para os jovens? Queremos que nossos filhos sejam boas pessoas ou incentivamos a malandragem, a esperteza? A Igreja nos oferece itinerários que nos ajudam a descobrir o que Deus quer de nós, e acima de tudo, Ele quer que sejamos bons do mesmo modo que Ele é bom. Sentimos essa necessidade de sermos bons? Quando a gente não sente essa necessidade não se esforça para avançar nesse caminho, e não podemos esquecer que os passos são dados quando nos empenhamos para que isso aconteça. Sabemos que sempre é um desafio, mas os desafios são superados com empenho e determinação, com compromisso e superação. Você já se perguntou em que tem que melhorar em sua vida, em que tem que se converter? Uma conversão que tem a ver com sua vida pessoal, mas também com o modo de olhar os outros, de olhar a realidade da qual todos fazemos parte, de se relacionar com as pessoas, especialmente com aqueles que todos ignoram, com Deus, com a Criação. É tempo de parar e pensar, de fazer escolhas, de procurar caminhos que nos conduzam a nós mesmos, mas também que nos conduzam àqueles que a vida colocou na beira do caminho. A conversão tem uma dimensão pessoal, mas também tem seu lado social, um lado que nem sempre é contemplado, o que nos desafia ainda mais a um compromisso maior e mais constante. Não deixemos passar as oportunidades que a vida vai colocando em nossa frente para fazer escolhas que nos conduzam à vida em plenitude. As mudanças sempre nos ajudam a encontrar o rumo, a encontrar um caminho que nos permita encontrar o sentido para nossa vida e sobretudo a viver mais realizados, mais felizes. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Papa Francisco com seus gestos e palavras indica o caminho do Evangelho”

No dia 13 de março o Papa Francisco completa 10 anos de pontificado. O Cardeal Leonardo Steiner, que faz parte do último grupo de cardeais eleitos pelo atual pontífice analisa o que seu papado tem representado na vida da Igreja católica. Um pontificado que quis destacar a misericórdia e a sinodalidade como fundamento da Igreja. Um Papa sempre atento às necessidades da sociedade, que se importa com o sofrimento alheio, um Papa que olha com especial carinho para a Amazônia, para o cuidado da casa comum, um Papa despojado, que escuta e promove a escuta a todos, que com seus gestos e palavras indica o caminho do Evangelho. Um pontificado que em palavras do Arcebispo de Manaus nos leva a perceber que “estamos na Igreja vivendo tempos fecundos, tempos de santidade, de transparência e gratuidade que brotam do Evangelho”. Em poucos dias o Papa Francisco completa dez anos de pontificado. O que o senhor destacaria no Papado do Santo Padre até agora? Evangelizar é a missão da Igreja, a missão das comunidades de fé. O “Ide” aos confins e a toda criatura dito por Jesus aos discípulos, demonstra a razão de ser da Igreja. Envio e anúncio! Como Ele foi enviado pelo Pai, assim envia os discípulos a evangelizar. Nos discípulos estão todas as gerações de discípulos missionários. Todos os batizados estão na graça do “Ide”. Os ministérios, as vocações, os carismas, as pastorais, são modos de anúncio que o Espírito Santo suscita na comunidade eclesial. As Comunidades eclesiais, as dioceses e prelazias, as Conferências Episcopais, a Cúria Romana, deveriam ser a reverberação do “Ide”! Todos a serviço do Reino de Deus. O Ano da Misericórdia foi, nesse sentido da evangelização, da missionariedade, uma iluminação, um despertar, um caminho a ser percorrido. Talvez não tenhamos bebido e saboreado o significado e o horizonte que foi oferecido. A misericórdia como fundamento da Igreja, como expressão maior da missionariedade de todos os que seguem a Jesus. Quando a misericórdia ilumina a vida das comunidades, existe uma transformação. A Igreja sai do seu círculo fechado para estar a serviço da Vida plena. A misericórdia a enviar as comunidades para os pobres, os doentes, os marginalizados. A misericórdia que envia ao encontro do outro necessitado no corpo e no espírito. Papa Francisco abriu o horizonte da compreensão do ser Igreja. A Igreja que é misericórdia está profundamente encarnada, como esteve o Filho de Deus. A Igreja como misericórdia visibiliza o Filho de Deus que esteve e está no meio de nós como aquele que serve, oferecendo a presença transformadora, que caminha de cidade em cidade, tocando os dramas humanos. Papa Francisco, também enfrentou a questão da transparência das finanças no Vaticano. Iniciado por Bento XVI, Ele colocou o IOR em alto nível de confiabilidade. A chamada reforma da Cúria lembra o serviço da Cúria às Igrejas, ao Papa, e não o contrário. O seu modo de proximidade, de atenção às necessidades mais profundas do ser humano, a visibilização dos dramas humanos, a busca da fraternidade, o cuidado da casa comum, não a partir de ideologias, mas da profundidade do que somos como seres humanos, e da profundidade do sentido de ser de toda a criatura. A sinodalidade, tão estimado por São Paulo VI, indica o modo ser que se fortificará Igreja no futuro. Um modo que vai se tornando visível e palpável em muitas Igrejas particulares e Conferências Episcopais. Um modo onde todos os batizados se sentem Igreja e oferecem a sua contribuição para a visibilidade do Reino de Deus. Papa Francisco está a indicar caminhos. E nos diz qual o caminho que deveremos seguir: o da esperança. Pessoalmente, o que representa o Papa Francisco em sua vida, ainda mais depois de ter sido nomeado cardeal e fazer parte do grupo dos colaboradores mais próximos do Santo Padre? Meu primeiro encontro com Papa Francisco aconteceu na JMJ no Rio de Janeiro. Um encontro que não se esquece. O desejo de saber, de compreender, de animar, de buscar o melhor para a Igreja. Uma coerência com a vida do Evangelho, transparência nas atitudes e palavras. Um bom humor animador. O Papa que Deus nos deu para esse momento histórico e que nos tem ajudado a compreender o momento histórico, mas também como vivê-lo; como nesse tempo viver da vida, morte, ressureição de Jesus e de suas palavras. Não esquecerei a supressa do telefonema no tempo auge da pandemia em Manaus. Como um homem que está à frente da Igreja se lembra de nós que estamos no interior do Amazonas sofrendo. Desejava saber como estavam os pobres, como os povos indígenas estavam se defendendo da Covid-19. Foi um sopro de ânimo e esperança. Essa proximidade evangélica me deixa ser sempre mais próximo de quem está no ministério petrino, me sentir Igreja que está em toda a terra. A Amazônia pode ser considerada como um dos eixos destacados no pontificado do Papa Francisco. O que a Amazônia tem a agradecer ao Papa Francisco e o que o Santo Padre descobriu na Amazônia e na Igreja da Amazônia? Certamente a Amazônia, por ocasião da Conferência de Aparecida, o despertou para a questão da Casa comum. Os bispos da Amazônia presentes na Conferência insistiram na necessidade de um novo olhar para com a Amazônia. Ao vir para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, recordou o modo da presença da Igreja na Amazônia. Uma Igreja presente, não de passagem. O Sínodo para a Pan-amazônia foi o sinal mais eloquente de que ele desejava trazer ao debate a realidade amazônica na sua totalidade. Diria que a Amazônia, hoje inspira as igrejas particulares no Brasil, América-latina e Caribe. A Igreja que está na Amazônia foi convidada a levar em consideração os povos, as culturas, as religiosidades, levar sempre mais em consideração as realidades sociais e a realidade do meio ambiente. Os quatro sonhos deveriam ser lidos como uma hermenêutica da totalidade. Uma Igreja que na evangelização leva em consideração a totalidade do espaço em que tenta viver o…
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