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30 de julho: dia mundial de enfrentamento ao tráfico de pessoas

Desde a instituição da data para refletir o tráfico de pessoas, houve avanços e retrocessos em defesa da vida por CLÁUDIA PEREIRA (pela Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB) Os noticiários brasileiros relatam, com regularidade nos últimos anos, denúncias de tráfico de pessoas. No sábado, 30 de julho, comemora-se o dia mundial de enfrentamento ao tráfico humano, data instituída em 2013 pela Assembleia Geral da Nações Unidas. O Relatório das Nações Unidas divulgado em 2021, revelou que mais de 50 mil pessoas foram identificadas como vítimas de tráfico humano. No Brasil, com a pandemia de COVID-19 e o aumento das vulnerabilidades, o tráfico de pessoas aumentou consideravelmente. O relatório aponta que mulheres e meninas são as maiores vítimas para a exploração sexual; e homens os mais procurados para o trabalho escravo.   Segundo o Protocolo de Palermo, é considerado como tráfico de pessoas recrutar, transportar, alojar, transferir ou acolher alguém, recorrendo a ameaças ou uso da força ou outras formas de coação, abusos e situações de vulnerabilidade com entrega de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. Portanto, ainda que haja consentimento por parte da vítima, estes atos são classificados como crime. No Brasil, existe a Lei Federal nº 13.344/2016, que além de definir o tráfico de pessoas garante a reinserção das vítimas na sociedade. O relatório nacional sobre tráfico de pessoas, produzido e divulgado em 2021 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em parceria com a Secretária Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (SENAJUS/MJSP), identificou duas modalidades mais exploradas no Brasil: trabalho análogo à escravidão; seguido da exploração sexual. Existem quatro classificações para as modalidades do tráfico de pessoas em todo mundo: Tráfico para fins de exploração sexual; laboral ou trabalho análogo a escravidão; tráfico de migrantes; e tráfico de órgãos. No Brasil, outras modalidades foram reconhecidas pelo Ministério da Justiça, entre elas a servidão doméstica, mendicância e o casamento servil. Desde a criação da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano, da CNBB, em 2016, a Igreja tem avançado nas articulações de combate e prevenção em todo do País. Dom Evaristo Spengler, Presidente da Comissão, diz que a Igreja se organizou para enfrentar as amarras da escravidão a nível nacional e se desloca pelas regiões do Brasil, bem como tem multiplicado e sensibilizando a sociedade sobre o tráfico humano. A comissão reúne questões fundamentais sobre a prevenção, proteção e denúncias em torno da temática com capacitações realizadas durante todo o ano no País.  Em 2014, o tráfico humano foi tema da campanha da fraternidade e o resultado da reflexão fortaleceu ações dentro da Igreja em conjunto com a sociedade civil. Representantes da comissão, organizações, órgãos públicos, núcleos de defesa e pesquisadores expõem o reflexo do enfrentamento nos últimos anos, sobretudo ao contexto da pandemia e a crise econômica social no País. Os entrevistados apontam os avanços e retrocessos nas políticas públicas, dados subnotificados do crime, regiões com maiores dificuldades de enfrentamento ao tráfico de pessoas. O TRÁFICO HUMANO NA GRANDE METRÓPOLE Irmã Eurides Alves de Oliveira, religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, integra a Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB e coordenou em âmbito nacional a rede Um Grito Pela Vida. Atuando na cidade de São Paulo, Irmã Eurides fala da realidade do enfrentamento em grandes cidades e as articulações não efetivas junto ao poder público.  “A ausência de dados é a maior dificuldade. Existem registros de denúncias, mas são subnotificadas. Temos os dados nacionais, mas são muito pulverizados, cada órgão têm suas estatísticas que são importantes, mas que não dão conta da dimensão desta realidade. Em São Paulo, enfrentamos a situação do trabalho análogo a escravidão que envolve os migrantes, que são explorados no mercado informal, oficina de costura, indústrias e outros setores. Temos o tráfico para o trabalho infantil e a exploração sexual. A fome e a miséria na vida das pessoas que vivem nas áreas urbanas da região sudeste as deixam suscetíveis a este crime. Em nosso atual cenário, o tráfico acontece até pela anuência da pessoa, mesmo sabendo que não é o certo, mas acaba sendo a alternativa na vida como meio de sobrevivência. A região sudeste por concentrar o maior número das metrópoles, é onde se tem a maior dificuldade de mensurar a quantidade e o enfrentamento ao tráfico de pessoas”, disse a Irmã. A religiosa conta que até o ano de 2016, São Paulo tinha um núcleo de enfrentamento bastante combatível, mas há mais de dois anos esse núcleo está inativo. “Nós quanto comissão e sociedade civil temos o dever em chamar atenção do estado para a urgência em reativar os espaços e os mecanismos de enfrentamento. Talvez um dos grandes problemas seja o fato de que em nosso País as políticas públicas não sejam de estado e sim de governo, não há prioridade e isso desestrutura os mecanismos. O desafio neste momento é a sociedade ficar atenta às propostas de políticas de governo quanto à pauta do tráfico humano. Estamos em período eleitoral, temos que ficar atentos a quais candidatos pautam este tema em suas plataformas de governo e após as eleições batalhar para que o Congresso referende o enfrentamento como política de Estado”. Foto: Pixabay ALICIAMENTOS DURANTE A PANDEMIA Silvia Cristina Xavier, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria Estadual da Justiça e Trabalho do estado do Paraná, coordena junto a equipe um trabalho de prevenção que estreita as relações com os órgãos e instituições do estado, que por estar na tríplice fronteira é potencial rota para o tráfico de pessoas. “Durante a pandemia, não paramos de fazer atendimento e os serviços de prevenção. Nesse período, tivemos relatos, mas não tivemos a denúncia formalizada. São casos que em razão do isolamento a vítima estava com proximidade do aliciador e não se sentiu segura. Isto colabora para a subnotificação…
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Ir. Cidinha Fernandes: “A necessidade de oração nasce do coração daquela e daquele que se faz discípulo”

No décimo sétimo domingo do Tempo Comum, o Evangelho de Lucas apresenta Jesus rezando em um certo lugar. Segundo a Ir. Cidinha Fernandes, “a atitude orante de Jesus provoca e faz brotar em seus discípulos uma necessidade, da qual nasce um pedido: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. A religiosa destaca que “a necessidade de oração nasce do coração daquela e daquele que se faz discípulo, aprendiz do Mestre. Os discípulos de Jesus querem que Ele lhes mostre uma técnica, talvez uma prece que os distinga de outros, mas Jesus vai além. Ele não se nega a ajudar os seus, ele apresenta um jeito de rezar que é o resumo do Projeto de Deus”. Segundo a missionária na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, “a oração em Jesus, ilustrada pela parábola de que se deve pedir sempre e nunca desistir é a demonstração de uma relação, no caso relação de confiança amorosa e próxima de Deus, o Pai que é nosso! Esta relação é de diálogo e dialógica, pois traz em si, a necessidade do mundo”. A Ir. Cidinha afirma que “quando dizemos Pai Nosso, já nos leva para a dimensão comunitária, não é o meu pai. No mundo em que temos a tentação de tomar posse de tudo, sermos dono da terra, dos minérios, da floresta, das pessoas, o Pai Nosso já é profecia de que somos todos irmãos e irmãs”. A religiosa vai comentando cada um dos pedidos da oração dos cristãos: “Santificado seja o teu nome: quando tornamos santo o nome de Deus? Certamente que não é por palavras e sim por gestos de amor, acolhida, cuidado, bênção”. Ao dizer “Venha o teu Reino, trazemos a grandeza do seu projeto, queremos o Reino de Deus aqui e agora, não o reino do consumismo, da exploração, do acumulo de riquezas que condenam milhões de pessoas a viver com fome, sem casa, sem-terra, sem pátria, com milhões de refugiados, pessoas traficadas, violadas, sem direito a vida, o reino da corrupção, da politicagem, dos desmandos, da morte de pessoas, lideranças, indígenas…. não! O Reino de Deus fala de outro mundo, de outras possibilidades relacionais, de bem viver, de vida para todos”, disse a religiosa Catequista Franciscana. Quando a gente diz Dá-nos a cada dia o pão que precisamos, pedimos “o pão necessário a cada dia, o pão da partilha, o pão para todos, o pão que é um grito de profecia ao acúmulo, aos banquetes de alguns, enquanto outros não tem o que comer”, segundo a Ir. Cidinha. Comentando o pedido que diz “Perdoa as nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, ela destaca que “não basta Deus perdoar, também nós precisamos perdoar, é convite a sermos pessoas reconciliadas”. A religiosa se pergunta “Quando será paga a dívida que temos com os pobres? Roubados no mais básico de sua vida cotidiana, em sua dignidade”, denunciando que “mais uma adolescente, vítima de abuso, abandono está sendo enterrada. Até quando? Como vamos construir uma sociedade de justiça, de amor?”. “Não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal”, leva a Ir. Cidinha a refletir sobre “a tentação de acomodar, de desistir, acovardar, de não ver mais saída, de achar que sempre foi assim, ricos muito ricos e pobres sem nada. A tentação de achar normal a destruição das florestas, das águas, dos povos, da diversidade. A tentação de ver a morte triunfar sobre a vida e não mais vislumbrar a Ressurreição”. Finalmente, ela vê o “Livra-nos do mal! Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre” como “uma conclusão de intimidade, de reconhecimento da grandeza de Deus, tudo vem Dele e a Ele pertence. Amém!”. A religiosa destaca na primeira leitura a “Abraão intercedendo pelos justos de forma incansável”, afirmando que “A comunidade orante reza com o salmista: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó senhor! E aumentastes o vigor da minha alma”, pedindo “Completai em mim a obra começada, ó Senhor, vossa bondade é para sempre!”. Finalmente, a Ir. Cidinha pede “que ao rezarmos, na intimidade com o Pai que nos lança na relação amorosa com a humanidade, possamos nos encher de força, de vida, de profecia. Que a nossa oração não seja nunca repetição mecânica de palavras, mas sim um ato de fé, de entrega confiante e de disposição em sermos discípulas do Reino de Deus!”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Coari acolhe encontro de planejamento, monitoramento, avaliação e sistematização da Caritas Regional

A Diocese de Coari acolheu de 14 a 17 de julho o encontro de planejamento, monitoramento, avaliação e sistematização (PMAS) da Articulação da Caritas Regional Norte1, onde estiveram presentes os representantes das 7 entidades membro: Arquidiocese de Manaus, Prelazia de Itacoatiara, Diocese de Roraima, Diocese de Parintins, Prelazia de Tefé, Diocese de Alto Solimões e Diocese de Coari. Segundo Marcia Maria Miranda, “foram três momentos muito importantes para o fortalecimento da Caritas no Regional Norte1”, que concretaram em uma formação sobre Economia Solidária, uma Ciranda da Juventude, tentado descobrir os sonhos da juventude no Regional Norte1, finalizando com um monitoramento das atividades da Caritas durante o primeiro semestre de 2022. No encontro participaram 33 representantes das entidades membro. A articuladora regional destaca o momento em que os participantes puderam visitar a realidade local, especialmente os trabalhos das Caritas paroquiais da Diocese de Coari. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro de Jesus com Marta e Maria: acolhimento, encontro e doação

“A experiência de duas mulheres em relação com Jesus”, é o que nos relata o Evangelho do XVI Domingo do Tempo Comum segundo Verónica Rubi. A missionária na Diocese de Alto Solimões destaca que “o momento partilhado entre eles nos apresenta três aspectos importantes, como se fossem dicas, para nossa vida de fé, de discipulas missionarias. Essas três dicas são: acolhimento, encontro e doação”.  Sobre o acolhimento, Verónica destaca no texto “que Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o na sua casa. Acolher, receber, é atitude de disponibilidade para com a outra pessoa, quem acolhe está aberto a o que o outro traz, ao que o outro diz, para acolher precisamos estar atentes e preparados. Mas acolher não é só questão de abrir uma porta, ou de entrar em uma casa, a acolhida se pratica principalmente no plano do coração, na aceitação da vida do outro, da outra, do jeito que é e que está, sem condicionantes, sem parcelamentos. Acolher pode expressar-se com o gesto de abraçar, todos temos experiencia do gratificante e reparador que é um abraço caloroso, bem dado ou bem recebido, no abraço acolhedor recuperamos as forças”. Em relação com isso se pergunta: “Como está minha vida em relação ao acolhimento, de minha família, das pessoas com quem trabalho, dos desconhecidos? Tenho esta atitude de aceitação ou vou pela vida tentando mudar tudo mundo segundo meu parecer?”  Falando sobre o encontro, ela destaca “como o que aconteceu entre Marta, Maria e Jesus, encontro a coração aberto, encontro de vida, de pessoas que se deram a oportunidade de conhecer-se sem preconceitos, de ouvir-se na mensagem que cada um tinha para expressar e de deixar-se interpelar pela vida da outra, do outro. Encontro com bom diálogo, encontro onde se faz presente o Amor de Deus e toda boa notícia do Evangelho. Encontro que motiva a seguir adiante, que recarrega energias, que dá sentido à vida”. Novas perguntas são colocadas pela missionária em relação ao encontro: “Como vão os encontros com outros na minha vida? Consigo honrar os encontros inesperados com desconhecidos? Percebo o milagre que acontece quando vivemos em sintonia de uma fraternidade universal?” Finalmente, falando sobre a doação, Verónica destaca que “não tem nada a ver com bens materiais ou com dinheiro. Doação que é a entrega de nós mesmas, na dinâmica da gratuidade, oferecer o que somos e o que sabemos em função dos outros. Viver a doação como serviço, como expressão de amor. Doação que é justo o contrário ao individualismo, doação que gera comunhão, doação como sinal do Reino de Deus”.  Por isso se questiona: “Na minha vida, consigo viver na dinâmica da doação? Faço algo por amor, para fazer o bem? Custa-me sair de minha zona de conforto para doar-me aos demais?”. Não podemos esquecer que “o convite que recebemos de Marta, Maria e Jesus é este de escolher a melhor parte, aquela que ninguém poderá tirar, a da vivencia e da espiritualidade de nossa fé no encontro com o Senhor”. Por isso, “vamos com coragem a viver a fraternidade!”, conclui a missionária. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro de secretários e secretárias dos regionais da CNBB: “forte convivência e fraternidade”

Os secretários e secretárias dos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), se reuniram de 11 a 15 de julho em Florianópolis (SC), um encontro organizado pelo Regional Sul 4 da CNBB. Segundo a Ir. Rose Bertoldo, foi “um encontro marcado por um tempo forte de convivência, de fraternidade, um encontro construído muito na dinâmica da sinodalidade”. A secretária executiva do Regional Norte1 da CNBB, que participou pela primeira vez do encontro de secretários e secretárias executivas dos regionais da CNBB, destacou que “foi muito importante conhecer pessoalmente cada secretário, secretária, dos regionais da CNBB, e também poder partilhar a caminhada em conjunto”. Junto com isso, a religiosa enfatizou que “foi um encontro muito celebrativo e que eu destaco de fundamental importância por ser um encontro de integração, e perceber a grande importância de sermos o braço e o coração da CNBB, que tenta articular e fazer essa integração em cada Regional”. A Ir. Rose Bertoldo destaca que “cada regional tem a sua especificidade, porém tem uma grande comunhão, que é caminhar nessa dinâmica da sinodalidade, a partir das peculiaridades, das diferenças de cada um e cada uma”. Ela destaca que “para mim essa dimensão da comunhão, da integração, foram momentos muito fortes”. Finalmente, falando sobre o vivido ao longo dos dias de encontro, a secretária executiva do Regional Norte1 da CNBB destaca que “a gente pode conhecer, visitar, vários espaços, espaços estes que fortaleceram muito essa unidade enquanto grupo que sonha e que faz um processo coletivo nessa integração e nessa comunhão entre os regionais”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Começa o 4º COMISE Nacional com participação do Regional Norte1

É com o espirito missionário próprio da Igreja na Amazônia que ousa colocar os pés no chão e busca sempre ir para águas mais profundas, que a partir do Conselho Missionário de Seminaristas do Regional Norte 1 (COMISE- Labonté), em comunhão com a coordenação nacional dos COMISE’s, estamos em João Pessoa-PB para participarmos do 4º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas (COMISE), em sintonia com a caminhada missionária da Igreja no Brasil, as Pontifícias Obras Missionárias (POM) e a coordenação nacional dos COMISEs. O evento é uma das iniciativas da programação do Ano Jubilar Missionário, e será realizado de 11 a 17 de julho de 2022, em João Pessoa-PB. na Arquidiocese da Paraíba. Este congresso tem como tema “Missão ad gentes na formação de seminaristas”, e o lema “Sereis minhas testemunhas até os confins da terra” (At 1,8). O encontro reúne 350 participantes, entre seminaristas, reitores e formadores de seminários, bispos e convidados, sendo um espaço de reflexão, troca de experiências e celebrações. Seu objetivo será animar e aprimorar a formação missionária dos futuros presbíteros no Brasil, de maneira que a missão seja realmente eixo central da formação e os ajude a adquirir um autêntico espírito missionário. Pelo Regional Norte1 participam os seminaristas Mateus Cabral da Diocese de Coari; Idelfonso Barbosa da Diocese de Roraima; Pablo Gabriel, Diocese de Parintins; Wellington Colares da Prelazia de Borba; Camilo Jaílton da Diocese de Alto Solimões; Alfredo Quirino da Diocese de São Gabriel da Cachoeira; João Marcelo da Prelazia de Itacoatiara; e Rolisson Afonso da Arquidiocese de Manaus. Os seminaristas estão acompanhados pelo padre Zenildo Lima, Reitor do Seminário São José da Arquidiocese de Manaus; e o padre Braz Lourenço, assessor do COMISE do Regional Norte1. Camilo Jaílton – Seminarista Diocese de Alto Solimões

SAV/PV Regional Norte1 realizam encontro de articulação

Aconteceu em Manaus, de 9 a 10 de julho, o encontro do Serviço de Animação vocacional do Regional Norte I. Estiveram presentes representantes das dioceses e prelazias do Regional. Foram dias para rever e articular a caminhada da PV/SAV. Dentre vários assuntos, vimos como realizar animação vocacional no contexto amazônico, a partir do IV Congresso vocacional do Brasil que aconteceu em 2019 e da Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Querida Amazônia” do Papa Francisco. Partilhamos a caminhada vocacional em cada Igreja local e como será vivenciado o mês vocacional que tem como tema: Cristo Vive! Somos suas testemunhas!.  Também Irmão João Gutemberg fez o repasso do IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia (50 anos do Documento de Santarém). Dom José Albuquerque apresentou a proposta do terceiro Ano vocacional que acontecerá em 2023 com o Tema: Vocação: graça e missão, e fez o resgate do primeiro e segundo Ano Vocacional. Entre tantos acontecimentos e assuntos para ser tratado, vimos que de 11 a 15 de novembro deste ano teremos a terceira etapa da escola vocacional, por isso, é preciso que todas as dioceses e prelazias somem forças para que haja maior numero de participantes. Esses dias foram bem recheados de partilha, sugestões e propostas da animação vocacional em cada Igreja local, vivencia litúrgica e convivência fraterna. Ir. Gervis Monteiro

9º Festival de Cultura e Musica Indígena do EWARE mostra a riqueza do povo Ticuna

Valorizar a cultura é um dos objetivos da Igreja na Amazônia, uma proposta que cobrou um impulso maior com o Sínodo para a Amazônia. O povo ticuna, que habita a região da Tríplice Fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Peru, realizou mais uma vez, durante a última semana, o Festival de Cultura e Musica Indígena do EWARE. O 9º FIE, onde participaram 34 comunidades da Região do Alto Solimões, desde o município de Santo Antônio do Iça até a Colômbia, contando com a presença de caciques e representantes do poder público municipal, foi voltado para a ecologia e foi uma oportunidade para mostrar a importância do cuidado da Casa Comum, mas também de mostrar o protagonismo, responsabilidade e talentos dos povos indígenas. O encontro, que contou com a cobertura da Rádio Nacional do Alto Solimões e a Rádio Indígena A’uma, foi mostrando a cultura de cada uma das comunidades participantes em seus cantos, danças e apresentações. Também foi momento para realizar a Assembleia Geral dos Caciques do EWARE I e EWARE II, que ao longo do encontro, que teve como lema: “Vamos lutar juntos”, buscaram como proteger sua terra sagrada e promover a vida a través da natureza e das culturas. Elementos presentes na cultura indígena foram utilizados ao longo do encontro: arco e flecha, zarabatana, corrida com toras… Homens e mulheres de todas as idades revelaram suas habilidades, também naquilo que sempre esteve presente na vida do povo, como acender o fogo sem fósforos, e outras realidades, que mesmo não sendo mais cotidianas, querem ser preservadas pelo povo ticuna. Insistindo na necessidade de uma forte conscientização sobre a ecologia integral, sobre a preservação da cultura indígena, sobre a conscientização em contra das drogas e do alcoolismo, especialmente entre os mais jovens, o 9º Festival de Cultura e Musica Indígena do EWARE foi encerrado. Os organizadores destacam que foi um grande ajuri, um momento de encontro e trabalho em comum, mas também uma celebração marcada pela fraternidade e a união. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Com informações do Blog Belém do Solimões

Ir. Rose Bertoldo: “Um olhar, uma palavra amiga, um abraço, sermos escuta atenta, restitui a dignidade da vida”

No 15º domingo do Tempo comum, a Ir. Rose Bertoldo comenta as leituras desde um olhar feminino. A secretária executiva do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), começa destacando na leitura do livro do Deuteronômio, como Moises fala ao povo pedindo que escutem a voz de Deus e observam os mandamentos. Segundo a religiosa do Imaculado Coração de Maria, essa palavra não é distante: “a palavra está bem ao teu alcance, esta em tua boca e em teu coração”. A cita bíblica a leva a dizer que “a Palavra de Deus não é inacessível, está ao alcance de todos, quando a acolhemos em nosso coração e a transformemos em pratica do cuidado com a vida”. Na segunda leitura, a Ir. Rose diz perceber “a centralidade da pessoa de Jesus, sua mensagem e sua pratica nos conduzem ao coração de Deus, somos a imagem de Deus na medida que nos deixemos modelar pelas palavras e ensinamentos de Jesus”. A religiosa vê o mesmo ensinamento no Evangelho, que relata a conhecida parábola do Bom Samaritano. Diante do texto evangélico chama a se perguntar: “de quem eu me faço próxima? De quem eu me aproximo? Me aproximo de quem está caído e necessitado de ajuda? Me aproximo das meninas vitimas do abuso, da exploração sexual, das mulheres violentadas, dos migrantes, daqueles e daquelas que pensam diferente de mim, daqueles que expressam sua fé de forma diferente da minha?”. A religiosa afirma que “fazer com que o mundo seja melhor implica nos fazermos próximas dos outros, daqueles que são mais vulneráveis”. Segundo ela, “a gente se define pela maneira como nos fazemos próximos uns dos outros, essa proximidade se dá através da presença que acolhe, cuida, fortalece laços, alimenta a comunhão”. Daí, a Ir. Rose coloca alguns verbos que nos levam a ação: “ver, enxergar, sentir compaixão, cuidar”. Olhando para a vida, a secretária executiva do Regional Norte1, coloca que “quando a gente vê o outro ferido, machucado, a gente se mobiliza para a ação, a compaixão, para se importar diante da dor do outro. Sentir o outro é decisivo, eu só vejo a partir de onde meus pés pisam, porque desperta para uma ação concreta”. No texto do Evangelho, destaca a religiosa, “o samaritano ficou afetado ao contemplar o drama do outro, não ficou indiferente, olhou, aproximou-se, enfaixou as feridas, deu dignidade e o colocou numa situação de segurança. Uma atitude que termina alterando o caminho e sua vida, seus planos foram mudados. Alguém ferido cruzou seu caminho e já não pode viver à margem desse encontro”. Essa atitude do samaritano, leva a Ir. Rose Bertoldo a afirmar que “quando a gente se envolve numa causa, sente a dor do outro, a gente não fica indiferente e sim faz a opção e entrega a vida”. Por isso, ela insiste em que “somos convidadas a nos aproximar, sentir compaixão contribuir para que o outro possa restaurar a sua identidade pessoal, a sua dignidade”. A religiosa repara no convite de Jesus ao final do texto, que vê como uma grande provocação para cada uma de nós: “vá, e faça a mesma coisa”. “Com esse imperativo, Jesus nos chama a uma conversão radical”, segundo a religiosa, que insiste em que “devemos sair dos espaços seguros de nós mesmos, igualar-se ao samaritano e fazer o que ele fez: cuidar da vida, restituindo a dignidade”. Nessa perspectiva, a Ir. Rose se questiona: “quantos corpos caídos no chão temos hoje? Corpos abandonados pela sociedade, pelo Estado, por nós mesmos”. “Destes corpos feridos nasce o grande clamor da acolhida, da solidariedade. O verdadeiro seguimento de Jesus nos faz dirigir nosso olhar para os feridos, os caídos, as exploradas sexualmente, deixadas no caminho, crianças, adolescentes, juventudes, mulheres, migrantes e tantos outros, os mais vulneráveis”, relata a religiosa. Ela chama a “contribuir para restituir a dignidade, a vida plena”. Para isso, “às vezes basta um olhar, uma palavra amiga, um abraço, sermos escuta atenta, que restitui a dignidade da vida”. Finalmente, a Ir. Rose coloca um grande desafio: “ser presença samaritana no cotidiano, aguçar sempre mais nosso olhar, deixar se envolver pelo outro, nos colocarmos no caminho que nos leva ao encontro de tantas pessoas às quais nos fazemos próximas”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Cláudio: um legado que continuará dando frutos de vida na Amazônia

A Amazônia ocupa hoje um lugar importante na caminhada da Igreja. A gente poderia dizer que o Papa Francisco tem muito a ver com isso, mas ninguém pode duvidar da importância do trabalho do Cardeal Hummes nesse destaque. Hoje a Igreja da Amazônia ilumina a caminhada da Igreja universal, foi desde a Amazônia que o Papa Francisco fez um chamado à Igreja a sonhar, a sonhar sem medo, a ser mais utópica, a caminhar sem medo. Para isso, o Santo Padre encontrou em Dom Cláudio um confidente, alguém com quem sonhar junto, com quem sonhar em comunhão. O falecimento de Dom Cláudio Hummes, acontecido nesta segunda-feira, 04 de julho, deve nos levar a agradecer a Deus pelo compromisso de alguém que assumiu as causas da Amazônia e de seus povos como próprias. Mesmo sem morar na região, ele sempre se fez presente e se tornou uma ponte entre a Amazônia e o Vaticano, entre a periferia e o centro. Diante de seus muitos afazeres e serviços prestados à Igreja ao longo da sua vida, “sua missão amazônica” será lembrada como um dos principais dentre esses serviços. Algo que Dom Cláudio assumiu até praticamente o final da sua vida, doando suas poucas forças finais ao serviço de um processo que tem ido plantando sementes que vão dar frutos abundantes para a Igreja no futuro. Uma das muitas coisas que Dom Cláudio admirava na Amazônia eram os túmulos dos missionários que morreram e foram sepultados em sua terra de missão. O mesmo compromisso assumido por esses homens e mulheres em favor da missão, podemos dizer que também foi assumido de um modo diferente, mas com a mesma entrega, pelo cardeal agora falecido. Alguém que sempre chegou na Amazônia para escutar, para promover o trabalho em rede, em sinodalidade, desde a base, buscando caminhos novos, considerados escândalo em outros lugares, mas que respondiam aos clamores dos povos e de uma Igreja que vive dentro de uma realidade completamente diferente. Uma Igreja e uns povos que desde a encarnação e a interculturalidade pretendem fazer vida hoje, nesta região, a Boa Notícia do Evangelho. Um legado que sem dúvida vai permanecer e vai continuar dando frutos, nascidos e cultivados no meio dos diferentes povos que habitam esta imensa e rica região chamada Amazônia, fonte de vida para o mundo e para a Igreja universal. A Amazônia tem mais um intercessor ao lado do Pai, mais alguém para continuar guiando e orientando uma caminhada cheia de vida e esperança para todos, sobretudo para aqueles que sempre ficaram do lado de fora da história. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1