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Nazaré Silva: Desafiados a “ter um olhar humano para com a dor do outro”

O Evangelho é sempre atual, Palavra viva, que se concretiza no tempo atual. Daí as palavras da jovem Nazaré Silva ao comentar a passagem das Bem-aventuranças no Evangelho de Mateus, que a Liturgia da Palavra deste 4º Domingo do Tempo Comum nos apresenta: “Bem aventurados os povos indígenas, em especial os Yanomami; Bem Aventurados os povos do campo; Bem Aventurados os ribeirinhos; Bem aventurados os roraimenses;  Bem aventurados os Amazonenses; Bem aventurados os migrantes; Bem Aventurados todos os fiéis que compõem o Regional Norte I; Bem aventurados todos os de puro coração, que se dirigem ao senhor Jesus Cristo”. A jovem da Diocese de Roraima, nos faz ver que “a liturgia do 4º domingo do Tempo Comum nos interpela a uma ação concreta: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus“. Em suas palavras, Nazaré faz memória “de todas as pastorais e movimentos que atuam diretamente com os grupos vulneráveis: Pastoral da Criança, Pastoral Indigenista, Pastoral do Migrante,  Pastoral do Menor, Cáritas, CPT (Comissão Pastoral da Terra), dentre outras”. Também nos lembra que “no ano que a Igreja do Brasil nos convida a refletir sobre a Fome a partir da Campanha da Fraternidade, que tem por lema ‘Dai-lhes vós mesmos de comer!’, nos apresenta como inquietação o enfrentamento da fome: como podemos nos calar em um país como o Brasil, líder mundial na produção de alimentos, dadas pessoas sem alimento na mesa? Como podemos admitir que pessoas, famílias e até comunidades inteiras passem fome?”. Nazaré lembra do acontecido na última semana em Roraima, destacando que “nesta semana, em que nossos olhares se voltam aos povos Yanomami, que sofrem com a fome a doença, decorrente do garimpo ilegal em terras indígenas, crianças, mulheres, homens e idosos encontram-se em estado de dor, somos convidados e convidadas, para que nos espaços que ocupamos (trabalho, escola, universidade, pastoral, catequese, dentre outros),  a provocar reflexão a respeito das estruturas injustas da sociedade, a ter um olhar humano para com a dor do outro, a necessidade de boas práticas como a Economia de Francisco e Clara”. Um texto que nos ajuda a ter certeza de que “quando cuido do outro, estou cuidado de mim”, nos convidando a que “sejamos sal e luz nos espaços que ocupamos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encerrado Retiro do Clero de Coari, Tefé e Alto Solimões: caminhar com Jesus como discípulos de Emaús

Encerrou na manhã do dia 27 de janeiro o Retiro Interdiocesano do clero das Igrejas locais de Coari, Alto Solimões e Tefé, as Igrejas que ficam as margens do Rio Solimões. Um retiro que aconteceu na Casa de Retiro Santo Afonso na cidade de Coari, e que contou com a participação de 37 padres. Junto com eles estiveram presentes os três bispos: Dom Adolfo Zon da Diocese de Alto Solimões, Dom Marcos Piatek da Diocese de Coari e Dom José Altevir da Silva da Prelazia de Tefé, que foi o pregador do retiro. Ao longo dos dias de retiro, Dom Altevir traçou 7 passos para os participantes refletiram a partir da pedagogia de Jesus em seu caminhar com os discípulos que iam a caminho de Emaús. Na sua reflexão o Bispo da Prelazia de Tefé, no primeiro passo que seria o encontro, partiu da ideia de que “o caminhar com é dispor-se a conhecer, é sentir de perto a necessidade do outro”. Num segundo passo, a escuta nos leva a descobrir que “Jesus toma a iniciativa, mas não interrompe o assunto. Ouvir faz parte do acolhimento”, questionando aos presentes sobre se “eu sinto a dor do meu irmão presbítero?”. O terceiro passo, a realidade, vendo que “Jesus quer entendê-los nos seus sofrimentos, nas suas angustias e buscas”, levou Dom Altevir a refletir sobre a identidade do discípulo missionária a partir do Documento de Aparecida e questionar se “meu irmão presbítero importa para mim?”. O quarto passo, a catequese, levou a pensar em como “a Palavra de Deus ajuda a entender os fatos aquece o coração, pois as Escrituras indicam o caminho a seguir”, fazendo um convite a se colocar ao dispor daquele que chama. No quinto passo, a acolhida, Dom Altevir quis mostrar que “a sensibilidade aumenta à medida que se conhece as Escrituras”, pois isso faz com que “cresce a confiança e vem o convite”. O Bispo mostrou ao clero que “fomos escolhidos e enviados pelo próprio Deus a sermos discípulos”, pedindo que Deus os anime na caminhada. O sexto passo, o celebrar, mostrou que “é a memória do jeito de ser e fazer de Jesus que nos permite abrir os olhos e reconhecer a presença viva do Ressuscitado”. Finalmente, o último passo refletido foi a missão, sendo chamados a descobrir que “é através da experiência de caminhar e de partir o pão que os nossos olhos se abrem para a missão”, assumindo que “já não sou eu, é Cristo que vive em mim”. Um elemento que tem que levar os padres a se perguntar se eles confiam no irmão padre e se o outro pode contar com eles. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 Com informações do Padre Marcelo Gualberto e fotos do Padre Valdivino

A Bíblia protagonista da 4ª Etapa da Escola de Formação da Diocese de São Gabriel da Cachoeira

A Diocese de São Gabriel da Cachoeira realizou durante a segunda quinzena do mês de janeiro a 4ª Etapa da Escola de Formação de Lideranças, que contou com a participação de cerca de 70 lideranças das diferentes paróquias e pastorais. Desta vez foi estudada a Palavra de Deus. Na primeira semana a Ir. Tea Frigerio abordou o tema da Mulher na Bíblia, algo que a religiosa enfrentou como um desafio, dado que teria que falar sobre essa temática para os povos originários, que são a grande maioria na Diocese. Ela disse ter sentido o receio de “confrontar meu pensar com o pensar das culturas indígenas sobre a mulher”, mas após a experiência ela disse ter saído enriquecida. Um auditório formado em sua maioria por homens, “mas o diálogo, a troca de ideias, as conversas, a inculturação daquilo que eu dizia, no mundo e na cultura deles, foi muito enriquecedor para mim. Perceber como em todas as realidades têm ideias, têm ideologias, têm pensamentos sobre a questão da mulher, sobre a estrutura social onde a mulher ela é dominada, ela é relegada a um papel dependente. Isso legitimado pela Bíblia e legitimado também pelas culturas. Legitimado muitas vezes pelos mitos ou pelas narrações bíblicas”. O curso começou partindo do que é um paradigma, convidando a desconstruir, a se abrir a outras maneiras de pensar, a propostas de igualdade e de inclusão, afirmou a assessora. No caso da mulher, “ela propõe a reflexão sobre as diferenças culturais, sobre as exclusões, sobre as hierarquias que nós fazemos na sociedade”, afirmou a Ir. Tea. Ela apresentou um método da leitura feminista, libertadora da Bíblia, a partir da vida de hoje e da vida na Bíblia. A partir do texto bíblico foi estudada a figura da mulher israelita, na sociedade, na família e na religião, e como isso influencia a atuação de Jesus. Foi abordada a questão das mães e das matriarcas em Israel, seguindo um itinerário e mostrando sua relação com o poço, sempre trazendo o olhar para os nossos dias. A partir das mulheres que não tem nome na Bíblia foi refletido sobre a violência contra a mulher, o feminicídio e a violência doméstica, estudando diferentes mulheres na Bíblia. Também foi estudado sobre as profetisas, destacando que em sua profecia, o centro é a vida. Em relação à mulher no Segundo Testamento foi abordada a prática profética de Jesus com as mulheres. A reflexão mostrou que “as mulheres na relação com Jesus, elas educam, formam e ensinam a Jesus”, se parando em algumas mulheres, que se encontraram com Jesus e interagiram com ele, se tornando protagonistas de seu próprio destino e entraram a formar parte do grupo de discípulos e discípulas que acompanharam Jesus. Foi estudado o Evangelho de João, onde aparecem 7 mulheres, todas elas protagonistas na comunidade ao lado de Jesus. Tudo na perspectiva do hoje, se questionando sobre o papel da mulher na Igreja, em casa, sobre a violência, o feminicídio, o caminho que a mulher esta percorrendo para encontrar seu protagonismo na sociedade e na Igreja, como presença que defende a vida em seu agir e relacionar. Tudo isso permitiu “interagir com muita simplicidade, muita lealdade, muita honestidade, reconhecendo que muitas vezes, na própria mitologia da cultura indígena como na mitologia da Bíblia se vitimiza e se mantem à mulher num papel subordinado, mas a mulher saber encontrar brechas para saber ser protagonista”, insistiu a Ir. Tea. O curso foi também oportunidade para estudar o Livro dos Atos dos Apóstolos, “percebendo nele o testemunho do nascimento da Igreja”, segundo o padre Luciano Motti, assessor desta parte. Um texto de grande importância “para a compreensão da identidade da Igreja, para a identidade da missão da Igreja”, que nasce como comunidade, que é onde se dá a vivência da fé em Jesus. Segundo o assessor é “uma comunidade que se forma em torno da experiência do testemunho da Páscoa de Jesus, que se sustenta no ensino dos apóstolos e no aprofundamento da Palavra de Deus, se sustenta pela comunhão fraterna, se sustenta por uma vida de oração e na Eucaristia”. “A Igreja apresentada nos Atos dos Apóstolos é uma Igreja que além de nascer comunidade, ela nasce missionária, nasce voltada para fora, nasce essencialmente como testemunho”, destacou o Padre Luciano. Ele destacou nessa Igreja “a abertura aos outros, a abertura aos mais diversos, aos excluídos, aos estrangeiros, aos pagãos”, assim como aos ministérios, destacando o papel protagonista da mulher. O assessor lembrou que a comunidade nascente não perfeita, tem seus dramas, tem seus conflitos, mas é uma Igreja que os resolve pela via do diálogo e em assembleia, respeitando a diversidade de ministérios, com espaço para o protagonismo de todos os cristãos. O padre destacou que tem sido uma semana para ler juntos os Atos dos Apóstolos e buscar “aprofundar a compreensão desta experiência original, originante, fundante do cristianismo, tendo os olhos na vida das nossas comunidades, pisando o chão que é pisado pelas nossas comunidades”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Mensagem de Dom Evaristo à Diocese de Roraima: “uma Igreja que tem clareza da sua opção de estar ao lado dos povos indígenas, migrantes e vulneráveis”

Após uma nomeação inesperada, Dom Evaristo Pascoal Spengler tem se dirigido ao Povo de Deus da Diocese de Roraima. Em suas primeiras palavras diz ter se encantado “com a fé do povo simples e com os grandes apelos missionários” da Prelazia do Marajó, que ele vê como “porta de entrada para a Amazônia com suas belezas e seus encantos, mas também seus dramas, seus desafios sociais e evangelizadores”. No Marajó, Dom Evaristo diz ter descoberto “a abertura missionária para toda a querida Amazônia, e a importância da Amazônia para a Igreja e para o mundo”. Diante da nomeação do Papa Francisco, o Bispo eleito da Diocese de Roraima diz tê-la recebido “com muita disponibilidade e abertura de coração para acolher a nova realidade e seus desafios como um apelo de Deus”. Seu novo Bispo agradece a “todos os que desde o início contribuíram no trabalho evangelizador” na Diocese de Roraima, dizendo chegar “em uma Igreja adulta e experiente”. Em Roraima ele chega “com espírito franciscano”, esperando encontrar irmãos, que “são sempre um dom, um presente de Deus”. Um Bispo que diz chegar “para somar, juntamente com os presbíteros, religiosos e religiosas e todos os batizados e batizadas que vivem sua vida de fé em comunidades, movimentos e paróquias, e servem nas pastorais, organismos eclesiais, equipes e conselhos”. Da nova realidade reconhece seus desafios: “povos indígenas, migração, garimpo ilegal, violência, conflito de terras e territórios e o desafio da evangelização nessa realidade”. Mas também sabe “que a Igreja local é missionária, servidora e profética”, destacando “o serviço prestado pela Diocese aos migrantes venezuelanos”. Uma Igreja que segundo seu novo Bispo, “pauta as suas opções iluminada pelo Evangelho e não por aplausos ou críticas. É uma Igreja que tem clareza da sua opção de estar ao lado dos povos indígenas, migrantes e vulneráveis”. Dom Evaristo é consciente de chegar num momento marcado pela tragédia humanitária que enfrenta o povo Yanomami, que define como “um escândalo da sociedade brasileira com repercussões internacionais”. Diante disso ele quer “somar com todos os de boa vontade, no esforço do resgate pelo respeito e dignidade deste povo, que vive a paixão de Cristo diante dos nossos olhos. Quero estar ao lado e apoiar a todos aqueles que defendem a vida, promovem a paz, e desenvolvem o cuidado da Casa Comum”. Se sabendo limitado, o Bispo eleito da Diocese de Roraima afirma que “é necessário contar mais com a misericórdia de Deus e a ação do Espírito, do que com as nossas forças, e caminhar sempre com os irmãos em espírito de sinodalidade”. Ele lembra seu lema presbiteral, que é a promessa de Deus a Moisés: “Vai, eu estou contigo”. Por isso reconhece que “nossa única segurança é a presença do Deus que nos chama e nos envia através do seu Filho Jesus Cristo”. Igualmente lembra seu lema episcopal: “Avança para Águas Profundas”, que segundo Dom Evaristo, “não permite que eu me acomode”. Finalmente, o Bispo agradece as mensagens de boas-vindas recebidas e “a acolhida e a fraternidade manifestada pelos bispos do Regional Norte 1 da CNBB”. Para sua nova missão pede a oração de todos e a intercessão de Nossa Senhora do Carmo, enviando sua benção. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Se não enxerga o genocídio yanomami você deixou de ser humano e ainda mais cristão

Negar aquilo que nos incomoda, as situações desumanas, os graves pecados contra os descartados, não minora o que eles representam. O sofrimento dos povos indígenas é uma constante no Brasil desde que em 1500 Pedro Alvares Cabral chegou na chamada Costa do Descobrimento. Mais de 500 anos de cenas que muitos consideram normais, como algo que faz parte da vida e da história, mas que outros consideram ou consideramos vergonhosas, situações que colocam em questão a própria condição humana, que nos animalizam, deixando para trás uma atitude que pode ser considerada o elemento primeiro para considerar que alguém é humano: a compaixão. Também é a compaixão aquilo que define o Deus cristão, Ele é misericordioso e clemente, lento para a cólera, mas paciente e generoso em seu amor. Por isso podemos dizer que só quem vive a compaixão com aquele que está jogado na beira da estrada é cristão. Se alguém não faz isso pode ser chamado de fariseu, de mestre da Lei, mesmo que se empenhe em dizer que Deus está acima de tudo. Não é a primeira vez que o Povo Yanomami sofre as consequências daquilo que o Papa Francisco chama uma economia que mata, uma realidade muito presente na querida Amazônia. Mas o acontecido recentemente clama aos céus, saber que ao menos 570 crianças menores de 5 anos morreram nos últimos 4 anos só pode ser definido com uma palavra: genocídio. Numa população de 38 mil pessoas, essas 570 crianças representam uma porcentagem elevadíssima, colocando em risco a sobrevivência desse povo no futuro. Ainda mais quando essa situação é consequência do descaso de um governo empenhado em matar os índios, em acabar com eles para poder dispor daquilo que seus ancestrais guardaram secularmente, a casa comum. O lucro de uns poucos colocado acima de uma sociedade e uma cultura ancestral para beneficiar quem nunca se preocupou com o cuidado da vida. A gente fica estarrecido com as reações de pessoas que se dizem gente, inclusive de cristãos, de católicos, que na verdade nunca entenderam o que significa a fé no Deus encarnado, no Deus que está no meio de nós, naquele que está doente, que está nu, que está com fome e com sede, naquele que sofre, que se tornou vítima pela falta de humanidade e de ser cristão dos outros. É tempo de parar e pensar, de nos questionarmos como sociedade e definir os caminhos a seguir. Será que vamos escolher a vida ou vamos ficar com o lucro? Será que vamos defender os descartados ou vamos nos somar ao grupo dos que defendem o lucro acima de tudo? Aprendamos com aqueles que realmente nos ensinam o que vale a pena: ser humanos e acreditar no Deus encarnado. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Ir. Mary Agnes Njeri Mwangi: Com os yanomami aprendi “a ser uma mulher de esperança e resiliência, a sempre recomeçar”

O sangue dos povos indígenas, o sangue dos yanomami corre nas veias da Ir. Mary Agnes Njeri Mwangi. Bem é verdade que a missionária da Consolata nasceu no Quênia, mas desde que no ano 2000 chegou no Brasil, ela sempre permaneceu na missão Catrimani, lugar de presença dos missionários e missionárias da Consolata no meio de um dos povos mais atacados ao longo do último século no Brasil. Uma missão que a religiosa vê como “uma presença de consolação, uma presença de defesa da vida, de promoção da vida”. Segundo ela, “tem sido também uma presença de ser mulher entre as mulheres”, algo que tem se concretizado no trabalho com as mulheres, nos encontros em diferentes regiões no território Yanomami. Neste tempo de convivência a Ir. Mary Agnes, que foi auditora na Assembleia Sinodal do Sínodo para a Amazônia, diz ter aprendido “a ser uma mulher de esperança e resiliência, a sempre recomeçar, porque a vida é muito atropelada aqui, em alguns momentos há surtos de epidemiologia, invasão do território”. A religiosa insiste em que “aprendi a sempre a recomeçar, quando a vida parece que não existe, sempre tem a mão de Deus que vem ao encontro e recomeçamos. Aprendi muito esse modo de sempre estar disposta a recomeçar, construir, a fazer algo novo, a superar, a estar calma, a constância e o amor na convivência”. Isso numa região que tem passado momentos muito difíceis e onde se vive o momento atual com preocupação. Na missão Catrimani muitos indígenas não são conscientes do que está acontecendo em outras regiões do território. Lá não chegam meios de comunicação, o povo não tem acesso a ver as imagens, só se informam com que o que falam na radiofonia, relata a missionária da Consolata. Diante da situação que o Povo Yanomami vive, a Ir. Mary Agnes insiste em que “falta realmente presença, presença em muitas regiões yanomami, pessoas que podem estar com eles, conversar, compartilhar, isso faz falta, essa presença de pessoas inseridas, que podem também dialogar com o povo neste momento, que podem escutar qual é o problema e acompanhar o povo no dia a dia. O povo está vivendo nesse momento essa situação de desamparo, de estar só”. As missionárias da Consolata estão acompanhando algumas comunidades, mas como acontece em muitas regiões da Amazônia, essa é uma região de difícil acesso, “são viagens longas, a pé, de barco”, relata a religiosa. Os problemas maiores, aqueles que estão aparecendo na mídia, acontecem em regiões distantes da missão Catrimani, onde elas não conseguem chegar. “E mesmo se nós conseguíssemos chegar seria destampar um buraco aqui para ir tampar outro buraco em uma outra realidade”, afirma a religiosa. Diante disso, a Ir. Mary Agnes lança um grito de socorro, “o povo vive nessa ausência de pessoas que possam realmente doar a vida e estar junto com eles. Estar tempo, não é só ir e voltar, mas ficar na região como presença”. Um tempo de dor do povo que a missionária diz estar vivendo como uma experiência em que “o Senhor está animando a minha vocação e também essa opção das missionárias da Consolata, ficar junto ao povo, as missionárias e os missionários”. Ela insiste na importância de “estar sempre presente, junto ao povo e colaborar naquilo que podemos”. À Igreja a religiosa faz um apelo para poder ter uma presença maior. Ela lembra da missão do Xirei, uma das regiões mais atingidas atualmente, onde havia uma comunidade religiosa até 2006, e essa comunidade deixou por falta de pessoas que podiam dar continuidade. Uma experiência que começou nos anos 90, quando havia outra situação grave quanto está hoje. A religiosa disse que “hoje está pior, mas agora não tem essa presença, eu sinto que o Senhor me pede, oxalá seja verdade, que a Igreja procure outras religiosas e religiosos que possam atuar em outros frentes na área yanomami, porque aqui é a única presença da Diocese. Eu sinto esse chamado do Senhor, primeiro a afirmação da minha opção, da nossa opção como Consolata, missionários e missionárias de continuar aqui, mas também esse apelo à Igreja do Brasil e do mundo para tentar abrir outras frentes nessas realidades”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Diocese de Roraima acolhe Dom Evaristo e lhe convida a “continuar conosco a celebração do mistério da vida”

A Diocese de Roraima emitiu uma nota de acolhida ao seu 10º Bispo, Dom Evaristo Spengler, onde seu administrador diocesano, Padre. Lúcio Nicolletto diz se alegrar “em comunhão com toda a nossa Igreja diocesana ao acolhê-lo no meio de nós com as palavras do Evangelho: ‘Bendito aquele que vem em nome do Senhor!’”. Sobre a Diocese de Roraima, a nota afirma que “somos um povo marcado pela beleza das criaturas do céu e da terra, dos nossos igarapés e buritizais, pelos nossos lavrados, serras e rios: somos povo da Amazônia! Somos um povo marcado pela multietnicidade, pela beleza da miscigenação de raças, línguas, tradições e culturas que nos deixam entrever em cada dimensão de nossa vida cultural, social e eclesial a necessidade da convivência com o diferente como paradigma de crescimento integral, como eixo norteador do nosso esforço para sermos um só coração e uma só alma!”. Junto com isso é destacado que “somos um povo marcado pela necessidade do encontro com o estrangeiro que há mais de cinco anos está batendo à porta de nossas casas, comunidades e instituições pedindo acolhida, proteção, promoção e integração para restaurar aquela dignidade que o poder opressor arrancou e esmagou em nome de logicas de interesses particulares. Somos um povo que busca caminhos de integração entre pessoas que vivem frequentemente o triste fardo de mudanças ou transferência para outros estados do Brasil em busca de trabalho ou oportunidades de vida melhores”. Em relação aos povos indígenas, a nota denuncia que eles são “ainda pouco ou nada respeitados, conhecidos e valorizados como verdadeiros guardiões da nossa casa comum”. O texto faz referência ao calvário do Povo Yanomami, “infinitas vezes denunciado ao longo de anos também pela Igreja católica de Roraima, mas regularmente desconsiderado, temos prova desse compromisso urgente com a vida que precisamos assumir como inadiável”. Um povo que “precisa crescer sempre mais na consciência de uma fé que seja fruto de uma opção fundamental por Cristo e pelo seu Reino na evangélica opção pelos mais pobres, excluídos e marginalizados”, destaca a nota de uma diocese que diz ter consciência “de que precisamos crescer no compromisso de sermos uma Igreja que quer se fazer carne e quer armar a sua tenda nesse recanto da região amazônica sabendo que só assim poderemos anunciar a Boa nova do Evangelho de Cristo como fonte de sentido e de libertação para todos os povos”. Nesse sentido é ressaltado que “nossa diversidade sociocultural é um convite e um compromisso para trabalharmos em comunhão em defesa da Vida em todas as suas dimensões, mormente quando é ameaçada pelos impactos causados por um equivocado conceito de progresso que confunde desenvolvimento com crescimento meramente econômico, multiplicação de riqueza material, expansão indiscriminada do agronegócio, deixando de promover, muitas vezes, a justiça social e o bem-estar de todos e para todos, assim como reza o Documento pelos 50 anos do Encontro de Santarém”. Finalmente fazem um convite a Dom Evaristo para caminhar com sua nova diocese, “e assim poderá experimentar a reconfortante presença de Cristo Jesus que caminha certamente com o povo de Roraima, rumo ao reino definitivo, lutando conosco para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária! Venha dom Evaristo, e sinta a alegria da presença de tantos batizados e batizadas que vivem seu sacerdócio batismal como fonte de alegria e de compromisso na mesma missão evangelizadora! Venha caminhar conosco, caríssimo dom Evaristo! Aqui em Roraima certamente encontrará o afago de inúmeros abraços acolhedores de missionários e missionarias que querem somar com o clero e o laicato dessa diocese para continuar sendo fermento bom na massa de nossa humanidade. Venha, dom Evaristo para continuar conosco a celebração do mistério da vida repartindo para nós o pão da vida e como Francisco e Clara de Assis, ensinar que a vida é comunhão e missão para que todos tenham vida e vida em abundância!”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Evaristo Spengler novo Bispo de Roraima. Regional Norte1 o acolhe com imensa alegria

O Papa Francisco nomeou neste 25 de janeiro de 2023 a Dom Evaristo Pascoal Spengler, OFM, como novo Bispo da Diocese de Roraima. Nascido em Gaspar (SC), no dia 29 de março de 1959, era até agora Bispo da Prelazia do Marajó no Pará. Com pós-graduação em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum, em Jerusalém, Dom Evaristo realizou sua profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2 de agosto de 1982. Foi ordenado diácono em 21 de novembro de 1982 e presbítero, no dia 19 de maio de 1984. Foi nomeado Bispo da Prelazia do Marajó pelo Papa Francisco em 1º de junho de 2016, sendo ordenado Bispo por seu confrade Dom Leonardo Ulrich Steiner, atual Cardeal Arcebispo de Manaus, em 6 de agosto de 2016. O Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em nota da presidência, disse acolhê-lo “com imensa alegria para ser o novo Bispo da Diocese de Roraima”. A nota lembra que “como pastor da Igreja do Marajó, o senhor abraçou com tal generosidade e coragem sua missão na nossa querida Amazônia, que nós o elegemos para ser Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica, REPAM-Brasil”. O texto faz referência à situação que está vivendo o Povo Yanomami na Diocese de Roraima, destacando a recente mensagem da REPAM-Brasil, onde o novo Bispo da diocese “revelou o amplo conhecimento que possui sobre a tragédia humanitária que enfrenta o Povo Yanomami, provocada pelo garimpo ilegal, pelo desmatamento, pela poluição das águas, sinais da perversidade provocada pela ausência de políticas públicas e pela negligência planejada com os modos de vida e com a cultura dos povos indígenas”. A presidência do Regional Norte1 da CNBB anima o novo Bispo da Diocese de Roraima a que “não tenha medo, a missão que o espera é exigente e desafiadora, mas o Senhor que o chama, também o acompanhará sempre com a sua graça e a força do seu Espírito”. Finalmente, antes de pedir a intercessão de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da Diocese de Roraima, pela missão que a Igreja está lhe confiando, os Bispos do Regional Norte1 afirmam que “pode estar certo de que contará sempre com a acolhida fraterna, a solidariedade permanente e as preces constantes de seus irmãos no ministério episcopal”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Mário Antônio da Silva: “Existem muitos discursos de defesa da vida, mas pouca prática em defesa da vida fragilizada”

Durante quase seis anos, de 2016 a 2022, o atual Arcebispo de Cuiabá foi Bispo da Diocese de Roraima, afirmando que viveu esse tempo desde o aprendizado e a partilha com as comunidades, também com os povos indígenas. A situação que vive o Povo Yanomami o leva a destacar o trabalho realizado com esse povo pela Igreja de Roraima, sobretudo pelos missionários e missionárias da Consolata. Um trabalho de defesa, que “se dá por omissão das autoridades, que têm a competência de cuidar dos povos indígenas”. Diante desse momento de tristeza e de luto, Dom Mário Antônio chama a assumir uma verdadeira ecologia integral. O 2º Vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), faz um chamado a que “como católicos nos unamos em defesa da vida e da vida concreta”. Segundo ele, “hoje existem muitos discursos de defesa da vida, da fecundação até a morte natural, mas pouca prática em defesa da vida concreta existente diante dos nossos olhos, sobretudo quando ela está fragilizada”. O senhor foi Bispo da Diocese de Roraima durante quase seis anos. Por todos os lugares onde passamos, vai ficando um pedaço do nosso coração. O que o senhor deixou na Diocese de Roraima? Meu período em Roraima, quase seis anos, foi um período de muitos desafios, mas também de muito aprendizado, aprendizado com as comunidades, sobretudo daquelas que estavam mais distantes do grande centro, que é a capital. Mas um aprendizado ímpar com os povos e comunidades indígenas. Das muitas coisas que eu aprendi lá e procurei retribuir é a proximidade com as pessoas, a proximidade no aspecto de estar junto, não só para celebrar a missa, mas também para a convivência. E a convivência se dava nos arraiais, se dava nas quermesses, se dava até nos momentos de comensalidade, eram momentos muito bonitos. O que eu procurei também partilhar com as comunidades da Diocese de Roraima é que nós precisamos ter uma fé que é mais do que normas, sejam católicas ou bíblicas. Mas a nossa fé é adesão a Jesus Cristo e essa adesão é visibilizada pelo seguimento a Ele, na prática da paz, da justiça e da solidariedade. Foi isso que eu procurei partilhar com as pessoas, recebendo deles impulso e motivação para uma missão diante de tantos desafios. O senhor fala da importância da convivência com o povo. Entre os yanomami, a Diocese de Roraima se faz presente através dos missionários e missionárias da Consolata, na missão Catrimani, realizada desde a convivência com esse povo. Qual a importância dessa presença como Igreja no meio do Povo Yanomami e esse jeito de anunciar o Evangelho? A Diocese de Roraima sempre teve na sua história, sobretudo com os bispos anteriores, grande preocupação com os povos indígenas e também específica com o Povo Yanomami, com a presença dos missionários e as missionárias Consolata, uma presença heroica, de mulheres e homens na convivência com as comunidades do Povo Yanomami, no respeito à cultura, no respeito à religião, na convivência, no fomentar os valores e em valorizar a sabedoria do Povo Yanomami. No seu cuidado com a própria cultura, com a própria humanidade, com os membros de cada maloca, de cada comunidade, como também no cuidado da natureza, com o cuidado da floresta, dos rios, da obra do Criador. É um jeito de conviver muito respeitoso e que tem sementes do Evangelho, que realmente revela o que o ser humano tem de mais humano e divino, no estar, na interlocução e no confronto. Por isso, a Diocese de Roraima tem uma contribuição sem igual em toda a Igreja, para todo mundo, a través do testemunho dos missionários e missionárias da Consolata, essa presença de respeito, de valorização, e digna de ser chamada também do Reino de Deus à luz daquilo que nos fala São Paulo, da graça, paz e justiça do Espírito Santo. Uma presença que também foi de defesa diante de tantos ataques que os povos indígenas e sobretudo o Povo Yanomami têm sofrido nas últimas décadas. Por que é importante essa atitude de defesa da Igreja assumida pela Diocese de Roraima em favor dos povos indígenas, do Povo Yanomami? A gente gostaria que todo ser humano tivesse sua dignidade humana respeitada, seus valores reconhecidos, seus direitos cumpridos para que pudessem também seus deveres serem executados, sem traumas, sem sacrifícios, sem opressão e sem injustiça. Mas infelizmente é fantasia achar que a Igreja não precise estar na luta pelos mais empobrecidos. A Igreja de Roraima, como toda a Igreja católica, quando se coloca ao lado dos indefesos, dos mais pobres, tem sido a grande testemunha de Jesus Cristo. No caso do Povo Yanomami, os missionários e missionárias da Consolata abrem portas e abrem os nossos olhos para uma atitude fundamental, mesmo que específica, diante dos desafios dos povos yanomami, lutar pela dignidade da sua vida, da sua saúde, de sua própria religião, conservando e escutando a sua própria sabedoria. A defesa da Igreja se dá por algo que a gente fica muito triste, se dá por omissão das autoridades, que têm a competência de cuidar dos povos indígenas, da omissão do Governo Federal, do Governo Estadual e de outras instituições que têm a competência de cuidar dos povos indígenas. Esse abandono, esse descaso, esse desmonte de direitos fez com que os povos yanomami entrassem ainda em uma escuridão maior, em uma treva que não mereciam. Parece-me que agora vem aí uma nova luz, tem novas luzes que surgem. Uma luz que a Igreja sempre procurou manter, mesmo que de maneira limitada, com as suas forças e com a sua missão lá com o Povo Yanomami. Uma atitude que não é exclusiva da Igreja de Roraima, mas que poderíamos dizer que é assumida pela Igreja do Brasil e inclusive da Igreja universal com o apoio expresso do Papa Francisco aos povos indígenas. Como Vice-presidente 2º da CNBB, como o senhor pensa que a Igreja do Brasil está impulsando essa defesa e como o que está acontecendo com o Povo Yanomami desafia a Igreja…
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Padres de Coari, Tefé e Alto Solimões participam do Retiro anual

Os padres das igrejas locais da calha do Solimões participam na cidade de Coari de 23 a 27 de janeiro de 2023 do Retiro anual. O tema do retiro deste ano é “A Missão de cuidar e o cuidado da Missão, a partir da pedagogia de Jesus”, tendo como passagem iluminadora Lucas 24, 13-36. O tema está em concordância com as temáticas trabalhadas pelos presbíteros do Brasil nos últimos anos, tendo sido refletido no último Encontro Nacional dos Presbíteros, realizado em Aparecida em maio de 2022. Também está presente no retiro o III Ano Vocacional no Brasil, que está sendo realizado neste ano de 2023, com o tema “Corações ardentes, pés a caminho”. Um momento único para reencontrar com Deus, para renovar o ministério e a vocação. Cerca de 35 presbíteros da Diocese de Coari, a Diocese de Alto Solimões e a Prelatura de Tefé estão participando deste momento de oração. No retiro estão presente Dom José Altevir da Silva, Bispo da Prelazia de Tefé, que é o pregador do retiro, Dom Marcos Piatek, Bispo da Diocese de Coari e Dom Adolfo Zon, Bispo da Diocese de Alto Solimões. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 Com informações e fotos do Pe. Marcelo Gualberto, Diocese de Alto Solimões