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Luta por direitos dos povos indígenas: uma tarefa comum e ineludível

Luta e resistência são condições indispensáveis na conquista de direitos. Na sociedade brasileira, racismo e preconceito são atitudes presentes em muita gente, o que deve levar a uma reflexão em busca de desterrar aquilo que impossibilita a fraternidade e a cidadania plena. !9 de abril é comemorado no Brasil o “Dia do Índio”. Os povos originários do Brasil vêm reclamando há muito tempo que esse nome seja mudado para “Dia dos Povos Indígenas”, uma terminologia que evita continuar caindo em erros históricos, nascidos do fato de Américo Vespucio pensar que tinha chegado às Índias. O olhar folclórico em relação aos povos indígenas ainda está muito presente na mente de muitas pessoas, ficando longe da realidade que vivem os povos originários. A falta de respeito pelos diretos que a Constituição Federal Brasileira os garante é uma realidade cada vez mais presente, que deveria levar à sociedade a se posicionar em favor daqueles que são os primeiros habitantes das terras que hoje são conhecidas como Brasil. As ameaças contra o território, inclusive com o apoio e incentivo do poder público, se tornaram uma constante. As dificuldades para o aceso a direitos garantidos como é a saúde e a educação tem se tornado algo cada vez mais presente, uma realidade que aumentou com a pandemia da Covid-19, dificultando a sobrevivência desses povos, que tem visto como muitos dos seus membros, especialmente os anciãos, vieram a óbito, algo que compromete os conhecimentos tradicionais e com isso o futuro de sua cultura e identidade. Por isso, o Dia dos Povos Indígenas tem que ser visto como momento de reflexão, de resistência, de luta, de resgate de uma história e uma cultura que carrega conhecimentos milenares, que tanto tem aportado na construção de um mundo melhor. Diante das múltiplas violações que os povos indígenas vêm sofrendo se faz mais do que necessário reagir para que esses povos possam continuar conquistando espaços que lhes pertencem. Os povos indígenas brasileiros passam por situações vergonhosas, que deveriam indignar à sociedade, mas que são ignoradas. A denúncia realizada esta semana pela Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), onde mostra seu repúdio diante da violência contra o povo Yanomami, é mais um exemplo disso. Não podem ser toleradas as violações e crimes que sofre o povo Yanomami, vítima de alarmantes e desesperadores ataques criminosos. A invasão do garimpo ao seu território tem provocado violência sexual contra mulheres e crianças, algo que acontece com o completo descaso do governo federal brasileiro. O povo Yanomami, como acontece com os outros povos indígenas no Brasil, “encontra-se ameaçado, violentado e em grande vulnerabilidade sob precárias condições de vida, fome, desnutrição e sujeitos a adquirirem doenças endêmicas, infectocontagiosas como a malária, dentre outras”, denuncia a nota do CEPEETH. A pregunta que devemos nos fazer é: será que vamos ficar calados e continuar olhando para o outro lado? Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Seminário São José de Manaus: “Formar padres com consciência indígena e com rosto amazônico”

Um ano atrás, pudendo ser considerado mais um fruto do Sínodo para a Amazônia, em seu empenho em fazer realidade uma Igreja com rosto amazônico e indígena, o Seminário São José de Manaus criou o Núcleo de Reflexões Pluriétnicas “Yüü”. No “Dia dos Povos Indígenas”, como deveria ser chamado, segundo reclamam os povos originários do Brasil, aquele que pejorativamente é conhecido como “Dia do Índio”, um termo acunhado por Américo Vespucio pensando ter chegado às Índias, foi comemorado o primeiro aniversário de algo que pode ser considerado como “uma maloca espiritual”, segundo o padre Rubson Vilhena. Para o vice-reitor do Seminário São José de Manaus, o Núcleo de Reflexões Pluriétnicas é motivo de orgulho, pois ajuda a “aprofundar em nossas raízes, em nossa cultura”. É por isso que os formadores do Seminário, onde se formam os seminaristas das 9 dioceses e prelazias do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dentre eles indígenas de 8 povos, agradecem os seminaristas que participam do Núcleo, insistindo na necessidade de amazonizar a Igreja, mas não com imposições, para não cair em erros do passado no sentido contrário. Um desses seminaristas que participam do Núcleo de Reflexões Pluriétnicas é Eliomar Rezende Sarmento, do Povo Tukano, seminarista da Diocese de São Gabriel da Cachoeira, na região com maior porcentagem de indígenas do Brasil.  Segundo ele, “o Núcleo de Reflexões Pluriétnicas tem o objetivo de contribuir e fortalecer a identidade indígena dentro do processo formativo e pedagógico do Seminário São José, tendo em vista essa plurietnicidade de seminaristas de várias regiões e de várias dioceses”, insistindo em que se busca “formar padres com consciência indígena e com rosto amazônico”. O Dia dos Povos Indígenas no Seminário de Manaus, impulsado pelo Núcleo de Reflexões Pluriétnicas, tem sido um momento em que puderam ser vistos alguns traços dessa Igreja com rosto indígena à qual nos chama o Papa Francisco. O uso de elementos que fazem partes dos rituais indígenas são expressões que também estão presentes no universo cristão, a fumaça como sinal de proteção, o pajé como aquele que invoca o espírito para curar as doenças, cuidar da comunidade, proteger a vida, a saúde e o trabalho. Algo que também se descobre na correlação existente entre a narração da Criação no Livro do Gênesis e a origem do mundo e da humanidade em diferentes cosmovisões indígenas. No encontro se fez presente a jovem indígena Geana Batista, mestranda em psicologia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que vê o 19 de abril como “momento de reflexão, de resistência, de luta”. Segundo a indígena do Povo Baniwa, “temos nossa história, nossa cultura, nossos corpos, nossos direitos violados”, relatando as dificuldades que os jovens indígenas enfrentam no contexto urbano diante da pressão, racismo e discriminação contra os povos originários no Brasil. Geana Batista é consciente que os povos indígenas “já conquistamos muitos espaços como indivíduos graças às lutas dos nossos antecessores, de lideranças indígenas”, o que a leva a reafirmar a importância das lutas para que os povos indígenas tenham respeitados os direitos garantidos pela Constituição Brasileira: educação, saúde, moradia, território. Para isso, ela destacou a necessidade da juventude indígena se tornar protagonista. No início da luta dos povos indígenas teve um papel destacado a Igreja católica, segundo Jaime Diakara, doutorando em Antropologia. O indígena do Povo Desano refletiu sobre os diferentes modos de entender a vida nas diferentes culturas, afirmando que a Universidade muitas vezes não entende o pensamento indígena. Ele insistiu na necessidade de uma luta coletiva, pois ela não pode ser individual. Nesse sentido, o movimento indígena é prejudicado pelas divisões existentes nele, colocando as dificuldades que os indígenas encontram para viver na cidade. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

CEEPETH repudia a violência sexual de garimpeiros contra mulheres e crianças Yanomami

A Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta segunda-feira, 18 de abril, uma nota de repúdio à violência contra o povo Yanomami. A nota, assinada pelo presidente da CEPEETH, Dom Evaristo Spengler, “vem a público expressar, veementemente, sua indignação e repúdio diante da violência sofrida pelo povo Yanomami, especialmente a invasão do garimpo ao seu território, a violência sexual contra mulheres e crianças e o completo descaso do governo”.  O relatório “Yanomami Sob Ataque: Garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e propostas para combatê-lo”, divulgado em 11 de abril, construído pela Hutukara Associação Yanomami, “denuncia a dramática realidade em que vivem as comunidades Yanomamis do Amazonas e de Roraima”. O garimpo “cresceu 46% nas reservas indígenas em 2021”, denuncia a nota, e também que “os números de ataques criminosos contra as comunidades Yanomamis são alarmantes e desesperadores”. A situação é tão grave, que são relatados “a violência sexual e estupros sofridos por adolescentes e mulheres yanomamis, praticados por garimpeiros invasores que desenvolvem atividades criminosas de extração de ouro”. Junto com isso as consequências da contaminação por mercúrio, “afetando a saúde dos rios e florestas e das populações que ali vivem”. Isso leva o CEPEETH a afirmar que “o povo Yanomami encontra-se ameaçado, violentado e em grande vulnerabilidade sob precárias condições de vida, fome, desnutrição e sujeitos a adquirirem doenças endêmicas, infectocontagiosas como a malária, dentre outras”. O relatório recolhe também os efeitos da Covid-19 para os povos indígenas, denunciando que “tudo isto é fruto da inoperância do Estado brasileiro, em particular do governo federal, que de forma explícita vem desenvolvendo ações para expulsar os povos e comunidades de suas terras tradicionais; concedendo sobretudo títulos de propriedade aos que se apossam de terras públicas, em especial onde se encontram os povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e áreas ambientais”. A CEPEETH, “fiel ao seu compromisso místico-profético com os clamores dos pobres e da terra”, mostra na nota sua solidariedade e compromisso às lideranças indígenas na voz de Dário Kopenawa, que exige maior compromisso do governo brasileiro para combater o garimpo diante da muita violência e vulnerabilidade que o povo Yanomami está sofrendo. Por isso, a CEPEETH “repudia e denuncia com indignação, toda forma de exploração e violência em especial, a violência sexual contra Mulheres, adolescentes e crianças”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

CPT lança o Caderno de Conflitos no Campo – Brasil 2021

Foi lançado nesta segunda-feira 18 de abril na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) o Caderno de “Conflitos no Campo – Brasil 2021” da Comissão Pastoral da Terra (CPT), organismo vinculado à CNBB. O relatório, considerado um dos maiores aportes da CPT à sociedade brasileira, registrou 1.768 conflitos no campo em 2021, um 13,92% a menos em comparação à 2020 que registrou 2.054 ocorrências. São situações que envolvem questões ligadas à terra, à água e aos direitos trabalhistas, que mostram a disputa pela terra e pelo território no Brasil, atingindo direta ou indiretamente 897.335 pessoas. O lançamento contou com a presença do secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, o presidente da CPT, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, e representantes da Comissão Pastoral da Terra, dos povos indígenas, dos povos do campo e de organizações relacionadas com a Reforma Agraria. O presidente da CNBB, Dom Walmor Azevedo de Oliveira, enviou uma mensagem aos participantes do lançamento. Em suas palavras, destacando a importância do relatório, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) recordou as palavras do Papa Francisco: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”. Segundo o secretário-geral da CNBB, o acesso à terra e a informação real, em contraposição às falsas notícias, são condições essenciais numa verdadeira democracia, cada vez mais ameaçada no Brasil. O bispo auxiliar do Rio de Janeiro relacionou o trabalho da Comissão Pastoral da Terra e tudo o relacionado com o Caderno de Conflitos com o processo da 6ª Semana Social Brasileira, que tem como tema “Por terra, teto e trabalho”. O foco dos conflitos por terra e por água no Brasil hoje está na Amazônia Legal, que registrou 641 conflitos por terra em 2021 (49,49% do total), 124 por água e 54 ocorrências de trabalho escravo. Os povos indígenas são um dos coletivos mais atingidos. Nesse sentido, Jaque Kuña Aranduhá, liderança indígena do povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul (MS), destacou a importância do Cadernos, que considera uma ferramenta importante para a luta dos povos indígenas do Brasil. Um dos povos indígenas mais atingidos em seu território em 2021 foi o Povo Yanomami, cujo território está sendo duramente afetado pelo garimpo ilegal. Segundo o Relatório, em 2021 foram registradas 109 mortes na Terra Indígena Yanomami em decorrência de conflitos com os garimpeiros ilegais, o que significa um aumento de 1.110%. Do total, 101 mortes foram registradas no estado de Roraima. Segundo o presidente da CPT, nascida em 1975, “nascemos e existimos para cuidar da vida”, colocando o Caderno de Conflitos como um exemplo desse cuidado com a vida, inspirado em Jesus Bom Pastor e que busca o bem comum, “tantas vezes ameaçado pelo capitalismo selvagem, pelas mineradoras, pelo agronegócio, pelas madeireiras e pelo garimpo ilegal”. O bispo da Prelazia de Itacoatiara enfatizou que a CPT procura “estar perto das famílias ameaçadas e que sofreram algum tipo de violência, injustiça e crime”. A CPT está perto “para ser solidário, encorajar, proteger, mas também ajudar a divulgar o que acontece e que não encontra espaços sempre nos meios de comunicação”, insistiu Dom José Ionilton, que também se referiu à importância da incidência política diante dos projetos de lei que ameaçam e prejudicam os pequenos e traz benefício para quem já tem o capital. Uma situação que piorou nos últimos anos segundo o bispo, que lembrou as vítimas da luta pela terra no Brasil. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Com informações da CNBB Nacional

Ir. Rose Bertoldo: “Frente a tantos sinais de morte, precisamos ser mulheres portadoras de esperanças”

“As mulheres continuam sendo as primeiras testemunhas da Ressurreição”. Com essas palavras começa sua reflexão a Ir. Rose Bertoldo, comentando o Evangelho do Domingo da Páscoa. O Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil inicia uma nova experiência: “Com Voz de Mulher”. Mulheres do nosso Regional irão comentar o Evangelho dominical, iluminando desde o universo feminino a vida das nossas comunidades. A exemplo de Maria Madalena, que “no primeiro dia da semana, foi ao tumulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do tumulo”. Segundo a secretaria executiva do Regional Norte1 da CNBB, se referindo às mulheres que sempre tinham acompanhado Jesus, “elas acordaram cedo naquele primeiro dia da semana, o dia se fez claridade. Andavam apressadas. Levavam a boa notícia da Ressurreição. Superaram o medo e saíram correndo anunciando aos discípulos que Jesus tinha ressuscitado”. “O processo vivenciado pelas mulheres gera boa-nova, uma boa notícia que nasce do cotidiano da vida das mulheres, das coisas simples, do cuidado da vida”, segundo a Ir. Rose Bertoldo. “Elas se fazem missionarias da primeira hora porque nunca desistiram, porque nunca aceitaram a morte como resposta definitiva, porque em comunidade sempre cultivaram e cultivam a esperança”, afirma a religiosa do Imaculado Coração de Maria. “As mulheres fizeram uma experiência muito profunda da Ressurreição de Jesus em suas vidas, e conseguiram transmitir por sua fé e amor a Jesus”, destaca a Ir. Rose. Segundo ela, “essa experiência transmitiram aos discípulos e foi sendo transmitida de geração a geração, e continuam sendo as mulheres as primeiras testemunhas da Ressureição, pois são presença viva nas comunidades”. A religiosa afirma que “as mulheres exerceram um protagonismo intenso em toda a vida de Jesus, muitas Marias com o seu amor, com seu empoderamento, sua fé, coragem, determinação, ousadia, suas lutas por mais dignidade para outras mulheres, permaneceram fieis até a morte de Cruz. Acolheram, apoiaram, fortaleceram Jesus na hora da dor, seguiram seus passos, foram discípulas, testemunhas da Ressurreição e apoiadoras do Cristo Ressuscitado!”. Ela enfatiza que “para as mulheres a morte não tem a última palavra, mas a vida nova, plena, da igualdade, da festa, da partilha, do amor”. Olhando para a realidade atual, a religiosa coloca que “frente a tantos sinais de morte, num mundo ferido pela guerra, pelas tantas violências que destrói a humanidade, destrói a nossa casa comum, mais do que nunca precisamos ser mulheres portadoras de esperanças, sair correndo na certeza de que é urgente cuidar da vida”. A secretária executiva do Regional Norte1 diz que “continuamos anunciando o Cristo Ressuscitado, dando testemunho de alegria, da esperança, para que a ciranda da vida, iniciada por mulheres possa continuar com a nossa presença transformadora que gera vida; pois a fé no Ressuscitado nos impulsiona a ir ao encontro dos crucificados no hoje da história, nos coloca a seu lado, para partilhar com eles a certeza de que Deus está vivo no meio de nós, ressuscitando, libertando da morte e gestando uma nova criação”. Finalmente, reafirma que “nessa experiência fundante da primeira comunidade, se baseia a força missionária da Igreja que através dos séculos continua proclamando: ‘O Senhor Ressuscitou, verdadeiramente, aleluia!’”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Edson Damian: “No encontro com Cristo Crucificado, Ressuscitado, encontraremos a força para manter viva a nossa esperança”

Na festa da Ressurreição, Dom Edson Tasquetto Damian, afirmou em mensagem de vídeo que “celebrar a Páscoa em tempos de guerra é acreditar no amor que vence o ódio, na luz que vence as trevas, na verdade que vence a mentira, na justiça que vence a exploração, na liberdade que vence a dominação, na vida que vence a morte”. O presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), anuncia com alegria que “Cristo Ressuscitou, ressuscitemos com Ele!”. O bispo de São Gabriel da Cachoeira insiste em que “no encontro com Cristo Crucificado, Ressuscitado, encontraremos a força para manter viva a nossa esperança, para reconstruir a Pátria, onde haja terra, trabalho, teto e pão para todos”. Dom Edson faz um forte a apelo, dizendo: “vamos dar as mãos para reconstruir um Brasil justo, solidário, fraterno e feliz, onde sejam respeitados os direitos de todos, a começar pelos pobres, excluídos e descartados”. Finalmente, após afirmar mais uma vez que “Cristo Ressuscitou, ressuscitemos com Ele, para vencer as pandemias e acabar com as guerras”, deseja uma “Feliz e esperançadora Páscoa, com o povo santo e fiel de Deus, com todos os homens e mulheres de boa vontade”.

Dom Leonardo na Missa Crismal: “Todos somos Igreja, uma Igreja que faz o caminho juntos”

A Arquidiocese de Manaus celebrou na manhã da Quinta-feira Santa a Missa dos Santos Óleos, de novo, depois de dos anos sem possibilidade de fazê-lo, na Catedral Metropolitana. Refletindo sobre “o Espírito que unge para ungir!” começou sua homilia Dom Leonardo Steiner. O Arcebispo de Manaus disse admirar o cuidado da Igreja em oferecer os óleos, que são “lenitivo, conforto e esperança; presença de misericórdia, de santidade”. Uma liturgia, a dos óleos, que “expressa o ser Igreja, uma Igreja sinodal”. Uma Igreja que se reuniu “na diversidade de serviços, pastorais, que visibilizam a maternidade da Igreja e o amor de Deus para com todas as criaturas”. O arcebispo destacou “os óleos a nos indicar e possibilitar o ser Povo de Deus a caminho”. Se dirigindo aos presbíteros, Dom Leonardo afirmou que na celebração do Santo Crisma, “renovamos o desejo de unção do Espírito na Igreja, o Povo de Deus, a quem servimos com alegria”. Chamando a lembrar o dia da ordenação, o Arcebispo de Manaus destacou o fato de “renovarmos a ação do Espírito que nos faz ungidores do Povo de Deus”, insistindo em renovar a disponibilidade e prontidão. Uma unção para “derramar o óleo da alegria e da esperança aos necessitados com a força da presença, da caridade, da palavra, do acolhimento, do perdão”, d estacando a importância de “aliviar, confortar, amaciar os embates da vida com a unção”. Uma esperança que unge, segundo Dom Leonardo, e o faz mesmo nos sentindo “deprimidos, oprimidos e até desiludidos, adiante de tanta violência, dor sofrimento, ataques à vida em fraternidade, à democracia, diante da crueldade da ideologia que mata, da guerra”. O Arcebispo de Manaus chamou a refletir sobre uma sociedade onde “o outro tornou-se um inimigo”, denunciando tanta morte que o levou a afirmar que “tem-se a impressão de que perdemos nossa humanidade, aquele sentir como pessoa a pessoa do outro”. Diante disso, ele chamou a descobrir que o Espírito “nos faz presença de esperança e consolo”. Na celebração em que os presbíteros renovam suas promessas, em nome dos bispos e das comunidades, Dom Leonardo agradeceu aos padres a sua vida e ministério, “a disponibilidade, a fidelidade, a prontidão, a presbiteralidade de cada um”. Junto com isso, ele agradeceu aos presbíteros “pelo cuidado e acolhimento junto com as comunidades, famílias e pessoas”, também pela “vida de oração, de estudo, as horas que estão diante de Jesus”. Outros elementos colocados como agradecimento foi de viverem simples, “codividir as dores, as alegrias, uma presença de esperança e santidade”. Ele foi agradecendo aquilo que como Arcebispo considera importante, agradecendo especialmente os padres que aceitaram “servir as nossas comunidades do interior e as nossas comunidades das periferias, elas desejosas de Deus”. Dom Leonardo insistiu em que “todos somos Igreja, uma Igreja que faz o caminho juntos”. Isso numa Igreja generosa, expansiva, livre e libertadora, católica. Uma Igreja que deseja servir, ungir a todos”. Diante disso, o Arcebispo ressaltou que “somos Igreja, presença do Reino! Uma presença de profecia, alegre, de fraternidade. Finalmente, Dom Leonardo chamou os presbíteros a “ser ungidores da benevolência, da mansidão, da esperança, da misericórdia”.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Jesus continua sendo crucificado hoje?

Celebrar a Semana Santa é fazer memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. A gente só faz memória quando atualiza aquilo que está celebrando. Senão fizer isso, a gente fica em ritos que não são mais do que uma peça de teatro, talvez com boa aparência estética, mas que não influencia, não muda, não transforma a vida das pessoas. Jesus foi condenado à morte por um poder político e religioso corrupto, querendo sufocar a voz daquele que escolheu o lado dos marginalizados, dos excluídos, dos descartados, daqueles e aquelas que eram colocados do lado de fora da história, pessoas sem voz e sem vez, condenadas ao sofrimento, ao silencio, à marginalização social e religiosa. Uma questão que cada um e cada uma de nós deveríamos responder é se Jesus continua sendo crucificado hoje. Junto com isso qual é nosso papel diante dessas situações, até que ponto colaboramos, também com nosso silêncio e falta de compromisso, de empatia, de compaixão, para que isso continue acontecendo. Muita gente pensa, muitos de nós pensamos, que Jesus continua sendo crucificado hoje. Não podemos esquecer que a figura de Jesus vai além de um individuo ou de um momento histórico. Jesus pode ser considerado a prova mais evidente da encarnação de Deus, de um Deus que se faz visível, presença no meio do nós. De fato, na liturgia católica, em diferentes momentos das celebrações, o povo diz que Ele está no meio de nós. Mas será que o reconhecemos nos momentos de dor ou só nos interessa nos momentos de glória e holofotes? São tantos os homens e mulheres que hoje carregam a sua cruz… são tantos os rostos onde deveríamos descobrir o rosto sofredor de Cristo… Ele passa fome, está sem casa, vive mendigando e no subemprego, está banido das rodas sociais e das igrejas, está doente, sedento, é difamado… Entre nós está e não o conhecemos, entre nós está e nós o desprezamos. Quem sabe nas celebrações da Semana Santa a gente não cante a música que tem em sua letra essas palavras. Mas será que isso vai nos ajudar a reconhecer o Cristo Crucificado nos crucificados de hoje, nas vítimas de tantos crimes que nos deixam indiferentes? Façamos memoria, celebremos o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, atualizemos o maior Mistério de Amor que o mundo já teve oportunidade de contemplar. Só ficando ao pé da Cruz entenderemos esse Mistério de Amor que hoje mais uma vez se faz presente no meio de nós. Entendamos e assumamos que não há maior prova de amor que doar a vida pelo irmão. Mas para isso precisa fé e coragem. Será que eu tenho? Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Prelazia de Borba celebra Missa dos Santos Óleos: “Momento de unidade, de comunhão e participação”

Seguindo a tradição da Prelazia Apostólica de Borba, onde a Missa dos Santos Óleos acontece cada ano em forma de rodizio numa paróquia diferente, no dia 7 de abril de 2022 foi celebrada na paróquia São Joaquim e Sant´Ana da cidade de Autazes, com a participação do povo de Deus: clero, Vida Religiosa, lideranças leigas, seminaristas, acolhidos pelo bispo no início da celebração. Se trata de uma celebração onde são abençoados os óleos “que vão ser usados durante o ano nos sacramentos, na unção do povo de Deus”, lembrou Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva. Também é uma celebração onde os sacerdotes renovam suas promessas, “eles renovam a missão, a obediência e o amor à Igreja”, destacou o bispo da Prelazia de Borba, que vê a Missa dos Santos Óleos como “um momento grandioso, bonito de unidade, de comunhão e participação”. Dom Zenildo lembrou na homilia do Congresso Bíblico celebrado recentemente, “que motivou, animou e nos deu uma certeza, nós temos uma força que vem da Palavra, que deve ser anunciada, a Palavra que cria, recria, a Palavra de Deus que precisa ser celebrada”. Dentro da sinodalidade, presente na Igreja, também na Prelazia de Borba, o bispo a vê como aquilo que “nos faz irmãos e irmãs, que tem coragem de sentar um do lado do outro para escutar os apelos, as necessidades e as perspectivas pastorais daqui para frente”, uma Igreja que pensa que o caminho se faz juntos. Uma Prelazia de Borba reunida pelo amor e pela fé, para viver um momento eclesial importante e bem visível. Chamada, segundo o bispo, a viver a sinodalidade a partir da Palavra, mas também a ficar com o essencial a partir da esperança, a encontrar rumos, estradas, caminhos, a levar a benção de Deus para a vida cotidiana. À luz do capítulo 4 do Evangelho de Lucas, proclamado na celebração, Dom Zenildo chamou a tornar como próprio o projeto de vida de Jesus, no meio de tantos problemas e desafios, e a partir da Palavra realizar um anúncio profético, um anúncio da esperança, um anúncio que vai libertar e não manipular, e não escravizar. O bispo convidou a na Amazônia, no Rio Madeira e outros rios que fazem parte da Prelazia de Borba, “dar uma resposta eclesial, dar uma resposta de unção para esses problemas”. O bispo da Prelazia de Borba chamou os padres a rezar com o povo e pelo povo, lembrando sua missão assumida “por amor à causa, por amor à Igreja, por amor ao povo”, como ungidos para curar os corações abatidos, as ovelhas feridas, machucadas, deprimidas. Uma cura que se faz pela escuta, pela atenção, pela oração. Finalmente, Dom Zenildo insistiu em que “não podemos abrir mão de uma Igreja ministerial, uma Igreja missionária, uma Igreja sinodal”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Missão na Tríplice Fronteira: “Viemos mais pra acrescentar do que para mudar”

O convento dos capuchinhos de Benjamim Constant, no lado brasileiro da Tríplice Fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Peru, acolheu nesta semana mais um encontro transfronteiriço dos missionários e missionárias que trabalham nessa região da Amazônia, onde se encontram a Diocese do Alto Solimões (Brasil), o Vicariato de Letícia (Colômbia) e o Vicariato de São José do Amazonas (Peru). O Documento Final do Sínodo para a Amazônia aborda a questão das estruturas sinodais regionais na Igreja Amazônica, fazendo um chamado a “articular espaços sinodais e gerar redes de apoio solidário”. Por isso, é visto como algo urgente “superar as fronteiras que a geografia impõe e construir pontes que unam”, algo que já aparece no documento de Aparecida 15 anos atrás. Movidos pelo desejo de encontrar-se e partilhar suas experiências de vida e evangelização, mais de 30 missionários e missionárias se reuniram, superando as dificuldades que na Igreja da Amazônia representam as distâncias e as dificuldades de comunicação e transporte. Leigos e leigas, padres, religiosos e religiosas se fizeram presentes, mostrando a diversidade missionária presente na região. Pessoas de diferentes idades, tinha missionários com 22 anos e com 81 anos de idade, mas também com diferente tempo de missão na região, uma semana na fronteira e 24 anos de presença. Os participantes destacaram a acolhida muito fraterna, “vislumbrada no sorriso de tantos que sentem na pele os gritos do povo e da natureza amazônicas clamando por vida, justiça, paz e cuidado amoroso e esperançoso, mas sabem que não estão sozinhos porque o Senhor da vida os acompanha. Gente que veio e soube ficar nesse mundo de água, céu e terra como missão de criaturas em busca do seu Criador. Lutadores da justiça ecológica nas fronteiras da querida Amazônia, anunciamos a fraternidade e a amizade social, denunciando a necropolitica”.  Como missionários e missionárias na Tríplice Fronteira, o encontro quis mostrar que “nosso grito é pela vida escondida nessas fronteiras, a dignidade humana, a sustentabilidade, a misericórdia, o amor de Cristo que não mata, mas morre de amor por nós”, insistiram os participantes do encontro, destacando que “afinal somos tudo e todos irmãos”. O capítulo IV da encíclica Fratelli tutti ajudou nas dinâmicas realizadas ao longo do encontro, querendo assim refletir sobre a importância de um coração aberto ao mundo inteiro. Nessa perspectiva, os missionários e missionárias falaram dos sinais de encarnação do seu agir missionário, insistindo no convite a serem pontes e não muros, uma atitude mais do que necessária nas regiões de fronteira.  O encontro foi momento para refletir sobre o fato de que “embora precisemos primeiro dar o pão a quem tem fome e depois o Evangelho, nossa prática pastoral não pode se deter no assistencialismo”, segundo os participantes. Nesse sentido, foi colocado em destaque que “viemos mais para acrescentar do que para mudar”, destacando que “o desafio do missionário é saber equilibrar o dar e o receber na missão”. Também apareceu com insistência o sentimento que os missionários e missionárias tem de ser um sinal de sinodalidade na fronteira. O encontro foi momento para escolher a nova coordenação, agradecendo àqueles que prestaram esse serviço nesses últimos anos. O capuchinho frei Manoel, a leiga marista Mayra, a irmã Dorinha do Peru e o padre Carlos da diocese do Alto Solimões formam a nova coordenação. O próximo encontro, marcado para o dia 24 de agosto em Atalaia do Norte, será oportunidade para refletir sobre a sinodalidade e a missionariedade, escutando os saberes e a ancestralidade dos povos originários, sobretudo dos indígenas isolados, numa região onde se encontra o maior número de povos indígenas nessa situação. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1