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Dom Luis Marín: “Na sinodalidade sou a favor da ‘política das três pes’: paciência, perseverança e presença”

O Sínodo sobre a Sinodalidade está a avançar e acaba de completar a sua primeira fase, a chamada fase diocesana. Isto sem esquecer que “a sinodalidade nunca acaba, porque pertence à Igreja na sua essência“. Dom Luis Marín de San Martín, subsecretário do Sínodo, fala-nos sobre isto. Expressando a sua gratidão pelo caminho percorrido, “uma excelente base para avançar”, salienta “o entusiasmo que existe sobretudo entre os leigos pela proposta sinodal“, o que o impressiona. Mas ao mesmo tempo reconhece que “ainda há muito clericalismo: se o pároco, ou o bispo, for favorável, a sinodalidade prossegue, e se não for, pode impedi-la”. São dificuldades que se deparam com o que ele chama a “política dos três pes“: paciência, perseverança e presença. Para os enfrentar, o que nem sempre é fácil, “a primeira coisa é cuidar e aprofundar a experiência de Cristo”, para superar o individualismo egoísta, o que segundo o subsecretário do Sínodo “é um verdadeiro escândalo”, e para nos ajudarmos uns aos outros. Um caminho no qual “é necessário tomar decisões que talvez sejam arriscadas, tomar medidas, procurar sempre como servir melhor“. É uma questão de assumir que “toda a Igreja está a evangelizar, pois é comunitária e sinodal”, que “a exigência de testemunhar Cristo é para cada cristão, todos nós devemos evangelizar”, superando o pessimismo e o medo. Também superar a tentação do igualitarismo e o desejo de avançar com base nas maiorias, salientando que o caminho a seguir é a comunhão. Está agora a começar uma nova fase, a fase continental, algo novo na história dos sínodos, que tomará medidas que conduzirão ao Instrumentum Laboris para a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se realizará em outubro de 2023. O Secretariado do Sínodo manifestou a sua vontade de “esclarecer, acompanhar e ajudar em tudo o que for necessário“. A primeira etapa do Sínodo, a etapa diocesana, acaba de terminar. Sabendo que ainda não viu em profundidade tudo o que chegou, quais são as suas primeiras impressões? Concluímos a fase diocesana, mas a primeira coisa a lembrar é que a sinodalidade nunca acaba, porque pertence à Igreja na sua essência. A Igreja é sempre sinodal, em todas as suas realidades e em todas as suas manifestações. A conclusão da fase diocesana não significa o fim do processo sinodal, nem mesmo no que diz respeito à realidade diocesana ou nacional. As conferências episcopais, dioceses e paróquias devem continuar a trabalhar e a desenvolver os temas que aparecem nas respectivas sínteses. As sínteses são um ponto de partida, não um ponto de chegada. Podemos dizer que, em geral, a chama da sinodalidade foi acesa. De fato, 98% das Conferências Episcopais nomearam uma pessoa de referência sinodal e quase a mesma percentagem delas enviou a síntese. Uma percentagem tão elevada nunca foi atingida em sínodos anteriores. Estamos muito gratos a todos aqueles que tornaram isto possível, especialmente às equipes sinodais e a todos aqueles que levaram a sério esta oferta de graça e colaboraram. Certamente, no que diz respeito às conferências episcopais, o processo tem corrido muito bem. Mas ainda há muito a fazer. Precisamos de refletir sobre como melhorar a audição, a abertura, a inclusão, o discernimento, o testemunho, etc. Estas são questões que precisamos de considerar e que nos devem ajudar a continuar ao longo do caminho, corrigindo onde for necessário. Mas não há dúvida de que temos uma excelente base para avançar, para continuar a avançar. Outros aspectos a destacar, em termos de realizações e desafios? Estamos perante um precioso testemunho de vitalidade na Igreja, de comunhão na fé, que não muda, mas é melhor compreendido e aprofundado como uma experiência do Cristo vivo. Ao mesmo tempo, existe uma abertura progressiva à pluralidade, à integração das diferenças como enriquecimento mútuo. Somos desafiados a desenvolver a dimensão espiritual e orante em todo o processo, que é verdadeiramente uma dimensão de escuta e discernimento no Espírito Santo. E o desafio da comunidade, da fraternidade eclesial, que o eixo da vida da Igreja seja o amor, a caridade. Ninguém é supérfluo. Outro tema muito positivo é o entusiasmo que existe, especialmente entre os leigos, pela proposta sinodal. É impressionante. Infelizmente, porém, há grupos ou indivíduos que não encontraram canais de escuta e participação. O cenário básico para o desenvolvimento da sinodalidade é a paróquia. A maioria deles tem funcionado muito bem. Mas noutros, o pároco ignorou ou bloqueou o processo. Isto mostra-nos que ainda há muito clericalismo: se o pároco, ou o bispo, for favorável, a sinodalidade vai em frente, e se não for, pode bloqueá-la. Devemos avançar para outro estilo, outra forma de viver a eclesialidade: da dimensão do serviço e não do poder, da participação e da corresponsabilidade. Além disso, há grupos, especialmente os que se encontram à margem ou na periferia, que nos enviaram as suas sínteses diretamente para a Secretaria do Sínodo. Muitos já chegaram. Alguns mostram a sua desconfiança a nível paroquial ou diocesano. O que fizemos, na maioria dos casos, foi redirecionar todo este material para a respectiva Conferência Episcopal, para que possa ser integrado. Quando tal não foi possível, retomámos as sínteses no nosso material para estudo e discernimento. Gostaria também de destacar a bela experiência de comunicação, escuta, intercâmbio e relacionamento que temos tido, desde a Secretaria do Sínodo, com os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, com os patriarcas orientais, com tantos bispos, com os representantes da vida consagrada e movimentos laicais, com os dicastérios da Cúria Romana. Tem sido e continua a ser imensamente rico. Pessoalmente, esta experiência ajudou-me a conhecer e amar mais a Igreja, a diferenciar o essencial do acessório ou circunstancial, a valorizar o que une, a ser solidário com as Igrejas em peregrinação no meio das dificuldades e da dor, a ter consciência da urgência da evangelização. Fez-me crescer como cristão, religioso e bispo. Face a estes desafios, como convencer aqueles que têm mais dificuldade em entrar nesta dinâmica? Todos temos de compreender e aceitar que a sinodalidade é algo que pertence à…
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Ir. Cidinha Fernandes: “O jeito de amar de Jesus é o de dar a própria vida”

No início do Mês da Bíblia, neste vigésimo terceiro domingo do Tempo Comum, a Ir. Cidinha Fernandes nos faz ver que “somos convidados a tomar nas mãos a Palavra de Deus, palavra a ser lida, escutada, refletida, vivenciada como compromisso cotidiano na vida pessoal, familiar, na comunidade e no mundo”. Comentando a leitura do livro da Sabedoria, a religiosa Catequista Franciscana nos questiona: “qual é a pessoa que pode conhecer os desígnios de Deus?”, ao que responde que “este propósito é dado a quem busca a sabedoria e o Espírito de Deus”. No evangelho de Lucas (14, 25-33), é relatado que grandes multidões acompanhavam Jesus. A essas multidões, Jesus as fala “das condições para o seguir, da necessidade de se desapegar de pai, mãe, filhos, e da própria vida para ser discípulo, discípula  e acrescenta que é preciso tomar a cruz e caminhar atrás Dele, Jesus. Reflete sobre a necessidade de verificar o que é necessário para se terminar um projeto iniciado, utilizando como exemplos a construção de uma torre, ou o rei que vai enfrentar um adversário. Conclui dizendo que, quem não renunciar a tudo o que tem não pode ser discípulo”. Segundo a Ir. Cidinha, “Jesus é radical!”. Ela insiste em que “para ser discípulo é tudo ou nada, ele quer ser o primeiro em nossas vidas e não um terceiro. No momento em que Ele fala às multidões está caminhando para Jerusalém para doar a própria vida, e por isso nos pede tudo, sua mesma qualidade de entrega, a vida toda e na totalidade.  Ele não aceita menos do que podemos dar.  Jesus é o centro da vida do discípulo, quem ama põe o Amado no centro de tudo!”. Em relação com nossas vidas, a religiosa afirma que “vamos aprendendo de Jesus essa qualidade de amar, precisamos crescer no amor, o que exige …treinar, treinar e treinar, cair, cair, mil vezes, mas também levantar e de novo, recomeçar, nos colocar no Caminho Dele”. Ela insiste em que “enquanto caminho vou me apaixonando cada vez mais por Jesus, por seu projeto e, assim vou me transformando, modificando, modelando o meu jeito de ser, de relacionar e de entregar a própria vida”. “Jesus não pede que não eu ame a mim mesma, meus pais. Ele pede que eu ame a mim mesma, aos meus pais e os outros como Ele Ama”, segundo a missionária na Diocese de São Gabriel da Cachoeira. Ela destaca que “o jeito de amar de Jesus é o de dar a própria vida, em solidariedade, cuidado, como totalidade. Um jeito de amar que   assume a cruz como caminho, não por gostar de sofrer, mas a cruz como caminho de solidariedade e de amor”. Um Evangelho que “nos desafia a não transformar o outro, a outra em objeto de satisfação, de lucro, prazer, não é um amor egoísta, egocêntrico, não toma posse, mas se abre para doar, gerar, cuidar da vida”, ressalta a religiosa. Um seguimento de Jesus, um discipulado que “não é algo imposto”, afirmando que “é preciso querer ser discípulo”, como Jesus nos fala: “se alguém vem a mim”. Tudo isso, “evoca uma liberdade que só quem ama é capaz de oferecer, acolher e compreender. Quem escolhe ser discípulo, discipula, trilha um caminho de liberdade amorosa que o faz capaz de desapegar, de não possuir nada, até a própria vida”. Finalmente, a Ir. Cidinha afirma que “a palavra de Deus para nós é um grito de profecia neste mundo, que para ser feliz não é preciso possuir muito, tomar posse do outro, da terra, o   que priva o ser humano de sua liberdade plena”. Por isso a religiosa pede, “que sejamos capazes de, a cada dia ir aprendendo de Jesus o jeito de amar, na radicalidade do tudo, o que nos caracteriza como seus seguidores e seguidoras”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Leonardo Steiner chama a “voltarmos nosso olhar para a Amazônia que nos ensina e sempre nos acolhe”

A 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi encerrada nesta sexta-feira, 2 de setembro com uma celebração eucarística no Santuário Nacional de Aparecida, Padroeira do Brasil, presidida pelo Arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, que definiu a celebração como momento para louvar e agradecer a Deus que acompanhou o caminhar da CNBB ao longo de 70 anos. Refletindo sobre as leituras da liturgia do dia, Dom Leonardo, criado cardeal pelo Papa Francisco no consistório celebrado na Basílica de São Pedro no dia 27 de agosto, afirmou que “somos sempre novos surpreendidos pelo amor com que somos amados, amadas, um amor redentor, libertador, gratuito”. Segundo o Arcebispo da capital do Amazonas, “somos todos participantes do verdadeiro banquete onde fomos conquistados, atraídos pelo amor que nos amou primeiro”. Dom Leonardo questionou sobre a possibilidade de que “nos tenhamos descuidado e entrado na sonolência, no distanciamento, da relação, do convívio”. Segundo o cardeal, “perdemos o cuidado e o cultivo da proximidade, da maturação, de uma relação de amor”. Desde a presença do esposo, ele fez ver que isso “exige maior maturidade, despojamento, liberdade, sintonia, pois é uma relação santificadora onde somos sempre mais revestidos do esposo”. Recordando as palavras de São Paulo, onde diz “já não eu vivo, mas Cristo vive em mim”, Dom Leonardo lembrou que quando vivemos na proximidade do Esposo, “somos sempre alimentados pela sua presença, mas também dos apareceres do caminho”. Nessa perspectiva, falando sobre o jejum, o cardeal afirmou que “jejuar por jejuar não desperta para a grandeza e a nobreza do seu seguimento”, definindo o jejum como “o exercício do vazio, do esvaziamento, uma abertura de receptividade, uma espera, uma saudade. Jejum, abrir espaço, ser receptividade do mistério que transforma”, referindo esse jejum ao Mistério da Cruz. No jejum da relação, afirmou Dom Leonardo, “há possibilidade de uma intimidade transformativa, vida nova, Ressurreição”, ressaltando que “no esvaziamento de nós mesmos nasce a possibilidade da fecundação da vida nova, pela suavidade da gratuidade Cruz-Ressurreição, isto é amor”. Aprofundando na reflexão sobre o jejum, o purpurado se referiu à ausência do esposo, que “nos leva â saudade, saudade do tempo da graça, saudade do tempo do amor”. O cardeal questionou: “as intempéries da vida que cobrem às vezes a nossa cotidianidade, a nossa nobreza e dignidade, justiça, fraternidade, paz, democracia, ética, estão a nos despertar para um jejum?”. Uma questão que cada vez mais cobra uma resposta da sociedade brasileira diante da atual situação pela qual o país está passando, como foi recolhido na Mensagem ao Povo Brasileiro sobre o Momento Atual. Dom Leonardo chamou a “despertamos para a necessidade da ética, da democracia, da justiça, da dignidade”. A ausência de democracia, de paz, “começamos a perceber a importância de todos esses elementos”, enfatizou Dom Leonardo, pois “caso contrário perderemos os olhos, o olfato, as cores, os sabores da nossa convivência social”. Um jejum que na parábola do Pai misericordioso “trona-se caminho de retorno”, recebendo o filho “beijos e abraços que o devolvem ao banquete do amor”. Por isso, ele chamou a “sermos fiéis e não abandonarmos o convívio”, e junto com isso a “permanecermos fielmente no aconchego da graça do amor”. Falando sobre a Assembleia presencial, Dom Leonardo vê isso, depois de 3 anos de ausência de encontro entre os bispos em consequência da pandemia, como oportunidade para “estarmos na comunhão, na colegialidade”, como momento “para percebermos as graças e as belezas das nossas igrejas particulares”. O novo cardeal da Amazônia, citando Querida Amazônia, disse que “expressamos uma Igreja que busca uma hermenêutica da totalidade”, afirmando que “todas as realidades necessitam de transformação, dignificação, santificação”, insistindo mais uma vez em “como nos fez bem estarmos juntos, na mesma comunhão, com as nossas diferenças, com os nossos sonhos”. O Arcebispo de Manaus chamou a “voltarmos nosso olhar para a Amazônia, a Querida Amazônia, os povos, as culturas, a prodigalidade na natureza, a força suave das águas, a solidariedade, o acolhimento do nosso povo, a alma religiosa dos pequeninos, a pobreza e os pobres, a originalidade dos povos, a Amazônia que nos ensina e sempre nos acolhe”. Uma região onde “essa Igreja missionária que navega nas contrariedades e que constitui comunidades de base com a força dos leigos, uma verdadeira presença viva, com a força e a presença da Vida Religiosa e de tantos missionários presbíteros”. Uma Igreja, citando palavras do Documento de Santarém, “encarnada e libertadora”. Isso, “numa Amazônia de mil rostos e mil sonhos, sempre mais delapidada, destruída, poluída, violentada, no entanto sempre mais amada”. Por isso, o cardeal fez ver que “não necessitemos jejuar por ter perdido a poesia, os lares, as culturas, as criaturas, tudo o que abriga e deixa ser”. Mas também que “não necessitemos jejuar, sentir saudades do tempo em que tínhamos uma casa para a qual sempre podíamos voltar, uma casa para todos”. Palavras que Dom Leonardo encerrou pedindo que “permaneçamos sempre com o Esposo, permaneçamos sempre a caminho”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Em Mensagem ao Povo Brasileiro, bispos denunciam corrupção que “subtrai o que pertence aos mais pobres”

No final da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida de 28 de agosto a 2 de setembro, os bispos tem lançado uma Mensagem ao Povo sobre o Momento Atual, um costume nas últimas assembleias do episcopado brasileiro. O texto começa afirmando ter presente “a vida e a história de nossas comunidades, o rosto de nossa de gente, marcado pela fé, esperança e capacidade de resiliência”, dizendo assumir as alegrias e esperanças do povo. Os bispos insistem na necessidade de traduzir a fé “em compaixão e solidariedade concretas”. Daí “o compromisso com a promoção, o cuidado e a defesa da vida, desde a concepção até o seu término natural”, incluindo aí a família, a ecologia integral e o estado democrático. Os bispos mostram preocupação diante do “tempo difícil em que vivemos”, que aparece na situação de “complexa e sistêmica crise, que escancara a desigualdade estrutural, historicamente enraizada na sociedade brasileira”. Nessa perspectiva, os bispos denunciam “os alarmantes descuidos com a Terra, a violência latente, explícita e crescente, potencializada pela flexibilização da posse e porte de armas”, algo motivado pelo desemprego, a falta de acesso à educação de qualidade para todos, a fome. A Mensagem faz um firme chamado a proteger a jovem democracia brasileira, chamando a um amplo pacto nacional. Ainda mais no ano em que o Brasil comemora o bicentenário de sua Independência, que deve levar a “ter presente que somos uma nação marcada por riquezas e potencialidades, contudo, carente de um projeto de desenvolvimento humano, integral e sustentável”. Junto com isso, se faz o chamado ao “compromisso autêntico com a verdade, com a promoção de políticas de Estado capazes de contribuir de forma efetiva para a diminuição das desigualdades, a superação da violência e a ampliação do acesso a teto, trabalho e terra”. Tudo isso desde a cultura do encontro e do diálogo, em busca de “ser uma nação realmente independente e soberana”. Os bispos mostram suas preocupações: a manipulação religiosa e a disseminação de fake News. Também denunciam “a corrupção, histórica, contínua e persistente”, que “subtrai o que pertence aos mais pobres”. Junto com isso insiste na promoção da Lei da Ficha Limpa, em vista do processo eleitoral que o Brasil está vivendo, ameaçado por tentativas de ruptura da ordem institucional. Diante dessa conjuntura, os bispos do Brasil reiteram “nosso apoio incondicional às instituições da República, responsáveis pela legitimação do processo e dos resultados das eleições”, chamando à participação no processo eleitoral e escolher candidatos “que representem projetos comprometidos com o bem comum, a justiça social, a defesa integral da vida, da família e da Casa Comum”. Leia na íntegra a Mensagem da CNBB ao povo brasileiro sobre o momento atual Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

O Papa Francisco acolhe com empatia os novos Estatutos da Conferência Eclesial da Amazónia

Na manhã de sexta-feira, 2 de setembro, o Papa Francisco recebeu a Presidência da Conferência Eclesial da Amazónia (CEAMA). O objetivo da reunião foi o de lhe apresentar os novos estatutos modificados que explicitam a identidade eclesial e amazónica da CEAMA. Uma audiência que o Cardeal Pedro Barreto definiu como “uma experiência de grande empatia com o Sumo Pontífice. Empatia porque vimos claramente que ele aceitou este processo sinodal que levou à Conferência Eclesial da Amazónia”. O Santo Padre e a CEAMA viveram desde o início uma grande comunhão, como o seu presidente assinala. Os novos estatutos baseiam-se, sublinha o cardeal peruano, “na orientação do Vaticano II, especialmente na sua eclesiologia do Povo de Deus com a Constituição Dogmática Lumen Gentium, e os novos estatutos também assumem a missão da Igreja que o Vaticano II inclui na Constituição Pastoral Gaudium et Spes“. O Cardeal Barreto sublinha também que “de uma forma muito particular, os estatutos incorporam o Documento Final do Sínodo para a Amazónia e a exortação apostólica Querida Amazónia, em que o Papa Francisco assume o Documento Final”. O presidente da CEAMA destaca “a sabedoria do Santo Padre, que vem de um profundo discernimento que ele experimentou como Bispo de Roma e que ele nos transmite, encorajando-nos a viver uma experiência sem precedentes, mas que ele confirmou: a criação pública, canónica e jurídica desta Conferência Eclesiástica da Amazônia, motivo de alegria perante uma realidade irreversível na história da Igreja, por ser a primeira Conferência Eclesiástica de uma região, um bioma com uma grande biodiversidade e uma grande diversidade cultural, que, como diz o próprio Papa Francisco, são os guardiões da natureza”. Finalmente, o Cardeal Barreto quis reafirmar que “o Papa Francisco, com uma lucidez impressionante aos 85 anos de idade, e que está a viver a experiência de um processo sinodal que está em curso e que é definitivamente um sinal de esperança para a Igreja universal“. A partir daí vê este momento como algo muito importante, sublinhando que é motivo de “muita alegria, muita esperança porque a CEAMA é uma realidade na vida da Igreja e da missão evangelizadora na Amazónia”. Os estatutos, como o Papa Francisco salientou, podem não ser perfeitos, dada a novidade da CEAMA e o seu sentido eclesial, mas não pode haver razão para se preocupar em cometer erros, porque o importante é “avançar, como uma planta que temos de regar“, disse o Padre Alfredo Ferro, SJ. Durante a audiência, o Papa Francisco foi informado sobre diferentes aspectos. Dom Eugenio Coter, falou-lhe sobre o encontro realizado com o Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos sobre o Rito Amazónico, que teve lugar a 1 de setembro. Pela sua parte, o secretário executivo falou-lhe do trabalho dos núcleos em que a CEAMA está dividida: pastoral intercultural, formação, ministério da mulher. Segundo o Padre Ferro, o Papa salientou a importância de se avançar na questão do ministério das mulheres, reconhecendo a sua liderança e apelando a uma reflexão teológica muito mais profunda sobre este ministério. Do mesmo modo, o Santo Padre foi informado por Mauricio López sobre o progresso do programa universitário amazónico, uma universidade desde a Amazónia, desde os territórios, desde as proposta das comunidades e das necessidades concretas. Neste sentido, foi-lhe falado da inauguração da Cátedra Cardeal Claudio Hummes, que teve lugar na semana passada em Quito durante uma reunião em que se discutiu a Universidade Amazónica. A figura do Cardeal Hummes esteve muito presente no diálogo com o Papa, de acordo com Alfredo Ferro. Quanto àquele que foi o primeiro presidente da CEAMA, o Papa Francisco recordou que durante a sua visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude em 2013, o Cardeal Hummes fez-lhe ver que a América Latina não poderia ser compreendida sem a Amazónia e o planeta não poderia ser compreendido sem a Amazónia, algo que ressoava com o Papa. Uma audiência na qual o Papa Francisco recebeu vários presentes, incluindo uma virgem de barro feita por uma camponesa, ou vários objetos feitos de pau Brasil, lembranças oferecidas pela REPAM e CEAMA ao Santo Padre. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

De volta para casa, colocar a mão na massa para implementar a Reforma da Igreja

Um encontro de todos os cardeais é coisa rara, acontece quando um Papa morre e tem que eleger o sucessor e mais alguma vez que o Santo Padre decide reunir seus colaboradores mais próximos para refletir sobre assuntos importantes na vida da Igreja. Quando o Papa Francisco foi escolhido em 2013, um dos pedidos que recebeu foi a reforma da Cúria Vaticana. Para isso iniciou-se um processo de discernimento que pudesse ajudar a descobrir os novos caminhos que a Igreja católica precisa. Não só aqueles que estão no Vaticano, mas também todos os batizados e batizadas que vivenciam sua fé em todos os cantos do Planeta. Mais do que normas concretas, o Papa Francisco chamou a anunciar o Evangelho, um pedido que aparece na Constituição Apostólica que ele escreveu para recolher o refletido ao longo de nove anos. Seu nome é Praedicate Evangelium, que a gente poderia traduzir por pregai o Evangelho. Aprofundar no conteúdo do texto do Papa tem sido a motivação dos quase duzentos cardeais que se reuniram no Vaticano na segunda e terça-feira. Dentre eles, pela primeira vez, um cardeal da Amazônia, o Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Ulrich Steiner, alguém que tem mostrado seu compromisso em levar o clamor da Amazônia e de seus povos até o Santo Padre. A Amazônia tem um lugar preferente no coração do Papa Francisco. Ele tem mostrado repetidamente sua preocupação e carinho pelo bioma amazônico, seus povos e sua Igreja, com gestos concretos que demostram essa afirmação, dentre eles o Sínodo para a Amazônia, que também pode ser visto como momento em que surgiram aportes importantes nesse processo de reforma que agora tem ficado mais explícito de por onde deve avançar. O encontro dos cardeais com o Papa tem destacado elementos que tem que estar presentes na vida da Igreja: a comunhão, a missão, a presença no meio dos pobres, a presença dos leigos, também das mulheres, em espaços de toma de decisão, dentre outros elementos chamados a ajudar na implementação da Reforma. Nessa implementação em todos os níveis de Igreja está o passo decisivo desse processo. É hora de colocar a mão na massa e traduzir em gestos, atitudes e propostas o espírito da Praedicate Evangelium. Quem faz parte da vida da Igreja católica tem que se perguntar: o que deveria ser feito em nossa comunidade, em nossa paróquia ou área missionária, em nossa diocese para aos poucos implementar a reforma? Toda reforma precisa de mudanças, nem sempre fáceis de assumir, mas que são necessárias para implementar tudo aquilo que pode fazer realidade o que é procurado, uma Igreja que responda melhor ao desígnio de Deus, uma Igreja mais viva, melhor presença de Jesus Cristo no meio de seu povo. É tempo disso, de concretizar e fazer carne o que está no papel. Só assim a gente vai poder dizer que a reforma está andando. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Em Carta ao Papa, Bispos do Brasil alegram-se pela nomeação cardinalícia de dois de seus membros

Os bispos do Brasil, reunidos na 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), enviaram uma Carta ao Papa Francisco (ver aqui), onde relatam ao Santo Padre os acontecimentos mais importantes que fazem parte da vida da Igreja do Brasil: 70 anos da CNBB, 15 anos de Aparecida, 18º Encontro Eucarístico Nacional. Tudo isso em espírito de colegialidade e sinodalidade, atitudes presentes no tema da 59ª Assembleia Geral da CNBB. O texto, assinado pelos 4 membros da Presidência, fala sobre “a conclusão da fase diocesana do Sínodo em todas as Igrejas Particulares do Brasil o que nos proporcionou a oportunidade de conhecer um retrato da escuta sinodal realizada nas comunidades eclesiais de todo o nosso País”. A carta faz um listado dos pontos fundamentais que ao longo da Assembleia estão sendo abordados pelos bispos brasileiros, destacando dentre eles a pesquisa “Saúde Integral do Clero”, que segundo recolhe o texto, busca “traçar um diagnóstico do estado da saúde dos ministros ordenados”. A pesquisa mostrou que “muitos dos problemas de sofrimento psíquico, cansaço por sobrecarga de atividades, experiências de solidão, estilo de vida sedentário e pouco saudável, que já existiam de modo latente, foram agravados com a pandemia de Covid-19”. O propósito da Igreja do Brasil é “encontrar caminhos de acompanhamento pastoral dos ministros ordenados, no horizonte da melhora da nossa qualidade de vida e de ministério”. Um outro elemento importante que a Carta ao Papa Francisco dos Bispos do Brasil recolhe são eleições do próximo mês de outubro, algo que acontece no mesmo ano em que o país comemora 200 anos da sua Independência, mostrando preocupação diante do “clima de tensão entre os Poderes da República”. Diante desta situação que o Brasil está vivendo, seus bispos afirmam ter “se esforçado para animar as pessoas e as organizações da sociedade civil, através do Pacto pela Vida e pelo Brasil, dentro da tônica de amizade e cooperação social”. Uma atitude motivada pela “irrenunciável missão de nos empenharmos na promoção da pessoa humana à luz da fé cristã”. Os bispos manifestam ao Papa Francisco “proximidade fraterna e apoio no exercício do seu ministério petrino”, que definem como “serviço exigente e indispensável à unidade e comunhão da Igreja Católica”, afirmando que “em que pesem os desafios, o seu testemunho segue luminoso e fecundo para vida da Igreja”. Finalmente, os bispos do Brasil, que ao longo deste ano estão realizando a Visita Ad Limina, mostram “comunhão com o consistório que ora se realiza”, manifestando sua alegria “pela nomeação cardinalícia de Dom Leonardo Ulrich Steiner e Dom Paulo Cézar Costa”. Ao Papa Francisco dizem assegurar-lhe suas preces e “com a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, rogamos bênçãos profusas sobre Vossa Santidade e seu ministério”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Edson Damian destaca alegria dos bispos se encontrarem na 59ª Assembleia da CNBB após 3 anos

Um começo com grande alegria, afirma Dom Edson Damian diante do início dos trabalhos da segunda fase da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acontece em Aparecida de 28 de agosto a 2 de setembro, dando continuidade â primeira fase que foi realizada em modo virtual no mês de abril. O presidente do Regional Norte1 afirma que essa alegria é em primeiro lugar pelo fato dos bispos se encontrar depois de três anos, ressaltando que “a palavra comunhão, nessa hora ela tem um peso muito especial”. Dom Edson destacou a importância de festejar os 70 anos da CNBB, dizendo “lembrar pessoas que marcaram profundamente a caminhada da nossa Igreja. Como não lembrar Dom Helder Câmara, Dom José Maria Pires, Dom Ivo Lorscheiter, Dom Aloysio Lorscheiter, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Luciano Mendes de Almeida”. O Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira afirma que “não por acaso iniciamos a Assembleia no dia em que faleceram esses três grandes que partiram no mesmo dia: Dm Helder, Dom Luciano e Dom José Maria”. Ele insiste na “comunhão com aqueles que nos precederam e aqueles que hoje estão a frente das nossas Igrejas”. Dom Edson lembrou as três palavras que estão envolvendo a nossa caminhada sinodal: comunhão, participação e missão, afirmando que “a CNBB vivencia esses valores desde o Concílio Vaticano II”. O Presidente do Regional Norte1 diz que “a nossa Igreja no Brasil foi aquela que na América Latina mais assumiu o Concílio Vaticano II, e por isso comunhão, participação e missão são palavras chaves em nossa vida e em nosso ministério”. Dos trabalhos do primeiro dia, Dom Edson destacou a análise de conjuntura sociopolítica e econômica, “muito bem-feita, porque descreve a situação gravíssima do nosso país. Valores fundamentais como a Constituição, a democracia, a lisura das eleições estão sendo desacreditas e colocadas em jogo por um governo que está desmontando os direitos sociais em nosso país e a Constituição”. A Igreja do Brasil “sempre defendeu a política como prática do Bem comum, a democracia como participação do povo, as eleições como um momento de escolher as pessoas que estão mais preparadas para fazer da política a arte do bem comum e viver a caridade, a fraternidade e a amizade social, como nos ensina o Papa Francisco na Fratelli tutti”. Dom Edson Damian insiste em que “nós começamos muito bem a nossa assembleia”, relatando alguns aportes dos bispos, como o valor do Grito dos Excluídos no dia 7 de setembro, a programação da 6ª Semana Social Brasileira: O Brasil que queremos, por Terra, Teto e Trabalho para todos, o Documento Encantar a Política e a Cartilha das Eleições, que está sendo trabalhada nas nossas comunidades”. O Bispo da Diocese de São Gabriel da Cacheira enfatizou que “a nossa Igreja está envolvida com a Política, com P maiúsculo, a busca do bem comum, da justiça, da fraternidade e da paz para todos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Sérgio da Rocha: “A dimensão de serviço, de missão, são fundamentais para a Cúria Romana”

Um encontro para refletir sobre a última Constituição Apostólica do Papa Francisco: Praedicate Evangelium. Esse é o propósito do encontro que nos dias 29 e 30 de agosto, na Sala do Sínodo, reúne todos os cardeais da Igreja, também os eméritos. Um deles é o Arcebispo de Salvador de Bahia, Dom Sérgio da Rocha, que vê esse momento como “muito especial, de vivência da colegialidade entre nós bispos, mas muito atentos, muito em sintonia com a missão da Igreja no mundo inteiro”. O Primaz do Brasil lembra que “o Papa Francisco tem falado muito em sinodalidade e naturalmente em colegialidade episcopal”, destacando que é um momento “de vivência da própria sinodalidade entre os cardeais, que somos os primeiros a estar em sintonia com o Papa Francisco e a valorizar sempre mais essa proposta do caminhar juntos nas várias instâncias da própria Igreja”. O Cardeal da Rocha reconhece que “sempre se espera por reformas ou por iniciativas que expressem mudanças de ordem prática, mas acima de tudo é necessário acolher o Espírito da própria constituição, da própria proposta para a Cúria Romana, que é justamente de comunhão, de serviço e missão”. Ele insiste na necessária “vivência da comunhão, vivência da missão numa atitude permanente de serviço, de Igreja servidora e solidária”. Nesse sentido, Dom Sergio afirma que isso tem que ser assumido pela Cúria Romana “em seu dia a dia e nas suas estruturas, aquilo que se quer para toda a Igreja, que nós sejamos mesmo uma Igreja que promova sempre mais, vivencie sempre mais a comunhão, essa dimensão do serviço, os que estão atuando na Cúria Romana são servidores e hoje servidoras da Igreja, e é claro, em vista da missão da Igreja”. O Arcebispo de Salvador não hesita em dizer que “essa dimensão de serviço, de missão, são fundamentais para a Cúria Romana, assim como para o conjunto da Igreja”. Estamos diante de um convite do Papa, também para a Cúria, que “quer incluir nessa perspectiva sinodal o conjunto da Igreja”. O propósito do Papa, segundo o Primaz do Brasil, é “tornar a Cúria Romana sempre mais participativa em relação à diversidade, à pluralidade da Igreja no mundo”. Ele destaca a importância de “que a Cúria conte cada mais com a diversidade de vocações e ministérios, mas também com a diversidade regional, a pluralidade de expressões da Igreja no mundo, já que nós temos tido um esforço muito bonito do Papa em trazer para a Cúria Romana, representantes da Igreja nos vários continentes”. Dom Sérgio da Rocha insiste em que “a catolicidade da Igreja, na sua essência mais genuína, exige esta pluralidade da Igreja na sua atuação”. Ele diz que “aqueles que atuam na Cúria, podem expressar bem melhor e cumprir bem melhor a realidade pluriforma da própria missão da Igreja no mundo, sempre buscando aquilo que é essencial, aquilo que nos une como Igreja. Mas sem dúvida que essa representação contando sobretudo hoje com a presença de mulheres, é fundamental”. O purpurado coloca como exemplo o Dicastério para os Bispos, do qual faz parte, mostrando sua alegria e felicitando o Papa Francisco “pela escolha de mulheres para integrar o próprio dicastério”, algo que considera de grande relevância, diante desta “tarefa muito exigente que é a do Dicastério dos Bispos”. Uma diversidade que se faz presente no Colégio Cardinalício, que “ajuda a nós cardeais, porque é muito importante que cada cardeal tenha também outras perspectivas, conheça ou ouça a respeito de outras realidades da Igreja no mundo para poder ajudar melhor ao Papa no nosso serviço à Igreja”, ressalta Dom Sérgio. Ele destaca que “nós cardeais somos servidores da Igreja, em primeiro lugar ao serviço do próprio Papa, daquilo que o Papa define como serviço para cada cardeal”. Essa presença de cardeais das mais diferentes regiões do mundo, aqueles que muitas vezes chamam de periféricos, de regiões com uma importância que se considera secundária na geopolítica atual mundial, o Papa ao fazer isso, diz o Arcebispo de Salvador, “está não só valorizando a Igreja que está presente no mundo inteiro, nos diferentes contextos socioculturais, mas também com isso a Igreja local, através de seus cardeais possa contribuir melhor com o Colégio Cardinalício, mas sobretudo com o Papa, de quem nós estamos ao serviço”. Ele vê como sinal de esperança essa pluralidade de origens dos próprios cardeais, algo que “tem um significado eclesiológico muito bonito, enquanto expressão da catolicidade da Igreja, essa pluralidade de origens dos próprios bispos, mas também tem uma dimensão pastoral, de ordem prática, de que com essa presença plural a Igreja possa realizar cada vez melhor a sua missão buscando sim a unidade, mas sempre respeitando a pluralidade dos contextos onde a missão acontece”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Verônica Rubi: “A verdadeira humildade, tem a ver com a modéstia, com a entrega e com o serviço”

Lembrando que neste vigésimo segundo domingo do Tempo Comum é o Dia Nacional do Catequista, Verónica Rubi inicia o comentário ao Evangelho, dizendo querer “lembrar, rezar e agradecer pela vida de nossos catequistas, essas pessoas que nos testemunham as verdades da fé, nos ajudam a conhecer o Amor do Pai, nos animam a seguir os passos de Jesus e nos ensinam a ser dóceis ao Espírito Santo, a Divina Ruah, a cada uma delas nossa gratidão”. Segundo a missionária leiga na Diocese de Alto Solimões, “o Evangelho deste domingo nos apresenta Jesus na casa de um fariseu, onde tinha ido a comer, aí observa as atitudes dos convidados e por amor a seus discípulos e a cada uma de nós, conta duas histórias, que também tratam de comida, mais que nos ajudam a refletir sobre nossas atitudes e motivações mais profundas”. Analisando a primeira parábola, Verônica diz que “nos fala de não ocupar o primeiro lugar, de não nos preocuparmos por reconhecimentos ou distinções, de não nos deixarmos consumir pelo desejo de poder como privilégio sobre outros. Nos fala de ocupar o último lugar, não em falsa humildade, ocultando a soberba e fingindo ser o que não somos, e sim na verdadeira humildade que é reconhecer que somos pequenos frente à grandeza de Deus. A verdadeira humildade, tem a ver com a modéstia, com a entrega e com o serviço, reconhecendo-nos irmãos e irmãs com a mesma dignidade por ser filhos de Deus”. A missionária, analisando a segunda parábola, destaca que “Jesus nos faz refletir sobre a motivação pela que fazemos as coisas, o que movimenta nossas ações? É o desejo de recompensa, de obter algo em troca?” Verônica destaca que “a parábola nos dá a dica da Felicidade que radica em partilhar a vida e fazer o bem a quem não poderá retribuir-nos, fala dos pobres, os aleijados, os coxos, os cegos, quem são eles na nossa vida, hoje? Com quem Jesus nos convida encontrar a felicidade? Nesta segunda parábola descobrimos a importância da Gratuidade, de fazer o bem por amor. Gratuidade e sinónimo de entrega, liberdade, amor desinteressado, maturidade, doação”. Finalmente, lembra que “as duas virtudes que o Evangelho nos traz, humildade e gratuidade, são o caminho para encontrar nosso lugar na festa da vida. Vamos com coragem e determinação a viver o Amor de Deus”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1