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Francisco aos bispos do Regional Noroeste e Norte1: “Vocês estão na fronteira, com os mais pobres, onde eu gostaria de estar”

Começou nesta segunda-feira a Visita ad Limina dos Regionais Noroeste e Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Poderíamos dizer que começou com o momento principal, pois depois de celebrar a Eucaristia junto ao túmulo do apóstolo Pedro, os 17 bispos presentes, junto com o administrador da Diocese de Roraima, eles se encontraram com o Papa Francisco, o sucessor de Pedro. Um momento para viver a catolicidade, um momento de alegria, segundo Dom Leonardo Steiner. Aos pés do túmulo onde está sepultado o primeiro Papa, aquele que receberá o capelo cardinalício no dia 27 de agosto, insistiu em “expressar a alegria das nossas Igrejas”, destacando, a partir da sua experiência em Manaus, “o carinho enorme que o Povo de Deus tem pelo Papa, e nós nos alegramos com nossas comunidades”. Segundo o Arcebispo de Manaus, “o túmulo de Pedro, para nós bispos, tem o significado não apenas do primado”, destacando o caráter extraordinário da figura de Pedro, “porque tem muitas fragilidades, tem muitas fugas, muitas pedras, mas um homem de fidelidade”. Dom Leonardo Steiner afirmou, se dirigindo aos bispos, que “na figura de Pedro, nós nos vemos, nos entendemos e compreendemos como pessoas, mas nos vemos, nos entendemos e nos compreendemos também como bispos”, ressaltando que fazem parte desse ministério de séculos. Ele falou aos bispos que “diante do túmulo de Pedro peçamos além da fidelidade, a graça da gratidão, gratidão por podermos exercer na Igreja esse ministério ao serviço das nossas comunidades”. Dom Leonardo, ao elo das palavras de São Paulo, disse que “a força não está em nós mesmos, a força está no ministério recebido”. Diante da tentação de centrar tudo em si próprio, chamou a perceber que “a força do Espírito, a força do Reino de Deus, esteja a guiar as nossas Igrejas e a guiar nosso próprio ministério”. O Arcebispo de Manaus chamou a descobrir “a nossa finitude, que é cheia de fragilidade, fraqueza”, sendo o próprio ministério que liberta, “na medida em que vamos retornando, nos entusiasmando, buscando, servindo, nos entregando”, fazendo ver a necessidade de sair das amarras de si mesmos e das amarras do sistema. Ele também quis agradecer aos papas que os nomearam, insistindo em que “não é nenhuma promoção, mas é uma graça que Deus nos deu”, ressaltando que é um serviço à Igreja, que tem que ser feito com alegria. A celebração eucarística foi seguida por “um encontro inesquecível e memorável”, segundo Dom Edson Damian. Ainda emocionado, depois de mais de duas horas de encontro, iniciado com a saudação pessoal a cada um dos membros da Visita ad Limina, onde o Papa Francisco foi recebendo e se interessando pelos presentes de cada uma das igrejas particulares, o Presidente do Regional Norte1 insistiu em que o Papa Francisco diz logo no início: “aqui eu quero que vocês digam tudo o que quiserem, perguntem tudo o que quiserem, façam críticas também, aqui precisa liberdade, porque quando não há liberdade, não existe diálogo”, segundo Dom Edson. Palavras que deram passo a um longo diálogo em que o Papa “foi ouvindo as perguntas, as colocações de cada um”. O Bispo de São Gabriel da Cachoeira agradeceu ao Papa Francisco pelo Sínodo para a Amazônia e o Sínodo sobre a sinodalidade. Ele, que é bispo da diocese com a maior porcentagem de população indígena do Brasil, lhe expressou ao Santo Padre o grande agradecimento dos povos indígenas “porque pela primeira vez, são escutados, e eles se sentiam tão felizes”, destacando o trabalho fantástico de escuta feito no processo sinodal do Sínodo para a Amazônia, algo que está sendo repetido com o Sínodo atual, mostrando o Papa aos povos indígenas, “como ele os leva a sério”. O Papa insistiu aos bispos que “escutem os povos indígenas, escutem as comunidades de base, o Espírito Santo age através dessas pessoas, dos pobres da Igreja, e vocês estão na fronteira, vocês estão com os mais pobres, vocês estão onde eu gostaria de estar”. Em relação com o Sínodo atual, Dom Edson Damian afirmou que “este Sínodo é colocar em prática as intuições mais profundas do Concílio Vaticano II, é voltar àquilo que a Igreja sempre devia ser e ela acabou perdendo, a sinodalidade, onde a Igreja é o Povo de Deus, unido com seus pastores, todos caminhando juntos”. O Presidente do Regional Norte1, falando da Praedicate Evangelium, ressaltou que segundo o Papa Francisco “é o resultado de 9 anos de trabalho da Igreja, com aquele grupo de cardeais que me ajudaram muito, e já dá para sentir esse espírito todo, que é a nossa Igreja que está predicando o Evangelho, o Evangelho acima de tudo, anunciar o Evangelho, e o Evangelho deve chegar a todos os povos, a começar pelos pobres, pelos migrantes, por aqueles que estão nas fronteiras”. Finalmente, o Bispo de São Gabriel da Cachoeira destacou das palavras do Papa, que ele disse que “mesmo sendo dois regionais, vocês são profundamente unidos, estão sintonizados. Todas as perguntas que vocês fizeram foram complementando o nosso diálogo esclarecendo esse encontro que me deixa profundamente feliz”, insistindo o bispo em que: “e nós mais ainda”. Um encontro em um ambiente distendido, como ficou comprovado no último momento, quando o Papa Francisco recebeu de Dom Edson Damian um cocar, confeccionada pelas mulheres indígenas, em nome dos povos indígenas da Amazônia. Brincando o Papa Francisco perguntou sorrindo se era uma mitra, e logo disse: “vocês imaginam se eu aparecesse em São Pedro com isto?”, provocando a risada dos bispos.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Bispos dos Regionais Norte1 e Noroeste iniciam nesta segunda-feira a Visita ad Limina

Inicia nesta segunda-feira, 20 de junho, a visita ad limina dos bispos do Regional Norte1 e Noroeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se prolongará até sexta-feira, dia 24. A visita ad limina é a visita que todos os bispos diocesanos devem fazer às “casas (templos) dos Santos Pedro e Paulo” em Roma. O objetivo da visita não é apenas visitar o túmulo dos apóstolos, mas também informar ao Papa, de tempos em tempos, sobre o estado das dioceses que eles governam. O objetivo desta visita, que os bispos fazem a Roma a cada cinco anos, desta vez adiada em consequência da pandemia, é venerar os túmulos dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, para serem recebidos pelo Papa, e apresentar o relatório quinquenal que é enviado com antecedência. Durante esta visita, o bispo deve prestar contas do estado moral e espiritual de sua diocese e de tudo o que está relacionado com seu governo. Ao longo da semana, os 17 bispos que fazem parte do Regional Norte1 e Noroeste, mais o administrador diocesano da Diocese de Roraima, visitarão diferentes congregações, dicastérios, conselhos e comissões, e celebrarão a Eucaristia nas quatro Basílicas Maiores de Roma: São Pedro, São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo fora dos Muros. O encontro com o Papa Francisco, que pode ser considerado o momento central da visita ad limina, está programado para segunda-feira, 20 de junho. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Conceição Silva: Perceber em Jesus “o grande amor que Ele tem por cada um de nós”

Um texto que nos leva a “observar que Jesus nos quer falar sobre a intimidade com o Mestre”, afirma Conceição Silva comentando o Evangelho deste domingo. Segundo a coordenadora das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus, “nas grandes caminhadas e gestos de oração de Jesus, Ele ia aos poucos se revelando, queria que os discípulos percebessem a sua identidade de Filho de Deus, sua missão de Salvador da humanidade, e principalmente o grande amor que Ele tem por cada um de nós”. Segundo Conceição, “acompanhando os passos de Jesus os discípulos foram aos poucos conhecendo, aprofundando a intimidade e amizade”. Por isso, nos lembra, “Ele questionava, tentando descobrir se eles já tinham consciência de quem Ele era e se já compreenderam sobre a missão”. Falando sobre nossa realidade hoje, afirma que “poucos de nós tiramos tempo para essa prática de nos recolhermos para escutar, rezar, para nos sentirmos íntimos dele”. Diante disso, a coordenadora das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus, diz que “ao participarmos das celebrações e nossos compromissos nas pastorais e comunidades vamos aprendendo e vivenciando esse grande amor de Deus por cada um e cada uma”. “Quando recebemos uma missão difícil, queremos renunciar, não nos achamos dignos, muitas vezes para nós que somos mulheres que já temos nossos afazeres domésticos de profissão, mas eis que surge uma esperança que move, que nos anima, dá força, e não conseguimos fugir, porque já temos a prática de ajudar, a ternura, o acolhimento, o amor por ajudar, lutar, transformar”, segundo Conceição Silva. Finalmente, ela se pergunta, animando a pensar um pouco sobre isso: “você tem buscado ficar sozinho, sozinha, na presença de Jesus? O que Jesus representa para você? Você tem dúvidas em relação à sua intimidade com Jesus? Você é também como Pedro, pode afirmar que Jesus é o Cristo de Deus?” Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Regional Norte 1 da CNBB realiza seminário de enfrentamento ao tráfico de pessoas

Arquidiocese, dioceses e prelazias do Amazonas e Roraima assumem ações e processos de cuidado e enfrentamento às violências de abusos, exploração sexual e tráfico de pessoas Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende os Estados do Amazonas e Roraima, realizou de 15 a 17 de junho, de 2022, em Manaus (AM), o Seminário “A força do cuidado no enfrentamento às violências: abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas”. Participaram agentes de pastoral das nove dioceses e prelazias e representantes das coordenações de organismos e redes da Igreja que atuam no Regional. A atividade tem por objetivo favorecer a formação das lideranças e fortalecer o enfrentamento ao tráfico de pessoas na região. Dom Edson Taschetto Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM) e presidente do Regional Norte 1, relatou os problemas na região, elementos que,  para ele, favorecem o tráfico humano. “A Amazônia que é imensa e têm desafios enormes. O tráfico de pessoas – tanto para o trabalho escravo, como para a exploração sexual e abuso de menores –, acontece com maior facilidade na região, pois as fronteira são imensas e a segurança e proteção que o estado oferece são mínimas. Também há a dimensão da pobreza e crescente desemprego o que pode levar as pessoas a caírem nas redes do tráfico humano. Então, é muito importante essa formação para os agentes de pastoral, pois a ação do tráfico acontece de forma velada, sutil, na clandestinidade”, destacou o bispo. Para irmã Eurides Alves de Oliveira, membro da Comissão Episcopal Pastoral Especial de Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB, “enfrentar o tráfico de pessoas é um compromisso pastoral, um dever social, uma prática e opção política”. O Seminário “A força do cuidado no enfrentamento às violências: abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas”, antecede o Seminário das Pastorais Sociais do Regional, que ocorre de 17 a 20 de junho. Segundo irmã Rose Bertoldo, Secretaria do Regional Norte 1, os seminário vêm ao encontro das causas assumidas pelo Regional. “No Regional nós temos causas permanentes que são: o enfrentamento às violências do abuso, exploração sexual, do tráfico de pessoas e do feminicídio e questão do fortalecimento das pastorais sociais. Então, os Seminários acontecem um após o outro o que contribui para o fortalecimento das ações, tanto no enfretamento às violências, como no fortalecimento às ações das pastorais sociais em nível de Regional”. Com os saberes e experiências adquiridas no Seminário, as causas que geram as violências e o tráfico de pessoas, os participantes propuseram por dioceses e prelazias ações e processos de enfretamento para serem realizadas nos territórios e no âmbito da região, nos estados da Amazônia e de Roraima. Na mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas deste ano, ele incentiva a avançar na luta e no enfrentamento ao tráfico de pessoas e toda forma de escravidão e exploração. “Convido todos a manterem viva a indignação – manter viva a indignação!”, disse ele, “e todos os dias encontrar forças para se comprometer com determinação nesta frente. Não tenham medo diante da arrogância da violência. Não se rendam à corrupção do dinheiro e do poder”, conclui Francisco.   O que é o tráfico de pessoas Segundo a Convenção de Palermo – principal instrumento global de combate ao crime organizado transnacional, uma Convenção das Nações Unidas –, o tráfico de pessoas é caracterizado pelo “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”. Osnilda Lima | 6ªSSB e Pastorais Sociais

Corpus Christi: por que a Eucaristia é privilégio só de alguns?

Corpus Christi, a festa do Corpo e Sangue de Cristo, a festa da Eucaristia, da fonte e ápice da vida cristã. Mas o que isso significa na vida cristã? Como possibilitar que a Eucaristia seja uma realidade presente em toda comunidade? Uma das grandes polémicas do Sínodo para a Amazônia, muitas vezes alimentada por grupos que em pouco ou nada conhecem a realidade amazônica, foi a denominada “ordenação de homens casados”. Na verdade, o discutido foi como possibilitar a celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos que são presididos pelos presbíteros nas comunidades da Amazônia. Existem comunidades no interior da Amazônia, sobretudo nos rios e igarapés mais distantes, onde a celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos que precisam da presença do padre, acontece uma vez por ano, inclusive a cada vários anos, uma situação que a Igreja da Amazônia quer que seja refletida. Na semana passada, o IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal, realizado em Santarém, fazendo memória do encontro de 1972, que tanto marcou a vida da Igreja na região nos últimos 50 anos, voltou de novo a colocar no Documento Final, como já tinha sido colocado no Documento Final do Sínodo para a Amazônia, a questão da ordenação de diáconos casados, buscando resolver o problema da falta de Eucaristia em muitas comunidades amazônicas. O problema tem a ver com uma questão pastoral, que faça possível algo que é fundamental na vida dos batizados e batizadas, participar do banquete eucarístico. Será que está em pecado aquele povo que mora em muitas comunidades distantes, na Amazônia, mas também pelo Brasil afora, em relação com o primeiro mandamento da Igreja: “Ouvir Missa inteira nos domingos e festas de guarda”? Urge retomar o espírito e a vivência das primeiras comunidades cristãs e descobrir nelas o sentido da Eucaristia, como momento de encontro e partilha. Partir o pão tem que nos levar a viver a partilha, a dividir o pão com aqueles que devem ser vistos como nossos irmãos e irmãs, sabendo que eles são os prediletos de Deus. Eucaristia e caridade têm que ser duas faces da mesma moeda. Celebrar a Solenidade de Corpus Christi é oportunidade para refletir e contemplar o Mistério da Eucaristia, para descobrir esse Deus que se torna alimento que sustenta nossa vida cotidiana e para buscar caminhos para que isso possa ser realizado na vida de todos os batizados e batizadas. Sejamos conscientes que a Eucaristia não é uma devoção intimista e sim celebração comunitária, que nos impulsiona para contemplar a realidade com um olhar diferente. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Tudo pronto para os Seminários de enfrentamento às violências e das Pastorais Sociais

O Regional Norte1 da CNBB realiza nos próximos dias dois seminários de formação. O primeiro, de 15 a 17 de junho, tem como tema: “A força do cuidado no enfrentamento às violências: Abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas”. O segundo, de 17 a 19 de junho, “A Amazônia que Temos. A Amazônia que Queremos”.   O primeiro dos seminários busca: “capacitar multiplicadoras/res para atuarem no enfrentamento às violências do abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas junto às crianças, adolescentes, mulheres e migrantes”, procurando cultivar a mística do cuidado na perspectiva da ecologia integral; e fortalecer a rede de proteção na tessitura do cuidado com a vida em nossos espaços de missão.   Este espaço de formação parte da força do cuidado, fazendo memória do caminho feito no Regional, e desde o cuidado da vida, alimentar a esperança profética. Nessa conjuntura, o seminário quer olhar para as realidades que ferem a vida, abordando as estruturas que geram as violências do abuso, exploração sexual e o tráfico de pessoas, isso desde a realidade da Amazônia.   O seminário quer mostrar a importância do trabalho em rede, não só no âmbito eclesial, mas também com a sociedade civil e o poder público, buscando delinear as linhas de ação e os desafios e perspectivas no modo de atuação das Instituições no enfrentamento ao abuso, exploração sexual e o Tráfico de Pessoas. No momento final, serão construídos os compromissos pastorais, tendo como fundamento as causas permanentes do Regional Norte1 da CNBB e as propostas do Sínodo para a Amazônia.   O Seminário das Pastorais Sociais, pretende “levantar elementos da conjuntura nacional e da Amazônia, projetando ações de superação das desigualdades no Regional; proporcionar espaço de encontro fraterno e partilha de experiências no Regional”. Junto com isso, quer “retomar processos de articulação e formação das pastorais sociais no regional iluminados pelo Sínodo da Amazônia e Diretrizes da Ação Evangelizada do Regional”, buscando o “engajamento do Regional nos processos da 6ª Semana Social Brasileira e iniciativas das Pastorais sociais a nível nacional”.   Desde a realidade das águas, dos diferentes rios que surcam o Regional Norte1, os estados de Amazonas e Roraima, o Seminário das Pastorais Sociais quer aprofundar nas realidades e estruturas, lugar dos encontros e dos saberes, tendo como base o método ver, julgar, agir, rever e celebrar. Tudo isso a partir da conjuntura, do Sínodo para a Amazônia e as Diretrizes da Ação Evangelizada na perspectiva da transformação social, em vista de uma Pastoral de Conjunto, do Bem Viver dos Povos, da esperança, dos compromissos pastorais e pistas de ação para fortalecimento da ação Sociotransformadora na Amazônia.   Um Seminário que quer viver a ternura, teimosia e transformação. Assumindo que “como Igreja, devemos assumir esse compromisso de construirmos juntos, juntas. Não temos nada pronto, vamos construir coletivamente um Projeto Popular que vise em primeiro lugar, o Bem Viver de todos os irmãos e irmãs. Queremos como Igreja assumir essa missão, este papel. Estarmos convictos de que é caminhando juntos, nesse espírito de solidariedade, de fraternidade que construiremos o mundo justo e fraterno”.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

O Seminário São José é a nossa grande Oca Espiritual

Aos dias 11 e 12 de junho de 2022 o Núcleo de reflexões Pluriétnicas YUU se renuiu para refletir e partilhar acerca da temática “Intersaberes Indígenas e espaço formativo”. O encontro foi realizado no Seminário Arquidiocesano São José. Como de práxis contou com as contribuições dos seminaristas indígenas de 6 povos: Macuxi, Desano, Tukano, Maraguá, Tikuna e Kokama. “Nós ressignificamos o espaço formativo do Seminário São José, e é importante reafirmar isso”, segundo Eliomar do povo tukano. O Núcleo de Reflexão Pluriétnicas Yuu nasce na perspectiva de pensar a própria presença dos seminaristas indígenas dentro do espaço religioso de formação. A ressignificação parte da própria vivência, neste sentido o espaço é fundamental na reflexão. O Seminário se transforma numa grande Oca Espiritual. O espaço da oca ou melhor, da Casa de Saberes dentro da cultura indígena é espaço sagrado de aprendizagem. É ali que vão surgir os mestres de cantos e de danças, e todos agentes de saberes, assim também é o Seminário São José, um espaço de iniciação e de transmissão intercultural. “Uma vez assumindo esse processo de ressignificação cabe a nós assumir um modelo de ensino e aprendizagem que expresse este projeto”, afirma Eliomar. E é preciso ainda nos questionar “onde estamos?”, ao que responde que “numa grande oca no meio da Amazônia”. O Seminarista do povo Tikuna Hércules, fala da ressignificação da expressão “Yuu” dentro da dinâmica da ritualidade. Yuu pode ter a mesma expressão como “oremos” ou ao final de uma ritualidade como “amém”.  O significado da expressão é utilizado como nome do próprio núcleo de reflexão, num processo de ressignificação que caracteriza as reflexões numa identidade própria. Genilson do povo Kokama fala como é diferente o ritmo de um seminário para o ritmo na comunidade de origem. “Para o seminarista que chega da aldeia complica um pouco entrar neste novo ritmo. Mas aqui no Seminário São José, com a ajuda dos nossos formadores aprendemos a chamar o seminário de nossa casa, isso nos ajuda muito”, afirma Genilson. Anderson do povo Maraguá reforça o processo entre aldeia e seminário e afirma a importância do núcleo de reflexão como elemento formativo do seminário. Marcos do povo Macuxi fala da importância da dança e dos cantos dentro da dinâmica das culturas. A identidade como elemento a ser trabalhada dentro desses espaços, tanto da comunidade quanto da formação religiosa. Idelfonso também do povo Macuxi fala do processo de transmissão de conhecimentos dos povos indígenas, afirma ele: “quando vejo falar ‘temos que aprender com os povos indígenas’ fico pensando: ‘aprender como?’ Pois para nós as vezes falar é muito difícil. Nós aprendemos com a natureza, um conhecimento que parte da contemplação”. O seminarista afirma que “um dia perguntei para um tuxaua qual o seu maior medo? E ele disse: a distinção. A maior contribuição do Núcleo de Reflexão YUU é a interação entre nós essa interconexão entre os povos. Na comunidade indígena o que mais provoca conflito é quando chega alguém que faz uma cerca e declara isso aqui é meu! O ambiente fechado é o que mais nos assusta”. Jadson da etnia Desano fala como o núcleo o ajuda no processo formativo e como aos poucos vai aprendendo a partir dessa grande Oca espiritual. Dom Leonardo Steiner esteve presente no encontro e disse que “a diversidade cultural é uma riqueza, e que ajuda no fortalecimento da identidade e no aprofundamento na própria cultura, e que é profundamente importante na afirmação do que é próprio de cada cultura e na rica presença dos indígenas na Igreja e nos diferentes ministérios”. O encontro teve a presença de leigos e leigas indígenas da Arquidiocese de Manaus que contribuíram com a reflexão.  A família kokama e tikuna fizeram a abertura do encontro com a leitura do relato da criação na língua tikuna e cantos na língua kokama. Daniel Piratapuyo acentuou a magnitude dos elementos culturais utilizados no encontro como por exemplo, o Banco kumurõ. Segundo o indígena do povo Piratapuyo “foi um dos elementos sagrados que o Avó do Universo utilizou na criação do universo, por isso, em cada ritual se revive o que seus antepassados já viveram um dia, atualização da memória ou da narrativa sagrada, se atualiza a partir do passo de dança, da recepção, do respeito, do grito e em cada som flautas” Na ocasião aconteceu o lançamento da “Ressonância 2021”, que é uma síntese de todas as reflexões dos seminaristas indígenas referentes aos encontros de 2021, que depois de um longo processo de redação e reflexão foi aprovado no início deste ano. Michel Carlos – Seminarista da Arquidiocese de Manaus (2º Teologia)

Missa em espanhol e creole abre a 37ª Semana do Migrante em Manaus

Deu início neste domingo 12 de junho, a 37ª Semana do Migrante, que se prolongará até o próximo domingo 19 de junho, com o tema “Migração e Saberes”, e o lema “Escuta com Sabedoria e Ensina com a Prática”. Na Arquidiocese de Manaus, a abertura foi realizada com uma missa na Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, celebrada em espanhol e creole, com uma destacada presença de migrantes de diferentes países, sobretudo venezuelanos e haitianos, dois dos grupos mais numerosos entre os migrantes que moram na capital do Amazonas. A celebração, onde os migrantes participaram dos diferentes momentos da liturgia, nos cantos, nas leituras, no ofertório, foi coordenada pela Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Manaus e presidida pelo padre Júlio Caldeira, imc. Na homilia, ele refletiu sobre a realidade da vida dos migrantes, tanto aqueles que migram dentro do próprio país como para outros países. Uma dessas realidades na vida dos migrantes é a solidão, afirmando que a fé á algo que ajuda superar esse sentimento. Na vida dos migrantes existem muitas situações complexas, segundo o padre da Consolata, mas diante disso insistiu em que “nós, como comunidade de fé somos chamados a fazer o que Jesus fez, que todos tenham vida e vida em abundância, em plenitude”, ressaltando que “esse é o projeto de Deus para nós”. Na Solenidade da Santíssima Trindade o padre Caldeira afirmou que “esse Deus que é comunhão nos chama a estar em comunhão”. Uma mesma fé que é compartilhada por aqueles que viveram entre aqueles que chegaram de diferentes países, o que acontece com o apoio da Pastoral do Migrante e da Catedral Metropolitana que abriu suas portas para celebrar uma vez por mês com os migrantes. O padre Júlio comparou a experiência dos migrantes com a realizada pelo povo de Israel, procurar uma vida melhor, uma vida plena, procurar condições para ter uma vida digna. Diante disso, a Semana do Migrante é um momento para ajudar na reflexão, que neste ano se inspira na temática da Campanha da Fraternidade, que cada ano acompanha a vida da Igreja do Brasil ao longo da Quaresma. Ele insistiu na importância do ensinamento com a prática, com os dons que cada um tem, insistindo em que não há ninguém que não tenha um dom, destacando que esses dons têm que ser para unir, para fortalecer. Mesmo diante das dificuldades, na medida em que os migrantes procuram espaços de encontro, afirmou o assessor de comunicação da REPAM, vão lograr fortalecer os vínculos, a amizade, o conhecimento, compartilhar as coisas boas que cada um traz. Por isso ressaltou a importância de aprender a dialogar, adaptar-se aos costumes locais. Nesse ponto agradeceu o grande serviço que realiza a Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Manaus, de acolhida, de atenção. Também destacou a necessidade de o povo brasileiro ser solidário, saber acolher, entender que com o coração pode ser feito muito mais, partilhando mesmo que seja pouco, mas de coração e não com a mão fechada. Como Igreja, chamou a seguir nesse caminho que Deus nos chama a viver, porque Deus é comunhão. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Ir. Cidinha Fernandes: “Somos amor no mundo, pois esta é a essência de Deus”

Neste domingo, 12 de junho a Igreja celebra a bonita festa da Santíssima Trindade, nos diz a Ir. Cidinha Fernandes no Comentário às leituras do dia. “Celebramos um Deus que é essencialmente comunidade: Pai, Filho e Espirito Santo”, afirma a religiosa Catequista Franciscana. Segundo ela, “o Pai e o Filho são unidos pelo Amor, que é o Espirito de Deus”. “Este amor que une os três se estende a toda a humanidade e abraça cada pessoa humana. E assim, temos a graça de sermos pessoas envolvidas, abraçadas, geradas no amor e, convidadas a crescer, evoluir nessa vivência terna de Deus conosco mesmo e com os outros”, destaca a missionária na Diocese de São Gabriel da Cachoeira. Se referindo ao texto do Livro dos Provérbios 8, 22-31, a religiosa diz que “nos ajuda a degustar, numa bela imagem: ‘O Senhor me possuiu como primícia dos seus caminhos, antes das obras mais antigas, desde a eternidade constituída, desde o princípio, antes das origens da terra, assim fui gerada…eu era seu encanto, dia após dia, brincando todo o tempo, em sua presença, brincando na superfície da terra, alegrando-me em estar com as filhas e os filhos da humanidade’”. Já no evangelho deste domingo (João 16,12 a 15), “encontramos Jesus dialogando com os seus discípulos”, relata a religiosa. Segundo a Ir. Cidinha, “Ele tem clareza que estes não seriam capazes de compreender tudo o que Ele gostaria de dizer, por isso, esclarece que o Espirito da Verdade, que vem Dele, os conduzirá a Plena Verdade, pois o Espirito não fala por si, mas sim de tudo o que já ouviu”. Ela destaca que “Jesus fala da intimidade Dele com o Pai, e do Espirito que comunica o que vem Dele e do Pai. E aqui, contemplamos o mistério da Trindade, do Deus comunidade amorosa”. Para a Ir. Cdinha Fernandes, “uma comunidade é sempre circular, por isso nunca se fecha, se abre aos outros e outras, é um convite à alteridade, à diversidade, a sermos testemunhas de relações com o outro, o Pleno Outro”. Trazendo sua reflexão para a realidade atual, a religiosa se pergunta: “em tempos de intolerância, de guerra, em que temos medo do outro, como buscar na Trindade luzes para sermos testemunhas do Deus amor, do Deus comunidade?”. Finalmente a religiosa destacou que na “Festa da Trindade, em que celebramos também o dia dos namorados, fica o convite a sermos eternas enamoradas e enamorados da vida, semeando o bem querer, o cuidado amoroso”. Ela pediu “que aqui na terra possamos continuar brincando na presença de Deus, nos alimentando da Fonte de amor em que fomos geradas”, insistindo em que “por isso, somos amor no mundo, pois esta é a essência de Deus”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Documento de Santarém 2022: “Fazer nossos os sonhos do Papa Francisco”

Gratidão e profecia são as atitudes que norteiam o Documento do IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal (Ver aqui), realizado no Seminário São Pio X de Santarém de 6 a 9 de junho de 2022, fazendo memória do acontecido no mesmo local 50 anos atrás, que proporcionou “frutos de fecundidade profética na evangelização junto aos povos desta imensa Amazônia”. Um caminho que foi atualizado na Igreja local, mas que também inspirou “a Igreja de Francisco”. 50 anos depois, os participantes do Encontro de Santarém 2022 ratificaram as diretrizes e prioridades assumidas há 50 anos, atualizando-as à luz do recente Sínodo da Amazônia, reafirmando a importância das duas grandes diretrizes de 1972: encarnação na realidade e evangelização libertadora. Encarnação da realidade “que exige da Igreja um total entrosamento com a realidade”, enculturação e interculturalidade, que nos diz o Sínodo para a Amazônia. Evangelização libertadora, que faz com que “a Igreja esteja implicada em tudo aquilo que atinge a dignidade e a liberdade da pessoa humana e da família”. Com a Querida Amazônia, que busca “uma relação de cuidado diante das ameaças sempre crescentes”, o Documento adverte sobre os erros dos últimos 50 anos, desafiando à Igreja “a promover uma trégua diante destas agressões e proporcionar uma pacificação nos territórios”. Uma Igreja com rostos amazónicos, com uma identidade eclesial construída ao longo do tempo e concretizada nos sonhos nascidos da Querida Amazônia, que desenha uma Igreja Discípula Missionária e sinodal (sonho eclesial); Igreja servidora, profética e defensora da vida (sonho social); Igreja testemunha do diálogo (sonho cultural); Igreja irmã e cuidadora da criação (sonho ecológico); Igreja de mártires. Como aconteceu em 1972, o Documento de 2022 propõe novos caminho de evangelização, linhas prioritárias, querendo com elas “levar a cumprimento as propostas delineadas e fazer nossos os sonhos do Papa Francisco”. A primeira linha prioritária é o fortalecimento das comunidades eclesiais de base, salientando a ministerialidade (ordenação presbiteral dos diáconos permanentes, leigos testemunhas qualificadas do matrimonio, envolvimento dos presbíteros que deixaram o ministério, implementar o ministério do catequista, ministério para o cuidado da Casa Comum) e a participação das mulheres (garantir sua dignidade e igualdade e viabilizar sua ordenação diaconal). Em relação com a formação dos discípulos missionários na Amazônia, o Documento insiste em sua integralidade e na articulação do laicato, buscando “fortalecer e ampliar os espaços de participação do laicato”. Uma formação que em relação com os presbíteros deve ser instrumento para superar “a emergência de um clericalismo que destoa da identidade de nossas Igrejas”, sendo refletido o papel dos Institutos de Pastoral e da educação. Seguindo o Documento de 1972, a defesa dos povos da Amazônia continua sendo prioritária, insistindo na demarcação dos territórios, na consulta prévia, livre e informada, na atenção aos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, no reconhecimento aos direitos da natureza, na proteção das lideranças ameaçadas. Também aparece no texto a necessária atenção à questão da migração, mineração e megaprojetos, insistindo em que “não podemos persistir no modelo de desenvolvimento atual”, um modelo etnocida e ecocida. Diante disso, aparecem propostas alternativas para cada uma das realidades. O Documento aborda a questão da evangelização das juventudes, de diferentes rostos e realidades, para quem “a Igreja é chamada a ser uma presença profética” de proximidade, acompanhamento e apoio. Também são abordados caminhos de partilha, dado que “a sustentação das ações de evangelização na Amazônia sempre excede a capacidade dos recursos das pobres Igrejas Particulares na Amazônia”. Junto com isso, a comunicação, dizendo querer “promover uma cultura comunicativa que favoreça o diálogo, a cultura do encontro e o cuidado da Casa Comum”. Tudo isso é colocado sob a intercessão de “Maria, Mãe de Jesus, nossa Mãe, Mãe da Amazônia”, pedindo “que este IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia venha a produzir muitos frutos, tornando-nos cada vez mais uma Igreja com rosto amazônico, em saída missionária, servidora, solidária, cuidadora da vida e defensora da natureza, nossa casa comum”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1