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Conversão, bem mais do que uma palavra

  Existem palavras que deveriam ser mais do que conceitos para passar a ser atitudes, formas de vida, de enfrentar o dia-a-dia. Uma delas é conversão, algo que deveria ser assumido por todos os seres humano, mas que nunca pode ser deixado de lado por quem se diz cristão. Na Igreja católica estamos vivendo o tempo da Quaresma, uma ocasião propicia para mudar de vida. Existe uma música, habitual em muitas celebrações durante o tempo da Quaresma, cuja letra diz: “Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação, ao Pai voltemos, juntos andemos, eis o tempo de conversão”. Mas a gente se pergunta até que ponto isso se torna realidade na vida das pessoas. A conversão é um desafio pessoal, mas também social e eclesial. Uma pessoa que não se preocupa com mudar de vida está condenada a ficar reduzida a uma pequena expressão daquilo que ela pode chegar a ser. A conversão nos faz crescer, nos ajuda a colocar nossa vida ao serviço daquilo que ajuda a ser presença de Deus na vida dos outros e assim fazer realidade um mundo melhor para todos e todas. A mesma coisa podemos dizer da sociedade e da Igreja. A conversão é caminho para uma sociedade e uma Igreja plenificadas, cheias de vida, cheias de sentimentos que geram atitudes positivas. A conversão faz com que as relações melhorem e a vida seja enfrentada desde atitudes novas. Nos últimos dias da Quaresma, aqueles que têm fé devem se questionar o que tem representado este tempo em sua vida. Diante das situações que cada um está vivendo, mas também diante daquilo que acontece no mundo, no Brasil, em volta de cada um, como cada um viveu este tempo de conversão, em que tem melhorado, ou no mínimo em que tem descoberto que tem que melhorar. Ainda estamos diante da oportunidade de parar e pensar, de nos perguntarmos em relação com a nossa vida pessoal, mas também sobre a sociedade da qual a gente faz parte, e sobre a comunidade eclesial onde a gente vive a fé. A crueldade do ser humano, algo que mais uma vez está sendo manchete nos jornais diante do que está acontecendo na Ucrânia, aqueles que se aproveitam da religião para conseguir fazer realidade desejos pessoais, a educação cada vez mais distante daquilo que deveria ser, são algumas das coisas a termos em conta. De nada adianta falar de conversão, inclusive seguir os ritos próprios da Quaresma, se isso não nos leva a mudar de atitude, a viver de um modo diferente. Conversão é atitude, e nunca pode se reduzir a um conceito que a gente pronuncia, mas não vive e não assume como modo de vida. As pessoas se convertem quando vivem a conversão e não quando simplesmente falam de conversão. Se a gente não assume uma mudança de vida, não se converte; se a gente não se deixa transformar em suas relações com Deus e com os outros, não se converte; se a gente não olha os outros com sentimentos de amor e misericórdia, não se converte. Por isso, é bom se perguntar: será que estou no caminho da conversão? Será que a Quaresma tem me ajudado a dar algum passo nesse sentido? Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Dom Leonardo novo presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia

Foi divulgado nesta quarta-feira, 6 de abril de 2022, que a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nomeou, na segunda-feira, 4 de abril, Dom Leonardo Ulrich Steiner como presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, cargo que ocupará até o fim do mandato 2019-2023. O novo presidente substitui no cargo ao cardeal Cláudio Hummes, que recentemente apresentou sua renúncia como presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia e da Conferência Eclesial da Amazônia por motivos de saúde. Além do Arcebispo de Manaus (AM), fazem parte da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, Dom Erwin Kräutler, CPPS , Bispo emérito da Prelazia do Xingú (PA), como Secretário, Dom Roque Paloschi, Arcebispo de Porto Velho (RO), Dom Evaristo Pascoal Spengler, OFM, Bispo da Prelazia de Marajó (PA), e Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, SDV, Bispo da Prelazia de Itacoatiara (AM), como membros. A assessora da comissão é a Ir. Maria Irene Lopes dos Santos. Nascido em 6 de novembro de 1950 em Forquilhinha (SC), Dom Leonardo Ulrich Steiner pertence à Ordem dos Frades Menores (OFM). Foi ordenado presbítero em 21 de janeiro de 1978, desempenhando diferentes serviços no Brasil e em Roma, onde foi professor no Pontifício Ateneu Antoniano. Em 2 de fevereiro de 2005, Dom Leonardo Ulrich Steiner foi nomeado bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), sucedendo a Dom Pedro Casaldáliga. Foi Secretário Geral da CNBB de 2011 a 2019, sendo nomeado Bispo auxiliar de Brasília em 21 de setembro de 2011. Dom Leonardo Ulrich Steiner é Arcebispo de Manaus desde 27 de novembro de 2019, tomando posse da Arquidiocese no dia 31 de janeiro de 2020. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Moradores da zona rural de Coari recebem assistência para combate à Covid-19

Em meio à flexibilização ao uso de máscaras e regras de distanciamento contra a Covid-19 no Amazonas, a Cáritas Brasileira segue realizando ações de combate à pandemia que vitimou mais de 14 mil vidas no estado. Através do Projeto Ajuri – Pela Vida da Amazônia, a organização realizou no último mês a entrega de cartões de compra de produtos de higiene para moradores de Coari, município localizado a 363 km de Manaus. A distribuição de cartões faz parte da segunda etapa do projeto. Foram distribuídos 39 cartões com saldo de R$ 45 que serão usados pelos moradores da zona urbana da cidade cadastrados no projeto para comprar produtos de higiene como água sanitária, álcool em gel, sabonetes, entre outros. Para a dona de casa Yasmin Gomes, 18, moradora do bairro Nazaré Pinheiro, o recurso chega no momento certo. “Foi muito boa essa ajuda que estão nos dando porque são materiais que ajudam a prevenir a covid e  são essenciais nesse tempo de pandemia”, afirma Yasmin. Informação como prevenção Além dos cartões, os moradores da zona rural receberam 149 kits de higiene e orientações de educadores sociais sobre higiene pessoal, importância da vacinação e uso da máscara.  O acesso à informação disponibilizado pelo Ajuri sobre a gravidade e prevenção da Covid-19 foi uma ferramenta que transformou a vida dos beneficiários do projeto.  É o caso da pescadora Luzinete da Silva, 46, moradora da comunidade São Francisco do Laranjal, zona rural de Coari. A pescadora contraiu a doença junto com sua família e perdeu sua mãe para Covid-19 em 2021. Após participar do projeto Ajuri, ela entendeu a importância de se proteger contra a doença. “O projeto chegou numa hora boa, ajudou não só a minha família, mas outras também na questão da prevenção. Agora sabemos mais sobre como lavar as mãos, usar o álcool em gel e limpar a casa”, afirma Luzinete. Vacinas O estímulo à vacinação é um ponto de destaque na atual fase do projeto. Coari ocupa atualmente o nono lugar no ranking de vacinação contra a Covid-19 no estado com 95.266 doses aplicadas.  Por meio de dinâmicas que esclarecem as dúvidas sobre a vacina, os beneficiários do projeto combatem as fake news.  “Eu acho a vacina muito importante, já deveria ter tido há muito tempo e assim muitas vidas teriam sido salvas”, concluiu a agricultora Maria Pontes da Silva, 38, moradora do bairro Vila Lourenço. Para Jason Katz, oficial de programas do Escritório de Assistência Humanitária (BHA) da Agência dos Estados Unidos pelo Desenvolvimento Internacional-USAID, financiadora do Ajuri, que esteve presente em Coari, passar a mensagem da importância da vacinação é algo primordial para garantir a saúde das pessoas atendidas pelo projeto. Na primeira fase do projeto, famílias foram atendidas com a doação de sistemas de captação de água da chuva para consumo. Desde que iniciou, em dezembro de 2020, o Ajuri já beneficiou cerca de 22.500 pessoas nos municípios que atua: Coari, Tefé, Fonte Boa, Itacoatiara e Parintins. Nestes municípios foram realizadas ainda reuniões para debater o andamento do projeto com parceiros locais que vão desde o poder público até pequenos comerciantes. De acordo com a coordenadora do Ajuri, Márcia Miranda, levar o projeto para localidades que muitas vezes o poder público não chega, faz com que seja importante o diálogo com diferentes segmentos de atuação para atender mais pessoas. Um outro ponto levantado pela coordenadora foi o fortalecimento da economia local causado pelo projeto. “Em Parintins, tivemos comerciantes que precisaram contratar mais pessoas para que assim conseguissem atender o projeto que prioriza a compra no comércio local”, enfatiza Márcia. O Projeto Ajuri pela Vida na Amazônia é desenvolvido pela Cáritas Brasileira, com financiamento da USAID – US Agency for International Development, e apoio da Catholic Relief Services. A execução do projeto acontece em parceria com a Articulação Norte 1 da Cáritas Brasileira, e com as Cáritas das Prelazias de Tefé e Itacoatiara e das Dioceses de Coari e Parintins. Atualmente, o projeto segue em sua segunda fase de realização, continuando com as ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus nos territórios do interior do Estado do Amazonas.   Dirce Quintino – Assessoria local de comunicação do Projeto Ajuri

Nova Secretaria do Regional é apresentada em encontro com as pastorais do Regional

Com os representantes das pastorais, movimentos e organismos que fazem parte do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, aconteceu na tarde desta terça-feira, 5 de abril de 2022, o encontro onde foi apresentada a nova equipe do Regional. Dom Tadeu Canavarros, vice-presidente do Regional Norte 1, agradeceu a presença de cada um e cada uma, apresentando a nova equipe, formada pela Ir. Rose Bertoldo, secretária executiva, Eduardo Soares, auxiliar administrativo, e Maria Raimunda, assistente de serviços gerais. Uma equipe chamada, segundo o bispo auxiliar de Manaus, a continuar construindo o rosto desta Igreja na Amazônia. O padre Zenildo Lima, que já foi secretário executivo do Regional Norte1, explicou a caminhada do Regional Norte1, filial da CNBB Nacional. O reitor do Seminário São José de Manaus, explicitou as peculiaridades do nosso Regional, fazendo um recorrido pela história do Regional e as figuras dos secretários e secretárias executivos, destacando os aportes de cada um e cada uma. Ele definiu o secretário como aquele que articula a comunhão entre as igrejas particulares e as pastorais seguindo o plano de evangelização e as diretrizes do Regional. Após se apresentar os coordenadores e coordenadoras presentes, a nova secretária, afirmou que “Deus vai fazendo seus caminhos”, dizendo se sentir “muito pequena para o tamanho do Regional”. A Ir. Rose Bertoldo se colocou “nessa disposição de caminhar juntos, de aprender, dar continuidade ao trabalho que vinha sendo realizado pelo anterior secretário, o diácono Francisco Lima”. A Ir. Rose Bertoldo insistiu na importância desse grupo que ajuda na caminhada pastoral do Regional e na construção coletiva dos momentos importantes na caminhada do Regional, como é a Assembleia, os seminários e encontros que o Regional realiza ao longo do ano. Um grupo marcado pelo protagonismo das mulheres, que aos poucos vai se fortalecendo, algo nem sempre fácil em um Regional condicionado pelas distâncias, segundo indicou o padre Zenildo Lima. Nesse sentido, ele lembrava a predominância feminina na Igreja da Amazônia, algo colocado com intensidade no Sínodo para a Amazônia. Ao longo da reunião foi explicado como funciona a sustentabilidade do Regional nas despesas ordinárias e nos encontros das pastorais, organismos e movimentos, com os aportes das dioceses e prelazias e os projetos que chegam de fora, também com os aportes das coletas estipuladas pela CNBB ao longo do ano, algo que aos poucos vai aumentando. A Ir. Rose Bertoldo chamou a dar corpo às diretrizes do Regional, colocar em prática as diretrizes, o Documento Final do Sínodo para a Amazônia e a Querida Amazônia, na dinâmica da sinodalidade. Nesse sentido, lembrou os Seminários sobre Trafico Humano e das Pastorais Sociais, que serão realizados de 15 a 19 de junho. Também foi lembrado a Assembleia do Regional que será realizada de 19 a 23 setembro. Foi destacada a importância de se preocupar como Regional com a articulação das temáticas que fazem referência a fé e cidadania. A secretária se colocou a disposição para participar na medida das possibilidades dos encontros das pastorais, organismos e movimentos em nível regional, algo que aos poucos está sendo retomado. Nesse sentido, as pastorais foram apresentando o que está sendo realizado e planejado para este ano de 2022, relatando as luzes e as lutas que fazem parte da vida do povo e da Igreja do Regional Norte1.   A secretária executiva do Regional insistiu em “fazer circular essas atividades e a gente ter uma comunhão entre as pastorais, organismos e movimentos”. Ela disse sonhar com não ser grupos aparte, lembrando que a sinodalidade nos ensina muito. Também refletiu sobre se questionar o que cada um pode contribuir com outras pastorais, destacando que “não dá para não fazer um trabalho em rede”. Finalmente Dom Tadeu Canavarros agradeceu novamente a presença dos representantes das pastorais, organismos e movimentos, insistindo em que “possamos juntos avançar mais neste caminho da Amazônia”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

50 anos de Santarém: “Renovar, reencarnar, atualizar, essa obra missionária inserida na história da Amazônia”

De 24 a 30 de maio de 1972, o Seminário São Pio X de Santarém acolheu um encontro que muitos consideram decisivo, marcando as linhas prioritárias pastorais da Amazônia, recolhidas no Documento de Santarém. De 6 a 9 de junho de 2022, no mesmo local vai acontecer um novo encontro, apresentado em coletiva de imprensa neste 5 de abril. Um encontro que, em palavras de Dom Irineu Roman, é visto como “um tempo oportuno para a Igreja na Amazônia fortalecer o espírito de unidade e colegialidade, expressão da caminhada sinodal que estamos vivenciando”. Segundo o Arcebispo de Santarém, estamos diante de uma oportunidade para “a Igreja experimentar uma nova missão na encarnação na realidade e uma ação libertadora”, lembrando as palavras do Papa Paulo VI, onde dizia que “Cristo aponta para a Amazônia”, algo que chama à “responsabilidade comum diante dos grandes problemas e à opção preferencial pelos pobres”. O encontro que vai acontecer no mês de junho é visto por Dom Irineu Roman como momento para “renovar, reencarnar, atualizar, essa obra missionária inserida na história da Amazônia”, lançada 50 anos atrás. Um encontro que deve ser realizado em espírito sinodal, vivendo assim “uma experiencia de fraternidade e de fortalecimento de nossa caminhada eclesial na Amazônia”. “Celebrar 50 anos e revisitar este encontro que foi tão importante para nossa Querida Amazônia”, afirmou Dom Leonardo Ulrich Steiner. O Arcebispo de Manaus fez memória de como a “preocupação dos bispos reunidos fez com que se pensara numa Igreja encarnada e uma evangelização libertadora, duas linhas que ainda norteiam nossa evangelização na Amazônia”, o que deve levar a “revisitar esse documento inspirador”. Dom Leonardo vê o acontecido em Santarém 50 anos atrás como “o início do fruto que colhemos com o Sínodo”, de uma caminhada onde se discutiram as questões até chegar ao Sínodo que hoje nos orienta. De fato, muitos dos elementos do Documentos estão presentes no Sínodo, inclusive nos sonhos do Papa Francisco. Daí, o Arcebispo de Manaus lançou um convite: “Nos deixemos impregnar por aquele espírito que guiou os nossos irmãos e irmãs naquela ocasião, para podermos continuar a sermos testemunhas de Jesus, podermos continuar a sermos testemunhas do Reino de Deus, e buscarmos ser uma presença de esperança para a Amazônia, especialmente para os povos originários, mas também para o meio ambiente tão agredido nos últimos tempos”, insistindo na necessidade de “caminharmos com ousadia e coragem na nossa ação evangelizadora na Amazônia”. Santarém foi “um sopro do Vaticano II e de Medellín, que forçaram a Igreja da Amazônia a tomar decisões que nortearam os rumos da Igreja”, segundo Dom Roque Paloschi. Foi um momento que “dá os rumos para uma Igreja povo de Deus, valorizando os leigos e leigas, uma Igreja em saída, uma Igreja missionária”, segundo o Arcebispo de Porto Velho. Ele chamou a entender que “revisitar Santarém é agradecer e louvar a Deus pelos passos que a Igreja conseguiu dar”. Destacando “a importância de uma Igreja profética que não tem medo de defender a vida”, que se fez presente em Santarém 50 anos atrás, ele lembrou que no encontro surge o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que atualmente ele preside e que também está completando 50 anos, e em seguida surge a Comissão Pastoral da Terra (CPT), “o que mostra a sensibilidade da Igreja e de seus pastores com o povo de Deus, para dar respostas concretas a realidades tão sofridas”. Uma oportunidade para “uma tomada de decisão muito profunda da Igreja na Amazônia em favor dos povos da Amazônia, em defesa da questão ambiental”, é um elemento que define o encontro de Santarém em 1972, segundo Márcia de Oliveira. A assessora da REPAM-Brasil destaca que “já nascia 50 anos atrás sementes de uma ecologia integral que hoje estamos cultivando na missão, no trabalho, na atuação da Igreja em toda a Amazônia”. “Santarém traz para o debate da Igreja novos lugares de fala, novos lugares de participação, novos territórios, novos avanços para a Igreja nos grandes desafios que a Igreja passa a assumir naquele momento”, segundo a socióloga. Ela insistiu em que “em Santarém se reposiciona uma Igreja dos pobres, uma Igreja com rosto dos camponeses, com rosto dos povos indígenas, com rosto das mulheres, com rosto das periferias”. Santarém nos mostra “uma Igreja que se compromete com a causa dos pobres da Amazônia”, vendo naquele encontro “um momento importante que reconhece o protagonismo dos povos indígenas na defesa da Amazônia”. O encontro de junho será oportunidade para aprofundar os desafios surgidos 50 anos atrás, “porque os problemas também se multiplicaram, os desafios estão aí presentes”, segundo o Arcebispo de Santarém, quem também destacou elementos positivos, que geram esperança. No encontro terão que aparecer algumas questões muito preocupantes para a Amazônia, como é a questão do garimpo e o mercúrio, que cada vez atinge mais pessoas na Amazônia, algo que “vai matando as pessoas devagar”, afirmou Dom Leonardo Steiner. Santarém foi um encontro que ajudou estreitar os laços entre a Igreja da Amazônia e a Igreja do resto do Brasil, aumentando o número de missionários na região, segundo o Arcebispo de Manaus, algo que marcou a vida da Igreja nos últimos 50 anos, insistindo em que “a caminhada da Igreja na Amazônia fez bem para a Igreja no Brasil”, ajudando em uma caminhada de esperança, fecunda, profética. Uma caminhada extraordinária que sempre tem estado muito presente no coração do Papa Francisco. Em relação com os povos originários, Dom Leonardo insistiu em que “há necessidade de nós aprofundarmos a nossa relação”, em dar cada vez mais voz a eles, em não ter receio de a Igreja estar presente em meio desses povos. Não podemos esquecer que “os territórios indígenas são as áreas mais bem preservadas do Brasil”, insistiu Dom Roque Paloschi, que também destacou que “a nossa fé não está desligada da vida”, e que “não é possível como cristãos caminhar por caminhos de morte e destruição, onde se alimenta o ódio”. Em relação com isso, Márcia de Oliveira chamou a atenção sobre a descolonização das práticas pastorais…
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Prelazia de Borba celebra Congressos Bíblicos dentro do Ano da Palavra

A Prelazia de Borba está celebrando em 2022 o Ano da Palavra. Dentro da programação e na tentativa de aprofundar no conhecimento da Palavra de Deus, aconteceu de 1º a 3 de abril de 2022 o Congresso Bíblico na Forania São Marcos, com grande participação dos representantes das 4 paróquias que fazem parte dessa Forania: Paróquia Cristo Rei, de Borba; Paróquia São João Batista, de Axinim; Paróquia Santo Antônio de Borba; e Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Borba. Na Missa de abertura, presidida por Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, o bispo da Prelazia de Borba insistiu em que “tudo tem que partir da Palavra de Deus”, que deve “ser para nós uma experiência de interpelação, de aprofundamento”, onde Deus manifesta seu amor. Segundo Dom Zenildo, “participar desse Congresso significa participar da graça de Deus”, encontrando nele uma proposta a missão. Ele insistiu em que o Espírito Santo no Congresso vai ajudar a ensinar, recordar, guardar. Também neste último final de semana, com grande participação, aconteceu o Congresso Bíblico na Forania São Mateus, com a participação da Paróquias Nossa Senhora de Nazaré e São José, de Nova Olinda do Norte e N. S. do Rosário, de Canumã. O Ano da Palavra na Prelazia de Borba tem como tema “A Palavra habitou entre nós” e seguirá o Documento 114 da CNBB. O Ano da Palavra “vem para dar um impulso em nossas prioridades e motivações”, tendo como objetivo “animar, reforçar e formar para a Evangelização”. O Ano da Palavra pretende ajudar a “conhecer a Deus, tomar consciência de sua vontade”. Ao longo de 2022 serão celebrados congressos bíblicos em cada umas da foranias, multiplicados os grupos de reflexão, formar ministros e catequistas… Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Agenor Brighenti: Na Reforma da Cúria “não é o mais importante a ortodoxia senão a ortopraxia”

No dia 19 de março foi dado a conhecer o resultado de “uma tarefa encomendada a Francisco ainda nas congregações de sua eleição”, segundo Agenor Brighenti. Essa missão era a Reforma da Cúria. Para isso, “foi constituída uma comissão para pensar isso, e foi um processo realmente longo, praticamente 9 anos, mas é porque o Papa Francisco quis fazer um processo de uma maneira sinodal”. O teólogo brasileiro destaca que o Papa consultou não só a Cúria, mas também as conferências episcopais, os canonistas, as faculdades de teologia, “um processo longo, mas que desemboca em passos importantes”. Ele destaca cinco elementos na Constituição Apostólica Praedicate Evangelium. O primeiro é “a passagem do administrativo ao pastoral, colocar a evangelização no centro da natureza e da organização da Cúria”. Essa passagem foi feita pelo Vaticano II, “mas em termos de organismos de Igreja, nós continuamos muito no administrativo”, em todos os níveis de Igreja. Por isso, o pastoralista destaca que “um ponto importante aqui é colocar no centro o pastoral, a evangelização”. Isso atinge os funcionários da Cúria, “vai ter que ser gente que além da competência, tem que ser gente com experiência de pastoral, com processos de engajamento na evangelização”, afirma o padre Brighenti. O segundo ponto, que destaca, “é desvincular o poder de governo na Igreja do clero”. Para o teólogo, “o poder de governo na Constituição não vem do Sacramento da Ordem, mas o poder de governo na Igreja, ele se funda no Sacramento do Batismo”, uma ideia presente na exortação Querida Amazônia. Nesse sentido, Agenor Brighenti faz referência a que “não precisa ser clérigo nem para presidir o dicastério, basta ser um cristão, que reúne evidentemente o perfil, a competência, o testemunho, a vivência”. Isso contrasta com a eclesiologia pré-conciliar, onde “se dizia expressamente que a Igreja é composta por dois géneros de cristãos, os clérigos e os leigos, o clero é o polo ativo, em que reside todo o poder e toda iniciativa, e os leigos são o polo passivo, a quem cabe obedecer docilmente ao clero”, lembra o teólogo. Mesmo superada no Vaticano II, “ficou a meio caminho como tarefa pendente, porque em muitos aspectos, o próprio Direito Canônico, ele praticamente reserva o poder de governo aos ministros ordenados, quando em realidade isso brota do Batismo, todos pelo Batismo se tornam sacerdotes, profetas e reis”. Em terceiro lugar coloca “que a Cúria deixa de ser uma instância intermediaria entre o Papa e os bispos, entre Roma e as dioceses, para ser uma instância de serviço a ambos, tanto ao Papa quanto às igrejas locais. A Cúria deixa de ser uma instância de controle, ou de poder, para ser uma instância de serviço”. Ele lembra que “a Cúria historicamente, ela aprendeu a ser uma instância de controle, de poder, uma instância intermediaria entre o Papa e os bispos, as igrejas locais, inclusive com poder sobre as Igrejas locais, tomando às vezes decisões, quase como que com certa autonomia em relação ao Papa. Agora a Cúria Romana está ao serviço das igrejas locais e ao Papa, não é uma instância intermediaria, é uma instância de serviço”. A quarta mudança “é a maior autonomia às igrejas locais e ao bispo diocesano”, algo presente na Evangelii Gaudium, que fala da “necessidade de uma sã descentralização do poder na Igreja, da gestão, da administração do governo na Igreja”. Com esta Constituição, “ao ministério petrino são reservadas questões de doutrina, mais ligadas à questão da ortodoxia, em questão mais centrais, mas em outras questões, os bispos e as dioceses locais, terão muita maior autonomia, muito maior poder de governo, porque na maneira que a Igreja anda, quase que o bispo diocesano era um colaborador do Papa”, afirma o teólogo. Na Praedicate Evangelium, “o bispo diocesano ele faz parte do colégio e esse colégio tem uma preocupação pelas solicitudes das igrejas, mas tem como finalidade, desde o princípio de subsidiariedade, apoiar as igrejas locais, servir as igrejas locais. Para poder haver corresponsabilidade, tem que haver autonomia. Com esta Constituição as igrejas locais vão ter muita maior autonomia e o bispo diocesano também”, segundo Agenor Brighenti. A quinta mudança é com relação às conferências episcopais, “que elas também deixam de ser instâncias intermediarias, como eram concebidas”, em palavras do pastoralista. Agora “são organismos de subsidiariedade. Elas não interferem nem no ministério petrino e nem nas igrejas locais. Elas servem tanto o ministério petrino como servem também às igrejas locais. São organismos de serviço em ordem à evangelização”. “As conferências episcopais vão ter também muito maior autonomia, para poder fazer esse serviço de subsidiariedade”, lembra Brighenti, insistindo em que “não é interferência, é no sentido de serviço, de apoio, de subsidiar”. Agora a Constituição “dá uma força, dá uma visibilidade, dá uma margem de aplicação desse princípio de subsidiariedade no governo da Igreja”, segundo ele, que vê a necessidade de “as conferências episcopais repensar seus estatutos, tornar-se muito mais eclesiais do que simplesmente episcopais”, na linha da sinodalidade. Ele destaca outros pontos em relação com a Cúria: “o mandato de 5 anos, porque trabalhar na Cúria não é carreira, não é prêmio, não é algo vitalício, é um serviço temporário”, que tem que ser realizado por gente engajada na pastoral. O Dicastério para a Evangelização, “que é o primeiro, é central, vai unir dois organismos que existiam anteriormente e eles vão ser chefiados pelo Papa”. Segundo Agenor Brighenti, “a tarefa de evangelizar é a essência da Igreja e isso é a missão do ministério petrino, e essa é a missão de todo bispo, a centralidade da evangelização, e isso a Cúria Romana o coloca em primeiro lugar, uma mudança importante”. Também destaca a criação do Dicastério para o Serviço da Caridade, central na fé cristã, na linha do desenvolvimento dos povos de Gaudium et Spes. A Constituição cita explicitamente, lembra o teólogo, “a opção preferencial pelos pobres”, uma categoria muito latino-americana. Quer se superar o assistencialismo, mostrando “preocupação com a emancipação, com a inclusão dos marginalizados”. Deixa de ser central o Dicastério da Doutrina…
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1º Ajuri de Ecologia Indígena: novos compromissos para o cuidado da Casa Comum no Alto Solimões

Uma Igreja com rosto amazônico é construída em sinodalidade, caminhando junto com os povos indígenas. Belém do Solimões, na Diocese de Alto Solimões tem se tornado uma referência de Igreja inculturada, que acompanha as comunidades do povo Ticuna, o mais numeroso da Amazônia, espalhado na Tríplice Fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Perú, mas também outros povos indígenas da região. Nessa caminhada, aconteceu de 27 a 30 de março de 2022 o 1º Ajurí de Ecologia Indígena, organizado pela Associação de Desenvolvimento Artístico e Cultural da Aldeia Indígena de Belém do Solimões (ADACAIBS) e a Associação de Mulheres Indígenas MAPANA, com a participação de mais de 300 indígenas, de mais de 30 comunidades das Terras Indígenas Eware I e Eware II, entre caciques e lideranças, com grande participação de jovens e mulheres, dos povos Ticuna, Kokama e Kambeba. O objetivo era “buscar juntos soluções possíveis, abraçar novos compromissos e projetos para os problemas urgentes, crescentes e comuns das comunidades participantes”, tendo como lema: Ngi’ã tadaugü torü ĩpata ya guanearü! (Vamos cuidar de nossa Casa Comum!). Nos encontros, onde a língua indígena é a forma de se comunicar, também se fazem presentes outras expressões culturais da região, que mostram a mística que acompanha a vida dos povos originários, o que facilita a compreensão aos indígenas de diversas etnias e línguas presentes nos encontros. Nesta ocasião foi apresentado em forma de teatro diferentes realidades que atingem aos povos: diminuição e falta de peixes, diminuição e falta de madeira, aumento do lixo, falta de saneamento básico, alcoolismo, drogas, violência… O fato de se reunir as comunidades indígenas, de caminhar juntos, em prol do cuidado da Casa Comum, se torna um elemento importante, também para a vida da região e de uma Amazônia constantemente ameaçada. O encontro foi momento para socializar experiências que ajudam entender que é possível mudar a realidade, também nas comunidades indígenas. Nesse sentido, os participantes do encontro conheceram o Projeto Guardiões ecológicos, da REPAM-Brasil; o Projeto Agrovida  (REJICARS); o Projeto Vida, das irmãs Cordimarianas, financiado por MISEREOR/FUCAI; a Eco Cooperativa Manaus; projetos de Avicultura/Agricultura da MAPANA (IDAM). Mas também escutaram os gritos que vem das comunidades, o que levou a buscar possibilidades de somar entre as diferentes instituições que trabalham na região, dentre elas a Paróquia São Francisco de Assis de Belém do Solimões, os Frades Menores Capuchinhos de Belém do Solimões, a Diocese de Alto Solimões, a Caritas, o CIMI, a REPAM-Brasil, e as comunidades indígenas. A voz das mulheres e jovens indígenas tem iluminado os participantes do encontro para “compreender aonde precisamos avançar para amadurecer como povos indígenas das terras Eware I e Eware II, com protagonismo e reponsabilidade para com a nossa Mãe Terra e as futuras gerações”. Tudo o que foi vivenciado no encontro foi recolhido no Documento Final, onde são relatadas as ações que devem ser realizadas a curto, médio e longo prazo, nascidas “de uma atenta escuta e de uma maior conscientização de todos”, e apoiadas por unanimidade. A curto prazo serão realizadas oficinas sobre cada uma das temáticas, no mês de junho, para professores e estudantes indígenas; a preparação do 9º Festival de Cultura Indígena do Eware, a ser realizado de 4 a 9 de julho de 2022, com a temática da Ecologia; prosseguimento do 1º AJURI de Ecologia Indígena, envolvendo também as comunidades que não se fizeram presentes. A médio e longo prazo, os participantes decidiram elaborar o projeto de um centro cultural de formação; realizar, durante o 9º Festival de Cultura Indígena, o próximo Encontro Geral das comunidades do Eware I e II, com a presença dos caciques, para dar vida oficial ao Centro Cultural e planejar os próximos passos; projeto para um centro de triagem de materiais recicláveis para comercialização; projeto para abertura de uma delegacia indígena em Belém de Solimões. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1  Com informações dos Frades Menores Capuchinhos de Belém do Solimões

Grita pela Vida na esperança de um mundo melhor

Deus ouviu o clamor de seu povo no Egito e enviou um libertador. Acreditamos em um Deus que não é alheio ao sofrimento do povo, que não olha para o outro lado diante das injustiças, que acolhe, abraça e cuida das vítimas, mas que faz isso através da gente. 15 anos atrás nasceu a Rede um Grito pela Vida, uma iniciativa da Vida Religiosa no Brasil para acompanhar as vítimas de um crime ignorado secularmente: o tráfico de pessoas e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Tem sido uma caminhada nem sempre fácil, que desde 2011 também está presente na Amazônia, rota de tráfico de pessoas e local de exploração sexual de crianças e adolescentes, muitas vezes disfarçada, provocando situações gritantes que tem como consequência o sofrimento de muitas vítimas inocentes. “No Grito da Vida nasce a Esperança”, foi o lema escolhido pela Rede um Grito pela Vida para comemorar seus 15 anos de caminhada. São palavras que devem nos levar a tomarmos consciência da necessidade de não ficarmos calados diante de situações que geram morte, que acabam com os sonhos de tanta gente. Um grito que tem que ser coletivo e que deve ser assumido como consequência da nossa condição de cidadãos e cidadãs, mas também da nossa fé, do nosso compromisso com um Deus libertador, solidário, compassivo, misericordioso. A fé nos ajuda a ir além, a superar os medos que muitas vezes nos acomodam e nos impedem assumir as causas do povo que sofre. A fé no Deus de Jesus Cristo nos leva a sair de nós e nos colocarmos no lugar do outro, dos invisibilizados, dos descartados por uma sociedade construída em base da exploração dos pequenos. O Evangelho nos leva a gritar, a anunciar a Boa Nova, que se traduz em gestos e atitudes concretas em favor da vida plena para todos e todas, também para aqueles que sempre foram colocados na margem da história. O que é que está apagando nossa voz? O que está nos impedindo de nos comprometermos na defesa da vida? Por que aos poucos a gente vai perdendo a esperança de lutar por um mundo melhor para todos e todas? O que faz com que a gente se encerre dentro de si e esqueça que bem próximo de nós tem pessoas que são vítimas da exploração sexual e do tráfico humano? As comemorações tem que ser momentos para nos impulsionar e nos fortalecer, para colher forças que nos ajudem a continuar na luta. A vida continua nos chamando e nos desafiando a ir além, a olhar as vítimas e dizer para elas que estamos dispostos a ficar do seu lado, a acompanhar seu sofrimento e continuar apostando na vida. Esse é um chamado para a gente, para mim, para você, para todos e todas nós. Não olhe para o outro lado, não pense que não tem nada a ver com a gente. Tem sim, se convença disso, assuma seu compromisso e se torne um libertador, uma libertadora, que tire do sofrimento as pessoas que hoje continuam sendo escravizadas por uma sociedade cruel, sem sentimentos, que olha para as pessoas como objetos e não como portadoras de vida plena. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Ir. Valmí Bohn: “Lutar por justiça e por políticas em prevenção do tráfico humano, são desafios constantes”

No dia 30 de março de 2007 nascia, como uma iniciativa da Conferência dos Religiosos do Brasil, a Rede um Grito pela Vida. Após 15 anos de caminhada é momento de “louvor e agradecimento por toda a caminhada feita”, segundo a Irmã Valmí Bohn, SDP, atual coordenadora da Rede. Tem sido um tempo de colocar-se a caminho, buscando “ajudar a resgatar as vidas que estão sendo ameaçadas”, especialmente “as mulheres, crianças, adolescentes e pessoas que são traficadas e exploradas”, afirma a religiosa da Divina Providência. Segundo ela, com a maior visibilidade da rede, conquistada aos poucos, “vai se tornando cada vez mais visível a necessidade do ser humano assumir o seu papel de cuidar da vida de outro ser humano”. A religiosa destaca a figura do Papa Francisco como aquele que “conseguiu trazer para a sociedade mundial esse desafio, esse problema da exploração, do abuso, do tráfico humano, de pessoa vendendo pessoa”. Junto com isso, insiste na “missão de sensibilizar, de capacitar, de informar, de denunciar, de ir tecendo redes e parcerias nessa luta por justiça e por políticas em prevenção do tráfico humano”. Para isso convida a “se abrir para ouvir e acolher os gritos das crianças, jovens, mulheres aliciadas para o tráfico humano e exploração sexual e laboral”. A Rede um Grito pela Vida está completando 15 anos, como a gente poderia definir esse caminho assumido principalmente pela Vida Religiosa do Brasil? A gente pode resumir de uma forma de louvor e agradecimento por toda a caminhada feita. Em nosso trabalho sempre partimos de uma mística que é inspirada no projeto de Jesus, que convida para abrir as portas, para sair, para atravessar as ruas, para atravessar o rio, para atravessar as nossas fronteiras pessoais e ir ao encontro dos outros. Essa saída, leva a colocar-se a caminho, nos leva a querermos sempre de novo ajudar a resgatar as vidas que estão sendo ameaçadas. Também temos muito presente os carismas congregacionais, os carismas que cada pessoa traz dentro de si, nessa defesa de uma posição de indignação, de compaixão, de profecia, na defesa dos direitos humanos, a gente vai tentando resgatar a vida que está aí. Nesses 15 anos, a gente fez o papel de se colocar nesse caminho junto com as mulheres, crianças, adolescentes e pessoas que são traficadas e exploradas. É um tempo de muita graça, de muito louvor por toda a caminhada que foi feita durante esses 15 anos nos diferentes estados dos nosso país. A gente está no momento em 22 estados, com 28 núcleos. É um espaço pequeno em alguns lugares, mas que nos faz voltar à proteção, ao resgate das vidas ameaçadas. Poderíamos dizer que a Rede um Grito pela Vida é uma expressão de uma Igreja samaritana, assumida pela Vida Religiosa. O que isso tem representado na caminhada da Vida Religiosa no Brasil? Podemos dizer que é um espaço que a Vida Religiosa assumiu como Conferência dos Religiosos do Brasil, e a partir daí esse processo de realmente abraçar a causa na defesa da vida das mulheres e crianças. Claro que nem toda a Vida Religiosa abraça isso, porque tem também outras causas desafiantes para abraçar e assumir. Porém, é sempre um desafio para a Vida Religiosa, assumir esse processo de se lançar e se colocar a caminho, de promover gestos concretos na defesa da vida, em todos os sentidos e em todas as circunstâncias, porque o tráfico humano tira toda a dignidade do ser humano, e um dos grandes papéis da Vida Religiosa é ajudar a resgatar essa dignidade para que a pessoa possa se reestruturar e possa reiniciar uma vida mais digna dentro de uma sociedade cruel, que explora muito hoje o ser humano em todas as dimensões. Em que mudou a sociedade brasileira e a realidade do tráfico humano nesses 15 anos? Com a visibilidade que a Rede vai conquistando em cada espaço, em cada instância social nos diferentes estados, nessa conquista de espaço vai se tornando cada vez mais visível a necessidade do ser humano assumir o seu papel de cuidar da vida de outro ser humano, de não ficar somente ao redor de si, mas também de ter um olhar além. As redes sociais hoje dificultam isso também, porque a rede social, se a pessoa não cuida, ela se volta a si mesma e esquece quem está ao seu redor. A visibilidade da Rede que a gente consegue, a nível de Brasil e da América Latina, vai ajudando também as pessoas a tomarem consciência da necessidade dessa abertura, de poder olhar para o outro como um ser humano, como alguém que precisa de ajuda, como alguém que precisa de uma relação próxima para poder também ser um portador de vida para com as pessoas com que ela convive. O tráfico humano sempre foi uma realidade escondida. Até que ponto a Rede um Grito pela e outras iniciativas similares no Brasil e no mundo estão ajudando a tomar consciência sobre isso e se realmente na Igreja e na Vida Religiosa do Brasil são realizados esforços para que esse crime seja mais visível e combatido com mais força? Diante desses 15 anos de atividades, no começo era muito invisível o crime do tráfico humano. Hoje já, com 15 anos de atividades da Rede, nos diferentes estados, com as muitas e variadas atividades e ações concretas, tanto a nível de Vida Religiosa, como também na sociedade civil, que é um espaço que foi se conquistando aos poucos, a gente consegue marcar uma presença e tornar muito mais visível esse crime, que precisa ser olhado com muito carinho, que precisa ser olhado com muita misericórdia, com muita compaixão, para poder ajudar essas pessoas que são necessitadas e que sofrem violência das mais diferentes formas. Não só da violência do tráfico humano, mas também os outros tipos de violência que hoje rondam o tempo todo à pessoa humana. A nível de Brasil, a gente tenta, da melhor forma, mesmo sendo grupos pequenos, dar uma visibilidade maior, também pela participação e…
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