Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Blog

Seguir Jesus “no caminho de sua missão”, chamado do Papa aos novos cardeias

Seguir Jesus é o chamado que todo batizado recebe, um chamado que com o decorrer dos anos vai se concretizando de diferentes modos, até chegar a assumir cargos, serviços, também na Igreja, que muitas vezes mostram que os caminhos de Deus sempre nos surpreendem. Ser cardeal tem se tornado algo diferente, uma afirmação que neste 27 de agosto ficou mais uma vez confirmada. Durante muitos anos as sedes cardinalícias se tornaram costume na vida da Igreja. Hoje, ser cardeal é algo que escapa às especulações, qualquer um pode ser cardeal, inclusive um dalit, um intocável no sistema de castas indiano, um bispo com pouco mais de mil católicos na sua diocese, que ainda diz não ter assimilado o que representa sua nova missão, ou alguém que mora no meio da floresta amazônica, e sente seu chamado como um elemento que impulsiona a nova tarefa que o Papa o tem encomendado. São as surpresas de um Papa que nas suas primeiras palavras como pontífice disse ter chegado do fim do mundo, algo que tem marcado sua vida, no seu jeito de viver e de agir, se deixando guiar pelos sonhos que nascem de Deus e se concretizam em caminhos novos para uma Igreja chamada a responder ao chamado do Espírito. O importante é assumir que “o Senhor chama-nos novamente a colocarmo-nos atrás dele, a segui-lo no caminho de sua missão”, segundo o Papa Francisco lembrou aos neo-cardeais. Uma missão que é serviço, enfatizou o Santo Padre, consequência do fato de ser enviados por Jesus, que “quer comunicar-nos a sua coragem apostólica, o seu zelo pela salvação de cada ser humano, sem excluir ninguém”. Seguindo a imagem do fogo, o Papa Francisco afirmou que em Jesus, “a misericórdia do Pai arde no seu coração”.  Ser cristão, também ser cardeal é assumir a “corrida missionária” presente no apóstolo Paulo, “guiada, sempre impulsionada pelo Espírito e pela Palavra”, um fogo presente na vida de “tantos missionários que experimentaram a cansativa e doce alegria de evangelizar, e cuja própria vida se tornou evangelho, porque acima de tudo foram testemunhas”, ressaltou o Bispo de Roma. Ele foi relatando como o fogo, que se torna presente nas brasas, acompanha a vida do povo de Deus, um Deus que é “mansidão, fidelidade, proximidade e ternura”. Um fogo das brasas que se fez presente na vida dos santos, colocando como exemplo São Carlos de Foucauld, mas também em tantos santos e santas que são presença de Deus “no local de trabalho, nas relações interpessoais, nas reuniões das pequenas fraternidades”, mas também na vida sacerdotal “entre o povo da paróquia”, na vida conjugal, na vida dos idosos. O Papa citou o exemplo dos cardeais Casaroli e Van Thuân, exemplos de amor nas grandes e nas pequenas coisas, afirmando que “este é o coração de um padre, o coração de um Cardeal”. Aos novos purpurados, o Papa Francisco chamou a voltar o olhar para Jesus, pois ele quer acender o fogo “novamente nas margens das nossas histórias diárias”. É ele que chama pelo nome e pergunta: “posso contar contigo?“. Aos poucos a universalidade da Igreja vai se tornando uma realidade explícita no colégio cardinalício, cada são mais os países que têm um cardeal entre seus cidadãos. Cardeais que parecem se perguntar o porquê Deus, Jesus e o Santo Padre querem contar com eles. As respostas irão aparecendo aos poucos, na simplicidade presente em quem não tem problema em se sujar as mãos para servir a esse povo simples que muitos deles pastoreiam, superando dificuldades que não dificultam, mas animam a ir além, sendo firmes na missão de uma Igreja que continua chamando pelos caminhos de Deus, sempre surpreendentes. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro fraterno de formação dos missionários/as da Tríplice Fronteira: Brasil- Peru- Colômbia

O Espírito Santo já soprava e nos convidava a escutar o clamor dos pequenos e oprimidos quando em abril passado no final do nosso ultimo encontro dos missionários e missionárias da tríplice fronteira decidimos fazer o próximo momento em Atalaia do Norte. Os trágicos eventos que se sucederam foram o estopim da explosão que revelou para o Brasil e o mundo o quanto é preocupante e desafiadora a situação de insegurança e de descaso com os povos originários e ribeirinhos na nossa região. Com o intuito de antecipar uma Igreja sinodal na Amazônia fizemos nosso encontro com o tema a Sinodalidade e o grito de tudo e de todos pelo Bem Viver na tríplice fronteira. Nosso objetivo era escutar os indígenas e ribeirinhos, conhecer a realidade, dialogar e propor ações missionárias dentro do espírito sinodal para garantir a vida com sustentabilidade, dignidade, justiça e paz. O encontro aconteceu dias 23 e 24 de agosto na paroquia São Sebastião de Atalaia e 36 pessoas participaram. Lideranças indígenas expuseram e partilharam conosco suas vidas, culturas e desafios.  Queríamos ouvi-los para dar melhor resposta com uma evangelização encarnada. Precisamos conhecer mais para poder amar mais e melhor. Falaram os representantes do governo municipal, das associações dos indígenas e das organizações de mulheres. O representante dos ribeirinhos não pode se fazer presente. Os desafios são grandes porque o espaço é de 8,5 milhões de hectares. Habitado pelos mayurunas, matís, marubos, kurubos, canamaris e 23 referencias de indígenas isolados. É a segunda maior área demarcada do país. Existem fragilidades na vigilância pelo bom uso e preservação desse território. Falta um acompanhamento pedagógico para o cuidado do bioma, salvaguarda da cultura e retorno dos jovens que se formam na cidade para as aldeias. É preciso promover a geração de renda e uma economia justa e sustentável. Muitos indígenas se dedicam ao plantio da droga para obter dinheiro. Existe o esvaziamento das aldeias. O poder público não garante a segurança, a saúde, educação Muitos indígenas evadem para as cidades onde vivem como seres “invisíveis” aos olhos das autoridades e da população. Sua cultura, língua, pajelança, medicina, música e os saberes tradicionais são relegados pelos mais jovens. Assim o território é invadido pelos exploradores que encontram o espaço livre. O pedido feito a nós foi para nos aproximar mais dessa realidade indígena, participar das associações existentes, apoiar as iniciativas locais nas aldeias e nas cidades, promover capacitações técnicas, o retorno da pastoral da criança e da pastoral indigenista. Foi realçada a importância da interculturalidade e superar o conhecimento superficial e folclórico que temos dos povos originários. Que precisamos todos ter mais cuidado e preocupação com a natureza. Os indígenas e ribeirinhos precisam se organizar e trabalhar juntos no agro extrativismo sustentável, no manejo dos lagos, sempre focados na defesa da vida. Isso exige muito diálogo e calma para criar confiança e evitar violência. Foi relatado o caso dos ribeirinhos implantados nas “colocações”. Sempre trabalharam, cortavam a madeira e pescavam, mas ficavam endividados e nem casa própria tinham para morar, porque quem levava vantagem era quem negociava a produção. A floresta é a nossa família e todos os que a defendem são nossos “parentes”. A natureza é nossa mãe e somos filhos dela e do Deus Tamacuri. Somente pensando diferente seremos pessoas diferentes. O rio, ontem fonte de vida, hoje se tornou perigoso. Um rio sem lei, dominado pelos narcotraficantes. Os indígenas são os guerreiros da floresta, mas suas vidas e de seus líderes são ameaçadas e o medo reina. Os indígenas querem viver em paz e em harmonia. Tem vida, tem terra, tem água, tem alegria para todos, menos para os garimpeiros, madeireiros, caçadores, pescadores, fazendeiros que depredam e contaminam nossa Amazônia e os traficantes de pessoas que comercializam nossa gente. Os indígenas não atrapalham o progresso, mas não querem que sigamos com a lógica de destruição, roubo e morte da época colonialista. Foi relatado o caso do indígena que foi a São Paulo para um encontro e começou a sangrar pelo nariz devido a poluição. Que foi preciso ir um deles para Nova York para falar porque está acontecendo a mudança de clima e o aquecimento global. Ele lembrou que os jornais nos Estados Unidos estamparam que era hora de “Amazoniar a América”. Por isso temos que lutar todos pelo bem viver de todos. Temos que ficar de olho com as ações que causam danos para a natureza e as pessoas. O grito dos indígenas foi também para que ajudemos a dar as condições dignas para que possam permanecer nas suas aldeias e que essas áreas sejam efetivamente protegidas. O clamor deles tem a esperança de que chegue aos ouvidos dos brasileiros que têm o comando das forças armadas, que têm a missão de garantir a integridade do nosso povo e do nosso território. O grito lançado foi para que mais que construir e edificar igrejas, como fazem muitas denominações religiosas, precisamos construir um habitat saudável e amoroso e edificar pessoas novas que vivam com amor e em harmonia com tudo e com todos. Sempre respeitando a identidade dos povos originários e a sua força espiritual. Jesus orava, mas não vivia de joelhos. Ele não era sacramentalista e nem tradicionalista. Por isso, não devemos satanizar os ritos religiosos e culturais dos indígenas. O clamor final dos expositores foi que a nossa Igreja, através de seus organismos, faça ressonância desse grito em favor da proteção dos povos originários e do seu território em todos os níveis nacionais e internacionais. Foi preciso que pessoas que nos defendiam e que queríamos bem fossem mortas para o governo acordar e ver o nosso pesadelo. Temos que fazer mais e discursar menos. Nesse sentido e porque temos que ousar mais, primeirar, esperançar e amorizar e ouvir bem mais nossos povos originários, foi decidido fazer uma carta dirigida aos fiéis e autoridades das nossas Igrejas na tríplice fronteira para ecoar o grito desse povo sofrido.  A súplica foi: não nos deixem gritar só! Não desistam de lutar por nós! Ao final do…
Leia mais

Um cardeal Franciscano e de Francisco

No dia 29 de maio, os primeiros raios de sol em Manaus traziam uma notícia que foi motivo de surpresa para muita gente. Na verdade, conhecendo a lógica do Papa Francisco, a escolha de um cardeal da Amazônia era algo esperado. Ele é um Papa que gosta de ter por perto àqueles que vivem nas periferias, pois é lá onde ele encontra as luzes para seu pontificado. Foi nesse dia que, mais uma vez sem avisar ninguém, o Papa Francisco convocou um novo consistório, que será realizado neste sábado, 27 de agosto, na Basílica de São Pedro. Entre os novos purpurados estará o Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Ulrich Steiner, a quem muitos já chamam o cardeal da Amazônia ou o cardeal da floresta. A nomeação de Dom Leonardo é mais um exemplo do que tem acontecido em todos os consistórios convocados até agora pelo Papa Francisco, onde sempre aparecem bispos de lugares desconhecidos e que nunca tiveram um representante dentro do Colégio Cardinalício. Pela primeira vez na história, um bispo da Amazônia terá uma vaga no Colégio Cardinalício. Desde o primeiro momento, Dom Leonardo deixou claro que sua nomeação não era algo que fizesse referência exclusiva a sua pessoa, e sim um serviço que assumia em nome da Igreja e dos povos da Amazônia. Uma região, uns povos e uma Igreja que ocupam um lugar importante no coração do Papa Francisco, que convocou um Sínodo para a Amazônia que está mudando a história da Igreja universal. Dom Leonardo é franciscano, a ordem fundada pelo Santo de Assis, que viveu e deixou como carisma o amor aos pobres e à Irmã Mãe Terra, algo que desde o início de seu pontificado foi assumido pelo primeiro Papa que assumiu o nome de Francisco. O Papa Bergoglio é um jesuíta com coração franciscano, grande amigo do Cardeal Hummes, o franciscano recentemente falecido, que dedicou os últimos anos de sua vida à Amazônia. Nos primeiros dias como Bispo de Roma, o Papa Francisco afirmou que ele gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres, e sua primeira encíclica, Laudato Si´, pode ser considerada uma atualização do vivido e defendido pelo Santo de Assis oito séculos atrás. São princípios que guiam a vida do novo cardeal, quem acostuma se encontrar e distribuir alimentos para os moradores de rua de Manaus. Um arcebispo que apoia decididamente o trabalho com os povos indígenas e as comunidades ribeirinhas, que denuncia os graves impactos que sofre o bioma amazônico, em consequência da falta de respeito pelas leis e princípios ambientais. A nomeação de Dom Leonardo como cardeal é motivo de alegria, mas também de esperança, pois a Amazônia terá mais alguém entre os colaboradores mais próximos do Santo Padre. O colégio cardinalício contará com uma voz que, como já está fazendo desde que assumiu o pastoreio da Igreja de Manaus, vai defender a vida que se faz presente de modos tão diferentes na Querida Amazônia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Cátedra Universitária Amazônica Cardeal Hummes: espaço inspirador para germinar seu legado

A sessão de abertura da Cátedra Universitária Pan-Amazônica: Cardeal Cláudio Hummes, cuja figura foi brevemente apresentada por Mauricio López, um dos colaboradores mais próximos do Cardeal brasileiro nos últimos anos, especialmente em todo o processo do Sínodo para a Amazônia e tudo o que este Sínodo e suas consequências provocaram, ocorreu no contexto da reunião em que o Programa Universitário Amazônico está sendo desenvolvido, na Pontifícia Universidade do Equador. Um encontro onde estão participando o Padre Zenildo Lima, Reitor do Seminário São José de Manaus, a Ir. Rose Bertoldo, Secretária Executiva do Regional Norte1, e o jesuíta manauara, Padre Adelson Araújo dos Santos, professor da Universidade Gregoriana de Roma. Luis Liberman começou recordando seu último encontro com o Cardeal Hummes, em 20 de junho de 2022, poucos dias antes de sua morte. Naquele encontro com quem ele definiu como amigo, pastor e profeta, o Cardeal insistiu na CEAMA e na Universidade Amazônica. “Onde havia necessidade, Dom Cláudio estava lá“, disse Liberman, afirmando que ele sempre viveu com esperança, entendida como um caminho a seguir, como um compromisso com os outros. O fundador do Instituto para o Diálogo e a Cultura do Encontro disse ver em Dom Cláudio um homem de alegria, alguém que tinha uma voz forte em defesa da Casa Comum. Segundo Liberman “esta Cátedra é um espaço inspirador, é um espaço que nos permitirá germinar o legado de Dom Cláudio, o legado de uma Igreja latino-americana que, junto com o Papa Francisco, ousou desafiar o poder real, que nunca esteve em uma zona de conforto”.  O fundador do Instituto Universitário de Água e Saneamento disse que via Dom Cláudio como “alguém que nos ensinou a ser melhor, e ser melhor é compreender o outro, compreender o próximo, estender a mão, perceber, aprender a ouvir, assumir que o futuro é nossa responsabilidade”. Ter conhecido Dom Cláudio Hummes, alguém com “uma luz que vai além de todos os tempos”, é visto por Patrícia Gualinga como um privilégio. Em sua primeira reunião, ele a convenceu de que haveria mudanças na relação entre a Igreja Católica e os povos indígenas. Pouco a pouco, ela descobriu no Cardeal Hummes um amigo, um aliado dos povos indígenas, alguém que estava convencido da defesa da Amazônia, que sabia o caminho a tomar. Alguém aberto à mudança, pronto para encontrar Cristo, Deus nos povos indígenas, na natureza, em suas lutas e rostos, é como a líder indígena equatoriana via aquele que foi presidente da REPAM e da CEAMA, pronto para profundas transformações, com a força de provocar mudanças, algo que, segundo Patrícia, ele conseguiu. Por isso ela enfatizou que o Cardeal Hummes acreditava nos povos indígenas, em seu conhecimento, no acompanhamento, na escuta, na tecelagem em conjunto. A grande contribuição deixada pelo Cardeal Hummes, segundo Gualinga, “é que a transformação tem que vir da Amazônia, a luta pela conservação do ecossistema amazônico, o acompanhamento dos povos indígenas, a compreensão dos que são diferentes”. Por fim, ela destacou que “para nós é um prazer ter podido ter esta presença e esta luz, porque ela nos permite avançar”. O Cardeal Pedro Barreto, vice-presidente da REPAM e da CEAMA durante o tempo em que Dom Cláudio foi seu presidente, falou da figura do Cardeal brasileiro sob três pontos de vista: seu espírito, sua atitude e sua ação pastoral. De sua espiritualidade franciscana, ele seguiu Jesus na Igreja, olhando para Francisco de Assis, segundo o Cardeal Barreto, destacando como Dom Cláudio inspirou o nome do atual Papa com aquela famosa frase, ainda na Capela Sistina, “não se esqueça dos pobres”. Para o cardeal peruano, “Dom Cláudio é o Francisco da Amazônia“, vendo a nova cátedra como um desafio. A respeito de suas atitudes, o Cardeal Barreto destacou o compromisso de Dom Cláudio com a Amazônia, com uma esperança ativa, alguém que encorajou a caminhar juntos, para consolidar o processo da CEAMA e da REPAM. Neste sentido, Barreto disse que estava seguindo as pegadas de Dom Cláudio. Nele ele também destacou sua alegria, algo que o fez próximo, uma alegria no Senhor. Outra atitude que ele destacou foi sua coragem, enfraquecido em seu corpo, sendo emérito, a coragem de sonhar novos caminhos, como alguém que deixou o melhor vinho para o final, alguém com uma espiritualidade de prudência e firmeza. O Padre Luis Arriaga, também jesuíta, concentrou sua apresentação em três pontos, começando pela base da defesa dos direitos humanos dos povos originários do ponto de vista da missão da Igreja; a urgência e relevância desta defesa no território amazônico; e algumas propostas para a presidência apresentada hoje. O presidente da AUSJAL, Associação das Universidades Jesuítas da América Latina, partiu da dignidade da pessoa como fundamento da defesa dos direitos humanos, mostrando em que contextos isso deve ser feito, algo que é claramente visível nos povos indígenas, chamando a transcender o olhar, a partir de experiências locais, para chegar a reivindicações contextualizadas. O reitor da Universidade Ibero-americana Cidade do México insistiu na importância da teologia contextualizada, com um novo lugar teológico, que nos desafia a encontrar Jesus em todas as coisas e pessoas, e a sermos construtores de seu projeto. Isto também no território amazônico, levando em conta a realidade dos povos originários, que habitam ecossistemas que são decisivos para a vida, administrados com maior eficiência. A partir daí, ele insistiu na necessária conservação desses ecossistemas e na defesa dos direitos coletivos dos povos indígenas, como chave na luta para deter e reverter a crise climática e de direitos. Arriaga afirmou que as estratégias tem que colocar sempre as pessoas e sua dignidade no centro. A partir daí, ele fez algumas propostas, tornar o discurso e a práxis dos direitos humanos um ponto de chegada; construir uma perspectiva internacional e intercultural que lhes permita ter a capacidade de se conectar com problemas globais e locais; construir leituras, espaços e ações de incidência baseadas na complexidade; e projetos de pesquisa que levem a ações concretas, estruturadas a partir de uma perspectiva inter e transdisciplinar. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB…
Leia mais

Caritas Alto Solimões promove Seminário “Ecologia integral, bem viver, sem lixo, sem luxo”

A Caritas da Diocese de Alto Solimões organizou em São Paulo de Olivença, no último final de semana, de 19 a 21 de agosto, um seminário, que teve como tema: “Ecologia integral, bem viver, sem lixo, sem luxo”. Os 35 participantes do encontro, das paróquias de Belém do Solimões, Amaturá, Santo Antônio do Iça, Tonantins e São Paulo de Olivença, tiveram a oportunidade de tomar consciência da necessidade de um cuidado mais responsável da Casa Comum e de se organizar no campo da coleta seletiva, buscando aprofundar na temática da participação cidadã. Seguindo as palavras do Papa Francisco, o tempo é agora, não podemos demorar mais no cuidado da nossa Casa Comum, do nosso Planeta. Isso tem que nos levar a uma vida austera, o cuidado da natureza, que toda a vida que nos circunda é o mais importante para poder garantir uma vida saudável para as presentes e futuras gerações. Os organizadores do Seminário destacam a participação de pessoas que fazem parte da Associação de Catadores de São Paulo de Olivença, que conta com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e uma pessoa da Associação de Catadores de Tabatinga, com o apoio do Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Também foi destacado a presença de representantes da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas e do Município, sendo criada uma mesa de diálogo para conhecer as políticas públicas que estão sendo realizadas desde o poder público e poder somar forças como sociedade civil. Segundo a pesquisadora Valderice, “participar do Seminário, representando o grupo de pesquisa GECAAM, que dentre os trabalhos que vem realizando, temos os relacionados a problemática dos resíduos sólidos em Tabatinga, foi uma experiência muito importante, pois, possibilitou a troca de informações com participantes dos outros municípios do Alto Solimões”. A assessora do encontro ressaltou que “durante o evento, foi possível compartilhar as experiências com os estudos sobre o que o município produz de resíduos, o perfil socioeconômico dos catadores, e o apoio aos catadores de materiais recicláveis no fortalecimento do grupo através da organização social, neste caso, em associação”. A pesquisadora destaca que “a problemática dos resíduos é uma questão que ultrapassa a destinação incorreta que vem sendo realizada nas cidades, também há desigualdades e vulnerabilidades sociais, muitas pessoas dependem do material reciclável, e pelo não cumprimento da legislação, realizam suas atividades em condições inapropriadas nos lixões a céu aberto, sofrendo preconceito constantemente”. Diante dessa realidade, ela insiste em que “ter a participação dos catadores no seminário, de São Paulo de Olivença e Tabatinga, com a Sherli representando a recém-criada associação de catadores de Tabatinga, tornou o encontro ainda melhor, porque não foi relatado por terceiros, os próprios atores que vivenciam a problemática diariamente, sensibilizaram com seus relatos, todos que estavam no evento”. Finalmente, ela afirmou que “estes espaços coletivos de discussão são fundamentais, por tratar de forma macro os problemas que residem em todas as cidades, que é responsabilidade de todos nós, cidadãos. Voltamos mais motivados a cuidar juntos da casa comum!”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Faculdade Católica do Amazonas lança Curso sobre História da Igreja na Amazônia

A Faculdade Católica do Amazonas, criada em 2021 com o objetivo de promover uma formação teológica qualidade no contexto amazônico, e que recentemente estabeleceu um Termo de Cooperação técnica, jurídica, científica e pedagógica com o Centro Universitário Fametro, que permitirá iniciar o Curso de Bacherelado em Teologia até a aprovação do processo de credenciamento junto ao MEC, lançou o Curso de Extensão “História da Igreja na Amazônia”. Coordenado pelo Padre Hudson Ribeiro e ministrado pela professora Elisângela Maciel, o curso tem uma carga horária de 60 horas, e está dividido em quatro módulos, que abordam a presença da Igreja na região desde os primeiros séculos da colonização portuguesa, analisando no segundo módulo a realidade do século XIX, da primeira metade do século XX, com as transformações na Estrutura Eclesiástica e no Laicato da Amazônia, no terceiro módulo, e a contemporaneidade da Igreja na Amazônia, no último módulo. Destinado ao público em geral, o curso inicia no dia 20 de setembro e vai até 29 de novembro de 2022, sendo as aulas nas terças e quintas-feiras das 18:30 às 21 horas. As inscrições, abertas no dia 23 de agosto, serão encerradas no dia 16 de setembro, pudendo ser realizadas no link: https://forms.gle/mahdQ6PFCzy5xtji8  

Assembleia da CEAMA analisa os Estatutos a serem apresentados ao Papa Francisco

No dia 23 de agosto, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) realizou virtualmente sua Segunda Assembleia Ordinária, um momento para informar sobre os Estatutos, que o Cardeal Pedro Barreto vê como uma boa oferta ao Papa Francisco, à Igreja da Amazônia e à Igreja universal. Um momento para apostar no germinal, indicou o presidente da CEAMA, usando as palavras de Benjamín González Buelta. O Cardeal Barreto chamou a descobrir o tempo de graça que estamos vivendo como Igreja da Amazônia e Igreja Universal, neste tempo sinodal, que leva à realização da “caridade pastoral de Cristo na Amazônia“. Neste sentido, ele destacou a importância do Celam, da CLAR e da Cáritas da América Latina e do Caribe. O cardeal peruano recordou as palavras do Papa Francisco para consolidar a CEAMA, algo que o Santo Padre apontou em suas palavras para a última assembleia. Seu presidente lembrou que a CEAMA se reunirá com o Papa Francisco em 2 de setembro, quando os Estatutos serão apresentados ao Santo Padre. Estes Estatutos são inéditos, salientou o cardeal, já que estamos tratando da primeira conferência eclesial, algo que tem suas raízes na Lumen Gentium e que foi um dos pedidos do Documento Final do Sínodo para a Amazônia. Os Estatutos refletem a espiritualidade do Concílio Vaticano II, insistiu o Cardeal Barreto, uma dimensão sinodal presente na vida da Igreja desde seus primeiros passos. Os Estatutos já incluem os elementos presentes na Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, e respondem a uma identidade eclesial e não apenas episcopal. Durante a Assembleia, o Cardeal Barreto apresentou aos participantes o novo esboço dos Estatutos, destacando que “a CEAMA assume os quatro sonhos do Papa Francisco na Querida Amazônia“, e junto com ela seu caminho comum e relação fraterna com a REPAM, Celam, CLAR, Cáritas América Latina e as Conferências Episcopais e Igrejas particulares que fazem parte do território amazônico. Por esta razão, ele enfatizou que a CEAMA é “uma expressão do alegre Magistério do Papa Francisco”. O texto descreve tudo o que está subjacente à existência da Conferência Eclesial da Amazônia, bem como os passos que pretende dar para avançar na implementação prática dos desafios decorrentes do Sínodo para a Amazônia. Tudo isso no espírito da Praedicate Evangelium, algo em que o presidente da CEAMA insistiu repetidamente. O Cardeal Barreto também destacou as referências à Querida Amazônia e ao Documento Final do Sínodo para a Amazônia, insistindo que a eclesialidade, o Povo de Deus, está muito presente. As palavras do Cardeal deram lugar às intervenções dos participantes da Assembleia, que contribuíram com o que deveria estar presente nos novos Estatutos. O Cardeal peruano destacou que a segurança não está no jurídico, mas no que o Espírito traz, no horizonte eclesial da sinodalidade, e que ele vê os Estatutos como um dom de Deus para a Igreja. Mais um passo que leva à descoberta de que o Sínodo para a Amazônia continua a avançar e se tornar mais concreto na vida da Igreja e dos povos, que está ganhando em maturidade. Uma mudança de mentalidade eclesial, que tem no Papa Francisco um de seus grandes promotores e que, através desta nova estrutura, pode mudar a vida pastoral da Igreja, com a participação cada vez maior dos leigos e das mulheres. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Ir. Rose Bertoldo: “Que possamos fazer dos encontros espaços que curam, cuidam, confortam, celebram e dão dignidade”

A festa da Assunção de Maria, “fala-nos da plenitude da vida que, desde o início, os cristãos acreditaram, foi alcançada por Maria, a mãe de Jesus”, lembra a Ir. Rose Bertoldo no comentário às leituras deste domingo. Segundo a secretária executiva do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, “reconhecemos em Maria a mulher que participa plenamente da vida de Deus”. A religiosa do Imaculado Coração de Maria destaca que “Maria, uma mulher que acolhe em seu ventre, em sua corporalidade o projeto de Deus, ela nos inspira a seguir Jesus, que significa abraçar a justiça, paz, solidariedade, na alegria, no cuidado com toda criação, atentas aos sinais dos tempos, na defesa da vida, e na opção pelos mais pobres”. “A liturgia deste domingo nos ajuda a adentrar no mistério pascal a partir do olhar feminino, as tantas mulheres, que foram e são portadoras da Boa Notícia que transforma a vida da humanidade”, segundo a Ir. Rose. Analisando a leitura do Apocalipse, ela descobre “dois grandes sinais aparecem no texto, a mulher e o dragão. A mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas e o outro sinal, um grande dragão que também é nominado com muitas características”. “O Dragão parou diante da mulher para devorar o filho logo que nascesse. Vivemos em tempos de muitos dragões, é necessário nominar; o dragão da drogadição, do extermínio das juventudes, dos abusos e exploração sexual, do tráfico humano do feminicídio, do patriarcalismo, dos garimpos, do agronegócio, da necropolitica, da destruição da nossa casa comum. Esses dragões aparecem com muitas cabeças, caudalosos, nos iludem, roubam os sonhos, tiram direitos, colocam as pessoas abaixo do nível da pobreza” destaca a religiosa. A Ir. Rose afirma que “a mulher é portadora da boa notícia, o menino nasce e a mulher foge para o deserto salvaguardando a vida do menino. O mal não vence, mesmo que parece triunfar. As mulheres constroem estratégias em muitos espaços que garantem a dignidade da vida, a partir de espaços de solidariedade, cuidando umas das outras, restituindo a vida ferida na sororidade”.  Na leitura de 1Corintios, a religiosa descobre que “temos a certeza, Cristo Ressuscitado é vencedor da morte, o mal jamais vencerá, essa é nossa esperança, pois somos seguidoras e seguidores do Reino de Deus”. Do mesmo modo, na passagem do Evangelho destaca elementos novos presente num texto conhecido por todos. Ela destaca “o encontro das duas mulheres Maria e Izabel, se encontram para compartilhar a vida e no compartilhar da vida descobrem a entre ajuda, o cuidado uma com a outra, pois as duas mulheres carregam em seu ventre os filhos que vão mudar a história da humanidade. Izabel proclama Maria como bem-aventurada porque acreditou na promessa de Deus, e Maria proclama a grandeza de Deus que faz grandes coisas, exalta os pobres, dispersa os soberbos, derruba dos tronos os políticos, religiosos, poderosos que insistem em destruir a vida”. A liturgia deste domingo, destaca a Secretária do Regional Norte1, “nos ajude a não deixarmos nos enganar pelo poder do mal, pela sedução das falsas promessas, que possamos ser mulheres profetizas a partir de nossos espaços, no cotidiano da vida como aprendizes umas das outras, nos entre ajudando como mulheres que levantam outras mulheres diante da dor dos sofrimentos, que possamos partir depressa, enfrentando os obstáculos e fazer dos encontros espaços que curam, cuidam, confortam, celebram e dão dignidade a nossas vidas”. Na Solenidade da Assunção de Maria, a Ir. Rose nos lembra que “celebramos a vocação da Vida Religiosa Consagrada, que é sinal da amorosidade de Deus no meio das mais diversas comunidades, especialmente na Amazônia”. Segundo ela, “a presença da Vida Religiosa Consagrada é marcada por encontros que transformam vidas, na simplicidade, no silêncio, na escuta, construindo processos de formação na sinodalidade, sendo presença “estar onde, com e como ninguém quer estar”, um destaque especial para a vida religiosa feminina, testemunha de um Jesus encarnado no meio do povo sendo presença profética onde a vida dos povos e territórios onde os gritos são mais urgentes, onde a vida é ameaçada. Na grande ciranda, através de nossos corpos, onde tem lugar para todas e todos, continuamos contando e proclamando as maravilhas que Deus fez em nós”.

Rede Clamor Brasil celebra Assembleia, destacando a necessidade de caminhar juntos

A Rede Clamor Brasil realizou nos dias 18 e 19 de agosto sua primeira assembleia em Brasília, com a presença de 18 participantes, 16 em modo presencial e 2 virtualmente. A assembleia começou com um momento de oração e a saudação do bispo referencial da Rede Clamor Brasil, Dom Eduardo Vieira dos Santos, sendo apresentados os participantes, a pauta e os passos dados pela rede, que coordena o trabalho de mais de 100 organizações que acompanham os migrantes no país. Do Regional Norte1 da CNBB participou presencialmente Rosana Nascimento, da Pastoral do Migrante, e a Ir. Rose Bertoldo, Secretária Executiva do Regional e que faz parte da coordenação da Rede Clamor em nível continental, que participou virtualmente. Uma análise da realidade migratória no Brasil, que contou com a assessoria do padre Alfredinho Gonçalves, vice-presidente do Serviço Pastoral do Migrante (SPM), ajudou a refletir sobre as migrações desde a década de 1980, mostrando os traços de continuidade e descontinuidade, o que tem de novo nesse fluxo migratório. Os participantes do encontro conheceram a caminhada da Rede Clamor Equador, sendo apresentados pela Ir. Leda Reis, scalabriniana brasileira que trabalha naquele país, os passos formativos dados pela rede, as organizações que participam, suas práticas e atividades. Foi momento para “olhar o contexto da Rede Clamor e experiências positivas em outros países”, segundo o padre Agnaldo Junior, SJ. Durante a assembleia foi apresentado o Estatuto da Rede Clamor América Latina e Caribe, que faz parte da estrutura do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (Celam), sendo mostrado a articulação da rede em nível continental. Junto com isso, foi refletido sobre o estatuto da rede no Brasil, abordando o que é significativo para a articulação e organização da rede no território brasileiro. Foi confirmada a coordenação da Rede Clamor no Brasil, que até agora tinha um caráter provisório, diante da impossibilidade de ter realizado uma assembleia. A coordenação está formada pelo bispo referencial, Dom Eduardo, a representante da Caritas Brasileira, Cristina dos Anjos, a Ir. Rosita Milesi, pelas irmãs scalabrinianas, José Roberto Saraiva dos Santos, pela Pastoral do Migrante, o padre Agnaldo Junior, do Serviço Jesuíta de Migrantes e Refugiados, e a Ir. Maria Luisa da Silva, representante da Conferência dos Religiosos do Brasil. A Rede Clamor Brasil organizou a agenda de atividades para 2022 e 2023, sobretudo o que faz referência a campanhas e posicionamento da Rede Clamor no Brasil frente às violências e dificuldade no acesso aos direitos dos migrantes e refugiados no país. Segundo o padre Agnaldo Junior, “a ideia é que a rede se posicione de forma conjunta”. Enquanto às datas importantes, se destaca a Jornada do Migrante e Refugiado em setembro, a festa de Santa Bakhita em fevereiro, e o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico Humano, no mês de julho. Junto com isso as reuniões periódicas de coordenação, ampliadas, e a assembleia anual. Na assembleia da Rede Clamor Brasil se fez presente Dom Joel Portella Amado, Secretário Geral da CNBB. Ele destacou a importância de que “o mundo precisa aprender a trabalhar em rede, unir forças sem que cada grupo, cada instituição perca sua identidade”. Segundo o Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, estamos diante de um trabalho que não pode ser de especialistas, que deve ser mostrado para todos para que assim possa ser assumido por todos. A importância do trabalho em rede está “na força que nós ganhamos quando vamos juntos”, segundo o padre Agnaldo Junior. Ele destaca que “mais do que nunca é tempo de caminhar juntos, em sinodalidade, e a vocação da Rede Clamor, ela quer ser uma rede de redes, ela quer ser uma rede que articula, vinculada a tantas outras redes que a Igreja tem já consolidadas na sua missão”. O representante do Serviço Jesuíta de Migrantes e Refugiados, “a importância está em fortalecer a nossa missão, de posicionar-nos juntos, não uma organização sozinha”. Ele também insiste na “visibilidade da ação da Igreja, quando nós falamos da Rede Clamor e nos reconhecemos assim, estamos falando para além das nossas organizações, instituições e congregações religiosas. Estamos falando de um agir da Igreja junto aos migrantes e refugiados e vítimas do tráfico humano”. Finalmente, o padre Agnaldo destaca que “a força se dá por aí, por esse fortalecimento do nosso posicionamento e do que podemos fazer juntos também”. Ele destaca a necessidade de “sensibilizar outros espaços da Igreja, das congregações religiosas, regionais da CNBB. Como rede vamos mais longe, temos mais força e também lançamos luz sobre a ação da Igreja no Brasil hoje”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Vocação à Vida Religiosa: chamado a se fazer presente nas periferias

A Igreja católica dedica o mês de agosto a refletir sobre o chamado de Deus, sobre a vocação. Cada semana somos chamados a aprofundar numa das diferentes vocações, todas elas igualmente importantes. No próximo domingo, a vocação à Vida Religiosa é o convite que a Igreja nos faz. O que significa a Vida Religiosa na caminhada da Igreja? O que representa a Vida Religiosa para a Igreja da Amazônia? Quais os desafios que a Vida Religiosa enfrenta hoje? Como ajudar os cristãos católicos a descobrir o valor da Vida Religiosa e incentivar a resposta diante do chamado que Deus faz a cada um e cada uma de nós? A Vida Religiosa faz parte da caminhada da Igreja desde os primeiros séculos. Ao longo da história foram surgindo diferentes carismas que tem se concretizado em diversas congregações, que tem atendido diferentes necessidades, acompanhando as dores do povo, ajudando a superar os sofrimentos. A Vida Religiosa na Amazônia teve um papel fundamental ao longo dos últimos séculos. Durante muito tempo podemos dizer que foi quase a única presença eclesial, levando a Boa Notícia do Evangelho até os lugares mais distantes. É nessas periferias geográficas e existenciais que a Vida Religiosa continua hoje, escutando e sendo consolo para aqueles que sofrem, se tornando companheira de caminho dos mais vulneráveis, daqueles que não contam para quase ninguém. Os desafios que hoje enfrenta a Vida Religiosa têm a ver com o jeito de entender a vida, muito marcada por sentimentos individualistas, o que dificulta a vida em comunidade, elemento que faz parte da vocação religiosa. Uma vida em comunidade que ajuda a potencializar o trabalho evangelizador, que deve ser central em toda vocação. Somos chamados, através das diferentes vocações, a sermos colaboradores na missão evangelizadora da Igreja. Não podemos esquecer que todas as vocações nascem do Batismo, que nos torna discípulos missionários. Depois cada um e cada uma vai concretizando seu caminho, como resposta àquilo que Deus espera de nós. Sejamos conscientes como batizados e batizadas, como Igreja, de cultivar todas as vocações, de acompanhar àqueles e àquelas que estão se perguntando o que Deus está querendo deles e delas. Essa companhia vai ajudando a configurar a vida das pessoas e fazendo com que as escolhas sejam mais consequentes com aquilo que Deus espera de cada pessoa. Nunca esqueçamos que é Deus quem chama e sustenta nossa vocação, que é Ele que vai colocando em nossa vida os sinais que nos ajudam a encontrar o caminho a seguir, um caminho que nos conduz à felicidade e que faz com que cada um e cada uma de nós possamos disfrutar da vida e encontrar seu verdadeiro sentido. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar