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50 anos de Santarém: “Revisitar o passado, fazer memória, perceber a ousadia e uma palavra de esperança”

Encerrou nesta quinta-feira 9 de junho, o IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal, um momento de ação de graças por 50 anos de inserção e de uma evangelização libertadora, segundo a Ir. Maria Inês Vieira Ribeiro. Dentro de um processo de continuidade, o encontro tem sido oportunidade para pautar a caminhada dos próximos anos na Amazônia, segundo a presidenta da Vida Consagrada no Brasil. Na coletiva de imprensa final, a religiosa destacou que “a Igreja da Amazônia com esse encontro se projeta na Igreja universal”. Ainda mais diante do pedido Pontificado do Papa Francisco, para assumir “cada vez mais esta evangelização inserida, encarnada, no meio dos mais pobres”. Nesse sentido, podemos dizer que o encontro foi encerrado no dia em que a Igreja faz memória de São José de Anchieta, que veio da Europa para evangelizar o Brasil. Hoje o Brasil, a Amazônia, querem evangelizar a Europa e os outros continentes. Ima Vieira, partindo da realidade, refletiu sobre as ameaças que as comunidades sofrem, vendo o encontro como um novo ânimo, mostrando o rosto de uma Igreja que está no território, sendo uma oportunidade para construir os novos caminhos da Igreja na Amazônia, uma agenda de atuação política em busca do desenvolvimento sustentável. “Uma oportunidade de revisitar o passado, fazer memória, não como saudade, mas de perceber a ousadia e uma palavra de esperança de uma Igreja que buscava realmente onde ela se encontrava e como levar o Evangelho às realidades de então”. Assim vê Dom Leonardo Steiner o vivido no encontro, que é momento de gratidão e pensarmos o futuro, a presença da nossa Igreja na região da Amazônia. Isso de maneira sinodal, com a presença de todas as vocações e ministérios, reconhecendo que a presença dos povos indígenas deveria ter sido mais significativa. Em relação com o Documento Final, que está em processo de revisão final, “é um documento que sabe ler a realidade, mas é um Documento que pensa o futuro da nossa Igreja”. O Arcebispo de Manaus reconhece que “muitas das ações propostas levarão tempo, mas é um texto positivo e é um texto de esperança”. Ele também ressaltou a importância da mensagem do Papa Francisco, que ajudou a construir “um documento que dê mais ânimo, mais coragem”. Um documento que surge em uma realidade muito diferente à realidade de 50 anos atrás, segundo Dom Leonardo, o que “mostra a necessidade de termos ações que realmente visam o futuro”. Nesse sentido destacou que o documento reafirma as comunidades eclesiais de base, a formação cada vez maior para as lideranças leigas, maior espaço para as mulheres, formação dos seminaristas e presbíteros, também dos missionários e missionárias que chegam de fora, estarmos atentos às novas realidades: grandes projetos, meios de comunicação como instrumento de evangelização. Uma presença que sabe denunciar as realidades que vivemos, especialmente em relação com os povos originários e o meio ambiente. Trata-se de abordar as novas realidades, como é a migração, algo que aparece no documento, sugerindo caminhos pastorais que passam pelo trabalho em rede, segundo Ima Vieira. Um documento que quer ajudar a Vida Consagrada a retomar a consciência de que ela “na sua origem nasceu para as realidades missionárias, para responder aos clamores da humanidade”, segundo a Ir. Maria Inés. Isso diante do fato de que “as vezes a Vida Religiosa se acomoda, perde esse espírito missionário”, o que levou à religiosa a afirmar que “este encontro desperta o coração missionário da Vida Consagrada”. Um encontro que é visto como uma esperança para o protagonismo da mulher na Igreja, segundo a presidenta da CRB. Ela lamentou a pouca presença da mulher “nos processos decisórios da Igreja”, com pouca consideração de suas propostas, que buscam o crescimento da Igreja, vendo este encontro como momento de esperança nesse sentido. Algo também destacado por Ima Vieira, que reconhece no Documento Final “uma reafirmação do papel do laicato na Igreja católica”, sugerindo uma atuação mais forte na formação do laicato nos diferentes campos teológicos e de formação em cidadania, insistindo em sua maior presença nos espaços de decisão. O Documento recolhe a juventude como uma das linhas prioritárias, destacando Dom Leonardo Steiner sua contribuição cada vez maior no campo do bem viver e a importância do trabalho com a juventude indígena, algo que está sendo incentivado também com os seminaristas indígenas no Seminário São Jose de Manaus. Se busca “ajudar à juventude a perceber que ela pode se realizar plenamente a partir do Evangelho da Vida”, segundo o Arcebispo de Manaus, que destacou as experiências dos jovens evangelizando os jovens. Também relatou como as comunidades do interior se ressentem diante da saída da juventude, pela falta de presença atuante da juventude, chamando a ir ao encontro dos jovens. Um Documento que indica a necessidade da defesa e proteção das minorias, segundo a Ir. Maria Inês, que denunciou a situação dos quilombolas no Brasil. No mesmo sentido, Dom Leonardo afirmou o perigo para as pessoas que exigem um cuidado com o meio ambiente, algo recolhido nos relatórios do CIMI e da CPT, mas também no Documento Final do encontro. A Igreja faz uma opção por essas comunidades, segundo o Arcebispo de Manaus, “sendo uma presença de fortaleza, mas também uma presença de encorajamento”. Um encontro que, segundo Dom Leonardo, “vejo a nos ajudar a nos articularmos mais”, que insistiu na boa organização da Igreja, uma Igreja muito viva e presente, desafiada a se aproximar-se diante dos conflitos, da formação. Ele vê sua escolha como cardeal no como um mérito pessoal e sim como mais uma prova de que a Amazônia está no coração de Papa, esperando dar a sua colaboração e pedindo que as Igrejas se animem. Em relação com a campanha “Eu Voto pela Amazônia”, o Arcebispo de Manaus destaca que mais do que uma campanha é uma tentativa de mostrar a importância do voto, da participação pensando em nossa Amazônia. Daí insistiu na importância do voto nos deputados federais, estaduais e senador, pois são eles que fazem as leis, destacando a importância…
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Mensagem do IV Encontro da Igreja na Amazônia Legal: “Continuar a semeadura do Evangelho em nossa Querida Amazônia”

Os participantes do IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, realizado no Seminário São Pio X de Santarém (PA), de 6 a 9 de junho de 2022, fazendo memória do acontecido 50 anos atrás no mesmo local, enviaram uma Mensagem ao Povo de Deus (Veja aqui). O texto é fruto de um encontro que quer “reafirmar a sinodalidade eclesial, nosso querer caminhar juntos, estreitar nossa comunhão pastoral e na esperança, continuar a semeadura do Evangelho e dos sinais do Reino em nossa Querida Amazônia”, mas também expressar “nossa gratidão àqueles operários da primeira hora, que em Santarém tomaram o firme caminho da encarnação na realidade, condição permanente de conversão ao Verbo Encarnado e de uma evangelização libertadora”. Tudo isso com o ânimo do Papa Francisco e a “alegria de habitar em meio a numerosos povos”, com quem “experimentamos a força libertadora do Evangelho que atua nos pequenos e que nos interpela e convida a uma vida mais simples, de mais partilha e gratuidade”. Algo que é vivido em comunidades “samaritanas, misericordiosas, solidárias, pobres e pascais”, desafiadas pelas ameaças de “um sistema econômico predatório e consumista, que escancara as chagas abertas pela violência socioambiental, que destrói os direitos dos povos originários e tradicionais, da natureza e do território amazônico”, o que faz com que “a vida dos povos da Amazônia está por um fio!”. Diante disso, os participantes do IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal insistem em que “é urgente uma parada, que estanque este modelo de soberania privativa que se sobrepõe à soberania social, e promova a reconstrução e a garantia da Vida e de salvaguarda da Amazônia”. E fazer isso sendo conscientes de uma caminhada em rede, “tecida pelos que acreditam que as sementes do Reino foram lançadas por tanta gente nessas terras e águas, e hoje, por nós”. Tendo como fundamento a Palavra de Deus e o Magistério, os participantes se comprometem “a uma vida mais simples, de mais partilha e gratuidade, de conversão integral e de incidência na defesa da vida de mulheres e homens, e, aliados aos povos da Amazônia”, assumindo alguns compromissos, em “uma Igreja com rostos amazônicos”, que atualizam as linhas prioritárias do Documento de 1972: encarnação na realidade e evangelização libertadora. Neste momento histórico, as linhas prioritárias para os novos caminhos Evangelização são: Fortalecimento das Comunidades Eclesiais De Base; Formação dos Discípulos Missionários na Amazônia; Defesa da Vida dos Povos Da Amazônia; Cuidado com a Casa Comum: Migração, Mineração e Mega Projetos de Infraestrutura; Evangelização Das Juventudes. A mensagem pede a oração das Comunidades Eclesiais e expressa seu “agradecimento ao Papa Francisco por sua proximidade e ternura para com a Amazônia, nossos povos e Igrejas particulares”, e “à Igreja de Santarém, que nos acolheu nestes dias com carinho, disponibilidade, fraternidade e sinodalidade”. Tudo isso sob a intercessão de “Maria, Nossa Senhora de Nazaré, Mãe da Amazônia e Estrela da Evangelização”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Gratidão ao Papa Francisco pelo interesse e cuidado pela Amazônia na Carta do IV Encontro da Igreja na Amazônia

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, reunidos em Santarém, de 6 a 9 de junho, para comemorar o 50º aniversário do Documento de Santarém. Em resposta à mensagem pontifícia, os participantes do encontro, reunidos em clima sinodal, expressaram ao Santo Padre a renovação de seu compromisso “de ser uma Igreja encarnada promovendo a evangelização libertadora“. No marco do Dia Mundial do Meio Ambiente, na linha do que foi dito 50 anos atrás, os participantes do encontro mostram seu compromisso de “fazer-nos, cada dia mais, protagonistas de uma evangelização que contemple os sonhos e os cuidados com a nossa Casa Comum”. Os participantes agradecem sua mensagem e seu interesse pela Amazônia, algo que está presente no Pontificado do Papa Francisco desde seu início, como ele expressou no encontro com o episcopado brasileiro por ocasião do Dia Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013, onde disse aos prelados que: “a Amazônia é um teste decisivo, um banco de prova para a Igreja e para a sociedade brasileira“. Um interesse, como diz a carta, que continuou nos anos seguintes, que “culmina na realização do Sínodo para a Amazônia e na Querida Amazônia”, um texto que para a Igreja da Amazônia “é de fato uma Carta de Sonhos de Amor à Amazônia e à Igreja, rumo a uma ecologia integral e a uma evangelização inculturada“. Eles também veem como sinais deste interesse “as ajudas econômicas que, anualmente, nos envia”, pelo qual são gratos. Os participantes destacam a presença do Cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA, “fruto do Sínodo para a Amazônia, é mais um instrumento para vivermos no espírito de sinodalidade“. A carta também destaca, em relação ao Papa Francisco, “suas propostas criativas, ousadas, corajosas e interpeladoras, contidas nas conclusões do Sínodo para a Amazônia”, que consideram “novos caminhos para a uma evangelização integral e inclusiva, com mais celeridade, mais audácia e mais ousadia”. A mensagem também destaca “a boa nova da escolha de Dom Leonardo Ulrich Steiner, como o primeiro Cardeal da Amazônia brasileira“, dizendo ao Papa que “nas Visitas   ad   Limina   que   estamos   realizando, manifestaremos pessoalmente estes nossos afetos cordiais e filiais ao senhor”. Em relação à pandemia, a carta assinala que “as pessoas estão retornando às atividades pastorais e litúrgicas de forma presencial com senso de responsabilidade e atentas às exigências sanitárias”, relatando ao Santo Padre o esforço feito para acompanhar o povo durante a pandemia “um dos sinais de que as nossas Igrejas não abandonaram o seu povo em seus sofrimentos e em suas dores, materiais e espirituais”. Finalmente, eles se despedem “com a intercessão de Nossa Senhora da Amazônia, pedindo a sua bênção para nós e para todo povo de Deus desta querida Amazônia”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

50 anos de Santarém: “Um texto muito simples, mas muito prático em termos de evangelização”

O Encontro de Santarém, ocorrido 50 anos atrás no mesmo local onde de 6 a 9 de junho é realizado o IV Encontro da Igreja na Amazônia Legal “é expressão de gratidão a Deus por ter encorajado tantos irmãos leigos e leigas, religiosos, religiosas, padres, bispos, a adentrarem nas diversidades desta Amazônia com a missão de anunciar e testemunhar Nosso Senhor Jesus Cristo e sua obra missionária”, segundo Dom Irineu Roman. As palavras do Arcebispo foram referendadas pelo prefeito local, que ressaltou o legado da Igreja católica no município de Santarém. Um encontro que deu início a uma caminhada que hoje continua, aspecto destacado por Dom Mário Antônio da Silva, Arcebispo de Cuiabá, que chamou a continuar sendo como Igreja “encarnação na realidade e evangelização libertadora”, em uma caminhada em rede, atitude presente na caminhada da REPAM. O vice-presidente da CNBB chamou a “prosseguir unidos na defesa da vida humana e toda a Criação”, e junto com isso a “proclamar ao mundo a Boa Nova da ecologia integral”, que definiu como prioridade da vida humana para o cuidado da casa comum e de todos os seus povos. Santarém foi um momento importante para toda a Igreja brasileira e celebrar seu Jubileu de Ouro “contribui para reacender ainda mais forte em todos nós o compromisso assumido por nossa Igreja há 50 anos”, segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, que enviou mensagem de vídeo. O Presidente da CNBB destacou a importância do Concilio Vaticano II e da Conferência de Medellín, vendo no Documento de Santarém um instrumento para uma evangelização da Amazônia que respeita as culturas dos povos originários e está ao serviço da preservação da Amazônia. O Encontro de Santarém celebra 50 anos em um momento desafiador, segundo Dom Walmor, que denunciou o desmatamento e chamou a uma reação missionária da parte da Igreja da Amazônia, tendo como base o Sínodo para a Amazônia e na perspectiva do Sínodo sobre a Sinodalidade. Um tempo de desafios, mas de esperança, onde sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré, “saibamos escutar as indicações preciosas do Espírito Santo de Deus para novos passos missionários, essenciais para o compromisso de preservar e defender a Amazônia”. Como “uma pequena assembleia sinodal” definiu Dom Leonardo Steiner o IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal. O presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB vê o Documento de Santarém como “um texto muito simples, mas muito prático em termos de evangelização”. Dom Leonardo agradeceu a equipe de preparação de um encontro que quer fazer memória, presencializar, uma memória que é feita depois do Sínodo, “fruto do caminho iniciado em Santarém”. A partir do Documento, o Arcebispo de Manaus chamou a “buscarmos de novo os elementos que possam ajudar nossas Igrejas particulares nesse caminho de uma profunda encarnação”, para que “a Igreja possa visibilizar o Reino de Deus”, e promover, partindo do Sínodo para a Amazônia, uma evangelização libertadora, que leve em conta os sonhos da Querida Amazônia. No IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal se fez presente através de uma mensagem o Papa Francisco, que vê esse encontro como “motivo de especial alento”, considerando-o “ocasião de intensa ação de graças ao Altíssimo pelos frutos da ação do Divino Espírito Santo na Igreja que está na Amazônia – durante estas últimas 5 décadas – e por quanto a mesma inspira”. Ele destacou que “as intuições daquele encontro serviram também para iluminar as reflexões dos padres sinodais, no recente Sínodo para a região Pan-Amazônica”, alegrando-se “pelo empenho das Igrejas Particulares da Amazônia Brasileira, por meio de suas comunidades, em levar adiante as indicações da última Assembleia Sinodal”. Ele pediu aos participantes que “sejam corajosos e audaciosos, abrindo-se confiadamente à ação de Deus”, e através do Espírito, “anunciar o Evangelho com novo empenho e a contemplar a beleza da criação”. Um encontro que acentuou uma Igreja com rosto amazônico, segundo Dom Erwin Kräutler, que se fez presente no encontro virtualmente. O Bispo emérito da Prelazia do Xingú recordou os principais aportes de Santarém, que inspirou as linhas prioritárias da pastoral da Amazônia: encarnação na realidade, pelo conhecimento e contato com o povo, na simplicidade, que se aprende do povo, e a evangelização libertadora, destacando o papel fundamental dos leigos e leigas engajados, que levou a insistir na formação das lideranças locais. Uma experiência pascal, um passo que a Igreja Católica está dando, “passando do local para o universal, da Amazônia para a Igreja Universal”, nas palavras do Cardeal Barreto. O Cardeal peruano compartilhou como “este Kairos da catolicidade, da universalidade” está sendo vivido, chamando a “olhar com os olhos de Deus e nos deixarmos olhar pela Amazônia“, um olhar que vem dos povos que habitam a região. Após recordar e agradecer ao Cardeal Hummes por seu trabalho na Igreja da Amazônia, ele destacou a gratidão e a profecia como elementos fundamentais que animam um caminho sinodal que deve levar à escuta, ao discernimento e à ação conjunta. O Documento de Santarém marcou a caminhada da Igreja local, segundo a Ir. Marlene Betlinski, administradora paroquial da Área Missionária Santa Clara, na Arquidiocese de Santarém, uma ideia reafirmada por Dom Mário Antônio da Silva. Mas também marcou a vida do povo, segundo testemunhou Felício Pontes, partindo de sua própria experiência, que destacou a importância dos leigos na capilaridade da Igreja e da defesa dos direitos humanos na Amazônia. Na coletiva de imprensa, Dom Mário Antônio chamou, partindo de Santarém, DNA da sinodalidade na Amazônia, a avançar desde os sonhos da Querida Amazônia para buscar uma possibilidade maior de encarnar o Evangelho e assumir a evangelização libertadora. Uma encarnação que nasce da escuta, modo de aprender como levar Jesus, segundo a Ir. Marlene, que chamou a uma conversão para superar o clericalismo, fundamentada na escuta e no diálogo. Também surge de Santarém a formação como prioridade, holística, além da Igreja, segundo Felício, que ajudou a ir conhecendo o que a Ditadura tratava de ocultar. Um desafio que se torna atual, segundo o Procurador da República, sendo uma possibilidade…
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Dom Leonardo: “Como estamos hoje como Igreja na Amazônia?”

Pedindo à Virgem e Mãe Maria: “Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga”, começava Dom Leonardo Steiner a análise de conjuntura eclesial no IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal que acontece em Santarém de 6 a 9 de junho. Análise de conjuntura que o Arcebispo de Manaus definiu como “a tentativa de visualizar a dinâmica do acontecer eclesial”. Fazer isso, tentando “visibilizar o Povo de Deus que está a caminho”, tendo como base o Documento de Santarém e Querida Amazônia, provocando os presentes a participar desse momento e assim tentar “nos situarmos como o fizeram os irmãos há 50 anos”. Isso em uma Igreja que existe para evangelizar, lembrando as palavras do Papa Bento XVI, uma ideia presente em um Documento que busca evangelizar melhor, segundo o Arcebispo. Analisando o Documento de Santarém partiu das linhas prioritárias: Encarnação na realidade e Evangelização libertadora, que definiu como “o horizonte a partir do qual se busca evangelização e o modo da evangelização”. Para bem evangelizar se faz necessária a formação do Povo de Deus, buscando comunidades vivas, algo que se concretizou depois de Santarém nas comunidades cristãs de base, na tentativa de descentralizar e ser fermento e ser comunidades mais amazônidas. Santarém mudou a relação da evangelização com os povos indígenas, lembrou o Arcebispo de Manaus, assim como as problemáticas que iam surgindo. O Documento também destacou a necessidade de formar os missionários e missionárias para a realidade local, e dos Institutos de Pastoral. Daí Dom Leonardo se perguntou: “Como estamos hoje como Igreja na Amazônia?”, chamando a uma maior encarnação, uma maior formação dos leigos e acompanhamento dos missionários que chegam. Ser presença entre os povos indígenas sem proselitismo, levando em consideração sua cultura. Se fazer presente nas comunidades da periferia, posicionar-se diante do agronegócio e o garimpo. Em relação com Querida Amazônia insistiu em que os sonhos são dimensões de uma única realidade, de um todo, um chamado à Igreja a ser presença em cada uma das realidades, a inculturar cada uma das realidades, chamando a ir ao encontro para descobrir o que é mais significativo. Dom Leonardo insistiu na necessidade de aprofundar na Palavra, nos Documentos da Igreja, na presença estável de responsáveis leigos, grupos missionários itinerantes, vida religiosa feminina. Daí chamou a ser crísticos, a descobrir a importância dos ministérios laicais, que garantem a estabilidade, maior protagonismo das mulheres, das comunidades de base, de formar cristãos comprometidos com a sua fé, maior presença e cuidado nas comunidades urbanas periféricas. Dom Leonardo destacou que as igrejas da Amazônia são pobres, onde seus agentes vivem de modo simples, chamando a uma ajuda maior entre as igrejas da região. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Francisco pelos 50 anos de Santarém: “Sejam corajosos e audaciosos, abrindo-se confiadamente à ação de Deus”

A Igreja da Amazônia brasileira está comemorando os 50 anos de Santarém, um Documento decisivo para entender os caminhos trilhados na região ao longo desse tempo. Um “motivo de especial alento” para o Papa Francisco. Em uma mensagem enviada aos 100 participantes do IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal, o Santo Padre afirma que o motivo do seu especial alento está no fato de “saber que sonhamos juntos ‘com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos’”, lembrando as palavras da Querida Amazônia. O Papa Francisco destaca que a importância deste encontro está no fazer “memória daquele ocorrido nesse mesmo local”, o que “é ocasião de intensa ação de graças ao Altíssimo pelos frutos da ação do Divino Espírito Santo na Igreja que está na Amazônia – durante estas últimas 5 décadas – e por quanto a mesma inspira”. Um encontro importante, que “propôs linhas de evangelização que marcaram a ação missionária das comunidades amazônicas e que auxiliaram na formação de uma sólida consciência eclesial”. Sua importância é tal que o próprio Papa Francisco reconhece que “as intuições daquele encontro serviram também para iluminar as reflexões dos padres sinodais, no recente Sínodo para a região Pan-Amazônica”, palavras recolhidas no número 61 da Querida Amazônia. O Papa Francisco chega afirmar que as “linhas prioritárias” de Santarém esboçaram os sonhos para a Amazônia recolhidos no número 7 da exortação pós-sinodal. O Santo Padre diz, também, alegrar-se “pelo empenho das Igrejas Particulares da Amazônia Brasileira, por meio de suas comunidades, em levar adiante as indicações da última Assembleia Sinodal”, destacando a importância da “bela tradição dos encontros das Igrejas Locais, a vivência da sinodalidade – como expressão de comunhão, participação e missão – à qual toda a Igreja é chamada”. Do mesmo modo recorda com carinho e com gratidão a participação intensa dos representantes do Brasil no último Sínodo, “trazendo vitalidade, força e esperança”. Com palavras costumeiras em suas mensagens, o Papa Francisco faz um chamado aos participantes do IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal a que “sejam corajosos e audaciosos, abrindo-se confiadamente à ação de Deus”, e através do Espírito, “anunciar o Evangelho com novo empenho e a contemplar a beleza da criação”. Depositando seus votos aos pés de Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia, o Papa enviou a Benção Apostólica aos participantes do encontro, pedindo, como já é costume, que “continuem a rezar por mim e pela missão que o Senhor me confiou”. Mensagem do Papa Francisco Queridos irmãos e irmãs, Com o coração repleto de alegria e esperança, dirijo-me a todos os participantes do IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, pois é motivo de especial alento para mim saber que sonhamos juntos “com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos” (QA, 7). Ao mesmo tempo, saber que esse encontro faz memória daquele ocorrido nesse mesmo local há 50 anos atrás, é ocasião de intensa ação de graças ao Altíssimo pelos frutos da ação do Divino Espírito Santo na Igreja que está na Amazônia – durante estas últimas 5 décadas – e por quanto a mesma inspira. Aquele “Encontro de Santarém” propôs linhas de evangelização que marcaram a ação missionária das comunidades amazônicas e que auxiliaram na formação de uma sólida consciência eclesial. As intuições daquele encontro serviram também para iluminar as reflexões dos padres sinodais, no recente Sínodo para a região Pan-Amazônica, como recordei na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia, ao descrevê-lo como uma das “expressões privilegiadas” do caminhar da Igreja com os povos da Amazônia (cf. QA, 61). De fato, nas conhecidas “linhas prioritárias”, frutos do recordado encontro, encontram-se esboçados os sonhos para a Amazônia que foram reafirmados no último sínodo (cf. QA, 7). Alegro-me igualmente pelo empenho das Igrejas Particulares da Amazônia Brasileira, por meio de suas comunidades, em levar adiante as indicações da última Assembleia Sinodal, testemunhando ao mesmo tempo, pela já enraizada e bela tradição dos encontros das Igrejas Locais, a vivência da sinodalidade – como expressão de comunhão, participação e missão – à qual toda a Igreja é chamada. Recordo com carinho e com gratidão a participação intensa dos que vieram do Brasil à Roma trazendo vitalidade, força e esperança para as sessões do Sínodo de 2019. Sejam corajosos e audaciosos, abrindo-se confiadamente à ação de Deus que tudo criou, nos deu a si mesmo em Jesus Cristo (cf. QA, 41), e nos inspira através do Espírito a anunciar o Evangelho com novo empenho e a contemplar a beleza da criação, ainda mais exuberante nessas terras amazônicas, onde se experimenta a presença luminosa do Ressuscitado (cf. QA, 57). Ao depositar tais votos aos pés de Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia – que jamais nos abandona nas horas escuras (cf. QA, 111) – envio-lhes, queridos irmãos e irmãs, de todo o coração, a Benção Apostólica, pedindo também que, por favor, continuem a rezar por mim e pela missão que o Senhor me confiou. Roma, São João de Latrão, 31 de maio 2022

50 anos de Santarém: “Igreja com vitalidade e posicionamento profético e solidário”

50 anos de Santarém, 50 anos de caminhada de uma Igreja, a Igreja da Amazônia, marcada por uma evangelização inculturada e libertadora. Para fazer memória do Documento surgido no encontro realizado no Seminário São Pio X em maio de 1972, 100 pessoas, cardeais, bispos, presbíteros, Vida Religiosa, leigos e leigas, dentre eles entre representantes dos povos indígenas e comunidades tradicionais, se reúnem no mesmo local de 6 a 9 de junho de 2022. Um encontro que começou com uma celebração eucarística, presidida pelo último bispo ordenado na Amazônia brasileira, Dom Raimundo Possidônio Carrera da Mata. Ele confiou a Maria “a intercessão materna por todos nós, por toda a Igreja desta Amazônia, onde residem tantas realidades que ainda precisam verdadeiramente de Ressurreição”. O Bispo coadjutor da Diocese de Bragança lembro que “a Cruz para muitos de nossos irmãos ainda é uma realidade todos os dias, em todos os momentos nosso povo caminha carregando uma Cruz por estas vias, por estes caminhos, por estas terras, por estas águas de uma Amazônia que ainda precisa de plenificar a sua Redenção”. Ele destacou a importância da mística, “que é expressão de uma fé comprometida que não arreda o pé diante das dificuldades”. O Encontro conta com a presença maternal da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia, aquela que quer iluminar uns dias chamados a ser momento para estreitar a comunhão entre as igrejas particulares da Amazônia, como Povo de Deus espalhado na grande Amazônia. Momento para lembrar um encontro que levou à Igreja da Amazônia a tomar uma face e se lançar à evangelização encarnada e libertadora. Uma história construída por rostos concretos, por testemunhas, que desafiam à Igreja da Amazônia a construir o futuro. Os participantes do IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal foram acolhidos pelo arcebispo local, Dom Irineu Roman, e pelo presidente do Regional Norte2 da CNBB, Dom Bernardo Bahlmann, que destacou a importância do encontro realizado 50 anos atrás e do Documento produzido, “uma grande luz para a caminhada na Amazônia”. Um encontro que é “um momento para avançar para águas mais profundas”, segundo a Ir. Maria Inês Vieira Ribeiro, que chamou a continuar um processo de uma Igreja que cada vez mais se apresenta do jeito de Jesus. Felício Pontes se considera fruto Documento de Santarém, que o levou a “ver a propaganda oficial da Ditadura Militar com olhar crítico, a partir dos injustiçados”, refletindo sobre os grandes projetos impostos pela Ditadura aos amazônidas, o que influenciou na sua vocação como advogado e posteriormente como Procurador da República. O Espírito de Pentecostes deve marcar o decorrer do encontro, segundo a Ir. Maria Irene Lopes, que quer “gestar cada vez mais a colegialidade dos bispos da Amazônia e estreitar a comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil”, objetivo da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, da qual ela é assessora. No encontro está presente o cardeal Pedro Barreto, que mostrou sua alegria por poder participar do encontro, realizado em uma terra sagrada, a Amazônia, ecoando as palavras do Papa Francisco em Puerto Maldonado. Um encontro que “é uma oportunidade para nos encontrarmos”, insistindo em duas palavras: “obrigado, porque há 50 anos se reuniram os bispos em nome da Igreja amazônica no Brasil, recolhendo Medellín e recolhendo o Concílio Vaticano II, ilusão, sonhos, que começam a se fazer realidade nos quatro sonhos que o Papa Francisco nos fala em Querida Amazônia”. Junto com isso, “o compromisso, o compromisso de caminhar juntos”, chamando a cuidar do bioma amazônico para a vida da humanidade. Dom Raimundo Possidônio fez um Memorial do Encontro de Santarém e do percurso posterior da Igreja da Amazônia. Dos bispos de Santarém, o Bispo coadjutor de Bragança, destacou sua “consciência muito grande de ser Igreja e da realidade”, analisando os documentos elaborados nos encontros de Manaus (1997) e Santarém (2012). Como aspectos fundantes da Igreja da Amazônia, ele destacou “a paixão pelo Cristo vivo e pelo Reino”. Junto com isso o espírito de colegialidade, de sinodalidade, de comunhão e participação, a profecia e o martírio, a encarnação na realidade e a evangelização libertadora. Santarém foi precedido por uma caminhada prévia, apresentada pelo bispo, por documentos que foram vistos como uma toma de postura, em atitude profética, dos bispos da região. Tudo isso influenciou em um documento “que criou o rosto da Igreja amazônica”, que foi se definindo ao longo dos anos, se preocupando, dentre outras, com a questão ecológica, sendo a da Amazônia uma das Igrejas que abordou essa questão. Também outras experiências vividas, contempladas em diferentes documentos, o que Dom Possidônio resumiu dizendo que “ao longo de seis décadas, a Igreja tem mostrado sua vitalidade e posicionamento profético e solidário”. Alguém que tem percorrido essa caminhada de 50 anos é Dom Gutemberg Freire Regis, eleito prelado da naquele tempo Prelazia de Coari em 1974, mas que desde 1969 vive “o desafio de ser um padre missionário aqui na Amazônia”. Em Santarém, ele descobriu o incentivo para “estruturar uma Igreja local”, com uma destacada presença de leigos na elaboração dos planos de pastoral, junto com a preocupação em formar comunidades, em formar padres diocesanos, em se preocupar com os problemas do povo, com a dimensão social da evangelização. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo Steiner: “Farei todo o esforço para que a voz do Papa ecoe entre nós”

No dia 29 de maio, O Papa Francisco convocou um novo Consistório, que será realizado no dia 27 de agosto. Na lista dos nomes anunciados da “janela do Ângelus”, estava Dom Leonardo Steiner, e com ele a Igreja da Amazônia. Segundo o Arcebispo de Manaus, seu cardinalato é “uma manifestação de afeto e apoio do Papa Francisco ao serviço evangelizador das dioceses e prelazias que estão na Amazônia brasileira”. Mas também, Dom Leonardo vê sua escolha como um chamado a “uma vida mais simples, uma maior proximidade com os sofredores e pobres, a servir em comunhão com os irmãos no episcopado”. Tudo isso junto com um povo e uma Igreja de múltiplos rostos. Os novos cardeais são chamados ao “serviço à Igreja que está atenta aos dramas humanos, especialmente a dos pobres”. Uma nomeação no contexto do Sínodo para a Amazônia, mas também dos 50 anos de Santarém, que busca “uma Igreja encarnada, libertadora”. Diante disso, o Arcebispo de Manaus espera “ser uma recordação do ministério do bispo de Roma na região e, por isso de fidelidade em relação ao cuidado da Casa Comum, à escuta e proximidade aos povos originários, à justiça na superação da violência em todos os âmbitos, à presença samaritana junto aos pobres”, insistindo em que “farei todo o esforço para que a sua voz ecoe entre nós”. No Regina Coeli da Solenidade da Ascensão do Senhor, o Papa Francisco nos surpreendeu com a convocação de um novo Consistório, no qual o Colégio Cardinalício será enriquecido com a presença de 21 novos cardeais. Desses, 16 são menores de 80 anos e, por tanto, eleitores num futuro Conclave. O que representa para o senhor essa escolha por parte do Santo Padre? Uma manifestação de afeto e apoio do Papa Francisco ao serviço evangelizador das dioceses e prelazias que estão na Amazônia brasileira. Um gesto de proximidade e comprometimento. Como o Santo Padre está comprometido com a Amazônia, a nomeação pode ser o desejo de que a Igreja na região permaneça próxima e ativa e, sempre mais, entre no movimento do espírito sinodal: escuta, partilha, comunhão, evangelização. Pessoalmente, a escolha leva-me a buscar uma vida mais simples, uma maior proximidade com os sofredores e pobres, a servir em comunhão com os irmãos no episcopado. Admirar a fé e a solidariedade das nossas comunidades. Corresponder ao modo afetuoso e fraterno que as caracteriza. Assumir melhor o compromisso de animar as comunidades a partir do Evangelho e da Carta Querida Amazônia que indica os passos evangelizadores para nós que vivemos nestas terras. Os cardeais são chamados a entregar sua vida pela Igreja, pelo Papa e pelo Evangelho. Como isso se concretiza no atual momento da história da Igreja? Como se manifesta na vida do senhor esses compromissos para os quais é chamado, também, agora, por meio desta nova missão? O momento histórico da Igreja tem sua tensão e agressão, sua esperança e santidade. Percebemos a incapacidade de sair de estruturas envelhecidas para inspirações que o Espírito Santo inspira, de seguranças legislativas e de costume para a liberdade da samaritanidade e da misericórdia. Movimentar-se do moralismo para o horizonte da gratuidade salvífica. Na Mensagem enviada para o Dia Mundial das Comunicações deste ano, Papa Francisco convidava a todos a manifestar a necessidade de um mundo harmônico: “cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfônica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.” Os novos cardeais foram chamados a colocar à disposição do Evangelho, da Igreja, do Santo Padre a voz, os dons, a vida. Tudo como serviço à Igreja que está atenta aos dramas humanos, especialmente a dos pobres, levando a esperança e a vida do Ressuscitado. Foram chamados a colocar a voz e os outros dons a serviço da paz, da fraternidade, da justiça, do amor, da harmonia da casa comum. Viver em maior profundidade o Evangelho, pois é uma entrega, um serviço. Voz, dons e vida para despertar para a beleza da santidade. O senhor é o primeiro cardeal da Amazônia. A nomeação pode ser considerada um passo a mais na caminhada da Igreja na região, no pós-Concílio iniciado há 50 anos atrás, com o Documento de Santarém e reforçado de modo especial com o Sínodo para a Amazônia? O Documento de Santarém uniu as igrejas particulares numa caminhada evangelizadora. Ofereceu os elementos fundamentais para que a Igreja estivesse encarnada na Amazônia: dinâmica de comunidades de base, formação dos leigos, opção pelos povos indígenas, fortalecimento dos Institutos de Formação. Lendo o Documento final do Sínodo para a Pan-amazônia e a carta Querida Amazônia de Papa Francisco, percebe-se a grandeza, a beleza e a dinâmica nascida em Santarém. A Igreja compreendeu o momento histórico e buscou o modo e meio de anunciar e viver o Evangelho. Com a nomeação, Papa Francisco poderia indicar a necessidade de continuar a caminhada, incentivados e inspirados pelo Sínodo. O Sínodo oferece a oportunidade de uma Igreja encarnada, libertadora, realizando os quatro sonhos de Querida Amazônia. O Sínodo é expressão da caminhada e expressão do futuro de nossa Igreja. Nessa perspectiva, diante das primeiras reações, – por meio das quais lhe denominam “o cardeal da Amazônia” -, como o senhor enfrenta essa responsabilidade em função da nova missão que o Papa Francisco lhe confia? Com a nomeação Papa Francisco mostra o seu afeto, proximidade e compromisso com a Igreja que está nesta região e com toda a realidade onde ela se encontra. Tenho a sensação de que o Papa está a pedir à Igreja na Amazônia brasileira que realizemos os sonhos que ofereceu. Sou um entre tantos homens e mulheres que buscar viver do Evangelho: mulheres e homens leigos, diáconos, presbíteros, vida religiosa, bispos. Sinto-me rodeado por esses irmãos e irmãs, e inserido na multidão que forma a Igreja. Tantas riquezas culturais de nossas comunidades. Estar atento à dinâmica da Igreja que procura inculturar o Evangelho.…
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Dom Leonardo em Pentecostes: “As nossas comunidades se abram cada vez mais à força do Espírito Santo”

Um dos grandes momentos na caminhada da Igreja de Manaus é a Festa de Pentecostes, que anualmente congrega no sambódromo milhares de pessoas das comunidades, áreas missionárias e paróquias da Arquidiocese. A última vez que isso tinha acontecido foi em 2019, e neste 5 de junho foi retomado esse momento marcante na vida do povo da capital do Amazonas. Foi a primeira vez que Dom Leonardo Steiner presidia a Solenidade de Pentecostes no Sambódromo, onde foi recebido com apoteose, ainda mais depois da notícia recebida no domingo passado e que tanta alegria tem trazido para a Igreja de Manaus e da Amazônia, o fato de ser nomeado cardeal pelo Papa Francisco, o que se tornará efetivo no consistório do próximo 27 de agosto. Uma celebração muito participada, com um povo que expressou sua fé e sua alegria a cada momento, deixando as emoções, inclusive do Arcebispo, a flor de pele. Ele começou a homilia dizendo que o Espírito Santo é “a graça que Jesus, no meio do medo, do fechamento, no meio do sem horizonte deseja aos discípulos. Ele sopra sobre eles, e diz: recebei o Espírito Santo”. Os discípulos estavam “sem lugar para ir, sem lugar para permanecer, sem caminho para percorrer, anoiteceram, e na noite é que o Senhor se apresenta”, insistiu Dom Leonardo. Ele lembrou que “estavam estes homens de portas trancadas, janelas trancadas, estavam apavorados, e no meio do medo, no meio da noite, que Jesus se apresenta como vida nova”. O recentemente eleito cardeal, falou do Espírito novo, “que em Atos ele é dito como vento”, afirmando que “esse vento abre portas, esse vento abre janelas, um vento impetuoso, mas não destruidor, porque é um vento renovador”. Segundo o Arcebispo de Manaus, “agora se respira liberdade, porque é o Espírito da liberdade que agora entra e abre, agora pode percorrer o mundo, agora não tem medo dos impérios, não tem medo da destruição, não tem medo dos ataques, não tem medo da violência, porque impelidos, tomados, purificados, pelo vento impetuoso do Espírito”. Um Espírito que também “desce em línguas de fogo”, segundo Dom Leonardo Steiner, que vê nelas um amor que aquece, que envia, que sai que não se amedronta mais. Ele insistiu em que essas línguas, “mas que repousar sobre eles, lhes penetrou o coração”. O Arcebispo de Manaus definiu o Espírito como extraordinário, como “um Espírito transformador da realidade, mas como um Espírito amoroso, um espírito acolhedor, um Espírito cheio de perdão”. Nesse perdão transparece o amor, “o amor perdoa sempre, o amor não agride, o amor constrói, aproxima”, afirmou o Arcebispo, que disse que “quem recebe os sete dons do Espírito Santo será incapaz de não perdoar, porque tomado, tomada pelo amor”. Dom Leonardo lembrou as palavras do Papa Francisco no dia de Pentecostes, onde afirmou que “o Espírito que nós recebemos e os apostoles receberam é o Espírito de amor, o Espírito da liberdade, o Espírito da paz”. Também mostrou o Espírito como consolador, como aquele que não afasta. Nesse sentido, disse que o Espírito que repousa sobre cada um de nós é o Espírito do Consolo, mas nos envia como amor, como consolo, como liberdade e como paz. O Arcebispo de Manaus definiu o Espírito do consolo como “o Espírito da proximidade, o Espírito que sabe acolher, o Espírito que sabe confortar”. Também definiu o Espírito como um bom advogado, aquele que ajuda a argumentar, a nos aconselhar, a nos dizer, a nos iluminar, a nos indicar a palavra, a nos conceder palavras, não para nos defendermos, mas para falar a verdade. Dom Leonardo chamou a pedir a graça de “sempre estarmos abertos à força e à graça do Espírito Santo”, algo que ajuda a falar uma linguagem que todo mundo entende, a linguagem do amor, da paz. Daí denunciou a necessidade “em nossa cidade, em nossas comunidades, do Espírito da paz”. Isso diante de tanta violência, de tanta agressão, o que tem que nos levar a ser presença de paz, de amor, de reconciliação, de liberdade e de consolo, segundo o Arcebispo de Manaus. Por isso, Dom Leonardo pediu “que Deus nos dê a graça de permanecermos sempre com o Espírito do nosso lado, a guiar nossos pensamentos, os nossos desejos, os nossos amores, os nossos passos”. Também insistiu em que “as nossas comunidades se abram cada vez mais à força do Espírito Santo”, chamando a participar da caminhada sinodal, “sob a força, à luz do Espírito Santo, para que a nossa Igreja seja viva, seja uma Igreja que testemunha a verdade, que testemunha a paz, sejamos uma Igreja que mostre quem foi Jesus e que viva a Jesus, mas sob a força, a graça, a suavidade, do Espírito Santo”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Verónica Rubí: “Renovados pelo Espírito da Verdade saiamos ao encontro dos mais vulneráveis”

“Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai”. Com essas palavras iniciou Verónica Rubí seu comentário ao Evangelho deste Domingo, da Solenidade de Pentecostes, a Festa do Divino Espírito Santo. A missionária leiga na Diocese de Alto Solimões, lembrou as palavras da Sequência de Pentecostes: “Espirito de Deus, Espirito da verdade… consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívio, vinde!”. Segundo ela, “é precioso reconhecer que o Espirito Santo é o Grande Protagonista neste tempo da história, assim como Deus Pai protagonizou a Criação do mundo e Deus Filho protagonizou a Encarnação e Salvação da humanidade, Deus Espírito Santo é quem nos anima acreditar e dar testemunho da fé, aqui e agora”. “No inicio do segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos encontramos o relato do Dia de Pentecostes, os discípulos reunidos num mesmo lugar, acreditamos que estavam com eles Maria e outras mulheres, em comunidade, receberam o Espirito de Deus, a Ruah Divina, com seus dons que os capacitou para sair anunciar a todos os povos, nas suas próprias línguas, as maravilhas de Deus”, relata a missionária leiga.     Verónica também lembra das palavras do Papa Francisco no número 48 da Exortação apostólica “A Alegria do Evangelho”, onde nos diz: “Se a Igreja inteira assume este dinamismo missionário, há de chegar a todos, sem exceção… Hoje e sempre, os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho, e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer”. Por isso, neste domingo de Pentecostes, ela anima a que “recebamos nós também, a Ruah Divina que vem a nossa comunidade e a nossa vida com seus sete dons de Fortaleza, Sabedoria, Ciência, Conselho, Entendimento, Piedade e Temor de Deus para que renovados pelo Espírito da Verdade saiamos ao encontro das nossas irmãs e irmãos mais vulneráveis, aqueles oprimidos pelo sistema capitalista, os que sem esperança ficaram reféns de sustâncias toxicas, as pessoas que sofrem qualquer classe de violência, e a tantos outros que Deus bem conhece, a eles a Ruah Divina nos envia com gestos de carinho, de escuta e de atenção para estar com eles, e aliviar a dor por meio da presença e do Amor”. Tendo em conta que no Evangelho o envio do Espírito Santo está associado ao perdão dos pecados, afirma Verónica Rubi, ela se pergunta: “como estamos no exercício do perdão? Começando por nós mesmos… Conseguimos nós perdoar? Somos misericordiosos frente as nossas faltas? E em relação aos nossos irmãos, guardo rancor pelo mal recebido? Ou me esforço por entender os motivos que o levaram obrar desse jeito? Dou novas oportunidades aqueles que me tem lastimado? Consigo perdoar a quem me feriu?… Essa também é nossa missão”.  Finalmente convida a que “neste novo Pentecostes, nosso Deus Espírito, protagonista junto conosco neste tempo da história de salvação, nos renove para fazer presente o Reino de Amor que já está no meio de nós”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1